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Esquizofrenia

O que é esquizofrenia?

A esquizofrenia é uma desordem cerebral que afeta a capacidade da pessoa de perceber o mundo e de processar informações. Ela ocorre em 1% da população e geralmente aparece na adolescência ou na idade adulta jovem. A esquizofrenia é diagnosticada por um exame clínico que inclui a avaliação dos sintomas atuais e históricos e status funcional.

A percepção comum de esquizofrenia é que é uma doença devastadora. Embora a esquizofrenia pode ser uma doença muito grave e crônica, que varia muito entre os indivíduos. Muitas pessoas com esquizofrenia são capazes de viver de forma independente, trabalhar e levar uma vida normal. Outros podem precisar de apoio contínuo, mas ainda pode atingir recuperação significativa.

Sintomas

Os sintomas da esquizofrenia tendem a cair em três categorias:

Os sintomas positivos

Alucinação - Alucinações pode tomar uma série de diferentes formas - podem ser:

  1. Visual (ver coisas que não existem ou que outras pessoas não podem ver),
  2. Auditiva (ouvir vozes que outras pessoas não podem ouvir)
  3. Tátil (sentir coisas que outras pessoas não se sentem ou algo tocando sua pele que não está lá),
  4. Olfatório (coisas de cheiro que outras pessoas não podem cheirar ou não cheirar a mesma coisa que as outras pessoas fazem cheiro),
  5. Experiências gustativas (degustação coisas que não existem)

Delírios - falsas crenças fortemente arraigadas, apesar de invalidar provas, especialmente como um sintoma de doença mental: por exemplo,

  1. Delírios paranóicos, ou delírios de perseguição, por exemplo, acreditar que as pessoas são "para obter" você, ou o pensamento de que as pessoas estão fazendo coisas quando não há evidência externa de que essas coisas estão ocorrendo.
  2. Delírios de referência - quando as coisas no ambiente parecem estar diretamente relacionada a você, mesmo que eles não são. Por exemplo, pode parecer como se as pessoas estão falando sobre você ou mensagens pessoais especiais estão sendo comunicadas a você através da TV, rádio ou outros meios de comunicação.
  3. Somáticas Delírios são crenças falsas sobre o seu corpo - por exemplo, que uma doença física terrível existe ou que algo estranho está dentro ou passando por seu corpo.
  4. Delírios de grandeza - por exemplo, quando você acreditar que você é muito especial e tem poderes ou habilidades especiais. Um exemplo de uma ilusão grandiouse está pensando que você é um famoso astro do rock.

Os sintomas negativos

A falta de emoção - a incapacidade de desfrutar de atividades regulares (visitar com amigos, etc), tanto quanto antes

Baixo consumo de energia - a pessoa tende a ficar sentado e dormir muito mais do que o normal

A falta de interesse na vida, baixa motivação

Uma expressão vazia, embotada facial ou movimentos faciais menos animado, a voz plana (falta de entonações normais e variância) ou física movimentos - achatamento afetivo

Alogia (dificuldade ou incapacidade de falar)

Habilidades sociais inadequadas ou falta de interesse ou capacidade de socializar com outras pessoas

Incapacidade de fazer amigos ou manter os amigos, ou não se importar de ter amigos

Isolamento social - a pessoa passa a maior parte do dia sozinho ou apenas com familiares próximos

Os sintomas cognitivos

Pensamento desorganizado

Pensamento lento

Dificuldade em compreender

Falta de concentração

Memória fraca

Problemas com atenção

O que sabemos sobre a base biológica da esquizofrenia?

Nos últimos vinte anos, tem havido uma explosão de conhecimento sobre como o cérebro funciona. É claro que as funções do cérebro de uma forma altamente integrado, e que não são circuitos neurais essencial para a função normal do cérebro. Estes circuitos não são diferentes de um sistema viário muito complicada, onde a informação pode viajar por uma estrada principal, mas também pode chegar ao destino apropriado por rotas alternativas. Como as "rotas alternativas" que se pode usar em um engarrafamento, as "rotas alternativas" pode não ser tão eficiente como a rota principal. Ao longo da vida, mas especialmente durante a infância e adolescência, grande poda de redundantes "rotas" ocorre. Esta poda neural prepara o indivíduo para as tarefas da vida adulta, mas no curso das mudanças, uma "via alternativa" pode ser cortado em uma pessoa com esquizofrenia desmascarar a problemática "rota principal" e, portanto, os sintomas da esquizofrenia.

A informação é transmitida através destes circuitos neurais, ou "rotas", através de um relé de substâncias químicas chamadas neurotransmissores.

Existem provavelmente centenas de neurotransmissores no cérebro.

Substancial de investigação é dirigida a uma melhor compreensão de como funcionam os sistemas de neurotransmissores no cérebro saudáveis e em cérebros com esquizofrenia, mas pouco se sabe com certeza. Uma hipótese é que o foco de uma grande parte da investigação é que o sistema neurotransmissor dopamina numa parte do cérebro envolvida na emoção e processamento de informação, o sistema mesolímbico, está envolvido na alucinações e ilusões. Uma hipótese é que relacionado com o sistema da dopamina numa outra zona do cérebro - o córtex pré-frontal - está envolvida na diminuição da experiência de emoções e outros sintomas negativos da esquizofrenia. No entanto, existem muitas hipóteses de que os sistemas de neurotransmissores podem estar envolvidos na esquizofrenia, incluindo norepinefrina, acetilcolina e serotonina, para citar apenas alguns.

O que causa a esquizofrenia?

Tal como a pneumonia, a qual pode ser causada por várias bactérias, vírus, ou produtos químicos, a esquizofrenia, provavelmente, tem causas múltiplas, os quais afetam o cérebro em formas relacionadas. A pesquisa sugere que os dois genes e fatores ambientais estão envolvidos no desenvolvimento de esquizofrenia.

Enquanto uma em cada 100 pessoas tem esquizofrenia, ter um parente biológico com esquizofrenia aumenta o risco de desenvolver esta doença de uma pessoa.

Uma pessoa que tem um irmão gêmeo geneticamente idênticos com esquizofrenia tem 50% de chance de ter esquizofrenia e 50% de chance de não ter esquizofrenia. Uma pessoa com um irmão ou um pai com esquizofrenia tem 10% de ter esquizofrenia e 90% de chance de não ter esquizofrenia.

Assim, a pesquisa visa encontrar tanto o fator genético que pode colocar uma pessoa em risco aumentado de esquizofrenia, e os fatores ambientais que podem estar envolvidos. Não há pesquisa ativa e emocionante para encontrar os genes que aumentam o risco para a esquizofrenia. Três áreas em diversas cromossomas têm sido associados a esquizofrenia em mais de um estudo, no entanto, o gene que aumenta o risco real para a esquizofrenia ainda não foi encontrado.

A busca por possíveis fatores ambientais está em estágios muito iniciais. Uma teoria proeminente é que a esquizofrenia resulta de desenvolvimento cerebral alterado durante a vida fetal, que ocorre a partir de In Utero estressores ambientais. Por exemplo, vários, mas não todos, os estudos têm mostrado que os indivíduos que eram fetos durante as epidemias de gripe estão em maior risco de esquizofrenia. Alguns estudos têm mostrado que indiivuduals que eram fetos e suas mães sofreram de fome severa durante preganancy que estão em maior risco para a esquizofrenia. Outro estudo mostrou que a incompatibilidade de Rh entre mãe e feto, aumenta o risco de esquizofrenia. Durante a vida fetal do cérebro está desenvolvendo ativamente. A teoria é de que estes fatores de stress de alguma forma interferir com o desenvolvimento do cérebro durante uma fase crítica. Em estudos post-mortem dos cérebros dos indivíduos com esquizofrenia foram examinados. Aqui, diversos investigadores verificaram que a organização das células do cérebro era mais aleatória do que nos cérebros de indivíduos mentalmente saudáveis. Além disso, eles têm encontrado "ninhos" de células cerebrais em pacientes com esquizofrenia nas áreas mesolímbica do cérebro, sugerindo que estas células estavam de algum modo parado na sua migração programada para o seu local de repouso final. Esses e outros estudos são promissores para a nossa eventual entendimento de como os genes eo ambiente podem interagir para causar esquizofrenia. Independentemente disso, a evidência é esmagadora de que a esquizofrenia é uma doença de base biológica e que a visão anterior de que os pais ou famílias causa esquizofrenia é totalmente sem mérito.

Como você tratar a esquizofrenia?

Uma coisa muito importante a lembrar é que a esquizofrenia, assim como muitas outras doenças crônicas, é tratável. As medicações antipsicóticas são a pedra angular do tratamento dos distúrbios pscychotic. As medicações antipsicóticas eliminar ou diminuir os sintomas da esquizofrenia, na maioria dos pacientes.

Sem medicação, os sintomas ocorrem quase sempre. A cada reincidência, os sintomas geralmente levam mais tempo para ficar melhor, e pode não responder bem. Quando os indivíduos com esquizofrenia têm repetido exacerbações de sintomas, ou "recaídas", eles podem freqüentemente desenvolvem os sintomas crônicos que não respondem bem à medicação. O objetivo do tratamento medicamentoso é tomar medicamentos quando os primeiros sintomas ocorrem, e para ficar em medicamentos, mesmo que os sintomas desaparecem por completo, para ajudar a prevenir futuras recaídas. Pesquisa sugere agora que alucinações e delírios em curso são sintomas de um processo que é tóxico para o cérebro. O controlo dos sintomas pode também significar que este processo prejudicial cérebro também é interrompida. Independentemente disso, vários estudos têm mostrado que quanto mais cedo uma pessoa com esquizofrenia recebe tratamento, mais suave da doença.

As medicações antipsicóticas pode ter efeitos colaterais incômodos. É importante encontrar um médico que irá trabalhar com você para resolver os problemas com efeitos colaterais. Além do tratamento com medicamentos, existem muitos tratamentos psicossociais que foram mostrados para serem eficazes no tratamento da esquizofrenia. Estes tratamentos importantes funcionam melhor em combinação com medicação. Eles incluem psicoterapia de apoio, terapia cognitivo-comportamental, a psicoeducação familiar, treinamento de habilidades, e uma variedade de serviços de reabilitação psiquiátrica.

Às vezes, as pessoas com esquizofrenia podem ter dificuldade com as questões da vida prática, como o acesso a benefícios por incapacidade ou encontrar moradia adequada. Serviços de gestão de processos pode ajudar imensamente para fornecer avaliação e apoio contínuo ao ligar as pessoas aos tipos de recursos e suporte que eles precisam.

Fonte: www.med.unc.edu

Esquizofrenia

O QUE É A ESQUIZOFRENIA?

A esquizofrenia é uma doença mental complexa e intrigante, cujas causas não são ainda completamente conhecidas. Aproximadamente 1% da população desenvolve a doença ao longo da vida. Embora afete homens e mulheres na mesma proporção, a doença freqüentemente aparece mais cedo nos homens, usualmente no final da adolescência e em torno dos 20 anos. As mulheres adoecem mais tarde, em geral entre os 20 e 30 anos de idade. Os sintomas da esquizofrenia são freqüentemente assustadores – a pessoa pode ouvir vozes não escutadas pelos outros, acreditar que os outros estão lendo seus pensamentos, controlando sua mente ou planejando algo para prejudicá-la. Estes sintomas podem levar a pessoa a ficar com muito medo e se retrair. Sua fala e seu comportamento podem ficar tão desorganizados que ela se torna incompreensível e desperta medo nos outros ao seu redor. Estima-se que cerca de 25% das pessoas com esquizofrenia se recuperam totalmente. O tratamento pode aliviar muitos sintomas, mas muitas pessoas com esquizofrenia continuam a apresentar alguns sintomas ao longo da vida.

Entretanto, este é um momento de esperança para as pessoas com esquizofrenia e suas famílias. As pesquisas estão gradualmente levando a medicamentos novos e mais seguros e revelando as complexas causas da doença. Os cientistas estão estudando a doença sob vários aspectos, procurando entender desde seus aspectos genéticos até os populacionais, visando aprender mais sobre a doença. Métodos de avaliação por imagem da estrutura cerebral também prometem novas descobertas sobre a doença.

A ESQUIZOFRENIA É UMA DOENÇA

A esquizofrenia ocorre no mundo todo. A gravidade dos sintomas e o padrão de duração crônica comumente levam a algum grau de incapacitação. Os medicamentos e as intervenções terapêuticas e de apoio, quando seguidos com regularidade, podem ajudar a diminuir e controlar os sintomas que trazem tanto sofrimento. Entretanto, algumas pessoas não têm acesso ao tratamento, outras não melhoram muito com os tratamentos disponíveis, ou abandonam o tratamento por falta de orientação e apoio adequados. Há ainda aquelas que param de tomar os medicamentos por causa de seus efeitos colaterais desagradáveis ou por outras razões. Mesmo quando o tratamento é eficaz, existem conseqüências da doença que persistem – a perda de oportunidades, o preconceito, os sintomas residuais, efeitos colaterais de certos medicamentos – tudo isso pode trazer muito sofrimento e tornar a vida difícil para essas pessoas.

Os primeiros sinais da esquizofrenia aparecem em geral sob a forma de mudanças graduais ou repentinas, às vezes chocantes, do comportamento. Lidar com os sintomas da doença pode ser particularmente difícil para os familiares que não entendem como a pessoa mudou de maneira tão radical o seu jeito de ser. O início repentino dos sintomas psicóticos graves é chamado de fase “aguda” da doença. A “psicose” ou “surto”, uma condição comum na esquizofrenia, é um estado de alteração mental caracterizado pelas alucinações, que são distúrbios da percepção sensorial, e/ou delírios, que são crenças falsas, resultantes de uma impossibilidade da pessoa de distinguir experiências reais das imaginárias. Sintomas menos evidentes, como isolamento e retraimento social, e fala ou comportamento estranhos ou desorganizados, podem preceder, acompanhar ou vir depois do aparecimento dos sintomas psicóticos.

Algumas pessoas têm somente um episódio (ou surto) psicótico; outras têm vários, mas conseguem levar uma vida relativamente normal durante os períodos entre as crises. Entretanto, aqueles com uma evolução crônica da doença, que sofrem continuamente ou com crises sucessivas, mal controladas, em geral não recuperam um funcionamento normal e necessitarão de tratamento e acompanhamento a longo prazo, incluindo a medicação para controlar os sintomas.

Diagnosticando a esquizofrenia

Para diagnosticar a esquizofrenia é importante descartar outras doenças, pois às vezes os sintomas psicóticos ou confusionais podem ser motivados por outras condições. Além disso, o abuso de certas drogas pode provocar sintomas semelhantes ao da esquizofrenia. Por esse motivo, a avaliação médica, o exame físico e exames laboratoriais devem ser feitos para afastar outras causas possíveis dos sintomas antes de se concluir que a pessoa tem esquizofrenia. Às vezes, é difícil diferenciar uma doença mental de outra. Por exemplo, algumas pessoas com sintomas da esquizofrenia apresentam alterações de humor (depressão ou euforia) muito marcantes, sendo importante determinar se a pessoa tem mesmo esquizofrenia ou um transtorno depressivo ou bipolar. Algumas pessoas cujos sintomas não podem ser claramente categorizados, ou que apresentam sintomas mistos (psicóticos e de alteração de humor), podem ser diagnosticadas como tendo um “transtorno esquizoafetivo”.

Crianças podem ter esquizofrenia?

Crianças com idade superior a cinco anos podem desenvolver esquizofrenia, mas a doença raramente aparece antes da adolescência. Embora algumas pessoas que mais tarde desenvolvem a esquizofrenia possam ter parecido “diferentes” de outras crianças na infância, os sintomas psicóticos – alucinações e delírios – são extremamente incomuns antes da adolescência.

COMO AS PESSOAS COM ESQUIZOFRENIA VIVENCIAM A DOENÇA

Percepções distorcidas da realidade

As pessoas que têm esquizofrenia podem perceber a realidade de maneira muito diferente dos outros à sua volta. A experiência de sentir o mundo e os acontecimentos alterados, devido às alucinações e delírios, pode gerar medo, ansiedade e confusão. Em parte devido a essas experiências incomuns, estas pessoas às vezes podem se comportar de maneira muito estranha. Podem, por exemplo, parecer distantes, alheias ou preocupadas. Podem ficar imóveis durante muito tempo sem proferir qualquer palavra. Em outros momentos podem andar de um lado para o outro parecendo preocupados, vigilantes, alertas e insones.

Alucinações e Ilusões

Alucinações e ilusões são alterações da percepção comumente presentes nas pessoas que sofrem de esquizofrenia. Alucinações são percepções que ocorrem sem que haja um estímulo sensorial correspondente. Embora possam ocorrer sob qualquer forma sensorial – auditiva (audição), visual (visão), tátil (tato), gustativa (gosto) e olfativa (olfato) – escutar vozes que os outros não escutam é o tipo de alucinação mais comum na esquizofrenia. As vozes podem descrever, comentar ou mesmo criticar as ações da pessoa. Podem também aconselhar, dar ordens ou conversar entre si (várias vozes). As ilusões, por outro lado, ocorrem quando um estímulo sensorial existe, mas é incorretamente interpretado, por exemplo, pessoa vê uma sombra ou escuta um ruído e os interpreta como uma aparição ou mensagem.

Delírios

Delírios são crenças pessoais falsas que não cedem frente à argumentação lógica ou evidências contrárias, e não são coerentes com crenças ou conceitos compartilhados por pessoas do mesmo grupo ou comunidade. Os delírios podem abranger diferentes temas. Por exemplo, as pessoas que sofrem de sintomas do tipo paranóide – aproximadamente um terço das pessoas com esquizofrenia – geralmente têm delírios de perseguição, com idéias falsas de estarem sendo enganadas, traídas, envenenadas, ou de que existe uma conspiração ou um complô contra elas. Estas pessoas podem acreditar que elas, algum membro da família ou alguém próximo a elas é o foco da perseguição. Além disso, delírios de grandeza, em que a pessoa acredita ser alguém famosa ou importante, também ocorrem na esquizofrenia. Algumas vezes, os delírios são bizarros. Por exemplo, acreditar que um vizinho está controlando o seu comportamento através de ondas magnéticas; que as pessoas na televisão estão enviando mensagens especiais, ou que os seus pensamentos estão sendo irradiados para os outros.

Abuso de álcool e drogas

O abuso de álcool e drogas é uma preocupação comum entre os familiares, amigos e cuidadores das pessoas com esquizofrenia. Como algumas pessoas que usam drogas podem apresentar sintomas semelhantes a aqueles da esquizofrenia, os portadores de esquizofrenia podem ser erroneamente identificados como “drogados”. E, embora hoje não se acredite que o abuso de drogas a esquizofrenia, as pessoas que têm a doença freqüentemente abusam de álcool ou drogas, e podem ter reações particularmente negativas a certas drogas.

O abuso de álcool ou drogas pode reduzir a ação dos medicamentos, atrapalhando o tratamento. Estimulantes (como a anfetamina ou a cocaína), bem como a maconha, podem causar mais problemas para as pessoas com esquizofrenia. De fato, algumas pessoas têm uma piora dos sintomas quando fazem uso deste tipo de drogas. O abuso de álcool e drogas também reduz a probabilidade de que o paciente siga o tratamento prescrito.

Esquizofrenia e Nicotina

O abuso mais comum de substância em pessoas que têm esquizofrenia é a dependência de nicotina devido ao cigarro. Cerca de 75% das pessoas que têm esquizofrenia são fumantes, contra 25 a 30% de fumantes na população geral (dados norte-americanos). As pesquisas têm mostrado que a relação entre o fumo e a esquizofrenia é complexa. A nicotina age em receptores cerebrais causando alívio de certos sintomas, e por isso muitas pessoas com esquizofrenia sentem-se melhor quando fumam. Nesse sentido o cigarro atua como um “remédio”. No entanto, o cigarro interfere com a resposta às medicações antipsicóticas. Estudos têm mostrado que os pacientes fumantes necessitam doses maiores de medicação antipsicótica. Deixar de fumar pode ser especialmente difícil para as pessoas com esquizofrenia, porque os sintomas de abstinência de nicotina podem causar uma piora temporária dos sintomas da doença. Estratégias para parar de fumar, como adesivos de nicotinas ou outros métodos de substituição gradual, podem ser efetivos. Os médicos devem ficar atentos e monitorar cuidadosamente a dosagem da medicação quando seus pacientes começam ou param de fumar.

Pensamento Desordenado

A esquizofrenia comumente afeta a capacidade da pessoa de pensar “corretamente”. Os pensamentos podem ir e vir rapidamente; a pessoa pode não conseguir se concentrar por muito tempo e pode facilmente se distrair, mostrando-se incapaz de focar a atenção. As pessoas com esquizofrenia podem não saber distinguir o que é relevante do que não é numa determinada situação. Podem ser incapazes de conectar os pensamentos numa seqüência lógica, com os pensamentos tornando-se desorganizados e fragmentados. Essa ruptura na continuidade lógica dos pensamentos é chamada de “desorganização do pensamento” e pode dificultar muito a conversação, contribuindo para o isolamento social. Se as pessoas não conseguem entender o que um indivíduo está dizendo, tendem a ficar constrangidas e deixar aquela pessoa sozinha.

Expressão Emocional

As pessoas com esquizofrenia freqüentemente apresentam um afeto diminuído ou “achatado”. Isto se deve a uma severa redução da expressão emocional. Uma pessoa com esquizofrenia pode não mostrar os sinais de uma emoção normal; pode falar com voz monótona, ter as expressões faciais diminuídas e parecer extremamente apática. A pessoa pode retrair-se socialmente, evitando contato com os outros e, quando forçada a interagir, pode não ter nada a dizer, mostrando um “pensamento empobrecido”. A motivação pode estar muito diminuída, da mesma maneira que o interesse e o prazer de viver. Em alguns casos graves, a pessoa pode passar dias inteiros sem fazer nada, chegando a negligenciar a higiene básica. Esses problemas com a expressão emocional e com a motivação, que podem ser extremamente perturbadores para a família e os amigos, são sintomas da esquizofrenia – e não um problema de caráter ou fraqueza pessoal.

Normal X Anormal

Às vezes, indivíduos normais podem sentir, pensar e agir de maneira que lembram a esquizofrenia. Pessoas normais podem às vezes serrem incapazes de “pensar corretamente”. Podem tornar-se extremamente ansiosas, por exemplo, para falar diante de grupos, podem se sentir confusas, incapazes de organizar as idéias, e esquecer o que tinham intenção de dizer. Isso não é esquizofrenia. Da mesma maneira, pessoas com esquizofrenia nem sempre agem de maneira anormal. Na verdade, algumas pessoas com a doença podem aparentar serem perfeitamente responsáveis, mesmo que tenham alucinações ou delírios. O comportamento de um indivíduo pode mudar, tornando-se bizarro se a medicação é interrompida e retornando mais próximo do normal quando recebendo tratamento apropriado.

O QUE A ESQUIZOFRENIA NÃO É:

“Dupla Personalidade”
Fraqueza de caráter
Preguiça
Loucura ou psicopatia
“encosto” ou mal espiritual
Culpa da criação dos pais
Deficiência mental
Uma doença sem tratamento

As pessoas com esquizofrenia têm uma tendência a serem violentas?

Os jornais e a mídia tendem a associar doença mental e violência criminal. Entretanto, estudos indicam que, à exceção das pessoas com histórico de violência criminal anterior à doença e daquelas com problemas de abuso de álcool ou drogas, as pessoas com esquizofrenia não são particularmente propensas à violência.

De maneira geral, os indivíduos com esquizofrenia não são violentos; tipicamente, eles são retraídos e preferem estar sozinhos. Os crimes violentos, em sua maioria, não são cometidos por pessoas com esquizofrenia.

O abuso de drogas aumenta significativamente o índice de violência em pessoas que têm esquizofrenia, mas também nas que não tem a doença. Pessoas com sintomas paranóides (de perseguição) e psicóticos, que podem se tornar piores se a medicação for interrompida, podem também ter um maior risco de comportamento violento. Quando ocorre a violência, esta é com maior freqüência direcionada a algum familiar ou pessoa próxima e muitas vezes ocorre em casa.

E quanto ao suicídio?

Suicídio é um risco sério para as pessoas que têm esquizofrenia. Se um indivíduo tenta cometer suicídio ou ameaça fazê-lo, é preciso buscar ajuda profissional imediatamente. O índice de suicídio é mais alto em pessoas com esquizofrenia do que na população geral. Aproximadamente 10% das pessoas que sofrem de esquizofrenia cometem suicídio, especialmente jovens do sexo masculino. Infelizmente, é muito difícil prever quais pessoas com esquizofrenia poderão tentar o suicídio.

QUAIS AS CAUSAS DA ESQUIZOFRENIA?

Não existe uma única causa da esquizofrenia. Muitas doenças, como por exemplo as doenças cardíacas, resultam de uma interação entre fatores genéticos, comportamentais e ambientais. Provavelmente o mesmo deve acontecer com a esquizofrenia. Os cientistas ainda não conhecem todos os fatores necessários para causar a esquizofrenia, mas diversos tipos de pesquisa estão sendo feitas para estudar os genes, os momentos críticos no desenvolvimento cerebral e outros fatores que podem levar à doença.

A esquizofrenia é herdada?

Já é bem conhecido que a esquizofrenia tem um caráter familiar. Pessoas que têm um parente próximo com esquizofrenia são mais propensas a desenvolver a doença do que aquelas que não têm parentes com a doença. Por exemplo, um gêmeo monozigótico (idêntico) de alguém que tem esquizofrenia tem o risco mais alto – 40 a 50% – de desenvolver a doença. Uma criança cujo pai ou mãe tem esquizofrenia tem 10% de chance de desenvolver a doença. Em comparação, na população geral o risco da esquizofrenia é de aproximadamente 1%.

Cientistas estão estudando os fatores genéticos na esquizofrenia. É provável que múltiplos genes estejam envolvidos em criar uma predisposição para desenvolver a doença. Além disso, fatores como dificuldades pré-natais (durante a gestação), como falta de nutrição intrauterina ou infecções virais, complicações perinatais (durante o parto), e vários estressores não específicos, parecem influenciar o desenvolvimento da esquizofrenia. Entretanto, ainda não sabemos como a predisposição genética é transmitida, e não se pode prever com precisão se uma determinada pessoa irá ou não desenvolver a doença.

A esquizofrenia está associada a um defeito químico no cérebro?

O conhecimento básico sobre a química cerebral e sua ligação com a doença está avançando rapidamente. Os neurotransmissores, substâncias que permitem a comunicação entre as células nervosas, têm sido desde há bastante tempo associados com o desenvolvimento da esquizofrenia. É provável (ainda não há certeza) que a doença esteja associada a algum desequilíbrio do complexo sistema de interrelações químicas do cérebro, talvez envolvendo os neurotransmissores dopamina e glutamato. Esta área de pesquisa é promissora.

A esquizofrenia é causada por uma anormalidade física do cérebro?

Há grandes avanços em tecnologia de neuroimagem que permitem que cientistas estudem a estrutura e função cerebral em indivíduos com a doença. Muitos estudos em pessoas com esquizofrenia encontraram anormalidades na estrutura cerebral (por exemplo, o aumento de cavidades cerebrais chamadas ventrículos, no interior do cérebro, e a diminuição de certas regiões cerebrais), ou na função cerebral (por exemplo, atividade metabólica diminuída em certas regiões cerebrais). Deve-se enfatizar que essas anormalidades são bastante sutis e não são características de todas as pessoas com esquizofrenia, nem ocorrem somente em indivíduos que têm essa doença. Estudos microscópicos do tecido cerebral depois da morte têm também mostrado pequenas mudanças na distribuição ou número de células cerebrais em pessoas com esquizofrenia. Parece que muitas destas mudanças (mas provavelmente não todas), estão presentes mesmo antes que o indivíduo se torne doente. A esquizofrenia pode ser, em parte, um transtorno do desenvolvimento do cérebro. Neurobiólogos do desenvolvimento, financiados pelo Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH), descobriram que a esquizofrenia pode ser um transtorno do desenvolvimento resultante de conexões inapropriadas entre neurônios durante o desenvolvimento fetal (intra-uterino). Esses erros podem permanecer “dormentes” até a puberdade, quando mudanças no cérebro que ocorrem normalmente durante este estágio crítico da maturação interagem adversamente com as conexões falhas ou defeituosas. Essa pesquisa tem incentivado trabalhos para identificar fatores pré-natais que possam ter alguma relação com a aparente anormalidade do desenvolvimento. Em outros estudos, investigadores usando técnicas de imagem cerebral, têm encontrado evidências de mudanças bioquímicas que podem preceder os sintomas da doença, levando ao exame dos circuitos neurais que têm maior probabilidade de estar envolvidos na produção destes sintomas. Ao mesmo tempo, cientistas trabalhando em nível molecular estão explorando as bases genéticas no desenvolvimento cerebral e nos sistemas neurotransmissores que regulam as funções cerebrais.

COMO SE TRATA A ESQUIZOFRENIA?

Como a esquizofrenia não é uma doença de fácil tratamento e suas causas não são ainda conhecidas, os métodos de tratamento atuais são baseados em pesquisas e experiência clínicas. Essas abordagens são escolhidas levando em conta a capacidade de reduzir os sintomas da esquizofrenia e diminuir as chances de retorno destes sintomas.

Quais as medicações indicadas?

As medicações antipsicóticas começaram a ser utilizadas em meados da década de 50 e têm contribuído para melhorar a perspectiva de vida dos pacientes.

Estas medicações reduzem os sintomas psicóticos da esquizofrenia e geralmente permitem ao paciente funcionar mais efetivamente e apropriadamente. Drogas antipsicóticas são o melhor tratamento até agora disponível, mas não “curam” a doença nem garantem que não ocorrerão novos episódios psicóticos. A escolha e dosagem da medicação devem ser feitas somente por um médico qualificado, que esteja bem informado sobre o tratamento médico dos transtornos mentais – usualmente um psiquiatra. A dosagem da medicação é diferente de paciente para paciente, uma vez que as pessoas variam muito em relação à quantidade necessária para reduzir sintomas sem a produção dos indesejáveis efeitos colaterais.

A maioria dos pacientes tem uma melhora substancial quando medicados com antipsicóticos. Alguns pacientes, entretanto, não são muito ajudados pela medicação. É difícil prever quais pacientes estarão numa destas categorias e distingui-los da maioria dos pacientes que de fato se beneficiam dos remédios.

Algumas novas drogas antipsicóticas (comumente chamadas “antipsicóticos atípicos”) têm sido introduzidas desde 1990. A primeira delas, a clozapina, tem mostrado ser mais efetiva que outros antipsicóticos, embora a possibilidade de efeitos colaterais graves – em particular uma condição chamada agranulocitose (redução dos glóbulos brancos do sangue, necessários para a defesa contra infecções) – requeira que os pacientes sejam monitorados com exames de sangue periódicos. Algumas drogas antipsicóticas mais novas, como a risperidona e a olanzapina, são mais seguras do que a clozapina e podem ser melhor toleradas.

Entretanto, elas podem ou não tratar a doença tão bem quanto à clozapina. Vários outros antipsicóticos estão atualmente em desenvolvimento.

As drogas antipsicóticas são em geral bastante efetivas para tratar de certos sintomas da esquizofrenia, particularmente alucinações e delírios; infelizmente, as medicações não parecem ser muito úteis para melhorar outros sintomas, tais como a diminuição da motivação e da expressão emocional. Além disso, os antipsicóticos mais antigos (que também eram chamados de neurolépticos), remédios como o haloperidol ou a clorpromazina, podem até mesmo produzir efeitos colaterais que se parecem com os sintomas mais difíceis de serem tratados. Diminuir a dose ou trocar a medicação geralmente reduz os efeitos colaterais; os remédios mais novos, incluindo a olanzapina e a risperidona, parecem trazer menos problemas quanto a esses efeitos colaterais. Às vezes, quando as pessoas com esquizofrenia ficam deprimidas, outros sintomas podem parecer piorar. Estes sintomas podem melhorar com a adição de medicação antidepressiva.

Os pacientes e familiares muitas vezes ficam preocupados com as medicações usadas para tratar a doença. As dúvidas e temores mais freqüentes são a respeito dos efeitos colaterais e a preocupação de que estes medicamentos possam levar o paciente a ficar dependente do remédio. É importante saber que as medicações antipsicóticas não produzem nenhum tipo de euforia ou dependência, isto é, não “viciam” o paciente.

Outro preconceito sobre as medicações antipsicóticas é a idéia de que eles produzem um controle mental ou atuam como uma “camisa de força química”. Esses remédios, quando usados de forma apropriada, não “nocauteiam” as pessoas ou tiram a sua liberdade de pensar. Essas medicações podem ser sedativas, e esse efeito pode ser útil no início do tratamento, particularmente se o indivíduo está bastante agitado, mas a utilidade dos medicamentos não se dá por seu efeito sedativo e sim por sua capacidade de diminuir as alucinações, a agitação, a confusão e os delírios de um episódio psicótico. Desta maneira, as medicações antipsicóticas estariam ajudando o paciente a lidar com a realidade de maneira mais racional.

Por quanto tempo as pessoas com esquizofrenia devem ser medicadas?

Os medicamentos antipsicóticos reduzem o risco de episódios psicóticos futuros em portadores que se recuperaram de um episódio agudo. Mesmo com a continuidade do tratamento, algumas pessoas sofrerão recaídas, mas os índices de recaída são muito maiores quando o tratamento é interrompido. Na maioria dos casos, não seria correto dizer que o tratamento medicamentoso “previne” as recaídas. Na verdade, ele reduz sua intensidade e freqüência. O tratamento dos sintomas psicóticos graves geralmente requer dosagens mais altas do que aquelas usadas para o tratamento de manutenção. Se os sintomas reaparecem com uma dose menor, um aumento temporário na dosagem pode prevenir um novo surto psicótico.

Justamente porque a recaída é mais provável quando os antipsicóticos são interrompidos ou usados irregularmente, é muito importante que os pacientes tenham um bom acompanhamento médico e que os familiares sejam também orientados e atendidos. Esse acompanhamento costuma aumentar a adesão ao tratamento.

Esse termo – adesão – se refere a quanto os pacientes seguem o tratamento recomendado por seu médico. Boa adesão envolve tomar a medicação prescrita na dose correta e de forma apropriada todos os dias, além de comparecer às consultas e seguir cuidadosamente outros procedimentos do tratamento. A adesão ao tratamento é freqüentemente difícil para as pessoas com esquizofrenia, mas pode aumentada por várias estratégias, levando a uma melhor qualidade de vida.

As pessoas com esquizofrenia não aderem ao tratamento por várias razões: Os pacientes podem não acreditar que estão doentes e negar a necessidade de medicação, ou podem ter o pensamento tão desorganizado que não se lembram de tomar o remédio de forma correta. Membros da família ou amigos podem nem sempre entendem a doença e inadvertidamente aconselham o paciente a parar de tomar o remédio quando ele passa a se sentir melhor. Os médicos, que têm um importante papel em ajudar seus pacientes a aderir ao tratamento, nem sempre perguntam a seus pacientes como estão tomando a medicação, ou não se dispõem a acolher o pedido do paciente de mexer na dosagem ou tentar uma nova medicação. Alguns pacientes relatam que os efeitos colaterais de certas medicações parecem piores do que os sintomas da doença. Além disso, o abuso de álcool e drogas pode interferir com a efetividade do tratamento, levando os pacientes a interromper a medicação.

Mas existem estratégias que pacientes, médicos e familiares podem usar para melhorar a adesão e prevenir a piora da doença. Alguns medicamentos, como o haloperidol, estão disponíveis em forma depot (injetáveis, de depósito), que eliminam a necessidade do paciente tomar comprimidos diariamente. O envolvimento dos familiares ou cuidadores na rotina de medicação é muito importante para assegurar a adesão ao tratamento. É fundamental ajudar o paciente a entender que a medicação tem um efeito positivo em sua vida (mesmo com seus efeitos colaterais), ainda que este não aceite ou acredite estar doente. Os familiares podem também ajudar a estabelecer uma rotina para a medicação – por exemplo, tomar os remédios junto com as refeições. Além destas estratégias de adesão, conversar com o paciente e com seus familiares sobre a doença, seus sintomas, e informá-los sobre as medicações prescritas para tratar a doença ajuda a compreensão da necessidade do tratamento. Pacientes e familiares precisam ter acesso à informação e orientação para que possam melhor entender as razões do tratamento.

O paciente precisa ser escutado em seus motivos para não querer tomar o remédio, mas pode também ser motivado e com o tempo passará a entender que o remédio o ajuda a viver melhor O que não costuma ser útil é dar o remédio sem o conhecimento do paciente, pois isto não o ajudará a perceber a relação entre a medicação e a melhora de certos sintomas, e conseqüentemente não contribuirá para que ele adquira consciência da doença. Tomar o remédio de forma correta é quase sempre um longo processo de negociação, que requer paciência e compreensão de todas as pessoas envolvidas – profissionais, familiares e o próprio paciente.

E os efeitos colaterais?

As drogas antipsicóticas, como todas as medicações, trazem efeitos indesejáveis junto com seus efeitos benéficos. Nas primeiras fases do tratamento os pacientes podem sentir efeitos colaterais desagradáveis tais como tonturas, inquietação motora, tremores, sonolência, espasmos musculares, boca seca, turvamento da visão. A maioria destes efeitos pode ser corrigida com uma diminuição da dosagem ou controlada com outros medicamentos.

São comumente usados para tratar os efeitos colaterais: biperideno, trhexafenidil, e propanolol. É importante lembrar que diferentes pacientes respondem de forma diversa e apresentam efeitos colaterais diferentes aos vários medicamentos antipsicóticos. Os efeitos colaterais de longo-prazo podem representar um problema mais sério. A discinesia tardia é um transtorno caracterizado por movimentos involuntários que afetam mais freqüentemente a boca, os lábios, a língua e às vezes o tronco ou outras partes do corpo, como pernas e braços. Ela ocorre em cerca de 15 a 20% dos pacientes que receberam os medicamentos mais antigos (os “antipsicóticos típicos”) por muitos anos, mas também pode aparecer em pacientes que tenham sido tratados com estas drogas por períodos mais curtos. Na maioria dos casos os sintomas de discinesia tardia são leves e os pacientes podem nem perceber os movimentos.

As medicações antipsicóticas desenvolvidas mais recentemente parecem apresentar um risco muito menor de produzir discinesia tardia do que as medicações tradicionais, mais antigas. Entretanto, este risco não é nulo. Além disso, estas medicações mais novas também podem produzir efeitos colaterais, tais como ganho de peso. Quando prescritas em doses muito altas, podem levar a problemas de retraimento social e produzir sintomas que se parecem com a Doença de Parkinson, um transtorno que afeta os movimentos. De qualquer forma, estes novos antipsicóticos representam um avanço significativo no tratamento e o seu uso adequado é tema de muitas pesquisas atuais.

O que são intervenções psicossociais?

Os pacientes com esquizofrenia podem melhorar muito dos sintomas psicóticos com a medicação, mas ainda assim muitos continuam a sofrer com dificuldades de comunicação, motivação, auto-cuidado e para estabelecer e manter relacionamentos. Além disso, como a doença acomete as pessoas quando estão numa fase crítica de formação na vida (entre os 18 e 35 anos de idade), os pacientes têm menor probabilidade de completar os estudos e treinamento adequado para desempenhar um trabalho mais qualificado. Conseqüentemente, muitas pessoas com esquizofrenia sofrem não somente com dificuldades emocionais e cognitivas, mas também não adquirem ou perdem habilidades sociais e de trabalho, ou seja, experiência de maneira geral.

As intervenções psicossociais podem ajudar principalmente a diminuir o sofrimento e as dificuldades sociais e ocupacionais. Existem muitas abordagens terapêuticas para as pessoas com esquizofrenia, nos diferentes tipos de serviços e contextos de tratamento – no hospital ou na comunidade. Algumas destas abordagens estão descritas aqui. Infelizmente estes serviços não estão disponíveis ou acessíveis de maneira ampla. Muitas pessoas ainda sofrem com a inexistência de tratamento apropriado em suas comunidades.

Reabilitação

Em termos gerais, a reabilitação inclui uma ampla gama de intervenções não-médicas. Os programas de reabilitação enfatizam o treinamento social e vocacional ou ocupacional para ajudar as pessoas a superarem as dificuldades e barreiras nestas áreas de atividade. Em alguns países esses programas incluem desde o desenvolvimento de habilidades específicas como lidar com dinheiro e usar o transporte público, o treinamento de hábitos sociais para ajudar a pessoa a se relacionar melhor socialmente, técnicas de resolução de problemas e até aconselhamento vocacional.

No Brasil, estas abordagens são realizadas principalmente através da intervenção de terapia ocupacional. Estas abordagens são importantes para o sucesso do tratamento na comunidade, porque possibilitam que os pacientes desenvolvam estratégias e habilidades para viver de forma satisfatória na comunidade.

Psicoterapia

A psicoterapia envolve um encontro regular entre o paciente e um profissional de saúde mental, geralmente um psicólogo ou psiquiatra. Esses encontros, ou sessões, podem abordar problemas atuais ou passados, pensamentos, idéias, sentimentos, relações e vivências. Através do compartilhamento destas experiências com o terapeuta – de falar sobre seu mundo com alguém de fora – as pessoas com esquizofrenia podem gradualmente entender mais sobre si próprias e seus problemas. Também podem aprender a discernir aquilo que é real do que não é real. Estudos recentes indicam que a psicoterapia de suporte, bem como as abordagens cognitivo-comportamentais que ajudam o paciente a conviver melhor com a doença e a desenvolver recursos para a resolução de problemas e dificuldades, podem trazer benefícios para as pessoas com esquizofrenia. Entretanto, a psicoterapia não substitui a medicação; é uma abordagem coadjuvante, que funciona melhor se os sintomas psicóticos estiverem controlados pela medicação e o acompanhamento médico regular.

Apoio e Orientação Familiar

As pessoas com esquizofrenia comumente vivem com seus familiares, sendo estes os principais responsáveis por seus cuidados no longo prazo. Por essa razão, é importante que os familiares entendam o que é a esquizofrenia, compreendam as dificuldades e problemas causados pela doença e pelo processo de tratamento.

Os familiares precisam receber apoio para que possam desenvolver estratégias para minimizar crises e recaídas, e para lidar com o próprio sofrimento. Grupos “Psicoeducativos”, coordenados por profissionais (em geral assistentes sociais, terapeutas de família ou psicólogos), têm-se mostrado uma intervenção útil para ajudar as famílias a desenvolverem estratégias e recursos para lidar com a doença. Essa modalidade de atendimento é ainda pouco desenvolvida nos serviços de tratamento existentes no Brasil, mas as evidências de que são importantes para uma melhor evolução do tratamento devem contribuir para que sejam oferecidos mais amplamente, tanto nos serviços de atendimento da rede pública como na clínica privada.

Grupos da auto-ajuda ou de ajuda mútua

Grupos de apoio e de ajuda mútua estão se tornando cada vez mais comuns. Embora não sejam coordenados por um terapeuta, esses grupos costumam ser terapêuticos porque os participantes encontram apoio e conforto em saber que não estão sozinhos nos problemas que enfrentam. Estes grupos são usualmente coordenados pelos próprios integrantes (portadores ou familiares) e constituem espaços úteis de troca de informações, de compartilhamento de conhecimento e experiências, e de fortalecimento para lidar com a convivência diária em casa. Ajudam a diminuir o isolamento dos familiares, facilitam a circulação de informações sobre serviços de tratamento e de recursos da comunidade. Grupos de ajuda mútua podem também servir a outras importantes funções.

Trabalhando juntas, as famílias podem exercer a defesa de direitos e demandar melhores condições de tratamento, serviços na comunidade e benefícios da lei.

Ao atuar em grupo, tanto portadores como familiares podem contribuir para diminuir o estigma e levar ao conhecimento do público a desatenção, abusos e a discriminação contra os portadores de transtornos mentais.

Os grupos e associações que estão se formando serão cada vez mais ativos e proverão informação e apoio aos portadores e familiares, e para isso precisam da participação de todos.

COMO AS PESSOAS PODEM AJUDAR?

A rede de apoio de um paciente pode conter várias pessoas e instituições incluindo a família, seu médico, terapeutas, serviço de tratamento, centro de convivência, igreja, amigos, vizinhos e outros. Há muitas situações em que os pacientes com esquizofrenia podem precisar de ajuda de pessoas da sua família ou da comunidade. Com freqüência, uma pessoa portadora de esquizofrenia poderá resistir ao tratamento, acreditando que os delírios ou as alucinações são reais e que a ajuda psiquiátrica não é necessária. À vezes, a família ou os amigos precisam intervir e levar seu parente ou conhecido a um serviço de atendimento psiquiátrico ou a um médico para ser avaliado.

Em situações de crise, com a presença de comportamentos que representem risco para o portador de esquizofrenia ou para as pessoas a seu redor (por exemplo, o portador recusa a alimentação e está muito abatido, ou assustado e ameaçando bater nas pessoas, ou sai de casa e vaga sem destino pelas ruas), essa pessoa deve ser levada ao Pronto-Socorro (PS) mais próximo. Neste PS, mesmo que não haja psiquiatra de plantão, é obrigatório que o paciente seja avaliado.

O médico que atendeu o paciente pode solicitar uma avaliação psiquiátrica numa unidade médica de referência, se achar necessário. Esta avaliação por psiquiatra pode ser necessária nos casos em que pode haver necessidade de internação psiquiátrica.

O portador de esquizofrenia e seus familiares devem ser atendidos com seriedade e humanidade pela equipe de saúde: casos de negligência ou violência com o paciente durante estes atendimentos precisam ser denunciados as autoridades competentes.

Às vezes, somente os familiares ou pessoas próximas percebem a alteração no comportamento ou nas idéias. Se o paciente não está conseguindo ou não quer falar sobre o que está acontecendo com ele, estas pessoas próximas precisam fornecer informações (e tem de ser atendidas e ouvidas pelo profissional procurado para avaliar o paciente), para que os dados relevantes sejam considerados.

Em casos onde a internação se fez necessária, é muito importante garantir a continuidade do tratamento após a hospitalização. Muitos pacientes param de tomar a medicação ou largam o tratamento e isso freqüentemente leva ao retorno dos sintomas da doença. Encorajar o paciente a continuar o tratamento e assisti-lo no processo de tratamento pode influenciar positivamente sua recuperação. Sem tratamento, algumas pessoas com esquizofrenia se tornam tão psicóticas e desorganizadas que não conseguem cuidar de suas necessidades básicas como alimentação, vestuário, higiene e moradia. Muito freqüentemente, pessoas com transtornos mentais como a esquizofrenia, sem nenhum tipo de assistência ou tratamento, acabam isolando-se completamente do convívio social. Alguns se tornam moradores de rua ou terminam envolvendo-se em delitos e vão presos. Com isso, acabam não recebendo o tratamento de que tanto precisam e perpetuando o problema do isolamento e exclusão social.

As pessoas próximas aos portadores freqüentemente sentem-se inseguras quanto a como responder quando estes fazem afirmações que parecem estranhas ou são claramente falsas. Para a pessoa com esquizofrenia, crenças bizarras ou alucinações parecem ser reais – não são apenas “fantasias” ou “imaginação”. Uma maneira de lidar com isso é não contestar nem simplesmente aceitar, mas dizer para a pessoa que, embora não entendamos tal questão da mesma maneira, ou não compartilhemos das mesmas sensações, reconhecemos e acreditamos que o que está sendo vivenciado é real para ele ou ela.

Também pode ser útil, para as pessoas que convivem com o portador, anotar quais sintomas observam, os medicamentos em uso (incluindo a dosagem), bem como os efeitos observados nos tratamentos experimentados anteriormente. Ao conhecer quais medicações ajudaram e quais causaram efeitos colaterais indesejáveis no passado, familiares ou cuidadores podem ajudar os profissionais que tratam o paciente a encontrar o melhor tratamento mais rapidamente. Além disso, ao conhecer quais sintomas já estiveram presentes, os familiares ou cuidadores podem lidar melhor com as oscilações e dificuldades diárias. Isso ajuda também a identificar “sinais de alerta” – indicadores de que o paciente possa estar recaindo. Estes sinais podem ser mudanças no padrão de sono, agitação ou aumento do isolamento. Se um início de recaída é logo detectado e tratado, previne-se um novo surto e isto diminui o sofrimento e as perdas para o paciente.

Além do envolvimento com a busca e a adesão ao tratamento, os familiares, amigos e grupos de ajuda mútua dão apoio e encorajam a pessoa com esquizofrenia a recobrar suas habilidades e interesses. É importante que se ajude o portador a estabelecer objetivos alcançáveis, uma vez que a “pressão” ou a crítica e exigência repetidas expõem a pessoa a um estresse que pode levar à piora dos sintomas. A pessoa que tem esquizofrenia, como todo mundo, precisa de reconhecimento quando está fazendo as coisas de maneira boa ou correta. É sempre bom lembrar que atitudes positivas podem ser mais úteis do que críticas.

QUAIS SÃO AS PERSPECTIVAS?

As perspectivas para as pessoas com esquizofrenia têm melhorado ao longo dos últimos 25 anos. Embora não tenhamos ainda um tratamento totalmente eficaz, é importante lembrar que muitas pessoas com esquizofrenia recuperam-se e podem levar uma vida independente e satisfatória. E conforme aprendemos mais sobre as causas e os tratamentos, aumentam nossas possibilidades de ajudar mais pacientes a viverem melhor.

Estudos que acompanharam pessoas com esquizofrenia por um longo período, desde o primeiro episódio psicótico até a velhice, revelaram que uma amplitude de desfechos é possível. Quando se estudam grandes grupos de pacientes, certos fatores tendem a ser associados com uma melhor evolução – por exemplo – um bom ajustamento social, escolar ou profissional anterior à doença. Entretanto, o estado atual do conhecimento não permite prever de maneira acurada como será a evolução da doença no longo prazo, em cada caso específico.

Dada a complexidade da doença, questões importantes tais como as causas, prevenção e o tratamento, precisam ainda ser mais pesquisadas. É importante ter cautela quando se ouve algo sobre “a cura” ou “a causa” da esquizofrenia. Tais afirmações tendem a gerar expectativas que podem levar a mais frustração na medida em que não se cumprem ou confirmam.

Fonte: www.abpcomunidade.org.br

Esquizofrenia

Introdução

A esquizofrenia não é uma “dupla personalidade”, como muitas pessoas imaginam por causa de seu nome. A doença é chamada esquizo (fragmentada ou partida) frenia (mente) porque faz com que suas vítimas sofram profundas deficiências na capacidade de pensar com clareza e sentir emoções normais. É, provavelmente, a doença mais devastadora tratada pelos psiquiatras.

Ela atinge as pessoas no exato momento de preparação para entrar na fase de suas vidas em que podem alcançar seu maior crescimento e produtividade (na adolescência ou no início da segunda década de vida), deixando a maioria delas incapaz de retornar à vida adulta normal: estudar, trabalhar, casar e ter filhos.Um estudo multicêntrico realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em diversos países encontrou a prevalência de 1%.

Em geral, a doença tem seu início no fim da adolescência e no começo da idade adulta, mas pode começar mais tardiamente, principalmente nas mulheres. Os homens apresentam um risco 1,4 a 2,3 vezes maior do que as mulheres de desenvolver esquizofrenia, com idade média de cinco anos menor, sendo o pico de incidência aos 15-25 anos nos homens e 25-35 anos nas mulheres.Segundo o The Global Burden of Disease, um estudo copatrocinado pela OMS sobre o custo de doenças médicas no mundo inteiro, a esquizofrenia está entre as 10 principais causas de incapacitação entre pessoas na faixa etária de 15 a 44 anos.

Etiologia

Do ponto de vista etiológico, é difícil estabelecer uma causa única. Existe uma concordância de que são necessários fatores predisponentes (genéticos, constitucionais, bioquímicos) em concomitância com fatores ambientais para o desenvolvimento da doença.A hipótese dopaminérgica é a mais citada como associada aos sintomas de esquizofrenia. A dopamina é um neurotransmissor central liberado em vesículas nas sinapses do Sistema Nervoso Central; na esquizofrenia, estariam envolvidos os sistemas mesolímbico e mesocortical. A teoria dopaminérgica baseia-se no fato de que a mediação antipsicótica bloqueia os receptores pós-sinápticos da dopamina do subtipo D2, ocorrendo com isso melhora da sintomatologia. Por outro lado, a administração de agonistas da dopamina piora a sintomatologia da esquizofrenia. Com o surgimento dos antipsicóticos “de segunda geração” (atípicos), que têm um perfil mais amplo, além do bloqueio dos receptores da dopamina, há o bloqueio dos receptores da serotonina do tipo 2 (5-HT2), sugerindo um papel para a serotonina na fisiopatologia da esquizofrenia.Outro neurotransmissor, o glutamato, também está relacionado ao desenvolvimento da esquizofrenia. Segundo a hipótese glutamatérgica, quantidades excessivas desse neurotransmissor são liberadas e exercem um efeito neurotóxico que desencadeia os sintomas da esquizofrenia. Portanto, nos últimos anos, há um questionamento sobre o fato de a teoria dopaminérgica ser a única disfunção relacionada à esquizofrenia. Estudos atuais sobre a neurobiologia da esquizofrenia avaliam a multiplicidade de fatores, abrangendo genética, anatomia (sobretudo mediante os exames de neuroimagem estruturais), circuitos funcionais (por exames de neuroimagem funcionais), neuropatologia, eletrofisiologia, neuroquímica, neurofarmacologia e neurodesenvolvimento.

História natural

A história natural da esquizofrenia pode ser dividida em quatro fases: pré-mórbida, prodrômica, progressão e estabilização.

Fase pré-morbida

A baixa sociabilidade, com predileção por atividades solitárias ou ansiedade social, e as alterações cognitivas (principalmente déficits de memória verbal, atenção e funções executivas), identificadas já em filhos de indivíduos portadores de esquizofrenia, podem ser consideradas alterações pré-mórbidas. Essas alterações no comportamento, observáveis desde a infância, podem progredir e estar associadas ao desenvolvimento da esquizofrenia.

Fase prodrômica

A fase prodrômica é caracterizada por um período variável de tempo, geralmente de meses, antecedendo a eclosão da psicose, em que o indivíduo pode apresentar um estado de apreensão e perplexidade sem um foco aparente, sendo comum o sentimento de que “algo está para acontecer”. Geralmente se nota uma mudança no comportamento da pessoa, que passa a ficar mais isolada e a demonstrar atitudes peculiares e excêntricas, podendo ocorrer sintomas psicóticos breves e transitórios.

Progressão

O período prodrômico culmina muitas vezes com o primeiro episódio de psicose e, nesse ponto, inicia-se a chamada fase progressiva da esquizofrenia, podendo ocorrer deterioração.

Estabilização

A esquizofrenia evolui para fase estável, sujeita a recaídas. Os sintomas negativos muitas vezes são detectáveis desde o princípio, ao passo que os sintomas positivos ocorrem durante o período de exacerbação.

Quadro clínico

Os sintomas característicos incluem alterações em quase todas as funções da esfera psíquica, ou seja, percepção, pensamento, linguagem, memória e funções executivas.

Os sintomas podem ser divididos em dois grupos: sintomas positivos e negativos. Os sintomas positivos são caracterizados pela presença de manifestações psíquicas que deveriam estar ausentes, enquanto os negativos se caracterizam pela ausência de manifestações psíquicas que deveriam estar presentes.

Esses sintomas estão descritos no Quadro 1 a seguir:

Quadro1: Presença de sintomas frequentes na esquizofrenia

Sintomas negativos Sintomas positivos
Embotamento afetivo

Expressão facial inalterada
Diminuição dos movimentos espontâneos
Pobreza de gestos expressivos
Pouco contato visual
Diminuição ou ausência de resposta afetiva
Afeto inapropriado
Falta de modulação vocal

Alucinações

Auditivas
Vozes que fazem comentário
Vozes que conversam entre si
Somáticas
Táteis
Olfativas
Visuais

Alogia

Pobreza de fala
Pobreza de conteúdo da fala
Bloqueio do pensamento
Maior latência de resposta

Delírios

Persecutórios
De ciúmes
Culpa
Pecado
Grandiosidade
Religiosos
Somáticos
De referência
De ser controlado
De leitura da mente
Transmissão de pensamento
Inserção de pensamento
Retirada de pensamento

Abulia-apatia

Deficiência nos cuidados pessoais e na higiene
Falta de persistência no trabalho ou nos
estudos
Anergia física

Comportamento bizarro

Roupas
Aparência
Comportamento social
Comportamento sexual
Agressivo/agitado
Repetitivo/estereotipado

Anedonia

Poucos interesses
Poucas atividades recreativas
Comprometimento das relações afetivas
Poucos relacionamentos com amigos

Alteração formal do pensamento

Descarrilamento
Tangencialidade
Incoerência
Falta de lógica
Fala acelerada
Reverberação
Neologismo

Diagnóstico diferencial

Os sintomas psicóticos são encontrados em muitas outras doenças, incluindo abuso de substâncias (alucinógenos, fenilciclidina, anfetaminas, cocaína, álcool), intoxicação devido a medicamentos de prescrição comum (corticosteroides, anticolinérgicos, levodopa), infecções, alterações metabólicas e endrocrinológicas, tumores e epilepsias do lobo temporal. Os transtornos mentais primários que devem ser diferenciados da esquizofrenia são o transtorno esquizoafetivo, o transtorno do humor, o transtorno delirante e os transtornos de personalidade. A principal distinção em relação ao transtorno esquizoafetivo ou os transtornos do humor com sintomas psicóticos é que na esquizofrenia uma síndrome depressiva ou maníaca completa ou está ausente ou se desenvolve após os sintomas mais significativos. A diferença em relação aos transtornos delirantes é que na esquizofrenia os delírios tendem a ser bizarros, com presença de alucinações e marcados por prejuízos na esfera afetiva.

Manejo terapêutico

O tratamento da esquizofrenia é realizado principalmente com o uso dos neuropléticos, também chamados de antipsicóticos de primeira ou segunda geração (atípicos) e as intervenções psicossociais.

Antipsicóticos

Os antipsicóticos de primeira geração têm como mecanismo de ação principal o bloqueio de receptores D2 de dopamina, pós-sinápticos, nas regiões mesolímbica e mesocortical. Acredita-se que esse bloqueio inicie uma cadeia de eventos responsável por ações terapêuticas agudas e de longo prazo. A alta afinidade pelos receptores dopaminérgicos no sistema nigroestriatal e túbero-infundibular está associada à indução das síndromes extrapiramidais, alterações dos movimentos, bem como de um estado de menor motivação e indiferença a estímulos que pode mimetizar sintomas negativos. Os antipsicóticos atípicos ou de segunda geração provavelmente bloqueiam os receptores serotoninérgicos pré-sinápticos (5HT2) e a ação antagonista D2 seletiva em regiões mesolímbicas, caracterizando-se clinicamente por um menor potencial em provocar sintomas extrapiramidais e alterações do movimento, além de eficácia superior na melhora de sintomas negativos e cognitivos.

Tratamento do episódio agudo da esquizofrenia

No episódio agudo, é importante o controle rápido da sintomatologia para aliviar o sofrimento e a angústia do paciente e de seus familiares. A primeira questão refere-se ao fato de o paciente necessitar ou não ser hospitalizado. A hospitalização é indicada quando há falta de suporte familiar e risco para o próprio paciente e os familiares.Quando há suporte familiar, em geral, não há necessidade de internação, e o paciente pode ser tratado ambulatorialmente. Em relação à escolha da droga, deve-se procurar usar uma só droga e evitar associações de medicamentos, bem como considerar experiências anteriores do paciente em relação à resposta a determinada droga. Os neurolépticos não diferem em relação à ação antipsicótica. Desde que sejam utilizadas doses equivalentes adequadas, a diferença se faz em relação aos efeitos colaterais (vide quadro 2). O efeito terapêutico nos quadros agudos ocorre entre 10 e 15 dias, e 95% dos pacientes que receberam a medicação em dose adequada apresentaram melhora entre 1 e 2 meses.

Quadro 2: Neuropléticos mais utilizados no Brasil

Antipsicóticos Doses recomendadas Efeitos colaterais
Clorpromazina 100-1000 mg/dia Sedação
Hipotensão
Efeitos anticolinérgicos
Levomepromazina 100-1000 mg/dia Sedação
Hipotensão
Efeitos anticolinérgicos
Trifluoperazina 2-30 mg/dia Sedação
Síndrome extrapiramidal
Clozapina 100-800 mg/dia Neutropenia/agranulocitose
Síndrome metabólica
Ganho de peso
Alteração do perfil lipídico
Aumento da glicemia
Sialorreia
Convulsões
Amisulprida 200-1200 mg/dia Hiperprolactinemia
Síndrome extrapiramidal
Risperidona 2-8 mg/dia Síndrome extrapiramidal
Hiperprolactinemia
Síndrome metabólica
Ganho de peso
Alteração do perfil lipídico
Aumento da glicemia
Olanzapina 10-30 mg/dia Síndrome metabólica
Ganho de peso
Alteração do perfil lipídico
Aumento da glicemia
Sedação
Quetiapina 300-800 mg/dia Síndrome metabólica
Ganho de peso
Alteração do perfil lipídico
Aumento da glicemia
Sedação
Ziprasidona 120-160 mg/dia Sedação
Acatisia
Prolongamento QTc
Aripiprazol 10-30 mg/dia Síndrome extrapiramidal
Acatisia
Haloperidol 5-20 mg/dia Síndrome extrapiramidal

Tratamento de manutenção

Os pacientes que se beneficiaram do tratamento agudo com medicações antipsicóticas são candidatos ao tratamento de manutenção de longo prazo, que tem como objetivo o controle da remissão dos sintomas psicóticos. Pelo menos 1 a 2 anos de tratamento são recomendados após o episódio psicótico inicial, em razão do alto risco de recaída e da possibilidade de deterioração social causada por novas recaídas. Se houver episódios múltiplos, são recomendados pelo menos cinco anos de tratamento, por aumentar o risco de recaídas e suas consequências. Os dados são inconclusivos, mas o tratamento por prazo indefinido ou talvez durante toda a vida provavelmente será necessário na maioria dos casos.

Neurolépticos de ação prolongada (depósito)

O uso contínuo de neuroléptico oral ou de depósito para o tratamento de manutenção de pacientes com esquizofrenia é provavelmente uma das práticas clínicas em psiquiatria mais embasadas por evidências científicas. A adesão ao tratamento é uma das principais dificuldades e está intimamente ligada às recaídas. Nesse sentido, foram desenvolvidos neurolépticos de ação prolongada que podem ser aplicados em intervalos de tempo mais prolongados, sem prejuízos dos níveis terapêuticos. Em vez de administrados diariamente, como ocorre com os neurolépticos orais, são aplicados em intervalos que variam de uma a quatro semanas.Os neurolépticos de ação prolongada devem ser indicados para pacientes que apresentam recaídas frequentes com neurolépticos orais, que geralmente são decorrentes do prejuízo da adesão ou de metabolizadores rápidos. Com as medicações de ação prolongada administradas por via intramuscular, evita-se a passagem pelo trato gastrintestinal e pelo fígado, permitindo maior biodisponibilidade. Por serem aplicados preferencialmente por via intramuscular profunda, eventualmente podem ocorrer irritações no local da aplicação, mas é um evento raro. O perfil dos demais efeitos colaterais é semelhante ao dos neurolépticos orais. Em relação ao haloperidol, a conversão da dose oral para a de ação prolongada é dose oral X 15-20 = a dose de ação prolongada/4 semanas. Essa dose pode ser dividida em períodos de duas semanas. A dose habitual do decanoato de haloperidol é 50-100 mg/4 semanas.

Intervenções psicossociais

À medida que as hospitalizações se tornarem mais breves, os tratamentos se direcionam para o atendimento ambulatorial e comunitário. Pacientes com esquizofrenia podem se beneficiar de programas de hospital-dia ou hospitalização parcial, especialmente aqueles com sintomas que não responderam de forma adequada à medicação. Esses programas devem ter atendimento durante a semana, integrando a intervenção farmacológica às intervenções psicossociais, incluindo terapia ocupacional, psicoterapia individual ou grupal, grupos operativos, oficinas protegidas, treinamento de habilidades sociais e terapia familiarA terapia familiar, combinada às intervenções diretamente direcionadas ao paciente, já demonstrou reduzir as taxas de recaídas na esquizofrenia, obtendo, consequentemente, um melhor prognóstico.As famílias necessitam de orientações sobre a natureza da doença, desenvolvimento de habilidades para o melhor relacionamento possível com o paciente, além de ajuste de suas expectativas aos reais limites de cada paciente e também compartilhar o sofrimento com outros familiares e a equipe de saúde quanto às dificuldades em conviver com um de seus membros com um transtorno mental com alterações marcantes em todas as esferas psíquicas (afetivas, volitivas e cognitivas), prejudicando, na maioria das vezes, de forma significativa o desempenho social, incluindo as relações familiares.

José Cássio do Nascimento Pitta

Fonte: www.unasus.unifesp.br

Esquizofrenia

01. INTRODUÇÃO

Antes mesmo de explicar o que são psicopatologias e discorrer sobre a esquizofrenia, tema deste trabalho, é preciso atentar para uma questão de grande relevância - o conceito de saúde e doença.

Segundo a Organização Mundial de Saúde: “Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente a ausência de doença ou enfermidade”, 1946. Definição questionável por visar a uma perfeição inatingível, atentando-se as próprias características da personalidade. O limiar que separa o estado de saúde ou doença é tão estreito que não se pode afirmar que um indivíduo hoje “dito normal”, amanhã não possa desenvolver algum tipo de patologia, desencadeada, seja por questões externas/objetivas ou internas/subjetivas.

Passeando um pouco pela história da humanidade, pode-se perceber que a discussão da anormalidade sempre permeou e permeia a existência da própria sociedade. Esta sempre explicou e tratou o comportamento anormal de diferentes maneiras em diferentes momentos. A forma como uma sociedade reage à anormalidade depende de seu sistema de crenças e valores sobre a vida e o comportamento humano.

As sociedades antigas, os antigos egípcios, árabes e hebreus acreditavam que o comportamento anormal era advindo de forças demoníacas e sobrenaturais, como deuses enfurecidos, maus espíritos e demônios que se apossavam dos humanos e os possuíam. Para expulsar esses demônios eram feitas preces, porções ou punição física como meio de forçar a saída dos mesmos.

Hipócrates, numa tentativa de explicar o comportamento anormal em termos de causas naturais, ao contrário das antigas civilizações, afirmou que o cérebro era o órgão responsável pelas doenças mentais, e o tratamento baseava-se na tentativa de equilibrar os humores.

Durante a Idade Média a idéia de Hipócrates foi sobremaneira relegada, devido a grande influência da religião que baseava sua crença na luta entre o bem e o mal, via a anormalidade como uma possessão; assim como os antigos egípcios, árabes e hebreus. Esses indivíduos ditos anormais eram considerados como ameaçadores a ordem social, sendo tratados a base do exorcismo para expulsar os demônios e muitas vezes condenados à morte.

A partir do século XVI, foi reconhecido que as pessoas anormais precisavam de atendimento e não de exorcismo ou condenação à morte. No início os pacientes eram presos e os hospitais pareciam mais um local de condenação do que um espaço terapêutico. A partir do século XIX, as doenças mentais passam a ter explicações psicológicas, com Mesmer e Charcot (explicações fisiológicas); Freud (explicações psicodinâmicas do inconsciente); Pavlov, Thorndike e Skinner (explicações psicológicas baseadas na aprendizagem), visão promulgada por Watson (comportamentalismo); esta visão comportamentalista foi combatida pela explicação cognitiva de que os pensamentos influenciam o comportamento. E na década de 50 as descobertas de drogas como forma de tratar o comportamento anormal, reavivam o interesse nas explicações fisiológicas.

Pode-se chegar a uma definição do comportamento anormal a partir do ponto de vista individual – sofrimento e incapacidade do indivíduo; e cultural – desvios da norma, desvios das normas culturais. Segundo Holmes (1994), “Comportamento anormal é o comportamento que é pessoalmente angustiante ou pessoalmente incapacitante ou é culturalmente tão afastado da norma que outros indivíduos o julgam como inapropriado ou mal-adaptativo”. Inserido nesta questão do comportamento anormal, fica claro que as psicopatologias são uma realidade e esta, é percebida e analisada de forma peculiar (ciência, religião, preconceito, etc.) de acordo com cada período e crenças que cercam a história da própria humanidade.

É nesse contexto que se verifica a importância do estudo da psicopatologia a fim de compreender o universo das doenças mentais. A psicopatologia é o estudo sistemático do comportamento, cognição e da experiência dessas atitudes anormais - é o estudo dos produtos de uma mente com um transtorno mental. E a esquizofrenia, é uma doença da mente complexa e será abordada neste trabalho. Um em cada 100 habitantes sofre de esquizofrenia, o que torna a doença bastante comum em todo o mundo. A esquizofrenia corresponde a uma situação clínica em que ocorre uma crise com a realidade, condicionando, por isso, os pensamentos, o comportamento e a relação do indivíduo com os outros. Embora conhecida desde há muitos anos, é ainda considerada uma das mais graves patologias mentais. Esta situação provocava uma exclusão social e familiar, que hoje em dia se pretende evitar, quer através de uma terapêutica farmacológica quer ainda através de programas de reabilitação psicossocial.

Ser portador de esquizofrênica não significa ter dupla personalidade. O termo se adequa para descrever um quadro de sintomas típicos, incluindo enganos, alucinações, desordem de pensamentos e ausência de respostas emotivas, aliadas aos fatores genéticos e tensões ambientais. È uma cisão de personalidade onde as figuras cindidas posuem nomes e características banais, grotescas, caricaturais, e, em muitos aspectos, contestáveis. Não colaboram com a consciência do paciente. Trata-se visivelmente de um caos de visões, vozes e tipos desconexos, todos de natureza violenta, estranha e incompreensível. O efeito desta doença é devastador do aspecto humano no que concerne ao pensamento, emoção e expressão. Não existe vislumbre de cura, porém, com o tratamento adequado, pode reduzir significativamente os sintomas e as reincidências de surtos em mais de 50%. Nos outros pacientes a doença segue seu curso numa flutuação entre altos surtos psicóticos, seguidos de remissão. Uma das características da doença é a perda da capacidade crítica do doente face à sua situação. Desta forma, o esquizofrênico não tem a noção da doença, ao contrário do que sucede com a maioria das enfermidades físicas, em que o indivíduo pede ajuda. Pelo contrário, o doente esquizofrênico não pede auxílio e isola-se, com receio de não ser compreendido pelos outros.

Este trabalho tem o objetivo de discorrer sobre as questões relacionadas a esta doença complexa, que será analisada a partir de uma perspectiva psicodinâmica, cognitiva, filosófica; e é claro, sobre o prisma da psicologia junguiana. Neste trabalho constarão também explicações sobre a psicogênese da esquizofrenia, sintomas, fases e tipos da doença; além de uma análise e crítica de cunho pessoal.

02. HISTÓRICO DA ESQUIZOFRENIA

Na busca pela conceituação e explicação da esquizofrenia, palavra que significa “cisão da mente” (esquizo = cisão, frenia = mente), Emil Kraepelin na Alemanha e Eugen Bleuler na Suíça enfocaram sua atenção sobre o problema.

Emil Kraeplin denominou o transtorno de dementia praecox e sugeriu que ele tinha um início precoce e caracterizava-se por uma deterioração intelectual progressiva e irreversível.

Foi a partir dessas duas características que ele derivou o nome do transtorno:

Praecox referia-se ao início precoce do transtorno.

Dementia referia-se a deterioração progressiva que ocorre

Com relação à natureza do transtorno sugeriu que os sintomas refletiam uma deterioração intelectual como a observada na selinidade e acreditava que o transtorno tinha uma base fisiológica.

O primeiro a utilizar o termo esquizofrenia foi o psiquiatra suíço, Eugen Bleuler em 1911, sobre os pacientes que tinham as características de desligados de seus processos de pensamentos e respostas emotivas.

Bleuler não acreditava não acreditava que o transtorno tinha um início precoce ou que ele inevitavelmente conduzisse à deterioração intelectual, ele usou uma definição mais ampla, incluiu muito mais indivíduos (mais velhos e mais novos, recuperados e crônicos) na classe diagnóstica e ofereceu um prognóstico mais otimista para os indivíduos diagnosticados como portadores de esquizofrenia. Com relação à natureza do transtorno Bleuler sugeriu que o mesmo envolvia um colapso de fios associativos que conectavam palavras, pensamentos e sentimentos.  Tal colapso foi usado para explicar os sintomas observados na esquizofrenia. E a denominação desse termo “Esquizofrenia” deve-se a esse colapso de associações.

Bleuler também acreditava que a causa do transtorno tinha uma base fisiológica e que os sintomas poderiam ser influenciados por uma base psicológica, como ele mesmo diz:

“Devemos concluir disto tudo que experiências físicas – usualmente de natureza desagradável – podem sem dúvida, afetar os sintomas esquizofrênicos. No entanto, é altamente improvável que a doença em si seja realmente produzida por tais fatores. Experiências e eventos psíquicos podem liberar os sintomas, mas não a doença”. (Bleuler, 1950, p. 345 in Holmes, 2001).

Na atualidade se aceita a idéia de Kraepelin de que o transtorno é progressivo e irreversível e consiste numa variedade de sintomas em diferentes combinações; e também com Bleuler de que o transtorno pode ter um início tardio e que ele deve ser denominado de esquizofrenia.

03. SINTOMAS DA ESQUIZOFRENIA

Referir-se ao termo esquizofrenia é falar sobre um conjunto de transtornos que abrange os mais complexos e assustadores sintomas que possamos verificar.

Os indivíduos portadores de esquizofrenia podem sentir bichos andando pelos seus corpos, ouvir vozes, manias de perseguição, imaginar e falar em coisas aparentemente sem nexo, sugerir conspirações, acreditar que são personalidades marcantes e históricas da sociedade como Jesus e outros. Como se pode verificar é um transtorno sério em termos tantos de sintomas que os acometem, como do número de indivíduos que sofrem dessa doença.

Os sintomas ultrapassam o domínio da experiência da maioria das pessoas. Entender quando se fala de ansiedade e depressão é até bastante fácil, a maior parte de nós em algum momento podemos tê-las sentido; as alucinações e delírios são bastante difíceis de compreender, já que a maioria de nós nunca as experimentamos ou vivenciamos. Por vezes, pode ser atemorizante e leva a reação de medo e terror. Medo esse justificado pelo fato da doença ser considerada incurável e que as pessoas as quais sofriam deste transtorno ser condenadas a viver nos hospitais psiquiátricos. Concepção esta ultrapassada e sem fundamento para os dias atuais. Alguns podem ter uma vida “normal”, desde que tenha acompanhamento adequado de um psiquiatra e psicoterapeuta. Outros têm o transtorno e não sabem que o tem.

Segundo Holmes (1998), os sintomas podem ser:

1. Cognitivos: que são os mais óbvios e importantes.

2. Sintomas de humor

3. Sintomas somáticos

4. Sintomas motores

 

1. Os sintomas cognitivos incluem:

As alucinações

Os delírios

Os processos de pensamentos perturbados

As inundações cognitivas

 

As Alucinações

São experiências nas quais as pessoas podem ouvir, sentir, cheirar ou vê coisas sem nenhum fundamento baseado na percepção da realidade. As alucinações mais comuns são as auditivas. Geralmente os portadores de esquizofrenia imaginam ouvir vozes que os perseguem, criticando seu comportamento e muitas vezes até dão ordens e eles agem como se realmente essas vozes fossem reais.

Ex.: "Eu ouço vozes quando estou sozinho no meu quarto, às vezes chamam-me nomes e insultam-me".

As alucinações táteis e somáticas também são bastante comuns, nas quais as pessoas podem sentir algo percorrendo o seu corpo, sensações de formigamento ou queimadura e até mesmo sensações internas no corpo. Já as alucinações visuais olfativas são também observadas, onde os portadores de esquizofrenia imaginam ver ou sentir cheiros que não estão presentes, porém são menos comuns. Para os portadores de esquizofrenia esses sintomas têm um sentido muito próprio de realidade e geralmente eles são incapazes de distinguir tais alucinações de percepções reais, o sentido de realidade fica totalmente comprometido quando se refere a tais alucinações.

Os Delírios

Os delírios se caracterizam por ser crenças bizarras que são mantidos a despeito de fortes evidências que comprovam o contrário. Os delírios são considerados bizarros se são claramente implausíveis e incompreensíveis Quanto mais bizarro o delírio, mais provável que o indivíduo esteja sofrendo de esquizofrenia.

Os delírios mais comuns são:

Delírios de perseguição: são os delírios nos qual o indivíduo portador de esquizofrenia imagina estar sendo perseguido, vigiado, que os outros o estão espiando ou planejando algo para prejudicá-lo. EX: "Hoje deu uma notícia na radio em que falava sobre a minha ligação ao escândalo da bolsa e a polícia anda atrás de mim”.

Delírios de referência: são os delírios nos quais objetos, eventos ou outras pessoas são vistos como apresentando algum sentido particular de resposta para eles.

Delírios de identidade: são os delírios nos quais os indivíduos portadores de esquizofrenia acreditam ser outra pessoa. Por exemplo: pensam ser Jesus, Napoleão, os Césares ou outros tantos famosos.

A maior parte dos indivíduos portadores da esquizofrenia desenvolve sistemas delirantes bastante elaborados envolvendo diversos delírios interrelacionados e as alucinações que eles experimentam são frequentemente relacionados aos seus delírios.

Os processos de pensamentos perturbados

Os processos de pensamentos perturbados dizem respeito à forma como os indivíduos com esquizofrenia pensam. Esses processos se caracterizam por um afrouxamento das ligações associativas entre os pensamentos, de maneira que esses indivíduos geralmente desviam-se para pensamentos irrelevantes, eles incluem essas idéias em suas conversações aparentemente sem nenhum nexo. Ex. "Hoje fui ao cinema ver um..., pois é a minha mãe é professora e eu vou passar de ano".  

Apesar de a conversação estar gramaticalmente correta, o sentido fica totalmente comprometido pela aparente natureza aleatória dos seus pensamentos, como denomina Holmes (1998): “são fugas de idéias ou saladas de palavras”p. 238. Quando há esses casos de perturbações de pensamentos, os indivíduos portadores de esquizofrenia têm prejudicado seu funcionamento intelectual, chamado de déficit esquizofrênico.

As Inundações cognitivas

A inundação cognitiva ou sobrecarga de estímulos se refere a uma ampliação excessiva da atenção; isto é, as pessoas portadoras de esquizofrenia têm uma sobrecarga de percepções, pensamentos e sentimentos. E esta inundação estar relacionada à atividade cerebral. Esse item não se encontra no DSM-IV.

1. Sintomas do humor:

Os indivíduos que sofrem de esquizofrenia são descritos como “embotados”, “não-modulados” ou “inapropriados”, pois os mesmos não são emocionalmente responsivos quanto deveriam ser as situações ambientais e interpessoais apresentadas. De modo geral, pode-se dizer que as emoções dessas pessoas são situacionalmente inapropriadas, elas dão à resposta errada a uma situação; ou melhor, elas dão a resposta certa a uma situação erroneamente percebida. A pessoa com esquizofrenia pode estar respondendo corretamente a sua interpretação idiossincrásica da situação (delírio), a alguma resposta interna (alucinação) ou algum pensamento concorrente (sobrecarga de estímulos).

1. Sintomas somáticos:

O sintoma somático mais evidente é o relacionado a estimulação fisiológica geral como: freqüência cardíaca, pressão sanguínea, sudorese. A evidência é tão inconsistente e contraditória que este item não se encontra listados no DSM-IV. Segundo Holmes (1998), em alguns estudos foi verificado que indivíduos com esquizofrenia  são mais fisiologicamente estimulados que os indivíduos normais; enquanto em outros estudos eles são menos estimulados. Esse conflito pode se referir a possibilidade de que diferentes níveis de estimulação estejam associados a distintos tipos de esquizofrenia ou a fases diferentes do transtorno. É possível também que o nível de estimulação seja uma função dos tipos de delírios experimentados. É preciso tomar cuidado para não confundir sintomas cognitivos com sintomas somáticos agudos. É preciso lembras que as drogas utilizadas para os quadros de esquizofrenia também causam sintomas somáticos, não se deve confundir efeitos do tratamento com os sintomas do transtorno.

4. Sintomas motores:

É grande a extensão dos sintomas motores na esquizofrenia. É característico de algumas pessoas com esquizofrenia permanecerem imóveis durante longos períodos de tempo, enquanto outras são mais agitadas e exigem nível elevado de atividade. Dentro dos sintomas motores, podem ocorrer contrações nas faces e movimentos repetidos de dedos e mãos. Esses movimentos podem ser aleatórios ou propositais, mas também podem estar relacionados aos delírios do paciente.

Faz-se preciso distinguir, assim como nos sintomas somáticos, os sintomas motores dos efeitos das medicações ingeridas pelo paciente. Muitas das drogas administradas ao paciente com esquizofrenia afetam as partes do cérebro responsáveis pelo comportamento motor e assim causam alguns tremores, contorções musculares e andar rígido, decorrentes do tratamento e não do transtorno em si.

O quadro clínico da esquizofrenia abrange uma gama ampla e variada de sintomas. È imprescindível reconhecer que diferentes indivíduos diagnosticados com esquizofrenia podem apresentar conjuntos de sintomas muito diferentes.

04. FASES E TIPOS DE ESQUIZOFRENIA

Os indivíduos que sofrem de esquizofrenia geralmente passam por três fases:

1ª Fase Prodômica

Uma fase na qual o funcionamento intelectual e interpessoal começam a deteriorar. Nessa fase, aparecem alguns comportamentos muito particulares, as emoções tornam-se inapropriadas e experiências perceptuais incomuns começam a ocorrer.

2ª Fase Ativa

É a fase onde o quadro de sintomas se torna nítida ou proeminente. Alucinações, delírios, distúrbios de pensamento e linguagem tornam-se identificáveis e o comportamento pode tornar-se mais desorganizado.

3ª Fase Residual

Nessa fase o quadro de sintomas torna-se menos claro, menos ativo e menos importantes para o indivíduo. Associado ao obscurecimento dos sintomas, tem um embotamento geral ou uma não-modulação do humor e um declínio geral do desempenho intelectual. Alguns autores ainda caracterizam uma terceira fase, chamada de crônica, fase mais extrema da residual geralmente mais característica dos pacientes que foram internados durante anos em hospitais psiquiátricos. Os indivíduos crônicos não apresentam mais os sintomas característicos das primeiras fases, mas uma deterioração séria de habilidades sociais.

A esquizofrenia envolve um grupo de transtornos, e para melhor entendê-los no DSM-IV foram feitas distinções entre cinco tipos de esquizofrenias. Cada tipo é diferenciado do outro pela ausência ou predominância de certos sintomas ou conjunto de sintomas.

A esquizofrenia tipo paranóide

Este tipo de esquizofrenia é o mais comum e também o que responde melhor ao tratamento. Diz-se, por causa disso, que tem prognóstico melhor. O paciente que sofre esta condição pode pensar que o mundo inteiro o persegue que as pessoas falam mal dele, têm inveja, ridicularizam-no, pensam mal dele, elas têm intenções de fazer-lhe mal, de prejudicá-lo, de matá-lo, etc. Trata-se dos delírios de perseguição.

Não é raro que este tipo de paciente tenha também delírios de grandeza, idéias além de suas possibilidades: “Eu sou o melhor cantor do mundo. Nada me supera. Nem Frank Sinatra é melhor”. Esses pensamentos podem vir acompanhados de alucinações, aparição de pessoas mortas, diabos, deuses, alienígenas e outros elementos sobrenaturais. Algumas vezes esses pacientes chegam a ter idéias religiosas e/o políticas, proclamando-se salvadores da terra ou da raça humana. Tais pacientes não apresentam desorganização de pensamentos ou comportamento, tendem a serem ansiosos argumentativos e às vezes violentos quando confrontados.

A esquizofrenia tipo hebefrênica ou desorganizada

Neste grupo se incluem os pacientes que têm problemas de concentração, pouca coerência de pensamento, pobreza do raciocínio, discurso infantil. Às vezes, fazem comentários fora do contexto e se desviam totalmente do tema da conversação. Expressam uma falta de emoção ou emoções pouco apropriadas, rindo-se a gargalhadas em ocasiões solenes, rompendo a chorar por nenhuma razão em particular, etc. Neste grupo também é freqüente a aparição de delírios (crenças falsas), por exemplo, que o vento move na direção que eles querem, que se comunicam com outras pessoas por telepatia, etc. Tais pacientes, não apresentam um conjunto sistematizado de delírios e, assim, não há nenhuma estrutura compreensível para o seu padrão de sintomas.

A esquizofrenia tipo catatônica

É o tipo menos freqüente de esquizofrenia. Apresenta como característica transtornos psicomotores, tornando difícil ou impossível ao paciente mover-se. Na forma clássica, o paciente catatônico é estuporado e apresenta o que é denominado cataplexia (flexibilidade cérea). Talvez passe horas sentado na mesma posição. A falta de fala também é freqüente neste grupo, assim como alguma atividade física sem propósito. Em contraste, alguns pacientes apresentam elevado nível de atividade motora envolvendo comportamentos frenéticos e excitados e ainda outros podem vacilar entre o estupor e a excitação.

A esquizofrenia tipo residual

Esse termo é usado pare se referir a uma esquizofrenia que já tem muitos anos e com muitas seqüelas. O prejuízo que existe na personalidade desses pacientes já não depende mais dos surtos agudos. Na esquizofrenia assim cronificada podem predominar sintomas como o isolamentos social, o comportamento excêntrico, emoções pouco apropriadas e pensamentos ilógicos. Ademais, sintomas como alucinações e delírios são freqüentes ou vagos.

A esquizofrenia tipo não diferenciado

Enquadram-se aqui aqueles pacientes que não se podem classificar em nenhum dos grupos mencionados. A estes pacientes se pode dar o diagnóstico de esquizofrenia indiferenciada.

Embora a esquizofrenia seja tecnicamente dividida em tipos, os sintomas observados em pessoas portadoras dessa doença podem mudar ao longo do tempo.

Até bem pouco tempo se pensava que a esquizofrenia era sempre incurável e que se convertia, obrigatoriamente, numa doença crônica e por vida. Hoje em dia, entretanto, sabemos que este não é necessariamente o caso e uma porcentagem de pessoas que sofrem deste transtorno pode recuperar-se por completo e levar uma vida normal como qualquer outra pessoa. Outras pessoas, com quadros mais graves, apesar de precisarem da medicação, chegam a melhorar até o ponto de poderem desempenhar o trabalho, casar-se e ter família. Embora não se possa falar em “cura total”, a reabilitação psicossocial da expressiva maioria desses pacientes tem sido bastante evidente. 

05. TRANSTORNOS E QUESTÕES RELACIONADAS À ESQUIZOFRENIA

Já tendo descrito sobre o quadro clínico os cinco tipos de esquizofrenias, é importante fazer uma diferenciação entre a esquizofrenia em si os transtornos que envolvem os mesmos sintomas desta doença.

A esquizofrenia é uma perturbação que dura pelo menos seis meses e inclui pelo menos um mês de sintomas da fase ativa; isto é, dois ou mais dos seguintes: delírios, alucinações, discurso desorganizado, comportamento amplamente desorganizado ou catatônico, sintomas negativos; já os transtornos não.

Os transtornos incluídos neste capítulo caracterizam-se por terem como aspecto definidor a presença de sintomas psicóticos. O termo psicótico tem recebido, historicamente, diversas definições diferentes, nenhuma conquistando aceitação universal. A definição mais estreita de psicótico está restrita a delírios ou alucinações proeminentes, com as alucinações ocorrendo na ausência de insight para sua natureza patológica. Uma definição levemente menos restritiva inclui também alucinações proeminentes que o indivíduo percebe como sendo experiências alucinatórias. Ainda mais ampla é a definição que também inclui outros sintomas positivos da Esquizofrenia; isto é, discurso desorganizado, comportamento amplamente desorganizado ou catatônico.

Diferentemente dessas definições baseadas em sintomas, a definição usada em classificações anteriores provavelmente era demasiado abrangente e focalizada na gravidade do prejuízo funcional, de modo que um transtorno mental era chamado de "psicótico" se resultava em "prejuízo que interfere amplamente na capacidade de atender às exigências da vida". Finalmente, o termo foi conceitualmente definido como uma perda dos limites do ego ou um amplo prejuízo no teste de realidade. Os diferentes transtornos nesta seção salientam diferentes aspectos das várias definições de psicótico.

Na Esquizofrenia, no transtorno esquizofreniforme e no transtorno psicótico breve, o termo psicótico refere-se a delírios, quaisquer alucinações proeminentes, discurso desorganizado ou comportamento desorganizado ou catatônico.

No transtorno psicótico devido a uma condição médica geral e no transtorno psicótico induzido por substância, psicótico refere-se a delírios ou apenas àquelas alucinações que não são acompanhadas de insight.

Finalmente, no transtorno delirante e no transtorno psicótico compartilhado, psicótico equivale a delirante.

Transtorno Psicótico Breve

É uma perturbação psicótica com duração maior que um dia e remissão em um mês, e na maioria dos casos é considerada como originária de um estresse avassalador. Este padrão de sintomas contrasta com a esquizofrenia por estar continuar por um período longo da vida do indivíduo e o início da qual não está usualmente associado a quaisquer eventos ou estresse associados.

Ex: esse transtorno pode aparecer após guerras, terremotos, etc.

Transtorno esquizofreniforme

Caracteriza-se por um quadro sintomático equivalente à Esquizofrenia, exceto por sua duração; isto é, a perturbação dura de um a seis meses, e pela ausência da exigência de um declínio no funcionamento. Assim como na esquizofrenia ele não parece ser disparado por um estresse particular, ele assume a forma de esquizofrenia, mas devido a sua duração mais curta, ele não é considerado esquizofrenia.

Transtorno Esquizoafetivo

É uma perturbação na qual um episódio de humor e sintomas da fase ativa da esquizofrenia ocorrem juntos e foram precedidos ou seguidos por pelo menos duas semanas de delírios ou alucinações sem sintomas proeminentes de humor. Envolve uma combinação de esquizofrenia e um transtorno de humor (depressão ou mania).

Transtorno Psicótico induzido por substâncias

Os sintomas psicóticos são considerados uma conseqüência fisiológica direta de uma droga de abuso, um medicamento ou exposição à toxina.

Transtorno psicótico compartilhado

É uma perturbação que se desenvolve em um indivíduo influenciado por outra pessoa com um delírio estabelecido de conteúdo similar.

Transtorno delirante (paranóide)

Caracteriza-se por pelo menos um mês de delírios não-bizarros sem outros sintomas da fase ativa da esquizofrenia. Esses delírios envolvem situações que poderiam ocorrer na vida real, tais como ser seguido, envenenado, infectado, amado a distância ou enganado por outros. Alucinações auditivas e visuais podem ocorrer, mas são limitadas a alguns breves momentos e não ao longo do dia como é o caso da esquizofrenia. Os indivíduos com transtorno delirante não apresentam as alucinações persistentes, distúrbios de pensamento e declínio geral no desempenho intelectual observados na esquizofrenia.

Transtorno psicótico devido a uma condição médica geral

Os sintomas psicóticos são considerados uma conseqüência fisiológica direta de uma condição médica geral.

O transtorno psicótico sem outra especificação é incluído para a classificação de quadros psicóticos que não satisfazem os critérios para qualquer dos transtornos psicóticos específicos definidos nesta seção ou de uma sintomatologia psicótica acerca da qual existem informações inadequadas ou contraditórias.

Os transtornos de personalidade esquizotípico ou esquizóide são transtornos de personalidade e não de psicoses. Um indivíduo com o transtorno da Os personalidade esquizóide apresenta o humor não-modulado e isolamento social, mas não os sintomas cognitivos como alucinações, delírios ou processos de pensamento perturbados.

Características específicas à cultura, à idade e ao gênero

Os médicos que avaliam os sintomas de esquizofrenia em situações sócio-econômicas ou culturais diferentes das suas próprias devem levar em conta as diferenças culturais. Idéias que parecem delirantes em uma cultura podem ser bem aceitas noutra. Não há grupo cultural imune, embora o curso da doença pareça ser mais severo em países em desenvolvimento. O início da esquizofrenia tipicamente ocorre entre o final da adolescência e meados da década dos 30, sendo raro o início antes da adolescência, embora haja relatos de casos com início aos 5 ou 6 anos. Os casos de aparecimento tardio tendem a ser similares à esquizofrenia de início mais precoce, exceto por uma proporção maior de mulheres, uma melhor história ocupacional e maior freqüência de casamentos. A apresentação clínica tende mais a incluir delírios e alucinações paranóides, sendo menos propensa a incluir sintomas desorganizados e negativos. Existem diferenças de gênero na apresentação e curso da esquizofrenia. As mulheres estão mais propensas a ter um aparecimento tardio da condição, mais sintomas proeminentes de humor e um melhor prognóstico. Embora há muito se afirme que homens e mulheres são afetados em proporções basicamente iguais, estas estimativas relativas à distribuição entre os sexos são confundidas por questões de determinação e definição. Estudos baseados em hospitais sugerem uma incidência superior de esquizofrenia em homens, ao passo que estudos baseados na comunidade têm sugerido, em sua maior parte, uma distribuição igual entre os sexos.

Esquizofrenia e classe social

Pessoas da classe mais baixa tendem mais a ser diagnosticadas como sofrendo de esquizofrenia do que as de classe alta. Segundo relata Holmes, 1998, a taxa de esquizofrenia nas classes baixas é de oito vezes a classe alta. A taxa de esquizofrenia é mais alta nos centro das grandes cidades do que nos campos. O modelo sociogênico da esquizofrenia indica que os estresses ambientais associados a viver na classe mais baixa causam ou contribuem para o desenvolvimento da esquizofrenia.

Padrão Familiar

Até o momento têm sido inclusivos os estudos que afirmam, indubitavelmente, se a esquizofrenia é genética (gene que conduza em direção a doença) ou hereditária (doença genética que se transmitirá, com certeza, de uma geração para outra), embora já se tenha certeza absoluta de que a probabilidade de filhos esquizofrênicos é maior se um dos pais for esquizofrênico e, muito maior, se ambos forem. Na população geral a esquizofrenia aparece numa de cada cem pessoas (fator de risco 1%). Se tiver avô com esquizofrenia o fator de risco sobe para 3%, se um dos pais ou irmão sofre da doença o risco é de 10-20% e se ambos os pais sofrem de esquizofrenia o risco é de 40-50%.

Complicações de parto

Os estudos indicam que indivíduos com esquizofrenia têm uma incidência maior com os problemas que cercam o nascimento, parecendo que as complicações de trabalho de parto aumentam o seu risco, ex: um período curto de gestação e peso baixo no recém-nascido, mães deprimidas ou que passaram por um episódio de depressão durante sua gravidez., grávidas que sofreram fome ou deficiência de nutrição; além de  uma incidência de risco aumentado para aqueles bebês não alimentados pelo peito materno.

06. ABORDAGEN PSICODINÂMICA DA ESQUIZOFRENIA

Segundo Freud, os indivíduos usam uma tática para lidar com o conflito e estresses esmagadores – a regressão.  Retornar a um estado anterior do desenvolvimento psicossexual no qual o indivíduo sentiu-se mais seguro. Alguns indivíduos não estão preparados para a batalha e tendem a regredir em face do conflito e do estresse. Numa linguagem junguiana, o indivíduo tende voltar para a “mãe”, para o aconchego do afago, do alimento, do calor, da participação mística com a mãe – essa é a influência do arquétipo materno, neste contexto precisaria buscar o herói e lutar para desbravar este mundo “perigoso e amedrontador”. A dinâmica da energia psíquica encontra-se também em regressão, na medida em que se volta para uma tentativa de adaptação ao mundo interno, e ao inconsciente.

No caso da esquizofrenia considera-se que o indivíduo regrediu todo caminho de volta a um estágio de bebê ou ao estágio oral do desenvolvimento psicossexual.

O comportamento de um indivíduo com esquizofrenia é considerado semelhante ao de um bebê ou de uma criança. Um indivíduo s no estágio oral, que deseja algo, precisa apenas fantasiar para que isto exista Muitas crianças tem amigos imaginários que se tornam quase reais para elas. Para a pessoa que regrediu e desenvolveu esquizofrenia, esses amigos imaginários são reais. A diferença entre os adultos bem ajustados, é que estes têm egos bem desenvolvidos que estabelecem limitem sobre a atividade da fantasia, constantemente checando-a com a realidade. No entanto, mesmo os indivíduos bem ajustados têm lapsos ocasionais no controle do ego, que permitem vislumbres de pensamentos semelhantes ao psicótico. Isto tende mais a ocorrer durante os sonhos ou enquanto estamos muito relaxados e o ego encontra-se menos vigilante.

Essa relação mãe-filho é crucial no desenvolvimento da esquizofrenia. Geralmente as mães dos filhos que nasceram com esquizofrenia são superprotetoras e controladoras, mas, ao mesmo tempo, rejeitadoras e distantes. A superproteção da mãe supostamente sufoca o desenvolvimento emocional da criança enquanto sua distância emocional priva a criança de segurança pessoal. O desenvolvimento emocional limitado em combinação com falta de segurança deixa o indivíduo vulnerável e quando se defronta com estresse o indivíduo entra em colapso.

Na esquizofrenia a sensação de invasão do self parece ser fundamental para a natureza da condição, como esta é experienciada; os sintomas de primeira ordem têm em comum a permeabilidade da barreira entre o indivíduo e seu ambiente, a perda dos limites do ego. Existe uma fusão entre o self e o não-self (“eu” e “não-eu”). O paciente não está consciente de que a perturbação diz respeito aos limites do ego. O observador externo encontra uma turvação ou perda dos limites do self, que não é aparente ao próprio paciente. Todas as experiências de passividade atribuem falsamente função a influências não-self vindas do exterior, que na verdade estão vindo de dentro do self. Sensações, emoções, impulsos e ações que na realidade objetiva vêm de dentro do self são atribuídos ao não-self. È uma falta de definição dos limites do self.

07. ABORGAGEM JUNGUIANA DA ESQUIZOFRENIA

No início da segunda metade do século XX Jung fez considerações e expôs sua opinião como psiquiatra a respeito da esquizofrenia fazendo comparações a respeito do comportamento neurótico e psicótico. Segundo ele, a dissociação psicótica se caracteriza por uma dissociação fisiológica da personalidade e assistemática dos elementos psíquicos, das idéias. Acredita-se que a etiologia da esquizofrenia seja fundamentalmente orgânica, apesar de não se ter podido comprovar a existência de lesões específicas das células cerebrais. Os esquizofrênicos possuem uma causalidade e finalidade psíquica. Enquanto o eu numa pessoa normal é o sujeito da experiência, no esquizofrênico, o eu é somente um dos sujeitos da experiência; isto é, o sujeito normal se fragmenta numa pluralidade de sujeitos e complexos autônomos, como diz a palavra esquizofrenia em seu sentido próprio. Existem inúmeros sujeitos e não apenas um eu central capaz de viver e reagir afetivamente. A ligação entre o eu e os demais complexos encontra-se rompida. A cisão é absoluta. A unidade da personalidade parte-se em pedaços. A dissociação pode chegar ao ponto de criar uma ou mais personalidades secundárias, onde cada uma delas parece possuir uma consciência própria.

Os sintomas da esquizofrenia são mais equivalentes aos fenômenos observados no sonho e nas intoxicações, considerando o sonho como fenômeno normal do sono; pois o sonho tem uma analogia com a desintegração da esquizofrenia no que se refere à falta de um absenteísmo (P. Janet) do nível mental. Esse absenteísmo tem início numa diminuição da concentração e atenção e leva não apenas a perda de valor das associações, mas uma perda de sentido das próprias palavras, e perturbação do contexto temático por intervenções curiosas e sem lógica.

Na esquizofrenia a consciência não está diminuída como no sonho, a memória e a orientação funcionam normalmente, a não ser quando existe algum processo delirante. Os fenômenos da esquizofrenia não são causados por uma diminuição geral da atenção ou da consciência, eles dependem de algum fator perturbador que está relacionado a alguns fatores psíquicos particulares. Não se pode dizer quais idéias serão perturbadas mesmo conhecendo a probabilidade de ser pertencente ao campo emocional de um complexo reconhecível, cuja existência em si não represente uma característica específica esquizofrênica.

Como diz Jung (1971), p. 239: “Um complexo emocional pode perturbar a atenção geral e a atenção mas jamais destrói seus próprios elementos psíquicos ou o seu conteúdo, como acontece num complexo esquizofrênico”. O complexo esquizofrênico se caracteriza por uma deterioração particular e por uma fragmentação das idéias onde o campo da atenção se vê bem pouco perturbado, é como se o complexo se auto-aniquilasse ao distorcer sua possibilidade de expressão através de um pensamento ou fala ordenados. O complexo esquizofrênico utiliza sua própria energia para extrair seus conteúdos através do absenteísmo do nível mental.

Enfim, a intensidade emocional do complexo conduz a um absenteísmo dos seus próprios fundamentos ou ao distúrbio da síntese normal das idéias.

A autodestruição do complexo se exprime pelo distúrbio da capacidade de expressão e comunicação; e, além disso, existe o fato relativo a uma afetividade inadequada. Segundo Jung, na esquizofrenia esta é sempre sistemática e apenas identificável por um olho clínico experiente. Na esquizofrenia a sensibilidade está sendo sempre perturbada, a falta ou outro tipo de inadequação da sensibilidade não aparece apenas na região do complexo, e sim, em todos os comportamentos.

Este comportamento curioso do complexo esquizofrênico é possível ser admitido por uma possibilidade da existência de uma causa tóxica, relacionada a uma desintegração orgânica local ou uma alteração fisiológica produzida por uma pressão emocional que excede a capacidade das células cerebrais. Compreender o conteúdo da esquizofrenia e sua significação é fundamental para o profissional que estuda e lida com essa doença.

É importante saber que a mesma abarca dois aspectos importantes: o bioquímico e o psicológico. Nesse aspecto fica claro que se faz necessário o trabalho psicoterapeutico; já que, existem conteúdos pessoais e outros que fogem as circunstâncias individuais da vida. Os conteúdos psicóticos principalmente nos casos paranóides, mostram uma analogia maior com os grandes sonhos, os sonhos com caráter numinoso, onde as imagens carregam motivos míticos, materiais presente no inconsciente coletivo – chamado de arquétipos, matriz de todas as expressões mitológicas que não surgem apenas sob condições altamente emocionais, mas constituem sua própria causa.

“No meu entender, a investigação da esquizofrenia constitui uma das tarefas mais importantes da psiquiatria futura. O problema encerra dois aspectos, um fisiológico e outro psicológico, pois, como se pode perceber, essa doença não se satisfaz com uma única explicação. Sua sintomatologia indica, por um lado, um processo basicamente destrutivo, talvez de natureza tóxica, e, por outro, um fator psíquico de igual importância, já que não se pode abandonar uma etiologia psicogênica e a possibilidade de um tratamento psicológico ao menos em alguns casos. Os dois caminhos abrem visões ricas e abrangentes tanto no campo teórico como no terapêutico”. (Jung, Vol. III, p. 242.)

Na esquizofrenia encontram-se, com muita freqüência, conteúdos estranhos que inundam a consciência de maneira mais ou menos repentina e fragmentam a coesão interna da personalidade de forma característica. A esquizofrenia apresenta um quadro de acidentalidade assistemática que, muitas vezes, mutila a continuidade de sentido, a ponto de se tornar irreconhecível. Os distúrbios esquizofrênicos podem ser tratados e curados por meios psicológicos, pois o paciente esquizofrênico se comporta em relação ao tratamento da mesma maneira que o neurótico possui os mesmos complexos, os mesmos insights e necessidades, diferindo na solidez de estrutura.

O esquizofrênico latente deve sempre contar com a possibilidade de sua estrutura vir a ceder em algum ponto, que ocorra uma fragmentação no campo das idéias e conceitos, e perder a coerência com outras esferas de associações e o mundo externo. Sente-se ameaçado por um caos incontrolável de acontecimentos causais, encontra-se num solo movediço e às vezes sabe disso. Os perigos de sua situação aparecem nos sonhos drásticos de grandes catástrofes, ou então o solo onde se encontra começa a tremer, as paredes se desmoronam, a terra se liquefaz, os parentes morrem; enfim são imagens que descrevem representações de um distúrbio fundamental em relação ao doente e o mundo que o cerca e o isolamento que o ameaça. A causa do distúrbio é um afeto violento. O tratamento ou a irrupção desses processos nem sempre exige medidas drásticas, pode-se levar a mente do paciente a uma distância segura do seu inconsciente induzindo-o a representar esse estado caótico num desenho ou pintura. Esse estado caótico, então, poderá ser visualizado, objetivado e interpretado pela consciência.

08. TRATAMENTO DA ESQUIZOFRENIA

Apesar das infinitas investigações, a origem da esquizofrenia ainda não está clara. O que está claro, entretanto, é que não é causada por um trauma infantil, nem por um mau comportamento por parte dos pais. Nos anos 60 e 70 muitas investigações se realizaram no campo da terapia familiar, sobre o comportamento de as famílias e transtornos mentais. Encontraram vários patrões de conduta comuns a famílias com problemas de saúde mental, o qual conduz a alguns profissionais a concluir, erroneamente, que a família poderia ser culpada pelos transtornos mentais de seus filhos. Nada mais falso.

Os sintomas da esquizofrenia resultam de desequilíbrios de substâncias neuroquímicas no cérebro, tias como a dopamina, serotonina, e noradrenalina. As últimas investigações indicam que estes desequilíbrios podem estar presentes no cérebro, inclusive antes do nascimento da pessoa. Entretanto, o comportamento da família influi fortemente na reabilitação do individuo com esquizofrenia. Os estudos demonstram que a intervenção da família é de grande importância na prevenção das recaídas.  

Todos os medicamentos produzem efeitos secundários e a medicação prescrita em casos de esquizofrenia não é uma exceção. A medicação que se prescreve aos pacientes com esquizofrenia se chama antipsicótico, antes chamados neuroléptico. Os efeitos secundários nem sempre são evidentes e são de menor gravidade que os próprios sintomas da esquizofrenia. Muitos pacientes cometem o erro de deixar de tomar a medicação quando aparecem estes efeitos ou quando algum conhecido “alerta” para os perigos de tais medicamentos. Na realidade o que tem que ser feito é informar-se com o psiquiatra ou psicoterapeuta sobre as dúvidas e sobre o que está sentindo. É muito importante saber diferenciar entre os efeitos secundários da medicação e os próprios sintomas da esquizofrenia.

Os efeitos colaterais mais comuns são:

Sonolência

A sonolência é um aumento no sono do paciente. Talvez seja difícil levantar-se da cama de manhã, dorme mais que o normal, tem vontade de dormir durante o dia, etc. Por outro lado não são raros os comentários como "Estou dopado", "Sinto-me como um zumbi", ou outros similares.

Efeitos extrapiramidais ou parkinsonismo

Esses sintomas são assim chamados pela semelhança com os sintomas da Doença de Parkinson.

Os efeitos parkinsonianos se manifestam na forma de movimentos ou posturas involuntárias: o tremor das mãos, flexões ou fixações dos músculos. Assim sendo, não é raro que o paciente usando antipsicóticos tenha a boca ou os músculos da face numa postura entranha, talvez a boca permaneça aberta ou semi-aberta.

Também é possível que a língua se força para um lado, dificultando a fala ou fazendo com que a saliva escorra da boca.

Efeitos anticolinérgicos

Esses efeitos secundários se referem a visão borrada, secura da boca, retenção urinária, hipotensão arterial.

Dificuldades sexuais

Poucas vezes se encontram citadas como efeitos secundários dessa medicação. Também pode ser provável que os sintomas sexuais se devam a sintomas da depressão que às vezes acompanha a esquizofrenia. 

Acatisia Consiste numa inquietação constante. O paciente é incapaz de sentar-se no mesmo lugar durante muito tempo. Ele se levanta e muda de assento várias vezes em poucos minutos ou se ajusta muitas vezes no sofá. Este é um efeito secundário bastante desconfortável porque os que estão próximos podem pensar erroneamente que o paciente está nervoso. A acatisia é um efeito secundário que pode chegar a ser muito molesto para o paciente e tem solução fácil; com pequenas modificações do tratamento. 

Benefícios do tratamento medicamentoso:

Elimina vozes, visões e o falar consigo mesmo.
Elimina as crenças entranhas e falsas (delírios).
Diminui a tensão e agitação.
Ajuda a pensar com clareza e a concentrar-se melhor.
Reduz os medos, a confusão e a insônia.
Ajuda a falar de forma coerente.
Ajuda a sentir-se mais feliz, mais expansivo e mais sadio.
Ajuda a se comportar de forma mais apropriada.
Os pensamentos hostis, estanhos ou agressivos desaparecem.
Diminuem muito as recidivas e a necessidade de internação hospitalar

O tratamento farmacológico, medicamentoso é fundamental na esquizofrenia. Se houver uma única possibilidade, esta deve ser o tratamento medicamentoso de escolha.

O reconhecimento precoce da doença ou das recaídas e a instituição rápida do tratamento com antipsicóticos aumentam as possibilidades de se evitar a cronificação da esquizofrenia. É muito importante que o portador de esquizofrenia seja conscientizado da doença e das etapas de tratamento o sucesso deste. O portador deve ser orientado sobre sua doença, suas características e seu diagnóstico. A questão fundamental é saber escolher o momento adequado para essa comunicação; pois, durante o surto agudo, evidentemente, será o pior momento. A esquizofrenia é uma doença, em geral, de curso crônico. Toda doença crônica necessita de acompanhamento por tempo indeterminado. Esse acompanhamento visa identificar o curso da doença, seus aspectos evolutivos e a prevenção de recaídas. Em determinados momentos do surto agudo ou da crise, a internação pode ser útil ou até indispensável. Apesar de a doença ser crônica e grave, ela é perfeitamente controlável na imensa maioria dos casos. O tratamento psicossocial visa à reabilitação do indivíduo, a recuperação das habilidades perdidas e sua capacitação para as atividades cotidianas. A doença existe e é real, mas com um tratamento adequado e bem orientado o portador de esquizofrenia pode ter uma vida normal ou muito próxima da normalidade.

09. CONSIDERAÇÕES GERAIS

Comparo a esquizofrenia com uma corrente composta por vários elos interligados. Esta seria a metáfora para o pensamento lógico. Num esquizofrênico, os elos da corrente soltam-se e as idéias surgem sem uma seqüência causal, condicionando o comportamento e os sentimentos. Aquilo que é realidade hoje poderá deixar de ser amanhã.

Objetos, palavras, números, cores... ganham significados totalmente inesperados: "Os barcos que atracam no Tejo estão a espiar-me"; "o gravador tinha escutas"; "a comida tem veneno"... Mudanças súbitas de humor, desconfiança extrema, provocação, confusão, isolamento, incompreensão... A intercalar, alguns momentos de lucidez, arrependimento, choro, desamparo total... procura desesperada de um carinho... Ainda assim, os medicamentos existentes permitem criar uma ligação artificial entre estes elos da corrente, razão pela qual um doente que aceda a fazer um tratamento efetivo e continuado poderá alterar estas características e voltar a aproximar-se do 'mundo real', tal qual conhecemos.

Os portadores de esquizofrenia sofrem na ausência de cuidados especiais. Têm dificuldades para trabalhos e seus relacionamentos são prejudicados e difíceis, mesmo com a melhora dos sintomas. Apesar do comportamento do esquizofrênico demonstrar ser assustador, as pessoas com esquizofrenia não são mais violentas do que as pessoas normais; pelo contrário, são mais capazes de abster-se das violências. Calcula-se, porém que cerca de 15% dos portadores dos sintomas de esquizofrenia podem cometer suicídio; o risco pode aumentar em pacientes mais jovens e desiludidos. E por esse motivo faz-se imprescindível o respeito e a compreensão não apenas da família que cerca tal doente, mas um senso de solidariedade por parte da sociedade ainda permeada de “ignorância e preconceitos sobre a doença”.

È possível tratar esses portadores de esquizofrenia sim, tratamento este fundamentado em uma manutenção das medicações antipsicótica e acompanhamento contínuo de um psicoterapeuta capaz de fazer o paciente compreender sua doença, seus sintomas e nos casos crônicos, através de terapias ocupacionais levando o paciente entrar em contato com as representações do seu mundo interno, do seu inconsciente, através de pinturas ou desenhos que possibilitará trazer um pouco de organização ao caos configurado. Apesar de tão complexa a doença e a dor do indivíduo portador da esquizofrenia, não se pode esquecer que é muitas vezes do limo, do pântano que nascem as vitórias-régias – que a doença também está a serviço da individuação, e muitas vezes é a própria doença que nos faz curar e desenvolver.

TATIANA DE JESUS SIMÕES

10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. HOLMES, David S. Psicologia dos Transtornos Mentais. 2ª ed. Porto Alegre: ARTMED S.A., 2001.
2. JACOBI, Jolande. Complexo, Arquétipo, Símbolo. Cultrix, 1991.
3. JUNG, Carl G. Psicogênese das Doenças Mentais – Vol. III. (1971). Petrópolis: Vozes, 1964, 1986.
4. JUNG, Carl G. Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo – Vol. IX/1 (1875-1961). Petrópolis: Vozes, 2000.
5. WHITMONT, Edward C. A Busca do Símbolo. São Paulo: Cultix, 1969.
6. NEUMANN, Erich. A Grande Mãe. São Paulo: Cultrix, 1974.
7. SIMS, Andrew. Sintomas da Mente. 2ª ed. Porto Alegre: ARTMED S.A., 2001.

Fonte: www.clinicapsique.com

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