Facebook do Portal São Francisco
Google+
+ circle
Home  Tarô  Voltar

Tarô

Tarô

O Louco

Aos 14 anos, Ana Correa, 52, começou a ler baralho comum e mão, por brincadeira, intuição. “Hoje em dia sei que era o inconsciente coletivo familiar, porque sou descendente de ciganos”.

Para ler o Tarô foi um passo. Ana considera esse baralho de 22 cartas que representam figuras emblemáticas, conhecidas como arcanos maiores, e as 56 cartas semelhantes ao baralho comum, conhecidas como arcanos menores, “uma sínteses de muitos conhecimentos”.

Para ela, o Tarô é “um veículos de auto-conhecimento, uma ferramenta para você entrar em contato com as leis cósmicas que vivem dentro da gente”.

Em geral, para quem é chamado a se embrenhar pelo fascinante simbolismo do Tarô , pouco importa sua origem. Mas não deixa de ser curioso compreender que a profusão de baralhos hoje disponível em qualquer livraria pode, na realidade, ser fruto de um baralho criado no início do século XV, no norte da Itália, usado unicamente para um jogo semelhante ao Bridge, conhecido como Jogo de Triunfos. De acordo com Ana Correa, também há registros que as cartas eram usadas para o ensino de virtudes para as crianças.

Nessa época, os baralhos de cartas de jogar já eram comuns na Europa. Há documentos que atestam a existência, por volta de 1440, de um baralho de “cartas de triunfos”, com pinturas alegóricas de animais. Em 1450, o recém-instalado duque de Milão, Francesco Sforza, escreveu uma carta a um de seus subalternos requerendo que ele comprasse vários pacotes de cartas de triunfos para serem usadas na corte. Esta mensagem é interessante porque o duque menciona as cartas de triunfo e as cartas de jogar, distinguindo-as claramente, pois este último baralho seria sua segunda opção de compra. De acordo com registros históricos, as primeiras cartas datariam do reinado de Filippo Maria Visconti, duque de Milão, no período de 1416 a 1447.

Tarô
Mapa da Itália na Renascença

Naquela época a Itália era uma colcha de retalhos de cidades-estado. O Vaticano controlava a maior parte do centro do país, e o reino da França fazia fronteira com o reino de Savoya. Rapidamente, as cartas de triunfo se espalharam pela França. Foi por volta de 1530 que a palavra tarochi (ancestral da francesa Tarô ) apareceu pela primeira vez. Aparentemente, a razão para a mudança de nome foi uma inovação feita pelos jogadores, que descobriram que o jogo de triunfos poderia ser jogado com um baralho de cartas comum, se eles simplesmente declarassem que um determinado naipe servia como “triunfos”, no início do jogo.

Logo, “triunfo” se tornou um termo ambíguo e uma nova palavra era necessária para se referir ao tradicional jogo que usava as cartas com figuras como trunfos permanentes e que havia se tornado tremendamente popular, particularmente entre a nobreza italiana e francesa da época. Foi assim que a palavra tarochi começou a ser usada, embora sua etimologia permaneça sujeita a conjecturas.

 

Embora evidências históricas documentem que as cartas de triunfos nasceram como cartas de jogo, existe a possibilidade de que as 22 cartas que formam os arcanos maiores do Tarô tenham sido criadas com outros propósitos. Embora nenhum documento tenha sobrevivido para corroborar esta hipótese, o fato é que os símbolos e imagens deste baralho não parecem ter sido selecionados arbitrariamente.

Um dos possíveis criadores desse inventivo jogo de cartas pode ter sido o sábio Marziano de Tortona, que foi tutor do duque Filippo Maria Visconte. Ele era especialista em astrologia (ou astronomia, pois nessa época essas duas disciplinas ainda caminhavam juntas) e lhe servia como secretário.

Sabe-se com certeza que em algum momento em torno de 1515, o duque ordenou que Marziano inventasse um jogo de cartas de acordo com suas instruções.

Ao invés dos naipes comuns, o novo baralho representava virtude, riqueza, pureza e prazer, simbolizados por figuras de pássaros:águias, fênix, rolas e pombas.

A cada naipe também havia quatro cartas maiores retratando divindades clássicas. Essa concepção de baralho é um antecedente da idéia de “triunfos”, mas embora essas não sejam as cartas que hoje conhecemos como Tarô , Marziano chegou a escrever um livro para acompanhar esse baralho de cartas. Seu livro não fornecia significados divinatório nem regras para um jogo de cartas, seu foco era o significado alegórico das figuras e sua hierarquia. Talvez não seja exagerado supor que algum tempo mais tarde, o duque Filippo tenha instruído seu secretário a conceber outro baralho com cartas alegóricas que, desta vez, significavam as forças que controlam o destino humano.

Outras versões atestam que os Tarocchi de Veneza teriam sido os primeiros a conter a fórmula dos baralhos de Tarô conhecidos hoje:78 lâminas, subdivididas em 22 arcanos maiores e 56 menores. Estes últimos tinham quatro naipes – Denari (dinheiros), Coppe (cálices ou copas), Spade (espadas) e Bastoni (bastos ou bastões) -, cada um deles integrado por um rei, uma rainha, um cavalheiro e dez cartas numeradas.

Tarô e o ocultismo

O interesse moderno do Tarô como um instrumento divinatório teria se originado no séc. XVIII, a partir do movimento ocultista francês e, mais tarde, inglês.

Tarô
O Enamoraado

Formado em teologia e pastor da Igreja Reformada, Antoine Court Gebelin (1725-1784) devotou 20 anos à pesquisa que resultou em nove volumes publicados sob o nome de Le Monde Primitif, analysé et compare avec leê monde moderne. No primeiro volume de sua obra, Gebelin apresenta a teoria de que as cartas de Tarô nasceram das páginas do Livro de Thot salvo das ruínas dos templos egípcios. Conta-se que tal livro possuiria as respostas para todos os problemas da humanidade e foi concebido por sacerdotes após consultas com o deus da magia, Thot, que também seria o Mercúrio egípcio. Esses sacerdotes teriam ocultado esse conhecimento secreto no baralho de Tarô .

Tarô
O Carro

Gebelin também acreditava que os ciganos eram na verdade egípcios que se dispersaram pela Europa, e teria sido deles que se originou o costume de ler a sorte nas cartas. Entretanto há inúmeras evidências que demonstram que os ciganos, forçados a sair da Índia no começo do século XV, só estenderam suas peregrinações pela Europa quando as cartas - que devem ter sido introduzidas na continente pelos árabes - já eram conhecidas há algum tempo.

Gebelin deixou inúmeros seguidores. Muitos ocultistas dizem reconhecer nas cartas do Tarô as páginas de livros hieroglíficos que contêm os princípios da filosofia mística dos egípcios numa série de símbolos e figuras emblemáticas.

Um de seus maiores seguidores, o peruqueiro Alliete, inverteu a ordem de seu nome, e como Etteilla publicou muitos livros, entre eles, seu famoso trabalho Manière de se récréer avec lê Jeu de Cartes nommés Tarot.

Etteile sabia como arrebatar a imaginação e a mente do povo da sua época. Adaptou o baralho do Tarô ao seu próprio sistema e promoveu ao máximo a cartomancia. Desse modo, Alliette transformou-se no grande adivinho Etteilla e, instalado no Hotel De Crillon, em Paris, pressagiou o destino de muitos franceses que seriam vitimados pelos acontecimentos de 1789.

Tarô

Enquanto Gebelin e Etteilla procuraram, zelosamente, provar a origem egípcia das cartas do Tarô , Eliphas Levi acreditou que elas fossem um alfabeto sagrado e oculto, atribuído, pelos hebreus, a Enoch, filho mais velho de Caim; pelos egípcios, a Hermes Trimegistus, ao deus egípcio Thoth; e, pelos gregos, a Cadmus, que fundou a cidade de Tebas.

Eliphas Levi foi um filósofo e um simbolista profundo. Padre da Igreja Romana, seu verdadeiro nome era Alphonse Louis Constant. Mas por causa de suas obras filosóficas e ocultistas, traduziu seu nome para o hebreu – Eliphas Levi Zahed.

Tarô

Levi encontrou no Tarô uma síntese da ciência e a chave universal da Cabala, pois as dez esferas ou emanações que formam o diagrama cabalístico conhecido como Sephiroth, ou Árvore da Vida, são interligadas por 22 caminhos, cada qual representado por uma das 22 letras do alfabeto hebraico.

Levi, portanto, proclamou que as 22 cartas dos Arcanos Maiores poderiam ser corretamente atribuídas a cada uma das letras do alfabeto hebraico, constituindo, assim, uma unidade completa de letras, cartas e caminhos.

Outro autor que contribuiu significativamente para o ocultismo do Tarô e para a adaptação das 22 cartas-trunfo do baralho às 22 letras do alfabeto hebraico foi Gerard Encausse (1865-1917), médico francês que escreveu sob o nome de Papus. Fundador e líder da Ordem espiritual e maçônica dos Martinistas e membro da Ordem Cabalística da Rosa Cruz, Papus baseou a sua filosofia ocultista na doutrina teosófica concernente ao nome divino YHVH. Os conceitos e aplicações dos códigos e dos diagramas de Papus são apresentados no seu famoso trabalho The Tarot of the Bohemians - Absolute Key to Occult Science.

Autor de um dos mais famosos baralhos de Tarô , Dr. Arthur Edward Waite (1857-1942) foi membro da Ordem do Golden Dawn e um genuíno estudioso e pesquisador do ocultismo. Entre seus livros está The Key to the Tarot e The Holy Kabbalah. Para ele, a chave do Tarô reside única e exclusivamente no simbolismo das cartas, que formam uma espécie de alfabeto capaz de infinitas combinações que sempre fazem sentido. “O Tarô incorpora as representações simbólicas das idéias universais, por trás das quais estão todos os subentendidos da mente humana”, disse Waite. “É nesse sentido que ele contém a doutrina secreta, que é a percepção, por uns poucos, de verdades encerradas na consciência de todos, muito embora elas não tenham sido claramente reconhecidas pelas pessoas comuns”.

Tipos de baralho

Tarô de Marselha

Tarô
O Eremita

Um dos mais velhos desenhos que hoje se encontram a nossa disposição, o Tarô de Marselha surgiu no final do século XV, na França, e tornou-se popular em toda a Europa. Para Ana Correa, é o baralho que tem a simbologia mais próxima da cultura ocidental, e é o que ela costuma introduzir a seus alunos. Embora alguns de seus exemplares sejam vendidos acompanhados de um texto explicativo, originalmente o Tarô de Marselha é vendido só como baralho e seus símbolos e figuras servem de ponte para que a intuição do leitor alce vôo e interprete sua linguagem.

Tarô de Etteilla

Tarô

As cartas do Tarô de Etteilla, conhecidas como as cartas do Grande Etteilla, são um conjunto de cartas emblemáticas baseadas nos desenhos dos Tarô s típicos e acompanhadas por uma série numeral, começando com o número 1, Ettelila questionnant (Etteila consultando) e indo até o número 78, Folie (A Loucura). Os desenhos de Etteilla representam um afastamento em relação às figuras simbólicas padrão, encontradas na maioria dos outros baralhos de Tarô . Os desenhos das cartas são quase todos de figuras de corpo inteiro. Os títulos estão em ambas extremidades das cartas e variam levando em consideração os significados invertidos.

Esse conjunto de cartas, desenhado e preparado para fins divinatórios por Etteilla, vinha acompanhado de um livro de explicações e orientações, intitulado Maniére de tirer - Lê Grand Etteilla où tarots Egyptiens.

Tarô Rider-Waite

Famoso baralho criado por Arthur Edward Waite e desenhado, sob a sua supervisão, por Miss Pámela ColmanSmith. O baralho foi editado primeiramente pela Rider&Co., em 1910, e por isso ficou conhecido como baralho Rider. Tornou-se o mais popular em países de língua inglesa.

Neste Tarô , Waite presumiu, corretamente, que O Bobo, sendo uma carta sem número e representado por O, não devia ser colocado entre as cartas número 20 e 21, conforme fora sugerido por Levi e por Papus, mas que a suas sequência natural seria antes do Mago, como um atributo da primeira letra do alfabeto hebraico, o Aleph. Ele também mudou de lugar as cartas da Força e da Justiça. Geralmente mostrada com o número XI, a Força é indicada por Waite com o número VIII, trocando de lugar com a Justiça. Outra inovação de Waite foi trazer figuras simbólicas nas cartas numeradas, ao invés de apenas o símbolo do naipe. Com esta mudança, cada carta do baralho faz uma sugestão psicológica imediata na mente do leitor.

Tarô de Thoth

Tarô

Outro membro famoso da Ordem do Golden Dawn, o famoso ocultista Aleister Crowley criou o Tarô de Thoth (deus egípcio da magia), pintado por Lady Frieda Harris, em 1940, mas publicado somente em 1966. Esse baralho tem figuras psicologicamente intensas (beirando o psicodelismo) e um desenho bastante abstrato e visceral. Embora as interpretações de Crowley tenham conexões com as de Waite, essa cartas afastam-se completamente dos desenhos usuais de Tarô .

Tarô de Wirth

As 22 cartas dos Arcanos maiores que acompanham o livro de Oswald Wirth, Le Taro dês Imagiers du Moyen Age, contêm letras hebraicas desenhadas no canto inferior direito de cada carta. Por exemplo, o Aleph é atribuído à carta número I, Lê Bateleur (O Mago). As cartas de Wirth são impressas em admiráveis cores metálicas e ostentam algarismos romanos na parte de cima.

O baralho de Case

Paul Foster Case, em seu livro The Taro, A Key to the Wisdom of the Ages, usa, para as 22 cartas dos Arcanos Maiores, desenhos que em alguns casos são similares aos desenhos de Waite. As cartas de Case trazem um número arábico no canto inferior esquerdo e uma letra hebraica no canto inferior direito. O Aleph, por exemplo, é atribuído ao Bobo, enquanto que Beth é atribuído ao Mago. Os desenhos em branco e preto do baralho Case permite que a pessoa lhes dê o colorido que preferir.

Tarô de C.C. Zain

O baralho do Tarô usado por C.C. Zain em seu livro The Sacred Tarot, publicado pela Igreja da Luz, também é em branco e preto e se presta para colorir.

Embora as cartas sejam ricas em matéria de simbolismo egípcio, elas se afastam completamente dos símbolos usuais de Tarô .

The Motherpeace Tarot

Este é o primeiro baralho de cartas circulares. Ele promove uma espiritualidade feminista, dentro de um contexto shamanico e de cultura tribal.

Osho Zen Tarot

Embora contenha 78 cartas que podem ser postas em correspondência com as dos baralhos de Tarô tradicionais, esse Tarô suprimiu totalmente a distinção entre arcanos maiores e menores. Cada carta é uma bela e psicológica imagem em si, pretendendo ser profundamente transformadora.

Tarô Mitológico

Criados por Juliete Charman-Bourke e Liz Greene, todos os arcanos deste Tarô são representados por entidades e histórias da mitologia grega.

O conjunto de cartas que forma cada naipe dos arcanos menores retrata um mito ou tragédia grega:o de Copas a lenda de Eros e Psiqué; o de Paus, ao mito de Jasão e Os Argonautas em busca do Velocino de Ouro; o de Espadas, a tragédia de Orestes e a maldição da Casa de Atreu, o de Ouros, a história Dédalus, arquieto, escultor e artesão ateniense que construiu o labirinto para o rei Minos de Creta.

Fonte: www.geocities.com

Tarô

Verdades e Mentiras sobre o Tarô

As Origensdo Tarô

A origem do Tarô é desconhecida. Existem muitas especulações a respeito, porém nada se fez realmente concreto. Sabemos que surgiu na Europa (Itália) no século XIV, não como é conhecido hoje (em sua forma Oracular), mas como um jogo lúdico, um “passatempo” entre os nobres. Com o passar do tempo começou a grande especulação sobre o que poderia estar por trás daqueles símbolos e então sua prática divinatória se estabeleceu. Vale dizer que durante os séculos XIV, XV, XVI o número de cartas variava e não eram 78 lâminas, como hoje. Após este período, determinou-se que o Tarô seria considerado se contivesse exatamente a estrutura com 78 cartas. O que já elimina a primeira incorreção – o Tarô não é qualquer baralho com 36, 42 ou 80 cartas. Para ser estudado dentro de uma estrutura lógica e simbólica é imprescindível que tenha o número correto de Arcanos (cartas / lâminas).

Vale ressaltar:não há críticas sobre qualquer outro Oráculo, mas através de um curso de Tarô você aprenderá as técnicas existentes dentro das 78 cartas, nem uma a mais e nem a menos.Com o passar do tempo é possível visualizar a dificuldade clara de usar a estrutura do Tarô em qualquer outro método oracular. Assim como em outras técnicas, conseguimos transportar os conceitos superficialmente, mas no aprofundamento não há como unir todos os segmentos, afinal, cada um tem sua linguagem e seu fundamento.

Por este motivo vale ressaltar mais uma incorreção:estudar Tarô através da Cabala, da Numerologia, da Astrologia ou qualquer outro assunto pode se tornar inviável. Não há como entendermos os trânsitos de um Mapa Astral pela Numerologia e vice-versa.

Podemos complementar, mas não isentar um conhecimento pelo outro. Portanto, respeitemos a formação do Tarô em suas 78 cartas e dentro dessa estrutura teremos infinidades de tipos de Tarô s.

Existem algumas correntes que determinam o surgimento do Tarô no Antigo Egito, outros que atribuem esse surgimento aos ciganos.Acho importante lembrar que, dentro de uma estrutura racional e técnica, não há como “acharmos” nada, devemos sempre buscar a certeza e o fundamento, pelo menos no que diz respeito ao estudo.

Portanto, dizer que “em minha concepção o Tarô veio do Egito” não passa de suposição, pois não existe registro especificado nem documentado historicamente a respeito. O mesmo ocorre quanto aos ciganos, que ao chegarem na Europa já encontraram o Tarô na Região.

Volto a dizer que não existe nenhuma implicância pessoal quanto a isso, mas sim, base de pesquisa e história. Inclusive porque os ciganos contam com um sistema oracular extremamente interessante - próprio - e o Egito sempre usou seus símbolos com sabedoria. Cada um com o seu mérito, mas valorizado separadamente.

Utilização Correta

Um fato importante:a palavra Tarô não surgiu juntamente com as Cartas.

Tivemos muitos nomes atribuídos ao conjunto de lâminas antes de serem denominadas Tarô . Por essa razão é incorreto afirmar que sempre chamou Tarô e que sua significação é “mágica”. Está comprovado que este nome atual foi se fixando com o passar do tempo.

Um fator primordial é que, quando estudamos, esquecemos de nos reportar à mentalidade e condições utilizadas na época a qual nos referimos.

Sempre que as pessoas comentam sobre o Tarô , dão a entender que ele veio:fechadinho na caixa (?) com 78 Cartas (?) de uma civilização extinta (?) e já chamava Tarô (?).

Analise comigo:Como ele pode ter aparecido prontinho, impresso, numa época onde não havia gráfica, por exemplo? Se não era de papel (era confeccionado por artesãos e sob encomenda) onde eles seriam guardados? E, se eram encomendados, como determinaram que seriam 78 cartas? Onde ele apareceu, já que foi deixado por uma civilização extinta? Se foi extinta, para quem eles entregaram? E como chegou à Europa, se a civilização à qual eles se reportam é extremamente distante e não havia avião, sedex, ou qualquer outro meio rápido e “seguro” de transporte? E por último, se era artesanal (século XIV) não era em papel, então onde estava escrito Tarô e quem criou este nome?

Como pode ver, a pesquisa é fundamental para se conhecer o instrumento utilizado.Concordo que alguns textos elaborados contam lendas encantadoras, lúdicas, românticas e “mágicas”, mas é importante sabermos qual a realidade para podermos usufruir as criações e especulações. Caso contrário trabalharemos com suposições e naturalmente incorreremos no erro de pensarmos que, se é um instrumento tão “sagrado” e mágico, somente quem tem o dom pode aprender.

Aí se encontra mais um equívoco:Qualquer pessoa pode jogar Tarô ? Sim! Desde que estude, aprimore raciocínio e não queira saber tudo a respeito num só dia.Não é preciso ser vidente, intuitivo e talentoso para isso. Quem tem um dom pode estudar, mas se quiser acessará as informações que deseja de qualquer outra maneira. E muitas vezes, quem tem esse mesmo dom nem o utiliza ou guarda a sete chaves, pois sabe da sua responsabilidade. Para encerrar o assunto, acredito que ter acesso às informações com o Tarô é um direito de quem se interessa pelo tema - de nada adianta esconder seus ensinamentos, caso contrário o acesso às cartas seria proibido ou totalmente restrito, o que não acontece. Se tantos tarólogos competentes e sérios tiveram sua chance de penetrar neste Universo, o que impede outras pessoas de fazê-lo também? Nada. Quanto mais gente souber sobre as descobertas e a realidade que cerca o Tarô , melhor. Portanto, caso você seja dessas pessoas que quer estudar e jogar Tarô , desejo desde já boa sorte e aviso que sua opção certamente será o primeiro passo para iniciar sua Jornada.

Eis um ponto especial em nosso estudo:conhecer a sua responsabilidade. É muito bom poder “adivinhar” o futuro dos amigos, da família, do (a) namorado (a), mas precisamos conter nossa carência de holofotes principalmente no que se refere à responsabilidade de indicar soluções e dar palpites na vida alheia.O Taro não é só um Oráculo. Na verdade, por ser um jogo ele já perde a qualidade oracular - o Oráculo é um instrumento / veículo de comunicação com deuses/deusas, entidades. Como o Tarô não utiliza nenhum meio divino - a não ser o homem e sua interpretação simbólica - não se configura como Oráculo. Mas popularmente “assumiu” esse formato.

Porém, não se trata apenas disso. Pode ser usado como uma forma de meditação, autoconhecimento, Filosofia de vida, Terapia, entre muitas outras funções. Sempre digo aos meus alunos que conhecer o Tarô para apenas jogar é meta em curto prazo. O ideal mesmo é conhecer todas as suas possibilidades, para então poder jogar consciente, sem preconceito e sem medo.

Você pode estar se perguntando: qual Tarô devo ter para fazer um curso?

Qualquer um, a menos que o instrutor especifique o contrário. Se conhecermos o funcionamento dos Arcanos e estudarmos as suas técnicas veremos que qualquer Tarô (com 78 cartas) poderá ser utilizado. O que determina seu Tarô é o gosto pessoal e o número correto de Cartas.

Resumindo:

O Tarô surgiu no século XIV, na Europa (Itália) – não há registros sobre seu surgimento ou utilização no Egito, nem foi trazido pelos ciganos.

A princípio não continha 78 cartas nem era conhecido pelo nome Tarô (foi chamado de Trunfos, Ludus Cartarum, entre outros nomes). Este nome surgiu no século XVI.

Qualquer pessoa pode aprender o Tarô , basta querer.

Para estudar Tarô não é necessário conhecer a Cabala ou qualquer outro segmento.

Tarô
( Tarô de Marselha)

Afinal, o que é o Tarô ?

Acima esclarecemos algumas questões simples e básicas, mas bem polêmicas. Sobra pouco a se fazer com o Tarô . Certo? Errado, claro! A partir destas descobertas é que podemos compreender melhor sua natureza, finalidades e práticas.

Enquanto precisarmos de outras ferramentas para jogarmos Tarô pouca segurança teremos em nossa mente e em nosso coração. Se o Tarô depende de deidades, instrumentos mágicos, energia dos outros, misticismos... pouca credibilidade e confiança ele terá para você e para quem se interessar por ele, não é mesmo?

O Tarô é um conjunto de 78 cartas (ou lâminas) conhecidas como Arcanos (derivado da palavra Arcanum = segredo, mistério) e que traz em si inúmeras utilidades / finalidades. Trata-se de uma linguagem pura e simbólica, interdependente, harmoniosa e sincrônica, que pode nos mostrar caminhos, possibilidades, situações, fatos ou mesmo buscar inspiração.

Suas cartas podem proporcionar reflexão, filosofia, compreensão da vida e (principalmente) do ser humano, terapia, autoconhecimento e outras possibilidades mais.

Através de seus símbolos, podemos analisar as situações, fatos, momentos, idéias, sentimentos, etc. e quanto mais conhecermos e interpretarmos corretamente seus símbolos melhor podemos nos esclarecer. Por isso não é necessária a intuição – porque precisamos estudar e conhecer símbolos para traduzir sem equívocos as mensagens contidas nas lâminas. Como dito anteriormente, para as pessoas que possuem o dom esta prática é natural, mas para quem não tem essa via como fazer para usar a intuição num momento crítico, onde o consulente (quem deseja a consulta do Tarô ) está passando pelas mesmas dificuldades que você? É nesta hora que a técnica se faz essencial.

Você deve estar se perguntando:“tudo bem, até aceito que o misticismo atrapalhe, mas como você me explica o fato de eu tirar exatamente a carta que preciso?” e eu te respondo que essa, sem dúvida, é a parte mais especial do Jogo de Tarô : o momento que você escolhe exatamente a carta que precisa ou que a (o) representa, dependendo para qual finalidade esteja utilizando o Tarô . Nesse momento, sim, há magia, há energia, vibração. Pode ser explicado pela sincronicidade (quando se “reconhece” a vibração da carta) ou mesmo sua energia que pode captar a carta que te representa. De um modo ou de outro, para esse momento não há explicação – você (ou o outro) escolhe a carta ideal.

A partir daí, a interpretação é do tarólogo, e quanto mais elaborada for, mais fácil fica captar - e traduzir - a mensagem.

Uma aluna minha me disse uma vez que hoje em dia “livre-arbítrio virou desculpa”. Essa frase faz bastante sentido, pois como muitas pessoas não conhecem os símbolos profundamente não conseguem esclarecer o jogo, seja no método utilizado, nos próprios Arcanos ou no plano a ser analisado.

Por isso, quase todas as respostas são determinadas pelo “livre arbítrio”, consequentemente, pra tudo que se pergunta à resposta é:“isso depende de você”. E o Tarô é muito mais que isso, traz em sua simbologia e ligação (interdependência das cartas) o livre-arbítrio e o destino, o homem e a vida atuando em conjunto ou separadamente, os acontecimentos que dependem de mim ou dos outros.

Divisão de Arcanos

No Tarô temos uma divisão já conhecida:Arcanos Maiores e Arcanos Menores.

Isso já foi disposto no Curso Introdutório On-Line de Arcanos Maiores. Os Maiores compõem um grupo de 22 cartas e os Menores possuem 56 cartas, perfazendo o total de 78 lâminas.

Nos Arcanos Menores teremos mais uma divisão, Os Arcanos Numerados e Arcanos da Corte, dispostos abaixo:

Os Arcanos Numeradossão em número de 40 cartas - de As a 10 - diferenciados pelos naipes. Contamos com 4 naipes (Ouros, Espadas, Copas e Paus) consequentemente 4 grupos de 10 cartas numeradas. Representam uma ordem numerológica com significados, numa cadeia progressiva de compreensão e interpretação. São de representação direta e prática, facilitando a compreensão e leitura, devido ao direcionamento do número combinado ao naipe. Apesar de serem confundidos com o baralho comum, trazem em sua simbologia uma diferença perceptível devido aos símbolos e análises que proporcionam clareza, independente de serem “ilustrados” ou não, pois o conceito da leitura se baseia no raciocínio e compreensão simbólica.

Os Arcanos da Cortese apresentam em menor número, pois teremos 4 configurações distintas (devido aos naipes citados acima) e possuem 4 figuras, perfazendo um total de 16 lâminas. Representam manifestações diretas e específicas – assim como os numerados – porém oferecem uma análise mais comportamental, uma manifestação objetiva sem perder a complexidade do símbolo presente em cada figura. Alguns baralhos apresentam diferenças na configuração: enquanto uns utilizam as 4 figuras: Pajem, Cavaleiro, Rainha e Rei; outros apresentam como Princesa, Príncipe, Rainha e Rei; ou ainda Valete, Cavaleiro, Rainha e Rei. Independente dessa divergência a representação é a mesma durante a leitura. Outro ponto importante a ser considerado é a tendência natural que muitas pessoas têm de sempre achar que uma figura da corte tirada num jogo significa alguém em especial, o que se denomina Personagem. Isso não deve ser considerado um conceito geral, pois nem sempre ocorre. Não é toda vez que uma figura da corte representa uma pessoa. Mesmo tendo aspectos comportamentais não se torna uma situação obrigatória ou constante. É preferível se ater a leitura do Arcano sem se apegar a esses rótulos.

Vamos nos ater a alguns Arcanos Menores, pois o estudo dessas cartas em sua totalidade seria inviável e perderia a qualidade da proposta introdutória.

Não adianta queremos jogar o Tarô com um curso On-Line, ainda mais Introdutório, seria precipitação. Aqui, desejamos apresentar o tópico e algumas nuances.

Os Arcanos Menores

Vimos anteriormente que os Arcanos Menores representam o Microcosmo.

Existem diversas maneiras de explicá-los, aqui vou grifar a representação dos Arcanos escolhidos, algumas especificações e conselhos posteriormente você mesmo se aprofundará nelas. A cada Arcano vamos estudar simbologia e aplicação - desta forma você poderá compreender a maneira mais prática de utilizar a carta.

Fique atento (a) aos símbolos e à estrutura do Arcano. As especificações e direções vêm com o tempo de prática. De nada vale decorar tudo e não conhecer o conteúdo, que é o que leva ao direcionamento correto.

Você pode analisar pelas cartas dispostas aqui ou analisar pelo seu Tarô , se preferir. Não esqueça, nesse caso, de colocar os Arcanos na ordem proposta.

Obs:Muitos tarólogos do mundo todo trabalham de maneira diferenciada com as 78 cartas, alguns usam as 56 Menores em qualquer jogo (prática que, pessoalmente creio ser mais completa) outros usam apenas a figura do As e 10, ou ainda, a Corte combinada a alguns Numerados escolhidos. Neste Curso utilizaremos o As e Cartas da Corte para a prática dos métodos.

As de Ouros

Tarô

Representação:Realização material, concretização sólida e materialização do tema em questão.

Especificações:O As de Ouros materializa o assunto abordado, e sua interpretação depende do plano referente ao tema. Por exemplo: se o assunto estiver relacionado a ganhos, o As de Ouros materializa o ganho em questão. Se estiver num assunto ligado a perda, traz objetividade e definição ao tema.

Casa de Conselho:Usar da praticidade e se basear nos fatos concretos, com objetividade.

As de Espadas

Tarô

Representação:Intensidade e intensificação, força com inflexibilidade, busca objetiva e imutável.

Especificações:O As de Espadas oferece uma qualidade de intensificação no tema abordado, portanto se estiver acompanhado de algum Arcano Maior intensifica seus atributos (sejam eles quais forem), caso esteja individualmente apresentado denota impulso intenso e inflexível no tema abordado.

Casa de Conselho:Usar da idéia fixa, ser mais determinado e inflexível sem perder a determinação que se tem em planejamento.

As de Copas

Tarô

Representação:Abundância, fartura, satisfação de realizar, sentimento ou envolvimento abundantes.

Especificações:O As de Copas denota a presença de abundância na questão solicitada, ameniza Arcanos dolorosos (caso esteja combinado) e favorece a inspiração e sonhos.

Casa de Conselho:Facilitar os ganhos através de envolvimento, acreditar nos sentimentos, se abrir para as melhorias e se envolver com o tema de forma agradável e satisfatória.

As de Paus

Tarô

Representação:Fertilidade, novos começos prósperos, luta equilibrada com impulso maduro e consciente, expansão.

Especificações:Essa carta representa a fertilidade do tema em questão, expande os assuntos, abre novas possibilidades férteis, auxilia em batalhas conscientes e começos bem planejados, inicia bons momentos e promete colheitas positivas. Fertiliza o Arcano Maior que o acompanha ou o assunto abordado em caso de jogo com cartas isoladas.

Casa de Conselho:Expandir com consciência, apostar no equilíbrio e maturidade, se disponibilizar a novas conquistas férteis, visualizar e se disponibilizar a novas colheitas.

Princesa de Ouros

Tarô

Representação:Especulação, investigação sem garantia de retorno, movimentação prática e investigativa.

Especificações:A Princesa de Ouros investe e movimenta positivamente na questão abordada sem garantia ou assegurar retorno ou ganhos, indica uma atitude inicial em relação ao tema sem focos futuros. Se estiver combinada ao Arcano Maior indica investimento no atributo principal do Arcano Maior, se estiver isolada representa a aposta sem garantia no assunto em questão.

Casa de Conselho:Acreditar e investir no tema em questão sem esperar nada em troca. Fazer algo em relação ao assunto sem interesses futuros, apostar na questão e se movimentar positivamente.

Princesa de Espadas

Tarô

Representação:Intriga, fofoca, maledicências, intenções escusas e egoístas, interesse pessoal envolvido.

Especificações:A Princesa de Espadas indica segundas intenções presentes na questão, probabilidade de intrigas ou intenções egoístas relacionadas ao assunto abordado, pouca confiabilidade. Se estiver acompanhada de Arcano Menor traz uma qualidade de intriga na questão, se estiver isolada indica a falta de caráter no assunto abordado.

Casa de Conselho:Usar mais astúcia e inteligência para lidar com as situações, abusar do jogo de cintura e sagacidade para obter resultados, ser mais dissimulado(a) em relação ao que foi questionado.

Princesa de Copas

Tarô

Representação:Construtividade, boas promessas, intenções positivas, investimento com intenção de crescimento e obtenção futura de recompensas.

Especificações:Esse Arcano indica uma intenção clara e transparente de conseguir realizar um sonho ou desejo no futuro, investimento em bases sólidas atuais para obter resultaods positivos, boas intenções e verdade no que se almeja, promessa de construção a longo prazo. Se estiver acompanhada de Arcano Maior, acrescenta doçura e veracidade ao atributo principal do Maior, se estiver isolada, indica boas intenções e verdade na questão solicitada.

Casa de Conselho:Investir na construtividade, buscar planos e sonhos positivos para construir realizações com bases sólidas e duradouras, apostar no sentimento e envolvimento. Não temer os próprios sentimentos, usar da doçura para lidar com as situações.

Princesa de Paus

Representação:Promessas, boas notícias, surpresas agradáveis, receptividade e presentes férteis.

Especificações:A Princesa de Paus indica boas novas, um auxílio que vem em sua direção, uma facilidade ou supresa positiva relacionadas ao assunto abordado, um benefício inesperado. Se estiver combinada com um Arcano Maior, indica fertilidade presente e ganhos no atributo princiapl do Arcano Maior. Se estiver isolada representa boas novas e surpresas positivas no tema abordado.

Casa de Conselho:Estar mais disponível, aberto `as coisas boas da vida sem egoísmos, ser mais solidário e flexível, receptivo e menos parcial.

Príncipe de Ouros

Tarô

Representação:Busca pela realização, conquista obtida através da posse e forte empenho. O tempo que facilita a recompensa.

Especificações:O Príncipe de Ouros viabiliza realizações e conquistas, indica chances de possuir o que se deseja. Se estiver combinado a um Arcano Maior, viabiliza a realização do atributo principal em questão. Caso esteja isolado denota a conquista do tema pela busca e comportamento possessivo.

Casa de Conselho:Assumir uma postura mais determinada para conseguir o que deseja, estar mais firme e seguro de sua busca, assumir o intento de posse, ir ao encontro do que se dispôs a conseguir sem desânimo ou ceder as dificuldades.

Príncipe de Espadas

Tarô

Representação:Busca inflexível do que se quer, luta pelo intento sem pausa para descanso, persistência inabalável.

Especificações:O Príncipe de Espadas vai em direção ao que quer e determina sem descanso ou chance de parar, independente do que precise fazer para isso. Se estiver acompanhado de Arcano Maior atribui a conquista do tema em questão devido a grande persistência embutida em sua postura.

Caso esteja isolado em jogo, significa a conquista do intento sem medir as consequências.

Casa de Conselho:Ser mais determinado, abandonar a contemporização e ir a luta em busca do que se quer.

Príncipe de Copas

Tarô

Representação:Envolvimento busca ilusória, intensidade sem durabilidade, concretização imaginária, esperança sem fundamento.

Especificações:O Príncipe de Copas denota a busca que nunca é alcançada, a ilusão de concretização e ao mesmo tempo impossibilidade de realizar o que deseja por ser mera imaginação.Se estiver combinado a um Arcano Maior dará um sentido falso na representação interpretada, se estiver isolado indica imaginação não concretizável e impossibilidade de viabilização.

Casa de Conselho:Usar da leveza e falta de comprometimento para viver as coisas conforme se manifestam em sua vida, despreocupar quanto aos resultados, se livrar do peso das soluções para aproveitar mais as situações no momento atual.

Príncipe de Paus

Tarô

Representação:Arrojo, ousadia, sagacidade, coragem e luta por realização usando de inteligência e criatividade.

Especificações:Esse Arcano busca a conquista do que quer usando de criatividade, inteligência, esperteza, destreza e ousadia. Acompanhado de um Arcano Maior traz arrojo na questão e a chance de conseguir o que se deseja devido à ousadia que impõe ao Arcano Maior. Isoladamente indica a luta através da criatividade e a chance de conquista avançando em direção ao que se quer.

Casa de Conselho:Ser mais destemido, buscar o mais rápido possível àquilo que deseja, lutar sem desanimar perante obstáculos, superar barreiras usando a criatividade, não esmorecer e rapidamente batalhar pelo que quer.

Rainha de Ouros

Tarô

Representação:Manutenção, movimento contido, retidão, posse controlada e gerenciada.

Especificações:A Rainha de Ouros é a representação da matriarca, mantenedora, preservadora. Se acompanhada de um Arcano Maior preserva e mantém o atributo principal do Arcano Maior no assunto abordado. Se estiver isolada retém os acontecimentos e “segura” a situação como está.

Casa de Conselho:Utilizar a segurança pessoal como base, manter tudo como está, evitar movimentos precipitados ou atitudes, preservar as coisas como estão para que a estabilidade traga melhor estrutura.

Rainha de Espadas

Tarô

Representação:Vingança, ressentimento, necessidade de revidar o que julga ser mal, crueldade, frieza, ausência de perdão.

Especificações:Esse Arcano insere um conteúdo de frieza e mágoa profunda no consulente, indica muita astúcia para obter a recompensa da vingança.Se estiver combinada com um Arcano Maior acrescenta ao atributo principal do tema em questão a crueldade e má intenção. Se estiver isolada em jogo significa a intenção de revidar- a qualquer custo- o que passou anteriormente, sem descanso, compaixão ou perdão.

Casa de Conselho:Usar mais o poder pessoal, encontrar meios de conseguir o que quer, firmar atitudes dominadoras e decididas sem se envolver.

Rainha de Copas

Tarô

Representação:Segredo, mistério, dissimulação, esconderijo, oculto.

Especificações:A Rainha de Copas indica algo oculto e impossível de ser encontrado, um silêncio e anulação muito fortes, ausência de posicionamento. Se sair acompanhada de Arcano Maior indica que aquele assunto está velado ou oculto de alguma maneira, não será facilmente compreendido. Se estiver isolada, algo se esconde na questão e não será encontrado.

Casa de Conselho:Estar mais fechado, agir de forma silenciosa e invisível, não dizer nem fazer nada, manter-se oculto e fechado.

Rainha de Paus

Tarô

Representação:Generosidade, solidariedade, troca, permuta, compreensão, maturidade e auxílio.

Especificações:Essa carta indica um comportamento generoso, no qual está presente a benevolência e o auxílio para com tudo e todos, atitudes conscientes e positivas em prol da manutenção sadia. Se estiver acompanhada de Arcano Maior indica momento de melhorias através da troca e auxílio no tema em questão. Se estiver isolada, mantém as qualidades através da compreensão e da permuta de interesses.

Casa de Conselho:Ser mais prestativo, mais participativo, menos interesseiro ou egoísta, usar mais das relações positivamente e valorizar a troca, o bem estar geral (não apenas pessoal).

Rei de Ouros

Tarô

Representação:Concretização, domínio patriarcal, realização pelo poder possuído.

Especificações:O Rei de Ouros é a representação do patriarca, aquele que realiza devido ao poder e domínio, sem questionamentos ou empecilhos. Se sair acompanhado de Arcano Maior indica a realização prática do tema em questão. Se sair isolado indica o domínio do assunto, que gera a realização e obtém a posse.

Casa de Conselho:Realizar, acima de tudo, o que se quer.Não basta pensar, sentir ou projetar se não materializar esse intuito ou idéia, tomar posse e conseguir o intento ou situação.

Rei de Espadas

Tarô

Representação:Domínio e realização através de determinação, vitória conquistada mediante uso de poder pessoal.

Especificações:Determinação sem limites, não há preocupação com escrúpulos. Realização do que se deseja a qualquer custo, intento imutável seguido de domínio e obtenção do que se quer.

Se sair acompanhado de Arcano Maior indica a conquista do que se deseja a qualquer preço. Se estiver isolado indica idéia fixa e inflexível que será realizada sem considerar os semelhantes ou as consequências.

Casa de Conselho:Lutar pela vitória e conquista do que se quer, não dispersar quanto ao seu intento tampouco abrir mão de seus planos ou realizações.

Rei de Copas

Tarô

Representação:Domínio da vaidade e desejos pessoais, realização do que é melhor para si, conquista pessoal e egóica.

Especificações:O Rei de Copas consegue o que deseja baseado em seus ganhos pessoais, possui o que faz bem a o seu ego e vaidade, o que importa é seu bem estar. Se estiver aliado a algum Arcano Maior atribui características parciais (com interesses individuais do consulente) a conquista em questão, se sair isoladamente em jogo indica a atitude realizadora baseada em ego e vaidade.

Casa de Conselho:Investir mais em si mesmo, conquistar o que lhe faz bem e agrada, não perder a força por interferência externa, dominar e conseguir o que deseja para encontrar segurança pessoal.

Rei de Paus

Tarô

Representação:Conquistas e realizações com consciência, equilíbrio e maturidade. Seu domínio progride, cresce e expande por ser baseado em altruísmo e melhorias gerais.

Especificações:O Rei de Paus indica uma conquista madura e constante, com aspectos de consciência coletiva e senso de justiça aliados a crescimento geral. Se combinado com Arcano Maior indica o bom posicionamento na realização e garantia de bons resultados, se isolado indica a maturidade de concretizar e expandir com durabilidade e satisfação.

Casa de Conselho:Estar mais consciente e aberto a conquistas para saber crescer e obter estrutura, sem perder o que já foi alcançado e poder compartilhar sem medo de perder.

Kelma Mazziero

Fonte: www.kelmamazziero.com.br

Tarô

Tarô

Tarô de Marselha

O Tarô é um instrumento que nos permite analisar, meditar e refletir sobre nosso passado, presente e futuro, através de seu sistema de simbologias e metáforas.

Como formular a pergunta

O Tarô é um meio de autoconhecimento muito eficaz que pode guiá-lo através de situações e problemas. Para melhor proveito de suas interpretações, pense na situação sobre a qual quer consultar e faça uma pergunta objetiva e direta, incluindo pessoas, tempo e lugares. Por exemplo, se você tem dúvidas em relação ao seu emprego, não pergunte simplesmente "Vai ficar tudo bem no meu trabalho?".

Faça perguntas como:"Meu trabalho vai ser reconhecido pelo meu chefe?" ou "Vou receber uma promoção?". Perguntas específicas ajudam você a direcionar sua interpretação, entender a questão que está vivendo e achar uma solução favorável.

Como interpretar a leitura

O Tarô utilizado aqui é o Tarô de Marselha, um baralho que surgiu na Idade Média e que, naturalmente, carrega os símbolos e significados de sua época. Isso quer dizer que sua linguagem, figuras e significados podem, às vezes, refletir valores, idéias e a cultura daqueles tempos que são muito diferentes dos que vivemos hoje.

Por isso, é importante você ter sempre em mente que sua interpretação não é imutável e que o Tarô não tem a intenção de prever seu futuro. Sua principal função é levar o consulente a um caminho de auto-conhecimento, onde ele encontre repostas. Quando ler uma interpretação, lembre-se também de olhar bem para as cartas, seus símbolos, cores e figuras, e fazer sua própria interpretação, ouvindo o que elas têm a lhe dizer.

Jogo de três cartas

O jogo de três cartas é indicado para quem procura respostas rápidas. Desde questões simples do dia-a-dia até assuntos de razoável complexidade, esse jogo apresenta o problema e seus possíveis desfechos, favoráveis ou negativos, de uma maneira simples e eficiente.

A melhor maneira de obter boas respostas e interpretações é fazendo perguntas objetivas. Assim, as três cartas em conjunto lhe apresentarão uma visão da situação que está passando e os caminhos que podem ser seguidos.

Lembre-se sempre de que as cartas se completam e conversam entre si, sendo assim, reflita bastante sobre seus significados e símbolos e sobre o que elas realmente estão lhe dizendo.

Fonte: horoscopo.uol.com.br

Tarô

TARÔ, UMA CIÊNCIA QUE MERECE ESTUDO

Após anos estudando e trabalhando com a Ciência do Tarô , ou Ciência Tarótica como prefiro chamar, pude perceber uma importante, porém delicada questão que pode gerar certas controvérsias entre os praticantes e estudiosos do tema.

Minhas pesquisas com o Tarô não abrangem apenas as áreas usuais de modelo convencional, ou seja, métodos de deitada ou tiragem, o que significam os Arcanos Maiores, Menores, Ases, Cartas da Corte ou Reais e assim por diante. Estes aspectos mencionados retratam formações específicas porque são utilizados convencionalmente pelos muitos praticantes desta Ciência, todavia, estas formações são organizadas segundo o nível de aprofundamento daquele que ensina, e é justamente neste ponto que surge a “encruzilhada” dos fatos.

Primeiramente se faz necessária uma breve perspectiva Filológica sobre a tênue diferença entre um praticante e um estudioso da Ciência Tarótica.

A palavra estudioso tem sua origem no grego philospoydos, i.e. amigo das libações. A priore pode parecer estranha a conotação dada, contudo, o ato de libar é um ato de sorver, criando assim, uma interação do sujeito (o estudioso) com o objeto (o que se estuda).

Uma outra forte perspectiva que suporta o que foi mencionado acima, é quanto ao estudo da Simbólica.

Ao analisarmos pela via do Simbolismo o que a Filologia nos remete, veremos que existe o Simbolizado e o Símbolo em si. O ponto de partida seria analisar o Simbolizado que é a própria quintessência através de seu representante críptico ou Símbolo. Podemos observar como bom exemplo um termo constantemente utilizado por bilhões de pessoas, Deus. Este é o Simbolizado (ainda que de alguma forma ele pode ser considerado também um Símbolo) que pode ser expresso ou representado, o Símbolo, de diversas maneiras — pelo Olho no Triângulo ou O Homem Vitruviano com sua medida áurea. O resultado é determinado por variáveis devido ao nível ou padrão adquirido por cada observador ao decodificar os Símbolos. Portanto sempre serão inúmeras as interpretações dadas ao Objeto em questão. Isto é estritamente normal e de uma certa forma até mesmo necessário no estudo da Simbólica ou de qualquer outra matéria. Alguns dos grandes sábios da antiguidade perceberam esta variação em estruturas diversas, até mesmo na destruição de imagens sejam estas cognitivas, ou suprafísicas, eis o tema do Iconoclasta.

Na junção de ambas perspectivas o estudioso abrange formas mais amplas dentro da Ciência estudada, conforme expressas em contextos histórico, etimológico, filológico, sociológico, antropológico, mitológico, iconológico, artístico, geométrico, matemático, e da hermenêutica inserida nas linhas e traços dos baralhos mais antigos, enquanto que os baralhos Iluminadores, Românticos e Modernos, remetem a composições astrológicas, qabalísticas, elementais, entre outras.

Esta complexidade faz do estudioso um Erudito, pois ele faz uma profunda associação de informações de acordo com o campo geral destas Ciências a fim de organizar um vasto cabedal como base fundamental de toda uma estrutura construída em cima de estudos e pesquisas muito dinâmicos. Surge então, o sufixo logos, que é a matéria do estudo do qual se especializa e explica. Como adjetivo, surge outro sufixo logios, ou hábil no falar, eloquente, douto ou sábio. Estas eram características conferidas ao antigo deus egípcio Thoth e aos seus seguidores, os Herméticos. Portanto, quando alguém se torna um estudioso além de praticante da Ciência Tarótica, ele é um Tarólogo, ou seja, um douto neste tema. Como de fato ocorre comumente em nossa língua, uma palavra é constituída por um significante (a forma) e um significado (a idéia, o conceito). Assim, Tarólogo, contem ambos os sentidos de logos e logios, da mesma forma que outras Ciências.

Assim, e não de outra forma, um arqueólogo torna-se um douto em Arqueologia, um teólogo versado em Teologia, dando como possíveis exemplos.

Obviamente, alguns dentro destes ramos, irão se especializar em sub-ramos que compõem o quadro final daquela Ciência. Estes são considerados os práticos, derivando da palavra práxis, i.e. execução ou aplicação por oposição à teoria. Neste caso ‘oposição à teoria’ não é descartar a teoria estudada, pelo contrário, é de complementá-la com a prática adquirida.

Esta questão é de grande importância para o estudante ou aquele que está iniciando seus estudos e pesquisas dentro de uma área não importando qual seja. Outrossim, existem determinadas áreas de estudos que possuem um sufixo oposto ao logos, o “ista” que de uma forma ou de outra está ligado ao “ismo”, que é o pejorativo para “dogma” ou conceitos pré-estabelecidos. Desta forma, as perspectivas podem variar neste contexto linguístico de formas e idéias.

Esta explanação serve de modelo para que o estudante se torne de fato cônscio do seu trabalho caso ele aspire ser um excelente profissional com o Tarô , e a necessidade se faz presente quando este ou aquele entra em evidência no cenário holístico.

Desde 1982 — e não mudou muito nestes anos a não ser quantitativamente — percebo que muitos ‘profissionais’ se colocam como consultores, professores e formadores desta Ciência, e concluem que o respaldo de seus conhecimentos, estatisticamente falando, provem de outros ‘profissionais’, através de cursos ou workshops dando-lhes garantias de uma excelente consultoria. Muitas vezes cursos de um, dois ou até seis meses, fornecem certificados com o mínimo de critério, quando há, àqueles que são considerados aptos para ministrar posteriormente um curso ou workshop a outros iniciantes.

Infelizmente, não há ainda uma organização no setor a fim de validar cursos e pesquisas paralelas que permitam um tempo muito maior e consequentemente um melhor aprofundamento para o aluno ou mesmo para os mais interessados. Além disto, cada pessoa possui um tempo correspondente a sua natureza para o entendimento Tarótico, e muitos iniciantes ou curiosos reclamam quando turmas são compostas por um número acima de cinco pessoas, criando um desnível na absorção do conhecimento passado, o que não contribui para um desenvolvimento melhor de ensino a ser conferido posteriormente por estes futuros ‘profissionais’.

No Brasil, somente agora está ocorrendo uma procura pelas ciências que estão inseridas nas lâminas Taróticas, e vejo algumas pessoas percorrendo esta via com interesse, manifestando os primeiros indícios dentro dos contextos histórico e simbólico, ainda que não tanto iconográfico e artístico, mas já é um começo. Os livros nacionais sobre tais temas são escassos, mas boas coisas podem surgir deste recente ímpeto de abranger áreas que antes não eram fomentadas entre os profissionais brasileiros.

Por isto, volto a insistir, há uma necessidade de verdadeiros profissionais daqui se organizarem em torno de um excelente desenvolvimento Tarótico, e não apenas de um trabalho convencional e sob certo aspecto, repetitivo. Os grandes pesquisadores respiram 100% ao que se dedicam em estudos, tanto práticos como teóricos, e somente assim, um verdadeiro trabalho toma corpo e fundamento, sustentado pelo cabedal adquirido pelos anos de dedicação. Outrossim, tempo pode ser relativo, pois existe ‘profissionais’ que dizem atuar por muitos anos, cujo trabalho apresenta forte tendência dogmática substanciada por suas crenças pessoais, deturpando sérios ensinamentos acompanhados com a falta de isenção e sobriedade ao passar o conhecimento da Arte para sinceros estudantes.

O Tarô é científico e cultural, e se muitos teorizam que sua forma atual de interpretação e simbólica tem sua origem no século das Luzes, na Idade da Razão, isto só viria a corroborar que sua segunda fonte é o Iluminismo Científico. E quanto a primeira? Qual sua origem? Estas perguntas fazem parte de um outro artigo que será escrito mais adiante.

De qualquer forma gostaria de terminar este escrito com uma frase que sempre me chamou atenção:

“O progresso de um povo depende, exclusivamente, do desenvolvimento de sua cultura”. (Napoleão Bonaparte)

Cláudio Carvalho

Referência Bibliográfica

Anon.: Corpus Hermeticum e Discurso de Iniciação com a Tábua de Esmeralda. (Hermes Trismegistos). Hemus Livraria Editora Ltda: 1978. São Paulo. Budge, E. A. Wallis: The Gods of the Egyptians or studies in egyptian mythology. Volume I. Dover Publications, Inc: 1969. New York. Chevalier, Jean e Alain Gheerbrant: Diccionario de los Símbolos. Editorial Herder S.A.: sd. Barcelona. D’Alveydre, Saint-Yves: A Sinarquia, O Arqueômetro, As Chaves do Oriente. Organizado por Yves-Fred Boisset. Gnosis Editorial Eventos e Produções Editoriais Ltda: 2001. Rio de Janeiro. Junior, José Cretella e Geraldo de U. Cintra: Dicionário Latino-Português. Companhia Editora Nacional: 3a Edição, 1953. São Paulo. Lexicon, Herder: Dicionário de símbolos. Editora Cultrix Ltda: 2a Edição, 1994. São Paulo. Massey, Gerald: A Book of the Beginnings. Volume I. (Egyptian Origines in the British Isles). A New Introduction by John Henrik Clarke. A&B Books Publishers: 1994. New York. Pereira, P. Isidro: Dicionário Grego-Português e Português-Grego. Livraria Apostolado da Imprensa: 5a Edição, 1976. Porto. Santos, Mario Ferreira dos: Tratado de Simbólica. Volume IV. (Enciclopédia de Ciências Filosóficas e Sociais). Livraria e Editôra LOGOS Ltda, 4a Edição, 1963. São Paulo. Shorter, Alan W.: Os Deuses Egípcios. Editora Cultrix Ltda: 2a Edição, 1992. São Paulo. Yates, Francês A.: Giordano Bruno e a Tradição Hermética. Editora Cultrix Ltda: 2a Edição, 1990. São Paulo.

Fonte: www.clubedotaro.com.br

Tarô

O Tarô é um baralho com 78 cartas `as quais chamamos de Arcanos , que se subdividem em 2 grupos:Arcanos Maiores e Arcanos Menores. Nos Arcanos Maiores temos 22 cartas e nos Arcanos Menores, naturalmente , 56 cartas . Existem hoje uma infinidade de Tarô s, o que significa que muitos estudiosos, magistas e desenhistas criaram variedades de figuras, cores e formas baseadas em um único tipo de Tarô (O Tarô Clássico) fato esse que nos possibilita uma opção maior na hora de escolher o Tarô que queremos jogar. Vale lembrar que dentro dessas novas opções existem baralhos com alteração no número de cartas, não sendo portanto o Tarô tradicional que advém do original mas sim cartas com um sistema próprio, pois `aquele que chamamos Tarô necessariamente deve ter 78 cartas- nem uma a mais nem menos. Afora isso, a diversidade de nomes e ilustrações fica por conta da preferência do tarólogo. Por isso, para quem se interessa por aprender vale dizer que quando aprendemos a jogar um Tarô podemos utilizar qualquer outro. Algumas pessoas preferem trabalhar e ensinar apenas um tipo de Tarô mas certamente sabem jogar os outros. Usam um em especial por uma questão de escolha própria.

Sua origem, quem o criou e de que forma o fez é um mistério. Muitos pesquisadores buscaram a exatidão desses dados mas sem muito sucesso, pois tudo o que temos são datas aproximadas.O primeiro registro data do século XIII .Temos a Europa como o lugar mais provável de ter sido visto pela primeira vez. A partir dessa época, foi disseminado como jogo e ensinamento pelo mundo todo, sendo reconhecido por estudiosos como um Livro Sagrado, cujas páginas vêm soltas, para busca de aprofundamento e conhecimento.

Apesar de ser chamado de Oráculo, o Tarô é um jogo. Não se trata de uma conexão direta com Deus ou um instrumento dos Deuses manipulado por seres humanos , e sim de um baralho que possui os quatro naipes (ouros, copas, espadas e paus) e mais 22 lâminas, citadas anteriormente. Foi criado pelo homem ( e para o homem). Sua função é , entre tantas coisas, transmitir informações e conhecimentos através de suas imagens. Qual a diferença entre um baralho comum e o Tarô ? A princípio podemos dizer que o baralho comum possui todos os naipes e a corte ( rei, rainha e valete); o Tarô possui os naipes, a corte- com acréscimo de mais uma carta, a princesa ou pagem- acrescentadas aos Arcanos Maiores. Ou seja, temos 26 cartas a mais nos Arcanos Menores, contando-se que temos nelas desenhos, imagens, figuras e formas variadas( na maioria dos Tarô s), com diversas cores e informações para auxiliar a interpretação dos símbolos, a intuição e a imaginação criativa. É uma verdadeira ?chave? para a visualização.Cada carta tem uma filosofia, uma mensagem e a combinação delas a cada jogo é rica e diferente.

As formas e tipos de jogos também são numerosos , podemos ter uma leitura a partir de uma carta até figuras geométricas interpretadas por inteiro.O fato de termos muitas cartas num jogo, ou seja, abrirmos uma série de cartas para serem interpretadas de uma só vez não significa que tenhamos um jogo melhor ou mais completo que os outros. Existem tarólogos que com apenas uma carta passam informações suficientes para muito tempo de reflexão! Sendo assim o importante é aprender com dedicação e fazer o melhor possível em seu jogo a fim de esclarecer dúvidas ou abrir caminhos para quem os busca ( mesmo que esse alguém seja você mesmo!!!).

Dessa forma, temos em cada lâmina um novo aprendizado, vindo através das formas, dos números, do nome, da posição...e de muitas outras fontes de informação.Com responsabilidade, seriedade, respeito ao livre-arbítrio (nosso ou do consulente) e ética podemos ter no Tarô a chave de muitas ? portas? , a saída para diversos caminhos e a busca pelo auto-conhecimento. Tendo em mãos os elementos necessários para um bom jogo ou leitura das cartas certamente encontraremos o que buscamos para nós ou nosso semelhante.

REFLEXÃO COM O TARÔ

Parte 01

Desde os tempos mais remotos até os dias de hoje o Tarô tem uma possibilidade vasta de uso:de um jogo divinatório até a terapia. Muitas pessoas trabalham com as 78 cartas voltadas para o auto-conhecimento e o aprofundamento em torno de si mesmo, expandindo seus jogos para uma reflexão maior dos Arcanos e seus símbolos. Para isso é necessário estudar o Tarô e desejar esse processo de re-descobrimento. A partir daí, todos os dias e a cada carta, aprendemos mais sobre nossos comportamentos e praticamos uma nova forma de reflexão.

Cada profissional utiliza as lâminas `a sua manei!ra, o que não altera o resultado, uma vez que se o destino é o interior do indivíduo o caminho a ser percorrido é da escolha de quem o fará e também de quem o guiará ou o acompanhará nessa jornada.

Abaixo segue uma das formas simples e eficientes de se trabalhar com o Tarô enfatizando seu uso terapêutico e individual. Serão propostos exercícios de reflexão em 6 etapas, utilizando no máximo 5 cartas a cada vez. Lembre-se que o ideal é realizar essa tarefa de forma sutil, ou seja, não se obtém resultados de uma só vez. Procure fazer 1 carta por dia, e assim, dar-se tempo de sentir a vibração própria que cada carta proporciona. Separando os Arcanos Maiores, teremos 22 cartas. Cada uma delas trará `a tona aspectos ligados `a nossa personalidade e `as nossas características, ou seja, em cada carta analisada devemos levantar seus aspectos favoráveis e desfavoráveis, ver como cada um deles está dentro e fora de nós ( pois nem sempre aparentamos o que realmente sentimos ou gostaríamos de aparentar) e a partir daí buscarmos na visualização da lâmina a postura ideal para harmonizarmos externo com interno, desejo com realidade, anseios com receios e assim por diante.

Nota:Procure fazer essa análise usando um Tarô , pois a visualização final é importante para harmonizar os aspectos encontrados e avaliados.

Carta I - O MAGO -Aquele que inicia tudo, que promete buscar, tem em si o talento e as possibilidades, lidera, ousa e almeja. Trata-se de um espírito jovem, um indivíduo que projeta e planeja, promete crescer e realizar!!! Por outro lado, necessita de esforço e persistência para que seu impulso se torne realidade constante...

* A partir daí podemos fazer uma re-avaliação:Como andam seus projetos, seus anseios, de que forma os tem trabalhado e respeitado? Será que o plano mental tem dado vazão ao plano sentimental ? Como não viver apenas num mundo ilusório e partir para a realização e concretização das idéias?. Você tem acreditado em si mesmo?. Reflita sobre esses aspectos e tantos outros que esse comportamento provoca...

Carta II - A SACERDOTISA -Uma mulher serena, introspectiva, indicando postura reflexiva . Ela compreende a sabedoria que carrega dentro de si e também o que deve estar sempre aprendendo. É a polaridade complementar, a parceria, a concessão, o entendimento. * Nesse contexto vale analisar como se encontra a sua reflexão, a sua sabedoria. Você tem ouvido `a si mesmo? Tem feito sua parte no que diz respeito `a complementar outras pessoas, fazer parceria, sem necessidade de retorno? Sua introspecção traz bons frutos ou se torna , muitas vezes, divagação? Nesses momentos, nada como o silêncio para nos ensinar a convivência com a própria sabedoria e poder assim dar sem precisar do retorno alheio...

Carta III - A IMPERATRIZ -Uma mulher novamente serena, mais leve em suas vestes e já atuante, mesmo sentada! Traz a noção de iniciativa e criatividade, aquele que sabe criar e crescer, desenvolver suas idéias com sua iniciativa. A produção - fonte inacabável que o ser humano tem dentro de si...seus conhecimentos! * Nesses parâmetros, analise como anda seu Universo criativo, seu Mundo das Idéias ( Não dos sonhos!) e sua produção interna. Lembre-se da sensação que tem todas as vezes que resolve um problema, que gera um pensamento novo diante de uma fato antigo, da cadeia fantástica que carrega seu cérebro quando surgem novas saídas... como anda esse Universo?

Carta IV - O IMPERADOR -Um homem que sabe sobre o controle e o domínio. Faz seu trabalho com o coração e com precisão. Busca a harmonia coletiva em sua rigidez e seu senso de ordem, segurando e prendendo o que precisa ser preso para assim poder governar em paz. * Quantas vezes fazemos o mesmo com nossos sentimentos? Ao contrário disso, pense quantas vezes não tenta prender o seu lado emocional e solta apenas o mental...e se fizesse o oposto? Tente prender e segurar o processo mental que muitas vezes destrói o mesmo sentimento que o criou! Vale a pena governar a si mesmo com o coração solto, e a mentecontrolada...

CARTA V - O SACERDOTE -Um homem que atingiu o topo de sua religiosidade ensinando aos seus discípulos o que sabe. Lida com dogmas e princípios de forma bondosa e caridosa, sabendo o peso que as regras limitadoras têm sobre seus instruídos. Sua fé o ensina e motiva. * Partindo dessas palavras vale notar de que forma tem instruído as pessoas `a sua volta... todos somos instrutores, pois temos nossa experiência pessoal e sobre ela o conhecimento é total. Quando ensinamos essa experiência temos importância fundamental na vida das outras pessoas. Analise de que forma tem feito isso e se as regras estão direcionando através dessas 5 primeiras cartas temos o início de uma auto-análise muito interessante. Os aspectos extraídos das lâminas são apenas alguns, visto que a cada dia podemos encontrar novos detalhes, novas posturas e processos. O importante aqui é iniciar uma jornada pessoal e a partir dela buscarmos sempre novos conhecimentos dentro de nós mesmos.

O Tarô fará um papel primordial:reavivar o que sempre soubemos e por vezes nos esquecemos que carregamos : nosso Caminho, nossa sabedoria e o Conhecimento.

REFLEXÃO COM O TARÔ

Parte 02

Nessa segunda parte faremos um trabalho diferente do texto passado, analisaremos apenas uma carta.

Por um motivo simples:seu aspecto é por demais profundo e requer um estudo mais detalhado.

Naturalmente não há Arcano mais importante, nem a carta somente positiva ou negativa. Todas as cartas carregam em si o positivo e negativo- as polaridades- sendo completas e perfeitas, naturalmente. O fato é que algumas delas contém ensinamentos que para nós se tornam mais delicados ! Sendo assim, existe a necessidade de as pesquisarmos separadamente. Se separarmos as cartas em grupos , como ensina Nei Naiff, teremos Caminhos distintos: Da carta 1 `a 5 -Caminho da Vontade; Carta 6 - Caminho do Livre-Arbítrio; Da carta 7 `a 11 - Caminho do Prazer ; Da carta 12 `a 16 - Caminho da Dor; Carta 17- Caminho da Esperança; da Carta 18 ao Arcano Sem Numero - Caminho da Evolução. A partir dessa divisão, obteremos nossas reflexões. Os detalhes sobre esses Caminhos cabem aos interessados buscarem com o próprio Nei Naiff em seu site , estudando sob sua ótica os passos do Homem.

`A nós, compete aqui dar continuidade aos exercícios com os Arcanos utilizando uma divisão criada pelo estudioso e pesquisador descrito acima.

O Arcano 6, Os Enamorados ou Os Amantes, traz em sua filosofia de base a amorosidade e a opção. Mas qual a melhor forma de unir as duas coisas?

Muito bem, a partir de uma noção muito anterior aos conceitos e princípios da civilização:o livre-arbítrio. Nessa palavra encontramos tantos caminhos que muitas vezes desejamos não lembramos dela a fim de não experimentarmos a insegurança natural que ela traz. Revivendo a idéia de que estamos nessa vida para construirmos nosso próprio destino e que todos os nossos semelhantes também o estão, perdemos um ponto de referência muito utilizado e conhecido- o de que o destino já está traçado. Se temos autonomia para fazermos nossa vida, mudarmos tudo o que não nos agrada e, enfim, podermos caminhar em direção `a nossa Vontade, passamos a nos responsabilizar pela nossa própria felicidade. Portanto, vivenciamos o fato de que a nossa vida é responsabilidade nossa e tudo o que se trata disso é nossa opção. Opção essa feita com o coração! As decisões fazem parte do nosso cotidiano, o tempo todo. Ir ou não ir, fazer ou não fazer, querer ou não querer e assim por diante.

Quando nos deparamos com um caso mais sério a ser resolvido, muitas vezes estagnamos perante o mesmo alegando que há uma decisão a ser tomada e ocasionalmente, não conseguimos fazê-la! Basta pensar que opções são feitas todos os dias, o tempo todo e que essa, em especial, não é uma situação inédita. O ato já é bem conhecido. O que varia é a responsabilidade que dele surge, o peso de optarmos com o coração, usarmos nosso livre-arbítrio e dessa atitude podermos encarar a responsabilidade da decisão, sem culpas ou medos do pecado, mas sim, aceitando arcar com nossa escolha de peito aberto e cabeça erguida! Nesse contexto, absorvemos profundamente o valor que existe no livre-arbítrio e no poder de optar com o próprio coração. Basta uma escolha e um novo Caminho mostra-se `a nossa frente... e dele a vida ( em parceria conosco, sempre!) tece sua teia, podendo ou não mudar o rumo de toda uma existência...Por isso, nesse Arcanos encontramos a necessidade do trabalho isolado.

A carta, em si, não se faz mais importante. Sua filosofia é que pode vir a exigir mais atenção... Optar com o coração, com o mais profundo amor, em tudo o que se faz é , antes de mais nada, um ato de liberdade. Em decorrência disso, se decidimos legitimamente, encaramos nossa responsabilidade com dignidade e retidão. Assim exercemos o livre-arbítrio e aprendemos a respeitar o Caminho de todos os nossos semelhantes.

Reflexão:Num local tranquilo posicione-se de forma confortável e relaxada.Caso queira, coloque uma música suave e um aroma agradável. Feche os olhos e deixe passarem por sua mente todas as suas opções, passadas e presentes. Reveja também todas as vezes que não optou. Reflita sobre a importância desse ato em sua vida. Quando terminar a prática, escreva em um papel sobre a experiência e guarde-o por alguns dias. Quando se sentir pronto, leia o que escreveu e novamente faça o exercício, mas finalizando-o com a visualização do Arcano 6 - um Homem entre duas mulheres em posição de dúvida, e acima de suas cabeças um cupido, apontando para apenas uma delas- trazendo para seu cotidiano essa energia: Quando feita com o coração, sua opção será sempre abençoada!!!

Refletindo com os Arcanos Maiores

Analisando os Arcanos Maiores certamente veremos muito mais que belas ilustrações, elementos conhecidos ou mesmo uma resposta para o que desejamos saber. Por trás de cada Arcano Maior existe uma oportunidade e uma chance (mais uma, quem sabe!) de nos depararmos com uma parte nossa, um fragmento, uma característica. Não é `a toa que a palavra Arcano significa segredo, mistério... em cada carta existe um conto secreto ao qual podemos nos reconhecer !

Quando assistimos a um filme e percebemos que a história relatada é parecida com a nossa, normalmente nos pegamos vivenciando o filme como se fôssemos o próprio personagem ou mesmo contando para alguém como se fôssemos nós que tivéssemos vivido aquele momento na tela. O mesmo ocorre quando nos identificamos com uma música, uma foto...e assim também podemos nos sentir ao analisarmos e interpretarmos uma carta do Tarô ! Naquele exato momento podemos ver uma parte nossa ali ilustrada e quando nos encontramos em dificuldades, nessa mesma lâmina pode haver uma proposta de solução, ou algumas sugestões para mudarmos o que está nos incomodando...

Faça um teste, experimente olhar as semelhanças... Busque numa carta que você tire aleatoriamente do seu Tarô um reflexo para o momento de vida atual. Tente ver naquele desenho o seu próprio retrato, entender esse momento para que assim você possa analisar imparcialmente o que se apresenta como a melhor solução. Seja seu consultor, experimente sair do caminho da dor e do sofrimento e através dessa compreensão encontrar as suas próprias respostas, podendo obter esse auxílio nas cartas do Tarô .

Isso não é propaganda,é apenas uma sugestão. A questão aqui é expandir o entendimento a fim de que não mantenhamos postura de apenas ajudarmos aos outros e nossos problemas pessoais ficarem `a deriva. Através de um boa reflexão feita com um Arcano Maior certamente nos sentiremos mais ricos e fortalecidos , utilizando a força, a energia e as informações que brotam desse instrumento...o resto quem faz somos nós! Todos temos imaginação criativa, um decodificador natural de símbolos que nos auxilia a "entender" uma carta mesmo sem nunca a termos visto anteriormente. Basta confiar no que vê , no que sente e interpretar uma lâmina com o coração. Não existem erros quando se atua com o coração!

Analise apenas um símbolo que primeiramente lhe chame a atenção na carta e não se preocupe em "formular perguntas"...deixe que esse símbolo traga `a tona uma parte sua e fale sobre ela, mostre-lhe uma forma de lidar com ela ou como a mesma se encontra. Assim, quem sabe, esses "mergulhos" possam virar um hábito e a busca pelo conhecimento tenha seu papel mais importante desempenhado sem pudores, medos ou fugas - caminhar de encontro ao conhecer a si mesmo, para poder evoluir como matéria , mente e espírito.

O AUTO-CONHECIMENTO ATRAVÉS DO TARÔ

Hoje em dia são tantas as propostas e maneiras de auto-conhecimento que o termo já se tornou quase um velho conhecido...e é isso que ele é!

O único detalhe é que a busca real por ele ainda não é tão grande.

Mas não importa, como diria um grande compositor:"qualquer maneira de amor vale a pena..." e nesse assunto eu diria que qualquer maneira de busca vale a pena, desde que seja feita com a alma e com o coração! Toda Arte ou Ciência, Religião ou Crença que nos leve ao crescimento interior e `a evolução deve ser respeitada, simplesmente pelo fato de fazer o bem sem olhar prá quem ou mesmo por mostrar uma porta a quem procura...

É justamente por isso que essas palavras não estão aqui para impressionar e mostrar que o Tarô é o melhor método entre tantos outros. Não quero aqui menosprezar nenhum Caminho, muito menos falar do meu como a grande solução. Quero lembrar-lhe que no meio de muitos conhecimentos e inúmeras ofertas a fé é a maior arma que um Homem carrega consigo . Ele mesmo pode fazer tudo isso por si próprio...o método que escolherá para fazê-lo é uma questão totalmente pessoal , intransferível.

Por isso quero sempre acreditar que todos os veículos e profissionais que se predispõem a trabalhar na " totalidade" das pessoas respeitem e esperem a mesma postura uns dos outros. É a partir daí que podemos analisar as orientações que absorvemos de forma ampla , olhando para o Tarô e vendo-o também como um Caminho, uma Filosofia de Vida e não apenas como cartas que nos responderão o futuro, deixando nossas Vidas `a mercê do destino ! Procuremos, nesses casos, trabalhar o preconceito e a idéia antiga de jogos de azar e olhar além , ver o que uma Arte- seja ela qual for - poderá nos oferecer...

O Tarô é estudo, é busca, é conhecimento, não está fora de nosso alcance e não foi feito apenas para os "que nasceram com o dom" ou os" escolhidos". É antiga tradição, trabalhada pelo Homem e lapidada através dos séculos para orientar quem busque esse tipo de direcionamento. É um Livro Sagrado e mágico que oferece através de suas ilustrações uma forma sutil e bela de se desvendar os próprios mistérios. Por isso, como qualquer outra forma de fé ele se faz importante e respeitado.

Afinal, o ideal é começar por nós mesmos, para assim existir a possibilidade de conhecer e transformar o que está `a nossa volta... se é que depois de estarmos a sós conosco sentiremos ainda a vontade de mudar os outros, ao invés de aprendermos a amá-los como são! "O auto-conhecimento é a chave para o desfrute interno e externo da paz, harmonia e equilíbrio, para uma vida saudável, fluindo do coração aberto que busca a Evolução".

AS POLARIDADES DAS CARTAS DE TARÔ

O Tarô carrega em cada carta uma mensagem,uma filosofia , um sentido. Não existe significado para cada uma delas, não há como decorarmos uma lâmina para assim aprendermos a jogar. Sua função é mais complexa e mais profunda, o que gera muitas vezes, um mistério em torno desse baralho e que possibilita- infelizmente- o excesso de misticismo. Na realidade ele busca a Verdade de cada indivíduo e ,sendo assim, usar apenas um significado decorativo limita e empobrece o uso dessa Arte que é o Jogo de Tarô .

Em função dos métodos atuais de jogo, muito simplificados, aprendemos que uma carta significa algo , dando-nos sempre a idéia de que algumas cartas são boas e outras não, algumas são positivas e outras negativas. Esse contexto gera um engano, pois não há como trabalharmos uma lâmina em sua superficialidade e periferia.

Se todos nós temos o equilíbrio e tudo no Universo existe dessa forma:claro/escuro, negativo/positivo, feminino/masculino, etc., naturalmente encontraremos o mesmo em cada carta. Essa idéia elimina a hipótese de uma carta ser boa ou má, tira o preconceito e o medo que existe em torno de um jogo de Tarô .

Na maioria das vezes uma pessoa , quando atendida por um tarólogo, fica muito assustada ao ver em seu jogo a carta do Diabo, da Morte ou da Torre. Dizem que são cartas ruins e que terão azar no futuro. Isso é fruto da informação enganosa que ocorre com o esoterismo no Brasil. Além de termos um limite para previsões num Jogo de Tarô - não há como ditar um futuro se trabalhamos com o livre-arbítrio do consulente- as cartas tem duas polaridades e dessa forma, muitas vezes, podem dizer o contrário do que nossa Lenda prega. Depende, portanto, de sua posição e do caso a ser tratado no momento!

.Dessa forma vale enfatizar que uma carta considerada boa, num dado momento pode ser desfavorável ou vice-versa.Tudo que é bom demais, em excesso torna-se ruim! Isso significa que algo favorável pode vir a ser desfavorável ou o contrário. A Morte traz um medo natural no consulente, e muitas vezes pode indicar uma transformação extremamente necessária para o momento que ele está vivendo! Assim como a Torre pode significar a reestruturação tão esperada por alguém... e o Enforcado dar a mensagem espiritual perfeita para o momento...Numa fase onde a segurança é o mais importante, a Imperatriz pode não ser a melhor saída - pois a fertilidade e o crescimento podem desequilibrar a tentativa de disciplina e ordem...

Por isso é muito importante estarmos informados, não termos preguiça de conhecer sempre melhor o que escolheremos como método de orientação. No caso do Tarô é imprescindível que o consulente saiba buscar auxílio para o momento presente, lembrando que seu futuro ele mesmo construirá com as próprias mãos...as cartas não farão nada para ele! E ainda mais importante é estar aberto `as orientações, sem preconceitos ou receios imediatos, pois seu jogo estará sendo feito para buscar soluções e não criar ainda mais problemas!

Portanto, lembre-se:quando sair para você uma carta?ruim?, respire fundo e ouça a mensagem que ela traz... em seu momento presente, aquela mesma carta pode ser a saída que procura.E , como tudo na Vida, essa mesma carta tem o outro lado e trará sempre, uma segunda opção.

Sobre o Tarô :

O Tarô é um baralho com 78 cartas `as quais chamamos de Arcanos , que se subdividem em 2 grupos:Arcanos Maiores e Arcanos Menores. Nos Arcanos Maiores temos 22 cartas e nos Arcanos Menores, naturalmente , 56 cartas . Existem hoje uma infinidade de Tarô s, o que significa que muitos estudiosos, magistas e desenhistas criaram variedades de figuras, cores e formas baseadas em um único tipo de Tarô , O Tarô Clássico) fato esse que nos possibilita uma opção maior na hora de escolher o Tarô que queremos jogar.

Vale lembrar que dentro dessas novas opções existem baralhos com alteração no número de cartas, não sendo portanto o Tarô tradicional que advém do original mas sim cartas com um sistema próprio, pois `aquele que chamamos Tarô necessariamente deve ter 78 cartas- nem uma a mais nem menos. Afora isso, a diversidade de nomes e ilustrações fica por conta da preferência do tarólogo. Por isso, para quem se interessa por aprender vale dizer que quando aprendemos a jogar um Tarô podemos utilizar qualquer outro.

Algumas pessoas preferem trabalhar e ensinar apenas um tipo de Tarô mas certamente sabem jogar os outros. Usam um em especial por uma questão de escolha própria. Sua origem, quem o criou e de que forma o fez é um mistério. Muitos pesquisadores buscaram a exatidão desses dados mas sem muito sucesso, pois tudo o que temos são datas aproximadas.O primeiro registro data do século XIII .Temos a Europa como o lugar mais provável de ter sido visto pela primeira vez. A partir dessa época, foi disseminado como jogo e ensinamento pelo mundo todo, sendo reconhecido por estudiosos como um Livro Sagrado, cujas páginas vêm soltas, para busca de aprofundamento e conhecimento.

Apesar de ser chamado de Oráculo, o Tarô é um jogo. Não se trata de uma conexão direta com Deus ou um instrumento dos Deuses manipulado por seres humanos , e sim de um baralho que possui os quatro naipes (ouros, copas, espadas e paus) e mais 22 lâminas, citadas anteriormente. Foi criado pelo homem ( e para o homem). Sua função é, entre tantas coisas, transmitir informações e conhecimentos através de suas imagens. Qual a diferença entre um baralho comum e o Tarô ? A princípio podemos dizer que o baralho comum possui todos os naipes e a corte ( rei, rainha e valete); o Tarô possui os naipes, a corte- com acréscimo de mais uma carta, a princesa ou pagem- acrescentadas aos Arcanos Maiores. Ou seja, temos 26 cartas a mais nos Arcanos Menores, contando-se que temos nelas desenhos, imagens, figuras e formas variadas( na maioria dos Tarô s), com diversas cores e informações para auxiliar a interpretação dos símbolos, a intuição e a imaginação criativa. É uma verdadeira "chave" para a visualização.

Cada carta tem uma filosofia, uma mensagem e a combinação delas a cada jogo é rica e diferente. As formas e tipos de jogos também são numerosos, podemos ter uma leitura a partir de uma carta até figuras geométricas interpretadas por inteiro.O fato de termos muitas cartas num jogo, ou seja, abrirmos uma série de cartas para serem interpretadas de uma só vez não significa que tenhamos um jogo melhor ou mais completo que os outros. Existem tarólogos que com apenas uma carta passam informações suficientes para muito tempo de reflexão! Sendo assim o importante é aprender com dedicação e fazer o melhor possível em seu jogo a fim de esclarecer dúvidas ou abrir caminhos para quem os busca ( mesmo que esse alguém seja você mesmo!!!).

Dessa forma, temos em cada lâmina um novo aprendizado, vindo através das formas, dos números, do nome, da posição...e de muitas outras fontes de informação.Com responsabilidade, seriedade, respeito ao livre-arbítrio (nosso ou do consulente) e ética podemos ter no Tarô a chave de muitas " portas" , a saída para diversos caminhos e a busca pelo auto-conhecimento. Tendo em mãos os elementos necessários para um bom jogo ou leitura das cartas certamente encontraremos o que buscamos para nós ou nosso semelhante.

O NOME TAROT

O Tarô é uma poderosa ferramenta nas mãos do homem que deseja libertar-se do medo e da ignorância. Desde seu uso junto às artes divinatórias até o uso pessoal voltado para o auto-conhecimento, seu estudo, levado com seriedade e honestidade de propósitos, vem abrindo a mente humana e reaproximando o homem de sua Divina Fonte.

O nome Tarô ou Tarot, como também é bastante usado, pode ser analisado de várias formas:

TAROT escrito de trás para frente é igual a TORAT, que em hebraico é o nome da Bíblia Sagrada do povo hebreu.

Ao ser considerada a origem egípcia temos:

TAR = caminho, Rho = rei ou real

Portanto:TARÔ = “ O Caminho Real” ou “Caminho da Vida”

E , por fim:

TARÔ, escrito de trás para frente tranforma-se em ROTA

Desta forma, o Tarô pode ser entendido como a rota ou roteiro de uma longa jornada em que o ser humano se depara com uma série de situações representadas por cada um dos vinte e dois Arcanos Maiores, que juntos, somam todas as experiências possíveis à existência humana - o Caminho Real. Este roteiro, irá sendo revelado arcano por arcano, apresentando-se como portais que se abrem para o mundo do inconsciente individual e coletivo, fazendo o indivíduo entrar em contato com as muitas lições que cada um deles representa. À medida em que uma etapa (Arcano Maior) é concluída, passa-se ao arcano seguinte. Ao somarem-se os vinte e dois arcanos , um ciclo se completa. Durante esse percurso , o indivíduo viveu, amou, odiou, sofreu, gozou, ganhou, perdeu, cresceu e aprendeu, com todo o tipo de experiências representadas pelos Arcanos Maiores. Agora, ele está pronto, não para estacionar e dar por encerrada a sua caminhada, e sim para iniciar outra longa jornada em busca de si mesmo. Partirá novamente do ponto zero – O Louco do Tarô – porém, já em um estágio de entendimento superior ao vivido anteriormente. Desta forma, partindo do zero e a ele retornando, sempre em movimento ascendente , seu caminho vai descrevendo uma espiral rumo ao infinito.

COMO JOGAR TARÔ

Para jogar-se Tarô é necessário uma dose de intuição e habilidade, assim você poderá até prever o futuro. Para isso, você precisará das cartas que são vendidas em livrarias ou lojas esotéricas.

O baralho de Tarô contém 78 lâminas, 56 delas são chamadas de ARCANOS (mistérios) MENORES, semelhantes às cartas de baralho comum, ou seja, divididos em 4 naipes:ouro, paus, espadas e copas. As outras 22, são os ARCANOS MAIORES, trazem estampas cheias de simbolismos.

Os arcanos maiores tratam de questões humanas (personalidade e relacionamento), enquanto os arcanos menores "falam" do cotidiano, das coisas práticas.

O Tarô possui várias leituras. O ideal é que cada um desenvolva sua própria técnica de deitar as lâminas. O primeiro passo é analisar as cartas, observar os desenhos, símbolos e textos, os detalhes das estampas são metafóricos e representativos.

Pontos, círculos e triângulos referem-se ao espírito (alma), a cruz e o quadrado representam o sofrimento físico (dor), a Ornada de fitas (forma de chapéu do Mago e da Forca) corresponde aos fatos que ocorrem na vida do indivíduo sem interferência da vontade (destino).

A predominância das cores também ajuda na interpretação da lâmina, o vermelho significa agressividade e a atividade, o amarelo, atividade intelectual, o verde geralmente expresso na vegetação, leva a pensar em renovação, o branco mostra pureza, alma infinita, crescimento interior.

Uma das cartas que melhor caracterizam o equilíbrio entre as cores azul e vermelha é a VIII da Justiça.

Jogando

Após embaralhar as cartas, abra-as em forma de leque e retire três delas

Disponha as lâminas seguindo a ilustração abaixo

Tarô

Vire a primeira carta (a da esquerda) e terá simbolizado os elementos favoráveis à realização do seu objetivo

Segundo arcano (disposto à direita) vai lhe indicar o que a impede de atingir seu desejo

Revelando a terceira carta (do centro), você terá o conselho que o Tarô oferece para a resolução do problema

Método de Leitura

Este é um método simplificado de leitura em que são utilizados apenas os 22 arcanos maiores :

1.Você pode ler o Tarô para outra pessoa mas deve deixá-la embaralhar, separar e " deitar" as laminas 2. Embaralhe os arcanos pensando firmemente na sua pergunta 3. Abra-os em forma de leque 4. Com a mão esquerda, retire três deles 5. Disponha como mostrado na ilustração acima 6. Formule a pergunta 7. Primeira carta: Representa o que está favorecendo o jogador 8. Segunda carta: Representa a dificuldade do jogador 9. Terceira carta: Representa a sugestão do Tarô ao jogador

O significado dos arcanos

I - O Mago

Criatividade, início, esforço incansável, dedicação aos ideais e busca do conhecimento.

Representa a habilidade. Ele tem várias coisas sobre a mesa e parece saber manuseá-las muito bem. O Mago sabe aproveitar as oportunidades da vida. Tem os pés no chão mas o seu chapéu lembra o símbolo do infinito(um oito ao contrario). Isso quer dizer que ele não perde a noção da realidade, ao mesmo tempo em que sabe ter como meta o infinito. Recomenda que usemos as armas que estão ao nosso alcance.

II - A Grã-Sacerdotisa

Poder, sabedoria, bom senso, discernimento, moralismo e segurança.

É a grande mãe, dona do conhecimento. Repare que seu chapéu ultrapassa os limites da carta, o que significa mente poderosa. A sua figura serena recomenda calma e o melhor aproveitamento possível das nossas experiências. Tem a seriedade de quem trata de assuntos importantes com harmonia, sabendo conciliar os opostos.

III - A Imperatriz

Progresso feminino, talento natural, fertilidade, intuição, poder de decisão e ação.

Representa os valores materiais da mulher, sua fecundidade e beleza. Dona de muito poder, ela tem o cetro na mão esquerda , que por sinal está aberta. Isso significa um poder receptativo e não autoritário.

IV - O Imperador

Poder, honestidade, organização, segurança, realização e apoio.

É o grande homem. Tem força e poder. Com o cetro na mão direita fechada, ele olha com firmeza, representando a força por meio do sucesso material. Sua coroa é vermelha e amarela, mostrando força e inteligência.

V - O Sumo Sacerdote

Autoridade, equilíbrio, inteligência, justiça, poder espiritual e dever moral.

É o grande pai da espiritualidade. Repare que ele parece estar orientando as duas figuras que estão na parte inferior da carta. Sua coroa, além do vermelho e do amarelo, também tem o verde.

VI - O Namorado

Momento de escolha, liberdade, amor, união, beleza e perfeição, confiança, cautela e otimismo. Aparece dividido entre duas mulheres. Não se sabe se elas são sua mãe e namorada ou uma mulher mais jovem e outra mais velha. O seu corpo está voltado para a direita, mas sua cabeça para a esquerda. Ele representa um momento de indecisão entre o novo e o velho ou entre o arriscado e o seguro. Recomenda reflexão.

VII - O Carro

Equilíbrio, segurança, domínio, sucesso, triunfo, aproximação amorosa e realização.

É o símbolo do sucesso. Aparece como o senhor que controla os cavalos e sabe dar a direção que quiser à sua vida. O Carro mostra que é necessário tomar as rédeas e controlar as forças psíquicas para conduzir a vida ao caminho que nós escolhemos.

VIII - A Justiça

Austeridade, imparcialidade, integridade, disciplina, decisão e prontidão.

Significa o equilíbrio tanto na vida prática quanto na espiritual. Ela alerta para o senso de justiça que todos devemos ter. O broto verde que aparece no canto esquerdo simboliza a esperança de que a justiça seja feita.

IX - O Ermitão

Informação, sabedoria, paciência, discrição, conhecimento, estudo e prudência.

É a essência da sabedoria. Aquela que só se alcança com a experiência de vida. Seu manto azul mostra que ele está recoberto de fé no seu conhecimento. A lamparina que traz na mão significa a luz da verdade. O Eremita é bom e nos remete a busca do que há de mais sincero dentro de nós.

X - A Roda da Fortuna

Destino, mudança, ascensão, iniciativa e êxito. Quer dizer que o mundo gira e as coisas mudam. O que hoje parece ser uma coisa, amanhã pode ser outra. Representa mudanças ou, muitas vezes, aponta para o sucesso inesperado.

XI - A Forca

Inteligência, sucesso, magnetismo sexual, poder invencível, maturidade, domínio do "eu" e harmonia. A mulher com expressão tranquila consegue controlar o animal. Ela mostra que precisamos dominar o lado instintivo, os impulsos, para que atuemos com mais suavidade e beleza interior diante dos problemas.

XII - O Enforcado

Idealismo exagerado, abnegação, perfeição moral, hesitação, falta de vontade, traição e abandono.

Repare que ele não está pendurado pela mão e sim pelo pé, e não parece estar sufocado. Pelo contrário, tem uma expressão serena com as mãos nos bolsos, como se estivesse observando. Isso quer dizer que, às vezes, temos que olhar as coisas por um outro ângulo para que posamos compreendê-las. É necessário dar uma parada para ver se não estamos esquecendo de levar algo em consideração.

XIII - A Morte

Transformação, renascimento, libertação dolorosa, mudança de país, cidade ou casa, lucidez mental, insegurança financeira.

Como o nome não está no pé da carta e sim em cima, esse arcano não representa a morte, mas a superação e a transformação para algo novo. Como é predominantemente bege, aponta para mudanças no campo material. E, como as folhas caídas no chão do desenho, nós também temos que derrubar algo de nossas vidas para dar espaço ao novo, assim fazem as árvores no outono.

XIV - A Temperança

Equilíbrio, autocontrole, serenidade, harmonia, paciência e estabilidade.

É a virtude universal, que derrama a água do seu jarro azul ( o espírito) para o jarro vermelho( a força) . Mostra a importância do equilíbrio interior, da moderação.

XV - O Diabo

Força misteriosa, egoísmo, sedução sem escrúpulos, sucesso por meios ilícitos e punição. Rege as grandes forças instintivas, a sexualidade, o vigor físico e o poder de atração. Ele também é o senhor do medo. Para se viver bem é preciso superar esse medo, conseguindo, então, dominar nossos instintos.

XVI - A Casa de Deus

Destruição, dificuldade, presunção, orgulho, fracasso, vaidade, timidez e malogro.

Nesta carta, um raio aparece destruindo uma torre e fazendo com que as pessoas caiam.

E é isso que ele representa:a destruição de algo estabelecido. Mas, se você olhar com atenção, vai notar que a queda não é mortal. E ela é a busca de algo novo.

Após a destruição, o novo aparece.

XVII - A Estrela

Esperança, inspiração criadora, otimismo, autocontrole, energia, satisfação.

Aponta para a realização dos ideais. São sete estrelas e uma grande no centro, representando a concretização de algo que se deseja muito. Os jarros de água sendo derramada significam que uma nova vida começa quando conseguimos realizar nossos ideais.

XVIII - A Lua

Obscuridade, advertência, forças ocultas, desilusão, entorpecimento e superficialidade.

É o nosso inconsciente, sempre apontando para as sensações mais profundas que, muitas vezes, não conseguimos explicar e preferimos não ver. É preciso olhar para dentro e descobrir o que nos faz sentir de determinada maneira ou o que nos mantém presos a uma certa situação.

XIX - O Sol

Realização, felicidade, entusiasmo, sinceridade, prazer.

É a claridade que nos permite ver as coisas e perceber bem a realidade que estamos vivendo. Ele traz segurança. Mas preste atenção nas crianças; elas mostram que quando estamos transparentes, sem mistério, ficamos com a pureza infantil.

XX - O Julgamento

Renascimento, libertação, iluminação do caminho, sentimento de justiça, gênio inventivo, revelação de desígnios ocultos e saúde física.

Remete ao apocalipse, onde os puros de alma se levantam ao som das trombetas. Repare que os corpos são beges, mas seus cabelos são azuis, ou seja, suas mentes estão plenas de fé e emoção. O Julgamento diz que temos que ir em busca do que há de mais puro em nós mesmos. Encontrando o que restou de bom, podemos superar nossos problemas.

XXI - O Mundo

Sorte, recompensa, realização, finalização de obras, integridade e totalidade, encontro de amor, lucidez, liberdade e felicidade.

É a realização plena e total. A carta mostra uma figura envolta numa guirlanda que começa azul, passa pelo vermelho e chega ao amarelo. Isso quer dizer que, usando nossas emoções e nossa força física, conseguimos alcançar a inteligência e a sabedoria. As quatro figuras que aparecem nos cantos representam os quatro elementos da natureza que conferem equilíbrio ao mundo. Representa a síntese de tudo que conhecemos.

O Louco

Isolamento, precipitação, loucura, confusão. É o único que não tem número. Por isso, mesmo significa liberdade. Ele olha para o infinito e, com isso, mostra que a vida é muito mais do que vemos e a felicidade pode estar além das aparências da vida cotidiana. Tem apenas uma trouxinha com o essencial e, no entanto, tem uma expressão tranquila. Isso quer dizer que muitas vezes nos preocupamos com coisas superficiais e não percebemos o que é realmente importante.

Método de leitura:

Como tirar as cartas para si mesmo

Naturalmente, também se pode deitar as cartas para si mesmo. A maior dificuldade neste caso está no próprio embaraço de fazer com que a apresentaçãodos próprios desejos corresponda à pergunta ou excitação criada pela própria pergunta. Para anular tanto quanto possível estes fatores de perturbação, há alguns métodos auxiliares que,claro, são muito úteis quando se deita as cartas também para outras pessoas.

Se você estiver tenso, nervoso ou desesperado, e quiser saber exatamente agora como continuará a situação que o colocou neste estado, talvez seja melhor pedir parav um amigo deitar as cartas para você. Se isso não for possível, pratique primeiro alguns exercícios de relaxamento, ou tente a meditação, que podem deixa-lo menos tenso. Se puder fazer sua pergunta com toda a despreocupação e sem ater-se a esperanças profundamente arraigadas, tire das cartas dispostas em leque as necessárias para o método que escolheu e coloque-as primeiro com a face voltada para baixo em seusd lugares. Só quando todas as cartas estiverem deitadas, vire um apor uma e observe cada uma delas a fim de abstrair a quintessência ( enviarei em breve explicação) . Restrinja-se estritamente ao significado das cartas e dos lugares no sistema que escolheu, sem tenter obrigar que tenham determinado sentido. Justamente em situações cáoticas as cartas muitas vezes "recusam" a dar uma resposta clara sobre o curso dos acontecimentos. Nesses casos, é melhor tentar de novo depois de um intervalo mais prolongado.

A quintessência -A soma das cartas

Em cada jogada ainda há a possibilidade de completá-la com uma observação adicional através do resultado da quintessência.

Para tanto, tire de todos os números da carta a soma transversal, até obter um número de um só digito como no exemplo abaixo :

O Eremita =9

A Papisa =2

A Roda da Fortuna =10

Somando =9+2+10= 21 = 2+1= 3

Este será o seu resultado final.

A soma final, é, então a quintessência o que significa a carta correspondente dos trunfos principais de 1 a 9 que mostra o modo que você pode lidar imediatamente com este tema.

Resultados :

I-O caminho da influência e da força

Você dispõe da força para dominar ativamente o tema e tem grandes possibilidades de influênciar o curso dos acontecimentos. Use sua influência e evite intrigas.

II-O caminho do amor, da paciência, da esperança, da prontidão e do conhecimento intuitivo.

Espere até as coisas estarem maduras. Seja paciente e fique de prontidão; sua intuição lhe mostrará o momento certo para agir. Mas não se perca em devaneios e também não se atormente pela dúvida.

III-O caminho do nascimento do novo e do crescimento.

Traga tudo que for novo à luz e deixe que cresça, crie novas situações, mude o visual, cuide de si mesmo e observe a vida. Seja criativo e não se disperse.

Aceite as mudanças.

IV-O caminho da ordem, da clareza e da realidade.

Comtemple a situação de modo realista. Faça uma arrumação. Crie relacionamentos francos; concretize suas idéias e realiza-se. mas não se torne perfeccionista e evite a estagnação.

V-O caminho do conhecimento espiritual.

Procure pelo significado profundo da situação. Procure a comunhão das coisas, que só superficialmente parecem não poder ser unidas, Fique aberto para conselhos dado com boa intenção.

Tenha confiança:O grande sacerdote é a sua carta de proteção, e influenciará positivamente no curso dos acontecimentos. Evite hipocrisias e beatices.

VI-O caminho do amor e da decisão

Reconheça sem preconceito seu parceiro, a sua tarefa, o seu caminho. Deixe cair todos os preconceitos e aceite o outro ou a situação tal como se apresentam. Não se deixe orientar pelo ciúme, mas também evite desistir do parceiro.

VII-O caminho da partida com toda a tranquilidade.

Caminhe certo da vitória rumo à solução da sua missão. Comece imediatamente. Você tem a força e a habilidade para dominar a situação , e a capacidade para vencer as contradições e os conflitos. Mas evite o orgulho e a mania de grandeza.

VIII-O caminho da justiça e da objetividade.

Crie uma imagem tanto quanto possível imparcial da situação; então avalie-a com calma e pense no que tem que fazer. Seja honesto, preste atenção para que todos os envolvidos conquistem os seus direitos. Evite prejulgamentos, unilateralidades e fazer justiça com as próprias mãos.

IX-O caminho da reflexão e do ascentismo.

Recolha-se, introverta-se. Dê tempo a si mesmo, o tempo de que precisar para descritalizar tudo o que for importante para você. Não se deixe influenciar pelas aparências exteriores, nem se distraia. Concentre-se no seu objetivo. Evite rancor, amargura e medo do novo.

Pense:O que quero afinal ?

TARÔ:

Saiba mais sobre o uso terapêutico desta tradição milenar

Usar o Tarô com uma finalidade terapêutica significa:esclarecer e ajudar a resolver os medos, bloqueios e padrões de comportamento que limitam, quando não impedem totalmente, a expressão espontânea do Ser e a realização pessoal.

Para poder trabalhar assim algumas questões precisam ficar bem claras:

1.A questão do destino. Somos os cozinheiros de nosso destino e em todo momento podemos mudá-lo, pois este é a resposta ou reação do universo à nossos atos, omissões e pensamentos. O Tarô é uma ferramenta para mudar o destino e não um intermediário entre o Todo-Poderoso destino e o ser humano reduzido, assim a um expectador de sua própria vida. E justamente mudar o destino para melhor, mudar nossas vidas é o objetivo do Tarô Terapêutico.

2.A questão da responsabilidade. Somos absolutamente responsáveis pela vida que temos e esta compreensão, isto é, parar de jogar a responsabilidade (ou a culpa) de nossa situação nos outros, no companheiro/a, nos pais, no chefe, no governo, etc. É o primeiro passo para mudar. A felicidade e a fortuna são questões de escolha e não de sorte.

3.A questão do bem e o mal. O bem e o mal não são realidades absolutas. O que é bom para uma pessoa hoje pode não ser amanhã. O que é ruim para mim pode ser bom para você. No entanto, na visão do Tarô Terapêutico, a essência do ser humano é imaculada e a programação involutiva.

4.Considerar o Tarô formado pelos:

Arcanos Maiores que são idéias ou arquétipos universais. A nível humano são estados de consciência. As Figuras do corte são tipos de personalidade e também fenômenos da Natureza.

Os Arcanos Menores ou expressões de nossa quaternidade:Os de Paus ou de Fogo representam nossa expressão energética. Os de Copas ou de Água, nossa expressão emocional. Os de Espadas ou de Ar, nossa expressão mental. Os de Discos (Pentáculos) ou de Terra, nossa condição física e nossa abordagem material.

Assim estabelecemos um paralelismo entre a estrutura do Tarô e a do ser humano. Não é qualquer sistema de leitura que nos vai permitir usar o Tarô com uma proposta terapêutica. Sugerimos a leitura terapêutica, do mago ou astrológica.

* Veet Pramad é tarólogo

TARÔ:

Princípios básicos para quem quer saber o futuro nas cartas

Uma das grandes utilizações do Tarô , é o uso de suas lâminas como fonte de inspiração para meditação, seja como Yantras (mantras visuais) ou Mandalas pessoais, de forma que cada lâmina inspire mergulhos interiores cada vez mais ricos.

Quanto ao baralho, ele diz que podemos usar diversos, sendo que grandes desenvolvimentos são propostos pelo uso do Tarô de Crowley (ou Livro de Thot) e o Tarô de Mme. Cada uma de suas lâminas ou Yantras (mantras visuais) apresenta um grupo de símbolos que, vistos como conjunto, representam um sistema de energias que a humanidade está presente como um todo, com seu eterno registro de idéias e pensamentos.

Tradicionalmente, esses baralhos dividem-se em Arcanos Maiores e Menores, apresentados de forma separada ou como síntese.

Há também no Tarô , assim como nos baralhos modernos, a divisão em quatro naipes:espadas, paus, copas e ouros.

Cada naipe representa um dos quatro elementos da natureza:ar, fogo, água e terra, respectivamente.

Na 1ª meditação, importante é que o praticante entenda que não há uma maneira certa de usar as lâminas, sendo que o melhor dos métodos é aquele que emerge de si como numa inspiração. Inicialmente, o praticante deve misturar as cartas e olhar lentamente o baralho, lâmina por lâmina, separando em um monte aquelas pelas quais experimenta forte atração ou aquelas que provoquem alguma sensação desagradável.

Em seguida, deve olhar novamente as cartas que o atraem, e guardar mentalmente seus nomes, pois essas serão as cartas que irão ajudá-lo em suas meditações iniciais.

Com o passar do tempo, a prática continuada, vai fazer com que a sua sensibilidade se aprofunde e mude sua reação ao simbolismo de certas lâminas.

A relação com o Tarô deve ser de amor e amizade. O local não deve ser confuso nem ruidoso, e sim calmo, transmitindo paz e sossego. Se necessário, o praticante pode usar música relaxante e incenso. As roupas devem ser livres e arejadas.

Tomadas essas providências iniciais, poderá começar a prática.

É recomendado, também, manter as seguintes regras de postura:costas eretas, o rosto e o restante do corpo descontraídos.

Após encontrar a posição correta, deve o praticante olhar a carta ou a(s)cartas eleita(s). Também não deve pensar nas imagens. Deve deixar que seu Eu interior, seu mentor ou guia espiritual interno trabalhe a imagem enquanto descansa.

Dependendo de cada pessoa e do poder de concentração, a mente se enche de pensamentos, sendo alguns diretamente ligados com símbolos do Tarô . Outros, podem não fazer sentido. Isso é normal. São obstáculos que serão vencidos com a prática, bem como sons ambientes. Vencer isso é um passo para atingir a clarividência e a consciência cósmica.

O Tarô foi, durante muito tempo, identificado como uma superstição; mas estudiosos como C.G.Jung descobriram nas lâminas do Tarô alguns arquétipos fundamentais da humanidade.

Experimentamos, em nosso dia-a-dia, os arquétipos do Tarô , como:o orgulho do Imperador; a intuição da Papisa; a organização da Imperatriz; a sabedoria do Eremita; o amor dos Enamorados; a desorientação do Louco; o equilíbrio do Papa; a fé e esperança da Estrela; enfim todas as nossas dúvidas, certezas, afetos e experiências estão relacionados com esses símbolos contidos no Tarô . Assim estudar, trabalhar e consultar com o Tarô é se aprofundar na psique humana, conhecer nossa natureza mais íntima. E conhecendo nossa natureza, damos o primeiro passo para aprimorar nossas qualidades, corrigir nossos defeitos e psicologicamente termos domínio de nós mesmos. Com o Tarô , conseguimos nos libertar dos medos e inseguranças que nos afligem, nos amarram e que nos impedem de usar o melhor de nossas potencialidades. O Tarô é, portanto, um instrumento psicológico, que nos guia para o autoconhecimento.

TARÔ E PSICOLOGIA

Observando por um ângulo mais audacioso, podemos perceber que as cartas do Tarô estão ligadas também a alguns tópicos da psicologia, uma vez que podem subsidiar aconselhamentos e avaliações neste âmbito, não desprezando a questão das verdades espirituais. Seu simbolismo tanto pode servir a um ponto de vista quanto a outro. Carl Jung reconheceu abertamente que o Tarô tem suas origens nas imagens dos arquétipos do inconsciente coletivo, e elaborou um estudo sobre isto. Ainda, segundo o depoimento do Dr. Liz Greene " as cartas do Tarô refletem a direção e as motivações mais profundas do inconsciente.

ORIGENS DO TARÔ

As origens do Tarô são ainda obscuras, as cartas mais remotas parecem ter origem no século XIV, na Europa. Os desenhos das cartas fascinavam os artistas, historiadores da arte e investigadores do ocultismo, além de intrigá-los com o poder de suas imagens simbológicas. No entanto, não se deve desconsiderar a influência do "Livro Thot" do Egito, em relação à simbologia.

O TARÔ DE MARSEILLE

O Tarô de Marseille, assim como muitos outros Tarô s (cigano, boêmio, egípcio, astrológico, etc.) é composto de 22 cartas, ricas em símbolos alegóricos, as quais chamamos "arcanos maiores".

Essas diferentes lâminas são ordenadas num esquema evolutivo que ilustra as variadas etapas emocionais e materiais que o homem pode experimentar em sua vida. Este caminho começa com a carta n.º 1 , o Mago, que representa a iniciativa, e termina com a carta n.º 21, o Mundo, que representa a plenitude. A 22a. carta, o Louco, é uma nova viagem que tem a ver com uma outra dimensão. O Tarô de Marseille é tido como o jogo mais tradicional ao longo dos tempos.

Todos os homens, qualquer que seja sua cultura ou civilização, compartilham das mesmas emoções comuns, passam pelas mesmas provações e conhecem as mesmas contradições. Todos eles se autoquestionam, todos procuram saber de que será feito o amanhã. E, naturalmente, cada civilizaçao oferece meios divinatórios peculiares, com mais ou menos êxito, de aliviar essas dúvidas. O I Ching e o Tarô de Marseille são, sem dúvida, os dois meios com maior comprovação de sucesso e também os mais praticados.

O futuro é o resultado de nossa ação presente, a consequência dos atos que se desenvolvem na situação atual. A dificuldade reside no fato de perceber e compreender os signos do presente, que permitirão uma determinada previsão do que está por vir. Tais signos são captados e memorizados pelo subconsciente.

Tudo está escrito aguardando ser decifrado. Por essa razão, faz-se necessário o uso de uma linguagem que permita a tradução desses signos, a compreensão da natureza das informações contidas no presente.

O Tarô de Marseille é uma linguagem suficientemente rica para responder aos imperativos da vida e servir de método prognóstico, mas não adivinhatório. Como toda linguagem, também possui seus limites e por vezes precisa de práticas suplementares para sua elucidação, como o I Ching e estudos astrológicos, por exemplo. Assim como um espelho que reflete a imagem que o olha, o Tarô exprime o estado de nossas fontes internas e do nosso potencial diante das situações de impasse. Ele permite melhor compreender os elementos do presente e, por conseguinte, prevenir o porvir.

O Tarô , um mapa de desenvolvimento cognitivo III

A Psicologia Analítica e Estrutura Simbólica

Com sua origem misteriosa e seus diversos enfoques, o Tarô é um múltiplo quebra-cabeça de referências, seja na sua técnica ou na sua história. Estudá-lo é, sobretudo, estudar-se. Os livros, apesar de importantes, são absolutamente secundários. O principal é entrar em contato direto com os arquétipos, é utilizá-los mentalmente como conceitos e sentir sua força viva na realidade quotidiana. Porém, para iniciar seus estudos teóricos é aconselhável começar a ler os trabalhos de psicólogos e pensadores acadêmicos, que recentemente passaram a se interessar pelos arquétipos das cartas, ao invés de enfrentar os complicados clássicos do ocultismo.

Neste sentido, ‘Jung e o Tarô ’, da já citada Sallie Nichols, e ‘A meditação dos Guias Interiores’ são obras bastantes proveitosas (8). O enfoque de Nichols é particularmente recomendável pois escapa do emaranhado teórico das intermináveis discussões sobre a associação das cartas com outros sistemas simbólicos em que os ocultistas se perderam e apresenta uma série de referências culturais e literárias para caracterizar cada arquétipo. Em contrapartida, sua principal desvantagem é que ela acaba caindo involuntariamente em um dos sistemas de correspondência, quando diviniza O Louco e vê O Mago como um ‘embusteiro mercuriano’ e não como o arquétipo do Pai e da Unidade Primordial. Associando o Tarô à técnica da imaginação criativa e ao psicodrama, a meditação dos Guias Interiores é um método simples e fascinante de transformação dos diferentes aspectos arquetípicos da personalidade, deduzidos a partir das quadraturas e oposições astrológicas do mapa natal. Infelizmente Steinbrecher também apresenta a mesma deficiência de Nichols, pois utiliza as correspondências crowleyianas em detrimento de outras possibilidades.

Distantes da discussão esotérica travada entre os ocultistas continentais e anglo-saxões sobre se a unidade primordial da força uraniana deve ser representado pelo número um ou pelo zero, muitas outras contribuições vêm enriquecendo o estudo do Tarô no campo da psicologia analítica, algumas bem práticas (9), outras ‘amplificando’ o enfoque junguiano com as diferentes associações ocultistas, como é o caso do excelente livro da Dra. Irene Gad (10) - lançado há pouco tempo no Brasil.

Talvez a principal contribuição indireta da Psicologia Analítica ao estudo simbólico do Tarô seja do próprio Jung, principalmente na sua Interpretação psicológica do dogma da Trindade, onde se tetêm sobre o papel desempenhado pela Virgem Maria em relação à simbologia cristã. Neste trabalho, Jung apresenta pela primeira vez a noção de que a estrutura quaternária é universal e funciona como um símbolo estruturante da psiquê e do inconscinete coletivo. No Brasil, destaca-se também o trabalho desenvolvido pelo psicólogo Carlos Byington (11), que durante muitos anos problematizou a questão do quaternário como símbolo estruturante, aplicando-o `a história e à psicoterapia .

Como vimos Eliphas Levi e Aleister Crowley, encabeçando os dois maiores movimentos ocultistas modernos, propuseram diferentes associações entre as linguagens simbólicas do Tarô , da Cabala e da Astrologia.

Porém, ambos sistemas de associações se basearam na semelhança genérico de seus elementos ou nas mesmas correspondências estruturais:

1 -A equivalência dos 22 Arcanos Maiores às letras hebraicas e aos caminhos da Árvore da Vida. Segundo os ocultistas estes arquétipos surgiram devido à “queda” da Humanidade, entendendo por ‘queda’, não apenas a expulsão de Adão e Eva do Éden ou o fim catastrófico das civilização de Atlântida e Lemúria, mas sobretudo “uma deterioração de um estado superior de convivência entre homens dotados de poderes psíquicos para as sociedades mais instintivas e para a percepção meramente sensorial da realidade”. Assim, o sonho de uma Utopia Social, uma forma de organização social perfeita, sem os conflitos, os desejos e as desigualdades caracterizados pelos arquétipos dos Arcanos Maiores, é um retorno a este estado de consciência coletivo da Humanidade, ao ‘nirvana coletivo’ primordial. Este sentimento de unidade que ultrapassa a simples harmonização das relações sociais e o equilíbrio político entre os diversos grupos que formam uma sociedade para introjetar psicologicamente em cada indivíduo como uma necessidade de comunhão universal, como um desafio de reconquista do paraíso perdido, como um Desejo de União.

2 -A identidade das l6 cartas de figura às relações do quaternário elevado ao quadrado, ao Tetragrama Sagrado, o ‘IHVH’, símbolo estrutural do universo. Aqui o Desejo de União ultrapassa os problemas do mundo para se consolidar como um casamento de pólos simbólicos opostos e como uma busca de uma identidade mais profunda, de um nível de autoconhecimento que permita o reencontro com à Alma Gêmea. Na tradição judaico cristã, este reencontro aparece no Cântico dos cânticos, onde a noiva (Israel) espera pelo noivo, o Messias; nas Epístolas Paulíneas, a noiva é a Igreja e o noivo, o Cristo; já na poesia mística de San Juan de La Cruz, o noivo é o espírito e a noiva, a alma e o corpo. Para os ocultistas, as dezesseis cartas de figura representam as relações entre os quatro mundos cabalísticos (Ouros, Espadas, Copas e Paus) e os quatro corpos do Eu Inferior (Rei, Dama, Cavaleiro e Valete).

Para os cartomantes, as cartas de figura representam relações interpessoais nos quatro níveis de atividade: material, mental, emocional e espiritual.

3 -A Associação das 40 cartas numeradas aos quatro mundos cabalísticos e a estrutura decimal da Árvore da Vida. Já as quarenta cartas numeradas representam as relações transpessoais, aquelas que dizem respeito à compreensão que se tem do Universo e do seu desenvolvimento nos quatro planos de atividade. O número quarenta representa a totalidade da existência e da experiência humana.

Os períodos medidos por este número são frequentes na tradição judaico-cristã:os 40 dias do dilúvio de Noé, os 40 anos durante os quais os israelitas erraram pelo deserto, os 40 dias que Moisés passou no Sinai, os 40 dias do jejum de Cristo, entre outros.

Todas essas experiências têm o mesmo significado:um período de reflexão sobre a totalidade da existência, a consciência exilada acima e além da manifestação.

O Desejo de União neste nível não se refere a realização da Utopia Social ou da felicidade, mas sim à reintegração mística com Deus às viagens empreendidas por Dante, Enoch e pelos místicos sufis através dos palácios celestiais que antecedem o Trono do Altíssimo onde Criador e Criatura se encontrarão frente a frente.

Podemos, portanto, dizer que o Tarô esboça uma cartografia completa da psique humana, subdividindo suas cartas em 3 grupos distintos, representando 3 ‘profundidades’ do Inconsciente:

22 Arcanos Maiores 

Relações Pessoais 

16 Cartas de Figura 

 Relações Interpessoais

40 Cartas Numeradas 

Relações Transpessoais 

No livro-jogo A Estrada Iluminada desenvolvi e aprofundei a discussão sobre o significado destes três níveis do inconsciente, bem como do conteúdo simbólico de cada uma das 78 cartas do baralho tradicional. O leitor interessado em conhecer mais sobre o assunto encontrará nele um subsídio precioso para aprofundar seu domínio sobre a linguagem arquetípica (12).

Neste breve artigo, em que resumimos as idéias do primeiro trabalho, A Estrada Iluminada, gostaríamos ainda de ressaltar a importância do número quatro no sistema simbólico do Tarô de uma outra forma e, ao mesmo tempo, expor uma maneira fácil de colocar as cartas ou de manipular mentalmente os arquétipos.

Trata-se da colocação quaternária, também conhecida como Quadrilho, que consiste em manter fixos os primeiros quatro Arcanos Maiores (O Mago, A Papisa, A Imperatriz e O Imperador) como um modelo estrutural das relações e considerar todas as cartas restantes em função do significado destes quatro arquétipos fundamentais. Estes quatro arquétipos fundamentais constituem cerca de 75% da atividade psíquica, representando os principais padrões de troca afetiva da maioria das pessoas.

Esses arquétipos podem estar involuntariamente projetados em diversos objetos e pessoas:o Pai, por exemplo, costuma ser projetado no Estado; a Mãe, na escola, na igreja ou na instituição de onde se tira o sustento; não é raro projetar a Imperatriz na própria casa e o Imperador é frequentemente associado às atividades empresariais e a seus protagonistas. A este fenômeno, os psicólogos chamam ‘transferência’.

O MAGO  nos mostra como nos relacionamos com o Arquétipo do Pai, seja no nível biológico, no psíquico ou no espiritual. No nível biológico, ele representa não apenas a relação de cada um com seu progenitor genético, mas também a relação de cada um com seus filhos e enteados. No nível psicológico, este ‘Eu-Pai’ funciona como um superego, estabelecendo regras e princípios - sem o uso de métodos coercitivos ou tirânicos como propôs Freud - mas sim com um ‘duplo’ do Ego, um reflexo idealizado do Eu Superior. O ‘Pai tirânico’ do superego edipiano da psicanálise é apenas uma distorção de nossa civilização falocrata de um ‘Pai normativo’. A prova maior desta afirmação é o fato deste arquétipo, em seu nível espiritual, ser associado universalmente ao Céu e a energia uraniana, em diferentes culturas.  A PAPISA  encarna o Arquétipo da Mãe. Sua associação astrológica é a Lua e seu poder também se estende pelos níveis biológico, psíquico e espiritual de forma semelhante ao Arquétipo do Pai. O ‘Eu-Mãe’, no entanto, funciona como um superego feminino que se preocupa prioritariamente com a nutrição e com a reprodução, enquanto o ‘Eu-Pai’ prioriza a produção e a criatividade. Ao observar o lado materno de alguém, devemos procurar imaginar as relações desta pessoa com sua ‘mãe-inteior’ a partir de sua educação: a forma de comer, de se vestir, de se comportar em grupo, etc.,  Esta características das funções de manutenção leva o arquétipo a, muitas vezes, ser involuntariamente projetado em instituições escolares ou que provenham o sustento e a vida, seja uma fábrica ou a própria Natureza.
A IMPERATRIZtambém evoca nosso aspecto feminino, embora sem as características maternas. Aqui trata-se da esposa, da filha, da mulher propriamente dita. É a ‘alma gêmea’, a ‘anima’, a ‘companheira ideal’ que polariza os imaginários masculinos e é, também, a identidade venusiana das mulheres, sua ‘natureza’. Pode frequentemente representar a esfera da vida doméstica ou estética desenvolvida pela imagem de cada um - pois ambos os sentidos são projeções do feminino. Podemos dizer que a Imperatriz é o ‘ego-feminino’.  O IMPERADORcorresponde ao ‘ego-masculino’ e representa as idéia de autoridade, hierarquia e obediência que caracterizam a identidade dos homens e, sob o prisma feminino, representa ‘a alma gêmea’, o ‘animus’ ou a ‘cara-metade’. Muitas vezes assume a forma do Arquétipo do Herói. Mas, o fundamental deste arcano se encerra na idéia de administração, da capacidade de tomar decisões e de realizá-las. Por ser este ‘gerente da personalidade’, o Imperador é constantemente associado à vida profissional e ao poder político. 

Ao localizar a existência dessas projeções ou transferências em relação aos arquétipos do Pai, da Mãe, do Outro-sexo e do Ego, a pessoa estará dando um importante passo em direção ao autoconhecimento, pois entenderá como funcionam os principais padrões de troca afetiva de seus relacionamentos.

Aliás, para os iniciantes interessados em manipular o baralho do Tarô , o melhor modelo de colocação de cartas talvez seja justamente esse:manter fixos os quatro primeiros arcanos maiores, sorteando dentre o resto das cartas, quatro lâminas, uma para cada arquétipo fundamental. Este modelo tanto pode ser utilizado com os dezoito Arcanos Maiores restantes como também com os cinquenta e seis Arcanos Menores .

A Cabala e o Ocultismo

Enquanto Gebelin e Etteilla procuravam zelosamente provar a origem egípcia das cartas do Tarô , Eliphas Levi acreditava que elas fossem um alfabeto sagrado e universal, presente nas culturas grega, egípcia e hebraica. Eliphas Levi, pseudônimo do padre Alfonsé Louis Constant, interessou-se pelo Tarô em l856 e associou os Arcanos Maiores às 22 letras do alfabeto hebraico. Além disso, Levi associou também os quatro naipes aos quatro mundos cabalísticos, relacionando as suas dezesseis cartas de figura ao Tetragrama Sagrado - o ‘IHVH’- e as suas 40 cartas numeradas às 10 Sephiroth de Deus, expressos na Árvore da Vida.

As dez Sephiroth - plural de Sephirah - são esferas de energia em que a manifestação se desenvolve. Cada Sephirath está contida na anterior e contém, em si, a possibilidade da próxima Sephirath. Assim, todo universo repousa em latência em Kether, e dentro dele emana outro círculo, Chokmah, que apesar de contido no primeiro, se opõe a ele, gerando um terceiro, Binah, que está contido nos dois anteriores. Temos, portanto, uma série de círculos concêntricos, uns dentro dos outros, mantendo uma relação de polaridade em função à esfera anterior que o engloba e em função à que contém em seguida.

A Árvore da Vida

Kether -A Coroa, onde o Incognicível se manifesta como uma luz extática e apolar, a chama eterna da vida, o centro de todos os círculos. O ponto.

Chokmah -A Sabedoria, corresponde à luz que entra em movimento e se torna uma força cinética. É representado geometricamente pela reta ou pelo círculo.

Binah -A Inteligência, onde a força encontra resistência ao seu movimento e gera a forma, representada pelo triângulo ou pelo prisma.

Cheseed -A Bondade, esfera onde, equilibrando as restrições impostas pela forma, a manifestação se realiza através da misericórdia divina. Essa esfera é simbolizada pelos deuses jupiterianos, como Zeus e Xangô.

Geburah -A Severidade, esfera onde a força, seja física ou moral, se manifesta com energia e impetuosidade. É simbolizado pela Espada e pelos deuses guerreiros, como Ares e Ogum.

Tiphareh -A Beleza, esfera que harmoniza a contradição ética entre a severidade e a clemência. Ela é geralmente representada pelos deuses solares e redentores, que se sacrificam em benefício ao Todo.

Netzach -A Eternidade, esfera que representa os sentimentos e os instintos, o fogo sexual, a segunda luz, o planeta Vênus e, microcosmicamente, o corpo astral, reflexo do mundo da criação.

Hod -A Reverberação, esfera que representa o pensamento consciente e a mente concreta, o planeta mercúrio, e é um reflexo microcósmico do mundo da formação.

Yesod -O Fundamento, esfera que representa a Lua e a essência da vida orgânica, o duplo-etéreo, o reflexo do mundo arquetípico.

Malkuth -O Reino, esfera que representa a essência inorgânica da materialidade, a imagem sensorial da realidade, o planeta Terra, o corpo físico concebido dentro do mundo material.

Enquanto as três primeiras Sephiroth - Kether, Chokmah e Binah - formam um conjunto denominado macroprosopos, formada pelas Três Causas Primárias; as outras sete Sephiroth, por sua vez, formam o microprosopos e expressam as Sete Causas Secundárias. Imaginemos que desejamos fazer um bolo. Este motivo, quando vem à mente, equivale à primeira tríade, onde Kether representa o desejo, Chokmah, à idéia, e Binah, a sua imagem formal.

Porém, o bolo só sairá da imaginação para a realidade se cruzar o abismo, chegando ao sétimo nível de materialização:Cheseed corresponderá à escolha dos ingredientes; Geburah, ao esforço necessário à preparação da massa; Tiphareh, ao equilíbrio entre a quantidade dos ingredientes e sua correta preparação; Netzach, ao toque artístico necessário e à intuição; Hod, às instruções técnicas da receita; Yesod, ao cozimento no forno; e, finalmente, Malkuth, à forma final do bolo, à sua materialidade.

Os cabalistas analisavam todos os fenômenos à luz destes critérios, reduzindo-os sempre aos mesmos elementos, as esferas da manifestação.

Além destes processos descendentes e materializantes que baixam da luz ketheriana para concretude de Malkuth, a que se chama criativos; existem os processos evolutivos, que partem da matéria em busca de uma realidade mais sutil. A serpente kundalínica da Árvore da Vida representa este duplo circuito dos processos criativos e evolutivos. As Sephiroth ou esferas de manifestação funcionam como ‘transistores’ deste circuito, unidades que recebem e emitem energia transformando suas características. Outras versões associam a Árvore à imagem do Adão Kadmo, onde cada Sephiroth corresponde a uma parte do corpo, estabelecendo uma relação entre o micro e o macrocosmo. A tríade formada por Kether, Chokmah e Binah, por exemplo, corresponde à cabeça. Em seguida, formando um triângulo invertido, Geburah, Cheseed e Tiphareh representam os dois braços e o plexo solar. As pernas, o sexo e o centro de gravidade, por sua vez, são associados as Sephiroth Netzach, Hod, Yesod e Malkuth.

A Árvore da Vida é um diagrama da estrutura do universo, um eixo sobre o qual se organizam os diversos níveis da manifestação. A árvore, no entanto, não forma um sistema fechado; ela é um método ou uma chave analógica para decifrar outros sistemas simbólicos. Suas correspondências, no entanto, além de infinitas, muitas vezes são contraditórias, uma vez que permite diferentes associações e analogias incompatíveis entre si, mas ‘verdadeiras’ do ponto de vista psicológico. O principal benefício da proposta do padre-ocultista foi a instituição da árvore como um ‘centro’, um eixo vertical de associações de todos os arquétipos. Segundo esta lógica, as cartas-letras correspondem aos 22 caminhos que interligam as dez esferas de manifestação da Árvore, representando todas as experiências subjetivas possíveis. Além disso, Levi discutiu exaustivamente o símbolo quaternário e sua relação com a estrutura decimal. Para ele, as quarenta cartas numeradas representam a involução do Universo como um processo de quatro fases e dez agentes. O Universo está se desenvolvendo em quatro ‘níveis de densidade’ da manifestação, em quatro estágios progressivos de materialização do sutil no denso. Em cada nível, há dez ‘degraus’ ou agentes.

Assim, além da árvore principal dos 22 caminhos, Levi propôs a existência de mais quatro:a árvore das dez emanações arquetípicas, a árvore dos dez arcanjos, a árvore das dez falanges angélicas e a árvore dos dez astros do sistema solar.

O pensamento ocultista

No entanto, cabe observar que, embora desde Levi os ocultistas nunca mais tenham deixado de admitir a interdependência entre o Tarô e a Cabala, a verdade é que, além de um não se encaixar perfeitamente ao outro, não existem quaisquer provas históricas desta ligação. O fato é que não existe um consenso sobre a correspondência entre as duas linguagens simbólicas e que, adicionando-se as associações com a astrologia, a discussão dos ocultistas se transformou em uma verdadeira babel de imagens sem que nenhum autor tenha conseguido o ‘feito’ de estabelecer um sistema de analogia perfeito.

Pode-se distinguir duas grandes correntes do ocultismo que defendem associações diferentes entre o Tarô , a Cabala e a Astrologia:os seguidores de Eliphas Levi, também conhecidos como ocultistas continentais, e os adeptos do sistema desenvolvido pela ordem Golden Dawn e aperfeiçoado por Aleister Crowley, também chamados de ocultistas anglo-saxãos.

O primeiro grupo -que conta com os nomes de Oswald Wirth, Stanislau Guaita, Gerald Encausse (Papus) e G. O. Mebes - se caracteriza pela associação da carta do Louco à letra hebraica Shin e ao trigésimo primeiro caminho da Árvore da Vida. O pensamento deste grupo foi hegemônico até o final do século passado. Neste século, no entanto, o Tarô se desenvolveu e popularizou bastante devido ao surgimento da ordem ocultista Golden Dawn, fundada por McGregor Master e W. Wynn Westcott. A principal característica deste grupo é a associação do Arcano do Louco à letra Aleph e ao décimo primeiro caminho da árvore. Seguindo este princípio, Sir Charles Waite e Aleister Crowley, os dois maiores expoentes da ordem, foram responsáveis por belos Tarô s e por uma vasta obra teórica (5).

Crowley, talvez o mais polêmico ocultista de todos os tempos, ampliou bastante as correspondências simbólicas do Tarô e da Cabala com outros sistemas como a Astrologia, o I Ching, perfumes, cores, objetos mágicos, lançando as bases da feitiçaria moderna. Mesmo discordando de seus rituais e do seu comportamento excêntrico e macabro, a maioria dos pensadores que sucederam Crowley adotaram seus sistema de correspondência, expressas no seu livro ‘777’. Este grupo de autores é predominante atualmente e conta com nomes como os Dion Fortune, Allan Watts, Gareth Knigth, Israel Regardie e Robert Wang, entre outros. Além desses dois grandes grupos de ocultistas, também existem autores independentes que defendem seus próprios sistemas de associação, como Paul Foster Case e o misterioso ‘Zain’ do Templo da Luz, que adota o critério cromático em seu sistema.

As hipóteses sobre a origem da Cabala adotadas pelos ocultistas não são menos delirantes que as do Tarô . Para uns, ela foi ensinada pelos anjos aos homens para que eles conseguissem voltar ao Paraíso Primordial. Para outros, ela foi recebida por Set, o terceiro filho de Eva, ou Enoch, Abraaão e Melkisedk. Há também versões de que ela diretamente ditada por Jeová a Moisés, durante sua permanência, por quarenta dias, no monte Sinai.

Do ponto de vista historiográfico, no entanto, sabemos que a Cabala, como tradição oral do misticismo hebraico, data da época do segundo cativeiro babilônico, sendo uma espécie de adaptação do simbolismo astrológico dos caldeus ao monoteísmo judaico. Podemos inclusive desconfiar de que a Árvore da Vida é uma interpretação axial do símbolo do Eneagrama mesopotânico. Por muitos séculos, a Cabala foi transmitida oralmente como um tipo de exegese mística do Torah até que, por volta do ano 100 d.C., surgiram o Sepher Yetzirah e o Zohar. Desde então, a Cabala teve vários ciclos distintos dentro da tradição judaica, com características bastantes diferentes (o ciclo mágico da Floresta Negra, o ciclo filosófico-especulativo da Espanha no Século XII, o ciclo monástico de Safed dirigido por Isaac Luria), mas só se popularizou quando foi apropriada e deformada pelo pensamento ocultista.

Diante desta popularização distorcida promovida pelos movimentos ocultistas, nada mais normal do que os estudiosos da Cabala ligados ao judaísmoprotestassem com veemência.

Para a maior autoridade historiagráfica da Cabala Hebraica neste século, Gershom Scholem, por exemplo:(...) “as atividades dos ocultistas franceses e ingleses foram inúteis e serviram apenas para gerar uma grande confusão entre os ensinamentos da Cabala e suas próprias invenções, tais como a suposta origem cabalística das cartas do Tarô ”. (6)

Tentando salvaguardar a associação das duas linguagens simbólicas, Robert Wang tentou responder às objeções de Scholem, afirmando que há uma Cabala Hebraic

TARÔ - TAROT

Uma das grandes utilizações do Tarô , muito usada em antigas civilizações, bem como no mundo atual por aquelas que mantém suas tradições vivas, como alguns povos orientais e os indianos, é o uso de suas lâminas como fonte de inspiração para meditação, seja como Yantras (mantras visuais) ou Mandalas pessoais, de forma que cada lâmina tome-se uma valiosa peça, inspirando mergulhos interiores cada vez mais ricos. Também pode ser usado, segundo o tarólogo e astrólogo, Antonio Zanon Melo, todo o baralho em cada seção, um baralho diferente de cada vez ou uma mistura de baralhos, essa última em estágios mais adiantados.

De qualquer forma o mergulho na alma é cada vez mais intenso - afirma ele. Com a evolução nessa meditação, símbolos que passaram desapercebidos passam a compor um novo sentido.

Quanto ao baralho, ele diz que podemos usar diversos, sendo que grandes desenvolvimentos são propostos pelo uso do Tarô de Crowley (ou Livro de Thot) com sua infinidade de símbolos mágicos e do Tarô de Mme. Indira, que traz em si a herança da antiga ciência do "Mahabbarata", ciência que presenteia ao dono desse Tarô , pelo simples fato de manipulá-lo e usá-lo sempre junto a si, paz interior e serenidade, sendo ainda excelente para o desenvolvimento da clarividência e da mediunidade latentes.

Essa meditação - acrescenta - permite ao seu praticante sair de seu universo limitado pelos cinco sentidos e ver o futuro com lucidez e clareza. Importante é que cada uma de suas lâminas ou Yantras (mantras visuais) apresenta um grupo de símbolos que, vistos como conjunto, representam um sistema de energias em que a humanidade está presente como um todo, com seu eterno registro de idéias e pensamentos (Akashico), assim como Hecate com todo o mal do mundo.

Zanon diz que, tradicionalmente, esses baralhos dividem-se em Arcanos Maiores e Menores, apresentados de forma separada ou como síntese.

Há também no Tarô , assim como nos baralhos modernos a divisão em quatro naipes:espadas, paus, copas e ouros.

Esses naipes representam os quatro elementos, respectivamente:ar, fogo, água e terra.

Na 1ª meditação -explica - importante é que o praticante entenda que, para essa finalidade, não há uma maneira certa de usar as lâminas, sendo que o melhor dos métodos é aquele que emerge de si como numa inspiração (Escola Interna, o aprendizado com com o mentor ou guia espiritual Interno). Então, inicialmente, deve o praticante misturar as cartas e olhar lentamente o baralho, lâmina por lâmina, separando em um monte aquelas pelas pelas quais experimenta forte atração, bem como em outro, aquelas que provocam urna sensação desagradável. Deve, então, novamente olhar as cartas que o atraem e guardar mentalmente seus nomes, pois essas serão as cartas que irão ajudá-lo em suas meditações iniciais. Também devem ser registradas as lâminas que não o agradaram nessa vista.

Segundo Zanon, com o passar do tempo, prosseguindo na prática continuada com as lâminas, sua sensibilidade irá mudar sua reação ao simbolismo de certas lâminas. Dai, sua relação com o Tarô deve ser de amor e amizade. Quanto ao local de meditação, ou intimismo com o Tarô , esse não deve ser confuso nem ruidoso, e sim calmo, transmitindo paz e sossego. Se necessário. pode o praticante usar música relaxante externa (ou interna, dependendo de seu grau de desenvolvimento) e incenso, cultivando cada vez mais sua intimidade com o Tarô . Suas vestes devem ser livres e arejadas.

Tomadas essas providências iniciais, poderá começar a prática - recomenda. Primeiro, com a respiração, que deve inicialmente ser profunda.

Posteriormente, devemos acrescentar-lhe ritmo, observando a regra:quando o ar entra, a barriga sai; quando o ar sai, a barriga entra.

Ele recomenda também que devem ser observadas as seguintes regras de postura:as costas devem estar eretas, o rosto e o restante do corpo descontraídos, os olhos. vendo sem forçamento, sendo que a respiração deve ser exclusivamente via nasal e silenciosa. Então, após a inspiração profunda deve o praticante reter o ar por expirando, visualizar e sentir suas tensões corporais deixando seu corpo. Assim deve continuar por algum tempo, por mais três ou quatro vezes. Esse exercício de respiração é apenas um início do preparo para a meditação, limpando o corpo, desimpedindo os canais para a abertura do espírito.

Após os respiratórios - diz Zanon, deve o praticante olhar (sem se concentrar, apenas olhar) a carta ou cartas eleita(s). Também não deve pensar nas imagens.

Deve deixar que seu Eu interior, seu mentor ou guia espiritual interno trabalhe a imagem enquanto descansa. Nesse momento, pode o praticante sentir sua mente cheia de pensamentos, sendo alguns diretamente ligados com símbolos do Tarô . Outros que não fazem sentido no momento. Isso é normal cm meditação. São obstáculos que serão vencidos com a prática, bem como sons ambientes. Vencer isso é um passo para atingir a clarividência e a consciência cósmica.

Mas, segundo o tarólogo, a grande barreira é o pensamento "medito certo?". Então, não existe uma forma correta de meditar, apenas inicialmente deve haver menos preocupação com a técnica e mais com o relaxamento. Isso irá acelerar o caminhar do praticante para o contato com seu mentor. E recomendável que, quando o praticante sentir os pensamentos derivados chegarem à mente, aumente o relaxamento e, também, aumente vagarosamente sua atenção ao Tarô . Deve suavemente olhar a(s) lâmina(s), seu simbolismo, sem estudá-los, apenas olhar. Deixar que os símbolos o conduzam ao seu interior, sabendo que o pensamento inspirado pela lâmina não é importante, e sim a inspiração,o inspirar (respirar) a lâmina e deixar que essa atue internamente.

Zanon Melo diz que esse é o caminho do Tarô para a criatividade, o seu centro interior, o encontro com seu mentor e sua exaltação. Ao completar essa viagem interior. as cartas terão um novo significado, assim como tudo a sua volta, pois estará repleto de uma imensa paz interior.

Quanto aos períodos de meditação, o tarólogo lembra que esses variam e devem ser prolongados de forma natural, de acordo com a evolução de cada praticante. Diferentes escolas recomendam tempos diferentes. E recomendável que seja regular e sempre no mesmo ambiente. Swami Sivananda, recomenda uma vez ao dia entre 4 e 6 da manhã, pois nesse horário a mente está calma e fresca, bem como a atmosfera. A Linha Transcendental recomenda duas vezes ao dia.

Sem embargo, a meditação nas lâminas é parte essencial à tirada das cartas com vidência e inspiração, garantindo previsões cada vez mais acertadas, assim como insights inusitados para o praticante.

Alberto Lyra " Qabalah - A doutrina secreta dos judeus numa perspectiva ocidental" - Editora Ibrasa

A Qabalah é geralmente considerada uma doutrina mística da religião judaica.

Na realidade, ela é mais do que isso:seu pensamento, extremamente rico, não se enquadra num sistema filosófico ou religioso, não tem nada de dogmático.

De acordo com a tradição judaica, historicamente a Qabalah teria surgido da seguinte forma:"Moisés recebeu (Kibel:deste termo deriva kabala ou Qabalah) a Tora (o Ensinamento, a Lei) sobre o Monte Sinai; ele transmitiu( ou-messara) a Josué, que por sua vez a remeteu aos profetas e estes últimos a transmitiram aos membros da Grande Sinagoga.

A Qabalah, entretanto, segundo os estudiosos, entre estes Alexandre Safran (La Cabale - Ed. Payothéque), ultrapassa, em antiguidade, a Revelação Judaica. Ela remonta aos tempos pré-históricos. Moisés a teria introduzido na história de Israel. A Qabalah transpôs os limites de uma mística religiosa, para ser mais bem compreendida como uma tradição esotérica.

...O mundo contemporâneo assiste a uma explosão de seitas e doutrinas; gurus aparecem por toda parte oferecendo algo novo que na maioria das vezes não é mais que uma mistura de fragmentos de doutrinas reunidos em visões pessoaos, nas quais os aspectos práticos do misticismo (exercícios, meditações etc,) são afastados de seu contexto de origem, criando assim graves perigos para quem os pratica e dos quais, portanto, esses mesmos gurus não se fazem responsáveis.

Esta explosão não é casual. É a resposta que o homem moderno encontrou para enfrentar a grave crise espiritual que sofre. Defende-se, diríamos, buscando misticismo, ocultismo ou religião. O homem vive em um mundo mecanizado, cheio de técnicas, preso por uma razão que não o envolve totalmente e, ao mesmo tempo, desamparado em sua angústia existencial.

Frente a esse inúmeros "messias" de ocasião existem outros homens, pouco comuns, que renunciam inventar "sua" própria doutrina para dedicar-se paciente e laboriosamente a resgatar as verdades que a sabedoria dos antigos mestres nos deixou e que o passar do tempo relegou a livros guardados em museus ou a grupos iniciáticos, hermeticamente fechados, que guardam essas mensagens até que chegue uma hora propícia."

O que é Cabalá?

Cabalá é uma palavra em hebraico que significa "Recebimento". Mas receber o quê? Receber respostas.

Os conhecimentos da Cabalá são estas respostas. A humanidade sempre sentiu a necessidade de definir o seu papel dentro do infinito mistério do universo.

Como chegamos aqui? Por que existimos? Por que coisas negativas acontecem com pessoas boas? Quais são os caminhos para uma realização plena e constante?

Infelizmente as respostas são poucas e muito distantes. A Cabalá fornece essas respostas.

Em geral vivemos em constante oscilação e caos. Mas nós podemos mudar tudo isso através de um poder tão misterioso que chega a desafiar até as mentes dos grandes cientistas, embora uma simples criança o use com frequência sem mesmo pensar a respeito.

Este poder é chamado Cabalá, e com ele nós podemos refazer nossas vidas. Nós podemos mudar o nosso destino e a nós mesmos num extraordinário reino que existe por trás de nossos cinco sentidos limitados.

Este outro reino consiste em infinita plenitude, realização e ordem. É o mundo dos milagres constantes.

É o lugar onde o prazer, a alegria, a cura e a felicidade se originam.

E embora não possamos tocar fisicamente e ver essa realidade neste momento, você deve saber que ela é tão incontestável quanto a gravidade e tão verdadeira quanto os átomos no ar.

Embora esse reino exista por toda a eternidade, somente agora ele está emergindo num mundo em que as pessoas estão prontas e capazes de compreendê-lo à luz da tecnologia e das maravilhas do século 20. E ele chega bem a tempo! Os cabalistas sabem como fazer as coisas boas acontecerem, por saber em primeiro lugar porque as coisas ruins acontecem.

A estrutura do Tarô :78 ARCANOS

O Tarô é constituído de 78 cartas que denominamos de arcanos (mistério, oculto, o que precisa ser desvelado) e estão divididos em dois grupos:

22 arcanos maiores, um conjunto de símbolos estruturados com atributos evolutivos e sintomáticos, caracterizando-se pela complexidade ornamental.

56 arcanos menores, um conjunto de símbolos estruturados com atributos sinalizadores e secionados em quatro níveis, caracterizando-se pela simplicidade.

Os arcanos maiores se reportam à mente abstrata, ao mundo subjetivo, aos poderes da criação, diretos e árbitros, que a consciência manipula para seu universo; os arcanos menores se lançam à mente racional, ao mundo do objeto, aos poderes da concretização, independente da vontade e ação dos primeiros --- Os arcanos maiores é a energia de uma situação e os arcanos menores a forma dessa energia ---.

Um se relaciona com a formação da VIDA e o outro com a manifestação da FORMA. Ambos os caminhos explicam a trajetória do homem, de seu nascimento à morte; ou a criação do próprio universo, de seu despertar ao seu adormecer; ou ainda as vias percorridas em alguma situação específica, seu avanço ou retrocesso, seu declínio ou progresso.

22 arcanos maiores

Os arcanos maiores são estruturados com 21 arcanos numerados e 01 arcano sem número totalizando 22 arcanos; todos contêm nome e simbologia extremamente diferentes um do outro.

Eles formam uma cadeia simbólica, individual e evolutiva, sempre com o arcano numericamente sucessor:o arcano 01, O Mago (livre-arbítrio, início), evolui simbólica e sintomaticamente para o Arcano 02, A Sacerdotisa (reflexão, passividade). Por sua vez o Arcano 02, A Sacerdotisa, evolui para o Arcano 03, A Imperatriz (dedução, desenvolvimento), este para o Arcano 04, O Imperador (controle, autoridade), e assim, sucessivamente até o último arcano numerado - o arcano 21, O Mundo (conclusão, realização). Complementando o circuito evolucional surge o arcano Sem Número, O Louco (nada, vácuo), revelando-se um elo de ligação entre o arcano 21 e o arcano 01 para a formação de uma nova fase de ação e/ou desejo; este processo simboliza uma ponte entre o fim e o começo, o passado e o futuro, a continuidade da vida.

Todos os arcanos maiores se reportam ao eterno ciclo natural da existência:começo-meio-fim... nascimento... começo-meio-fim... nascimento... e assim eternamente na vida humana e cósmica.

56 arcanos menores

Os arcanos menores são estruturados em quatro séries de 14 arcanos (4 x 14), que denominados de naipes de Ouros, Espadas, Copas e Paus, totalizando 56 cartas.

Cada série contém quatro arcanos denominados de "Corte":Pajem, Cavaleiro, Rainha e Rei, e mais dez arcanos numerados de 01 (Ás) ao 10. As quatro séries — Ouros (plano material), Espadas (plano mental), Copas (plano sentimental) e Paus (plano transcendental), formam cadeias simbólicas sinalizadoras e lineares do Pagem ao Rei, seguida do Às ao 10.

Ao contrário dos arcanos maiores, não têm função cíclica, delimitam a trajetória de um determinado plano:material, mental, sentimental ou espiritual. Embora a corte e os numerados tenham evolução entre si, cada qual representa um aspecto individual e particular de manifestação da série correspondente; a corte também pode simbolizar personalidades ou pessoas, contudo, dão uma visão mais ampla da situação.

Um fator interessante nos arcanos menores é que temos dois conjuntos distintos e autônomos:dezesseis arcanos da corte e quarenta arcanos numerados; porém, se retirarmos o simbolismo dos quatro elementos (terra, ar, água, fogo) contidos nas cartas dos naipes de Ouros, Espadas, Copas e Paus, restarão somente 4 figuras distintas: Pajem, Cavaleiro, Rainha e o Rei, e mais dez cartas numeradas de 1 (Ás) a 10. Na realidade temos somente três fatores simbólicos para serem analisados: as figuras da corte, a sequência numérica, e ambas tendo como pano de fundo os quatro elementos: terra (Ouros), ar (Espadas), água (Copas) e fogo (Paus).

Interação Oracular

Resumindo:A intenção da psique ou do destino (arcanos maiores) numa relação direta com seus objetivos (arcanos menores/naipe) se manifesta numa personalidade ou situação (arcanos menores/corte), para realizar um plano de ação ou uma trajetória natural (arcanos menores/numerados).

Por Exemplo:penso e tenho (ou não) condições de comprar um carro - representado pelos atributos dos arcanos maiores; adquiro (ou não) o veículo - representado pelos atributos dos arcanos menores; contudo o carro por si só não se transforma, dependerá de minha ação no plano mental (atributos dos arcanos maiores), para reformá-lo, vendê-lo, ou outra coisa qualquer no plano real (atributos dos arcanos menores).

Outro exemplo:estou desejando (posso conseguir ou não) me casar (arcanos maiores), consigo (ou não) namorar e casar (arcanos menores), todavia dependerá de minhas atitudes e comportamentos (arcanos maiores) a manutenção do namoro ou do casamento (arcanos menores), somente o compromisso verbal ou a certidão de casamento não garantirá a felicidade.

Assim poderemos observar que na estrutura do arcanos menores haverá sempre uma direção determinada pela força dos arcanos maiores.

OS ELEMENTOS DA CABALA

PRIMEIRA LIÇÃO

PROLEGÔMENOS GERAIS

Senhor e irmão:Posso conferir-vos este título posto que buscais a verdade na sinceridade de vosso coração e que estais disposto a fazer os sacrifícios que se façam necessários para alcançar o fim colimado. Sendo a verdade a própria essência daquilo que não é difícil encontrar, está em nós e nós estamos nela; é como a luz que os cegos não vêem. O Ser é. Isto é incontestável e absoluto. A idéia exata do Ser é a verdade, seu conhecimento é a ciência; sua expressão ideal é a razão; sua atividade é a criação e a justiça. Dizeis que desejais crer. Para tanto basta conhecer e amar a verdade. Porque a verdadeira fé é a adesão inquebrantável às deduções necessárias da ciência no infinito conjetural. As ciências ocultas são as únicas que dão a certeza, porque tomam por base as realidades e não as ilusões.

Estas cartas foram facilitados por um discípulo de Eliphas Levi:M. Montaut. Permitem discemir em cada símbolo religioso a verdade e a mentira. A verdade é a mesma em qualquer lugar e a mentira varia, segundo os lugares, os tempos e as pessoas.

Estas ciências são em número de três:a Cabala, a Magia e o Hermetismo. A Cabala, ou ciência tradicional dos Hebreus, poderia ser chamada de matemática do pensamento humano. É a álgebra da fé. Resolve, com suas equações todos os problemas da alma, isolando as incógnitas. Dá às idéias a sensatez e a rigorosa exatidão dos números; seus resultados são a infalibilidade da mente (sempre relativa na esfera dos conhecimentos humanos) e a paz profunda do coração.

A Magia, ou ciência dos magos, teve como representantes na antiguidade os discípulos e talvez os mestres de Zoroastro. É o conhecimento das leis secretas da natureza que produzem as forças ocultas dos ímãs naturais ou artificiais, e dos que podem existir ainda fora do mundo dos metais. Numa palavra e para empregar uma expressão moderna, é a ciência do magnetismo universal.

O Hermetismo é a ciência da natureza oculta dos hieróglifos e dos símbolos do mundo antigo. É a investigação do princípio de vida pelo sonho (para os que ainda não chegaram a ele), a realização da grande obra, a reprodução pelo homem do fogo natural e divino que cria e regenera os seres.

Eis aí, senhor, as coisas que desejais estudar:seu círculo é imenso, porém seus princípios são muito simples e estão contidos nos números e nas letras do alfabeto.

"É um trabalho de Hércules semelhante a um jogo de crianças", dizem os mestres da santa ciência.

Os requisitos para se sair airosamente deste estudo são uma grande retidão de juízo e amplo ecletismo.

Não se pode ter preconceitos e razão por que Cristo dizia:"Se não tiverdes a simplicidade da criança, não entrareis em Maikubt", isto é, no reino da ciência.

Começaremos pela Cabala, cuja divisão é:Berechit, Mercava, Gematria e Temura.

Vosso na sagrada ciência.

ELIPHAS LEVI

E O LIVRO DA VIDA DA GRÃ-SACERDOTISA

Ao observarmos o segundo arcano do Tarô – A GRÃ-SACERDOTISA – vemos que ela folheia um livro. As interpretações desse arcano são variadas. Mas, a respeito do significado do livro que ela folheia, um bom tarólogo logo concorda que significa sabedoria e instrução oculta.

A GRÃ-SACERDOTISA simboliza primeiramente o nosso livre-arbítrio, ou Vontade. E o livro que ela porta simboliza o nosso carma, escrito por nós mesmos.

Quando nascemos, trazemos conosco o nosso grande LIVRO DA VIDA. A Capa e o Título já o determinamos nós mesmos pelos nossos atos em nossas vidas anteriores, e eles são o TAROT (Caminho de Destino) que nossa vida seguirá.

Depois, enquanto vamos crescendo, nossos pais e família escrevem a Introdução; pode ser que essa Introdução não tenha nos agradado...

O Prefácio será escrito pela sociedade, e pode ser também que não nos agrade.

Os Capítulos deste livro - as páginas - foram deixadas em branco:somos nós que as vamos escreve-los segundo nosso LIVRE-ARBÍTRIO.

É verdade que a Capa, o Título, a Introdução e o Prefácio estão exercendo fortes influências sobre nós, mas nenhum de nós poderá negar que, seja o que for que aí está escrito, o modo como encaramos suas influências depende de nosso LIVRE-ARBÍBTRIO.

O que você está escrevendo nessas páginas? Preconceito? Orgulho? Inveja? Derrota? Desunião? Desaforo? Ódio e ressentimento? Lamentação pelo que passou? Ou Amor, Perdão e Compreensão, Vitória inquestionável, Sucesso, Ajuda ao próximo, Pensamento positivo?

Lembre-se:o que você escrever nessas páginas em branco determinará a CAPA e o Título do seu próximo LIVRO DA VIDA ... e até mesmo a Introdução e o Prefácio, que aparentemente são escritos por nossos pais e a sociedade, serão influenciados pelas suas escolhas NESTA VIDA.

Por isso, diz a Bíblia:"E no teu livroforam escritos todos os meus dias antes mesmo deles existirem” – (Salmos 139: 16)

Seu Pensamento tem o poder de mudar o mundo, e, particularmente, o seu mundo:por isso, use o seu livre-arbítrio do melhor modo possível, escolhendo agora mesmo o melhor, que o é BOM e o BEM. Se você pensa, você vive; se você vive, viva o seu melhor!!

“No jogo da vida nem sequer assistir de camarote me interessa. Vim jogar pra ganhar”.

Os Arcanos Menores do Tarô

ESPADAS -Representa o elemento ar.

estado mental; idéias; forma de expressão; comunicação, discussão, conflito; gêmeos, libra, aquário.

Ás de Espadas -Carta da Vitória

Você venceu porque trabalhou e se esforçou muito.

Situação estressante deve ser resolvida. Intelecto, razão.

Obstáculo -injustiça, frustação.

" Terá sucesso se equilibrar suas emoções ".

Dois de Espadas

Dificuldade para tomar decisões. Não consegue ver a solução, mesmo se está na sua frente. Discussão, esgotamento.

Obstáculo -conflito, agressão.

" Não deixe conflitos anteriores afetarem sua comunicação e tomada de decisão. Abra a mente e pense ".

Três de Espadas

Falta de comunicação tem sido causa de arrependimento. Se não aprender a melhorar nesse aspecto, a desilusão pode ser maior. Conflito, mudança.

Obstáculo -sofrimento, frustação.

" Não fique triste com fatos negativos. As coisas vão melhorar ".

Quatro de Espadas

A tensão a sua volta passou. É hora de descansar. Uma mudança é necessária. Recuperação, renovação.

Obstáculo -isolamento, solidão.

" Ficará em paz, mas não se isole ".

Cinco de Espadas

Rompimento ou briga aconteceu, talvez por causa de outra pessoa. Amigos podem não ser para sempre. Humilhação, traição, derrota.

Obstáculo -desonestidade, trapaça.

" Cuidado com aspectos negativos do seu caráter. Aja positivamente ".

Seis de Espadas

Precisa se afastar dos aspectos negativos que o cercam, para se estabelecer. Renovação, renascimento.

Obstáculo -demora, adiamento.

" Perceba que tem novas habilidades e forças; foi isso que o tornou mais forte ".

Sete de Espadas

Talvez seja necessário fazer um sacrifício. Atenção para saúde e segurança. Inteligência.

Obstáculo -timidez, preservação, medo.

" Não culpe os outros por seus erros. Não seja teimoso ".

Oito de Espadas

Sentimentos de frustração são inevitáveis. Espere pacientemente as coisas mudarem. Lutar causará mais dor. Adiamentos, bloqueios, obstrução.

Obstáculo -falta de ajuda, sentimento de frustração.

" Você se sente numa armadilha. Chegou a hora de encontrar uma solução e planejar o futuro. Assim se sentirá determinado e forte ".

Nove de Espadas

Momento de isolamento e tristeza, em que você não deverá se afastar dos outros. Ansiedade, preocupação.

Obstáculo -depressão, isolamento, tristeza.

" Essa tristeza logo vai passar e você ficará bem novamente ".

Dez de Espadas

Algumas mudanças poderão parecer ruins, mas virão para ajudar você a enfrentar problemas.

Obstáculo -conflitos, dificuldades.

" Fim de uma situação indesejável e começo de mudanças.

Valete de Espadas

Pode ser um conflito, uma briga, um confronto que resulta em separação. Não defenda os outros sem saber dos fatos.

Obstáculo -desconfiança, suspeitar.

" Ocultar ou encobrir fatos pode gerar confusão e falta de confiança ".

Cavaleiro de Espadas

Mostra pessoa inteligente, habilidosa mas sempre envolvida em conflitos. Deve negociar ao invés de lutar. Frieza, convicção, força.

Obstáculo - agressão, impaciência.

" Tente manter o equilíbrio, não tome atitudes impulsivas ".

Rainha de Espadas

Pessoa inteligente, mas impulsiva; que causa conflito devido a natureza agitada. Independência, ambição.

Obstáculo -solidão, frieza, indiferença.

" Você deve aprender a respeitar a dor dos outros e prestar atenção nos aspectos positivos da vida ".

Rei de Espadas

Pessoa justa, porém insensível. Falta de percepção nos sentimentos dos outros. Autoridade, poder.

Obstáculo -crueldade, malícia, exploração.

" Vocês está envolvido ou se envolverá com pessoa determinada e muito importante. Procure não se tornar uma pessoa amarga ".

Fonte: www.kelmamazziero.com.br