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Estiagem

 

Uma estiagem, também é conhecida vulgarmente como período de seca e é uma catástrofe natural com propriedades bem características e distintas das demais.

De uma maneira geral é entendida como uma condição física transitória caracterizada pela escassez de água, associada a períodos extremos de reduzida precipitação mais ou menos longos, com repercussões negativas e significativas nos ecossistemas e nas atividades sócio-econômicas.

Distingue-se das outras formas de catástrofes pelo seu desencadeamento se processar de maneira menos perceptível, a sua progressão ser verificada mais lentamente, a ocorrência arrastar-se por um maior período de tempo, poder atingir extensões superficiais de muito maior proporção e a sua recuperação ser processada de um modo também mais lento.

O conceito de seca não possui uma definição rigorosa e universal. É interpretado de modo diferente em regiões com características distintas, dependendo da sua definição e da inter-relação entre os sistemas naturais, sujeitos a flutuações climáticas, e os sistemas construídos pelo homem, com exigências e vulnerabilidades próprias. Conforme a perspectiva de análise, ou vulnerabilidade considerada, este fenômeno pode ser distinguido entre secas meteorológicas (climáticas e hidrológicas), agrícolas e urbanas.

Se, por um lado, o conceito de seca depende das características climáticas e hidrológicas da região abrangida, por outro, depende do tipo de impactos inerentes.

Assim, em regiões de clima úmido, um período relativamente curto sem precipitação pode ser considerado uma seca, enquanto que em regiões áridas considera-se normal uma prolongada estação sem precipitação.

A ausência prolongada de precipitação não determina obrigatoriamente a ocorrência de uma seca.

Se a situação antecedente de umidade no solo for suficiente para não esgotar a capacidade de suporte dos ecossistemas agrícolas, ou se existirem medidas estruturais com capacidade de armazenamento superficial ou subterrâneo suficiente para suprir as necessidades de água indispensáveis às atividades sócio-econômicas, não se considera estar perante uma seca.

Causas de uma Estiagem

As secas iniciam-se sem que nenhum fenômeno climático ou hidrológico as anuncie, e só se tornam perceptíveis quando está efetivamente instalada, ou seja, quando as suas consequências são já visíveis.

As causas das secas enquadram-se nas anomalias da circulação geral da atmosfera, a que correspondem flutuações do clima numa escala local ou regional, gerando condições meteorológicas desfavoráveis, com situações de nula ou fraca pluviosidade, durante períodos mais ou menos prolongados.

As condições para que uma seca se instale estão também relacionadas com outros fatores como, por exemplo, o incorreto ordenamento do território, insuficientes infra-estruturas de armazenamento de água, uma sobre-utilização das reservas hídricas subterrâneas, uma gestão incorreta do consumo de água, e até o desmatamento sem controle do território.

Duração de uma Estiagem

A duração de uma seca corresponde ao tempo que a variável selecionada para a caracterizar (precipitação, escoamento, umidade do solo, água armazenada nos açudes, etc.) se encontra em deficiência proporcional a um nível de referência (limiar da seca). Ou seja, corresponde ao intervalo de tempo em que os problemas de escassez de água são críticos para determinados fins.

Assim, se em termos climatológicos a seca tiver início no semestre seco, em termos agrícolas, por exemplo, ela só é reconhecida se persistir no período crítico, determinado em função do tipo de cultura. Sob outra perspectiva, pode-se considerar como período crítico, por exemplo, a época turística de Verão para os sistemas de abastecimento das regiões de veraneio.

Um sistema de recursos hídricos só se recupera de uma situação de escassez de água quando uma fração da deficiência total é compensada por um excedente, estimado em relação ao nível de recuperação (limiar da seca).

Assim, complementar ao conceito de duração de uma seca é o conceito de resiliência, que traduz uma medida do tempo de recuperação de um sistema desde o seu colapso, durante a crise, até um estado aceitável de operacionalidade. Um exemplo pode ser o volume de armazenamento de um açude, que se considera recuperado quando atinge o nível médio anual e não apenas quando ultrapassou o limiar da seca.

A questão da duração de uma estiagem coloca-se pela severidade dos seus efeitos em caso de persistência. Os impactos acumulados resultantes de períodos cíclicos de seca afetam significativamente o tecido sócio-econômico da região, podendo promover a redução progressiva da produção de culturas, da indústria, de energia hidro-elétrica e do próprio bem-estar das populações.

Podemos prever uma Estiagem?

A previsão de uma estiagem é essencialmente climatológica.

Existem dois métodos reconhecidos para a previsão de estiagens: Estatísticos, baseados no estudo da interação oceano-atmosfera; e os Dinâmicos, baseados em modelos de circulação global da atmosfera.

Apesar de serem bem conhecidos os mecanismos atmosféricos que dão origem às secas, a sua previsão antecipada é geralmente difícil, uma vez que se relaciona com a previsão meteorológica a longo prazo.

O mesmo se passa na análise de situações de estiagem, em que a previsão das suas durações e intensidades é complicada, dada a enorme aleatoriedade existente, Contudo, as adversidades climáticas conferidas em fases de atividade pluviométrica diferenciada em que as enchentes e inundações com precipitação superior à 240 mm para uma mesma região, permitiram perceber estados cíclicos para estes fenômenos no território brasileiro, algo que nos confere a possibilidade de observar longos períodos de uma estação chuvosa ser precedida e postergada por um período prolongado de ausência não apenas das ações de volume proporcionado, como também da atividade pluviométrica considerada normal. Dentro destas características ativas de um período cíclico, é possível prever a maior percepção de anos prolongados de maior calor do que o considerável para o período em que as ações chuvosas tenham sido registradas..

Métodos Estatísticos e Dinâmicos de Previsão de Estiagens

Os métodos estatísticos baseiam-se no estudo da interação oceano-atmosfera, relacionando a variabilidade atmosférica com a variabilidade da temperatura superficial dos oceanos. Trata-se de um método empírico que apresenta correlações típicas de 0,6 a 0,8 para antecipações sazonais de 3 meses.

Os métodos dinâmicos apoiam-se na utilização de modelos de circulação global da atmosfera para vastas áreas, com integrações espaciais de semanas a meses, permitindo a incorporação de padrões climáticos de larga escala, gradualmente variáveis, que escapam à detecção nas cartas sinópticas diárias.

Fonte: ilhadeatlantida.vilabol.uol.com.br

Estiagem

O que é uma Seca?

A seca é uma catástrofe natural com propriedades bem características e distintas dos restantes tipos de catástrofes. De uma maneira geral é entendida como uma condição física transitória caracterizada pela escassez de água, associada a períodos extremos de reduzida precipitação mais ou menos longos, com repercussões negativas significativas nos ecossistemas e nas atividades sócio-econômicas.

Distingue-se das restantes catástrofes por o seu desencadeamento se processar de forma mais imperceptível, a sua progressão verificar-se de forma mais lenta, a ocorrência arrastar-se por um maior período de tempo, poder atingir extensões superficiais de muito maiores proporções e a sua recuperação processar-se de um modo também mais lento.

O conceito de seca não possui uma definição rigorosa e universal. É interpretado de modo diferente em regiões com características distintas, dependendo a sua definição da inter-relação entre os sistemas naturais, sujeitos a flutuações climáticas, e os sistemas construídos pelo homem, com exigências e vulnerabilidades próprias. Conforme a perspectiva de análise, ou vulnerabilidade considerada, este fenômeno pode ser distinguido entre secas meteorológicas (climáticas e hidrológicas), agrícolas e urbanas.

Se, por um lado, o conceito de seca depende das características climáticas e hidrológicas da região abrangida, por outro, depende do tipo de impactos inerentes. Assim, em regiões de clima húmido, um período relativamente curto sem precipitação pode ser considerado uma seca, enquanto que em regiões áridas considera-se normal uma prolongada estação sem precipitação.

A ausência prolongada de precipitação não determina obrigatoriamente a ocorrência de uma seca.

Se a situação antecedente de humidade no solo for suficiente para não esgotar a capacidade de suporte dos ecossistemas agrícolas, ou se existirem medidas estruturais com capacidade de armazenamento superficial ou subterrâneo suficiente para colmatar as necessidades de água indispensáveis às atividades sócio-econômicas, não se considera estar perante uma seca.

Na perspectiva da Proteção Civil, a seca caracteriza-se pelo défice entre as disponibilidades hídricas do País e as necessidades de água para assegurar o normal abastecimento público.

Consumo de água

Um dos fatores de origem antropogénica de maior relevância resulta do aumento da procura e do consumo de água que, genericamente, se pode atribuir ao crescimento socio-econômico e demográfico, verificado um pouco por todo o mundo.

Dele resultou uma maior procura de água para consumo doméstico, a que há que acrescer a racionalização das atividades do setor primário, cada vez mais exigente de irrigação, o crescimento dos ramos industriais, que têm a água como componente subsidiária dos seus processos de produção, e ainda a degradação dos cursos de água causado pelo aumento do volume de efluentes.

Estes aspectos contribuem para a diminuição das margens de flexibilidade entre as disponibilidades e as necessidades de água, tornando as populações vulneráveis à carência de recursos hídricos e à formação de condições de seca.

Fonte: www.prociv.pt

Estiagem

As secas ou estiagens são fenômenos climáticos causados pela insuficiência de precipitação pluviométrica, ou chuva numa determinada região por um período de tempo muito grande.

Este fenômeno provoca desequilíbrios hidrológicos importantes. Normalmente a ocorrência da seca se dá quando a evapotranspiração ultrapassa por um período de tempo a precipitação de chuvas.

Tipos de Secas

As secas podem ser geradas pelos mais diversos fenômenos climatológicos, em função disto, criou-se uma tipologia da seca:

Seca permanente

É caracterizada pelo clima desértico, onde a vegetação se adaptou às condições de aridez, inexistido cursos de água. Estes só aparecem depois das chuvas que via de regra são fortíssimas tempestades. Este tipo de seca impossibilita a agricultura sem irrigação permanente.

Seca sazonal

A seca sazonal é uma particularidade de regiões onde o clima é semi-árido. Nestas a vegetação reproduz-se porque os vegetais adaptados geram sementes e morrem em seguida, ou mantém a vida em estado latente durante a seca.

Nestas regiões os rios só sobrevivem se a sua água for oriunda de outras regiões onde o clima é húmido. Este tipo de seca possibilita o plantio desde que em períodos de chuvas, ou por irrigação.

Seca irregular e variável

A seca irregular pode ocorrer em qualquer região onde o clima seja húmido ou sub-húmido e caracterizado por apresentar variabilidade climática do ponto de vista estatístico. Estas, são secas cujo período de retorno é breve e incerto. Normalmente são limitadas em área, e não em grandes regiões, não ocorrem numa estação definida e inexiste previsibilidade de sua ocorrência, isto é, não há um ciclo bem definido.

Trata-se de um fenômeno estatístico, cuja estrutura de eventos pode ser descrita por uma teoria mais geral que o cálculo de médias e desvios, por exemplo pela teoria da Cadeia de Markov, aplicando ordem superior: extremamente seco, muito seco, seco, normal, húmido, muito húmido, extremamente húmido, separando classes de mesma probabilidade de ocorrência.

Acredita-se que a estação de verão favoreça as secas pois existe um grande aumento da evapotranspiração devido ao incremento da radiação solar incidente, sobretudo quando as taxas de precipitação estão abaixo do quantil seco ou muito seco. Assim, várias variáveis meteorológicas devem ser consideradas na definição da ocorrência das secas, não somente a taxa de precipitação, mas também a temperatura, a humidade do solo, o grau de verdejamento da vegetação, a radiação solar incidente, etc...

Seca "invisível”

De todos, este tipo de seca é o pior, pois a precipitação não é interrompida, porém, o índice de evapotranspiração é maior que o índice pluviométrico causando um desequilíbrio da humidade regional. Este desequilíbrio gera uma redução da humidade do ar que por sua vez aumenta o índice de evapotranspiração, que por sua vez “re-alimenta” a perda de humidade subterrânea para a atmosfera, que devolve esta em forma de chuva, que porém não é suficiente para aumentar a humidade do solo.

ESCASSEZ Natural Produzida pelo Homem
Permanente Aridez Desertificação
 
Precicipitação média anual baixa a muito baixa, com grande variabilidade espacial e temporal da precipitação e do escoamento, cheias rápidas, longos períodos secos e ecossistemas frágeis.
Desequilíbrio da disponibilidade de água em climas áridos, semi-áridos e sub-húmidos, resultante da degradação da terra (território) devido a uso inadequado do solo., sobre-exploração de recursos hídricos, erosão e salinização, infiltração reduzida.
Temporária SECA Penúeria de água
  Precipitação persistentemente abaixo da média, ocrrendo com frequência, duração e severidade aleatórias, cuja precisão é difícil ou mesmo impossível, afetando a disponibilidade dos recursos hídricos, os ecossistemas naturais e antrópicos e as atividades sócio-econômicas. Desiquilíbio na disponibilidade de água devido à sobre-exploração de aquíferos e das águas superficiais, inadequada exploração dos reservatórios, degradação da qualidade da água e uso inapropriado da terra.

 

Algumas características das Secas:

As causas das secas são difíceis de encontrar e, por isso, estas catástrofes naturais são pouco previsíveis, afetando muitas regiões do mundo, ou seja, são imprevisíveis
Iniciam-se lentamente e só são perceptíveis quando já estão de fato estabelecidas
Os seus impactos são pervasivos e podem durar muito para além de as secas se terem dissipado.

Diferentemente de outros desastres naturais, os impactos das secas:

Não incidem sobre infraestruturas físicas mas sobre estruturas produtivas, ambientais e sobre a vida das populações
São difíceis de quantificar e as provisões para a recuperação dos impactos são muito difíceis de realizar
A severidade destes impactos não só dependem da duração, intensidade e dimensão espacial de dado episódio de seca e mas também da dimensão da procura para a água por parte das atividades humana e dos ecossistemas naturais e produtivos específicos das regiões onde ocorre a quebra de abastecimento hídrico.

Joaquim Pontes

Fonte: www.notapositiva.com

Estiagem

Conceito

Apesar de haverem várias definições do termo ‘estiagem’, concorda-se geralmente que esta pode ocorrer sempre que o suprimento de umidade armazenada no solo seja insuficiente para atender as necessidades hídricas das plantas.

Quatro tipos de estiagem ou seca podem ser identificados, a saber: permanente, sazonal, contingente e invisível.

Seca Permanente: Ocorre em regiões áridas onde nenhuma estação de precipitação é suficiente para satisfazer as necessidades hídricas das plantas.
Seca Sazonal:
Ocorre em regiões com estações seca e úmida bem definidas, como na maior parte dos trópicos. Todos os anos a seca pode ser esperada, pois esta se deve às variações sazonais nos padrões de circulação atmosférica.
Seca Contingente:
Ocorre regularmente em áreas sub-úmidas e úmidas e ocorre quando a chuva deixa de cair num dado período de tempo. Constitui um sério risco para a agricultura devido a sua imprevisibilidade.
Seca Invisível:
Ocorre sempre que o suprimento de água ou armazenamento de água no solo deixa de ser igual às necessidades hídricas diárias das plantas. Disso resulta uma lenta secagem do solo, impedindo um crescimento ótimo das plantações. A necessidade de planejar a irrigação torna-se difícil porque os cultivos não murcham.

Medidas preventivas contra a estiagem na agricultura:

Atualmente o homem não tem condições de influenciar na redução da magnitude deste fenômeno adverso, porém, medidas preventivas podem ser tomadas visando minimizar os danos:

Controle de ervas daninhas, uma vez que aceleram a perda de água pela transpiração, em detrimento das culturas

Utilização de cobertura morta, como palhada, casca de arroz e serragem, bem como à incorporação ao solo, dos restos culturais anteriores, diminuindo o efeito da evaporação e conservando a umidade natural do solo

Adoção da técnica de plantio direto, reduzindo em aproximadamente 30% a perda de umidade

Adução de água artificialmente ou pela irrigação. Entretanto, a prática da irrigação apresenta problemas, sendo os principais, a disponibilidade de água, superficial ou subterrânea e o custo de exploração e adução da água nos campos cultivados. Tendo em vista que as necessidades hídricas das culturas diferem entre as fases fenológicas, a irrigação excessiva pode reduzir a utilização de nutrientes pela planta por causa da diluição, causar a dispersão de nutrientes para fora da área de cultivo e supersaturar o solo com a umidade, podendo resultar em falta de oxigênio.

Fonte: ciram.epagri.sc.gov.br

Estiagem

Estiagem

Maior ameaça às atividades agrícolas e pecuárias em quase todo o mundo, a seca tem sido uma das principais causas de deslocamentos de populações em regiões de pobreza acentuada, como o Nordeste brasileiro e vastas regiões da África.

Seca é o fenômeno climático causado pela falta ou insuficiência de chuvas numa região, por um longo período de tempo, o que provoca consideráveis desequilíbrios hidrológicos.

A seca ocorre quando a evapotranspiração -- fenômeno que consiste no transporte da água do solo para o ar, através das plantas -- ultrapassa por algum tempo a precipitação. Em outras palavras, existe seca numa região determinada quando acaba a disponibilidade de água para a evapotranspiração.

A seca caracteriza-se pelo esgotamento da umidade do solo, fenecimento das plantas por falta de água, depleção do suprimento de água subterrânea e redução e eventual cessação do fluxo dos cursos de água. Para que se restabeleçam as condições normais de clima úmido, é necessário que as precipitações superem a evapotranspiração.

É difícil determinar qual a quantidade de água necessária numa área qualquer, por isso se admite que há seca quando transcorre certo período sem chuvas. Há outros critérios, baseados nas porcentagens das precipitações mensais ou anuais.

Os principais tipos de seca são:

(1) Seca permanente, característica dos climas desérticos, nos quais a vegetação é adaptada às condições de aridez e os cursos de água só fluem depois das precipitações, que em geral caem sob a forma de curtos e pesados aguaceiros. Nos desertos, a agricultura é impossível sem irrigação durante todo o ciclo vegetativo das plantas.

(2) Seca sazonal, típica dos climas semi-áridos, nos quais a vegetação consegue se reproduzir porque as plantas geram sementes e morrem pouco depois, ou porque entram em vida latente durante a estiagem. Apenas os grandes rios, oriundos de áreas de clima úmido, são perenes. A agricultura só pode ter êxito se o cultivo for feito no período chuvoso ou com um processo de irrigação.

(3) Seca irregular e variável, que pode ocorrer em qualquer lugar, de clima úmido ou subúmido. São secas breves, incertas no tempo e no espaço. Limitadas em área e sem uma estação definida, são imprevisíveis, mas ocorrem com maior freqüência no verão, quando as plantas mais precisam de água e os valores da evapotranspiração real se elevam.

(4) Seca invisível, em que não há propriamente interrupção das precipitações, mas elas são insuficientes para compensar a evapotranspiração, mesmo quando as chuvas de verão são freqüentes.

Seca no Brasil

A região semi-árida no Brasil é delimitada pelo chamado Polígono das Secas, no Nordeste, e compreende parte dos estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e Minas Gerais.

O desmatamento é um dos principais fatores do aumento da área do Polígono das Secas. O fenômeno ocorre quando a frente intertropical (FIT) não se desloca até essa área no período outono-inverno. Para o sertanejo nordestino, porém, só existe seca quando as chuvas do chamado "inverno" -- na verdade, o verão --faltam na devida estação.

O Nordeste brasileiro já conheceu, de 1605 até a atualidade, mais de trinta períodos de seca, algumas de extrema gravidade para a economia local e a sobrevivência física das populações carentes. O governo federal tem tentado combater os efeitos da seca com a construção de grandes açudes, como o de Orós, perfuração de poços tubulares, cacimbas e construção de estradas. As "frentes de trabalho" têm sido um paliativo porque geram empregos e evitam, de certa forma, a migração desordenada.

Fonte: www.biomania.com.br

Estiagem

Por que existem as secas?

Estiagem

A evaporação das águas no semi-árido é muito alta, por força do sol e do vento e pela falta de plantas e outras coberturas naturais suficientes. Além disso, as chuvas na região não caem ordenadamente e cerca de 50% dos terrenos do Semi-árido são de origem cristalina, rocha dura que não favorece a acumulação de água, sendo os outros 50% representados por terrenos sedimentares, com boa capacidade de armazenamento de águas subterrâneas.

São apenas dois os rios permanentes que cortam o Semi-Árido: o São Francisco e o Parnaíba; sendo que os demais aparecem de forma intermitente (apenas nos períodos de chuva), desempenhando, contudo, um papel fundamental na dinâmica de ocupação dos espaços nessa região.

Seca não é uma só

Estiagem

As secas podem ser classificadas em hidrológicas, agrícolas e efetivas. A hidrológica caracteriza-se por uma pequena, mas bem distribuída, ocorrência de chuvas. Elas são suficientes apenas para dar suporte à agricultura de subsistência e às pastagens.

A seca agrícola, também conhecida como "seca verde", acontece quando há chuvas abundantes, mas mal distribuídas em termos de tempo e espaço.

A seca efetiva ocorre quando há baixa precipitação e má distribuição de chuvas, tornando difícil a alimentação das populações e dos rebanhos e impossibilitando a manutenção dos reservatórios de água para consumo humano e animal.

O Nordeste já enfrentou secas assim em 1983, quinto ano consecutivo da estiagem que assolou a Região a partir de 1979. O ano de 1993, quarto de inverno irregular, também trouxe um longo período de seca para os nordestinos. Nesta época, houve falência total das lavouras e esgotamento das reservas hídricas.

Polígono das Secas

Não é apenas o Semi-Árido que sofre com os efeitos da seca.

O fenômeno atinge também o agreste, a área canavieira e cacaueira e até as serras úmidas. Com toda esta abrangência, agrava-se a situação econômica regional e ocorre a crescente descapitalização do homem do campo.

O Polígono das Secas compreende a área do Nordeste brasileiro reconhecida pela legislação como sujeita a repetidas crises de prolongamento das estiagens e, conseqüentemente, objeto de especiais providências do setor público.

É composto de diferentes zonas geográficas, com distintos índices de aridez. Em algumas delas o balanço hídrico é acentuadamente negativo, onde somente se desenvolve a caatinga hiperxerófila (com grande capacidade para armazenar água). Em outras, verifica-se balanço hídrico ligeiramente negativo, desenvolvendo-se a caatinga hipoxerófila (com pequena capacidade para armazenar água). Existem também áreas de balanço hídrico positivo e presença de solos bem desenvolvidos. Contudo, nessa área ocorrem, periodicamente, secas que representam, na maioria das vezes, grandes calamidades, ocasionando sérios danos à agropecuária nordestina e graves problemas sociais.

962.857,3 km² da área do semi-árido situa-se no Polígono das Secas, delimitado em 1936, através da Lei 175, e revisado em 1951.

O Polígono abrange oito Estados nordestinos, além de parte do norte de Minas Gerais. Pela Constituição de 1946, Art. 198, Parágrafos 1º e 2º, foi regulamentada e disciplinada a execução de um plano de defesa contra os efeitos da denominada seca do Nordeste.

Fonte: www.cliquesemiarido.org.br

Estiagem

A seca constitui um grave risco para a agricultura tanto nas regiões temperadas quanto nas regiões tropicais.

Apesar de haver várias definições do termo “seca”, concorda-se geralmente que esta pode ocorrer sempre que o suprimento de umidade armazenada no solo seja insuficiente para atender às necessidades hídricas das plantas.

Quatro tipos de seca ou estiagem podem ser identificados, a saber: permanente, sazonal, contigente e invisível.

Nas regiões áridas ocorre a seca permanente, onde nenhuma estação de precipitação é suficiente para satisfazer as necessidades hídricas das plantas. Em tais áreas a agricultura é impossível sem a irrigação por toda a estação de plantio e crescimento.

A seca sazonal ocorre em áreas com estações seca e úmida bem definidas, como na maior parte dos trópicos. Todos os anos a seca pode ser esperada, pois esta se deve às variações sazonais nos padrões de circulação atmosférica. A agricultura praticada com maior êxito durante a estação chuvosa ou com o uso de irrigação durante a estação seca.

A seca contingente e a invisível resultam da irregularidade e da variabilidade da precipitação.

A seca contingente é característica de áreas sub-úmidas e úmidas e ocorre quando a chuva deixa de cair num dado período de tempo.

A seca contingente constitui um sério risco para a agricultura devido a sua imprevisibilidade.

A seca invisível é diferente dos outros tipos porque é menos facilmente reconhecida.

Este tipo de seca ocorre sempre que o suprimento de água ou armazenamento de água no solo deixe de ser igual às necessidades hídricas diárias das plantas. Disso resulta uma lenta secagem do solo, impedindo um crescimento ótimo das plantações.

A necessidade de planejar a irrigação torna-se difícil porque os cultivos não murcham.

Outros tipos de seca são evidenciados pelo murchamento dos cultivos ou pela falta de maior crescimento vegetativo.

Uma vez que a seca é uma condição na qual a necessidade de água é maior do que a umidade disponível, os danos da seca aos cultivos em crescimento podem ser prevenidos do seguinte modo:

Diminuindo-se as necessidades de água dos cultivos, e/ou

Aumentando-se o suprimento de água

Assim sendo, cultivos resistentes à seca, com pequenas necessidades de água para seu crescimento e desenvolvimento, e os de curta estação devem ser plantados, evitando-se cultivar culturas que exijam muita umidade ou longa estação de crescimento, para não acontecer o conseqüente aumento da probabilidade de ocorrência de seca.

Certas práticas de cultivos ajudam a conservar a umidade do solo e devem ser desenvolvidas em áreas sujeitas à seca. Por exemplo, os legumes e as gramíneas melhoram a capacidade de retenção de água pelo solo, bem como o uso de matéria orgânica e de fertilizantes. As ervas daninhas devem ser controladas, uma vez que aceleram a perda de água pela transpiração, em detrimento das culturas.

Em ambientes sub-úmidos e semi-áridos a técnica de cultivo em áreas secas é comumente praticada. Isso envolve o uso de dois ou três anos de precipitação para se realizar o cultivo de um ano.

Melhor explicando: durante os dois primeiros anos, deixa-se o campo em pousio. Ele é somente cultivado para matar as ervas daninhas e criar uma estrutura edafológica que permitirá tanta umidade quanto possível (Critchfield, 1974)

O método mais eficiente de combater a seca é através da adução de água artificialmente ou pela irrigação. O estímulo artificial da precipitação é, no presente, um método insignificante de combater a seca. Por outro lado, a irrigação é um método comum e difundido com a finalidade de atender a todas as necessidades hídricas dos cultivos ou parte dessas necessidades. Num meio árido a agricultura é possível somente com a irrigação.

Em áreas semi-áridas e sub-úmidas a irrigação aumenta a produtividade da lavoura e a duração da estação de crescimento, tornando possível o cultivo de maior variedade de plantas. Em uma região úmida, a irrigação ajuda a combater o efeito da seca e a aumentar a produtividade da lavoura.

Entretanto, a prática da irrigação apresenta problemas, sendo os maiores deles:

A disponibilidade de água, superficial ou subterrânea

O custo da exploração e adução da água nos campos cultivados

Há também necessidade de aplicação criteriosa da água de irrigação nas lavouras. As necessidades hídricas das culturas em vários estágios de seu crescimento devem ser cuidadosamente conhecidas. Enquanto a subutilização também o é, pois pode reduzir a produtividade do cultivo e criar outros problemas.

Dessa forma, a irrigação excessiva pode:

Reduzir a utilização de nutrientes pela planta por causa da diluição

Causar a dispersão de nutrientes para fora da área de cultivo

Supersaturar o solo com a umidade, de modo que a falta de oxigênio se torne um problema.

Além de tudo, a irrigação é muitas vezes limitada a cara, de modo que a super-utilização não faz sentido econômica e ecologicamente.

Fonte: minerva.ufpel.edu.br

Estiagem

Estiagem
Paisagem característica do polígono das secas brasileiro

Polígono das Secas

O Polígono das Secas é um território reconhecido pela legislação como sujeito a períodos críticos de prolongadas estiagens. Compreende os estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e Norte de Minas Gerais.

Trata-se de uma divisão regional efetuada em termos político-administrativo e não corresponde à zona semi-árida, pois apresenta diferentes zonas geográficas com distintos índices de aridez, indo desde áreas com características estritamente de seca, com paisagem típica de semi-deserto a áreas com balanço hídrico positivo.

O Semi-Árido corresponde a uma das seis grandes zonas climáticas do Brasil. Abrange as terras interiores à isoieta anual de 800 mm. Compreende os estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e o Norte de Minas Gerais, ou seja, até o que foi legalmente definido como pertencente ao Polígono das Secas.

Caracteriza-se basicamente pelo regime de chuvas, definido pela escassez, irregularidade e concentração das precipitações pluviométricas num curto período de cerca de três meses, durante o qual ocorrem sob a forma de fortes aguaceiros, de pequena duração; tem a Caatinga como vegetação predominante e apresenta temperaturas elevadas.

Fonte: www.codevasf.gov.br

Estiagem

SECA NO NORDESTE BRASILEIRO

Estiagem

Trata-se de um fenômeno natural, caracterizado pelo atraso na precipitação de chuvas ou a sua distribuição irregular, que acaba prejudicando o crescimento ou desenvolvimento das plantações agrícolas.

O problema não é novo, nem exclusivo do Nordeste brasileiro. Ocorre com freqüência, apresenta uma relativa periodicidade e pode ser previsto com uma certa antecedência.

A seca incide no Brasil, assim como pode atingir a África, a Ásia, a Austrália e a América do Norte.

No Nordeste, de acordo com registros históricos, o fenômeno aparece com intervalos próximos a dez anos, podendo se prolongar por períodos de três, quatro e, excepcionalmente, até cinco anos.

As secas são conhecidas, no Brasil, desde o século XVI.

A seca se manifesta com intensidades diferentes. Depende do índice de precipitações pluviométricas.

Quando há uma deficiência acentuada na quantidade de chuvas no ano, inferior ao mínimo do que necessitam as plantações, a seca é absoluta.

Em outros casos, quando as chuvas são suficientes apenas para cobrir de folhas a caatinga e acumular um pouco de água nos barreiros e açudes, mas não permitem o desenvolvimento normal dos plantios agrícolas, dá-se a seca verde.

Essas variações climáticas prejudicam o crescimento das plantações e acabam provocando um sério problema social, uma vez que expressivo contingente de pessoas que habita a região vive, verdadeiramente, em situação de extrema pobreza.

A seca é o resultado da interação de vários fatores, alguns externos à região (como o processo de circulação dos ventos e as correntes marinhas, que se relacionam com o movimento atmosférico, impedindo a formação de chuvas em determinados locais), e de outros internos (como a vegetação pouco robusta, a topografia e a alta refletividade do solo).

Muitas têm sido as causas apontadas, tais como o desflorestamento, temperatura da região, quantidade de chuvas, relevo topográfico e manchas solares.

Ressalte-se, ainda, o fenômeno "El Niño", que consiste no aumento da temperatura das águas do Oceano Pacífico, ao largo do litoral do Peru e do Equador.

A ação do homem também tem contribuído para agravar a questão, pois a constante destruição da vegetação natural por meio de queimadas acarreta a expansão do clima semi-árido para áreas onde anteriormente ele não existia.

A seca é um fenômeno ecológico que se manifesta na redução da produção agropecuária, provoca uma crise social e se transforma em um problema político.

As conseqüências mais evidentes das grandes secas são a fome, a desnutrição, a miséria e a migração para os centros urbanos (êxodo rural).

Os problemas que sucedem as secas resultam de falhas no processo de ocupação e de utilização dos solos e da manutenção de uma estrutura social profundamente concentradora e injusta.

O primeiro fato se manifesta na introdução de culturas de dificil adaptação às condições climáticas existentes e do uso de técnicas de utilização dos solos não compatíveis com as condições ecológicas da região. O segundo ocasiona o controle da propriedade da terra e do processo político pelas oligarquias locais.

Esses aspectos agravam os resultados das secas e provocam a destruição da natureza, a poluição dos rios e a exploração por parte os grandes proprietários e altos comerciantes, dos recursos destinados ao combate à pobreza da região, no que se denomina de "indústria da seca".

A questão da seca não se resume à falta de água. A rigor, não falta água no Nordeste. Faltam soluções para resolver a sua má distribuição e as dificuldades de seu aproveitamento.

É "necessário desmitificar a seca como elemento desestabilizador da economia e da vida social nordestina e como fonte de elevadas despesas para a União ...desmitificar a idéia de que a seca, sendo um fenômeno natural, é responsável pela fome e pela miséria que dominam na região, como se esses elementos estivessem presentes só aí". (Andrade, Manoel Correia, A seca: realidade e Mito, p. 7 ).

Com uma população muito inferior à nordestina, a Amazônia, que possui água em abundância, também apresenta condições de vida desumanas, assim como diversas outras regiões brasileiras. Lá o problema é outro, pois o meio ambiente mostra-se inóspito, devido às enchentes, aos solos pobres, à proliferação de doenças tropicais.

Crises climáticas periódicas, como enchentes, geadas e secas, acontecem em qualquer parte do mundo, prejudicando a agricultura. Em alguns casos tornam-se calamidades sociais. Porém, só se transformam em flagelo social quando precárias condições sociais, políticas e econômicas assim o permitem. Regiões semi-áridas e áridas do mundo são aproveitadas pela agricultura, por meio do desenvolvimento de culturas secas ou culturas irrigáveis, como acontece nos Estados Unidos, Israel, México, Peru, Chile ou Senegal.

Delimitado pelo Governo Federal, em 1951 (Lei n° 1.348), o Polígono das Secas, com uma dimensão de 950.000 km2, equivale a mais da metade do: território da região Nordeste (52,7%), que vai desde o Piauí até parte do norte de Minas Gerais. O clima é semi-árido e a vegetação de caatingas.

O solo é raso, na sua maior parte, e a evaporação da água de superfície é grande.

Essa é a área mais sujeita aos efeitos das secas periódicas.

O fenômeno natural das secas ensejou o surgimento de um fenômeno político denominado indústria da seca.

Os grandes latifundiários nordestinos, valendo-se de seus aliados políticos, interferem nas decisões tomadas, em escala federal, estadual e municipal.

Beneficiam-se dos investimentos realizados e dos créditos bancários concedidos.

Não raro aplicam os financiamentos obtidos em outros setores que não o agrícola, e aproveitam-se da divulgação dramática das secas para não pagarem as dívidas contraídas. Os grupos dominantes têm saído fortalecidos, enquanto é protelada a busca de soluções para os problemas sociais e de oferta de trabalho às populações pobres.

Os trabalhadores sem terra (assalariados, parceiros, arrendatários, ocupantes) são os mais vulneráveis à seca, porque são os primeiros a serem despedidos ou a terem os acordos desfeitos.

A tragédia da seca encobre interesses escusos daqueles que têm influência política ou são economicamente poderosos, que procuram eternizar o problema e impedir que ações eficazes sejam adotadas.

A questão da seca provocou diversas ações de governo. As primeiras iniciativas para se lidar com a questão da seca foram direcionadas para oferecer água à zona do semi-árido.

Nessa ótica foi criada a Inspetoria de Obras Contra as Secas (Decreto n°-7.619, de 21 de outubro de 1909), atual Dnocs, com a finalidade de centralizar e unificar a direção dos serviços, visando à execução de um plano de combate aos efeitos das irregularidades climáticas.

Foram, então, iniciadas as construções de estradas, barragens, açudes, poços, como forma de proporcionar apoio para que a agricultura suportasse os períodos de seca.

A idéia de resolver o problema da água no semi-árido foi, basicamente, a diretriz traçada pelo Governo Federal para o Nordeste e prevaleceu, pelo menos, até meados de 1945. Na época em que a Constituição brasileira de 1946 estabeleceu a reserva no orçamento do Governo de 3% da arrecadação fiscal para gastos na região nordestina, nascia nova postura distinta da solução hidráulica na política anti-seca, abandonando-se a ênfase em obras em função do aproveitamento mais racional dos recursos.

Com o propósito de utilizar o potencial de geração de energia do Rio São Francisco, foi fundada (1945) a Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf).

Em 1948, criou-se a Comissão do Vale do São Francisco (CVSF), hoje denominada Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) e, em 1952, o Banco do Nordeste do Brasil (BNB). A idéia era de criar uma instituição de crédito de médio e longo prazos especifica para o Nordeste.

Em dezembro de 1959, foi criada a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste -Sudene (atualmente extinta e com projetos de ser recriada em novos moldes), organismo constituído para estudar e propor diretrizes para o desenvolvimento da economia nordestina, com o objetivo de diminuir a disparidade existente em relação ao Centro-Sul do país. Procurava-se estabelecer um novo modelo de intervenção, voltado tanto para o problema das secas quanto para o Nordeste como um todo.

A partir da seca de 1970, surgiu o Programa de Redistribuição de Terra e de Estímulo à Agroindústria do Norte e Nordeste (Proterra), em 1971, com o objetivo de promover uma reforma agrária pacifica no Nordeste, pela compra de terra de fazendeiros, de modo espontâneo e por preço de mercado. Em 1974, foi instituído o Programa de Desenvolvimento de Terras Integradas do Nordeste (Polonordeste), para promover a modernização da agropecuária em áreas selecionadas da região.

O Projeto Sertanejo, lançado em 1976, viria atuar nas áreas do semi-árido visando a tornar a sua economia mais resistente aos efeitos da seca, pela associação entre agricultura irrigada e agricultura seca.

Com o propósito de incorporar os projetos anteriores, considerados fracassados, foi implantado o Programa de Apoio ao Pequeno Produtor Rural (Projeto Nordeste), em 1985, propondo-se a erradicar a pobreza absoluta, inovando com a destinação de recursos para os pequenos produtores.

Como ações emergenciais, tem-se apelado para a distribuição de alimentos, por meio de cestas básicas e frentes de trabalho, criadas para dar serviço aos desempregados durante o período de duração das secas, dirigidas para a construção de estradas, açudes, pontes.

Os problemas das secas somente serão superados por profundas transformações sócioeconômicas de âmbito nacional.

Várias têm sido as proposições formuladas:

Transformar a atual estrutura agrária, concentradora de terra e renda, por meio de uma Reforma Agrária que faça justiça social ao trabalhador rural.
Estabelecer uma Política de Irrigação que adote tecnologias de mais fácil acesso aos trabalhadores rurais e que sejam mais adaptadas à realidade nordestina.
Instituir a agricultura irrigada nas áreas onde houver disponibilidade de água e desenvolver a agricultura seca, de plantas xerófitas (que resistem à falta de água) e de ciclo vegetativo curto. Alimentos como o sorgo e o milheto, como substitutos do milho, seriam importantes para o Nordeste, a exemplo do que ocorre na Índia, China e no oeste dos Estados Unidos.
Estabelecer uma Política de Industrialização, com a implantação de indústrias que beneficiem matérias-primas locais, visando à diminuição de custos com transporte, bem como oferecer oportunidades de trabalho à mão-de-obra da região.
Proporcionar o acesso ao uso da água, com o aproveitamento da água acumulada nas grandes represas, açudes e barreiros, perfuração de poços, construção de barragens subterrâneas, de cisternas rurais, por parte da população atualmente excluída.
Corrigir as práticas de ocupação do solo, no que se refere à pecuária, eliminando-se o excesso de gado nas pastagens, que pode ocasionar sérios danos sobre pastos e solos; a queima de pastos, que destrói a matéria orgânica existente; e o desmatamento, por conta da venda de madeira e lenha.
Estimular o uso racional da vegetação nativa (caatinga) para carvão e comercialização de madeira-de-lei.
Implantar o Projeto de Transposicão das Águas do Rio São Francisco para outras bacias hidrográficas do semi-árido regional.

Não é possível se eliminar um fenômeno natural.

As secas vão continuar existindo. Mas é possível conviver com o problema. O Nordeste é viável. Seus maiores problemas são provenientes mais da ação ou omissão dos homens e da concepção da sociedade que foi implantada, do que propriamente das secas de que é vítima.

O semi-árido é uma região propícia para a agricultura irrigada e a pecuária. Precisa apenas de um tratamento racional a essas atividades, especialmente no aspecto ecológico. Em áreas mais áridas que as do sertão nordestino, como as do deserto de Negev, em Israel, a população local consegue desfrutar de um bom padrão de vida.

Soluções implicam a adoção de uma política oficial para a região, que respeite a realidade em que vive o nordestino, dando-lhes condições de acesso à terra e ao trabalho. Não pode ser esquecida a questão do gerenciamento das diretrizes adotadas, diante da diversidade de órgãos que lidam com o assunto.

Medidas estruturadoras e concretas são necessárias para que os dramas das secas não continuem a ser vivenciados.

Referências

ANDRADE, Manoel Correia de. A seca: realidade e mito. Recife: ASA Pemambuco, 1985. 81 p.
CAVALCANTI, Clóvis. A seca do Nordeste brasileiro: uma visão de estudos e pesquisas elaborados em um século de produção de conhecimento. Revista Econômica do Nordeste, Fortaleza, v.19, n.,1, p. 97-126,jan./mar. 1988.
CERQUEIRA, Paulo Cezar Lisboa. A seca no contexto social do Nordeste. Caderno do CEAS, Salvador, n. 115, p. 13-33, maio/jun. 1988.
COELHO, Jorge. As secas do Nordeste e a indústria das secas. Petrópolis (RJ): Vozes, 1985. 88 p.
DIAS, João de Deus de Oliveira. O problema social das sêcas em Pemambuco. Recife: [s.n.], 1949.
FANTASMA da fome, Veja, São Paulo, a. 31, n.18, p. 26-33, 6 maio 1998.
PORTELA, Fernando; ANDRADE, Joaquim Correia de. Secas no Nordeste. São Paulo: Ática, 1987.
ROSADO, Vingt-Un (org.) Memorial da seca. [ Mossoró, RN]: Fundação Guimarães Duque, 1981. 241p. (Coleção mossoroense, v.53).
A "SECA" no Brasil: editorial. Cadernos do CEAS, Salvador, n.88, p.3-8, nov./dez. 1983.
OS SINDICATOS e o problema da seca. Cadernos do CEAS, Salvador, n.88, p. 40-47, nov./dez. 1983.

Fonte: www.fundaj.gov.br

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