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Expressionismo

Quando o grupo formado por 15 artistas da New York School começou a mostrar afinidades na pintura. Logo duas vertentes se esboçaram. A mais identificada hoje com o expressionismo abstrato, que inclui Jackson Pollock, Willem de Kooning, Arshile Gorky e Robert Motherwell, ganhou do crítico Harold Rosenberg o título de ‘action-painting‘ (pintura de ação), em que o gesto do pintor é expresso na tela. A outra vertente foi batizada de ‘color-field painting‘ (pintura de campos de cor). Aqui, importa a vibração de grandes áreas monocromáticas; a tela expressa mais serenidade e exige contemplação.

A esta pertenceram Mark Rothko, Barnett Newman e Ad Reinhardt. Há também pintores a meio caminho entre as duas, como Franz Kline, Cy Twombly e Joan Mitchell. Não havia muita uniformidade estilística, mas o desafio de fazer pintura abstrata com maior impacto sensorial era comum entre todos estes artistas. Depois, o expressionismo abstrato seria "confrontado" nos EUA, pela arte pop de Roy Lichtenstein, que por ter feito seus estudos dentro de um clima pouco favorável a qualquer arte figurativa acabou tornado-se um crítico do movimento. A predominância do expressionismo abstrato, devida ao sucesso de Jackson Pollock, De Kooning, Kline e outros, aliada à tirania hermética de críticos da época, gerou em Lichtenstein um sentimento de antagonismo e o forçou a assumir uma posição de satirista em relação à arte da época.

Definindo a verdadeira abstração como um sintoma do empobrecimento e simplificação da imagem, Lichtenstein começou a usar imagens do dia-a-dia, quadrinhos e publicidade em seus quadros, se apropriando também da estrutura sintática dessas imagens. Mesmo sendo criticado por produzir obras como se trabalhasse numa fábrica, Lichtenstein admitia conceber a arte como qualquer outra ocupação.

Por outro lado, assim como pensava Adorno, para o crítico de arte norte-americano Arthur C. Danto, a arte estaria morta desde os anos 60, ou seja, a arte pop não era arte. Para Danto, com o fim do expressionismo abstrato, a arte se desviou de sua grande vocação, e a partir da arte pop, e aqui está incluída a arte de Lichtenstein, um objeto artístico passou a ter o mesmo valor que uma embalagem encontrada num supermercado.

A escola

Expressionismo abstrato foi uma escola que nasceu de um ato de rompimento, de dizer não ao figurativismo e repensar as várias tendências que chegavam da Europa. Foi um grito pela liberdade do gesto livre, um escola que, paradoxalmente, segundo alguns críticos, trouxe razão aos sentidos. Contudo, mesmo sendo uma arte hoje considerada norte- americana, o que possibilitou em parte o surgimento do expressionismo abstrato foi, ainda, o talento e as experimentações que vieram da Europa.

O expressionismo surgiu do encontro dos estilos artísticos de pintores como o russo Mark Rothko e o alemão Hans Hofman, que transformaram e tiveram suas heranças culturais transformadas nos EUA, com os talentos norte-americanos do Wyomming, Texas ou Baltimore.

Nesse mesmo sentido, ao cubismo e ao surrealismo se somaram a tradição dos muralistas mexicanos e as pinturas paisagísticas, uma tradição americana. O resultado foi uma avalanche de cores. E intenções. Ao mesmo tempo em que Jackson Pollock (1912-1956) exprimia o que pensava ou sentia sobre o mundo e as paisagens de sua terra, acenando que o expressionismo abstrato era arte do sentimento que jorrava diretamente para a tela. Uma arte que, paradoxalmente, segundo o crítico Clement Greenberg (uma espécie de patrono do movimento), "pensava" o assunto de forma ampliada.

Aqui, mais uma vez, surge a contradição de uma arte pulsional, com o expressionismo abstrato, ser chamado por Greenberg como a arte da razão. Segundo ele, isso ocorria por um motivo extremamente simples. É com ela que a América sai de seu sonho infantil, em que um quadro é apenas um documento ou uma peça de decoração, e passa para a idade adulta. Este expressionismo possui sentimento, mas o sentimentalismo ele finalmente deixou no passado, tornando-se, assim, uma arte madura.

De Kooning e Pollock

De Kooning era um artista norte-americano que apontava para um imaginário oriundo da colonização do oeste. Sua arte era produzida sobre grandes suportes. Pollock, por sua vez, põe a tela no chão e com isso rompe com a tradição iconográfica da pintura ocidental.

Ao colocar a tela no chão Pollock criou uma relação entre a prática dos índios norte-americanos, que também desenhavam no chão, com seu trabalho. A pintura de Pollock é um rastro de um gesto livre no espaço. Essa idéia e as imagens criadas por Pollock tornaram-se, de certa forma, a representação da ‘Pátria Livre‘ que se pretendiam os EUA.

Apesar do fato de que as pinturas de Pollock não tinham nenhum planejamento prévio, suas telas não eram apenas um mero registro da ação, pois ele, depois de ter terminado a tela, julgava se ela tinha ou não valor estético.

O impasse enfrentado por Pollock está em saber se existe ou não o gesto livre, desprovido de qualquer pré-julgamento. Um gesto que fosse fruto do acaso.

Resposta Francesa

A resposta francesa ao expressionismo abstrato só viria nos anos 60, quando um grupo de artistas como Yves Klein, César, Arman e Niki de Saint Phalle criou o ‘nouveau réalisme’ (novo realismo). O movimento francês propunha uma volta ao figurativismo a partir de uma nova relação com o cotidiano e a sua absorção pela arte. Lembrava os dadaístas dos anos 10 e 20.

Fonte: www.brasilcultura.com.br

Expressionismo

Movimento artístico que se caracteriza pela expressão de intensas emoções.

As obras não têm preocupação com o padrão de beleza tradicional e exibem enfoque pessimista da vida, marcado por angústia, dor, inadequação do artista diante da realidade e, muitas vezes, necessidade de denunciar problemas sociais.

Iniciado no fim do século XIX por artistas plásticos da Alemanha, alcança seu auge entre 1910 e 1920 e expande-se para a literatura, a música, o teatro e o cinema. Em função da I Guerra Mundial e das limitações impostas pela língua alemã, tem maior expressão entre os povos germânico, eslavo e nórdico.

Na França, porém, manifesta-se no fauvismo. Após o fim da guerra, influencia a arte em outras partes do mundo. Muitos artistas estão ligados a grupos políticos de esquerda.

Assim como a Revolução Russa (1917), as teorias psicanalíticas do austríaco Sigmund Freud, a evolução da ciência e a filosofia do alemão Friedrich Nietzsche o expressionismo está inserido no ambiente conturbado que marca a virada do século.

ARTES PLÁSTICAS

O principal precursor do movimento é o pintor holandês Vincent van Gogh, criador de obras de pinceladas marcadas, cores fortes, traços expressivos, formas contorcidas e dramáticas. Em 1911, numa referência de um crítico à sua obra, o movimento ganha o nome de expressionismo. As obras propõem uma ruptura com as academias de arte e o impressionismo. É uma forma de "recriar" o mundo em vez de apenas captá-lo ou moldá-lo segundo as leis da arte tradicional. As principais características são distanciamento da pintura acadêmica, ruptura com a ilusão de tridimensionalidade, resgate das artes primitivas e uso arbitrário de cores fortes. Muitas obras possuem textura áspera devido à grande quantidade de tinta nas telas. É comum o retrato de seres humanos solitários e sofredores.

Com a intenção de captar estados mentais, vários quadros exibem personagens deformados, como o ser humano desesperado sobre uma ponte que se vê em O Grito, do norueguês Edvard Munch (1863-1944), um dos expoentes do movimento.

Grupos expressionistas

O expressionismo vive seu auge a partir da fundação de dois grupos alemães: o Die Brücke (A Ponte), em Dresden, que faz sua primeira exposição em 1905 e dura até 1913; e o Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), em Munique, ativo de 1911 a 1914. Os artistas do primeiro grupo, como os alemães Ernst Kirchner (1880-1938) e Emil Nolde (1867-1956), são mais agressivos e politizados. Com cores quentes, produzem cenas místicas e paisagens de atmosfera pesada.

Os do segundo grupo, entre eles o russo Vassíli Kandínski (1866-1944), o alemão August Macke (1887-1914) e o suíço Paul Klee (1879-1940), voltam-se para a espiritualidade. Influenciados pelo cubismo e futurismo, deixam as formas figurativas e caminham para a abstração.

Na América Latina, o expressionismo é principalmente uma via de protesto político. No México, o destaque são os muralistas, como Diego Rivera (1886-1957).

A última grande manifestação de protesto expressionista é o painel Guernica, do espanhol Pablo Picasso. Retrata o bombardeio da cidade basca de Guernica por aviões alemães durante a Guerra Civil Espanhola. A obra mostra sua visão particular da angústia do ataque, com a sobreposição de figuras, como um cavalo morrendo, uma mulher presa em um edifício em chamas, uma mãe com uma criança morta e uma lâmpada no plano central.

CINEMA

Os filmes produzidos na Alemanha após a I Guerra Mundial são sombrios e pessimistas, com cenários fantasmagóricos, exagero na interpretação dos atores e nos contrastes de luz e sombra. A realidade é distorcida para expressar conflitos interiores dos personagens. Um exemplo é O Gabinete do Dr. Caligari, de Robert Wiene (1881-1938), que marca o surgimento do expressionismo no cinema alemão em 1919.

Filmes como Nosferatu, de Friedrich Murnau (1889-1931), e Metrópolis, de Fritz Lang (1890-1976), traduzem as angústias e as frustrações do país em plena crise econômica e social. O nazismo, que domina a Alemanha a partir de 1933, acaba com o cinema expressionista. Passam a ser produzidos apenas filmes de propaganda política e de entretenimento.

LITERATURA

O movimento é marcado por subjetividade do escritor, análise minuciosa do subconsciente dos personagens e metáforas exageradas ou grotescas. Em geral, a linguagem é direta, com frases curtas. O estilo é abstrato, simbólico e associativo.

O irlandês James Joyce, o inglês T.S. Eliot (1888-1965), o tcheco Franz Kafka e o austríaco Georg Trakl (1887-1914) estão entre os principais autores que usam técnicas expressionistas.

MÚSICA

Intensidade de emoções e distanciamento do padrão estético tradicional marcam o movimento na música. A partir de 1908, o termo é usado para caracterizar a criação do compositor austríaco Arnold Schoenberg (1874-1951), autor do método de composição dodecafônica. Em 1912 compõe Pierrot Lunaire, que rompe definitivamente com o romantismo. Schoenberg inova com uma música em que todos os 12 sons da escala de dó a dó têm igual valor e podem ser dispostos em qualquer ordem a critério do compositor.

TEATRO

Com tendência para o extremo e o exagero, as peças são combativas na defesa de transformações sociais. O enredo é muitas vezes metafórico, com tramas bem construídas e lógicas. Em cena há atmosfera de sonho e pesadelo e os atores se movimentam como robôs. Foi na peça expressionista R.U.R., do tcheco Karel Capek (1890-1938), que se criou a palavra robô. Muitas vezes gravações de monólogos são ouvidas paralelamente à encenação para mostrar a realidade interna de um personagem.

A primeira peça expressionista é A Estrada de Damasco (1898-1904), do sueco August Strindberg (1849-1912). Entre os principais dramaturgos estão ainda os alemães Georg Kaiser (1878-1945) e Carl Sternheim (1878-1942) e o norte-americano Eugene O'Neill (1888-1953).

EXPRESSIONISMO NO BRASIL

Nas artes plásticas, os artistas mais importantes são Candido Portinari, que retrata o êxodo do Nordeste, Anita Malfatti, Lasar Segall e o gravurista Osvaldo Goeldi (1895-1961). No teatro, a obra do dramaturgo Nelson Rodrigues tem características expressionistas.

Fonte: www.artesbr.hpg.ig.com.br

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