Intuição



Não é preciso ser mágico, médium ou ter poderes sobrenaturais para ter intuições. Prestar a atenção nas coisas, aprender a aceitar os registros inconscientes, procurar desenvolver a criatividade e estar com a mente relaxada já são ferramentas mais do que suficientes para que você consiga se beneficiar com esta característica humana: a capacidade de intuir.

Sabe aquele insight que, de repente, ilumina uma difícil decisão ou aquela sensação de que "alguma coisa lhe diz" para agir desta ou daquela maneira? Pois é, estas são provavelmente manifestações da sua intuição. E, se você aprender a lidar com elas, isso pode realmente facilitar sua vida.

A intuição sempre intrigou os pensadores e estudiosos. Platão, o filósofo grego que viveu aproximadamente entre 428 e 347 a.C., afirmava existirem três formas de conhecimento: crença, opinião, raciocínio e intuição. Já no século 20, mais especificamente no ano de 1921, o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, num livro chamado ‘Tipos psicológicos’, registrou os avanços importantes sobre o polêmico e intrigante assunto. Nele, Jung se refere a quatro atividades mentais: sentimento, pensamento, sensação e intuição. Para Jung, longe de ser uma característica "irracional", a intuição é uma função de juízo, tanto quanto o pensamento e, ao contrário, da sensação e do sentimento.

A psicanalista Priscila Gaspar explica o que é e qual é a melhor forma de lidar com sua intuição.

O que é intuição?

A palavra intuição vem do latim “intuire”, que significa "ver por dentro". No entanto, o conceito de intuição varia um pouco conforme a linha de pensamento. Para Jung, a intuição é uma capacidade interior de perceber possibilidades, enquanto que o filósofo Emerson a considera uma sabedoria interior que se expressa por si própria.

Kant vê a intuição como o conhecimento que se relaciona imediatamente com os objetos, ou seja, que mostra realidades singulares e que não depende da abstração, ou seja, é aquilo que se sabe, sem precisar deduzir para concluir. Kaplan diz que a intuição é, provavelmente, uma condensação de uma ou mais linhas de pensamento racional num único momento no qual a mente reúne rapidamente uma gama de conhecimentos e passa para a conclusão, que é a parte do processo que ele recorda. Muitas vezes, a intuição condensa anos de experiência e de aprendizado num clarão instantâneo.

O poder dos insights

Quando nos remetemos ao conceito de Kaplan, a intuição passa a ser algo que nos é revelado num certo momento, por insight. Isso implica em um processo, que inclui raciocínios anteriormente elaborados e com seqüência lógica. Como esse processo se passa de forma inconsciente, temos a impressão de que é atemporal, quando na verdade trata-se apenas da conclusão súbita de algo que já estava sendo elaborado.

A ciência positivista só permite avaliar os dados observados objetivamente e a intuição, por ser um processo eminentemente interno, não pode ser estudada pelo método científico convencional. Seria tema, portanto, da Filosofia. No entanto, o fato de não poder ser estudada pela Ciência não significa que não seja aceita pelos cientistas. Ao contrário, são muitas as histórias a respeito de teorias científicas que se iniciaram a partir de uma intuição, para, num segundo momento, serem testadas pelo método científico. Encontramos vários exemplos em livros que tratam de história da ciência e também em algumas publicações de Filosofia.

Será que a intuição aponta sempre para o caminho certo?

A intuição pressupõe uma condensação de conhecimentos e raciocínios lógicos, que são revelados de forma súbita. No entanto, mesmo tendo fundamento lógico, não quer dizer que esteja sempre certa. Jung dizia que a intuição é uma forma de se prever possibilidades. Por maior que seja a possibilidade de algo ocorrer, ainda assim, existe a possibilidade de não ocorrer. Muitas pessoas se arrependem, por vezes, de não terem seguido sua intuição em determinados momentos da vida. Porém, o arrependimento é fruto de um resultado insatisfatório. Será que se o resultado fosse satisfatório elas se lembrariam de que não seguiram a intuição, admitindo para si mesmas que a intuição estava errada?

Por condensar uma série de conhecimentos, a intuição tem grande probabilidade de estar certa, mas isso não significa que estará sempre certa! E, atenção ainda maior deve ser prestada para evitar confundir intuição com medos, pressentimentos e até mesmo superstições.

Cuidado, seus medos e preconceitos podem contaminar sua intuição

É necessário considerar as diferenças entre intuição, insight, pressentimento e presságio. Enquanto que, para Jung, a intuição é uma capacidade de prever possibilidades, insight é a forma pela qual a intuição é revelada, ou seja, a súbita tomada de consciência do conhecimento intuitivo. O pressentimento seria uma impressão ou sentimento de que um fato irá ocorrer. Já o presságio é um fato a partir do qual se supõe que ocorrerá um evento não relacionado a ele, ou seja, o que se costuma chamar de sinal.

Você pode, por exemplo, avaliar consciente ou inconscientemente que o tempo está ruim, perceber que há certa confusão no aeroporto, desorganização e apreensão por parte das pessoas que lá trabalham, de forma a intuir que existe maior possibilidade de que ocorra um acidente. No entanto, é apenas um conhecimento interno sobre possibilidades, não significa que um acidente irá ocorrer. Isso, aliado ao seu medo, pode ser interpretado como um pressentimento. Se ocorrer algo diferente, por exemplo, um atraso, você derrubar café na roupa ou algo assim e isso é interpretado como um sinal de que você não deve viajar, então trata-se de presságio. Um presságio, ao contrário da intuição, não tem nenhum fundamento lógico e se baseia mais em medos e superstições do que em conhecimentos anteriores.

Saindo do campo racional, podemos também incluir a possibilidade de se adquirir conhecimento a partir do inconsciente coletivo, trazer conhecimento de vidas passadas e também a questão da transmissão mediúnica, ou seja, a partir de entidades espirituais. Infelizmente, não temos como saber se essas intuições provêm realmente desses meios ou se consistem em criações mentais da própria pessoa, do próprio inconsciente.

Aprenda a provocar sua intuição

Primeiro é importante lembrar que mesmo os cientistas mais cartesianos usam a intuição e um enorme potencial criativo. A parte de observação objetiva e racional da pesquisa ocorre após a elaboração de um problema ou teoria, que geralmente nasceu de uma intuição.

De um modo geral, as pessoas criativas são mais intuitivas e têm facilidade de entrar em contato com as emoções e com a imaginação. Processam rapidamente as informações, relacionando automaticamente as experiências passadas às informações importantes e ao momento presente.

Muitas vezes a educação formal bloqueia a manifestação do lado intuitivo/subjetivo do sujeito porque na escola convencional, na qual uma autoridade transmite o saber, valoriza-se muito mais a parte racional/objetiva. A princípio poderíamos pensar que essas duas partes são opostas e que teríamos de optar por uma delas. No entanto, observamos que ambas as partes são necessárias e que se complementam. O que devemos evitar é o bloqueio dessa parte intuitiva e criativa, que é interna e subjetiva.

Para desenvolver a intuição, algumas medidas são necessárias.
Leia, aprenda, alimente sua curiosidade. A intuição é uma condensação de conhecimentos anteriores, assim é fundamental aumentar a quantidade de conhecimento por meio de leituras diversas e das mais variadas formas de aprendizagem. Assuntos e experiências diferentes possibilitam aumentar as possíveis linhas de raciocínio que culminam na intuição. Entenda-se por experiência tudo o que é vivido e observado, tanto dentro como fora de si mesmo.

Conheça-se a si mesmo

Outro ponto importante é aprender a diferenciar o que é uma experiência objetiva de uma subjetiva. Uma experiência objetiva é aquela que pode ser compartilhada por outras pessoas, como por exemplo, observar um objeto e descrevê-lo (forma, cor, tamanho etc.). A experiência subjetiva depende de valores, crenças e afetos do observador, por exemplo, se o objeto observado é feio ou bonito, se provoca sentimentos agradáveis ou desagradáveis, se faz lembrar de outro objeto ou de um fato etc. Para isso, entrar em contato com seu mundo subjetivo é essencial. A psicanálise é uma das técnicas que permite esse tipo de autoconhecimento, estimula o imaginário, bem como as associações e a percepção interna.

Dê asas à sua imaginação

Também estimulamos a intuição e a criatividade por meio da observação e da expressão artística. Ouvir música, prestando atenção às emoções que ela nos provoca, assim como ir a museus e exposições são excelentes formas para iniciarmos o desbloqueio da intuição . Num segundo momento pode-se partir para a expressão artística, cantando, tocando instrumentos, pintando etc.

A vantagem de provocar a intuição é que com algum exercício e um certo treino você pode favorecer muitos insights e permitir que o conhecimento intuitivo aflore, aumentando assim seu potencial criativo.

Fonte: delas.ig.com.br

Intuição



Sexto sentido

Aquela voz interna sussurra, insistente dizendo: "Não vá, não vá..." Espontânea, surge com a rapidez de um raio. Seguro, você não tem dúvida de nada. Sua clara certeza, porém, não se alicerça no raciocínio lógico _ pelo contrário, muitas vezes entra em choque direto com ele.

A impressão é que esse chamado vem da parte mais profunda do ser, de um plano diferente das sensações fornecidas pelos cinco outros sentidos. Mas, por não saber exatamente onde localizá-lo ou como funciona, o chamamos simplesmente de sexto sentido.
Intiuição e sexto sentido são quase sinônimos. Pode-se dizer que a intuição faz parte do sexto sentido, que inclui também premonição (capacidade de ver imagens do tempo futuro) ou mesmo a percepção de planos invisíveis ao olhar comum (vidência).

"Quando um avião está em vôo, fica 95% do tempo fora da rota. O que o comandante faz é ir ajustando e corrigindo a direção da aeronave, conforme o plano de vôo. Nós também temos uma rota, um plano para essa vida. A intuição é o primeiro sinal que surge para apontar o caminho que está mais de acordo com nosso destino".

Para ouvir melhor esses sinais, é preciso tranqüilizar a mente, recolher os sentidos.

Temos muitas vozes internas, que abafam nossa intuição. É preciso ficar em silêncio para reconhecer nossa voz interior, sintonizá-la com nitidez. Meditação e momentos para ficar sozinho e em silêncio ajudam muito.

Mas existem outras técnicas. Uma delas é colocar em agendas ou no computador tudo o que nos preocupa. É como ter um arquivo fora da mente, que fica mais livre e vazia. Assim podemos seguir com mais facilidade os caminhos sugeridos pela intuição - o verdadeiro nome da nossa sabedoria interior.

Fonte: www.todos-os-sentidos.com.br

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