
É um espetáculo sangrento em que um toureiro enfrenta, quase sempre
até a morte, um touro selvagem dentro de uma arena. A fiesta nacional da Espanha
tem origem em caçadas a touros que rolavam já no século 3 a.C. No fim do século
18 quando assumiu seu formato atual , a distração já havia caído
definitivamente no gosto popular. Hoje, as mais de 550 arenas espanholas empregam
cerca de 200 mil pessoas, movimentando mais de 4,4 bilhões de reais por ano.
Além da Espanha, as touradas são disputadas em países como México, Peru e
Colômbia. Na maioria das nações, contudo, elas são proibidas por causa da
crueldade a que os animais são submetidos. No Brasil, festas como a Vaquejada
e a Farra do Boi hoje proibida também judiam dos bichos. Para
entidades protetoras dos animais, o espetáculo não passa de mera
carnificina: elas estimam que, por ano, nada menos que 250 mil touros sejam
sacrificados no mundo sob aplausos de uma plateia. :-(
LUTA DESIGUAL
O toureiro e seus ajudantes formam uma cuadrilla para matar o touro
No 1º terço do espetáculo (tercio de varas), o touro selvagem, com idade entre
4 e 6 anos, e mais de 460 kg, é solto na arena de raça feroz, é treinado
risca pra briga. O toureiro, ou matador, faz movimentos com o capote
capa vermelha de forro amarelo para atiçar a fera. Como só vê preto
e branco, o que a incita são os volteios da capa.
O touro é conduzido até um dos dois picadores, cavaleiros com lanças que ferem
o bicho para ir minando sua força. A ponta da lança, em forma de T, limita
a profundidade das picadas. Os cavalos são vendados para não se assustarem
com o touro e cobertos com uma lona grossa para protegê-los das chifradas.
Depois que o touro foi enfraquecido com pelo menos duas estocadas, começa
o tercio de banderillas. É quando os banderilleros entram em cena, cravando
três pares de estacas coloridas, com ponta de arpão, no pescoço do bicho.
O objetivo é deixar a fera ainda mais furiosa para o desfecho da peleja.
Na parte final (tercio de muerte), o matador usa uma pequena capa, empunhada
com uma das mãos, para realizar a faena, driblando o animal bem de perto e
perigosamente chifradas na virilha, axilas, pescoço e tórax não são
raras, e podem ser fatais. Nesta hora, quando o toureiro exibe sua habilidade,
é que a torcida grita olé!
O matador recebe uma espadona de aço de quase 1 m para liquidar a fatura.
Com a capa rente ao chão, ele vai colocando o bicho na posição ideal para
o bote: de cabeça baixa e patas dianteiras juntas. Com isso, ressalta a área
logo acima do pescoço, onde será dado o golpe fatal se a estocada atingir
a aorta (o que nem sempre acontece), a morte é instantânea.
A luta toda dura em média 20 minutos. Se o desempenho do toureiro for excepcional,
ele recebe o prêmio máximo as duas orelhas e o rabo da fera, cortados
na hora , além de sair da arena nos ombros da galera. Quanto ao touro,
sua carcaça é arrastada para fora da arena e sua carne é vendida aos açougues
locais.
Tiago Jokura
Fonte: mundoestranho.abril.com.br
A tourada é um espectáculo tradicional de Portugal, Espanha e França, bem comum de alguns países da América Latina: México, Colômbia, Peru, Venezuela e Guatemala. O essencial do espectáculo consiste na lide de touros bravos através de técnicas conhecidas como arte tauromáquica.

Corrida de touros, Barcelona (c.1890)
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Na cultura da Península Ibérica, o Circo de Termes
parece ter sido um local sagrado onde os celtiberos praticavam o sacrifício
ritual dos touros. A estela de Clunia é mais antiga representação do confronto
de um guerreiro com um touro.
As representações taurinas de variadas fontes arqueológicas encontradas na
Península Ibérica tais como os vasos de Líria, as esculturas dos Berrões,
a bicha de Balazote ou o touro de Mourão estão quase sempre relacionadas com
as noções de força, bravura, poder, fecundidade e vida que simbolizam o sentido
ritual e sagrado que o touro ibérico teve na Península.
A palavra tauromaquia é oriunda do grego ta???µa??a - tauromachia (combate
com touros). O registo pictórico mais antigo da realização de espectáculos
com touros remete à ilha de Creta (Knossos). Esta arte está presente em diferentes
vestígios desde a antiguidade clássica, sendo conhecido o afresco da tourada
no palácio de Cnossos em Creta.
A maior praça de touros do mundo é a "Plaza de Toros México" localizada
na cidade do México e a maior praça europeia é a "Plaza de Toros de las
Ventas", em Madrid. Numa tourada, todos os touros têm pelo menos quatro
anos de idade. Quando os touros lidados ainda não fizeram os 4 anos diz-se
que é uma novilhada.
A lide varia de país para país, em Portugal tem duas fases: a chamada lide
a cavalo ou menos corrente a lide a pé e posteriormente a pega. A primeira
é levada a cabo por um cavaleiro, lidando o touro. A lide consiste na colocação
de ferros, ditos farpas, de tamanhos variáveis, começando com ferros longos
e culminando frequentemente com ferros muito curtos, ditos "de palmo".
Em Portugal as touradas foram proibidas no tempo do Marquês de Pombal, após
uma em que faleceu uma grande figura nobiliárquica estimada pelo monarca D.
José. Voltaram a ser permitidas anos mais tarde, mas sendo proibidos os chamados
touros de morte, onde o touro não pode ser morto em praça pública. Em 2002
a lei foi alterada para permitir os touros de morte em locais justificados
pela tradição, como na vila de Barrancos.
Júlio César durante a exibição do venatio introduziu uma espécie de "tourada",
onde cavaleiros da Tessália perseguiam diversos touros dentro de uma arena,
até os touros ficarem cansados o suficiente para serem seguros pelos cornos
e depois executados. O uso de uma capa, num confronto de capa e espada com
um animal, numa arena, está registado pela primeira vez na época do imperador
Cláudio

Cavaleiro e o Touro
Na corrida de touros à portuguesa os cavaleiros vestem-se com trajes do século XVIII e os forcados vestem-se como os rapazes do fim do século XIX. Foi no tempo de Filipe III que foram introduzidos na arena, pela primeira vez, os coches de gala.
Cortesias
As cortesias marcam o início da corrida de touros à portuguesa. No início
da corrida todos os intervenientes (cavaleiros, forcados, bandarilheiros,
novilheiros, campinos e outros intervenientes) entram na arena e cumprimentam
o público, a direcção da corrida e figuras eminentes presentes na praça. Nas
corridas de gala à antiga portuguesa a indumentária é de rigor e na arena
desfilam coches puxados por cavalos luxuosamente aparelhados.
Lide a cavalo
Todo o decorrer da corrida de touros à portuguesa consiste na "lide"
de seis touros, habitualmente. Cada um dos touros é lidado por um cavaleiro
tauromáquico, que tem um determinado tempo durante o qual poderá cravar um
número variável de farpas compridas (no início), curtas e de palmo (ainda
mais pequenas) no dorso do animal.
Lide a pé
Os touros podem alternativamente ser "lidados" por um toureiro a
pé (embora isto seja menos comum nas touradas portuguesas), que também crava
as bandarilhas, um par em simultâneo, no dorso do touro. Outra faceta da lide
a pé envolve o uso de uma pequena capa (a muleta) e de um estoque. Em Portugal
é proibida a morte do touro na praça (com excepção da vila de Barrancos),
mas noutros países a lide a pé culmina na morte, por estocada, do animal.
Pega

Pega de caras
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Após a lide do touro pelo cavaleiro tauromáquico é comum entrar em cena o bandarilheiro que efectua algumas manobras com um capote posicionando o touro para a pega. De seguida entram em cena os forcados. Os forcados são um grupo amador que enfrenta o touro a pé com o objectivo de conseguir imobilizar o touro unicamente à força de braços. Oito homens entram na arena, sendo o primeiro o forcado da cara, seguindo-se os chamados ajudas, primeiro e segundo ajuda (os mais determinantes) e demais forcados que também ajudam na pega, terminando no rabejador que segura no rabo do touro, procurando deter o avanço do animal e fixá-lo num determinado local para quando os seus ajudantes o largarem este não invista sobre eles. A pega é consumada quando o forcado da cara se mantenha seguro nos cornos do touro e este seja detido e imobilizado pelos seus companheiros. Nas touradas em que os touros são lidados a pé não existe pega.

Toureiro Morto Édouard Manet, c. 186465
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Grupos de defesa dos direitos animais criticam a prática
da tourada, pois consideram-na um acto de crueldade sem justificação que não
se insere dentro das tradições humanistas.
Em Portugal, quatro autarquias proibiram a realização de touradas nos seus
concelhos, Viana do Castelo, Braga e Sintra.
Na Espanha, o Estado onde as touradas são mais tradicionais, existem zonas
nas que estão proibidas. Em primeiro lugar foram as Ilhas Canárias, com a
aprovação em 1991 da Lei de Protecção de Animais e, duas décadas depois, em
julho do 2010, o parlamento de Catalunha aprovou uma Iniciativa Legislativa
Popular - com 180 000 adesões - que proibia estas práticas, com a excepção
dos Bous al Carrer.

Touro de morte em França
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Porto Alegre teve tanto corridas de touros como touradas
em praça de touros situada no Campo da Redenção, que hoje abriga parque de
mesmo nome. Com cavaleiros, bandarilheiros, forcados e pega, assim como pantomimas
tauromáquicas, eram consideradas eventos sociais, recreativos e artísticos,
atraindo humildes e abonados.
A informação disponível não permite saber se o animal era sacrificado na apresentação.
Havia praças de touros em São Paulo, Santos, Cuiabá, Curitiba, Salvador e
no Rio de Janeiro, então capital nacional. Nela em 1922, dentre as festividades
do centenário da independência, realizaram-se touradas com registro cinematográfico.
Foram proibidas em 1934 por Getúlio Vargas, juntamente com as rinhas de galo.
Fonte: pt.wikipedia.org