História da Espanha

Os primeiros habitantes da Espanha foram os iberos, quem deram o nome de Ibérica à península. Posteriormente se assentaram os celtas através da Galícia. Da fusão desses dois povos se originou um novo, os celtiberos. Desde o século XV ao III a.C chegaram sucessivamente a Ibéria e fundaram suas colônias os fenícios (que lhe deram o nome de Hispania), os gregos e os cartagenos.

Com a conquista dos romanos, o poder de Roma durou desde o século I a.C até o V da Era Cristã. Com a queda do império romano foi invadida e conquistada pelos visigodos que tinham sua capital em Toledo e adotaram a língua latina e o catolicismo.

No começo do século VIII (em 711), invadiram a península os árabes da Mauritânia ou Mouros, que em pouco tempo tomaram o território, com exceção de Astúrias e Vizcaya. Os poucos espanhóis que na parte noroeste da península conseguiram se opor à invasão, começaram uma guerra de reconquista que durou mais de sete séculos.

Já no século IX haviam adquirido importância os reinos cristãos de Aragon, Leon, de Navarra e da Catalunha. A desmembração do Califato de Córdoba acelerou a obra da reconquista. Esta foi completada pelos reis católicos Isabel e Fernando, cujo casamento em 1469 preparou a união de Aragon e Castilla. Em 1492, com a expulsão dos mulçumanos de Granada, realizaram a unidade nacional. Aos reis católicos corresponde a glória de ter conseguido essa unidade nacional e o descobrimento do Novo Mundo (1492). Foram sucedidos pela filha dona Juana (1504-1516), mas por causa de sua loucura e pela morte de seu esposo, Felipe I filho de Maximiliano I da Alemanha, a coroa foi passada para o seu filho Carlos I, com quem entrou a reinar na Espanha a casa da Áustria.

Com Carlos I (1516-1556) e seu filho Felipe II (1556-1598), a Espanha chegou ao seu mais alto grau de poder; mas a intransigência do último e as sucessivas guerras, prepararam a decadência da nação que foi acentuando-se nos reinados de Felipe III (1598-1621), Felipe IV (1621-1665) e Carlos II, o último dos Áustrias (1665-1700).

Felipe V (1700-1746) da casa de Bórbon sucedeu a Carlos II, que não tinha herdeiros. Disputou a cora com ele o arquiduque Carlos de Áustria (mais tarde imperador com o nome de Carlos VI), provocando a guerra de sucessão (1700-1714).

Fernando VI (1746-1759) melhorou um pouco a situação do país e o governo ilustrado de Carlos VI (1778-1808) facilitou a intentona de Napoleão que deu lugar à guerra de independência (1808-1814) durante a qual havendo abdicado o rei em favor de Napoleão e estando sob sua guarda o verdadeiro rei Fernando VII, tornou-se governador do reino José Bonaparte, enquanto em Cádiz se proclamava a primeira constituição (1812).

Quando volto à Espanha Fernando VII (1815), anulou a constituição de 1812 e estabeleceu um regime absolutista. Durante este reinado aconteceu a perda das colônias americanas, cuja independência ficou assegurada em Ayacucho (1824). Sucedeu a Fernando VII sua filha Isabel II (1833-1868), que quando era menor de idade esteve assessorada por sua mãe Maria Cristina (1833-1841) e de Espartero (1841-1843) e se viu turbada pela guerra civil (1834-1839), motivada pelas pretensões de sue tio Don Carlos.

Depois de um turbulento reinando Isabel II foi destronada pela revolução de 1968 e, depois de oito anos de governo provisório reinou Amadeu I de Saboya, mas este renunciou a coroa em 1973 proclamando a República, que durou somente até dezembro de 1874. O pronunciamento de Martinez Campos devolveu o trono a Alfonso XII, filho de Isabel II. Este foi sucedido pelo filho Alfonso XIII, que ainda não havia nascido quando morreu seu padre, e durante o tempo que foi menor de idade (1886-1902) foi regente sua mãe Maria Cristina. Nesse reinado explodiu a insurreição de Cuba (1895), seguida da guerra hispano-americana (1898), que arrebatou a Espanha os últimos restos do seu Império Colonial.

Depois da Primeira Guerra Mundial a transformação social que tanta repercussão teve em outros países, fez eco na Espanha, dando lugar a greves e atos terroristas. A crescente carestia da vida aumentou o mal estar social em geral e pretendendo remediar essa situação veio a ditadura de Primo de Rivera (1933), que restaurou a ordem.

Depois de um período de relativa calma, em que as Cortes aprovaram abundantes leis com o objetivo de dar a Espanha uma nova estrutura social e política, a vida da República começou a agitar-se por movimentos subversivos, conflitos e revoltas e uma verdadeira luta de princípios que chegou a ter características de uma verdadeira guerra civil entre forças da direita e da esquerda. Esta explodiu em 18 de julho de 1936 em forma de alçamento militar, cuja espinha dorsal foi o exercito da zona espanhola de Marrocos e ao que se aliaram a Falange Espanhola, as Juventudes Nacionais Sindicalistas e a Comunión Tradicionalista. A guerra civil terminou em abril de 1939 com o triunfo das forças comandadas pelo general Francisco Franco, que no dia primeiro de outubro de 1936 foi nomeado Chefe de Estado e do Governo, concluindo assim a segunda República Espanhola.

Durante a segunda guerra mundial, a Espanha teve uma postura neutral em relação ao conflito; ao finalizar a guerra, o país foi objeto de isolamento internacional, bloqueio que se prolongou até 1950. Levantado este, ingressou na INU em 1955 e em outros organismos internacionais. Em 1966 as Cortes espanholas aprovaram a Lei Orgânica do Estado, ordem institucional que foi apoiada pelo referendum celebrado em 14 de dezembro. Em 1968 foi concedida a independência da Guinea Espanhola. Em 1969 don Juan Carlos de Borbón foi nomeado sucessor da chefia de Estado a titulo de rei da Espanha.

Em novembro de 1975 morreu Francisco Franco e foi proclamado rei da Espanha Juan Carlos I. Com ele deu-se inicio uma nova política de abertura e democratização, da que foram frutos as legalizações dos partidos políticos e o projeto de lei para a reforma política, que implicava, antes de mais nada, a criação de novas Cortes e um Senado, além da consulta ao povo sobre qualquer reforma constitucional. Em 15 de junho de 1977 foram celebradas eleições gerais, que tiveram como conseqüência a abertura das primeiras Cortes da monarquia. Em 1979 foi reiniciado o processo descentralizador previsto na Constituição, que terminou em 1983 com a nova divisão territorial do país em 17 comunidades autônomas. Em 1985 Espanha e Portugal aderiram à Comunidade Econômica Européia.

Nos últimos vinte anos (1984-2004) dois partidos se sucedem no poder: Partido Socialista, de tendência progressista, e o Partido Popular, de tendência conservadora. No dia 11 de março de 2004 a Espanha viveu o pior acontecimento terrorista de sua história, com o resultado de 192 pessoas mortas em Madrid.

Fonte: www.ciberamerica.org

HISTÓRIA da espanha

DADOS HISTÓRICOS

Espanha há ficado marcada por uma mistura cultural enriquecida, produto indiscutivel de a sua polifacética história. Ao longo do tempo, a península tem sido habitada, culturizada e organizada por diversos grupos que deixaram impressa uma pegada tão profunda como o próprio caráter espanhol.

A Pré-história

Os homems primitivos tiveram um grande apego à esta terra, a sua privilegiada geografia tanto quanto a distancia com o resto da Europa, facilitavam uma vida tranquila no relativo ao sustento cotidiano e a paz necessária para vivir nas atividades de colheita, pesca e apascoamento transumante. Os principais assentamentos distribuiram-se em duas áreas: por uma parte a faixa costeira Mediterrânia e o território posterior e pela outra, a zona cantábrica.

Os habitantes do neolítico, para o ano 12.000 a.C. deixaram a sua pista por diversos lugares através de magníficas pinturas rupestres, obras de artesanato, ferramentas de trabalho e os misteriosos e imponentes Dólmenes que passaram desapercebidos longo tempo. Na atualidade, estas zonas atraem bom número de turistas e cientistas pois trata-se de mostras pré-históricas com um alto grau de conservação e antigüidade.

Os primeiros habitantes

Os conjuntos humanos que habitaram a Espanha primitiva proveníam do Oriente, África e da Europa central. Durante os séculos XI ao IV a.C. três grupos partilharam a península: tartesios e íberos no sul e leste, e os celtas no norte. Os primeiros desenvolveram com maior rapidez a transição para as cidades-estado, enquanto os celtas mantiveram-se por um tempo maior em condições primitivas. Finalmente conseguiram fundir-se num a nova raça: os celtíberos, com eles iniciou-se o povoamento da zona interior da península, até então relativamente deserta.

Os fenicios, turistas e comerciantes, pisaram Hispania desde o século XI a.C., porém, foi até o século IV a.C. que o seu contato e influência cresceu, deixando á o seu passo cultura e obras. Os cartagineses entraram em contato com a península ibérica para conquistar o mercado fenício no século III a.C., originando as chamadas Guerras Púnicas. Roma entra em ação nesta mesma época tentando arrebatar do Cartago o seu domínio no Mediterrânio, conseguindo com sucesso para o século II a.C., porém, o poderoso Império Romano não se conforma com a zona Mediterrânia e chega à cobrir a península toda no ano 19 a.C. Aos romanos debe-se o nome de Hispania, a chegada do cristianismo no século I da nossa era e a consolidação, por primeira vez, da Espanha peninsular íntegra.

O Império Romano é derrotado quando os Visigodos se estabelecem no ano 411, fundando a sua capital em Toledo. O desenvolvimento de a sua monarquia e a força em seus domínios permitem a continuidade cultural da Espanha. Porém, a península vê-se constantemente assediada por uma nova cultura proveniente de oriente, cujas pretensões foram ocupar a Espanha como ponto estratégico de controle mediterrâneo: os árabes.

Os árabes e a Reconquista

A história dos árabes na Espanha vai ligada à da reconquista, essa luta constante, ferrenha, mística que os hispanos libraram durante sete séculos para defender o seu território e atingir uma nação como a que atualmente se conhece, ao menos no sentido geo-político.

No ano 711, durante a Batalha de Guadalete, os árabes entram na península ibérica, extendendo seus domínios rápidamente. A reação espanhola é imediata e no 722 inicia-se a Reconquista com a Batalha de Covadonga, em Oviedo, sob as ordens de Dom Pelayo.

A presença árabe na Espanha é talvez a maior mostra de contradições entre duas raças que lutam por um território. Embora que por um lado travaram-se sangrentos combates e tentou-se desprestigiar à cultura islámica através da literatura e costumes cristãs, por outro desenvolveu-se uma combinação de duas culturas monoteístas, capazes de desfrutar com amplitude da beleza e os prazeres que a vida oferece. A mistura racial e cultural entre árabes e cristãos tem sido o rasgo que dotou Espanha de um caráter mais vivaz, mais atrativo no sentido vivencial, que prolongou-se até suas conquistas no Nuevo Mundo. E talvez porque um inimigo, longo tempo odiado, acaba sendo um amigo segredo, os árabes ficaram para sempre na história com um matiz doloroso para os espanhóis, embora na língua, as costumes e visão da vida tenham-se insertado com um sentido contrariamente alegre, atrativo e, por tanto, bem vindo.

Os séculos IX e X representam o auge desta conquista ao consolidar-se primeiro, o emigrato com Abderramám I e o califato com Abderramám II. O avanço da reconquista oferece um panorama de uma Espanha cristã-muçulmana dividida e ensangrentada, onde a guerra é um fantasma cotidiano que perde a sua essência dramática na força da constancia. No século XI, a fortaleza árabe começa a render-se. A morte de Almanzor, grande guerreiro mouro, deriva na descomposição do califato em Reinos Taifas que, pela a sua estrutura, são mais fracos perante as ataques dos monarcas espanhóis dos territórios reconquistados, entre os que destacam Toledo e Valência.

No século XII os árabes tem um pequeno ressurgimento com uma imediata resposta dos rei cristãos, ciram-se as ordens militares e se consolida a união de Aragón e Catalunha. Porém, no século XII, com a batalha das Navas de Tolosa, os árabes vem reduzido o seu território à zona de Almería, Granada e Málaga, aonde se mantém até 1492. Nesta mesma etapa consolida-se a união de Castela e León com Fernando III.

A Conquista da Espanha

O século XV é um século que faz girar o papel da Espanha conquistada num a Espanha conquistadora que olha além dos espaços conhecidos até então pelos europeus. Com a união dos rei Católicos, Fernando e Isabel, consolida-se a unidade territorial, com a exceção de Navarra. Esta unidade permite que os esforços por impor o cristianismo se cristalizem: instala-se a Inquisição e consegue-se expulsar aos árabes com a toma de Granada em 1492. Se promove então, também com sucesso, a expulsão dos judeus. Enquanto isso, Cristovão Colombo, apoiado economicamente pela rainha Isabel, encontraba uma nova terra: América.

A morte de Isabel a Católica deixa um vazio, no relativo à mão ferrenha, para converter Espanha num a unidade. Sua herdeira, a filha Joana, padecia de uma doença mental que impedia-lhe continuar com a trajetória da mãe. Finalmente é Fernando, esposo de Isabel, quem governa como regente da própria filha. Em 1512 o Duque de Alba conquista Navarra, conseguindo por fim a completa possessão da península à uma casa real só.

Os Áustrias

Carlos I, neto de Fernando o Católico, converte-se em rei da Espanha em 1516. A herança que recebe é um enorme império que extende seus domínios por Nápoles, Sicilia e Cerdenha por um lado, e os territórios de América pelo outro. A morte de Maximiliano de Áustria deixa-lo em possessão da atual Áustria, Alemanha, o Franco-Condado e os Países Baixos, convertendo-se no Imperador Carlos V do Sacro Império Romano-Germánico e no homem mais poderoso da época. Com França vive momentos de luta pela hegemonia europea, ficando o poder sempre em mãos espanholas.

Por outra parte, a nova terra, América, se oferece como uma zona rica e fácil de conquistar que, sob as ordens de aventureiros exploradores, acaba ficando em mãos dos espanhóis. Hernão Cortez conquista o México em 1521, Francisco Pizarro e Diego de Almagro Perú, Hernando de Soto Florida em 1539 e Pedro de Valdivia Chile em 1541. Durante este século, a coroa espanhola acha-se em propriedade da nova terra quase na a sua totalidade. Porém, a situação em Europa não é muito favorável. As guerras religiosas entre protestantes e católicos enfraquecem a força de Carlos V em Alemanha e obrigam-no a ceder esse território aos protestantes mediante a paz de Augsburgo.

Em 1556, Carlos V abdica à favor do filho Felipe II cuja política centra-se no fortalecimento da Espanha e a defesa do catolicismo, enfrentando uma forte crisis económica, produto das longas e custosas guerras religiosas. É Felipe II quem funda em Madrid a capital espanhola em 1561.

Um império poderoso e extenso sempre exige uma inversão muito grande na a sua conservação e é fonte de atração de outras nações. À Felipe II corresponde manter essa grande extensão de domínios, desviando grandes quantidades de recursos, em geral provenientes do novo mundo, para a milícia. Desta forma, o poder economico da Espanha passa às mãos de banqueiros alemães ou genoveses que apoiam à coroa espanhola em a sua luta pela hegemonía.

Os Países Baixos procuram a sua independência, tratando de conservá-los de alguma forma, Felipe II os deixa em 1598 a a sua filha Clara Eugenia que, casada com o Arquiduque Alberto, tenta mantê-los sob o domínio espanhol. Em 1571 os turcos, que tentavam fazer-se com o mercado e movimento no Mediterrânio, são derrotados na Batalha de Lepanto sob as ordens de João de Áustria, irmão do rei. Em 1580, Felipe II converte-se em rei de Portugal e, enquanto o império cresce por um lado, perde a sua força na zona mais delicada: as finanças. O intento de derrotar Inglaterra com a Armada Invencível em 1588 fracassa e marca o início de um período de decadência na Casa dos Áustrias que representa também o declive inicial do Império Espanhol.

Os herdeiros de Felipe II não lograram manter o poder que o seu pai alcançou. Territorialmente a coroa espanhola se mantém como a mais extensa e poderosa do mundo, porém, as dívidas à pagar pelos gastos das guerras incessantes afogam Espanha enquanto as administrações dos monarcas encontravam-se influênciadas por torpes conselheiros que não encontraram solução adecuada para recuperar as finanças do Império.

À partir de 1609, as ações erradas da coroa espanhola beiram a rápida desintegração do império no território europeu. Perdem os Países Baixos em 1609, a expulsão dos mouriscos nesse ano tem grandes repercusões na agricultura espanhola e lhe obriga a endividar-se mais, perde Portugal em 1640 e Holanda em 1648 com a Paz de Westfalia, França recupera seus territórios e apodera-se de Flandes em 1668.

Os Borbões

A casa dos Borbões chega à coroa espanhola em 1700 quando Carlos II, dos Áustrias, morre sem descendência e ocasiona uma guerra interna pela sucessão. Os candidatos são, por um lado Felipe de Anjou, emparentado com França e pelo outro o arquiduque Carlos, apoiado por Inglaterra, Holanda e Dinamarca. Desde 1702 até 1714 esta situação envolve Espanha num a guerra que separa por momentos Catalunha, Valência e Aragón e que leva à nação a perder à mãos dos ingleses Menorca e Gibraltar enquanto que as posesões espanholas em Itália são recuperadas pelos italianos. Finalmente, em 1714 se impoe Felipe V como rei da Espanha, o primeiro rei Borbão.

Carlos III sucede Felipe V e tenta uma modernização do país implantando o despotismo ilustrado, realizando reformas esconômicas que culminam com a expulsão dos jesuitas. Seu sucesor, Carlos IV, não conta com o caráter forte do o seu pãi e deixa o governo quase em mãos da esposa e o seu ministro Godoy, durante esta etapa, Espanha entra num a nova guerra com França com motivo da revolução no país galo. Em 1796, reconciliada com França, se unem para atacar Inglaterra, idéia na que persistem inspirados por Napoleão até que, em 1804, terminam no desastre de Trafalgar.

A relação com Napoleão, oscilante entre a união e o uso da Espanha pela França, levou à permitir os espanhóis o passo das tropas francesas livremente pelo o seu território com o propósito de atacar Portugal, então aliado da Inglaterra. Ao ceder nesse sentido, Espanha achou-se invadida pelo Império Napoleónico que terminou obrigando Carlos IV à abdicar à favor do irmão de Napoleão. Esta ocupação francesa acorda o espirito nacionalista hispano e leva à guerra de independência que procura uma Espanha liberal e basea-se na Constitução elaborada nas Cortes de Cádiz em 1812. Seis anos de guerra constante bastam para expulsar os invasores franceses do território e governo espanhol, aliás, como conseqüência da debilidade momentánea do império hispano, as principais colônias da América aproveitam e declaram a sua independência num processo bélico que irá prolongar-se por dez anos e que custará à coroa muito dinheiro.

Ao termo da guerra da independência, Fernando VII, descendente de Carlos IV, volta a Espanha e declara nula a constitução, imponendo-se como monarca absoluto. Isto produz um período de guerras constantes que irão prolongar-se até 1902 entre os grupos monárquicos e os defensores da República.

As três guerras Carlistas, comprendidas entre 1833 e 1876, representam os intentos dos tradicionais defensores da monarquia absoluta por manter esse regime na Espanha do século XIX, por contrapartida, os liberais apoiam uma república embora prevém a existência de um rei. Em 1876 proclama-se a primeira República com um governo de Alfonso XII. Este período, conhecido como da Restauração, é de paz, mas tarde a morte do monarca e a sucessão de um filho que ainda não nasce, obrigam à regência da rainha Maria Cristina. Durante este período de inestabilidade e aparente vazio de poder, Espanha perde, num a custosa guerra com Estados Unidos, suas últimas possessões na América e Ásia que eram Porto Rico e Filipinas.

O fim da Monarquía

Em 1914 o mundo achava-se estremecido pela Primera Guerra Mundial. Espanha não participa nela porque encontra-se mergulhada num a dura crise de governo, na conformação do o seu esquema socio-político do século XX.

A sublevação de Marrocos em 1921 origina um desvío de recursos ao mantenimento da última colônia espanhola na África. Em 1923, com aprobação do rei Alfonso XIII, Miguel Primo de Rivera decreta a ditadura com o objetivo de reordenar o país. É um período de desenvolvimento e "paz interior" que, aliás, encontra o repúdio popular e internacional. Em 1930 a ditadura fica em mãos de Berenguer e os republicanos acentúam seus avanços triunfando em 1931 em Catalunha, Vizcaya, Huesca e a Rioja, nesse momento a Casa Real abandona o país e na Espanha decreta-se a Segunda República.

As cortes, para a elaboração de uma nova Constitução, deixam ver dois rumos claramente diferençados: por um lado os de corte republicano-socialista e pelo outro os de extrema direita. Em 1933 funda-se a Falange, com uma doutrina de tendência militarizada, direitista e nacionalista. Os intentos de independência autonómica de Astúrias e Catalunha são fortemente reprimidos pela direita, o triunfo do Frente Popular em 1936 origina um caos no que se instaura a anarquia predecessora da Guerra Civil.

A Guerra Civil

Em 1936, intentando deter o avanço das reformas do tipo socialista que destilavam-se entre os republicanos, se inicia um movimento da direita que pretende a unidade nacional espanhola. Os levantamentos iniciam em Melilla e se trasladam rápidamente ao interior da península. As tropas nacionalistas cruzam por Gibraltar à Extremadura e Toledo, posteriormente, em Burgos, Francisco Franco é nomeado Generalíssimo dos exércitos e toma, a partir desse momento as rédeas da guerra primeiro, e do país depois. Ataques em diversas cidades vão minando o território dos republicanos até que os nacionalistas conquistam a capital em março de 1939, pondo fim à uma guerra durante a qual grande quantidade de inteletuais e financeiros sairam da Espanha procurando refúgio principalmente na América.

A época Franquista

Esta etapa, que abarca desde 1939 até 1975 está marcada por um isolamento da Espanha com respeito o resto do mundo. Uma ditadura desta natureza, sem ajudas e apoios do exterior consistiu num período de muito trabalho por parte do povo espanhol. A relativa paz que Franco impussera com leis duras e represões políticas e morais permitiu, por uma parte, o desenvolvimento económico do país sem entrar nos esquemas de modernidade que a nova Europa vivia, ao mesmo tempo, impidiu com seus esquemas morais e de comunicação, a troca da Espanha com as modas e estilos de vida dos anos sessenta.

A época democrática

À morte de Franco teve uma transição aparentemente pacífica para uma democracia longo tempo desejada. As primeiras eleições presidenciais de 1977 dão como ganador Adolfo Suárez e ao tempo da renovação. Se elabora uma nova constitução, se reconhece a autonomia às comunidades e procede-se à modernização do país. Em 1981 um repentino intento de golpe de estado transtorna o sonho espanhol da democracia, esse fato fica registrado como a última rabanada da ditadura para dar passo uma etapa de liberdade e democracia. Em 1982 o Partido Socialista Obreiro Espanhol ganha as eleções e Espanha conta com um dos primeiros presidentes de esquerda escolhidos na plena democracia no mundo, governo que se prolonga até 1996 quando a balança torna a inclinar-se para a direita com José Maria Aznar.

A etapa democrática espanhola colocou de manifesto a reprimida conciência dos cidadães ao absorver de imediato as modas e estilos artísticos, literários, comerciais e políticos que durante a ditadura franquista viam de longe. A vida social no país mudou os antigos esquemas rígidamente moralistas por uma nova visão, mais livre e menos comprometida da vida, menos nacionalista e mais comunitária cujas repercusões de longo alcance ainda desconhecem pelo recente dos fatos.

Fonte: www.rumbo.com.br

História da Espanha

POVOADORES

Não se sabe ao certo quais foram os primitivos habitantes da Espanha, todavia os estudos realizados provam que a península ibérica foi habitada nas idades em que o homem europeu ainda desconhecia o uso dos metais.

Pois numerosos vestígios dessa época tem sido encontrado tais como : objetos de pedra lascadas, figuras de animais, objetos de pedra polida, jóias toscas, tecidos grosseiros, restos de cerâmica e outros, e no tempo de Cristo a península ibérica estava integrada no Império Romano e era dominada pela estrutura política de Roma onde o latim era a língua oficial, e pelos documentos e escritos os romanos nos informa que a península era habitada pelos Iberos (em latim Iber) empregado pelos escritores latinos e gregos para designar os povos não pertencentes aos grupos dos Fenícios que teriam desembarcados na parte meridional da Espanha em tempos anteriores a Homero e se espalhados pelo interior e fundados a cidade de Cádis, com o nome de Gades e, mais tarde vieram os Gregos por volta do século IX antes de Cristo e penetraram pelo interior da península e fundaram as cidades de Rosas, Denia e Sagunto com suas adiantadas civilização helênica.

E no século V antes de Cristo a península foi invadida pelos Celtas provenientes da França e que após sangrentas batalhas acabaram dominando a parte setentrional da Espanha, porém com o decorrer do tempo acabaram fundindo-se com os Iberos e se transformando em pacíficos agricultores.

Com a perda da Sicília para os romanos, os Cartaginenses que mantiam relações comerciais com a Espanha deste antes do início das guerras púnicas, voltaram suas vistas para a península ibérica que era um riquíssimo depósito de trigo, prata, cavalos e guerreiros o que lhes serviam de grande utilidade na luta que mantinham com a república romana e por este motivo os Cartagieneses tentaram conquistar a Espanha e para isto Amílcar Barca investiu ferozmente contra a tenaz resistência de Indortes e Istolácio e a ajuda dos Oretanos que habitavam as nascentes do Guadalquivir e os montes de Toledo sob o comando do chefe Orison durante nove anos até a morte quando se afogou ao atravessar um rio no ano de 229 antes de Cristo, e na direção dos Cartagineses o grande chefe Asdrúbal que procurou atrair os Iberos para as suas forças e fundou a cidade de Cartagena com o nome de Nova Cartago, todavia no ano de 221 antes de Cristo ele encontrou um fim trágico quando apunhalado por um escravo do patriota Tago que Asdrúbal mandara crucificar, por isto o grande guerreiro Aníbal filho de Amílcar Barca assumiu o poder e de imediato cercou e destruiu a colônia grega de Sagunto que se mantivera fiel a Roma, e com a riqueza de que se apoderou Aníbal armou uma poderosa esquadra e reuniu um forte exercito para invadir o norte da Itália, todavia o comandante das legiões romanas Cipião mais tarde chamado de O Africano se colocou em marcha para Espanha e ofereceu tenaz resistência em uma terrível batalha em que obrigou ao exército Cartagineses a fugir da luta sempre perseguido através da África até a cidade de Cartago onde foram derrotados e a cidade completamente destruída.

Depois de expulsar os Cartagineses os Romanos resolveram assenhorear-se de todo o território espanhol, porém a conquista da Espanha não foi uma tarefa fácil, pois os Iberos e os Celtiberos que haviam apoiado os Romanos contra os Cartagineses, não tardaram em voltar as armas contra os aliados da vésperas em virtude da tirania dos cônsules romanos encarregados do governo, daí surgiram os primeiros mártires da luta pela independência espanhola que foram Indíbil e Mandônio.

Então o grande chefe lusitano Viriato empreendeu uma guerra em que venceu os melhores generais romanos e destroçou as melhores tropas, porém no ano de 140 antes de Cristo, Viriato acabou sendo assassinado traiçoeiramente a mando do general romano Cipião. Com o desaparecimento do chefe lusitano e a conseqüente dominação da região pelos romanos, a luta concentrou-se em Numância, pequena cidade do norte da Espanha que defendeu-se heroicamente contra diversos generais romanos até o ano de 133 antes de Cristo quando se viram impossibilitado de continuar na luta, mais tarde ao iniciar-se em Roma a Guerra civil entre Mario e Sila o general Sertório que era partidário de Mario, refugiou-se na África de onde foi chamado pelos lusitanos sublevados para organizar um exército no modelo de Roma, o qual venceu muitos ilustres generais da Legião de Roma, porém ao ser morto traiçoeiramente em um banquete os espanhóis acabaram sendo submetidos aos generais romanos Pompeu e Metelo.

E neste período houve alguns pequenos levantes que foram reprimidos por Julio César. E no reinado de Augusto os Asturianos sublevaram-se; porém foram prontamente subjugados pelas poderosas Legiões de Roma.

Com a constituição da unidade espanhola a península ibérica foi dividida ao criar-se as províncias de Tarragonense, Lusitania e Bélica e mais tarde o Imperador Constantino fez nova divisão territorial quando manteve as três províncias primitivas e criou as da Galacia e a Cartaginense e ao ser instaurada a chamada Paz Otaviana começou para a Espanha um período de grande prosperidade ao ser fundada diversas cidades e que entre elas se destacavam as de Saragoça, Badajoz, Mérida e Leão, o que tornou a Espanha como um grande centro de cultura onde surgiram grandes imperadores tais como Trajano, Adriano, Antonino Pio, Marco Aurélio e Teodósio e entre os ilustres escritores tinham Seneca, Quintiliano, Marcial, Lucano, Sílio, Itálico, Pompônio Mela e outros mais, e o cristianismo que começara a se estender pelo império romano chegou a Espanha por intermédio do Apóstolo Santiago.

No fim do século IV e logo após a morte de Teodorico o grande e vasto império Romano foi dividido em oriental e ocidental, e nesta ocasião se precipitaram contra as fronteiras do império ocidental as terríveis hordas de bárbaros pertencentes aos povos dos Suevos que se estabeleceram na Galacia e na Lusitânia, os Vândalos na Andaluzia e Múrcia, os Alanos nas províncias do centro e sudoeste e os Visigodos que se lançaram contra as províncias Tarragonense e Cartaginenses sob o comando do chefe Ataufo.

Que no ano de 415 da nova era se apoderou da Catalunha e se constituiu no primeiro rei Visigodo da Espanha quando estabeleceu a sua corte em Barcelona com uma monarquia eletiva, e os reis Visigodos que o sucederam viveram em constantes guerras contra os Romanos e com os Servos até que em 476 com a destruição do Império Romano do Ocidente por Odoacro, com isto o rei Visigodo Eurico senhor da Espanha procedeu como um sábio e um excelente legislador, pois promulgou o primeiro código Visigótico no qual introduziu muitos elementos do direito romano, e para reunir sob o seu domínio toda a Espanha, Eurico empreendeu terríveis batalhas contra as cidades que lhe opuseram resistência, como no caso de Tarragona onde não deixou pedra sobre pedra ao arrasa-la completamente. E dentre os reis Visigodos temos a destacar o grande Leovigildo que reinou de 573 a 586 com sua corte estabelecida em Toledo e par expandir os seus domínios ele conquistou a Galicia ao vencer os Cantabros que haviam se sublevado, expulsou os Bizantinos que ocupavam alguns pontos do sul da península e como rei católico ele procurou realizar a unidade territorial da península à base d unidade religiosa, no entanto apesar de não ter conseguido o seu objetivo, ele contribuiu poderosamente para a fusão dos Visigodos com os Ibero-Romanos.

E a grande transcendência histórica foi o reinado de seu filho e sucessor que ao abraçar o catolicismo deu início aos famosos concílios de Toledo cujas reuniões eram tratado os assuntos políticos e religiosos e, desta maneira foram sucedendo outros reis católicos até chegar a época de Dom Rodrigo.

Quando no ano de 711 se deu a invasão árabe através de um exército de berberes e negros que cruzaram o norte da África e penetraram na Espanha sob o comando de Tarik e, depois por Musa para derrotar as forças cristãs dos Visigodos e conquistar a Espanha que se encontrava dividida pela política interna, deste modo todo o território espanhol de monarquia visigótica passou a ser um emirado dependente do califado de Damasco até o ano de 756 quando se deu a guerra civil que aniquilou a dinastia dos Omniadas através da dinastia dos Abássidas e na oportunidade o príncipe Adderrhamem que sobreviveu ao morticínio, ao fugir pelo norte da África até atingir a Espanha assumiu o título de chefe dos crentes ao fundar o califado de Cordova que foi o primeiro desmembramento do império árabe que durou até o ano de 1031 com continuas lutas dos emires e califas com os muçulmanos insurretos e com os reis e príncipes cristãos que lutavam em terríveis batalhas para reconquistarem o território pátrio, e com estas batalhas culminaram com o termino do império árabe que deixou na Espanha valiosíssimos vestígios de sua civilização e a formação de numerosos reinos que tornaram a Espanha num brilhante centro das ciências e das letras.

Após sete anos da derrota dos Visigodos nas margens do Barbate, o príncipe Pelacio, de estirpe hispanoromana levantou o estandarte da independência espanhola ao agrupar os Visigodos refugiados nas matas da cordilheira Cantabro-Asturiana para fundar o reino de Oviedo que mais tarde dilatou-se pelas Astúrias sob o governo de Ramiro I em 850 e se estendeu até Leão no ano de 924 no tempo de Ordonho II, e seguindo o exemplo de Palario, ouros chefes também levantaram o pendão da independência e se lançaram contra os invasores de Castela, Aragão e Navarra. E com a morte do rei de Navarra Dom Sancho O Grande em 1035, ele deixou como herdeiro do condado de Castela a sua mulher que dividiu entre os seus filhos Ramiro o condado de Aragão que se manteve independente e ao outro filho Fernando I o condado de Castela a que se agregou ao de Leão após a morte de Bermudo III, e reuniu sob a sua autoridade os reinos de Castela, Leão, Galiza e Astúrias que entretanto voltaram a ficar separados após a sua morte.

E alguns anos mais tarde Dom Sancho II conseguiu reuni-los sob a sua influencia após as guerras que manteve com os irmãos de Dom Fernando I que havia repartido os seus domínios entre eles.

Com a morte de Dom Sancho II no cerco de Zamora ele foi sucedido pelo seu irmão Dom Afonso VI que se encontrava refugiado na corte do rei de Toledo e que de imediato reuniu as coroas de Castela e Leão após ter sido forçado pelo caudilho Rodrigo Divar de Bivar a quem os Mouros chamavam de Cid O Campeador a jurar que não interferiria na morte de seu irmão dom Sancho II, e em virtude das humilhações sofridas o novo rei imediatamente após ter subido ao trono, mandou desterrar de seus domínios o ousado castelhano e partiu para conquistar a cidade muçulmana de Toledo com o auxilio de numerosos cavaleiros franceses, e logo após despojar o seu irmão Dom Garcia ele reuniu aos seus domínios o reino da Galiza, e com isto o governante muçulmano de Sevilha Ibn Tashfin ao se sentir ameaçado pediu auxilio aos Almorávidas e cruzou o estreito e derrotou Dom Afonso VI em Zalaca.

Dom Afonso VI foi sucedido no trono por sua filha Dona Urraca que após um reinado totalmente desastroso sob todos os aspectos, acabou sendo substituída pelo seu filho Dom Afonso VIII que deu início a dinastia francesa numa época em que a Espanha era um teatro de continuas lutas internas, e com auxilio dos guerreiros de Castela, Aragão, Catalunha e Portugal ele alcançou uma brilhante vitória na batalha de Navas de Tolosa, e mais tarde os Mouros que haviam conquistado a cidade de Silves e outras terras ao sul atacaram e venceram na famosa batalha de Alarcos o bravo Dom Afonso VIII que ao ser gravemente ferido acabou vindo a falecer e sendo substituído pelo grande rei Dom Fernando III O Santo que fez um governo excepcional e que ao subir ao trono de imediato castigou exemplarmente os fidalgos que haviam procurado lançar o reino numa guerra civil, e no reinado de Dom Jaime I foram conquistada as ilhas Baleares e a cidade de Valência e ao reconquistar as cidades de Cordova e Sevilha que estavam sob o poder dos muçulmanos, com isto as suas fronteiras ficaram com grandes extensão de costa.

E por ser um ótimo legislador, bom político, organizador consciencioso, protetor da cultura e da arte e promotor do fomento nacional ele fundou as Catedrais de Burgos e Toledo, erigiu a Universidade de Salamanca, transferiu a Universidade de Palência para Valhadolid por influência do Arcebispo de Toledo Dom Rodrigo Ximenez de Rada.

E como seu sucessor teve o seu filho Dom Afonso O Sábio que se tornou um dos maiores escritores clássico em língua espanhola. E com o correr do tempo, a guerra com os Mouros prosseguiram e nela se distinguiram brilhantemente as ordens militares e no ano de 1350 subia ao trono Dom Pedro I chamado por uns de O Cruel e por outros de O Justiceiro que sustentou um tenaz luta com alguns fidalgos castelhanos que haviam se refugiado em Portugal para se vingar da morte de Dona Inês de Castro, e devido as desavenças acabou sendo assassinado em Montiel pelo seu irmão bastardo e seu sucessor Dom Henrique de Transtâmara que desta maneira vingou a morte de sua mãe, e para atrair à sua causa ele concedeu muitos privilégios aos nobres que o apoiavam e com Dom Henrique II termina a dinastia de Borgonha e tem início a de Transtamara, com o correr do tempo a nobreza que apoiara as pretensões de Dom Henrique ao trono, adquiriu grande poder durante o seu reinado e assim como nos dos reis que se seguiram.

Fonte: www.geocities.com

História da Espanha

Durante 36 anos do século XX, os espanhóis, viveram sob um regime conservador, que só terminou com a morte de Francisco franco em 1975. A partir de então todo o país se renovou não só politicamente, mas também sob o aspecto criativo e econômico.

É sem dúvida um novo país; seu entusiasmo contagiante e sua alegria palpável leva o visitante a conviver de um forma eletrizante com o dia-a-dia seja lá qual a região que escolher para ficar. “Aqui se ama e celebra a vida todos os dias”.

Depois da Suíça a Espanha é o país mais montanhoso da Europa e o segundo em extensão também, só perdendo para a França, dessa forma compreensível ao se verificar a diversidade geográfica do país. Desde áridos planaltos até pântanos e dunas como os do Parque Nacional Coto Doñana, na costa sudeste do Atlântico. De profundas cavernas à Campinas rochosas; de picos nevados a ilhas vulcânicas. Da mesma forma que sua área geográfica se diversifica por sua extensão, seu povo segue a mesmas trilhas provindas de povos diferentes. Os primeiros povos da península incluíram os Bascos, Celtas, Ibéricos, Gregos, Romanos e Visigodos, e o mais importante que isto, foi o fato de que os cristãos, só século posteriores a Cristo, se misturam muito através do casamento, com as minorias judias e árabes. Hoje a maioria dos espanhóis se diz católicos genuínos, mas na verdade, quase todos têm ancestrais judeus ou muçulmanos.

A Espanha tem uma herança extraordinária de história, arte e arquitetura.

A história da Espanha, mais parece um conto mesclado de romance de condes, califas, cruzadas e reis, começa bem antes da história escrita. Às vezes se confundem com histórias fictícias, como quando se adentra na região de Toledo e se parecem vivenciar contos como o de D.Quixote de la Mancha, mas nem tudo é folclore ou romance essa terra tem muita história e todas bem verdadeiras.

Os bascos estão entre os primeiros habitantes, amontoados nos vales frios e montanhosos do Norte.

Depois vieram os ibéricos, aparentemente cruzando o Mediterrâneo da África do Norte, por volta de 3.000 ac. Aproximadamente mil anos mais tarde chegaram os celtas. Os fenícios, vindos do mar, fundaram Gadir (hoje Cádis) e muitas outras cidades do litoral. O desfile continua com os gregos, que colonizaram partes do litoral leste, e depois os cartigeneses, que fundaram Cartagena por volta de 225 ac.e chamaram o país que encontraram de Spania (era um lugar agreste e cheio de árvores, bem diferente da Espanha atual).

A civilização moderna começou com os romanos, que expulsaram os cartigeneses e transformaram a península em três províncias importantes. Os romanos não conseguiram controlar os nativos que resistiram bravamente por dois séculos, terminando um antes do nascimento de Cristo, mas sua influência perdurou.

No início do século V, os bárbaros invasores atravessaram os Pirineus, para atacar o enfraquecido império romano. Os visigodos, que mais tarde adotaram o Cristianismo, tornou-se uma força dominante na Espanha do norte por volta de 419, estabelecendo o reinado de Toledo. Mas eles também caíram diante dos poderosos invasores, desta vez os mouros, a força árabe liderada pelos beberes que atravessou o estreito de Gibraltar da África do Norte. Os mouros iniciaram um domínio muçulmano de quase oito séculos. Período que sob muitos aspectos foi o pináculo da civilização espanhola. Diferentemente dos outros invasores eles eram extremamente cultos. Durante seu domínio, judeus, árabes e cristãos viveram juntos, em paz, embora muitos cristãos tenham se convertido ao islamismo.

Os mouros trouxeram consigo um complexo sistema de irrigação, frutas cítricas, arroz, algodão, açúcar, palmeiras e vidro. Sua influência é evidente na Espanha moderna: muitas palavras começadas com “al”. Para o visitante, a evidência mais espetacular da cultura moura é encontrada em Andalucía. O Alhambra, um palácio de cor ocre que coroa o sul da cidade de Granada, é testemunho da delicadeza estética moura.
Os mouros nunca conseguiram dominar o noroeste de Galícia e Astúrias e foi nesta última que Palayo, um rei cristão de menor importância, começou sua longa cruzada conhecida como “Reconquista”. Por volta de 1085, Alfonso VI de Castela tinha capturado Toledo, dando aos cristãos um forte controle do Norte. Durante o século XIII, Valência, Sevilha e, finalmente Córdoba, a antiga capital do califa do muçulmano na Espanha, caíram sob o domínio das forças cristãs, deixando Granada em mãos mouras. Ainda levaria dois séculos para que os dois monarcas católicos, Ferdinand de Aragon e Isabella de Castela, se unissem em matrimônio para transformar esse mundo.

O ano de 1492 é uma linha divisória na história da Espanha: início da época aura da política da Nação e também o momento de um dos piores excessos de intolerância. Naquele ano, o 23o. do casamento de Ferdinand e Isabella, as forças cristãs conquistaram Granada para unificar toda a Espanha como um único reinado, embora as custas dos judeus e muçulmanos, que não abraçaram o cristianismo e foram expulsos do país. Cristóvão Colombo, sob o patrocínio de Isabella, ancorou nas Américas naquele mesmo ano, iniciando assim a era das descobertas. Mas a partida dos cultos muçulmanos e judeus foi um impacto para a economia da nação, do qual nunca se recuperou; a Inquisição estabelecida em 1478 feriu ainda mais aqueles que escolheram ficar. As terras do Novo Mundo enriqueceram bastante a Espanha, mas os grandes embarques de ouro mexicano e peruano produziram, mais tarde, uma terrível inflação. Os chamados monarcas católicos e seus sucessores mantiveram a união da Espanha, mas sacrificaram o espírito do comércio livre entre as nações, que começava a trazer prosperidade capitalista aos países europeus.

Ferdinand e Isabella foram sucedidos pelo neto Carlos, que se tornou o primeiro Habsburg espanhol e um dos governantes mais poderosos da história. Sob seu controle, Córtes chegou ao México e Pizzaro, conquistou o Peru. Também herdou a Áustria e os Países Baixos; em 1519, com três anos de reinado, foi eleito Imperador Espiritual Romano (Carlos V), e em pouco tempo anexou Nápoles e Milão.

Conquistou a Contra-Reforma e a Ordem Jesuíta foi criada para ajudar a defender o Catolicismo do Protecionismo Europeu. Mas Carlos custou muito à nação em função de sua propensão à guerra, principalmente contra os luteranos alemães e turcos. Seu filho Felipe II seguiu o mesmo e caro caminho. Derrotou os turcos e ordenou a construção do escorial, um sombrio mosteiro fora de Madri. Foi lá que morreu, 10 anos mais tarde, depois de ter perdido sua Armada num ataque à Inglaterra Protestante.

A Guerra da sucessão espanhola foi inflamada pela morte sem razão de Carlos II, o último Habsburg espanhol em 1700. Felipe de Anjou foi coroado Felipe V e iniciou a linha de Bourbon (que segue até hoje).

Os Bourbons daquela época eram afrancesados, copiaram muitas das atitudes e modelos dos vizinhos do norte. Mas a paixão terminou em 1808, com a colocação de Napoleão no lugar de seu irmão Jose Bonaparte, jocosamente chamado “Pepe Botella”, devido ao seu gosto pela bebida. Bonaparte foi bastante desprezado e em 1808 uma revolta em Madri, registrada de maneira angustiante por Francisco Goya y Lucientes (1746 – 1828) começou a Guerra da Independência, conhecida pelos estrangeiros como Guerra peninsular. A Grã-Bretanha, do lado da Espanha, enviou o duque de Welligton para o resgate. Com a ajuda de guerrilhas espanholas, os franceses foram finalmente expulsos, mas antes disso atacaram as principais igrejas e catedrais da Espanha. A maioria das colônias americanas da Espanha aproveitaram a oportunidade para proclamar sua independência.

O restante do século não foi feliz, os regimes conservadores atacaram com guerras civis e revoltas inspiradas por correntes republicanas da Europa. A surpresa final veio com a perda de Cuba, Porto Rico e Filipinas em 1898, num desastre militar que, ironicamente, inspirou uma impressionante literatura renascentista, a então chamada geração 98, cujos membros incluíram escritores como Miguel de Unamuro e Pío Baroja e o poeta Antonio Machado. Alfonso XIII veio ao trono em 1902, mas o surgimento do problema civil trouxe o melhor dele e terminou em auto-exílio em 1931. Uma inexperiente república seguiu, para a alegria de muitos espanhóis, mas a eleição do governo da frente popular de esquerda em 1936 provocou a oposição cerrada da direita. No final, um jovem general chamado Francisco franco usou o assassinato de um líder monarquista como desculpa para uma revolta militar.

A Guerra civil (1936 – 1939), foi um dos episódios mais caros e trágicos na história da Espanha. Mais de meio milhão de pessoas morreram no conflito. Intelectuais e esquerdistas do mundo todo simpatizaram com o governo eleito. A brigada Internacional, que incluía voluntários americanos, britânicos e canadenses, tomou parte em algumas das piores lutas, incluindo a defesa de Madri. Mas Franco apoiado pela Igreja católica, obteve mais ajuda da Alemanha nazista que, com sua legião Condor, acabou destruindo a cidade basca de Guerníca e da Itália fascista.

Por três anos os governos europeus permaneceram calados, enquanto os exércitos de franco dominaram Barcelona, Madri e finalmente a última capital da república, Valência.

A Espanha oficialmente neutra durante a Segunda Guerra Mundial, mas simpatizante com os poderes do Eixo, foi evitada pelo mundo até um acordo em 1953, no qual os estados Unidos forneceram ajuda em troca da construção de bases da OTAN. Gradativamente, no final dos anos 60, a estraçalhada economia começou a ganhar vapor. Mas quando Franco anunciou, em 1969, que seu sucessor seria Juan Carlos, o neto de Alfonso XIII, um príncipe cuja educação militar fora rigidamente supervisionada pelo general já idoso, as esperanças de liberdade da nação murcharam. Imaginem a surpresa dos espanhóis quando, seis anos mais tarde, Franco morreu e o jovem monarca revelou-se um fechado democrata. Sob seu estímulo foi adotada uma nova constituição, que restaurava as liberdades civis e a liberdade de expressão. Em 23 de fevereiro de 1981, o rei provou novamente vigor quando um coronel da Guardiã Civil tomou o parlamento e seus membros durante 24 horas. A tentativa de golpe com o objetivo de trazer de volta um governo de direita foi de todo contornada pelo heroísmo do rei que chamou pessoalmente os comandantes militares de todo o país para assegurar sua lealdade ao governo eleito.

Desde 1982 os socialistas tem governado a Espanha, embora uma série de escândalos envolvendo corrupção em 1994 e 1995 tenham ameaçado o poder.

Nas artes há um florescimento notável no primeiro terço do século XX, surgindo Frederico García Lorca, o cineasta Luis Buñnel, os pintores Pablo Picasso, Joan Miro e Salvador Dali. O século terminou com êxito destes artistas, resultando em uma esterilidade nos anos de Franco. Atualmente as artes estão florescendo novamente. O mundo já conhece os artistas espanhóis como o cineasta Pedro Almodóvar, o ator Antonio Banderas e o escritor Camilo José Cela que descreve com sutileza a vida nos anos de Franco, ganhando o Prêmio Nobel em 1989.

A PRATA DA CASA

AS TOURADAS

A tourada é uma paixão nacional e para os espanhóis uma forma de arte. As touradas começam com uma procissão de bandarilheiros, picadores a cavalo e matadores. Primeiro o matador movimenta sua capa para incentivar o touro a atacar, o picador a cavalo ataca o pescoço e a área dos ombros do touro; então os banderilheiros atiram dardos nas costas do touro. Depois de muito movimento com a capa o matador mata o touro com uma espada: e recebe as orelhas ou o rabo, como prêmio.

As lutas são geralmente as cinco da tarde nos domingos, de abril ao início de novembro.

Mas durante as festas populares em algumas cidades como Madri, Pamplona, Sevilha e Valência podem acontecer todos os dias.

FLAMENCO

O flamenco é uma das maiores expressões da cultura espanhola, a música chorosa, envolvente pede componentes essenciais para sua formação, roupas com cores muito vivas, guitarras e ritmo na ponta dos pés e da mão e corpos bailando num teatro musical.

O poeta Federico García Lorca descreveu a dança e a forma musical como a “mais gigantesca criação do povo espanhol”.

Geralmente as discussões sobre as origens do flamenco não chegam a lugar algum, como aconteceu com o mesmo Garcia Lorca, que descreveu o flamenco como uma mistura de muitas influências nas quais “a emoção da história e sua beleza, sem datas ou fatos, se escondem. Porém todos concordam que o flamenco é uma criação dos ciganos de Andalucia.

Muita da aura que cerca a música flamenca pode ser atribuída às atitudes românticas dos ciganos, um povo de origem misteriosa.

Os ciganos chegaram a Espanha em 1435, e são motivos de longas discussões sobre suas origem (Arábia, Egito, Índia, ou hindus?).

P.S.: Em 1499, Isabella e Ferdinand, assinaram o decreto ordenando aos ciganos que parassem com a vida nômade, e encontrasse um emprego estável ou, do contrário, teriam que sair do país. Finalmente em 1783, Carlos III fez uma séria tentativa de integrá-los à sociedade espanhola e quis inspirar mais tolerância entre eles. Além de também tê-los proibido de perambular, acusou os espanhóis de se recusarem a emprega-los e de proibi-los de terem acesso aos lugares públicos.

Posteriormente, os ciganos, adotaram o idioma espanhol, ao invés do romano, e estabeleceram colônias permanentes no subúrbio de Sevilha e Sacromonte, em Granada.

Fonte: www.passeio.com.br
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