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Esoterismo

 

Esoterismo

O substantivo esoterismo é de formação relativamente recente, por comparação com o adjetivo esotérico, de origem grega, donde deriva.

O adjetivo eksôterikos, -ê, -on (exterior, destinado aos leigos, popular, exotérico) já existia em grego clássico, ao passo que o adjetivo esôterikos, -ê, -on (no interior, na intimidade, esotérico) surgiu na época helenística sob o Império romano. Diversos autores os utilizaram. Veremos dentro em pouco alguns exemplos.

Têm a sua origem, respectivamente, em eisô ou esô (como preposição significa dentro de, como advérbio significa dentro), e eksô (como prep. significa fora de, como adv. significa fora). Destas partículas gramaticais (preposição, advérbio) os gregos derivaram comparativos e superlativos, tal como no caso dos adjetivos.

Em regra, o sufixo grego para o comparativo é -teros, e para o superlativo é -tatos. Por exemplo, o adjetivo kouphos, leve, tem como comparativo kouphoteros, mais leve, e como superlativo kouphotatos, levíssimo. Do mesmo modo, do adv./prep. esô obtém-se o comp. esôteros, mais interior, e o sup. esôtatos, muito interior, interno, íntimo.

O adjetivo esôterikos deriva, portanto, do comparativo esôteros. Certos autores, porém, talvez mais imaginosos, propõem outra etimologia, baseada no verbo têrô que significa observar, espiar; guardar, conservar. Assim, esô + têrô significaria qualquer coisa como espiar por dentro e guardar no interior.

Platão (427-347 a. C.) no seu diálogo Alcibíades (aprox. 390 a. C.) utiliza a expressão ta esô no sentido de as coisas interiores, e no diálogo Teeteto (aprox. 360 a. C.) utiliza ta eksô com o significado de as coisas exteriores. Por sua vez Aristóteles (384-322 a. C.) utiliza o adjetivo eksôterikos na sua Ética a Nicómaco (I, 13), cerca do ano 350 a. C., para qualificar o que ele chama os discursos exotéricos, ou seja, as suas obras de juventude, de fácil acesso a um público mais geral.

O primeiro testemunho do adjetivo esôterikos encontramo-lo em Luciano de Samosata (aprox. 120-180 d. C.) na sua obra satírica O Leilão das Vidas, § 26 (também chamado O Leilão das Escolas Filosóficas), composta cerca do ano 166 d. C.

Mais tarde, os adjetivos eksôterikos e esôterikos passaram a ser aplicados, por engano, aos ensinamentos de Aristóteles por Clemente de Alexandria (aprox. 150-215 d. C.) na sua obra Strômateis, composta cerca do ano 208 d. C.: As pessoas da escola de Aristóteles diziam que, entre as suas obras, algumas são esotéricas e outras destinadas ao público ou exotéricas (Strômateis, Livro V, cap. 9, 58). Clemente supunha que Aristóteles era um iniciado, e portanto seriam esotéricos os ensinamentos que facultava no seu Liceu a discípulos já instruídos. Na verdade era apenas um ensino oral e Aristóteles qualificava-o como ensinamento acroamático, que quer dizer transmitido oralmente, nada tendo de esotérico no sentido iniciático do termo.

O teólogo alexandrino Orígenes (aprox. 185-254 d. C. ), discípulo de Clemente, já usa ambos os adjetivos em conotação com o oculto, ou melhor, o iniciático; contestando as críticas do anti-cristão Celso, diz Orígenes: Chamar oculta à nossa doutrina é totalmente absurdo. E de resto, que haja certos pontos, nela, para além do exotérico e que portanto não chegam aos ouvidos do vulgo, não é coisa exclusiva do Cristianismo, pois também entre os filósofos era corrente haver umas doutrinas exotéricas, e outras esotéricas. Assim, havia indivíduos que de Pitágoras só sabiam “o que ele disse” por intermédio de terceiros; ao passo que outros eram secretamente iniciados em doutrinas que não deviam chegar a ouvidos profanos e ainda não purificados.

O termo esotérico começou a ser usado como substantivo a partir de Jâmblico (aprox. 240-330 d. C.), filósofo e místico neoplatónico que se refere aos discípulos da escola pitagórica nos seguintes termos: Estes, se tivessem sido julgados dignos de participar nos ensinamentos graças ao seu modo de vida e à sua civilidade, após um silêncio de cinco anos, tornavam-se daí em diante esotéricos, eram ouvintes de Pitágoras, usavam vestes de linho e tinham direito a vê-lo.

O conceito de esoterismo é de criação muito mais recente. Johann Gottfried Herder (1744-1803), que se opôs ao racionalismo Iluminista da sua época, foi o primeiro autor a utilizar a expressão esoterische Wissenschaften (ciências esotéricas), referenciável no tomo XV das suas Sämtliche Werke, e o substantivo l’ésotérisme surgiu pela primeira vez na obra Histoire critique du gnosticisme et de ses influences (1828), de Jacques Matter.

Na sequência, deve-se ao ocultista e cabalista Eliphas Lévi (1810-1875) a vulgarização dos termos esoterismo e ocultismo (este último na sua acepção moderna e mais lata de corpus de ciências ocultas, diferente da Occulta Philosophia, ou Magia, de Agrippa, por exemplo). A partir de então o termo adquiriu uma voga crescente, sobretudo depois que Helena P. Blsvatsky, A. P. Sinnett, Annie Besant, C. W. Leadbeater, etc., da corrente teosofista da Sociedade Teosófica popularizaram o conceito, desde o último quartel do século xix e ao longo dos inícios do século xx.

Paralelamente, certos autores começaram a encarar o estudo do esoterismo de um ponto de vista mais académico, não se considerando, eles mesmos, esotéricos, mas investigadores quer da história quer das ideias de determinadas correntes espirituais, místicas ou ocultas. Entre estes contam-se por exemplo, nos finais do século xix, George R. S. Mead e Arthur Edward Waite, cujos trabalhos, apesar de tudo, ainda se encontram a meio-caminho entre o discurso esotérico e a pesquisa universitária.

No primeiro quartel do século xx, Max Heindel (1865-1919) estabeleceu a distinção técnica entre o oculto e o místico, e, embora inserido numa específica corrente esotérica, deu forma consistente, nas suas obras, quer à vertente mística quer à vertente oculta doesoterismo.

Por sua vez Rudolf Steiner (1861-1925), igualmente inserido numa corrente esotérica bem definida, abordou o esoterismo segundo um duplo enquadramento, ocultista e científico.

René Guénon (1886-1951) trabalhou o esoterismo, genericamente, segundo uma perspectiva mais filosófica do que histórico-crítica, tendo o cuidado de distinguir entre o esoterismo cristão, o islâmico e o védico; todavia, o grande impulso para o estudo doesoterismo de um ponto de vista de investigação académica surgiu a partir de 1928, com a tese de Auguste Viatte sobre o Iluminismo, seguindo-se-lhe as pesquisas e os trabalhos de Will-Erich Peuckert sobre a pansofia e o rosacrucianismo, de Lynn Thorndike sobre a história da magia, da Prof.ª Frances A. Yates sobre o Iluminismo rosacruz e o esoterismo renascentista, etc., devendo-se a esta última o principal estímulo para uma pesquisa universitária, rigorosa, incidindo sobre o território esotérico, o que fez alterar o respectivo panorama investigacional a partir dos anos 60 e 70 do século xx.

O prof. Antoine Faivre, mais recentemente, chama a atenção para os estudos de Ernest Lee Tuveson sobre o hermetismo na literatura anglo-saxónica dos séculos xviii e xix, e de Massimo Introvigne sobre os movimentos mágicos dos séculos xix e xx, sobretudo pelo fato de proporem abordagens novas, interdisciplinares.

Atualmente, é já bastante vasto o leque de autores que estudam o esoterismo em ambiente de investigação académica, tendo-se tornado consensual a designação de esoterólogos para alguns desses investigadores, o que pressupõe uma ciência da Esoterologia que está a ter acolhimento nos curricula de algumas Universidades.

Nem todos coincidem, porém, nas suas posições e definições do campo investigacional do esoterismo, podendo de certo modo, e sem tentar uma conciliação entre os diferentes autores, dizer-se que existem vários esoterismos.

Por amor à brevidade, limitar-me-ei a salientar alguns esoterólogos contemporâneos cujos trabalhos são de capital relevância para a compreensão do objeto temático do esoterismo:

Em termos muito simplificados podemos dizer que duas grandes tendências gerais se perfilam entre estes autores: uma, poder-se-á designá-la por universalismo pró-esotérico, e outra, por estruturação histórico-crítica. O prof. Wouter J. Hanegraaff ainda considera uma terceira tendência a que chama formas de anti-esoterismo, que, por não serem indispensáveis neste breve resumo, me abstenho de considerar aqui.

Na linha do universalismo pró-esotérico incluem-se os trabalhos e a atividade universitária de professores como Pierre A. Riffard e José M. Anes, por exemplo.

Segundo Riffard, o esoterismo tanto existe no Ocidente como no Oriente, desde a pré-história até aos nossos dias, e tem a ver com o mistério da existência tal como é percebido pelos seres humanos; além disso, Riffard critica certos investigadores académicos que procuram estudar o esoterismo de fora, como se pudesse existir um fenómeno cultural esotérico independentemente do esoterismo em si. Segundo Riffard, a essência do esoterismo é, ela mesma, esotérica; na sua monumental obra de perto de 400 páginas, L’ésotérisme, Riffard interroga-se: Pode alguém ser um esoterólogo sem ser, ao mesmo tempo, um esotérico?

De acordo com este ponto de vista, elabora uma descrição do esoterismo segundo as oito invariáveis que, em sua óptica, o caracterizam:

1. A impessoalidade do autor

2. A oposição esotérico/exotérico

3. A noção de o subtil como mediador entre o espírito e a matéria

4. Analogias e correspondências

5. A importância dos números

6. As ciências ocultas

7. As artes ocultas

8. A Iniciação

Uma posição totalmente diferente é assumida pelos profs. Antoine Faivre e Wouter J. Hanegraaff, por exemplo, defensores da linha histórico-crítica. Segundo Faivre não se deve falar em esoterismo mas em esoterismos, ou melhor, em correntes esotéricas e místicas, uma vez que ele considera que não há um esoterismo em si, mas apenas correntes, autores, textos, etc.

Para que o esoterismo constitua uma especialidade académica reconhecida pela comunidade científica, Antoine Faivre define-o do seguinte modo, de acordo com a Direção de Estudos da Setion des Sciences Religieuses (Sorbonne), que ele mesmo integra com outros docentes: um corpus de textos que constituem a expressão dum certo número de correntes espirituais, na história Ocidental moderna e contemporânea, ligadas entre si por um ar de família, bem como uma forma de pensamento que subjaz a essas correntes. Considerado de forma extensiva, esse corpus estende-se da Antiguidade tardia até hoje; considerado de forma limitativa, abarca um período que vai do Renascimento até à época contemporânea.

Isto implica que, ao contrário das teses universalistas, ficam excluídos do conceito de esoterismo alguns significados que Antoine Faivre enumera de modo a deixar bem claro o que, de acordo com o seu critério, o esoterismo não é:

Um termo genérico, mais ou menos vago, que serve para os editores e livreiros classificarem coleções de livros ou rotularem prateleiras, e onde cabem o paranormal, as ciências ocultas, as tradições sapienciais exóticas, etc.;

Um termo que evoca a ideia de ensinamentos secretos e uma disciplina do arcano, com diferenciação entre iniciados e profanos;

Um termo aplicável a um certo número de processos mais experienciais que racionais, e que se aproxima da ideia de Gnose no sentido universal, propondo-se atingir, mediante certas técnicas experienciais, o Centro do Ser (Deus, o Homem, a Natureza, etc.), não se excluindo, desta concepção, uma atitude filosófica que advoga a unidade transcendente de todas as religiões e tradições.

Em contrapartida, aquela forma de pensamento que Faivre considera como própria do conceito de esoterismo distinguir-se-ia por seis características ou componentes fundamentais, das quais quatro são intrínsecas, no sentido em que a sua presença simultânea é uma condição necessária e suficiente para que um discurso seja identificado como esotérico, e duas são secundárias ou extrínsecas, e cuja presença pode ou não coexistir ao lado das outras quatro.

São elas:

1. A ideia de correspondência (O que é em cima é como o que é em baixo, segundo a Tábua da Esmeralda )

2. A Natureza viva (o Cosmos não é apenas complexo, plural, hierarquizado, etc.: é sobretudo uma Grande Entidade Cósmica viva);

3. Imaginação e mediadores (a imaginação é a faculdade superior de penetrar nos códigos que se ocultam nos mediadores, os quais, por sua vez, são os rituais, as imagens do Tarot, as mandalas, etc., etc., símbolos carregados de polissemia cuja decifração cognitiva permite o acesso ao mundus imaginalis definido por Henri Corbin);

4. A experiência da transmutação (percurso espiritual simbolizado alquimicamente por três graus: nigredo, ou obra em negro, morte, decapitação; albedo, ou obra elevada ao branco; e rubedo, ou obra elevada ao vermelho, pedra filosofal);

5. A prática da concordância (prática que visa descobrir os denominadores comuns a duas ou mais tradições aparentemente distintas, na expectativa de que, mediante esse estudo comparativo, se alcance o filão escondido que levaria à Tradição primordial, da qual todas as tradições e/ou religiões concretas seriam apenas os galhos visíveis da grande árvore perene e oculta);

6. A transmissão (conjunto de canais de filiação pelos quais se processa a continuidade de mestre a discípulo, ou de iniciação no interior duma sociedade, no pressuposto de que ninguém se pode iniciar sozinho e que o segundo nascimento passa obrigatoriamente por esta disciplina).

Outros autores simplificam a questão considerando que o esoterismo se constituiu no Ocidente como disciplina autónoma, a pouco e pouco, a partir de finais da Idade Média, porque a teologia e a ciência absorveram certos temas que o integravam, eliminando outros que, por serem mais inquietantes ou pertencerem ao imaginário mais perturbador, acabaram, com essa expulsão ou mesmo perseguição, por integrar as correntes esotéricas ocidentais, sobretudo a partir do Renascimento.

No Oriente , pelo contrário, a teologia contém os temas esotéricos e por conseguinte o esoterismo não precisa de se constituir como disciplina aparte.

Segundo este ponto de vista, pode-se falar em esoterismo associado às varias escolas e tendências que se desenvolveram no Ocidente na linha dos ensinamentos de Marsilio Ficino (1433-1499), de Pico della Mirandola (1463-1494) e de Johannes Reuchlin (1455-1522), esoterismo esse que floresceu, sobretudo, na Europa e nos séculos xvi e xvii.

A sua principal característica é a rejeição da linguagem comunicativa como expressão da verdade, e a pretensão de que é nas camadas não-semânticas da linguagem que se oculta a antiga Sabedoria. Em extensão a este conceito, não se pode ignorar a importância do pensamento judaico e dos textos hebreus na Europa, cujo torat hasod (conhecimento esotérico) constituiu um corpo específico de tradições secretas na cultura judaica, no centro do qual, e a partir do século xiii, se encontra a Cabala, que teve uma influência de indiscutível relevo no esoterismo cristão.

António de Macedo

Referências Bibliográficas

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Fonte: paginasesotericas.tripod.com

Esoterismo

A cultura de todos os povos, em todos os lugares e em todas as eras, sempre foi constituída por conhecimentos que eram dados a todos e outros que eram privilégios de poucos; dos escolhidos, dos que haviam se tornado dignos de recebê-los após um longo tempo de preparo moral e espiritual, ministrado nos templos, após o ritual iniciatório.

Este longo preparo para a iniciação constituía o misticismo e os ensinos dados nos mistérios menores, eram o conhecimento exotérico e ambos constituíam os ensinos do ocultismo.

esoterismo provêm do grego esterkos, interno, é a doutrina que se oculta à generalidade das pessoas e se revela apenas aos iniciados. Transcendendo a formas e dogmas, pode, por sua universalidade essencial, conciliar os múltiplos e aparentemente divergentes aspectos da verdade. É o conhecimento direto da verdade, acessível aos moral e intelectualmente preparados, e adquirível por meio dos símbolos e alegorias, meditação no seu significado interno, intuição e realização das instruções recebidas.

É aquilo que Jesus disse aos seus discípulos: “a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles (o povo, os não-preparados) não lhes é isso dado. Por isso lhes falo em parábolas, porque vendo, não vêem, e ouvindo, não ouvem, nem entendem” (Mateus 13:11-13).

Embora o esoterismo, nas escolas de mistérios de todos os povos, tenha sido ministrado através do simbolismo e de inumeráveis mitos ou fábulas, ele tem um fundo de significação, que é a essência e o fundamento de todos os grandes sistemas religiosos, adaptados às conveniências culturais e étnicas dos povos e à sua época.

Pode-se mesmo falar de um esoterismo romano, grego, islâmico, judeu e, notadamente, do esoteris mo egípcio que influiu em todos os outros.

O esoterismo instituiu o fundamento das escolas de mistérios de Dionísio-Deméter, de Eleusis, Orfeus, Pitagóricos, de Mitra, da Gnose, do Maniqueísmo, dos Sufis, dos Ismaelianos e da Cabala e de todas as outras escolas, ordens ou religiões.

Como o esoterismo egípcio ou hermetismo, no ocidente, é o mais importante, trataremos apenas dele.

esoterismo é a herança cultural dos povos da Atlântida transmitida aos egípcios e conservada nos templos de iniciação.

Ele foi ensinado por Hermes Trimegistro e constitue a Tábua de Esmeralda, uma série de diálogos entre Hermes e seu discípulo Asclépios, acerca da criação, da natureza de Deus, da mônada, do Bem e do Mal, da Vida e da Morte, da constituição espiritual de todas as coisas, etc.

O Livro dos Mortos dos egípcios é, também, um manual de ensinamentos esotéricos.

Esoterismo

Os ensinamentos esotéricos foram ocultados no mito de Pã, o Deus-Pastor caprino, o Baphomet, o Arcano XV, o Diabo do Tarô.

Pã, filho de Hermes e da ninfa Salmatis, neto de Zeus e do gigante Atlas, representava tanto o princípio primordial divino, como o material e o humano, ora o feminino, Íris, a natureza humana e das coisas.

Hermes, o pai, era também Thot e na forma de Thot, Hermes é a figura intermediária entre o natural, Pã, e o divino, desta forma era, ao mesmo tempo, pai-filho e possuía a mesma natureza.

Hermes, o princípio divino e Pã, a natureza psíquica, ambos formam a natureza humana.

Neste mito de Pã-Hermes, encontram-se os fundamentos de tudo o que é superior e inferior da unidade essencial, da expressão do múltiplo, e de todos os ensinos que consiste os fundamentos esotéricos das religiões ditas pagãs e gnósticas.

Para se abordar o esoterismo e compreendê-lo é preciso que se o considere sob dois pontos de vista: o filosófico-científico, que explica, com a ajuda da filosofia e da teologia, o esoterismo como parte do desenvolvimento mental do ser humano.

O ponto de vista mágico-religioso aborda os aspectos numinosos, inteligíveis, os paradoxos do esoterismo, os ensinamentos que só são admissíveis pela fé.

Com a queda do império egípcio e de sua cultura, vem o esoterismo de Pitágoras, de Platão, de Aristóteles, que tiveram profunda influência no cristianismo primitivo.

Por outro lado, o Egito, através de Moisés, exerceu preponderante papel na formação da cultura do povo judeu e de sua religião, na qual vamos encontrar os ensinamentos exotéricos e esotéricos que caracterizam os fundamentos do Talmude, do Torá e da Cabala, bem como das escolas essênias, nazarenas, farisaicas e outras.

Do esoterismo originou-se a gnose ou conhecimento transcendental.

Com o advento do cristianismo houve o reencontro entre o esoterismo judaico e o ocidental, acentuado pelas peregrinações e pregações dos apóstolos, que integravam as comunidades esotéricas ou gnósticas, notadamente, Pedro, João, Tiago e Felipe.     Entretanto, nem todos os apóstolos eram gnósticos, muitos só eram exoteristas e entre estes Paulo, daí o surgimento do conflito entre o cristianismo e as seitas gnósticas.

Com o passar dos tempos, o cristianismo exotérico com o apoio do Estado romano passou a ser a religião oficial e passava a perseguir as seitas gnósticas que contradiziam seus ensinamentos.

O desenvolvimento do cristianismo exotérico se solidificou quando o bispo de Roma se apropriou do título oficial Ponti Fex Maximus e passou a ser uma igreja católica, herdeira de Cristo e intermediária entre o homem e Deus e a depositária da salvação pela distribuição dos sacramentos.

A Igreja pregava a salvação intermediária de fora, a dualidade inconsciliável da natureza divina e humana, a gnose, ao contrário, ensinava a auto-salvação e a unidade da natureza divina e humana harmonizada pelo esforço pessoal. A Igreja apregoava ser Cristo o único filho de Deus, a gnose afirmava que todos os homens são filhos de Deus.

Apesar de a Igreja ter destruído os celtas, os templários, os cátaros e muitas outras seitas e povos, o esoterismo sobreviveu através dos séculos, nos ensinamentos de Alberto Magno, de Roger Bacon, Theophraustus Bombastos von Hohenhein, Paracelso, Chustionus Rosencreutz, Giusepe Balsamo, Conde de Cagli ostro, Alphonse-Louis Constant, Aleister Crowley, Mathew McGregory e muitos outros.

esoterismo sobreviveu nas ordens Rosa-cruzes, Aurora Dourada, Maçonaria, Martinismo, na Teosofia , na Escola de Gurdijiefe, etc.

Estudou-se a origem, o significado e o desenvolvimento na História, vamos, agora, estudar os conceitos fundamentais que constituem a doutrina esotérica.

São seus fundamentos as afirmações:

1º) Tudo é um. O divino e o humano não são diferenciáveis na sua essência, mas manifestações de um mesmo princípio em esferas diferentes. Da mesma forma, o Bem e o Mal são verdades eternas;

2º) A unidade de tudo é o ser. O positivo é a essência; o negativo, a substância;

3º) O homem é um microcosmo, ou seja, ele contém em si tudo o que está contido no cosmos;

4º) Existe algo absoluto, a realidade única, que é tanto o ser absoluto quanto o não-ser;

5º) A eternidade do cosmos se manifesta ciclicamente. Inúmeros universos vêm e vão como a enchente e a vazante das marés, como a alternância entre o dia e a noite, como a vida e a morte, como o despertar e o dormir;

6º) No cosmos, cada unidade essencial (alma) traz em si uma centelha do absoluto, a alma transcendental;

7º) Tudo provém de uma causa primordial básica, de um ponto central, com o qual está em relacionamento e com o qual permanece unido;

8º) O cosmos é a manifestação periódica cíclica de um ser desconhecido, absoluto, que pode ser chamado de ELE;

9º) Tudo no cosmos tem consciência, de modo específico e dentro de um limite de percepção;

10º) Não existe nenhum deus que possa ser captado em forma de uma imagem humana. Existe uma energia primordial, denominada Logos, que deve ser contemplada como o criador do cosmos. Esse Logos se assemelha a um arquiteto, criador de uma estrutura, realizada pelos outros, pelos obreiros (as forças que atuam no cosmos);

11º) O cosmos foi criado segundo um planano ideal que está contido no absoluto desde a eternidade, etc.

esoterismo não é ocultismo, como a parte não é o todo, embora dele faça parte.

esoterismo é a parte do ocultismo que se refere a instituição espiritual do homem e de sua vinculação com o absoluto.

O esoterista está para o ocultista, como o técnico está para o cientista.

esoterismo é difundido por várias fraternidades com os objetivos de promover o despertar das energias criativas latentes de cada filiado no sentido de lhe assegurar o bem-estar físico, moral e social, mantendo-lhe a saúde do corpo e do espírito e concorrer, na medida de suas forças, para que a harmonia, o amor, a verdade e a justiça se efetivem cada vez mais entre os homens.

Sandro Fortunato

Fonte: www.sandrofortunato.com.br

Esoterismo

O que é esoterismo?

O que é esotérico de verdade é oculto. Não se encontra em livros e não é divulgado. O que se lê na maioria dos livros são assuntos que já foram esotéricos, hoje não o são. O esotérico com "s" é do instrutor para o discípulo, é muito restrito, varia com o grau de consciência de cada pessoa.

Mas também se pode dizer que isso é uma fase preliminar - porém não imprescindível - para se atingir o esotérico.

O esotérico é algo muito interior, muito escondido, só aqueles iniciados em menores ou maiores graus têm conhecimento das verdades eternas, puras e cristalinas.

À medida que se progride na senda espiritual, a pessoa vai intuindo e mesmo recebendo informações, seja "da boca ao ouvido" seja através de um instrutor, de acordo com o grau de evolução. O que se lê e ouve publicamente por aí não é esotérico, mas sim assuntos ligados ao esoterismo, que já foram esotéricos, hoje já não o são". (Antonio Carlos Salzano, astrólogo, MG)

_ "Pode-se imaginar o conhecimento das leis universais como se fosse uma "cebola": uma esfera feita de várias camadas. O interior (miolo) da "cebola" seria o "Círculo Esotérico" (com "s"), a que somente poucos "Mestres" têm acesso. A parte externa da "cebola" seria o "exotérico" (com "x" - exo=externo), a única parte a que a grande maioria da população tem acesso. Como exemplo, qualquer ritual de qualquer religião, no qual a pessoa apenas repete mecanicamente o que os "mais entendidos" dizem para fazer, pertence ao círculo exotérico. Ou seja, está ligado ao Conhecimento, mas sem que a pessoa "entenda" o que está fazendo.

Existem vários graus, assim como existem várias camadas na "cebola". A profundidade que cada um atinge depende de sua evolução no Conhecimento". (Amauri Magagna, astrólogo, São Paulo)

Em O que é esoterismo?, Hans-Dieter Leuenberger opta pela visão mágico-religiosa em lugar da filosófico-científica.

Quem se aproxima desse tema precisa responder à pergunta: "Desejo contemplar ou viver o esoterismo?" Um caminho não é melhor ou pior que o outro.

O filme A guerra do fogo aborda o começo da evolução da humanidade sob a ptica da ciência, no entanto é possível ver nele o nascimento do esoterismo. Na luta pela sobrevivência a espécie humana descobriu a religião e a magia. Pela religião reconhece que o divino permeia tudo que existe, unindo o ser humano com toda a natureza. Pela magia aprende a dominar a natureza, começando pela arte de fazer fogo.

Um dos perigos do esoterismo é seu uso para fugir do confronto com os problemas mais banais da vida.

Mas o esoterismo conduz para o centro da vida, o que também significa o confronto com o feio e animalesco do mundo da forma.

O centro pode ser atingido por muitas vias, o que determina o caminho são o temperamento e a decisão do caminhante. As mensagens esotéricas estão em muitos lugares, por vezes sem terem sido postas ali intencionalmente. Todos somos sábios, pois nas profundezas do inconsciente a sabedoria está latente há milhares de anos. O momento em que esse conhecimento é trazido à luz da consciência é um dos aspectos do que se convencionou chamar iniciação. Podemos ampliar atualmente a definição de esotérico para "algo que se tornou claro para mim". Não importa se esse esclarecimento se deu por influências exteriores, por um aprendizado, ou por um conhecimento interior espontâneo.

O termo esotérico perdeu seu caráter elitista e discriminatório. No passado o esoterismo ficou restrito a poucos, com grandes conseqüências sociais. No limiar da Era de Aquário, nunca tantas pessoas tiveram acesso a tantas informações, por isso não faz sentido pensar em "para alguns poucos", e sim em "voltado para dentro".

O conhecimento esotérico foi guardado e transmitido por pequenas comunidades, lojas, escolas de mistério. A linguagem esotérica era a teológica, mantendo a unidade com as religiões. Mas a forma de escolher e preparar os membros dos pequenos grupo para receber o ensinamento esotérico impediu que se secularizasse, como as religiões.

A linguagem esotérica atual poderia ser - mas ainda não é - a da psicologia, visto que os teólogos do ocidente não são mais esoteristas, e a filosofia não usa mais a linguagem teológica. A autêntica tradição esotérica ocidental corre o risco de se perder, permeada pelo xamanismo.

A queda do Tibete e do Nepal fez com que o conhecimento e a tradição que guardavam fossem tornados acessíveis a todos, para permitir sua preservação - ainda que com o risco de que sejam deturpados.

Talvez, desmascarado o segredo, ele se revele não tão secreto, e o esoterismo passe a ser visto como uma tarefa da vida cotidiana.

Isso pode significar nossa sobrevivência: talvez, no reino da alma, sejamos tão primitivos e indefesos como quando lutávamos para manter o fogo aceso, por não saber criá-lo.

Qual é a diferença entre esoterismo, ocultismo, metafísica, religiões de mistério e misticismo?

Esoterismo vem do grego esoterikos: interior, oculto, "não destinado ao público", voltado para dentro.

O oposto é exotérico: voltado para fora.

Ocultismo são as teorias e práticas envolvendo a crença em, e o conhecimento ou uso de forças ou seres sobrenaturais. As práticas ocultas centram-se na habilidade de manipular leis naturais, como na magia.

Mistérios eram cultos sempre secretos nos quais uma pessoa tinha que ser "iniciada". Os líderes dos cultos incluíam os hierofantes ("revelador de coisas sagradas"). As características de uma sociedade de mistério eram refeições, danças e cerimônias em comum, especialmente ritos de iniciação. Essas experiências compartilhadas fortaleciam os laços de cada culto.

Misticismo é a busca espiritual pela verdade ou sabedoria ocultos cuja meta é a união com o divino ou sagrado (o reino transcendente). Formas de misticismo são encontradas em todas as grandes religiões, bem como no xamanismo e outras práticas extáticas das culturas não-literárias, e na experiência secular. (conceitos de Leuenberger e Encyclopaedia Britannica)

História do conhecimento esotérico

Hermes Trismegisto

O helenismo:

Pitágoras
Platão
Orfismo
Mistérios de Elêusis

Cabala 
Gnose 
Neoplatonismo 
Celtas 
Templários 
Cátaros 
O Graal

O Renascimento:

Alberto Magno
Roger Bacon

Paracelso 
Rosa-Cruz

Século XVIII:

Mesmer 
Cagliostro 
Saint-Germain

Eliphas Lévi 
Helena Blavatsky 
A Aurora Dourada 
Aleister Crowley 
Gurdjieff

Os segmentos mais importantes do esoterismo

Alquimia 
Astrologia 
Magia 
Cabala 
Tarô 
Teosofia e Antroposofia 
Reencarnação e carma 
Simbolismo 
Xamanismo 
Bruxas 
Medicina esotérica

Esoterismo oriental:

Ioga
Filosofias indianas: Tantra
I Ching

Fonte: www.geocities.com

Esoterismo

ESOTÉRICO E EXOTÉRICO

Esotérico - que significa fechado, oculto e interno - é o aspecto universal de todas as doutrinas religiosas há milhares de anos. Já o exotérico é o aspecto externo, que se adapta de cultura para cultura, de povo para povo, que mudam por fora, mas que possuem significados profundos e simbólicos muito parecidos.

Esoterismo é o nome genérico que designa um conjunto de tradições e interpretações filosóficas que buscam desvendar o seu sentido oculto.

esoterismo é o termo para as doutrinas cujos princípios e conhecimentos não podem ou não devem ser "vulgarizados", sendo comunicados a um restrito número de discípulos escolhidos. Tudo o que é esotérico, ou seja, todos os conhecimentos, sejam de qualquer doutrina, é algo não acessível ao público.

Dá-se o nome de exotéricas às práticas que chegam ao conhecimento público, pois normalmente não passam de superficialidade.

esoterismo refere-se a toda a doutrina que requer um verdadeiro grau de iniciação para a estudar em sua total profundidade. Em contraste, o conhecimento exotérico é facilmente acessível para o público comum e é transmitido livremente.

Segundo Blavatsky, criadora da moderna Teosofia, o termo "esotérico" refere-se ao que está "dentro", em oposição ao que está "fora" e que é designado como "exotérico". Designa o significado verdadeiro da doutrina, sua essência, em oposição ao exotérico que é a "vestimenta" da doutrina, sua "decoração".

Também segundo Blavatsky, todas as religiões e filosofias concordam em sua essência, diferindo apenas na "vestimenta", pois todas foram inspiradas no que ela chamou de "Religião-Verdade".

Esoterismo é, segundo dicionário da Enciclopédia Mirador (7ª edição - 1982), "doutrina secreta que alguns filósofos antigos comunicavam apenas a alguns discípulos" e exotérico "que expõe em público (doutrinas filosóficas)".

O esotérico é também "relativo ao esoterismo, reservado aos iniciados, profundo, recôndito" e exotérico é ainda "exterior, trivial, vulgar".

Todos os símbolos sagrados, tanto os expressados pela natureza como os adquiridos pelos homens mediante revelação divina, sejam estes gestuais, visuais ou auditivos, numéricos, geométricos ou astronômicos, rituais ou mitológicos, macro ou microcósmicos, têm uma face oculta e uma aparente; uma qualidade intrínseca e uma manifestação sensível, quer dizer, um aspecto esotérico e outro exotérico.

Enquanto o homem leigo, não iniciado, só consegue perceber o exterior do símbolo, pois não conhece a sua conexão com a realidade espiritual, o iniciado procura descobrir nele o mais essencial, o que se encontra em seu núcleo, o que não é sensível, mas sim inteligível, a estrutura invisível do Cosmo e do pensamento, sua trama eterna, ou seja, o esotérico, que constitui o mais profundo do homem e da sua natureza imortal.

Ao tomar contato e identificar-se com essa condição superior de si mesmo e do Todo, constata que signos e estruturas simbólicas aparentemente diversas são, no entanto, idênticas em significado e origem; que um mesmo pensamento ou idéia pode ser expresso com distintas linguagens e roupagens sem alterar o seu conteúdo único e essencial; que as idéias universais e eternas não podem variar, ainda que na aparência se manifestem de modo passageiro.

O Cosmo, a criação inteira, contém uma face oculta: sua estrutura invisível e misteriosa, que o faz possível e que é a sua realidade esotérica, mas que, ao se manifestar, reflete-se em miríades de seres de variadíssimas formas que lhe dão uma face exotérica, sua aparência temporal e mutável.

No homem sucede o mesmo: o corpo e as circunstâncias individuais são as que constituem o seu aspecto exotérico e aparente, sendo o espírito o mais esotérico, a única realidade, a sua origem mais profunda e o seu destino mais alto.

Se os cinco sentidos humanos são capazes de mostrar o físico, a realidade sensível, esse sexto sentido da intuição inteligente e da investigação interna, que se adquire pela Iniciação nos Mistérios, permite ver mais além; dá acesso a uma região Metafísica. Essa visão esotérica identifica ao homem com o "Si Mesmo", ou seja, com o seu verdadeiro Ser, sua essência imortal da qual toma consciência graças ao conhecimento e ao lembrar de Si.

Enquanto o exotérico nos mostra o múltiplo e o passageiro, o esotérico nos leva para o único e imutável. Com um olhar esotérico, iremos compreendendo que o espírito do Pai, seu Ser mais interno, é idêntico ao espírito do Filho. Esta consciência de Unidade é a meta de todo trabalho de ordem esotérica e iniciática.

O significado dessas duas expressões nem sempre é do conhecimento dos iniciantes e por isso mesmo, aqui vai um alerta aos menos avisados que se apegam a um sem número de "talismãs", "velas do amor". "gnominho da fortuna", "pedras da felicidade", e por aí vai. Tudo isso é uma tremenda bobagem criada em nome de um pretenso esoterismo, mas que na verdade não passa de um "comércio" de fetiches e amuletos sem o menor valor prático. O contato com seres da natureza, da forma que se pretende fazer, pode até trazer conseqüências bastante desagradáveis para quem não tem conhecimento real sobre como lidar com eles.

Na verdade, as pessoas são levadas a pensar que o contato com Sílfos, Gnomos e outros pequenos seres, sempre lhes será positivo, quando isso não é verdade.

Também não é o simples contato com pedras semi-preciosas ou amuletos que vai trazer felicidade, amor ou seja lá o que for. Acender uma vela "especialmente preparada" (as velas são feitas em série) fará a pessoa alcançar a saúde, etc. O verdadeiro esotérico sabe que qualquer amuleto só funcionará quando "energizado" por rituais de consagração especiais, de forma a ligá-lo com a pessoa que dele fará uso e que nem de longe essas peças fabricadas em série teriam ou poderiam ter a força que a elas se atribui. Qualquer estudante do verdadeiro esoterismo, ainda que em seus primeiros passos, sabe que um amuleto em série "se funcionar", será tão somente pela fé daquele que dele faz uso.

Natan-Kadan

Fonte: www.recantoespiritual-beki.net

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