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Intuição

Intuição

 

Não é preciso ser mágico, médium ou ter poderes sobrenaturais para terintuições.

Prestar a atenção nas coisas, aprender a aceitar os registros inconscientes, procurar desenvolver a criatividade e estar com a mente relaxada já são ferramentas mais do que suficientes para que você consiga se beneficiar com esta característica humana:a capacidade de intuir.

Sabe aquele insight que, de repente, ilumina uma difícil decisão ou aquela sensação de que "alguma coisa lhe diz" para agir desta ou daquela maneira? Pois é, estas são provavelmente manifestações da sua Intuição . E, se você aprender a lidar com elas, isso pode realmente facilitar sua vida.

A Intuição sempre intrigou os pensadores e estudiosos.

Platão, o filósofo grego que viveu aproximadamente entre 428 e 347 a.C., afirmava existirem três formas de conhecimento:crença, opinião, raciocínio e Intuição .

Já no século 20, mais especificamente no ano de 1921, o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, num livro chamado ‘Tipos psicológicos’, registrou os avanços importantes sobre o polêmico e intrigante assunto.

Nele, Jung se refere a quatro atividades mentais:sentimento, pensamento, sensação e Intuição . Para Jung, longe de ser uma característica "irracional", a Intuição é uma função de juízo, tanto quanto o pensamento e, ao contrário, da sensação e do sentimento.

A psicanalista Priscila Gaspar explica o que é e qual é a melhor forma de lidar com sua Intuição .

O que é Intuição ?

A palavra Intuição vem do latim “intuire”, que significa "ver por dentro". No entanto, o conceito de Intuição varia um pouco conforme a linha de pensamento.

Para Jung, a Intuição é uma capacidade interior de perceber possibilidades, enquanto que o filósofo Emerson a considera uma sabedoria interior que se expressa por si própria.

Kant vê a Intuição como o conhecimento que se relaciona imediatamente com os objetos, ou seja, que mostra realidades singulares e que não depende da abstração, ou seja, é aquilo que se sabe, sem precisar deduzir para concluir.

Kaplan diz que a Intuição é, provavelmente, uma condensação de uma ou mais linhas de pensamento racional num único momento no qual a mente reúne rapidamente uma gama de conhecimentos e passa para a conclusão, que é a parte do processo que ele recorda.

Muitas vezes, a Intuição condensa anos de experiência e de aprendizado num clarão instantâneo.

O poder dos insights

Quando nos remetemos ao conceito de Kaplan, a Intuição passa a ser algo que nos é revelado num certo momento, por insight. Isso implica em um processo, que inclui raciocínios anteriormente elaborados e com sequência lógica. Como esse processo se passa de forma inconsciente, temos a impressão de que é atemporal, quando na verdade trata-se apenas da conclusão súbita de algo que já estava sendo elaborado.

A ciência positivista só permite avaliar os dados observados objetivamente e a Intuição , por ser um processo eminentemente interno, não pode ser estudada pelo método científico convencional. Seria tema, portanto, da Filosofia. No entanto, o fato de não poder ser estudada pela Ciência não significa que não seja aceita pelos cientistas. Ao contrário, são muitas as histórias a respeito de teorias científicas que se iniciaram a partir de uma Intuição , para, num segundo momento, serem testadas pelo método científico. Encontramos vários exemplos em livros que tratam de história da ciência e também em algumas publicações de Filosofia.

Será que a Intuição aponta sempre para o caminho certo?

A Intuição pressupõe uma condensação de conhecimentos e raciocínios lógicos, que são revelados de forma súbita. No entanto, mesmo tendo fundamento lógico, não quer dizer que esteja sempre certa.

Jung dizia que a Intuição é uma forma de se prever possibilidades. Por maior que seja a possibilidade de algo ocorrer, ainda assim, existe a possibilidade de não ocorrer.

Muitas pessoas se arrependem, por vezes, de não terem seguido sua Intuição em determinados momentos da vida. Porém, o arrependimento é fruto de um resultado insatisfatório. Será que se o resultado fosse satisfatório elas se lembrariam de que não seguiram a Intuição , admitindo para si mesmas que a Intuição estava errada?

Por condensar uma série de conhecimentos, a Intuição tem grande probabilidade de estar certa, mas isso não significa que estará sempre certa! E, atenção ainda maior deve ser prestada para evitar confundir Intuição com medos, pressentimentos e até mesmo superstições.

Cuidado, seus medos e preconceitos podem contaminar sua Intuição

É necessário considerar as diferenças entre Intuição , insight, pressentimento e presságio. Enquanto que, para Jung, a Intuição é uma capacidade de prever possibilidades, insight é a forma pela qual a Intuição é revelada, ou seja, a súbita tomada de consciência do conhecimento intuitivo. O pressentimento seria uma impressão ou sentimento de que um fato irá ocorrer. Já o presságio é um fato a partir do qual se supõe que ocorrerá um evento não relacionado a ele, ou seja, o que se costuma chamar de sinal.

Você pode, por exemplo, avaliar consciente ou inconscientemente que o tempo está ruim, perceber que há certa confusão no aeroporto, desorganização e apreensão por parte das pessoas que lá trabalham, de forma a intuir que existe maior possibilidade de que ocorra um acidente. No entanto, é apenas um conhecimento interno sobre possibilidades, não significa que um acidente irá ocorrer. Isso, aliado ao seu medo, pode ser interpretado como um pressentimento.

Se ocorrer algo diferente, por exemplo, um atraso, você derrubar café na roupa ou algo assim e isso é interpretado como um sinal de que você não deve viajar, então trata-se de presságio. Um presságio, ao contrário da Intuição , não tem nenhum fundamento lógico e se baseia mais em medos e superstições do que em conhecimentos anteriores.

Saindo do campo racional, podemos também incluir a possibilidade de se adquirir conhecimento a partir do inconsciente coletivo, trazer conhecimento de vidas passadas e também a questão da transmissão mediúnica, ou seja, a partir de entidades espirituais. Infelizmente, não temos como saber se essas intuições provêm realmente desses meios ou se consistem em criações mentais da própria pessoa, do próprio inconsciente.

Aprenda a provocar sua Intuição

Primeiro é importante lembrar que mesmo os cientistas mais cartesianos usam a Intuição e um enorme potencial criativo. A parte de observação objetiva e racional da pesquisa ocorre após a elaboração de um problema ou teoria, que geralmente nasceu de uma Intuição .

De um modo geral, as pessoas criativas são mais intuitivas e têm facilidade de entrar em contato com as emoções e com a imaginação. Processam rapidamente as informações, relacionando automaticamente as experiências passadas às informações importantes e ao momento presente.

Muitas vezes a educação formal bloqueia a manifestação do lado intuitivo/subjetivo do sujeito porque na escola convencional, na qual uma autoridade transmite o saber, valoriza-se muito mais a parte racional/objetiva. A princípio poderíamos pensar que essas duas partes são opostas e que teríamos de optar por uma delas.

No entanto, observamos que ambas as partes são necessárias e que se complementam. O que devemos evitar é o bloqueio dessa parte intuitiva e criativa, que é interna e subjetiva.

Para desenvolver a Intuição , algumas medidas são necessárias.

Leia, aprenda, alimente sua curiosidade.

A Intuição é uma condensação de conhecimentos anteriores, assim é fundamental aumentar a quantidade de conhecimento por meio de leituras diversas e das mais variadas formas de aprendizagem. Assuntos e experiências diferentes possibilitam aumentar as possíveis linhas de raciocínio que culminam na Intuição . Entenda-se por experiência tudo o que é vivido e observado, tanto dentro como fora de si mesmo.

Conheça-se a si mesmo

Outro ponto importante é aprender a diferenciar o que é uma experiência objetiva de uma subjetiva. Uma experiência objetiva é aquela que pode ser compartilhada por outras pessoas, como por exemplo, observar um objeto e descrevê-lo (forma, cor, tamanho etc.). A experiência subjetiva depende de valores, crenças e afetos do observador, por exemplo, se o objeto observado é feio ou bonito, se provoca sentimentos agradáveis ou desagradáveis, se faz lembrar de outro objeto ou de um fato etc. Para isso, entrar em contato com seu mundo subjetivo é essencial. A psicanálise é uma das técnicas que permite esse tipo de autoconhecimento, estimula o imaginário, bem como as associações e a percepção interna.

Dê asas à sua imaginação

Também estimulamos a Intuição e a criatividade por meio da observação e da expressão artística. Ouvir música, prestando atenção às emoções que ela nos provoca, assim como ir a museus e exposições são excelentes formas para iniciarmos o desbloqueio da Intuição . Num segundo momento pode-se partir para a expressão artística, cantando, tocando instrumentos, pintando etc.

A vantagem de provocar a Intuição é que com algum exercício e um certo treino você pode favorecer muitos insights e permitir que o conhecimento intuitivo aflore, aumentando assim seu potencial criativo.

Fonte: delas.ig.com.br

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Sexto sentido

Aquela voz interna sussurra, insistente dizendo:"Não vá, não vá..." Espontânea, surge com a rapidez de um raio. Seguro, você não tem dúvida de nada. Sua clara certeza, porém, não se alicerça no raciocínio lógico _ pelo contrário, muitas vezes entra em choque direto com ele.

A impressão é que esse chamado vem da parte mais profunda do ser, de um plano diferente das sensações fornecidas pelos cinco outros sentidos. Mas, por não saber exatamente onde localizá-lo ou como funciona, o chamamos simplesmente de sexto sentido.

Intiuição e sexto sentido são quase sinônimos. Pode-se dizer que a Intuição faz parte do sexto sentido, que inclui também premonição (capacidade de ver imagens do tempo futuro) ou mesmo a percepção de planos invisíveis ao olhar comum (vidência).

"Quando um avião está em vôo, fica 95% do tempo fora da rota. O que o comandante faz é ir ajustando e corrigindo a direção da aeronave, conforme o plano de vôo. Nós também temos uma rota, um plano para essa vida. A Intuição é o primeiro sinal que surge para apontar o caminho que está mais de acordo com nosso destino".

Para ouvir melhor esses sinais, é preciso tranquilizar a mente, recolher os sentidos.

Temos muitas vozes internas, que abafam nossa Intuição . É preciso ficar em silêncio para reconhecer nossa voz interior, sintonizá-la com nitidez. Meditação e momentos para ficar sozinho e em silêncio ajudam muito.

Mas existem outras técnicas. Uma delas é colocar em agendas ou no computador tudo o que nos preocupa. É como ter um arquivo fora da mente, que fica mais livre e vazia. Assim podemos seguir com mais facilidade os caminhos sugeridos pela Intuição - o verdadeiro nome da nossa sabedoria interior.

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Fonte: www.todos-os-sentidos.com.br

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"Se o senhor quer estudar em qualquer dos físicos teóricos os métodos que emprega, sugiro-lhe firmar-se neste princípio básico: não dê crédito algum ao que ele diz, mas julgue aquilo que produziu. Porque o criador tem esta característica: as produções de sua imaginação se impõem a ele, tão indispensáveis, tão naturais, que não pode considerá-las como imagem de espírito, mas as conhece como realidades evidentes." Albert Einstein

A importância

Não é fácil conceituar a Intuição . Se perscrutarmos os dicionários, encontraremos algo do tipo:a Intuição é o ato de ver, perceber, discernir, pressentir.

Fica-nos, então, aquela impressão de que a Intuição é o ato de ver algum objeto ou fenômeno de maneira diferente daquela normalmente vista pela maioria das pessoas que olham para esse objeto ou fenômeno.

Por exemplo:bilhões de pessoas, no decorrer de milhares de anos, já devem ter se deparado com um cenário, ao cair da tarde, onde, por trás de uma macieira repleta de frutos suspensos por pedúnculos, visualiza-se a Lua, fixa no firmamento. Quantos viram algo além de maçãs e da Lua? Pois é bem possível que num cenário como este e em seu sítio, em Woolsthorpe, o jovem Isaac Newton, com apenas 24 anos de idade, tenha visualizado, além de maçãs e da Lua, a inércia retilínea e a atração entre corpos com massa. Entre a visão normal, ou o ato puro e simples de olhar, e a visão sofisticada, qual seja, o ato de ver, de perceber, de discernir, de pressentir, reside o segredo da Intuição , também descrita como a contemplação pela qual se atinge a verdade por meio não racional 3. Vamos, então, trabalhar um pouco mais este conceito no sentido de esclarecer o que aqui entendemos por verdade e por que o processo intuitivo seria não racional.

O cientista é, diferentemente dos outros, um homem que procura pela verdade e que, portanto, assume a existência dessa verdade. Nessa procura, admite como certo o que poderíamos chamar de verdade provisória. Digamos, então, que esta última seja o que consideramos como verdade científica, e o que a distingue das demais verdades provisórias, encontradas pelos que não são cientistas, seria o seu acoplamento ao método científico ou à experimentação. Para resumir, poderíamos dizer que a verdade científica é uma verdade provisória tomada por empréstimo da natureza e da forma como ela aparenta ser. As hipóteses e conjecturas científicas assumem, com frequência, esse papel de verdades científicas. Digamos, então, que o primeiro passo, mas não o único e/ou o derradeiro, para chegarmos às verdades científicas seria a contemplação da natureza.

A não racionalidade, atribuída à Intuição , retrata o seu caráter essencial, mas não engloba, propriamente, todo o processo intuitivo. Digamos que se refere ao insight ou estalo ou, ainda, à percepção de alguma coisa estranha, não notada nas outras vezes em que se observou o mesmo objeto ou fenômeno. É óbvio que esta percepção, ao ser trabalhada racionalmente, poderá vir a se constituir numa conjectura ou hipótese. No entanto, mesmo antes de formularmos uma conjectura ou hipótese, já estamos frente a algo a que podemos associar o conceito de verdade provisória.

Existe um conceito popular a dizer:Gato escaldado tem medo de água fria. Seria isto equivalente a admitir que o gato raciocina? Seria isto coerente com a afirmação de que o gato formula hipóteses (a água queima) e as generaliza (as próximas águas queimarão)? Provavelmente não! Podemos, pelo exemplo, simplesmente inferir que o gato está dotado de uma Intuição primitiva e da capacidade de memorizar fatos e, em consequência disso, em condições de aprender por um meio não racional.

Se a ciência experimental começa pela Intuição , poderíamos concluir que o intuitivismo é a base fundamental de todos os conhecimentos humanos oriundos das ciências empíricas. É importante não confundir intuitivismo com intuicionismo.

Este último relaciona-se à doutrina que faz da Intuição o instrumento próprio do conhecimento da verdade:ver para crer. Mesmo porque o cientista parte da contemplação do que realmente existe, e interpreta esta verdade seguindo um raciocínio lógico aprisionado ao método científico. O cientista, então, parte da verdade (intuitivismo) e procura por novas verdades científicas por meio da construção e da corroboração de teorias. Afirmar que a ciência começa pela Intuição é, portanto, bem diferente de dizer que a ciência começa pela observação. Críticas a este segundo posicionamento podem ser encontradas no livro de Chalmers e o contraste entre as duas posições está relatado no artigo, já citado, que escrevi sobre o método científico.

É comum contemplarmos a natureza por vias indiretas. Newton, por exemplo, conhecedor da inércia circular de Galileu, viu a Lua em movimento e deve ter associado este movimento à desnecessidade de um pedúnculo para que a Lua permanecesse a uma distância fixa da Terra, o que não acontecia com as maçãs.

Ou seja, Newton contemplou a natureza com conhecimentos adquiridos em seus estudos, o que é diferente de observar um fenômeno sem conhecimento algum.

Einstein, por outro lado, contemplou a natureza utilizando-se unicamente da imaginação e de seus conhecimentos prévios, deixando a observação momentaneamente de lado. Seus conhecimentos sobre eletromagnetismo, aos quinze anos de idade, relacionavam-se a brincadeiras com uma bússola ganha na infância e ao que pôde aprender no segundo grau a respeito do eletromagnetismo vigente na época. Certamente ouviu falar sobre a experiência de Oersted, em que a bússola sofre uma deflexão ao ser colocada nas vizinhanças de um fio conduzindo uma corrente elétrica. A teoria de Maxwell explicava o fenômeno afirmando que o campo elétrico gerado por cargas em movimento (corrente elétrica) manifestar-se-ia em objetos em repouso (no caso, a bússola) como um campo magnético; daí a deflexão sofrida pela bússola. De alguma maneira, parte do campo elétrico transformava-se em magnético em virtude do movimento.

Por um mecanismo do mesmo tipo, pelo menos em sua origem, a teoria de Maxwell explicava também o caráter eletromagnético da luz:campos elétricos e magnéticos iriam se alternando à medida que a luz se propagasse. Em essência, foram essas as referências utilizadas pelo jovem Einstein para construir o cenário onde visualizou o nascimento de sua teoria da relatividade. Ele simplesmente imaginou estar lado a lado com uma onda eletromagnética. E percebeu que, a ser verdadeira a teoria de Maxwell, neste cenário construído os campos elétrico e magnético estariam em repouso. Como explicar, neste repouso, a alternância entre os campos elétrico e magnético? Como explicar a coerência da teoria de Maxwell frente ao que lhe pareceu ser um absurdo? A saída encontrada foi conjeturar sobre a impossibilidade em se acompanhar uma onda eletromagnética. Daí, para afirmar que a constante c, inerente às equações do eletromagnetismo, é universal e independente do referencial utilizado, ele se valeu de um trabalho de refinamento de sua conclusão primeira, o que foi possível graças a seus conhecimentos sobre a teoria de Maxwell bem como à sua tentativa de compatibilizá-la com a relatividade de Galileu; este trabalho foi concluído por Einstein aos 25 anos de idade e publicado sob o título de Sobre a eletrodinâmica dos corpos em movimento.

Referências

(1) EINSTEIN, A.: Como Vejo o Mundo, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1981, p.145.
(2) Este assunto é apresentado com mais detalhes em Ensaios sobre a filosofia da ciência, capítulo 2.
(3) FERREIRA, A.B.H. (1975): Novo Dicionário Aurélio, Ed. Nova Fronteira S.A., Rio de Janeiro.
(4) MESQUITA FILHO, A.(1996): Teoria sobre o método científico, Integração II(7):255-62,1996.
(5) CHALMERS, A.F. (1976): O que é ciência afinal?, Ed.Brasiliense, São Paulo, (1993 - tradução), São Paulo.

Fonte: www.ecientificocultural.com

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INTUIÇÃO, O CONHECIMENTO INEXPLICÁVEL

É bem possível que você já tenha passado mais de uma vez por uma situação assim. Uma decisão precisa ser tomada. Já. Um mecanismo qualquer dentro da sua cabeça é acionado e lhe diz para escolher a alternativa A, desprezando todas as outras. Não há tempo para pesar na balança os prós e os contras. Você opta por A, sem vacilar. O motivo, você não sabe. Mas fica com uma certeza duradoura de que fez a melhor escolha. Isso se chama Intuição - ou sexto sentido, como dizem alguns.

A Intuição , ensinam os cientistas, não substitui o raciocínio lógico, mas alia-se a ele na tomada de decisões. Quanto mais conhecimento você tem, mais certeira será a sua capacidade intuitiva. Se você for ao jóquei pela primeira vez e, ao visitar as baias, achar que o cavalo número 5 vai ganhar, isso não é Intuição . É só um palpite, como outro qualquer. Mas, se você é um aficionado e, ao ver o mesmo animal, escuta uma "voz" interior dizendo que ele tem tudo para ganhar, isso, sim, é um palpite intuitivo. Você aposta naquele cavalo e pronto. Não precisa explicar nada. Deixe todo mundo pensar que você tem superpoderes.

PORÃO EM CHAMAS

A história, contada pelo psicólogo Gary Klein, aconteceu em Pittsburgh, nos Estados Unidos. Frank, um oficial do corpo de bombeiros, liderava uma equipe que combatia um incêndio numa casa. O grupo estava na sala, com a mangueira voltada em direção à cozinha. De repente, Frank sentiu que havia algo de estranho ali.

Mesmo sem saber o que era, ordenou que seus homens deixassem o local. Minutos depois, o chão sobre o qual tinham estado desabou. Por muito pouco, os bombeiros não se precipitaram nas chamas. Frank não sabia que havia um porão naquela casa e nem suspeitava que o foco do incêndio estava lá. Mais tarde, lembrou-se de que a sala estava mais quente do que se poderia esperar em um incêndio na cozinha de uma casa como aquela.

Fonte: www.fafich.ufmg.br

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BERGSON: INTUIÇÃO E MÉTODO INTUITIVO

Introdução

Deleuze (1966) estabelece nos primeiros parágrafos de seu livro sobre Bergson, Le bergsonisme, o pressuposto fundamental de sua exposição, isto é, a tese de que a “ Intuição é o método do bergsonismo”. Mais ainda, Deleuze considera que este método “rigoroso”, que “tem suas regras estritas” tornando, assim, a filosofia uma “disciplina absolutamente precisa”, é um dos métodos “mais elaborados da filosofia”.

Para Deleuze, este é um aspecto fundamental da obra de Bergson, pois é o “fio metódico da Intuição “ que permite compreender a relação entre as três noções que marcam as “grandes etapas da filosofia bergsoniana”:duração, memória e élan vital. Deleuze não deixa dúvidas sobre o sentido de sua tese, ao estabelecer também aquilo que a Intuição bergsoniana não é: “não é nem um sentimento, nem uma inspiração, nem uma simpatia confusa”. Desse modo, em sua interpretação do pensamento de Bergson, Deleuze privilegia claramente o “racional” em detrimento do “irracional”, sugerindo a incompatibilidade entre esses dois aspectos.

Ao colocar em primeiro plano a Intuição em seu aspecto metódico e oferecer uma esclarecedora caracterização do método intuitivo bergsoniano, Deleuze parece ignorar ou, pelo menos, desconsiderar o fato de Bergson, com frequência, referir-se à Intuição como uma faculdade e definir o conhecimento intuitivo como “simpatia”. Deleuze (1966, p.2) não explica por que Bergson dá ao seu método filosófico o nome de “ Intuição ” e como é possível que a noção bergsoniana de duração, intuitiva por excelência, tenha, segundo o próprio Bergson, precedido em muito a teoria da Intuição : poderia Bergson ter aplicado o método intuitivo antes de estabelecêlo?

Esse último aspecto é reconhecido pelo próprio Deleuze ao afirmar que “bizarramente ... a duração permaneceria somente intuitiva, no sentido ordinário da palavra, se não houvesse a Intuição como método, no sentido propriamente bergsoniano”. Deleuze refere-se novamente aqui a dois sentidos para a Intuição , o “ordinário” – o do senso comum – e o “propriamente bergsoniano” – o metódico –, privilegiando o segundo, ou seja, dando, também novamente, a entender – agora menos claramente – que a Intuição em seu primeiro sentido, ou seja, como “sentimento”, “inspiração” e “simpatia”, não é admitida por Bergson.

Entendemos que há boas razões para discordar dessa segunda afirmação e postular que a Intuição em Bergson não é apenas um método racional e preciso da filosofia mas também uma faculdade irracional de conhecimento. Parece-nos que esses dois aspectos não são excludentes, mais ainda, que o primeiro é incompreensível sem o segundo. Nesse sentido, as regras metódicas bergsonianas, as quais são na verdade um conjunto de procedimentos intelectuais, têm a função ou de propiciar a Intuição para si e para os outros ou de legitimá-la, já que a Intuição não depende do método, ou seja, ela pode ocorrer espontaneamente. Pretendemos, assim, mostrar que o método intuitivo de Bergson consiste no exercício exaustivo da inteligência a qual, voltando-se contra si própria, deixa de ser um impedimento Intuição , propiciando a “distração” necessária ao seu surgimento.

Procuraremos justificar essa interpretação, apontando, inicialmente, que há diversas referências de Bergson à Intuição , em vários períodos de sua obra, nas quais se vê claramente que o filósofo não está referindo-se ao método intuitivo mas sim a uma faculdade ou a um modo de conhecimento que se opõe inteligência. A seguir, veremos como é justamente essa oposição que explica a Intuição como um método, na verdade, um método racional.

Intuição ou inteligência

São inúmeras as vezes em que Bergson se refere à Intuição tanto como uma faculdade quanto como um modo de conhecimento distinto do intelectual, em que não caberia a interpretação metodológica.

Em um texto de 1922, Durée et simultanéité, o qual foi incluído posteriormente em Mélanges (1972), Bergson diz que algumas teses de Einstein sobre a velocidade dos tempos múltiplos e sobre a relação entre a simultaneidade, as sucessões e o ponto de vista dizem aquilo que o cientista “leu, por uma Intuição genial, nas equações de Lorentz” (ME, p.59). Muitos anos antes, em um discurso pronunciado em 1895, Le bon sens et les études classiques, Bergson chama de “gênio” à “ Intuição superior ... necessariamente rara” a qual está presente “nas ciências e nas artes” e que consiste num “sutil pressentimento do verdadeiro e do falso, que tem podido descobrir entre as coisas, bem antes da prova rigorosa ou da experiência decisiva, das incompatibilidades secretas ou das afinidades insuspeitadas” (ME, p.361).

Em uma conferência proferida em 1911, L’intuition philosophique, a qual faz parte do livro La pensée et le mouvant (1993), Bergson, referindo- se relação entre a Intuição e a filosofia, afirma que o trabalho dos filósofos tem consistido em uma exaustiva tentativa de exprimir uma Intuição : “Toda a complexidade de sua doutrina, que se estenderia ao infinito, é apenas a incomensurabilidade entre sua Intuição simples e os meios de que dispunha para exprimi-la” (PM, p.119). Ainda nessa mesma conferência, Bergson surpreende-nos ao falar de um “poder intuitivo de negação”, o qual se manifesta na filosofia pela rejeição definitiva de certas teses. Este é o “primeiro movimento do filósofo”, o qual poderia até variar posteriormente em suas afirmações, mas sem variar “jamais” no que nega, e até mesmo essa variação pode ser explicada por esse “poder de negação imanente Intuição ”.

Nesse sentido, Bergson diz que a Intuição se comporta em “matéria especulativa”, tanto em seu início quanto em suas manifestações mais nítidas, como uma proibição, “ela proíbe”, opondo-se até mesmo à razão científica:

Diante de idéias aceitas habitualmente, diante de teses que pareciam evidentes, de afirmações que até então haviam passado por científicas, ela sopra na orelha do filósofo a palavra: impossível. Impossível, mesmo quando os fatos e as razões parecem convidar a crer que isso é possível, real e certo. Impossível, porque uma certa experiência, talvez confusa mas decisiva, te diz por minha voz que ela é incompatível com os fatos que se alegam e com as razões que se dão, e que, por isso, estes fatos devem ter sido mal observados, estes raciocínios devem ser falsos. (PM, p.120)

Dentre as inúmeras vezes em que Bergson se refere à Intuição como uma faculdade e um modo de conhecimento que se opõe ao da inteligência ou, conforme os termos de L’évolution créatrice, (1991), as “duas faculdades” que “a teoria do conhecimento deve tomar em consideração” (EC, p.159), destacamos as que se relacionam a Kant. Bergson ratifica a caracterização que Kant faz da inteligência no que diz respeito ao seu modo de operação, seu campo legítimo de aplicação e aos seus limites, mas diverge ao postular a existência de “uma outra faculdade, capaz de uma outra espécie de conhecimento” (PM, p.86). Conforme Bergson afirma em L’intuition philosophique, o próprio Kant provava, por “argumentos decisivos, que nenhum esforço dialético jamais nos introduzirá no além” (PM, p.141), que, pela dialética, a metafísica é impossível. Kant reconhecia, também, segundo os termos de uma outra conferência de Bergson de 1911, La perception du changement – e esta seria uma das “idéias mais importantes e mais profundas da Crítica da razão pura” – que se a “metafísica é possível é por uma visão” (PM, p.154), ou seja, por meio de uma “ Intuição superior”, a “ Intuição intelectual”, enfim, a “percepção da realidade metafísica” (PM, p.154). Assim, para Kant, uma “metafísica eficaz seria necessariamente uma metafísica intuitiva” (PM, p.141), embora acrescente que a metafísica é impossível justamente pela inexistência da faculdade que propicia esse conhecimento supra-intelectual, a Intuição .

Esse é, para Bergson, o erro de Kant:“toda a filosofia que eu exponho, desde meu primeiro Essai, afirma contra Kant a possibilidade de uma Intuição supra-sensível ... supra-intelectual...” (ME, p.1322).

O papel que Bergson atribui à Intuição na arte também não pode ser caracterizado como metódico. Para o filósofo, as diversas artes constituemse como uma “visão mais direta da realidade” (PM, p.152), um exemplo privilegiado de expressão de uma Intuição apreendida pelos artistas os quais são “homens cuja função é justamente ver e nos fazer ver o que nós não percebemos naturalmente” (PM, p.149), mostrando que é possível uma “extensão das faculdades de perceber” (PM, p.150). Os artistas são reveladores, à medida que são capazes de mostrar, “fora de nós e em nós, coisas que não impressionavam explicitamente os nossos sentidos e nossa consciência” (PM, p.149), percebendo “na natureza aspectos que nós não observávamos”. O artista isola e fixa aquilo que ele viu na realidade e que nós, agora, “não poderemos nos impedir de aperceber”. E se nós os admiramos é porque já havíamos percebido “alguma coisa do que eles nos mostram”, ou seja, “nós havíamos percebido sem perceber” (PM, p.149).

Contra a afirmação de Deleuze, segundo a qual a Intuição em Bergson “não é nem um sentimento, nem uma inspiração, nem uma simpatia confusa”, não podemos deixar de observar que Bergson propõe frequentemente o termo “simpatia” tanto para definir quanto para justificar o uso da palavra Intuição a qual: consiste num colocar-se “simpaticamente no interior da realidade” (ME, p.1197); é “a simpatia pela qual nos transportamos para o interior de um objeto para coincidir com o que ele tem de único e, consequentemente, de inexprimível” (PM, p.181); é um modo de conhecimento que pretende se liberar “de todo pressuposto de relação e de comparação para simpatizar com a realidade” (EC, p.177).

Ao usar uma palavra que remete à tendência, instinto, sentimento, para caracterizar a Intuição , Bergson remete-nos a um significado “irracional”, como aparece mais claramente em uma referência à possibilidade de um conhecimento não intelectual de outras consciências: “A simpatia e a antipatia irrefletidas, tão frequentemente proféticas, são um testemunho da interpenetração possível das consciências humanas” (PM, p.28).

Nesse sentido, é bastante sugestivo o fato de Bergson definir o instinto que também opõe à inteligência – “a inteligência e o instinto implicam duas espécies de conhecimento radicalmente diferentes” (EC, p.129) – em termos de simpatia. Para o filósofo, é a noção de simpatia que melhor define o instinto: “Instinto é simpatia” (EC, p.177). É nos fenômenos de “simpatia e antipatia irrefletidos” que podemos apreender, embora de maneira “muito mais vaga e demasiado penetrada” de inteligência, algo do que ocorre “na consciência de um inseto que age por instinto” (EC, p.177). Bergson chega mesmo a usar a palavra Intuição como sinônimo de instinto, associado à simpatia, ao dizer que o inseto “apreende por dentro ... por uma Intuição (vivida mais que representada) que se assemelha sem dúvida ao que chamamos de simpatia adivinhadora” (EC, p.157).

Essas duas formas de conhecimento correspondem às duas linhas evolutivas divergentes e bem-sucedidas, o instinto e a inteligência, os quais estiveram provavelmente juntos na origem, dando lugar um ao outro no decorrer da evolução da vida, mas sem desaparecer naquela linha evolutiva onde não prevaleceu. É sob esse ângulo que Bergson (1992, p.265) afirma em Les deux sources de la morale et de la religion que “em torno do instinto animal, persistiu uma franja de inteligência” enquanto “a inteligência humana foi aureolada pela Intuição ”.

Esse instinto que sobrevive no homem como Intuição é caracterizado como uma vaga nebulosidade em torno do núcleo luminoso da inteligência:“A consciência no homem é sobretudo inteligência ... a Intuição acha-se completamente sacrificada à inteligência” (EC, p.267). Assim, a Intuição é o instinto acrescido de consciência e de reflexão – atributos da inteligência –, ampliado e aprimorado, graças à presença da inteligência: “o instinto que se tornou desinteressado, consciente de si mesmo, capaz de refletir sobre seu objeto e de o ampliar indefinidamente” (EC, p.178). É a inteligência que fornece à Intuição o “arranco” que a eleva acima do objeto específico de interesse prático, que a fazia permanecer “sob a forma de instinto” (EC, p.179). Desse modo, a Intuição que está presente no homem de forma “vaga e sobretudo descontínua” acaba por constituir-se como o “lampejo” que lança luz sobre o que é obscurecido pela inteligência: “É uma lâmpada quase extinta, que só se reacende vez por outra, por alguns instantes apenas” (EC, p.268).

Ao apresentar algumas dentre as inúmeras referências que Bergson faz à Intuição como uma faculdade que se opõe à inteligência, como um modo de conhecimento que não pode ser caracterizado como metódico, não perdemos de vista o fato de que a Intuição é para Bergson também um método preciso da filosofia. Entendemos que esses dois aspectos estão intimamente relacionados e que o segundo não pode ser compreendido sem o primeiro.

Intuição e inteligência

No ensaio Introduction à la métaphysique, referindo-se à problemática do conhecimento, Bergson destaca um aspecto que considera comum aos filósofos:eles distinguem “duas maneiras profundamente diferentes de conhecer uma coisa” (PM, p.177) e isso independentemente de as considerarem legítimas ou possíveis. Uma dessas formas de conhecimento consiste em manter-se no relativo, ou seja, em permanecer fora do objeto, rodeando-o, assumindo um “ponto de vista” sobre ele e se utilizando de “símbolos” para exprimi-lo; enfim, o conhecimento relativo é aquele que “altera a natureza de seu objeto” (ME, p.774). Já o outro modo de conhecimento, o “conhecimento absoluto” ou o “conhecimento do absoluto”, caracteriza-se por entrar no objeto, apreendê-lo, captá-lo “por dentro, nele mesmo, em si” (PM, p.178), ou seja, não se parte do sujeito, excluindo- se, assim, o “ponto de vista” e a mediação de “símbolos”.

O próprio Bergson mantém essa distinção que encontra na tradição filosófica, considerando que há efetivamente dois modos de conhecimento. Para o filósofo, o conhecimento relativo, estático, por conceitos, que envolve uma “separação entre aquele que conhece e o que é conhecido” (ME, p.773), é o intelectual, o qual, embora se justifique pragmaticamente, é teoricamente limitado, sendo o gerador de problemas filosóficos aparentemente insolúveis. O conhecimento que toca o absoluto, que tem a virtude de resolver os problemas gerados pelo anterior, é o intuitivo. Este consiste num modo de apreensão imediata, na identificação, na coincidência com o particular, com o que não é, portanto, traduzível em conceitos, constituindo-se como uma visão direta da realidade: “consciência imediata, visão que não se distingue do objeto visto, conhecimento que é contato e mesmo coincidência” (PM, p.27).

Embora o absoluto possa ser apreendido intuitivamente, possa ser pensado sem a mediação do conceito e do espaço a ele relacionado, isso só ocorre excepcionalmente, pois, conforme Bergson nos diz já na primeira frase do Essai sur les données immediates de la conscience (1988), como seres inteligentes que somos, “pensamos quase sempre no espaço” (p.vii). Esse pensamento espacializado é expresso e forjado pela linguagem que, por meio de seus símbolos, os conceitos, se constitui como o instrumento mais imediato da inteligência. Pelo fato de as palavras serem o meio imprescindível de expressão do pensamento – “Exprimimonos necessariamente por palavras” (p.vii) –, há uma incomensurabilidade entre a Intuição e os meios disponíveis para exprimi-la: “Essa Intuição , se não nos comunicará jamais completamente, porque a linguagem que se nos fala, tão especiais e tão apropriados que se suponha seus signos, não pode exprimir senão as semelhanças, e é de uma diferença que se trata” (ME, p.611).

Para Bergson, o método intelectual opera sempre dos conceitos para a realidade, ampliando a sua generalidade sempre que se aplica a um novo objeto. Esses conceitos “rígidos e pré-fabricados” (PM, p.213) funcionam como gavetas ou roupas feitas, que escolhemos para colocar o novo objeto: “Será esta, essa ou aquela coisa? E “esta”, “essa” ou “aquela” coisa, para nós, é sempre o já concebido, o já conhecido” (EC, p.48).

Esses conceitos “de origem intelectual” são “imediatamente claros” para quem “pode esforçar-se o suficiente”, claros à medida que se “nos apresentam, simplesmente numa nova ordem, idéias elementares que já possuímos” (PM, p.31). É nesse sentido que a inteligência, “não encontrando no novo mais do que no antigo, sente-se em terra conhecida; ela está à vontade, ela ‘compreende’” (PM, p.31).

Mas essa compreensão, propiciada pela inteligência e seus conceitos, não advém da apreensão efetiva do absoluto que só pode ser dada pela Intuição , um modo de conhecimento incomum, não “natural” na condição humana, e que pode ocorrer tanto espontaneamente, como no caso da Intuição artística, quanto ser preparado por um percurso analítico.

E são justamente as considerações de Bergson a respeito da Intuição artística que nos fornecem a chave para a compreensão da função do método intuitivo.

Bergson considera que a ampliação do campo perceptivo do artista está relacionada ao fato de ele ser um “distraído”, um desapegado em relação às exigências do viver e do agir, pois, afinal, “as necessidades da ação tendem a limitar o campo da visão” (PM, p.151).

À medida que seus sentidos e consciência “são menos aderentes vida”, eles são capazes de olhar uma coisa e a verem “por ela, e não mais por eles”, ou seja:“Eles não percebem mais simplesmente em vista do agir; eles percebem por perceber – por nada, por prazer” (PM, p.152). As diversas artes constituem- se como uma “visão mais direta da realidade”, e é porque “o artista pensa menos em utilizar sua percepção que ele percebe um maior número de coisas” (PM, p.152). Desse modo, o artista é um privilegiado por possuir uma inclinação espontânea à distração, a qual lhe permite essa apreensão direta da realidade. É esse mesmo resultado, “uma percepção mais completa da realidade”, que pode ser alcançado por um esforço metódico que consista num “certo deslocamento de nossa atenção”. O que significa que o método intuitivo consiste em – esse é um outro aspecto seu – “desviar esta atenção do lado praticamente interessante do universo e de a retornar para o que, praticamente, não serve para nada” (PM, p.153). É partindo desse princípio que Bergson nos diz que a existência no homem “de uma faculdade estética ao lado da percepção normal” demonstra que “um esforço desse gênero não é impossível” (EC, p.178).

Isso não quer dizer que a atividade artística envolva um esforço que possa ser caracterizado como metódico, ou seja, como aplicação de regras propiciadoras de um certo tipo de conhecimento, mas sim que a atividade do filósofo deve consistir numa “pesquisa orientada no mesmo sentido que a arte” (PM, p.159), isto é, deve ser orientada para produzir a “distração” necessária à Intuição . Consideremos mais detalhadamente esse aspecto.

Referindo-se claramente ao método filosófico que propõe, Bergson diz que a Intuição não é nem “uma contemplação passiva do espírito por ele mesmo” nem “um sonho de onde ele sai dando suas visões para as coisas vistas”, mas que “pode ser tão precisa quanto os mais precisos dentre os procedimentos científicos, tão incontestável quanto os mais incontestáveis dentre eles” (ME, p.611). Às vezes, parece não haver em Bergson a coincidência entre o método filosófico e a Intuição , como quando o filósofo afirma que o método “compreende dois momentos e implica dois passos sucessivos do espírito”: primeiro, “um estudo científico do entorno da questão” e só após viria “a operação propriamente filosófica”, ou seja, a Intuição , que Bergson define como “um esforço muito difícil e muito penoso pelo qual se rompe com as idéias preconcebidas e os hábitos intelectuais totalmente feitos, para se recolocar simpaticamente no interior da realidade” (ME, p.1197). Mas, considerando mais atentamente, podemos observar que o primeiro passo metodológico, o estudo científico, tem frequentemente o objetivo de mostrar o caráter metafísico das interpretações científicas, podendo, assim, ser visto como um aspecto do esforço de rompimento com os preconceitos e hábitos intelectuais impeditivos da apreensão direta do real. Como nos diz Bergson em outro momento, a Intuição “consiste em retomar contato com uma realidade concreta sobre a qual as análises científicas nos têm fornecido tantos ensinamentos abstratos: para isso se auxiliará de início dessas próprias análises” (ME, p.611) Ou ainda,

a Intuição poderá fazer-nos captar o que os dados da inteligência têm no caso de insuficiente e deixar-nos entrever o meio de os completar. Por um lado, de fato, ela utilizará o mecanismo mesmo da inteligência para mostrar como os esquemas intelectuais não encontram mais aqui sua exata aplicação, e, por outro, por seu trabalho próprio, ela nos irá sugerir pelo menos o sentimento vago do que é preciso pôr em lugar dos esquemas intelectuais. (EC, p.178)

Depreende-se daí que o método intuitivo bergsoniano compreende dois aspectos fundamentais:o aspecto negativo, que consiste tanto na denúncia do caráter ilusório das produções da inteligência quanto na identificação da origem de certos problemas filosóficos; e o aspecto positivo, que diz respeito solução do problema, a qual envolve a Intuição propriamente dita, a apreensão imediata do real. Deve-se considerar, ainda, que esses dois aspectos estão intimamente relacionados. Se por um lado a crítica ao entendimento cria as condições propícias para o surgimento da Intuição , por outro, não se pode ignorar que as objeções à inteligência não podem ser dissociadas da resposta proporcionada pela Intuição aos problemas formulados pela própria inteligência, incluindo aí a desqualificação destes. Assim, embora a crítica às ilusões da inteligência não possa ser operada sem a mediação do entendimento, ela depende da Intuição , tanto em sua forma negativa, “poder intuitivo de negação”, quanto em sua contrapartida positiva. Decorre daí que a Intuição “fugidia”, que é no início uma “luz vacilante e fraca” que penetra “na escuridão da noite em que a inteligência nos deixa” só iluminando “seu objeto de longe em longe” (EC, p.268), ganha com essa crítica, com esse exercício do entendimento que tanto a sustenta quanto a enriquece.

Entendemos que para Bergson a Intuição é tanto uma forma de conhecimento, que pode apenas esporadicamente e em circunstâncias especiais acontecer espontaneamente, quanto pode ser propiciada por meio de certos procedimentos analíticos. Não se trata de um empreendimento fácil, pois envolve “um esforço muito difícil e muito penoso pelo qual se rompe com as idéias preconcebidas e os hábitos intelectuais totalmente feitos” (ME, p.1197) para criar idéias que começam “ordinariamente por serem obscuras, seja qual for nosso esforço de pensamento” (PM, p.31).

Isso porque, como a Intuição só pode ser “comunicada por meio da inteligência” esta deverá “para lograr transmitir-se, cavalgar sobre as idéias” (PM, p.42). Desse modo, para que uma “idéia radicalmente nova e absolutamente simples, que capta mais ou menos uma Intuição ” (PM, p.31), torne- se clara, é necessário um trabalho de “longo prazo”. Tal idéia, que a princípio nos aparece como “incompreensível” e “obscura”, “dissipará as obscuridades” presentes nos “diversos departamentos de nosso conhecimento” e, ao dissolver os “problemas que julgamos insolúveis”, ela “se beneficiará do que tiver feito por esses problemas” (PM, p.32). Assim, a aplicação da idéia intuitiva não apenas a torna mais clara, mas também, à medida que seja capaz de solucionar esses problemas, ela torna-se legítima: “sua capacidade para resolver as oposições delas suprimindo os problemas é, a meu ver, a marca exterior pela qual a Intuição verdadeira do imediato se reconhece” (ME, p.771). Bergson pretende, então, que uma idéia intuitiva se torne mais inteligível à proporção que se a aplica, e ela se mostra fecunda quando soluciona problemas “insolúveis”.

Cada um deles, intelectual, lhe comunicará um pouco de sua intelectualidade. Assim, intelectualizada, ela poderá ser apontada novamente para os problemas que a servirão, depois de se terem servido dela: dissipará, ainda mais, a obscuridade que os envolvia, e tornar-se-á ela própria mais clara ... Estas podem começar por ser interiormente obscuras; mas a luz que projetam ao redor voltalhes por reflexão, penetra-as cada vez mais profundamente; e elas possuem então o duplo poder de aclarar em torno delas e aclarar-se a si mesmas (PM, p.32).

Mas como expressar essas idéias tendo em vista que, segundo o próprio Bergson, a Intuição não pode “se encerrar numa representação conceitual” (PM, p.189)? Para o filósofo, o método intuitivo consiste na inversão do “percurso natural do trabalho de pensamento, para se colocar imediatamente, por uma dilatação do espírito, na coisa que se estuda, enfim, para ir da realidade aos conceitos” (PM, p.206), pois, como nos diz o próprio filósofo, “a Intuição , como todo pensamento, acaba por se alojar em conceitos” (PM, p.31). Embora os conceitos sejam indispensáveis à metafísica, ela deve abandonar os conceitos prontos que estão à disposição, os quais “manejamos habitualmente”, e criar “conceitos diferentes”: a “filosofia consiste o mais frequentemente não em optar entre conceitos, mas em criá-los” (ME, p.503). Devemos, assim, “afastar os conceitos já prontos”, procurando, a partir da “visão direta do real”, criar “conceitos novos, que deveremos formar para nos exprimir” e que serão “talhados na exata medida do objeto” (PM, p.23). Trata-se, então, “de criar completamente, para um objeto novo, um novo conceito, talvez um novo método de pensar” (EC, p.48). Esse novo conceito que devemos “talhar” para cada novo objeto deve ser apropriado somente para ele, de tal modo “que se pode dificilmente dizer que seja ainda um conceito, pois somente se aplica a uma única coisa” (PM, p.197). Bergson caracteriza esses conceitos intuitivos como representações “flexíveis, móveis, quase fluidas, sempre prontas a se moldarem sobre as formas fugidias da Intuição ” (p.188), ou, ainda nesse mesmo sentido, diz que se trata de “conceitos que se modelam e se remodelam sem cessar sobre os fatos, conceitos fluidos como a própria realidade” (ME, p.501).

O que parece fluido, de fato, são os significados desses conceitos que não podem ser expressos pelos conceitos tradicionalmente utilizados pela inteligência.

Daí por que Bergson nos remete a um outro modo mais fecundo de expressão do pensamento, do dado intuitivo:a imagem.

Embora as imagens não sejam a Intuição , elas derivam imediatamente dela, aproximam-se da Intuição mais que os conceitos, podendo ajuntarse a eles para fornecer a Intuição . Em L’intuition philosophique, o filósofo define a imagem como “quase matéria, pois se deixa ainda ver, e quase espírito, pois não se deixa tocar” (PM, p.130). Essas imagens, que derivam da Intuição , são indispensáveis para apreendê-la. Elas são necessárias para “obter o signo decisivo, a indicação da atitude a tomar e do ponto para onde olhar” (p.130). Nesse sentido, Bergson considera que as imagens são superiores aos conceitos, como modo de apreensão e expressão do dado intuitivo.

Mas o que chegaremos a apreender e fixar é uma certa imagem intermediária entre a simplicidade da Intuição concreta e a complexidade das abstrações que a traduzem, imagem fugidia e evanescente, que ronda, talvez desapercebida, o espírito do filósofo, que o segue como sua sombra por entre os meandros de seu pensamento, e que, se não é a própria Intuição , dela se aproxima muito mais do que a expressão conceitual necessariamente simbólica, à qual a Intuição tem de recorrer para fornecer “explicações”. Observemos bem esta sombra: melhor, para nos inserirmos nela, veremos de novo, na medida do possível, aquilo que o adivinharemos, a atitude do corpo que a projeta. E se nos esforçarmos para imitar esta atitude, ou melhor, para nela nos inserir, nós veremos, na medida do possível, aquilo que o filósofo viu. (PM, p.119)

Bergson, todavia, postula também que mesmo essas imagens “que se podem apresentar ao espírito do filósofo quando ele quer expor seu pensamento a outro” (PM, p.186) não representam, não reproduzem o absoluto; elas são incapazes de transmiti-lo àqueles que não são capazes de se dar a Intuição a si mesmos. Aquele que teve a Intuição pode, por meio das imagens, “provocar um certo trabalho que tende a entravar, na maior parte dos homens, os hábitos de espírito úteis à vida” (PM, p.185), colocar a consciência na “atitude que deve tomar para fazer o esforço requerido e chegar, ela própria, à Intuição ” (PM, p.186). Embora nenhuma imagem substitua a Intuição , muitas delas “diversificadas, emprestadas à ordem de coisas muito diferentes, poderão, pela convergência de sua ação, dirigir a consciência para o ponto preciso em que há uma Intuição a ser apreendida” (PM, p.185). Elas podem realizar em conjunto aquilo que não podem individualmente, ou seja, sugerir indiretamente a Intuição .

Escolhendo imagens tão disparatadas quanto possível, impediremos que uma qualquer dentre elas venha usurpar o lugar da Intuição que ela está encarregada de evocar, pois, neste caso, ela seria imediatamente expulsa por suas rivais. Fazendo que todas exijam de nosso espírito, apesar de suas diferenças de aspecto, a mesma espécie de atenção e, de alguma forma, o mesmo grau de tensão, acostumamos pouco a pouco a consciência a uma disposição bem particular e bem determinada, precisamente aquela que deverá adotar para aparecer a si mesma sem véu. (PM, p.185)

Mas não podemos perder de vista que se, por um lado, a utilização de imagens pode ser considerada como um dos procedimentos do método intuitivo, o qual contribui para sugerir a Intuição àquele que não a tem, por outro, quem as propõe só as pode ter escolhido a partir de uma Intuição existente que norteia essa escolha; afinal, não são quaisquer imagens que servem a esse objetivo. O que indica novamente que a Intuição é, sob esse aspecto, irredutível ao método intuitivo.

Conclusão

Procuramos mostrar anteriormente que a Intuição em Bergson deve ser considerada sob um duplo aspecto, como faculdade e modo de conhecimento não intelectual e como método racional.

Entendemos que não poderíamos terminar nosso trabalho sem retomar uma questão que colocamos logo no início:a escolha do termo Intuição para um método que consiste em procedimentos intelectuais.

Na segunda parte da introdução a La pensée et le mouvant, Bergson refere-se escolha da palavra “ Intuição ”, para definir seu método filosófico.

Diz ter hesitado durante muito tempo diante desse termo, embora o considere o “mais apropriado” para designar o “modo de conhecimento” por ele proposto. Sua hesitação, diz ainda o filósofo, deve-se à confusão que o termo “ Intuição ” propicia. Bergson não quer ser confundido com outros filósofos – Shelling, Schopenhauer, por exemplo – que opuseram “mais ou menos” a “ Intuição à inteligência”, que ao “sentirem a insuficiência do pensamento conceitual para atingir o fundo do espírito ... falaram de uma faculdade supra-intelectual de Intuição ”. Para Bergson, essa Intuição “está ligada à inteligência”, apenas com diferença de substituir seus conceitos “por um conceito único que os resume a todos e que é, consequentemente, sempre o mesmo, seja qual for o nome que lhe dermos”. Tratar-se-ia de formas de panteísmo que ao darem, “antecipadamente, num princípio que é o conceito dos conceitos, todo o real e todo o possível”, é capaz de “explicar dedutivamente todas as coisas” (PM, p.25).

Contra essa Intuição , que se confunde com a inteligência, Bergson propõe um método que consiste em recuperar a “realidade em sua essência”, enfim, uma “metafísica verdadeiramente intuitiva que seguisse todas as ondulações do real”, que não abarca “de uma só vez a totalidade das coisas” mas que dá de cada uma delas “uma explicação que se adaptaria exatamente, exclusivamente a ela” (PM, p.25). Sob esse aspecto, compreende-se a afirmação bergsoniana segundo a qual se pode ir da Intuição inteligência e que “da inteligência não se passará jamais à Intuição ” (EC, p.268); afinal de contas, como tivemos a oportunidade de mostrar, com os conceitos prontos da inteligência, não podemos representar a Intuição , e que é a partir da Intuição que os significados dos conceitos deverão ser gradativamente constituídos.

Mas isso não significa uma contradição com a afirmação anterior, segundo a qual o método intuitivo bergsoniano consiste em procedimentos racionais, ou seja, que podemos passar da inteligência à Intuição ?

Não, se considerarmos que um dos aspectos do método intuitivo se caracteriza pela utilização da inteligência contra ela própria, buscando uma apreensão mais direta possível dos fatos, seu verdadeiro significado, denunciando as conclusões que embora metafísicas se pretendem científicas, criando, assim, o campo propício para o surgimento da Intuição propriamente dita, cuja representação envolverá novamente um grande esforço por parte da inteligência.

É nesse sentido que devemos compreender as seguintes considerações de Bergson:

Intuição e intelecto não se opõem um ao outro, salvo aí onde a Intuição recusa tornar-se mais precisa pela entrada em contato com os fatos cientificamente estudados, e aí onde o intelecto, em lugar de se limitar à ciência propriamente dita (isto é, ao que pode ser inferido a partir dos fatos ou provado pelo raciocínio), combina com isto uma metafísica inconsciente e inconsistente que se reclama em vão de pretensões científicas. (ME, p.938)

Jonas Gonçalves Coelho

Referências bibliográficas

BERGSON, H. Mélanges. Paris: PUF, 1972. ________. Essai sur les données immédiates de la conscience. 3.ed. Paris: PUF, 1988. ________. L’évolution créatrice. 5.ed. Paris: PUF, 1991. ________. Les deux sources de la morale et de la religion. 5.ed. Paris: PUF, 1992. ________. La pensée et le mouvant. 4.ed. Paris: PUF, 1993. DELEUZE, G. Le bergsonisme. Paris: PUF, 1966.

Fonte: www.scielo.br

Intuição

Intuição : O inexplicável no dia-a-dia

A Intuição é um fenômeno que nos acontece, não podemos procurá-lo. É um acontecimento vinculado aos nossos padrões de abordagem da realidade. Ela é um fato da psique humana facilmente reconhecível na vida de todo mundo. Não é preciso recorrer à psicologia para perceber que a Intuição é irracional, que perpassa os limites do imediato e que pode pôr em cheque nossos valores ou expectativas nos mostrando outros horizontes.

A Intuição não espera por você; é você quem deve estar pronto para colher o relâmpago de sua aparição. Se estiver distraído com as trivialidades do dia-a-dia, você não vai poder colher a sutileza de sua mensagem. Se estiver trancafiado na lógica da causa-efeito vai se comportar como um tanque de guerra, que esmaga tudo pelo caminho. Se, enfim, suas preocupações são em manter tudo “tranquilo” irá desprezar o sutil arrepio esclarecedor que uma Intuição inesperada traz.

Psicologia e Intuição

Quem iluminou a natureza da Intuição e sua função na psíque humana foi Carl Gustav Jung, psiquiatra e psicoterapeuta suíço (1875-1961) que apresentou em “Tipos Psicológicos” (1921) uma tipologia psicológica dinâmica baseada em sua visão global da psique e na análise de famosos personagens históricos e seus contemporâneos. A Intuição resulta ser uma das quatro funções da psíque.

Jung perguntava-se por que pensadores (ou mesmos simples indivíduos) do mesmo âmbito de pesquisa (ou que observam o mesmo fenômeno) podem ter percepções e teorias tão diferentes. Coerente com sua abordagem dialética e voltada para a inclusão de todos os elementos do humano, Jung chegou à elaboração das funções psíquicas das quais se originam os tipos psicológicos.

As funções são quatro:duas de caráter racional – Pensamento e Sentimento – e duas de natureza irracional – Sensação e Intuição . Racional aqui indica o que está vinculado a um julgamento e visa alcançar metas estabelecidas. É irracional o que simplesmente acontece.

A Sensação é a função da percepção, isto é, da relação com o mundo externo através dos cinco sentidos. Graças à sensação sabemos que no ambiente à nossa volta tem isto ou aquilo, está acontecendo tal fato ou aquele evento. Esta função é irracional porque não necessita de nenhum raciocínio, aliás, é preciso suspender o exame crítico e todo julgamento permanecendo receptivos às sensações. As pessoas tipo Sensação têm pés nos chão, apreciam comidas e arte, lidam bem com dinheiro e tendem a ser materialistas. São ótimos comerciantes, donos de restaurantes e vendedores de arte.

Uma vez percebido o objeto ou o evento através da sensação, entra em cena o Pensamento que julga o fato ou a coisa seguindo um procedimento lógico. Este é, portanto, uma função racional. As pessoas Pensamento buscam a objetividade em tudo, são vinculadas ao que é “justo”, “ético” e “correto”. Tendem a ser rígidas e geralmente ocupam lugares em Fóruns, Cortes, escritórios de advocacia.

Uma vez que o objeto ou o evento foi percebido e foram julgadas as relações nas quais ele está inserido, intervém uma terceira função que tem a visão geral do desenvolvimento de tais relações sem que a realidade do momento forneça elementos suficientes para tal previsão. Esta função é a Intuição que podemos caracterizar como um perceber possibilidades de futuro intrinsecas no presente, mas não ainda manifestas.

A Intuição é irracional porque não se expressa por meio de julgamentos, ela nos chega de repente. São intuitivas todas aquelas pessoas que ao fazerem escolhas seguem percepções interiores mais do que cálculos e conveniências explícitas. É intuitivo quem joga na Bolsa de Valores, o psicólogo, os pais, o bom professor, o conselheiro, o guia espiritual. A Intuição permite cobrir o espaço entre pontos fora do espaço-tempo.

Enfim, o Sentimento é a função da avaliação. Ela julga o sinal positivo ou negativo do laço afetivo que o Eu estabelece com os objetos do mundo externo.

É uma função racional porque se expressa por meio de julgamentos de valor; com o sentimento julgamos se uma pessoa é boa ou má, a ser amada ou odiada (cfr. MONTEFOSCHI: 1985). O Sentimento é a função que “administra” as relações, que mede, sente a pressão da situação, equilibra os pontos fortes ou fracos demais, que percebe a carência, que direciona para a harmonia. Todas as profissões que lidam com público requerem um bom desenvolvimento da função Sentimento.

As funções podem ter duas orientações:a extrovertida, quando a energia vital da pessoa está vinculada ao mundo externo e se orienta conforme este, frequentemente esquecendo-se de suas próprias necessidades internas; a introvertida, quando o centro de referência da pessoa é sua dimensão interior e os processos internos, pondo portanto em segundo lugar as condições da realidade externa. Os extrovertidos geralmente são bem adaptados à realidade e não levantam questionamentos e dúvidas, pegam o que tem. Os introvertidos encontramos pedras em seu caminho, querem adaptar-se mas não podem abrir mão de sua realidade e necessidades internas. Todo inovador foi um introvertido. Sem o mergulho interno nada de novo nasce, mas sem a capacidade de adaptação o que nasceu não pode crescer e produzir frutos.

O desenvolvimento de uma das funções coloca seu oposto em posição inferior (ou seja, não desenvolvida) e tem em geralmente uma das funções do outro grupo como auxiliar. Assim, se a pessoa tem a Intuição como função principal, terá a sensação como inferior e o pensamento ou sentimento como auxiliar. As funções do mesmo grupo (racional ou irracional) são incompatíveis entre si. Não se pode ser intuitivos (enxergando nas entrelinhas da realidade) e ao mesmo tempo estar mergulhado nos sons, sabores e percepções dos cinco sentidos. Da mesma forma, não é possível julgar segundo a lógica do pensamento e avaliar segundo os valores do coração.

Todas as funções são importantes. Mesmo havendo a predominância de uma delas, as outras podem e devem encontrar seu espaço para contribuir com a personalidade total do indivíduo. Uma pessoa que têm as quatro funções afinadas terá uma vida rica, produtiva e satisfatória. É como ter uma equipe de ajudantes à disposição. Ao invez de empacar no primeiro obstáculo, as quatro funções colaboram juntas para o contínuo desenvolvimento do indivíduo.

A Intuição é feminina?

Tem-se desde muito tempo associado a Intuição às mulheres. As mulheres seriam intuitivas ao passo que os homens racionais. Ser intuitiva pode ser um elogio ou uma acusação velada de ser inconsistente e inconfiável. Nem sempre a acusação é malévola; as pessoas intuitivas dão muitas vezes suporte tal afirmação, pois a Intuição deve ser antes compreendida e identificada distinguindo-a do marasmo de percepções e sentimentos que uma pessoa não consciente de sua realidade psíquica geralmente apresenta.

A Intuição é um fenômeno humano. Pelo fato de as mulheres terem permanecido historicamente dentro dos domínios do lar, das emoções e dos afetos, longe do desenvolvimento intelectual e racional, aconteceu da Intuição manifestar-se com maior facilidade nelas. Onde o bojo psíquico é predominantemente irracional, a Intuição encontra caminho, mas nem por isso é clara. A totalidade da psique presente em cada um de nós engloba todas as funções, portanto, os homens podem ser tão intuitivos quanto as mulheres.

Se é verdade que as intuições são frequentemente julgadas sumariamente até mesmo por quem as têm, é também verdadeiro que é preciso aprender a reconhecer as intuições e distingui-las de nossos próprios desejos, que vêm disfarçados sob o manto de uma “ Intuição ”. A Intuição não está ligada ao ego e suas preferências.

Intuição e sincronicidade

Acreditamos que a Intuição possa estar vinculada aos fenômenos da sincronicidade. Ela parece ser a mensageira ou o reflexo do contato entre realidades distintas, co-presentes sendo que, uma delas, fora do alcance da consciência comum. Sincronicidade, ou “coincidência significativa” é um conceito desenvolvido por Jung em 1952, para definir acontecimentos que estão ligados, não por uma relação causal, mas por uma relação de significado. A Intuição pode ser o órgão de captação desses eventos, pois nos dá uma visão transversal que perpassa as coordenadas do presente e aponta para o futuro, desconsiderando todas as demais relações de causa e efeito existentes. Enquanto compreensão instantânea de fenômenos, a Intuição é preciosa e merece toda nossa atenta consideração.

A Intuição é a percepção da realidade externa ou interna naquilo que dela ainda não está visível, não é palpável e observável racionalmente. Uma função Intuição desenvolvida é capaz de distinguir-se de desejos subjetivos e idiossincrasias pessoais, obtendo uma visão bastante objetiva a respeito de fatos, pessoas e relações. É preciso ter liberdade interior para abrirmo-nos Intuição , captá-la cm clareza e em seguida compreendê-la usando o Pensamento. Fazer espaço para a Intuição democratiza a psique, aumentando o nosso leque de possibilidades, orientando-nos na vida e fortificando-nos em nossa identidade que transcende o imediato concreto.

Adriana Tanese Nogueira

BIBLIOGRAFIA

JUNG, C. G., Tipi Psicologici, Torino, Boringhieri, 1984. Sincronicidade, Petrópolis, Vozes, 2007. O Eu e o inconsciente, Petrópolis, Vozes, 2001. MONTEFOSCHI, S., C. G. Jung un pensiero in divenire. Una limpida introduzione alla psicologia del profondo. Milano, Garzanti, 1985.

Fonte: www.linhaaberta.com

Intuição
Intuição

Por Intuição que descobrimos e pela lógica que provamos Henry Poincaré - Matemático

Introdução

Apartir da entrevista da psicóloga americana Sharon Franquemont na Revista Veja-nº21-ano 35 de 29.05.2002 , ela diz que, no século XXI, o uso da Intuição é fundamental para se dar bem no trabalho e no amor, temos recebido um sem número de e-mails pedindo que fosse escrito mais alguma coisa sobre o assunto da entrevista da referida psicóloga. Daí resolvemos apresentar um estudo sobre um Ensaio sobre a " Intuição ".

O que dizem os dicionaristas a respeito deEnsaioe de Intuição .

Ensaio ( Intuição )

Aurélio diz que Ensaio do francês. essai é uma obra literária em prosa, analítica ou interpretativa, sobre determinado assunto, porém menos aprofundada e/ou menor que um tratado formal e acabado.

O dicionário eletrônico Houaiss diz que a rubrica: literatura, é prosa livre que versa sobre tema específico, sem esgotá-lo, reunindo dissertações menores, menos definitivas que as de um tratado formal, feito em profundidade como por exemplo ensaio sobre a violência.

A Intuição

Intuição é definido pelo dicionarista Aurélio como: do latim. tardio. intuitione, que é a 'imagem refletida por um espelho', com sentido filosófico em latim escolástico.1. Ato de ver, perceber, discernir; percepção clara e imediata; discernimento instantâneo; visão. 2. Ato ou capacidade de pressentir; pressentimento: 3. Filosofia.Conhecimento imediato de um objeto na plenitude da sua realidade, seja este objeto de ordem material, ou espiritual. 4. Filosofia. Apreensão direta, imediata e atual de um objeto na sua realidade individual. 5. A faculdade intuitiva.

E pelo dicionarista Houaiss a palavra Intuição , é um substantivo feminino e significa faculdade de perceber, discernir ou pressentir coisas, independentemente de raciocínio ou de análise. 2 Rubrica: filosofia, forma de conhecimento direta, clara e imediata, capaz de investigar objetos pertencentes ao âmbito intelectual, a uma dimensão metafísica ou à realidade concreta. 2.1 Rubrica: filosofia. No cartesianismo, conhecimento de um fenômeno mental que se apresenta com a clareza de uma evidência, sem oferecer qualquer margem para a dúvida (como por.exemplo., o cogito). 2.2 Rubrica: filosofia. no kantismo, conhecimento imediato de objetos oferecidos pela sensibilidade, seja a priori (espaço e tempo), seja a posteriori (objetos captados pelos sentidos) 2.3 Rubrica: filosofia. no bergsonismo, conhecimento metafísico capaz de captar a essência temporal e fluida de uma realidade, oposto à quantificação e espacialização que caracterizam a inteligência conceitual. 3 Rubrica: teologia. visão clara e direta de Deus como a que possuem os bem-aventurados.

Em suma, a Intuição vem do termo latim intueri e significa ver por dentro. É uma informação interna e aparece na forma de uma profunda emoção e autoconfiança. Segundo Carl G.Jung a Intuição é uma capacidade inconsciente de perceber possibilidades. Para o filósofo Emerson, Intuição é uma sabedoria interior que se expressa e orienta por si própria. Enfim, é uma inteligência que consegue resolver um problema ou elaborar um produto ou um serviço através de uma visão interior . Em suma, a Intuição vem do termo latim intueri e significa ver por dentro. É uma informação interna e aparece na forma de uma profunda emoção e autoconfiança. Segundo Carl G.Jung a Intuição é uma capacidade inconsciente de perceber possibilidades. Para o filósofo Emerson, Intuição é uma sabedoria interior que se expressa e orienta por si própria. Enfim, é uma inteligência que consegue resolver um problema ou elaborar um produto ou um serviço através de uma visão interior. . Existe uma diferença entre e Intuição e insight considerando que Intuição é a capacidade de prever possibilidades e insight é como a Intuição é revelada. .

Psicologia e a Intuição em psicologia

Intuição o processo pelo qual um novo conhecimento ou uma crença, surge no mundo dos conhecimentos do sujeito, sem que ele possa apresentar provas lógicas em apoio dessa idéia.

Na Intuição delirante, o caráter patológico não se prende ao fato de ter uma Intuição , mas ao seu conteúdo e ao caráter de verdade que o sujeito lhe atribui, sem nenhum suporte perceptivo e sem necessidade de verificação lógica. Para N.Chomsky, que estudou sobre linguagem e sua aquisição, Intuição gramatical é o processo que, sob a dependência do conhecimento tácito ( ou seja, inconsciente) que o locutor tem do conjunto de regras que determinam a boa formação das frases, permite ao sujeito fazer juízos de gramaticalidade a respeito der qualquer frase. Trata-se portanto, de Intuição da formas linguística, e não do sentido de Intuição partilhada por todos os membros de uma mesma comunidade linguística. Vamos transcrever um comentário do Professor Efraim Rojas Boccalandro sobre o livro A Intuição do Psicólogo; Técnicas de abordagem com o uso do Rorschach.

Como a criatividade adicionada a Intuição atua no campo empresarial

A origem etimológica da palavra Intuição como vimos acima provém de um verbo latino que significa ver; perceber; discernir; ato ou capacidade de pressentir. É uma forma de captar informações sem recorrer aos métodos do raciocínio e da lógica. Nosso cérebro está dividido em dois hemisférios: o do lado direito armazena e elabora as nossas emoções, a imaginação, criatividade, é a metade intuitiva, sem domínio verbal; o hemisfério esquerdo é o lado organizado, racional, lógico, analítico, usa a linguagem e domina a palavra. A Intuição se opõe à razão? Não, ela apenas se situa fora dos seus domínios. Há mais probabilidade de acerto quando Intuição e razão agem de forma equilibrada. Num recente levantamento feito pelo International Institute For Management Development — IMD, com sede na Suíça, 80% dos 1.312 executivos entrevistados em nove países, avaliaram que a Intuição se tornou importante para formular a estratégia e o planejamento empresarial.

Desses, a maioria (53%) diz que recorre à Intuição e ao raciocínio lógico em igual proporção no seu dia-a-dia. A Intuição é velha companheira de artistas e cientistas. Num estudo recente divulgado nos Estados Unidos, 82 entre os 93 Prêmios Nobel enfatizaram o papel importante dessa capacidade na criatividade e nas descobertas humanas.O físico Albert Einstein, que considerava a imaginação mais importante do que o conhecimento, disse certa vez:Às vezes confio estar certo, sem saber a razão.

Os gênios da música clássica, Beethoven e Mozart, atribuíam suas maiores realizações ao uso da Intuição . As mulheres estão galgando novas posições de destaque não só como empresárias, mas como líderes nas mais diversas atividades, graças aos seus dotes privilegiados em relação à Intuição . Nelson Blecher cita no seu artigo alguns exemplos bem interessantes sobre a valorização da Intuição no mundo dos negócios, começando pela Compaq, líder mundial de computadores pessoais. Ela contratou uma equipe de quatro psicólogos para percorrer todas as suas unidades espalhadas pelo mundo, para avaliar o perfil intuitivo dos seus executivos. Jorge Schreurs, presidente da Compaq do Brasil, foi submetido durante dois dias, a uma bateria de testes. O curioso é que nos questionamentos não vieram perguntas sobre o mercado brasileiro, sobre novos modelos de computadores, ou, sobre suas relações com a indústria de informática. Os quatro psicólogos queriam saber, acima de tudo, se o presidente da Compaq do Brasil tinha uma Intuição aguçada. Akio Morita, presidente da Sony, observara pessoas caminhando pelas ruas de Tóquio e Nova York carregando pesados aparelhos de som nos ombros. Levou o assunto para uma discussão com os engenheiros da empresa, pois, na sua Intuição , um aparelho compacto, pequeno e leve, poderia ser um novo produto no mercado. . Sua equipe achou que ninguém teria interesse em comprar um equipamento sem dispositivo de gravação. Morita fez valer a sua Intuição forte e lançou em 1979 o walkman, que foi, e ainda é, um sucesso de mercado, multiplicando-se em mais de 250 diferentes modelos. Mais da metade dos executivos brasileiros já pesquisados em grandes e médias empresas, pende para o hemisfério esquerdo do córtex cerebral, guiando-se mais pelo raciocínio e a lógica, do que pela Intuição . Japoneses, americanos e ingleses despontam no grupo dos executivos como os mais intuitivos. Os empresários brasileiros ainda dão um peso muito grande às análises estatísticas, para a quantificação de dados, usando demais o lado esquerdo, em detrimento do direito. Conseguem examinar as árvores, deixando de enxergar a floresta. Ficam muito preocupados em contar, medir, pesar, e quando precisam decidir, o tempo passou e o concorrente saiu na frente. Um modelo novo de tênis dura apenas seis meses. Computadores estão superados em 18 meses. Os consumidores se tornam mais imprevisíveis. As pesquisas de tendência estão ficando mais caras. São as aceleradas mudanças econômicas e tecnológicas que tornaram as questões demasiadamente complexas. Com a globalização, as empresas tiveram que se adaptar a novos esquemas de produção, novas fontes de suprimentos, novos nichos de mercado.

Surgiram questões cruciais como:Produzir internamente ou terceirizar? Comprar de fornecedor nacional ou localizar outro melhor na Ásia? Montar uma rede própria de distribuição ou fazer parcerias estratégicas com outras empresas? As pressões para tomada de decisão estão sendo feitas em prazos cada vez menores, aumentando, progressivamente, nas pessoas bem-sucedidas, os apelos para os dotes intuitivos. Vale a pena voar nas asas da criatividade e Intuição !

Não poderíamos adicionar a Intuição a um sexto sentido?

Tato, olfato, audição, paladar e visão. São os cinco sentidos visíveis. O sexto, não poderia ser a Intuição , palavra que vem do latim intueri, que significa olhar para dentro, ninguém sabe ao certo onde fica. Não existe uma fronteira definida que delimite o seu alcance. Sabemos que a língua é capaz de identificar sabores diferentes, que o tato nos permite ter sensações de volume e textura, mas, afinal, do que a Intuição é capaz?

A Intuição aguçada, pertence mais ao homem ou a mulher uma coisa é certa que as pessoas criativas são mais intuitivas pela facilidade no contato com as emoções e o imaginário é que as pessoas criativas podem a sua Intuição com mais frequência. Uma decisão acertada baseada na Intuição pode parecer mágica.

Não é isso que os cientistas, artistas pensam - segundo eles, a racionalidade e a criatividade exercitando a Intuição ? os que raciocinam, criam são muito mais intuitivos do que os emotivos e estereotipados que são repetidores do que os outros fazem. As pessoas podem ativar a Intuição através de objetivos claros que é a primordial condição, devendo saber discernir s informações objetivas e subjetivas e ter capacidade para fazer associações, conexões e analogias Conhece-te a ti mesmo e aumentarás a tua Intuição . O mergulho interior é uma forma de ampliar a Intuição ; Aquele que conhece a si mesmo conhece o senhor; diz o islamismo, Olha para dentro de ti tu és um Buda, fala o budismo. Na Grécia se deu muita importância ao Conhece-te a ti mesmo a partir do templo de Apolo, figura complexa e enigmática, que transmitia aos homens os segredos da vida e da morte, Apolo foi o deus mais venerado no panteão grego depois de Zeus, o pai dos céus. Os oráculos desempenharam uma função importante na vida dos gregos. Tratava-se de santuários em que um deus transmitia profecias ou conselhos a quem pedisse, através de um intermediário humano. O oráculo do deus Apolo em Delfos construído no século VII a.C. na Grécia manteve sua liderança até a época helenística. No oráculo de Delfos havia uma sacerdotisa, a pitonisa, que entrava em transe e recebia as mensagens de Apolo. Suas palavras eram interpretadas por sacerdotes que, por sua vez, as traziam em verso aos ouvintes. No frontão do templo se lia Gnohti seauton cuja tradução é Conhece-te a ti mesmo; o dístico era completado ;e conhecerás o Universo e os deuses. A frase era uma advertência de quem desejasse conhecer os desígnios dos deuses deveria começar a procura dentro de si A frase tornou-se célebre e imortalizou-se graças ao filósofo Sócrates 469-399 a.C. Em suma esse aviso era uma advertência para o visitante que se consultava com a pitonisa e que queria conhecer os desígnios dos deuses deveria começar a procurar dentro se si isto é intuir.

Resumo da entrevista da Sharon

A psicóloga americana Sharon Franquemont abriu um tema que empolga pelos poucos estudos que existem a respeito excetuando-se o do Jung que nos ocuparemos adiante. As teorias da psicóloga Sharon Franquemont já foram ouvidas por funcionários do governo americano, profissionais da educação e dirigentes de grandes corporações, como Intel, Procter&Gamble e AT&T.

A captação das imagens apreendidas acontece muito rapidamente e o raciocínio é intuitivo. Está sempre aberto ao novo e gosta de experimentos não muito comuns As informações são recebe e processadas a partir de idéias e imagens, ao contrário daquele que desenvolve o pensamento analítico, tem grande capacidade de intuir que é o ato de ver, perceber, discernir; perceber clara e imediatamente os fatos em redor; por discernimento instantâneo com percepção do todo. A visão dos fatos é sempre inovar e criar e sem receio em acreditar em novas idéias. Não é titubeante e vê muito rapidamente as atitudes que pretende tomar. Para aqueles que pensam intuitivamente, é mais importante o futuro do que o presente. Pela sua ampla visão se perde nas minúcias e pormenores. Não se perde com detalhes. Prefere a análise do que a síntese.

Como a Intuição é vista pela filosofia e a sua importância nos conhecimentos:

Platão, nasceu em Atenas, em 428/427 a.C., e lá morreu em 347 a.C. seu verdadeiro nome era Aristóteles, e foi denominado de Platão que, segundo alguns, derivou de seu vigor físico e da largueza de seus ombros ( platôs significa largueza ). Ele era filho de uma abastada família, aparentada com famosos políticos importantes, por isso não espanta que a primeira paixão de Platão tenha sido a política. Platão distingue quatro formas ou graus de conhecimento, que vão do grau inferior ao superior: crença, opinião, raciocínio e Intuição intelectual. Para ele, os dois primeiros graus devem ser afastados da Filosofia — são conhecimentos ilusórios ou das aparências, como os dos prisioneiros da caverna — e somente os dois últimos devem ser considerados válidos. O raciocínio treina e exercita nosso pensamento, preparando-o para uma purificação intelectual que lhe permitirá alcançar uma Intuição das idéias ou das essências que formam a realidade ou que constituem o Ser.

Platão cita que Anaxágoras, um dos pré-socráticos, tinha estudado a necessidade de introduzir uma Inteligência universal para conseguir explicar o porquê das coisas, mas não soube levar muito adiante esta sua Intuição , continuando a atribuir peso preponderante às causas físicas, afirmava que a verdade direta e evidente era aquela que a pessoa recebia de um plano transcendente, sem nenhuma mediação do mundo material. Apartir da teologia medieval, esse conceito foi sendo gradativamente resgatado. Na Idade Média, tinha-se em mente que o contato direto com o sagrado promovia o êxtase religioso, a sensação de iluminação e de plenitude. Atualmente, muitos religiosos consideram esse tipo de experiência como sendo puramente intuitiva. Mais tarde, uma maior exploração do tema teve como base duas fontes centrais, No século XVII, Renè Descartes (1596-1650) tratou a como uma verdade evidente nas obras Meditações Metafísicas e Discursos do Método. Um século mais tarde, Kant (1724-1804) identificou a como um pensamento que engloba verdades e conhecimentos que independem da experiência adquirida. Ou seja, para o filósofo alemão, a pessoa nasce intuitiva. Pouco mais tarde, na Inglaterra, a corrente chamada intuicionista, que tinha no filósofo escocês William Hamilton (1788-1856) um dos principais representantes, afirmava que a era a primeira manifestação do conhecimento, uma iluminação súbita que alargava a compreensão humana. O físico Albert Einstein (1879-1955) afirmava que a criatividade é mais importante que o conhecimento.

Assim ele se referia:Se o senhor quer estudar em qualquer dos físicos teóricos os métodos que emprega, sugiro-lhe firmar-se neste princípio básico:não dê crédito algum ao que ele diz, mas julgue aquilo que produziu.

Porque o criador tem esta característica:as produções de sua imaginação se impõem a ele, tão indispensáveis, tão naturais, que não pode considerá-las como imagem de espírito, mas as conhece como realidades evidentes . Todo o século XVIII foi consumido na exploração das possibilidades abertas pelo método infinitesimal, então recém-descoberto. Foi um período de prodigiosos calculadores (como Euler) que, apoiados na fecundidade da pura técnica operatória, invadiam e desbravavam domínios cujo fundamentos eram, amiúde, pouco claros. Os matemáticos manipulavam séries infinitas (guiados apenas pela pura Intuição , pois não conheciam os fundamentos dos métodos utilizados). Esses procedimentos originaram dúvidas e perplexidades, que terminaram por inspirar uma nova atitude crítica, na passagem do século XVIII ao XIX.Não é fácil conceituar a Intuição . Se perscrutarmos os dicionários, encontraremos algo do tipo:a Intuição é o ato de ver, perceber, discernir, pressentir. Fica-nos, então, aquela impressão de que a Intuição é o ato de ver algum objeto ou fenômeno de maneira diferente daquela normalmente vista pela maioria das pessoas que olham para esse objeto ou fenômeno.

Por exemplo:bilhões de pessoas, no decorrer de milhares de anos, já devem ter se deparado com um cenário, ao cair da tarde, onde, por trás de uma macieira repleta de frutos suspensos por pedúnculos visualiza-se a Lua, fixa no firmamento. Quantos viram algo além de maçãs e da Lua? Pois é bem possível que num cenário como este e em seu sítio, em Woolsthorpe, o jovem Isaac Newton, com apenas 24 anos de idade, tenha visualizado, além de maçãs e da Lua, a inércia retilínea e a atração entre corpos com massa. Entre a visão normal, ou o ato puro e simples de olhar, e a visão sofisticada, qual seja, o ato de ver, de perceber, de discernir, de pressentir, reside o segredo da Intuição , também descrita como a contemplação pela qual se atinge a verdade por meio não racional Newton, quando viu cair a maçã e teve a Intuição da Lei da Gravidade, passou o resto de sua vida trabalhando para verificar aqueles conceitos que determinara como leis. Se pesquisarmos com Intuição , poderemos, agindo com amor a natureza, fazer uma viagem fantástica, e redescobrir a arte de descobrir Vamos, então, trabalhar um pouco mais este conceito no sentido de esclarecero que aqui entendemos por verdade e por que o processo intuitivo seria não racional. O cientista é, diferentemente dos outros, um homem que procura pela verdade e que, portanto, assume a existência dessa verdade. Nessa procura, admite como certo o que poderíamos chamar de verdade provisória. Digamos, então, que esta última seja o que consideramos como verdade científica, e o que a distingue das demais verdades provisórias, encontradas pelos que não são cientistas, seria o seu acoplamento ao método científico ou à experimentação. Para resumir, poderíamos dizer que a verdade científica é uma verdade provisória tomada por empréstimo da natureza e da forma como ela aparenta ser. As hipóteses e conjecturas científicas assumem, com frequência, esse papel de verdades científicas. Digamos, então, que o primeiro passo, mas não o único e/ou o derradeiro, para chegarmos às verdades científicas seria a contemplação da natureza. A não racionalidade, atribuída à Intuição , retrata o seu caráter essencial, mas não engloba, propriamente, todo o processo intuitivo. Digamos que se refere ao insight ou estalo ou, ainda, à percepção de alguma coisa estranha, não notada nas outras vezes em que se observou o mesmo objeto ou fenômeno. É óbvio que esta percepção, ao ser trabalhada racionalmente, poderá vir a se constituir numa conjectura ou hipótese. No entanto, mesmo antes de formularmos uma conjectura ou hipótese, já estamos frente a algo a que podemos associar o conceito de verdade provisória.

Existe um conceito popular a dizer:Gato escaldado tem medo de água fria..

Seria isto equivalente a admitir que o gato raciocina?

Seria isto coerente com a afirmação de que o gato formula hipóteses (a água queima) e as generaliza (as próximas águas queimarão)? Provavelmente não!

Podemos, pelo exemplo, simplesmente inferir que o gato está dotado de uma Intuição primitiva e da capacidade de memorizar fatos e, em consequência disso, em condições de aprender por um meio não racional. Se a ciência experimental começa pela Intuição , poderíamos concluir que o intuitivismo é a base fundamental de todos os conhecimentos humanos oriundos das ciências empíricas. É importante não confundir intuitivismo com intuicionismo.

Este último relaciona-se à doutrina que faz da Intuição o instrumento próprio do conhecimento da verdade:ver para crer. Mesmo porque o cientista parte da contemplação do que realmente existe, e interpreta esta verdade seguindo um raciocínio lógico aprisionado ao método científico. O cientista, então, parte da verdade (intuitivismo) e procura por novas verdades científicas Intuição é, portanto, bem diferente de dizer que a ciência começa pela observação. É comum contemplarmos a natureza por vias indiretas. Newton, por exemplo, conhecedor da inércia circular de Galileu, viu a Lua em movimento e deve ter associado este movimento desnecessidade de um pedúnculo para que a Lua permanecesse a uma distância fixa da Terra, o que não acontecia com as maçãs.

Ou seja, Newton contemplou a natureza com conhecimentos adquiridos em seus estudos, o que é diferente de observar um fenômeno sem conhecimento algum. Einstein, por outro lado, contemplou a natureza utilizando-se unicamente da imaginação e de seus conhecimentos prévios, deixando a observação momentaneamente de lado. Seus conhecimentos sobre eletromagnetismo, aos quinze anos de idade, relacionavam-se a brincadeiras com uma bússola ganha na infância e ao que pôde aprender no segundo grau a respeito do eletromagnetismo vigente na época.

Jung e a Intuição

Carl Jung, psicanalista profundamente interessado pelo estudo das diferentes formas de expressão da vida, inclui a Intuição como uma das atividades do psiquismo que funda o que é o humano.

Considera a Intuição conjuntamente com o pensamento, o sentimento e a sensação qualidades que permitirão criar uma tipologia dos seres humanos pela predominância e interação de cada uma destas funções. Jung julgava ser a Intuição e o sentimento faculdades preponderantes para uma vivência adequada da psique, pois é apenas através de todos os seus elementos (pensamento, sentimento, sensação e Intuição ) que podemos tentar entendê-la. Foi ele quem determinou, na sua obra Tipos Psicológicos, que a Intuição é um componente indispensável para a formação da personalidade do homem, ao lado da sensação, do pensamento e do sentimento. E foi ele também quem colocou a Intuição como uma ocorrência nascida e processada a partir do plano inconsciente. Hoje, em função das mudanças teóricas, deixa-se de acreditar no imediato. Temos como mediadores os conhecimentos histórico, econômico, político e social, entre outros. Jung classifica a sensação e a Intuição , juntas, como as formas de apreender informações, ao contrário das formas de tomar decisões. A sensação refere-se a um enfoque na experiência direta, na percepção de detalhes, de fatos concretos, o que uma pessoa pode ver, tocar, cheirar.

A Intuição é uma forma de processar informações em termos de experiência passada, objetivos futuros e processos inconscientes. Os intuitivos processam informação muito depressa e relacionam, de forma automática, a experiência passada e informações relevantes à experiência imediata.

Para o indivíduo, uma combinação das quatro funções resulta em uma abordagem equilibrada do mundo:uma função que nos assegure de que algo está aqui (sensação); uma segunda função que estabeleça o que é (pensamento); uma terceira função que declare se isto nos é ou não apropriado, se queremos aceitá-lo ou não (sentimento); e uma quarta função que indique de onde isto veio e para onde vai ( Intuição ). Entretanto, ninguém desenvolve igualmente bem todas as quatro funções. Cada pessoa tem uma função fortemente dominante, e uma função auxiliar parcialmente desenvolvida. As outras duas funções são em geral inconscientes e a eficácia de sua ação é bem menor. Quanto mais desenvolvidas e conscientes forem as funções dominante e auxiliar, mais profundamente inconscientes serão seus opostos. Jung chamou a função menos desenvolvida em cada indivíduo de função inferior. Esta função é a menos consciente e a mais primitiva e indiferenciada. Jung classifica a sensação e a Intuição juntas, como as formas de apreender informações, diferentemente das formas de tomar decisões. A Sensação se refere a um enfoque na experiência direta, na percepção de detalhes, de fatos concretos. A Sensação reporta-se ao que uma pessoa pode ver, tocar, cheirar. É a experiência concreta e tem sempre prioridade sobre a discussão ou a análise da experiência. Os consumidores sensitivos tendem a responder à situação imediatamente, e lidam eficientemente com todos os tipos de aspectos negativos. Em geral estão sempre prontos para o aqui e agora. O consumidor intuitivo processa informações em termos de experiência passada, objetivos futuros e processos inconscientes. As implicações da experiência são muito mais importantes para os intuitivos do que a experiência real em si. Os intuitivos recebem e decodificam a informação muito depressa e relacionam, de forma automática, a experiência passada com as informações relevantes da experiência imediata. A grande maioria dos Programas de Treinamento Gerenciais abordam que é o estudo dos diversos modos pelos quais as línguas podem diferir umas das outras., as decisões são geralmente tomadas enfatizando-se a preferência que emprega a função dominante, geralmente ignorando-se a função inferior. É mais provável que uma decisão seja melhor tomada quando as quatro funções forem utilizadas já que estão relacionadas observação (Sensação - i ntuição) e à tomada de decisões (Pensamento -Sentimento ). Os tipos Intuição -Pensamento, enfatizam problemas e conceitos gerais. Sua organização ideal é aquela em que o enfoque principal é a descoberta, invenção e produção de novas tecnologias e portanto deve ter um alto grau de flexibilidade. Os autores a denominaram organizações ligadas a pesquisa e desenvolvimento. Os tipos Intuição -Sentimento, também tem como ideal organizações mais flexíveis e globalizantes. A diferença marcante com os Pensamentos é a de que enquanto eles preocupam-se com aspectos teóricos da organização, estes enfatizam as metas pessoais e humanas. Sua organização ideal é aquela que pudesse servir a humanidade, ou seja, eles realmente acreditam que as organizações existem com o objetivo de servir as pessoas. Foram chamadas de organização orgânico-adaptativa pelos autores. Erich Fromm (1900-1950), psicanalista e filósofo social alemão naturalizado americano, constitui o terceiro pilar fundamental da utilização terapêutica dos sonhos.

Sua grande contribuição à psicanálise foi a nova ênfase que deu aos fatores econômicos e sociais no comportamento do indivíduo. A título de ilustração realizou novas interpretações de sonhos famosos, aplicando-os terapia das neuroses e dos desvios de comportamento. Para Fromm, o sentido fundamental do sonho é a realidade e a autêntica que se manifesta também em consequência de problemas e questões socioeconômicas.

Como a parapsicologia enquadra a Intuição

No Corpo Mental que é o veículo de manifestação pelo qual a consciência se manifesta usando os atributos da inteligência ( intelecto, Intuição , memória, imaginação, etc. ); mente; corpo do pensamento.

O Feng Shui e a Intuição

Quando se aplica o Feng Shui nos ambientes, temos que reunir a Sabedoria com a Intuição para termos um trabalho com ótimos efeitos. A Intuição é uma das formas de Ver a Energia destes ambientes e, saber quais as "curas" que se deve fazer para Harmonizar as Energias.

O Zen e a Intuição

O discernimento pelo espírito oriental, apoiado no pensamento Zen, permitiu que os conhecimentos se perpetuassem e passassem do mestre ao aluno através dos anos, com certas variações técnicas, condicionadas pelo ambiente físico de cada época, mas aglutinadas todas elas ao redor de uma idéia, o conhecimento das coisas na sua forma real e de nós mesmos como meta final. Este "do" , este caminho necessário a percorrer se apóia num sistema, a Intuição ensinada, a qual nos leva ao paradoxo de que algo próprio e íntimo de cada indivíduo, a Intuição , pode ser ensinado, e inclusive formar escola. Isso se consegue perseguir através dos métodos de ensino Zen, que os mestres transferiram às artes marciais.

Conclusão

Como dissemos no inicio que faríamos um ensaio panorâmico sobre a Intuição julgamos desprenteciosamente ter atingido o nosso alvo e como iniciamos o nosso ensaio com os conceitos de psicóloga Sharon Franquemont gostaria de finalizar com o final de sua entrevista com o meu ponto de vista que a Intuição também tem um pouco de querer é poder.

Conta a psicóloga que conhecia uma casal que foi para Londres passar as férias:Lá, a mulher teve a Intuição de que um dia ela e o marido se mudariam para aquela cidade. Cinco anos depois, ele foi convidado a se transferir e, ela mesmo tendo que abandonar projetos pessoais importantes em andamento, não hesitou em acompanhá-lo. Ela tinha certeza de que tudo sairia bem, como, de fato aconteceu e conclui Pura Intuição .

Roque Theophilo

Fonte: www.psicologia.org.br

Intuição

FORMALIZAÇÃO E INTUIÇÃO NO CONTEXTO DO CONHECIMENTO, DO ENSINO E DA ATUAÇÃO SOCIAL

Introdução

A Ciência pode ser caracterizada como um conjunto organizado de conhecimentos relativos a determinadas categorias de fatos ou fenômenos da natureza. Esses conhecimentos são construídos através do desvendar ou explicitar das supostas leis que regem os fenômenos e fatos que compõem a realidade. As relações entre esse conhecimento, a aprendizagem e a atuação social exigem que seja possível perceber, falar e pensar de maneira adequada sobre a realidade com que as pessoas se defrontam.

De que maneira o acesso à realidade é obtido? Uma maneira é recorrer à observação ou percepção da realidade com base em formulações relativamente simples resultantes da experiência direta com os acontecimentos e os fenômenos. Esse modo de perceber é chamado de senso comum. No entanto, a experiência do senso comum, aquela que é vivenciada diariamente, não é suficiente para o entendimento claro e mais aprofundado do que exatamente está ocorrendo. Por outro lado, o uso repetido de certos procedimentos de perceber, falar e pensar dá legitimidade ao senso comum, pois o hábito torna esses procedimentos mais familiares e fáceis de assimilar. Desse modo, as conclusões resultantes desses procedimentos são consideradas como corretas e inquestionáveis. Isso muitas vezes induz ao erro.

Na experiência cotidiana, são construídas percepções, raciocínios e linguagens acerca da realidade dos acontecimentos. Dentre os múltiplos recursos usados no dia a dia para se ter conhecimento e entendimento do que acontece ou daquilo com que as pessoas se defrontam está a Intuição .

Intuição , é possível confiar nela? Aparentemente sim. A Intuição é um bom instrumento que pode ser utilizado para obter, a partir da observação, possíveis interpretações dos fatos. A Intuição é um conhecimento imediato, direto da realidade, fazendo acreditar que o que é percebido é verdade, sem fazer uso do raciocínio. Por isso, muitas vezes, ela pode enganar. Para escapar desse perigo, a formalização, entendida como uma cadeia de raciocínio lógico dedutivo, é uma boa alternativa, com a qual é possível verificar a verdade ou falsidade de uma Intuição .

Intuições são aquelas idéias que parecem tão evidentes que são aceitas como verdadeiras, sem questionamentos. Por exemplo, Euclides apresenta, em Os Elementos, livro 1, em seguida às definições e postulados, algumas noções comuns (intuitivas!).

Uma delas diz :“O todo é maior que a parte”. Essa noção comum é uma proposição intuitiva que foi aceita como verdadeira até o século XIX.SANTO TOMÁS DE AQUINO, naSuma teológica(I, q.2, a.1), refere-se a tal afirmação nos seguintes termos: ...quando se sabe o que são o todo e a parte, imediatamente sabe-se também que qualquer todo é maior da que sua parte.

É possível dizer que a Intuição é fruto das representações que são feitas da realidade. Nesse sentido, ela tem um papel auxiliar no processo de conhecimento e acesso à realidade. Esse papel é especialmente significativo no contexto da Matemática. Muitas teorias, como a Aritmética e a Geometria Euclidiana, tiveram seu ponto de partida em conceitos intuitivos.

No entanto, é importante estar atento:a Intuição pode “pregar peças”.

Algumas idéias ou percepções que parecem verdadeiras podem se revelar falsas. Se confiarmos apenas na Intuição , podemos chegar a conclusões contraditórias.

Como ilustração, considere o leitor um exemplo da teoria dos conjuntos numéricos. Para tanto, seja N o conjunto dos números naturais e seja P o conjunto dos números pares. Se o conjunto N for considerado o todo e o conjunto P uma parte - e isto é razoável, uma vez que todo número par é um número natural, mas não vice-versa - a aceitação da veracidade da proposição “o todo é maior que a parte” leva a concluir que o conjunto P não pode ter o mesmo número de elementos que o conjunto N, ou seja, que existem mais números naturais do que números pares. Essa poderá ser a conclusão 1. Considerando ainda os conjuntos N e P e observando que todo número p, par, é escrito na forma p=2n, em que n é um número natural, pode-se concluir que a cada número natural está associado um número par e vice-versa. Disso é possível concluir que existem tantos números naturais quantos números pares! Essa será a conclusão 2. Mas ela contradiz a conclusão 1. Como decidir a questão? Uma alternativa é a organização e sistematização das idéias que compõem a Intuição .

DESCARTES, emO discurso do método, estabelece quatro preceitos metodológicos. Segundo ele, a Intuição , unida ao método dedutivo, serve de critério universal para estabelecer ou não a evidência de um fato.

Diz ele:

O primeiro [preceito] era de jamais receber alguma coisa por verdadeira se eu não a conhecesse evidentemente ser tal; isto é, de evitar cuidadosamente a precipitação e a prevenção, e de não compreender nada a mais em meus juízos do que o que se apresentasse tão clara e tão distintamente a meu espírito que eu não tivesse ocasião alguma de o pôr em dúvida(DESCARTES, 1962).

Descartes, no segundo preceito, preconiza como caminho para chegar à verdade a divisão “das dificuldades em tantas partes quanto possíveis, para melhor resolvê-las”. Aconselha, no terceiro preceito, a ordenação dos pensamentos, “começando pelos objetos mais simples e fáceis de conhecer, para pouco a pouco subir, como por degraus, até os mais compostos”. No último, preceitua a realização de enumerações completas e revisões gerais, para se ter segurança de nada omitir. Assim, através da razão (divisão e ordenação), chega-se a certezas evidentes.

Na verdade, Descartes propõe o uso de um método, cujo mecanismo assegura o emprego adequado da razão, aliando duas importantes atividades intelectuais:a Intuição e a dedução.

A organização das idéias aumenta o grau de sua percepção. Como colocar em ordem as idéias? Com que critério? Uma alternativa é a organização formal que pode ser feita pela introdução de uma linguagem simbólica, cujos elementos estão privados de todo sentido intuitivo e submetidos a uma axiomática. Assim, obtém-se a formalização de uma idéia, com o objetivo de aumentar o grau de certeza da conclusão de um raciocínio.

Diante dessas considerações, retome-se agora a proposição inicial:o todo é maior do que a parte. No contexto da geometria euclidiana, que considera grandezas finitas, essa proposição é sempre verdadeira. Vários resultados importantes da geometria de Euclides são demonstrados tendo como um dos pressupostos a veracidade dessa proposição. Na ilustração sobre números pares e naturais, desenvolvida anteriormente, o contexto é outro. Os conjuntos numéricos têm um número infinito de elementos e aí, ao entrar no domínio das grandezas infinitas, as idéias intuitivas devem ser analisadas cuidadosamente. Os conceitos de infinito, de processos infinitos e de conjuntos infinitos, constituem uma paisagem fascinante dentro da Matemática. Desde os dias de Zenão de Elea, matemático grego que viveu aproximadamente em 450 a.C., fala-se em infinito, tanto na Teologia como na Matemática. No entanto, antes de 1872, ninguém conseguiu colocar ordem nas discussões, exemplos e contradições que a noção de infinito gerava. J. W. R. Dedekind (1831-1916) tomou os paradoxos que os infinitos geravam, parecidos com o que foi apresentado anteriormente, como uma propriedade universal dos conjuntos infinitos, tomando-a como uma definição de tais conjuntos.

“Um conjunto é infinito quando é semelhante a uma parte própria dele mesmo; caso contrário, o conjunto é finito”. Essa idéia genial de Dedekind inspirou a Georg Cantor (1845-1918) o desenvolvimento da teoria dos conjuntos infinitos que revolucionou toda a matemática. Em notação mais moderna, pode-se dizer que duas coisas são semelhantes quando existe entre elas uma correspondência biunívoca. Assim, voltando ao exemplo dos números pares e naturais, é fácil ver que, se para cada número natural se fizer corresponder o seu dobro, fica definida uma correspondência biunívoca entre o conjunto P e o conjunto N. Ou seja, N é semelhante a uma parte própria dele mesmo. Isso ocorre porque N é infinito. Assim, a contradição é desfeita. Diante disso, é possível concluir que o contexto e as pressuposições em que é fundamentada uma proposição são fatores importantes na determinação de sua veracidade.

A Intuição Matemática

A Intuição matemática consiste nas representações dos objetos matemáticos. De alguma maneira, as representações dos objetos matemáticos são formadas com base em situações empíricas. Como estas contêm apenas processos e grandezas finitas, é natural que a maioria das intuições no contexto infinito seja enganosa.

Isso ocorre porque o primeiro juízo dado sobre uma idéia é baseado no que é conhecido e naquilo de que já se tem experiência.

Um exemplo pode ilustrar essa colocação:Considere a soma S de infinitas parcelas: 1+2+3+4+...=S. Já é conhecido o processo de somar, portanto é natural esperar que a soma S cresça indefinidamente. Nesse caso, é exatamente isso o que ocorre. Considere agora a soma R= 1\2 + 1\4 + 1\8 + 1\16 + 1\32 +...

Intuitivamente espera-se o mesmo comportamento da soma S para a soma R. No entanto, a soma R resulta 1. Isso pode ser verificado em parte, com o auxílio de uma calculadora, aumentando suficientemente o número de parcelas.

As representações dos objetos matemáticos são aperfeiçoadas e ampliadas considerando-se a familiaridade que se tem com o campo de conhecimento matemático.

Dessa maneira, a Intuição matemática pode ser estimulada por experiências, atividades e manipulações de objetos, num primeiro estágio, e de traços no papel e abstrações, num segundo. Por exemplo, o primeiro contato com a teoria de limites, que utiliza processos infinitos, mostra que nem sempre ocorre o que intuitivamente se espera. Em virtude da familiaridade com o tema, o raciocínio se torna mais claro e, então, a Intuição pode conduzir a resultados verdadeiros.

Ao falar de Intuição matemática, este texto está falando de uma faculdade que pode perceber diretamente uma realidade ideal, a realidade dos objetos matemáticos, da mesma maneira como nossos sentidos físicos percebem a realidade física. Ou seja, o pensamento intuitivo não parece ser constituído de etapas bem definidas, sistematizadas. Ao contrário, repousa numa percepção implícita da situação que está sendo examinada. A conclusão do pensamento é alcançada com pouca ou nenhuma consciência do processo através do qual ela foi atingida. Raramente se pode fazer relato detalhado desse processo. Assim, muitas vezes aspectos importantes da situação deixam de ser levados em conta ou percebidos. Quando o pensamento intuitivo está baseado em certa familiaridade com o campo de conhecimento no qual está inserido, ele dá “saltos”, suprime etapas e utiliza “atalhos”. Desse modo, uma verificação das conclusões por meio de raciocínio dedutivo é a maneira mais confiável para a sua verificação. Essa verificação é feita através de um pensamento sistematizado, explícito, caracterizado, como já dissemos, por uma cadeia de raciocínio, processada com consciência das informações e das operações que se realiza. Diante disso, reconhece-se a natureza mutuamente complementar do pensamento intuitivo e do pensamento sistematizado, organizado.

A Intuição no Contexto do Ensino

A formalização efetuada através do pensamento sistematizado é apontada como um meio de resolver problemas. Logo, é tarefa do ensino, nos diversos níveis e em diferentes estágios, cultivar as bases do método dedutivo. No entanto, é necessário trabalhar no sentido de descobrir como de-senvolver os dons intuitivos dos alunos, desde os graus mais elementares, considerando que a Intuição dá asas à criatividade e à imaginação. Assim, é desejável estabelecer uma compreensão intuitiva dos conceitos antes de expor a definição formal destes. Com isso, possibilita-se ao aluno que deixe seu raciocínio fluir, balizando-o com seu raciocínio dedutivo.

Os conceitos de Intuição e formalização podem ser mais aprofundados.JESUS MOSTERÍN,emTeoria dos conjuntos, discorre sobre a evolução do desenvolvimento das teorias matemáticas, relacionando o papel complementar da Intuição e da formalização.

No linguajar cotidiano, as palavras não têm significado perfeitamente fixo. Existe sempre alguma maneira um pouco diferente de entender o que foi dito ou escrito.

Quanto mais abstrato é o conceito em questão maior a probabilidade de imprecisão. Como consequência, o entendimento do que é dito ou escrito é dificultado.

O mesmo acontece com os enunciados matemáticos não formalizados. Uma maneira de conseguir mais precisão, mais rigor, é abstrair toda multiplicidade de significado dos enunciados, designando-os apenas por um deles. Isso é conseguido por meio da formalização. Dessa maneira, é possível evitar as incertezas que procedem da ambiguidade. Uma linguagem assim obtida é uma linguagem formalizada, que é uma das características do método científico. O método científico é um meio para descobrir novos fenômenos e formular novas teorias, de sorte que a ciência é um sistema de conhecimento em contínua expansão. Diante disso, é tarefa do ensino, em especial do ensino na Universidade, dominar a ciência de seu tempo nos diferentes níveis de conhecimento e de investigação, poisa ciência é o discurso do homem sobre sua experiência na terra, a explicação mais completa e responsável de suas observações sobre a natureza e sobre as relações entre as coisas e seus nexos causais(RIBEIRO, 1969, p.134).

Para isso, é fundamental que as bases do raciocínio dedutivo e da formalização sejam fundamentadas, ensinadas e cultivadas, possibilitando aos indivíduos o conhecimento de um método organizado que lhes permita inte-ragir com sua realidade.

Concluindo, é possível dizer que as idéias intuitivas formam a etapa inicial do raciocínio. Nesse sentido, devem ser valorizadas. No entanto, é fundamental estar atento para o fato de que, numa primeira etapa, as idéias intuitivas devem ser submetidas ao processo de formalização, que é o caminho para se decidir sobre o grau de veracidade da Intuição , dentro do contexto em que ela é considerada. Ou seja, é fundamental estabelecer e formular, juntamente com os princípios próprios da teoria à qual a Intuição fornece de algum modo a matéria inicial, os princípios formais pelos quais será explorado esse fornecimento inicial. Desse modo, a formalização, mesmo parecendo apenas um jogo, enquanto age de acordo com determinadas regras, é um bom método para desvendar as intuições.

Diante disso, cabe ressaltar a importância de que se desenvolvam, por meio do ensino, as bases do raciocínio dedutivo, nos diferentes graus, sempre ressaltando e valorizando as idéias intuitivas.

O conceito de Intuição tem sido não apenas examinado sob diferentes e variadas concepções filosóficas e epistemológicas mas também objeto de muita controvérsia. O ponto de vista da Fenomenologia, por exemplo, não foi explicitamente abordado no texto. Este trabalho não pretendeu apresentar conceituações definitivas, mas examinar algumas considerações sobre o conceito de Intuição e seu uso no ensino.

Eliana Maria do Sacramento Soares

REFERÊNCIA

ZETETIKÉ/UNICAMP, Faculdade de Educação, Revista do Círculo de Estudo, Memória e Pesquisa em EducaçãoMatemática.Ano 3, n.3, março1995, pg.63-70.

Fonte: www.lite.fae.unicamp.br

Intuição

INTUIÇÃO, ESSA NOSSA VOZ INTERIOR

Tenho observado e trabalhado muito com criatividade e nesse caminho constato, cada vez mais, que ser criativo exige muito mais transpiração do que inspiração.

Todos sabem da divisão do cérebro (razão x emoção) e o processo criativo envolve sua utilização como um todo; é preciso sentir, imaginar, criar, pensar. Sinto que é pensar com a cabeça na lua, porém com os pés no chão, trazer para a realidade o que foi sonhado. Só que nesse espaço entre criar e realizar há uma lacuna que deve ser preenchida e que envolve mais ainda a criatividade, porque nem sempre o que criamos é compatível com a realidade, pois envolve custos, por exemplo, além de outros fatores concretos.

Mas não devemos deixar de ter em mente o pensar e agir de forma inovadora, o que, por vezes, causa uma certa revolução. Uma coisa é certa, repito, criar envolve muito mais transpiração do que inspiração, como já foi dito por diversos autores, mas exige também boa dose de disciplina. Isso pode parecer exagero, mas a sistematização, o seguir a cartilha no processo de criação é tão importante quanto a ato de criar em si.

Esse processo consiste de etapas distintas, que exigem pessoas de perfis diferentes. Entretanto, podemos encontrar também pessoas que se diferenciam por possuir as duas competências, a de criar e a de fazer acontecer. É claro que falar em criatividade sem resultados práticos é pura "balela".

Percebemos que geralmente a necessidade é a mãe da invenção e que esta surge também diante de situações que envolvam competitividade, ameaça a valores básicos, assim como diante da busca de auto-realização, ou frente colocação:"não gosto disso", ou ainda" "temos que melhorar", " não sei se inventei algo".

O que podemos afirmar é que a inovação abre novos caminhos, novas perspectivas, abre a cabeça e favorece a transformação pessoal e social, não se restringindo, portanto, somente ao lançamento de produtos e serviços. Ou ainda, buscar fazer mais barato sem perder a qualidade, fazer mais rápido, agregar valor, fazer mais com menos.

Criar é repensar, é reavaliar a tomada de decisões, observar se não estão sendo repetitivas e até, em alguns casos, é deixar de fazer. É preciso investigar, é importante ver a criatividade não somente como estratégia de sobrevivência ou crescimento, como também de transformação. A disciplina entra exatamente na hora de transformar a idéia em ação, transformar a ilusão em atitudes.

Até então estamos falando de assuntos de fácil entendimento, mas e a Intuição ?

Ah! a Intuição , esse ingrediente tão difícil de explicar. Vamos começar explicando o que é uma pessoa intuitiva.

As pessoas intuitivas são:

Pessoas de idéias Aptas a lidar com assuntos intangíveis Possuem os famosos " clics", também difíceis de explicar Lidar com possibilidades é seu grande desafio motivacional São experimentais e imaginativas São idealistas, s vezes "desligadas" Vêem conexões e amarrações, por vezes desenvolvem fórmulas complexas. São pouco práticas Pulam de um assunto para o outro Desenvolvem idéias originais que geram mudanças no conceito global. Às vezes sentem dificuldade de expressar suas idéias, o que as coloca em desvantagem numa roda de conversa, principalmente de negócios. São aquelas com quem que nem todas as pessoas têm paciência para lidar.

Doris J. Salcross, professora da Universidade de Massachusetts-USA e da Universidade de Santiago de Compostela - Espanha, ressalta que a Intuição é muito mais veloz que o nosso pensamento comum. Você intui algo e depois, pensando bem ou pesquisando, constata que estava com um certo feeling.

Deve ser entendida como sentimento interior, visceral, acerca de quaisquer situações e se alimenta da nossa profunda sabedoria e verdades pessoais.

Refere-se a uma resposta involuntária, não racionalizada, opondo-se às respostas pensadas. Eclode espontaneamente, tal como o pressentimento. O pressentimento, o estado de humor, seus flashes ou suas imagens mentais, podem ser considerados como intuições ou insights.

Ela favorece captar antecipadamente possibilidades futuras, inventivas e por vezes engenhosas.

A Intuição não esta diretamente ligada aos gênios, nem tão pouco aos "diplomados". Sabemos de inúmeros casos em que a solução de problemas foi trazida por pessoas mais simples do ponto de vista intelectual. Sabe aquela história em que estão reunidos vários engenheiros, especialistas, todos em torno de um projeto, de um problema, à procura da solução e vem o funcionário, o operário, na maior parte das vezes aquela pessoa em quem ninguém botava fé e diz: porque os senhores não fazem assim... A cada treinamento que dirijo, há sempre um participante que conta um caso. Será que teve aí observações, experiência, insight. O será que houve nesta cena?

Tenho percebido também nos grupos em que trabalho, situações que envolvem tempo para criar como também a criação sob pressão e questiono:qual é o melhor momento para criar.?Alguns dizem que quando estão relaxados sentem que conseguem ter mais Intuição e criar, outros, entretanto, somente criam sob pressão. Diria que o brasileiro possui esta competência de trabalhar sob pressão. Muitas vezes criamos jogos que eu diria pesados para o processo criativo e os participantes respondem de maneira bastante satisfatória, trabalhando somente com ginástica cerebral e exercícios estratégicos.

Percebemos que a criação é fruto de observação, investigação e que a resposta poderá eclodir através da Intuição da famosa expressão:Eureca!!!

Agora pergunto, é possível desenvolver a Intuição ? Claro que sim, há técnicas ativadoras, tais como exercícios de Relaxamento Plástico Criativo, Mandalas, Analogias Inusuais, Imagem Guiada, atividades com figuras, formas, música, dança, exercícios sobre a arte de fazer perguntas, criação de metáforas, ferramentas de coaching e mentoring. Meditação e várias outras técnicas.

Afinal, você já pensou como está a sua voz interior?

Maria Inês Felippe

Fonte: www.mariainesfelippe.com.br

Intuição

Intuição

A INTUIÇÃO E A RAZÃO

A princípio, a Intuição seria muito mais confiável do que a razão, que pode ser facilmente condicionada e manipulada, de acordo com interesses e predisposições que nós mesmos desconhecemos. O problema relacionado ao uso da Intuição é que ela é uma faculdade ainda em formação, talvez reservada para uma futura etapa da evolução humana. Raramente podemos ter certeza da autenticidade da Intuição .

Frequentemente o que entendemos por Intuição é o afloramento de desejos ocultos ou de impulsos emocionais. Como as emoções são impulsos primários, muitas vezes descontrolados, é necessário o uso da razão para harmonizar ou pelo menos estabelecer algum tipo de controle sobre as emoções, para que não se tornem destrutivas ou exageradamente agressivas. Somente quando as emoções estão perfeitamente harmonizadas com a razão é que a janela da Intuição pode-se abrir. Antes disso, a Intuição é uma faculdade enganadora, mesmo que ocasionalmente possa emergir com autenticidade. O fato é que podemos ter vários momentos de Intuição autêntica em nossas vidas. O mais difícil é diferenciar as intuições autênticas das intuições falsas provocadas pelo afloramento de pulsões inconscientes ou de emoções reprimidas. É muito comum alimentarmos o desejo que alguma coisa aconteça, e algum tempo após, termos a “ Intuição ” de que aquilo vai de fato acontecer. É uma armadilha muito sutil e difícil de ser desarmada. Por esse motivo, nossa atual etapa evolutiva é destinada ao desenvolvimento da razão. Para o homem predominantemente racional, não é fácil distinguir a emotividade descontrolada do neurótico da Intuição refinada do gênio. Ambos parecem ser pessoas desequilibradas e fora do eixo que ele conhece com segurança e certeza. Interiormente, é imensa a diferença entre o gênio e o louco.

Exteriormente, porém, parece ser tênue a diferença:ambos são seres que se situam fora dos comportamentos normais e previsíveis. Ambos são regidos por impulsos que estão além da estreita faixa da consciência. O gênio sendo regido por insights e inspirações da superconsciência, que está acima da razão. E o louco, pelo caos de seu subconsciente. Ambos parecem não ser confiáveis, embora os resultados demonstrem que o homem verdadeiramente intuitivo está mais próximo da verdade e pode conseguir resultados superiores razão. Se examinarmos a história das grandes descobertas científicas, iremos constatar que praticamente todas tiveram uma grande dose de Intuição , mesmo que a razão tenha sido utilizada para organizar, desenvolver, testar e apresentar aquelas idéias em um formato aceitável e compreensível. Em todo ato criador, a Intuição é predominante, visto que a razão não tem capacidade de criar nada. Ela pode apenas organizar, correlacionar e estruturar.

Devemos liberar nossas intuições e deixá-las fluir, evitando sempre a armadilha de tomar surtos emocionais de desejos reprimidos como intuições.

Fonte: www.sociedadeteosofica.org.br

Intuição

Intuição

Intuição vem do latim, intueri, que significa olhar, ver. É o ato de ver, de perceber clara e imediatamente uma verdade sobre alguma coisa, sem interrupção do raciocínio. Uma percepção, uma sensação, um sentimento, um conhecimento, um anúncio etc.. . Considerada o sexto sentido por muitos, é um atributo ou função inerente a todos os indivíduos. Embora se tenha a idéia de que ela é mais feminina do que masculina, ambos os sexos a tem igualmente. Não é um dom místico, uma inspiração divina ligada a qualquer religião. Todos nós somos capazes de tê-la ou até desenvolvê-la. A Intuição pode ser definida como um conhecimento que surge sem o uso da lógica ou da razão, ou ainda, um conhecimento que queima etapas. Não é necessário se conhecer todas as premissas, para se chegar a uma conclusão. Aquilo brota na consciência, sem dúvidas ou subterfúgios. Pode aparecer sob a forma de sonhos, sensações, conhecimento puro, insights ou explosões de criatividade etc… Como flashes que alertam sobre o perigo e indicam a saída mais propicia para algum impasse. Os mais céticos acreditam que essas impressões momentâneas são apenas fruto da imaginação. Ou ainda, que somos incapazes de lembrar daquilo que intuímos errado. Guardamos somente o que deu certo e reportando aos outros, como uma forma de nos vangloriarmos de nossa qualidade superior as das demais pessoas. É o método filosófico por excelência. Segundo a dialética platônica, primeiramente temos a Intuição de uma idéia ( Intuição primária) e num segundo momento, fazemos um esforço crítico para esclarecê-la ( Intuição propriamente dita).

Segundo Descartes, existiriam três métodos: o pré-intuitivo, que tem o objetivo de alavancar a Intuição ; o analítico que leva à Intuição e o intuitivo propriamente dito, método primordial da filosofia. Para filosofia podemos defini-la como um meio de se chegar ao conhecimento, que se contrapõe ao conhecimento discursivo. Consiste num ato do espírito, que prontamente, se lança sobre o objeto, o apreende, o fixa, o determina. Vale tanto quanto uma visão, uma contemplação.Existem em várias formas:sensível, imediata ou direta; espiritual, visão do espírito; intelectual, uso das faculdades mentais; emotiva ou emocional e a volitiva ou da vontade.Já para a psicologia, o conhecimento se dá através de três perspectivas:a intuitiva, que usa o senso comum e o pensamento intuitivo para chegar à resposta mais certa; a dedutiva, que usa a especulação lógica e filosófica para encontrar uma resposta mais razoável e a indutiva, que usa métodos científicos para reunir fatos novos para dar a resposta mais provável. Duas questões acompanham as discussões sobre a Intuição :

1.A necessidade de experiência ou conhecimento acumulado sobre determinado assunto ou objeto, que permitiria um melhor acesso à Intuição ;

2.Apenas um relaxamento, uma percepção apurada, uma manifestação espontânea daria acesso a conteúdos intuitivos.

Do ponto de vista fisiológico, ela ocorre no córtex pré-frontal, uma das estruturas cerebrais que demora mais a madurecer. Isto pode explicar porque os indivíduos mais jovens tomam decisões sem pensar, sem intuir. Como nos sonhos, capta de forma simbólica, flashes ou fragmentos da realidade. Os seus símbolos devem ser interpretados e organizados numa forma ou visão coerente. A interpretação dos sonhos já foi apontada como uma das técnicas que propicia o desenvolvimento da Intuição . Atualmente, as empresas estão a valorizando como sumamente importante, para a tomada decisão, em todos os níveis, especialmente, no gerencial. Portanto, indivíduos considerados intuitivos, possuem alto valor no mercado empresarial. Carl G. Jung, fundador da Psicologia Analítica, postulou que a Intuição utiliza a psique para discernir sobre fatos e pessoas. Seria uma das quatro maneiras de se entender o mundo e a realidade ou uma das quatro funções psicológicas básicas. Junto com isso, essas funções seriam vividas de duas maneiras ou atitudes – extrovertida ou introvertida. Não existiria casos puros e essas atitudes se alternariam de modo excludente, as duas não ocorriam simultaneamente. A personalidade de cada um se manifestaria através da combinação de uma função dominante e outra auxiliar, com outras duas mais fracas e da predominância de uma dessas duas atitudes. A Intuição para Jung seria uma forma de processar as informações em termos de experiência passada, objetivos futuros e processos inconscientes. Pessoas intuitivas dariam significado às percepções com grande rapidez, sem separar suas interpretações dos dados sensoriais, relacionando automaticamente a experiência passada, a imediata e a futura.

Fonte: mulherespontocom.com.br

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