A Real Biblioteca é a que, com os nomes de Real Particular ou de Câmara, serviu como biblioteca privada aos Reis da Casa de Bourbon desde a chegada de Filipe V. A esta instituição deve opor-se o termo de Real Pública, com o qual se destinguiu da Privada, e que atualmente é a Biblioteca Nacional. Ambas as instituições tiveram uma origem comum.
A sua separação definitiva produziu-se em 1836, ano no qual a Real Pública passou para as mãos do Estado e a ser gerida pelo Ministério do Interior da Espanha.
Na constituição do fundo original da Real Biblioteca é perceptível o afã por reproduzir um Gabinete de Belas Artes, no qual as diferentes colecções, não somente bibliográficas, compartilhassem o mesmo espaço. Assim, instrumentos musicais, medalhas e moedas, utensílios de desenho e aparelhos utilizados para a investigação científica e matemática, convivem com manuscritos, impressos, mapas e partituras musicais.
A Biblioteca Particular dos Reis continuou a crescer, deslocando-se com os seus proprietários durante os anos que durou a construção do novo palácio depois do incêndio do Real Alcázar em 1734.
Os inventários conservados da época de Carlos III revelam o predomínio do livro impresso na biblioteca, embora se deva à iniciativa deste monarca a incorporação na Real Biblioteca da colecção de manuscritos de idiomas da América, reunidos por Celestino Mutis em 1787.

Monumento a Filipe IV na Plaza de Oriente, com o Palácio Real de Madrid
ao fundo
As aquisições de livros mais notáveis correspondem ao reinado de Carlos IV. Entre as colecções que ingressaram então, cabe destacar as bibliotecas particulares de ilustrados como Mayans y Siscar e Francisco de Bruna, Ouvidor da Audiência de Sevilha e amigo pessoal de Gaspar Melchor de Jovellanos.
A estes fundos somaram-se os numerosos livros procedentes das bibliotecas particulares do Conde de Mansilla e do Conde de Gondomar. Deste último conserva a Real Biblioteca não só a sua magnífica colecção de livros impressos e manuscritos, mas também uma copiosa correspondência que ascende a mais de 20.000 cartas.
Pela sua especial condição de Livraria da Coroa, ingressaram também na Real Biblioteca fundos de carácter arquivístico do Arquivo Geral de Simancas e da Secretaria de Graça e Justiça. De tal ministério foram trazidos, em virtude da Ordem Real de 1807, os manuscritos de Francisco de Zamora, Manuel José de Ayala, Areche e a colecção Muñoz.
O incremento de livros na colecção Real foi constante desde o nacimiento da Biblioteca. Herança do seu fundador, Filipe V de Espanha, foi também propósito renovado pelos seus sucessores de enriquecer a livraria com coisas «singulares, raras e extraordinarias».
Consequência dessa secular tradição, que tende a reunir a biblioteca e o museu, é o ingresso na Real Biblioteca dos magníficos álbuns de História Natural e de Antropología de Vilella, na época de Carlos IV; ou o aumento, secundado por todos os monarcas, da colección de partituras musicais manuscritas e impressas, tão vinculada à Rainha Bárbara de Bragança, ou a incorporação do Monetário de Baldiri na época de Fernando VII.
Aquando da morte deste Rei, a biblioteca havia sido enriquecida com uma refinada série de encuadernações e os livros, cada vez mais numerosos, mudaram para o lugar que ocupa atualmente a Real Biblioteca.
Os vaivéns políticos do século XIX produziram um abandono dos projetos culturais de âmbito nacional promovidos pela coroa e não poucas vezes planificados pelos bibliotecários mais salientes, o que derivou no favor particular de escritores, artistas e editores que corresponderam à protecção Real com o envio dos seus livros.
A organização material da Biblioteca e a catalogação científica dos seus fundos iniciou-se com o reinado de Afonso XII. Desde então, a principal preocupação da Real Biblioteca tem sido conservar adequadamente o seu património, aumentá-lo seletivamente e difundi-lo mediante catálogos gerais e específicos, alguns, como o de Crónicas gerais de Espanha ou o de Manuscritos de América, de referência obrigatória entre os especialistas. A automatização do fundo bibliográfico e a edição de um novo catálogo geral de manuscritos e impressos foi a última grande tarefa emprendida pela Real Biblioteca, em 1992.
A Real Biblioteca alberga uma das melhores mostras de encadernação histórica que pode ver-se , atualmente, na Europa. Desde o classicismo oitocentista até às propostas de art decó, as representações são numerosas e eminentes.
Quanto à selecção, o ponto de partida tem sido a listagem das encadernações com autoria registada no campo correspondente à Base de Dados do "Património Bibliográfico do Património Nacional" (IBIS). Por questões práticas e de coerência da colecção, restringiu-se a selecção aos volumes localizados na Real Biblioteca.
O acesso aos volumes seleccionados para serem conduzidos ao local de trabalho do fotógrafo permitiu uma rigorosa inspecção ocular das salas e depósitos da biblioteca, o que aconselhou incluir zelosamente, seguindo critérios artísticos, históricos ou de representatividade da colecção, outras encadernações alheias listagem inicial. Muitas das encadernações seleccionadas estavam descritas nas "Encadernações" de M. López Serrano, outras na "Encadernação e Identificação", pelo que, finalmente, foi decidido esvaziar ambos os catálogos.
Predomina a encadernação dos séculos XVIII e século XIX, embora também estejam representados os séculos anteriores a partir do XVI.
A partir de 1993 renovou-se uma prática muito característica do fundo da Real Biblioteca: as encadernações de arte com a cifra Real. Os livros eleitos para serem revestidos com estas galas são os procedentes do certame anual do prémio "Rainha Sofia de Poesia Iberoamericana".
Os encadernadores são artistas cujo nome já faz parte da história da encadernação contemporânea: os irmãos Galván, Manuel Bueno, José Luis García, Ramón Gómez Herrera, Antolín Palomino, Andrés Pérez Sierra ou Ana Ruiz Larrea. Este hábito, além de dar continuidade à tradição de encadernações valiosas conservadas na Biblioteca, recupera o sentido de cópia de apresentação que tradicionalmente se tem dado nas bibliotecas Reais aos livros realizados sob o patrocínio intelectual ou económico da coroa.
Os aposentos privados foram utilizados como residência, propriamente dita, dos soberanos Isabel II, Afonso XII e Afonso XIII. Ocupando o prolongamento (ala de San Gil) feito por Sabatini, em volta da Plaza de la Armería e da Calle de Bailén, são de menor tamanho que o resto das habitações do palácio e possuem uma decoração mais "burguesa".

A Armaria Real
O Palácio Real de Madrid tem uma grande e variada quantidade de colecções artísticas da mais diversa índole, que vai desde a pintura à Real Farmácia com os seus potes:
As colecções mais significativas são as seguintes:
O que conserva o palácio são os restos da grande colecção Real, uma vez que a maior parte passou a formar parte do Museu do Prado no século XIX. Conta-se que Fernando VII decretou a fundação do Prado para desfazer-se de tantos quadros, pois preferia decorar o palácio com papéis pintados e candeeiros, à moda francesa.
Além dos valiosos afrescos de Tiepolo e outros, destacam-se no palácio vários quadros de Francisco de Goya, como dois pares de retratos, com diferentes trajos, de Carlos IV e sua esposa, Maria Luisa de Parma. O Prado possui exemplares de dois deles, mas são cópias pintadas por Agustín Esteve, sendo os do palácio os autênticos. De Diego Velázquez existem alguns exemplos de menor interesse.
Outros autores mencionados nos inventários são Peter Paul Rubens, Giovanni Battista Tiepolo, Anton Raphael Mengs, Caravaggio, com um famoso quadro de Salomé, assim como Luca Giordano, pintor napolitano que trabalhou ao serviço de Carlos II.
Retratistas da Corte bourbónica, como Louis-Michel van Loo, Winterhalter e Laszlo, contam também com uma presença lógica. Watteau, figura chave do Rococó francês, conta com duas pinturas, das poucas obras suas existentes em Espanha. As obras estão distribuidas pelos salões e por uma zona habilitada como museu de pintura, embora seja previsível que pelo menos uma parte seja levada para o futuro Museu de Colecções Reais.
No Palácio Real as séries de escultura são de importância menor em relação colecção de pintura, mas a série do século XVII, procedente do anterior Alcázar, é de um carácter excepcional. Os principais escultores representados são Mariano Benlliure, Gian Lorenzo Bernini, Antoine Coysevox e Agustín Querol. Sobressai a série de "Os Planetas" do Salão do Trono.
O grande valor do mobiliário do palácio reside na sua autenticidade, pois são muito poucos os móveis de estilo moderno presentes nos seus salões (situados principalmente nos aposentos privados).
A maior parte dos móveis correspondem à época de construção do palácio e reinados sucessivos, mostrando uma série ininterrupta de estilos rococó, neoclássico, império e isabelino. Algumas das séries de móveis mais importantes encontram-se nos salões de Gasparini, Trono e Espelhos. Cabe destacar "A Mesa das Esfinges", de estilo império, situada no Salão de Colunas, sobra a qual se assinou a entrada da Espanha na União Europeia.
Considerada a maior e melhor colecção de relógios da Espanha, também é uma das principais no mundo. O relógio denominado de "El Calvário", do século XVII e construído em Nuremberga, é o mais antigo, enquanto que a existência de um grande número de relógios da época império se deve à aficção pelos relógios do Carlos IV. Há a destacar um relógio oferecido pelo presidente do Peru ao Rei Afonso XIII em 1906, e construído em 1878, pela riqueza de materiais usados para a sua elaboração, como o ouro, prata marfim, etc. A importância da colecção de relógios radica sobretudo nos relógios de época em estilo rococó, construídos para o Rei Fernando VI pelo relojoeiro suiço Jacquet Droz.
No palácio existem porcelanas de todas as épocas, estilos e procedências, sendo as mais valiosas as pertencentes aos serviço das bodas dos Reis Carlos III e Maria Amália de Sajonia.
Considerada a principal colecção de tapetes no mundo, a colecção do Palácio Real de Madrid compõe-se fundamentalmente por tapetes fabricados em Bruxelas e pelos realizados pela Real Fábrica de Santa Bárbara sobre cartões de Francisco de Goya. Há a destacar os tapetes que cobrem as paredes da Sala de Refeições de Gala.
Durante o reinado de Filipe II, quando a Real Farmácia se converteu num apêndice da Casa Real com ordem para abastecê-la de medicamentos, função que ainda mantém. A Real Farmacia que existe na atualidade foi fundada como Museu de Farmacia em 1964. As salas de destilação e as duas salas adjacentes à farmácia foram reconstruídas tal como eram durante os reinados de Afonso XII e Afonso XIII. Os frascos são anteriores e são formados por frescos realizados nas fábricas da Granja de San Ildefonso e de Porcelana do Buen Retiro, mas também existem utensílios fabricados em louça de Talavera no século XVII.
Considerada, juntamente com a Armaria Imperial de Viena como uma das dos melhores do mundo, a Armaria Real é formada por peças que vão do século XV em diante. São de destacar as peças de torneio realizadas para Carlos V e Filipe II pelos principais mestres armeiros de Milão e Augsburgo. Entre as peças mais apelativas sobressaem a armadura e instrumentos completos que o Imperador Carlso V empregou na Batalha de Mühlberg, e com os quais foi retratado por Tiziano no famoso retrato equestre do Museu do Prado. Infelizmente, partes da armaria perderam-se durante a Guerra Peninsular e a Guerra Civil Espanhola.

Jardins do Campo do Mouro

Fonte das Conchas nos Jardins do Campo do Mouro
Estes Jardins devem o seu nome ao fato de este lugar ter sido usado pelos muçulmanos para acampar as tropas que sitiavam a cidade na Idade Média. As primeiras obras para acondicionar os jardins devem-se a Filipe IV, o qual transformou o lugar construindo fontes e plantando diferentes tipos de vegetação, mas ainda assim estava bastante descuidado.
Durante a reconstrução do Palácio Real, no século XVIII, realizaram-se diversos projetos de ajardinamento baseados nos jardins do Palacio Real de La Granja de San Ildefonso, os quais não se chegaram a realizar por falta de fundos. Só no reinado de Isabel II se começou o ajardinamento a sério do Campo do Mouro. Nesta época desenhou-se um grande parque e instalaram-se fontes trazidas do Palácio de Aranjuez. Infelizmente, com a queda de Isabel II houve um periodo de abandono e descuido, durante o qual se perdeu uma parte do desenho do jardim, o quel era de tipo romântico.
Durante a regência de Maria Cristina iniciaram-se uma série de obras de recuperação, ortogando-lhe um desenho atual, de acordo com o traçado dos parques ingleses do século XIX.
Os Jardins de Sabatini ficam situados na parte Norte, entre o Palácio Real, a Calle de Bailén e a Cuesta de San Vicente. De desenho francês, são uns jardins de carácter monumental, criados na década de 1930. São chamados de Jardins de Sabatini porque estão no lugar destinado às cavalariças construídas por Sabatini para o Palácio Real. Estes jardins estão adornados com um lago e, em seu redor, algumas das estátuas dos Reis espanhóis que no inicio estavam destinadas a coroar o Palácio Real, mas que não se colocaram na sua posição original porque o peso resultava excessivo para a estrutura do palácio. No seu interior, combinando com os jardins, também existem fontes, situadas geometricamente entre os seus passeios.
Os jardins estão rodeados por uma cerca, a qual abre as suas portas às nove horas da manhã e as encerra às oito ou às nove da tarde, de acordo com o horário de Inverno ou de Verão, respectivamente.

Um violino Stradivarius da colecção do Palácio Real de Madrid
O Palácio Real de Madrid é o maior de toda a Europa Ocidental, ocupando uma extensão de 135.000 m².
Tem três andares e quatro entrepisos, abaixo e acima de cada um dos andares principais. As fachadas do palácio medem 130 metros de lado por 33 de altura.
Tem 870 janelas e 240 balcões que se abrem às fachadas e pátio.
No total, o palácio possui cerca de 2800 divisões. Em algumas delas não se entra desde há anos.
A mesa da Sala de Refeições de Gala tem capacidade para 145 comensais.
As estátuas de Reis que ornamentam a Plaza de Oriente estavam pensadas para decorar a cornija superior do palácio, mas revelaram-se demasiado pesadas para a estrutura ameaçando a sua derrocada, pelo que foram levadas para a praça e colocadas nos pedestais que ocupam atualmente.
O palácio alberga a colecção de instrumentos Stradivarius mais importante do mundo, com o quinteto dos "Stradivarius Palatinos".
Fonte: pt.wikipedia.org