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Expressionismo

 

Expressionismo - Origem

O Expressionismo emergiu simultaneamente em várias cidades por toda a Alemanha como uma resposta a uma ansiedade generalizada sobre a relação cada vez mais discordante da humanidade com o mundo e que acompanhavam sentimentos de autenticidade e espiritualidade perdida.

Em parte uma reação contra o impressionismo e arte acadêmica, Expressionismo foi inspirado mais fortemente pelas correntes simbolistas na arte final do século XIX.

Vincent van Gogh, Edvard Munch, e James Ensor revelaram-se particularmente influente para os expressionistas, incentivando a distorção da forma e da implantação de cores fortes para transmitir uma variedade de angústias e anseios.

A fase clássica do movimento expressionista durou de cerca de 1905-1920 e se espalhou por toda a Europa.

Seu exemplo mais tarde iria informar o expressionismo abstrato, e sua influência seria sentida durante todo o restante do século na arte alemã. Ele também foi um precursor essencial para os artistas neo-expressionistas da década de 1980.

Expressionismo - Movimento

Nas artes visuais, literárias, e performáticas, o expressionismo foi um movimento ou tendência que se esforçou para expressar sentimentos subjetivos e emoções em lugar de descrever a realidade ou a natureza objetivamente.

Desenvolveu-se como uma reação contra os padrões acadêmicos que então prevaleciam na Europa, particularmente nas academias de arte francesas e alemãs.

No expressionismo o artista tenta apresentar uma experiência emocional em sua forma mais constrangedora. Ele não se preocupa com o modo como a realidade aparece, mas sim com sua natureza interna e com as emoções despertadas pelo tema. Para alcançar estes fins, o tema é freqüentemente caricaturado, exagerado e distorcido, ou mesmo alterado para acentuar a experiência emocional em seu mais intenso e concentrado aspecto.

Pintura

São achados rastros do expressionismo na arte de quase todos os países. Parte da arte chinesa e japonesa enfatiza as qualidades essenciais do tema em lugar de seu aparecimento físico. Os pintores e escultores de Europa medieval exageravam seu trabalho nas catedrais góticas e românicas, na tentativa de intensificar a expressividade espiritual dos temas. Também são achadas intensas emoções de religiosidade expressas através da distorção nos trabalhos oitocentistas do pintor espanhol El Greco e do pintor alemão Matthias Grünewald. No final do século XIX e início do século XX o pintor holandês Vincent Van Gogh, o artista francês Paul Gauguin, e o pintor norueguês Edvard Munch usavam cores violentas e linhas exageradas para obter intensa expressão emocional.

O grupo expressionista mais importante no século XX foi o da escola alemã. O movimento teve origem com os pintores Ernst Ludwig Kirchner, Erich Heckel (1883-1970), e Karl Schmidt-Rottluff que em 1905 organizaram um grupo em Dresdem chamado Die Brucke (“A Ponte”). Estes artistas foram reunidos em 1906 por Emil Nolde e Max Pechstein e em 1910 por Otto Muller (1874-1930). Em 1912 o grupo exibiu pinturas junto com um grupo de Munich que se chamou Der Blaue Reiter (“O Cavaleiro Azul”). Este último também incluía os pintores alemães Franz Marc, August Macke (1887-1914), e Heinrich Campendonk (1889-1957), o suíço Paul Klee, e o russo Wassily Kandinsky. Esta fase do expressionismo na Alemanha foi marcada pela exposição consciente de emoções e uma sensação exaltada das possibilidades do conteúdo expressivo da pintura. O Die Brucke foi dissolvido em 1913, e a Primeira Guerra Mundial deteve a maior parte da atividade de grupo. Os fauves na França, como também o pintor francês Georges Braque e o espanhol Pablo Picasso, a um certo período de seu desenvolvimento, foram influenciados pelo expressionismo.

Um outro grupo do expressionismo alemão foi chamado de Die Neue Sachlichkeit (“A Nova Objetividade”), tendo crescido a partir da desilusão causada pela Primeira Guerra Mundial. Fundado por Otto Dix e George Grosz, foi caracterizado tanto por uma preocupação com as verdades sociais como por uma atitude de amargura, satírica e cheia de cinismo. Enquanto isso, o expressionismo tinha se tornado um movimento internacional, e pode ser percebida a influência dos expressionistas alemães nos trabalhos como o do austríaco Oskar Kokoschka, o dos franceses Georges Rouault, Chaim Soutine (nascido na Lituânia), Jules Pascin (nascido na Bulgária - 1885-1930), e do americano Max Weber.

Expressionismo Abstrato

Movimento artístico surgido nos Estados Unidos, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. Os expressionistas abstratos, como Mark Rothko, Willem de Kooning, Franz Kline, e Jackson Pollock tentaram transmitir emoções básicas através de cores violentas, formas corajosas, e métodos espontâneos de gotejar e arremessar a tinta sobre a tela, resultando em quadros onde os temas principais não são objetivamente reconhecíveis.

Escultura

A escultura expressionista tem suas raízes no trabalho do escultor francês dezenovista Auguste Rodin, que expressou os estados internos de seus temas dentro de certas técnicas de representação. Ele influenciou o trabalho de seu assistente, Antoine Bourdelle, e do escultor iugoslavo Ivan MeStrovic, assim como o do inglês Jacob Epstein, do alemão Ernst Barlach, e do italiano Alberto Giacometti. Toda a obra destes artistas expressou-se na figura humana, envolvendo várias formas de distorção, com exagero e alongamentos.

Literatura, Teatro e Cinema

Os objetivos do expressionismo na literatura, notavelmente no romance e no teatro, são semelhantes àqueles expressos nas artes visuais. Os personagens e cenas são apresentados de modo estilizado, “torcidos”, com o intuito de produzir choque emocional. O pintor alemão Alfred Kubin (1877-1959), um sócio de Der Blaue Reiter, escreveu um dos romances fundantes do expressionismo, Die Andere Seite (“O Outro Lado”). Ele mostrou uma influência profunda no novelista austríaco Franz Kafka e sobre outros escritores. Os dramaturgos do início do expressionismo, o sueco August Strindberg e o alemão Frank Wedekind, mostraram uma influência internacional em dramaturgos mais contemporâneos, inclusive os alemães Georg Kaiser e Ernst Toller, o tcheco Karel Capek, e os americanos Eugene O'Neill e Elmer Rice.

O teatro expressionista deu lugar a uma aproximação nova para a interpretação, a cenografia e a direção. O objetivo era criar um quadro de cena totalmente unificado, que aumentaria o impacto emocional da produção sobre a audiência. Entre os diretores mais proeminentes do teatro expressionista estavam os alemães Max Reinhardt e Erwin Piscator (1893-1966) e o russo Vsevolod Meyerhold. Cenógrafos como o inglês Edward Henry Gordon Craig e o americano Robert Edmond Jones (1887-1954) usavam técnicas semelhantes às dos pintores expressionistas, para proporcionar uma excitação visual que correspondesse ao texto teatral. A pintura e o teatro expressionistas também influenciaram o cinema, como pode ser visto nos filmes alemães O Gabinete de Dr. Caligari (1919), com suas perspectivas de cenas noturnas e sombrias e maquiagem pesada, e O Último Riso (1924), notável para o uso brilhante de iluminação e ângulos de fotografia inusitados para carregar a história amarga.

Música

expressionismo, na música, especialmente no período do Entre Guerras, deu voz às ansiedades, terrores internos, e cinismo de vida humana no século XX, através de uma emotividade intensa, traduzindo-se em obras musicalmente complexas, e cuidadosamente estruturadas. Foram quebradas as técnicas convencionais, e evitadas “belas harmonias”, em favor de um som dissonante, complexo, usado com grande força. A música era, freqüentemente, atonal, ou distorcia a tonalidade tradicional. A polifonia (estrutura de linhas melódicas sobrepostas) era freqüentemente densa, e a melodia, na sensação tradicional, quase sempre irreconhecível.

Podem ser vistas as raízes da música expressionista em compositores românticos do século XIX, como o alemão Richard Wagner, e também nos pós-românticos, como o austríaco Gustav Mahler. Os exemplos podem incluir ainda duas óperas do alemão Richard Strauss, Elektra (1909) e Salomé (1905); certos trabalhos do austríaco Arnold Schoenberg, inclusive a cena dramática Erwartung (“Ansiedade”, 1909) e o ciclo de canções Pierrot Lunaire (1912); as óperas do austríaco Alban Berg, Wozzeck (1921) e Lulu (1935). Outros compositores com elementos expressionistas incluem o alemão Paul Hindemith, o húngaro Bela Bartok, e o russo Sergei Prokofiev.

Expressionismo - Vanguarda Artística

expressionismo foi a primeira vanguarda artística do século XX que utilizou a deformação da realidade para dar forma à visão subjetiva do artista. Seus quadros foram os primeiros nos quais o objeto representado se distancia totalmente do modelo original.

O termo expressionismo (com o sentido de retorcer, em alemão) foi cunhado pelo galerista Georg Levin em 1912.

Com esse nome eram designados os grupos das vanguardas européias, como o Die Brücke (A Ponte), composto pelos pintores Emil Nolde, Ernst Kirchner, Karl Schmidt-Rottluff e Max Pechstein. e o Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), entre cujos representantes estava Vassili Kandinski, Franz Marc e August Macke e os artistas Oskar Kokoschka e Egon Schiele, na Áustria, e Georges Rouault, na França, para citar alguns.

Sua visão, totalmente pessoal e às vezes agressiva da realidade, se formou mediante uma intensa deformação e abstração das formas e uma acentuação de linhas e contornos. Suas descobertas estilísticas seriam decisivas para os movimentos plásticos, tanto abstratos quanto figurativos, que surgiriam mais adiante no século XX. Uma das descobertas mais inovadoras foi a aplicação das teorias musicais à composição plástica.

Foram três as etapas que levaram o expressionismo ao amadurecimento: o primeiro, o período da arte naïf, em que se vislumbrou a importância da arte como meio de expressão dos sentimentos humanos; o segundo, denominado expressionismo puro, cujo tema principal foi a abstração das formas; e, finalmente, os períodos anteriores e posteriores à Primeira Guerra Mundial, nos quais atuou como implacável crítico da sociedade.

PINTURA EXPRESSIONISTA

A principal característica da pintura expressionista foi a deformação da realidade sob a óptica dos sentimentos. Já não se procurava imitar o modelo da natureza ou o objeto real.

Havia uma realidade ainda mais importante: a da visão subjetiva do artista.Para o grupo Der Brücke (A Ponte), os temas centrais eram as paisagens de policromia exacerbada e o corpo humano sintetizado em poucas linhas.

O que mais se destacaram em suas obras foram a agressividade da cor e a falta de tranqüilidade das formas. Sua preocupação era reformular os temas impressionistas. Os artistas do Die Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul) usaram as teorias musicais para conseguir composições de colorido harmonioso e formas totalmente abstratas. Para os expressionistas vienenses, ao contrário, o tema central era o resgate do feio como novo valor estético.

Com o expressionismo, conceitos como deformação da realidade, expressividade da cor e abstração das formas passaram a ser os novos princípios da arte.

A escultura expressionista é escassa, e a arquitetura circunscrita a este movimento é exclusivamente teórica. Contudo, os princípios plásticos enunciados pelo expressionismo marcarão a estética de todas as disciplinas artísticas que vão surgir mais adiante, no século XX.

Expressionismo - Obras

Movimento artístico que se caracteriza pela expressão de intensas emoções.

As obras não têm preocupação com o padrão de beleza tradicional e exibem enfoque pessimista da vida, marcado por angústia, dor, inadequação do artista diante da realidade e, muitas vezes, necessidade de denunciar problemas sociais.

Iniciado no fim do século XIX por artistas plásticos da Alemanha, alcança seu auge entre 1910 e 1920 e expande-se para a literatura, a música, o teatro e o cinema. Em função da I Guerra Mundial e das limitações impostas pela língua alemã, tem maior expressão entre os povos germânico, eslavo e nórdico.

O principal precursor do movimento é o pintor holandês Vicent van Gogh, criador de obras de pinceladas marcadas, cores fortes, traços expressivos, formas contorcidas e dramáticas. E foi em 1911, numa referência de um crítico em sua obra que o estilo passa assim a ser chamado.

O movimento foi fundado pelo grupo de Die Brucke, na Alemanha, em 1905 no período que compreende as duas grandes guerras mundiais e que portanto, reflete a angústia de após a 1a. Guerra e o período que antecede a 2a. Guerra. Assim, as obras de arte expressionistas mostram o estado psicológico e as denúncias sociais de uma sociedade que se considerava doente e na carência de um mundo melhor.

Teve maior expressividade na pintura, sendo dramática, subjetiva, com cores puras e simples, com intenso movimento e ritmo nas formas acentuando o exagero do real. A composição expressa um caráter extremamente tenso das emoções humanas e pode ser visto como uma reação ao impressionismo, que apenas se preocupava com as sensações de luz e cor. Edward Munch (1863-1944) é um dos expoentes do movimento.

Na França, porém, manifesta-se no fauvismo. Após o fim da guerra, influencia a arte em outras partes do mundo. Muitos artistas estão ligados a grupos políticos de esquerda.

Assim como a Revolução Russa (1917), as teorias psicanalíticas do austríaco Sigmund Freud, a evolução da ciência e a filosofia do alemão Friedrich Nietzsche o expressionismo está inserido no ambiente conturbado que marca a virada do século.

Características

Dá forma plástica ao amor, ciúme, a miséria, a angústia, a dor.
Predomínio dos valores emocionais sobre os intelectuais
Cores resplandecentes, vibrantes, fundidas ou separadas
Dinamismo improvisado, abrupto, inesperado
Pasta grossa, áspera
Técnica violenta: 
o pincel ou a espátula faz e refaz empastando ou provocando explosões
Preferência pelo patético, trágico e sombrio.

Mas o termo expressionismo pode ser aplicado em qualquer momento da história da arte para designar a obra que abandona as idéias tradicionais e distorce a realidade de forma a expressar a emoção ou a visão interior do artista, deformando intencionalmente as imagens visuais pois importa os sentimentos e as reações humanas diante dos fatos da vida.

Pode-se dizer que o Expressionismo foi mais que uma forma de expressão, ele foi uma atitude em prol dos valores humanos num momento em que politicamente isto era o que menos interessava.

ARTES PLÁSTICAS

O principal precursor do movimento é o pintor holandês Vincent van Gogh, criador de obras de pinceladas marcadas, cores fortes, traços expressivos, formas contorcidas e dramáticas. Em 1911, numa referência de um crítico à sua obra, o movimento ganha o nome deexpressionismo. As obras propõem uma ruptura com as academias de arte e o impressionismo. É uma forma de "recriar" o mundo em vez de apenas captá-lo ou moldá-lo segundo as leis da arte tradicional. As principais características são distanciamento da pintura acadêmica, ruptura com a ilusão de tridimensionalidade, resgate das artes primitivas e uso arbitrário de cores fortes. Muitas obras possuem textura áspera devido à grande quantidade de tinta nas telas. É comum o retrato de seres humanos solitários e sofredores.

Com a intenção de captar estados mentais, vários quadros exibem personagens deformados, como o ser humano desesperado sobre uma ponte que se vê em O Grito, do norueguês Edvard Munch (1863-1944), um dos expoentes do movimento.

Grupos expressionistas

O expressionismo vive seu auge a partir da fundação de dois grupos alemães: o Die Brücke (A Ponte), em Dresden, que faz sua primeira exposição em 1905 e dura até 1913; e o Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), em Munique, ativo de 1911 a 1914. Os artistas do primeiro grupo, como os alemães Ernst Kirchner (1880-1938) e Emil Nolde (1867-1956), são mais agressivos e politizados. Com cores quentes, produzem cenas místicas e paisagens de atmosfera pesada.

Os do segundo grupo, entre eles o russo Vassíli Kandínski (1866-1944), o alemão August Macke (1887-1914) e o suíço Paul Klee (1879-1940), voltam-se para a espiritualidade. Influenciados pelo cubismo e futurismo, deixam as formas figurativas e caminham para a abstração.

Na América Latina, o expressionismo é principalmente uma via de protesto político. No México, o destaque são os muralistas, como Diego Rivera (1886-1957).

A última grande manifestação de protesto expressionista é o painel Guernica, do espanhol Pablo Picasso. Retrata o bombardeio da cidade basca de Guernica por aviões alemães durante a Guerra Civil Espanhola. A obra mostra sua visão particular da angústia do ataque, com a sobreposição de figuras, como um cavalo morrendo, uma mulher presa em um edifício em chamas, uma mãe com uma criança morta e uma lâmpada no plano central.

CINEMA

Os filmes produzidos na Alemanha após a I Guerra Mundial são sombrios e pessimistas, com cenários fantasmagóricos, exagero na interpretação dos atores e nos contrastes de luz e sombra. A realidade é distorcida para expressar conflitos interiores dos personagens. Um exemplo é O Gabinete do Dr. Caligari, de Robert Wiene (1881-1938), que marca o surgimento do expressionismo no cinema alemão em 1919.

Filmes como Nosferatu, de Friedrich Murnau (1889-1931), e Metrópolis, de Fritz Lang (1890-1976), traduzem as angústias e as frustrações do país em plena crise econômica e social. O nazismo, que domina a Alemanha a partir de 1933, acaba com o cinema expressionista. Passam a ser produzidos apenas filmes de propaganda política e de entretenimento.

LITERATURA

O movimento é marcado por subjetividade do escritor, análise minuciosa do subconsciente dos personagens e metáforas exageradas ou grotescas. Em geral, a linguagem é direta, com frases curtas. O estilo é abstrato, simbólico e associativo.

O irlandês James Joyce, o inglês T.S. Eliot (1888-1965), o tcheco Franz Kafka e o austríaco Georg Trakl (1887-1914) estão entre os principais autores que usam técnicas expressionistas.

MÚSICA

Intensidade de emoções e distanciamento do padrão estético tradicional marcam o movimento na música. A partir de 1908, o termo é usado para caracterizar a criação do compositor austríaco Arnold Schoenberg (1874-1951), autor do método de composição dodecafônica. Em 1912 compõe Pierrot Lunaire, que rompe definitivamente com o romantismo. Schoenberg inova com uma música em que todos os 12 sons da escala de dó a dó têm igual valor e podem ser dispostos em qualquer ordem a critério do compositor.

TEATRO

Com tendência para o extremo e o exagero, as peças são combativas na defesa de transformações sociais. O enredo é muitas vezes metafórico, com tramas bem construídas e lógicas. Em cena há atmosfera de sonho e pesadelo e os atores se movimentam como robôs. Foi na peça expressionista R.U.R., do tcheco Karel Capek (1890-1938), que se criou a palavra robô. Muitas vezes gravações de monólogos são ouvidas paralelamente à encenação para mostrar a realidade interna de um personagem.

A primeira peça expressionista é A Estrada de Damasco (1898-1904), do sueco August Strindberg (1849-1912). Entre os principais dramaturgos estão ainda os alemães Georg Kaiser (1878-1945) e Carl Sternheim (1878-1942) e o norte-americano Eugene O'Neill (1888-1953).

EXPRESSIONISMO NO BRASIL

Nas artes plásticas, os artistas mais importantes são Candido Portinari, que retrata o êxodo do Nordeste, Anita Malfatti, Lasar Segall e o gravurista Osvaldo Goeldi (1895-1961). No teatro, a obra do dramaturgo Nelson Rodrigues tem características expressionistas.

Expressionismo - Movimento Artístico

O movimento artístico denominado Expressionismo surgiu na Alemanha, na cidade de Dresden, por volta de 1905, em oposição ao Impressionismo e ao cientismo de caráter anti-racionalista. A designação que lhe foi atribuída aplica-se a toda a arte em que se distorce a realidade, dando-lhe uma expressão trágica ou caricatural dos temas, deformando as imagens e empregando cores exuberantes e patéticas, em largas manchas de violento contraste, que lhes permite retratar a violência das paixões e as emoções pessoais e provocar nos espectadores reações da mesma ordem.

Os pormenores encontram-se dispostos de uma forma muito ritmada e dinâmica. A noção de perspectiva é substituída pela organização do espaço e pela utilização de cores muito acentuadas que sugerem a profundidade e o modelado.

Tenta-se exprimir as forças que agitam ou dilaceram a alma humana e as suas emoções interiores ou até uma visão muito pessoal do artista. É uma forma de expressão muito subjetiva em que os artistas estabelecem uma ligação afetiva com tudo o que representam. As suas obras têm, por isso, um caráter muito emotivo e tenso. Procura-se denunciar a alienação do Homem, a sua profunda solidão, através de uma linguagem imediata, brutal, agressiva, com uma violência quase primitiva, onde se procurava exprimir a angústia que tortura os indivíduos.

Os seus seguidores procuravam essa linguagem elementar que devia possuir a força das linguagens primitivas, capaz de expressar as emoções mais profundas do Homem.

Importava, antes de tudo, revelar a natureza orgânica dos seres, coisas ou objetos no que eles têm de confuso e irracional. A partir de 1908, os elementos do grupo começaram a abandonar Dresden, mudando-se para Berlim. Os seus trabalhos apresentavam semelhanças tão acentuadas que se tornava difícil distingui-los. Era um estilo monótono e linear de cores fortemente contrastadas. Este estilo foi bastante duradouro, sobretudo na Alemanha.

Entre os artistas integrados nesta corrente, que foi especialmente marcado por Edvard Munch, destacam-se também:Otto Dix, Rouault, Soutine, Ludwig Kirchner, Heckel, Schmidt-Rottluff, Nolde, Pechstein, Otto Mueller e Oskar Kokoschk que praticou uma forma de Expressionismo mais independente.

O pintor belga James Enson teve também algumas ligações com esta forma de arte, com as suas figuras macabras, encobertas por máscaras carnavalescas.

O expressionismo flamengo reflete duas tendências diferentes: uma mística e simbólica representada por A. Servaes e G. van de Woestyne e outra mais sensual, ilustrada por Tytgat, De Smet e Permeke. Um outro expoente máximo do Expressionismo é Pablo Picasso. Este artista, considerado um dos maiores dos artistas contemporâneos, nasceu em Málaga mas mudou-se ainda bastante novo para Barcelona onde iniciou a sua formação. Aos 17 anos já possuía uma técnica perfeita. Em Paris, influenciado por Toulouse-Lautrec, juntamente com Isidro Nonell, o pintor de ciganos, começa por manifestar um estilo sensível e trágico, mas também um pouco romântico, retratando a vida dos pobres (vagabundos, mendigos e saltimbancos).

Depois, o seu estilo vai evoluindo para uma arte menos triste e mais terna.

Daí as suas obras serem classificadas em vários períodos, de acordo com a cor dominante dos seus quadros ou da tendência seguida, numa sucessão de estilos, cada qual demarcando-se do anterior por uma ruptura e uma mudança radical em que o artista, com uma virtuosa técnica natural, parecia esgotar as possibilidades de cada tema anterior, mesmo antes de se virar para o seguinte: época azul (1901/04), época rosa (1905/07), fase negra (1907/09), fase cubista (1910/16), fase cubista e neo-clássica (1916/24), fase abstrata (1926/36) e fase expressionista (1937/46). A partir de 1907 as suas telas viriam a constituir o ponto de partida duma revolução visual. Picasso, sem abandonar uma certa fidelidade à aparência do real, aos poucos vai se libertando e aproximando do irreal, sobretudo através das cores utilizadas, que procuram traduzir os sentimentos e emoções. Procura então situar as formas no espaço sem recorrer perspectiva. Em conjunto com o seu amigo Georges Braque inicia uma nova experiência, que irá durar sete anos de trabalho em conjunto, que os levará a ambos à pintura cubista.

Expressionismo - História

Até onde se sabe, a palavra "expressionismo" foi empregada, pela primeira vez, em 1850, pelo jornal inglês Tait's Edinburgh Magazine evocando, em artigo anônimo, uma "escola expressionista" de pintura moderna. Em 1880, Charles Rowley pronunciou em Manchester uma conferência sobre a pintura contemporânea, identificando uma corrente "expressionista" de artistas que procuravam exprimir suas paixões. Em 1878, no romance The Bohemian, de Charles de Kay, um grupo de artistas referiam-se a si próprios como "expressionistas". Mais tarde, em 1901, o pintor Julien-Auguste Hervé expôs no Salão dos Independentes em Paris oito quadros seus, nada expressionistas, sob o título Expressionnismes.

Em 1910, o marchand Paul Cassirer declarou, diante de um quadro de Max Pechstein, que aquilo não era mais impressionismo, mas "expressionismo". Em 1911, durante a 22ª sessão da Berliner Sezession ("Secessão de Berlim"), Wilhelm Worringer chamou de "expressionista" a vanguarda estrangeira ali exposta - Braque, Dérain, Dufy e Picasso, entre outros -, e o termo "expressionismo" passou a ser associado à nova pintura belgo-francesa. Logo os teóricos e críticos Herwarth Walden, Walter Heymann, Louis de Vauxcelles, Paul Fechter e Paul Ferdinand Schmidt, assim como o poeta Kurt Hiller, passaram a chamar de "expressionista" toda arte moderna oposta ao impressionismo.

Com a verificação de que o verdadeiro expressionismo disseminava-se na Alemanha, na Áustria, na Hungria e na Tchecoslováquia, o termo tornou-se uma referência para a arte cujas formas não nasciam diretamente da realidade observada, mas de reações subjetivas à realidade. Atualmente, é considerada "expressionista" qualquer arte onde as convenções do realismo sejam destruídas pela emoção do artista, com distorções de forma e cor. De fato, a deliberada deformação das formas, o sacrifício do discurso ao essencial, a captação de um mundo em frangalhos, a preocupação com a doença e a morte, a sublimação da loucura em contrastes e dissonâncias, o gosto pelo insólito e a visão de um absurdo que tira para sempre a alegria de viver são comuns a todos os escritores modernos que atingiram os limites da expressão, desde Georg Büchner, August Strindberg, Franz Kafka, Arthur Schnitzler e Frank Wedekind, até Elias Canetti, Samuel Beckett, Eugène Ionesco, Fernando Arrabal e Dario Fo. Na pintura, já os chamados românticos idealistas, como o suíço Arnold Böcklin e o alemão Franz von Stuck, criavam naturezas carregadas de mistério, pathos e simbolismo; nos quadros de Caspar David Friedrich, a paisagem parece esmagar o homem, fixado como uma figurinha perdida na vastidão da natureza - campo, mar, geleiras, montanhas.

Precursor direto do expressionismo, Vincent Van Gogh criou plantas que expressavam seu atormentado mundo interior. Antes de tornar-se pintor, via-se como o figueiro estéril da parábola bíblica. Mais tarde, para dar forma à sua luta contra "as pequenas misérias da vida", projetou-se na imagem de uma planta cujas raízes agarram-se ao solo, enquanto o vento as vai arrancando. No máximo de sua arte, quando descobriu o sol "em toda sua glória", identificava-se com um girassol, fixando velas acesas no chapéu, para pintar à noite, desenhando girassóis murchos quando caía em depressão. Por fim, depois de romper com Gauguin, seu melhor amigo, pintou ciprestes contorcidos como tochas vivas.

Outro anunciador do movimento foi o norueguês Edvard Munch, com uma visão de horror: "Eu caminhava com dois amigos - o sol se pôs, o céu tornou-se vermelho-sangue - eu ressenti como que um sopro de melancolia.

Parei, apoiei-me no muro, mortalmente fatigado; sobre a cidade e do fiorde, de um azul quase negro, planavam nuvens de sangue e línguas de fogo: meus amigos continuaram seu caminho - eu fiquei no lugar, tremendo de angústia. Parecia-me escutar o grito imenso, infinito, da natureza".

Reconhece-se, nessa visão, a origem de O Grito ("Der Schrei", 1893), onde um homem, deformado pelo próprio espasmo, expressa em seu corpo uma angústia que envolve a paisagem, enquanto ao fundo dois homens de fraque e cartola afastam-se, indiferentes, como se nada estivesse acontecendo. E não apenas nessa imagem, como em toda a obra de Munch, que estropiou dois dedos da mão esquerda com um tiro, depois de romper com a noiva, a angústia da morte que percorre toda sua obra antecipa os horrores que destruiriam, para sempre, a belle époque instalada sobre o vulcão dos nacionalismos que se acirravam.

O grito de Munch ecoou na Alemanha, onde o expressionismo floresceu por uma série de condições propícias. Como o país industrializava-se rapidamente dentro de estruturas sociais conservadoras, os jovens artistas reagiam pelo exagero e a deformação contra códigos morais anacrônicos e repressivos. A ordem do mundo afigurava-se diabólica aos intelectuais e artistas mais sensíveis, que se reuniam, em Berlim, no Café des Westens ("do Ocidente") ou no Grössenwahn ("Megalomania"), "locais de debates, leituras e desavenças que poderiam durar minutos ou anos".

O grito também ecoou em Dresden e Munique, e em Viena, Praga e Budapeste: nessas cidades onde a velha cultura se dissolvia rapidamente junto com as estruturas imperiais, literatos, pintores e gravuristas fundaram um sem-número de revistas, cabarés e grupos de nomes bombásticos. Uma das primeiras associações foi a Die Neue Gemeinschaft ("A Nova Comunidade"), da qual participavam os filósofos Gustav Landauer e Martin Buber, adeptos da filosofia romântica do retorno à natureza como condição para o nascimento do Novo Homem, exercendo forte influência nos poetas Else Lasker-Schüler e Ludwig Rubiner. Em 1904, Herwarth Walden criou o grupo Verein für die Kunst ("Sociedade pela Arte"), que organizava animados saraus, dos quais participava o escritor Alfred Döblin.

Em 1905, em Dresden, um grupo de artistas - Ernst Ludwig Kirchner, Fritz Bleyl, Erich Heckel e Karl Schmidt-Rottluff, entre outros - fundaram Die Brücke ("A Ponte"), partilhando o interesse pela arte primitiva - ligada à vida coletiva e ao trabalho anônimo - exposta no Museu Etnográfico daquela cidade: até 1913, quando o grupo se dissolveu, os artistas da Brücke não assinavam suas obras, repartindo estúdio e material de trabalho, vivendo a guilda anônima sonhada por Van Gogh. Suas obras chocavam pelas formas contrastantes, contornos simplificados, dissonância tonal e textura dinâmica. O manifesto do grupo conclamava a jovem geração a criar e viver com liberdade.

Procurando perder-se numa força exterior transcendente, opunham às potências dominantes entidades abstratas com as quais se identificavam: a natureza, o infinito, o além. A procura do imaterial, do outro mundo que se escondia por trás das aparências, era sustentada por um sentimento religioso levado às raias do misticismo.

Desde 1906 morando num pequeno castelo que havia adquirido, Alfred Kubin criava composições a partir de faíscas luminosas, fragmentos de cristais e conchas, pedaços de carne e pele, folhas e outros objetos, em pinturas abstratas que materializavam suas lembranças e seus pesadelos. Repercutiam entre os jovens artistas as idéias bergsonianas que Wilhelm Worringer defendeu em Abstraktion und Einfühlung (1907), de que a subjetividade é a base da arte e a intuição o elemento fundamental da criação; seguindo esse caminho, eles suprimiam as formas instituídas para atingir "as coisas que estão por trás das coisas", em efusões selvagens, demoníacas. Em 1909, inaugurando o teatro expressionista, o pintor Oskar Kokoschka montou sua peça Mörder, Hoffnung der Frauen ("Assassino, Esperança das Mulheres") no Wiener Kunstschau, provocando violento tumulto; era o primeiro texto teatral a distorcer radicalmente a linguagem tal como os artistas plásticos distorciam as formas e reinventavam as cores, com omissão de trechos de sentenças e embaralhamento arbitrário da ordem das palavras. Logo os novos poetas passaram a evocar imagens sinistras, entre gemidos lancinantes e exclamações sincopadas.

Ainda em 1909, Wassily Kandisnky, Franz Marc e Gabrielle Münter, dissidentes da Sezession, fundaram a Neue Künstlervereinigung.

Em 1910, o escritor Herwarth Walden lançou o periódico Der Sturm ("A Tempestade"), pretendendo "destruir a estrutura lógica da língua, que encobre a verdade das coisas para exprimir em gritos profundos a substância do Universo". Em Berlim, Kurt Hiller fundou o Neopathetisches Kabarett ("Cabaré Neopatético").

Em 1911, formou-se a Neue Sezession; contra a onda revolucionária, Carl Vinnen publicou o manifesto chauvista Protesto dos artistas alemães, assinado por 120 artistas, todos medíocres.

Não se podia mais deter a expressão da nova sensibilidade: em Munique, a Neue Künstlervereinigung promoveu a primeira exposição do grupo Der Blaue Reiter ("O Cavaleiro Azul"), fundado por Kandinsky, Marc e Paul Klee, que com cores luminosas, planos dinâmicos e contornos suaves, tentavam recriar os pontos de vista da criança, do primitivo, do paranóico, do camponês, do animal.

O escritor Kurt Hiller fundou Der Neue Club ("O Novo Clube"), e pela primeira vez aplicou o termo "expressionismo" associado à literatura; decretando a inferioridade dos estetas tradicionais, afirmou: "Nós somos expressionistas".

Em 1912, Ludwig Rubiner, evocando o poder subversivo do poeta e sua capacidade de fazer explodir as estruturas, atacou a política em nome da Santa Ralé: "Não. Eu não estou sozinho. Embora isto não seja uma prova. Quem somos nós? Quem são os camaradas? Prostitutas, poetas, gigolôs, colecionadores de objetos perdidos, ladrões de ocasião, mandriões, amantes em meio a um abraço, loucos de Deus, bêbados, fumantes inveterados, desempregados, comilões, vagabundos, assaltantes, chantagistas, críticos, dorminhocos. Biltres. E, por instantes, todas as mulheres do mundo. Somos os rejeitados, os restolhos, os desprezados. Somos aqueles que são sem trabalho, inaptos ao trabalho, aqueles que recusam o trabalho. Não queremos trabalhar, porque é devagar demais. Somos imunes doutrina do progresso; para nós, ele não existe. Acreditamos no milagre... acreditamos que nossos corpos, de repente, sejam devorados em chamas pelo espírito ardente... Procuramos raios de fogo na nossa memória, a vida toda... atropelamo-nos atrás de toda cor, queremos invadir espaços alheios, queremos penetrar em corpos estranhos... O que importa, agora, é o movimento. A intensidade e a vontade de catástrofe". Werner Haftmann aconselhou os artistas a se tornarem homens psiquicamente desequilibrados. Por toda parte testemunhavam-se arrebatamentos, derramamentos; em toda parte ressoavam "incontroláveis gritos de dor".

Em 1913, formou-se a Freie Sezession como alternativa à agonia dos conservadores e as manifestações expressionistas começaram a multiplicar-se na Alemanha. No inverno de 1916, Conrad Felixmüller organiza expressionistischen Soiréen ("saraus expressionistas") em seu ateliê.

O mundo das artes debate as novas tendências: futurismo, cubismo, abstracionismo e expressionismo, este já difamado como um "negroidismo primitivo".

O pacifismo é sua principal bandeira política. As idéias humanistas de Tolstói, reverberadas nos romances de Berta Lask e Leonhard Frank, artigos anti-guerra de Franz Pfemfert e Franz Mehering e panfletos do Spartakus lidos por Alfred Kurella causavam sensação. As idéias deviam ser transformadas em ações.

Exigia-se que as idéias se transformassem em ações, que a poesia e a pintura se engajassem. Hermann Bahr populariza o movimento com seu livro Expressionismus. E já desencantados com o mundo, os expressionistas radicalizam sua busca de sentimentos universais, o sentido internacionalista, o sonho de uma Europa unida e fraterna e as idéias de vida comunitária, optando pela revolução socialista. Em abril de 1917, um grupo da tendência revolucionária Liga Espartaquista do SPD, entre cujos líderes encontravam-se Haasse e Kautsky, fundaram o USPD (Unabhängige Sozialdemokrätische Partei Deutschlands - Partido Social Democrata Independente da Alemanha), criando organismos culturais, à maneira dos comitês de operários e soldados, agindo através de conferências, manifestos, panfletos e exposições. A rebelião dos filhos contra os pais eclodiu no drama expressionista Der Sohn ("O Filho", 1914), de Walter Hasenclever, onde o Filho, por ter apenas preocupações metafísicas, fracassava nos exames que lhe prometiam um futuro; em punição, o Pai cortava-lhe a mesada, prendendo-o em casa até os 21 anos.

A peça, contudo, não ia muito longe: a revolta do Filho impotente contra o Pai que detinha o poder conservava um fundo edipiano; levado pelo Amigo a um baile onde a juventude protestava contra o mundo dos adultos e ameaçava levar os pais aos tribunais, o Filho descobria o sexo com uma mulher, sentindo-se potente a ponto de ameaçar o Pai com um revólver. O drama só tirava sua força da apresentação do conflito. Mas o expressionismo radicalizou-se rapidamente, e logo os artistas voltaram-se contra os mestres, o exército, o imperador, todas as autoridades estabelecidas, prestando solidariedade a todos os oprimidos.

Lutavam para restaurar a plenitude do ser humano, propondo uma transformação substancial de valores. Muito desse impulso libertário e apocalíptico do expressionismo devia-se à ascendência judaica de boa parte de seus artistas e escritores. A vivência de uma condição minoritária levava-os a questionar os próprios fundamentos da sociedade. Segundo Heinrich Berl, "para o judaísmo, o expressionismo foi a hora de seu renascimento espiritual".

O humanismo subversivo do expressionismo assustava os liberais, que não conseguiam desfazer-se de seu nacionalismo atávico: depois de encontrar-se com o expressionista Carl Sternheim, Romain Rolland registrou em seu Journal ("Diário", 1915): "É ouvindo falar de tais pessoas que se dá conta de que os judeus são bem um perigo nacional: tanto os piores quanto os melhores; os piores, destruindo a pátria, os melhores querendo nela reconstruir uma cidade mais ampla". Se essa reação íntima vinha de um escritor que publicamente combatia o anti-semitismo, pode-se imaginar a virulência das reações às reivindicações do expressionismo por parte dos nacionalistas mais ferrenhos. Em 1912, o filósofo francês Alain cantava a guerra como uma mística, uma epopéia, uma juventude e uma embriaguez, afirmando que são os justos, os sábios e os poetas que melhor a fazem. Decretada a Primeira Guerra Mundial, ele se alistou como voluntário, escolhendo o posto da artilharia pesada.

Mesmo depois da guerra, Alain preservou um alto conceito da carnificina, declarando: "A guerra é a missa do homem... a celebração do humano no homem, já que os animais mais ferozes só atacam para preservar suas vidas", razão pela qual "todos os homens dignos deste nome correm para a guerra ao primeiro chamado". Também em 1914, Thomas Mann afirmou ser a guerra "uma purificação da cultura"; recordando a posição de seu criador à época, Hans Castorp partia alegre e saltitante para o campo de batalha no final de A Montanha Mágica ("Der Zauberberg", 1924), a conflagração assumindo os ares de uma libertação do círculo vicioso das partidas e retornos dos tuberculosos ao sanatório.

Também na Itália de 1915, o futurista Marinetti proclamava: "A guerra é a única higiene do mundo", incitando o povo a participar da matança. Celebração do humano, purificação da cultura ou higiene do mundo, a guerra era saudada com entusiasmo pelos jovens nacionalistas, cantada em verso e prosa por poetas, intelectuais e artistas, vista pelos filósofos como uma necessária queima de energia masculina acumulada, energia cuja verdadeira natureza permanecia obscura, produzindo em alguns visionários expressionistas, como Else Lasker-Schüler, Albert Ehrenstein, Georg Trakl, Jakob von Hoddis, Alfred Lichtenstein ou Franz Werfel, visões transpassadas de horror.

O pacifismo não encontrava qualquer respaldo popular: apenas uma minoria de políticos - como Heinrich Lammasch, que se voltou contra a política guerreira do Partido Católico - posicionava-se contra a guerra. Com sua eclosão, a maioria dos alemães engajou-se voluntariamente.

Também para muitos judeus essa foi a ocasião de provar sua fidelidade pátria: cerca de 12.000 soldados judeus caíram pela Alemanha na Primeira Guerra.

Mas será em vão que, mais tarde, combatendo o anti-semitismo dos partidos políticos, a Reichsbund jüdischer Frontsoldaten ("Liga dos Soldados Judeus do Front do Império") lembrará essa estatística, a mais dramática prova de sua assimilação.

Tal era a força do mito nacionalista do sangue que mesmo alguns intelectuais judeus deixaram-se impregnar pelo biologismo: nos encontros sionistas da Alemanha de 1910, Hugo Salus recitava uma Lied des Blutes ("Canção do Sangue"), e logo Martin Buber proporia aos sionistas buscar no sangue seu radicalismo, defendendo Jean-Richard Bloch igualmente o princípio biológico: "O sangue é a duração na comunidade dos vivos, dos mortos e dos não-nascidos.

Ele forma a substância de nosso ser, a razão de nosso eu, cada inconcebível histórica (ou melhor biológica) memória, que nos ligou a toda cadeia de nossos antepassados, com seus caracteres e seus destinos, com suas ações e sofrimentos, com suas vivências, grandezas e misérias". Marcado pelos conceitos social-darwinistas da época, o discurso sionista reproduzia-o em pequena escala, substituindo a história pela biologia, a liberdade pelo destino, a educação pelo sangue, a razão pelo mito, o movimento da consciência pelos fluxos do inconsciente. O discurso libertário, pacifista e universalista da vanguarda engajada era considerado tanto pelos nacionalistas anti-semitas quanto, em menor escala, pelos sionistas radicais, uma provocação insuportável. E a provocação era mesmo tremenda. Quando o socialista Friedrich Adler assassinou o Ministro-presidente Stürgkh, em protesto contra a guerra, Karl Kraus, autor do drama expressionista Os Últimos Dias da Humanidade, festejou-o como herói e conseguiu impedir sua execução através de uma campanha desencadeada por sua revista, Die Fackel ("A Tocha", 1899-1936, da qual ele foi, a partir de 1912, o único redator, escrevendo 922 números). O povo só perdeu o gosto pela guerra quando as notícias de derrota no front começaram a chegar e, com elas, a fome.

Em 1917, numa tentativa revisionista, Conrad Felixmüller e Felix Striemer criaram o grupo Der Neue Kreis ("O Novo Círculo"), renegando o pathos do movimento: "Descartemos os passos falsos das expressões psicológicas incompreensíveis".

Propunham, em seu lugar, um Synthetischen Kubismus ("cubismo sintético"): "As formas dos objetos permanecem fiéis no sentido material - quer dizer, sem sintomas de transformação, como sol, luz, ar; nunca são portadores de disposições da alma ou de sentimentos. Incessante significação, expressão do ser. A matéria madeira permanece madeira, pedra permanece pedra, cal - cal, cabelo - cabelo, etc. O sentimento somente quando ele for constante. Quando não permanecer apenas como recheio. Quando for existência". Outra ala do expressionismo abraçou o socialismo como proposta política definida.

Considerando-se adolescentes apocalípticos em rebelião contra todos os absurdos, especialmente o da guerra, muitos expressionistas engajaram-se na militância política, distanciando-se dos futuristas, que idolatravam a a civilização técnica. Walter Gropius escreveu que o expressionismo era "uma revolta contra a máquina e tudo o que ela representa de repressivo".

Como observou Luiz Carlos Daher, os expressionistas viam a metrópole como um inferno, a máquina como um Moloch e o robô como um sinistro Golem moderno; se para os futuristas o progresso técnico prometia uma vida liberta dos sentimentalismos passadistas, para os expressionistas o homem encontrava-se alienado num universo estranho e diabólico; a alegria e o vitalismo futuristas chocavam-se com a visão do caos percebida pelos expressionistas; e se para os futuristas a guerra era fonte de exaltação e prazer, os expressionistas legaram seu pacifismo aos sobreviventes da conflagração, depois de sofrê-la na carne: como tantos outros, os pintores Franz Marc, August Macke e Egon Schiele, os poetas Alfred Lichtenstein, Ernst Stadler e August Stramm morreram no front; ao dele retornar, o escritor Ernst Toller organizou com Kurt Eisner o movimento pacifista, e em seu drama Masse Mensch ("Homem-Massa"), a heroína preferia morrer antes que aceitar ser libertada da prisão através do assassínio de um dos guardas. Com total desprezo pela política, Franz Werfel clamou por um levante mundial da amizade contra a devastação do mundo. Em seus poemas, René Schickele condenava a violência, quer viesse dos contra-revolucionários ou dos próprios revolucionários, que sempre acabavam traindo a verdadeira revolução humana.

Espírito prático, Wilhelm Michael propôs a formação de um Congresso Internacional de Intelectuais: cada país elegeria seus poetas, escritores, artistas, sábios e pacifistas e os encarregaria de representá-los. Estes formariam o primeiro Parlamento da Comunidade Universal, reunindo-se a cada ano num país diferente para conferenciar sobre as possibilidades de educar os povos no sentido da amizade e do combate ao ódio, destruindo, sob o fogo do espírito e do amor, o bloco de violência e injustiça que o mundo civilizado representava. Kurt Hiller foi mais longe e sugeriu a formação de um Partido dos Intelectuais, com o objetivo de conquistar o Paraíso na Terra; seu programa incluía a supressão da guerra; reformas econômicas para garantir o mínimo vital a todo cidadão; ajuda aos desempregados e aos criadores; liberação sexual com o reconhecimento da homossexualidade; racionalização da procriação; abolição da pena de morte; proteção do indivíduo diante do crescente poderio da psiquiatria; transformação das escolas de ensino em escolas de pensar; combate contra as Igrejas e os Parlamentos; estabelecimento de uma aristocracia do espírito; liberdade total de expressão.

Os expressionistas organizaram-se para a revolução fundando, em novembro de 1918, o Novembergruppe ("Grupo de Novembro"), do qual participavam Walter Gropius, Bruno Taut, Heinrich Campendonk e Rudolf Belling, instituindo um Conselho de Trabalho para a Arte. Em dezembro, os espartaquistas e outros grupos revolucionários fudaram o Partido Comunista Alemão, reivindicando todo o poder para os comitês de operários e soldados; mas, após violenta repressão e assassinato dos líderes Karl Liebkenecht e Rosa Luxemburgo por oficiais de direita, uma Assembléia Constituinte, instalada em 19 de janeiro de 1919, elegeu uma maioria conservadora de social-democratas para governar a República de Weimar.

Reagindo à contra-revolução, Hugo Zehder fundou o grupo Dresdner Sezession 1919 e a revista Neue Blätter für Kunst und Dichtung ("Novas Folhas para a Arte e a Poesia"), denunciando a tentativa de apropriação burguesa das formas expressionistas em inócuas "preciosidades engraçadinhas", propondo a retomada do caráter revolucionário e profético do movimento: "Inicialmente cantaremos algumas curtas e claras 'canções para sacudir'.

Pois queremos sempre ser muito engraçados e expulsar com o riso aqueles que nos cercam com suas sombrias astúcias: mesmo andando na ponta dos pés, não nos alcançarão". E protestando contra o esmagamento da revolução, o encenador Leopold Jessner criou uma encenação tão subversiva de Wilhelm-Tell ("Guilherme Tell", 1919) que os atores quase não conseguiram levá-la até o fim. Na noite de estréia, o tumulto reinava na sala, o público dividido entre os esquerdistas que aplaudiam e os direitistas que gritavam "Judeus vigaristas!". Kortner entrava no meio da peça, no papel do sádico Geßler. Mas antes disso, Jessner aproximou-se dele e indicou que, diante daquele tumulto, nem precisava entrar.

Mas seu assistente, Albert Florath, aproximou-se, bêbado, e disse: "Vista-se, continuamos a representar. Sob qualquer condição." Os protestos abafaram suas palavras. Alguns atores abandonaram o palco, querendo desistir. Florath os caçava e os obrigava a voltar.

Quando a gritaria cresceu, Jessner pediu cortina, a qual desceu até a metade. Florath insistiu: "Deixe pelo menos Kortner enfrentá-los!" O crítico de teatro Siegfried Jacobson debatia-se furiosamente com a galeria. Espectadores exaltavam-se. Julius Bab pulava da poltrona e gritava. Em meio ao caos, Florath fez subitamente a cortina erguer-se. O golpe produziu um inesperado silêncio. A representação continuou. Mas quando Kortner, vestido e maquiado de vermelho, subiu ao palco, o barulho recomeçou. Arrasado, Jessner previu o fim. Mas o ator Albert Bassermann fez uma cena tão comovente que levou o público às lágrimas. Atrás do palco, Florath dançava de alegria. Logo a tormenta retornou, para atingir o clímax. Esgotado, Bassermann abandonou o palco. Mas teve que voltar para contracenar com Kortner. Com suas vozes possantes, os dois monstros sagrados conseguiram aplacar a gritaria. Só a intervenção da polícia permitiu o prosseguimento da peça. A horda anti-semita foi evacuada e Kortner e Bassermann puderam ser aclamados.

A revolta expressionista não se limitava, contudo, às agitações sociais, atingindo dimensões metafísicas, e até cósmicas.

O manifesto de 1919 de Lothar Schreyer sintetizou a radicalização final: "Uma mulher compreendeu que para nada lhe serve usar seus encantos e a isso renuncia.

Um outro sabe que a Igreja não faz de ninguém um cristão e recusa batizar seu filho. Um outro vê os malefícios da imprensa a soldo da sociedade e se abstém de lê-la. Tais são os primeiros passos do homem que se afasta do mundo antigo. Vêm em seguida os atos decisivos pelos quais ele o rejeita, o aniquila e o esquece em sua pessoa. Afastar-se radicalmente, interiormente e exteriormente, do mundo antigo e de suas instituições - sociedade, família, Estado, Igreja, arte, ciência, moral e cultura - é a condição da liberdade no mundo novo. A hora das decisões chegou para todos. Todos aqueles que compreenderam que o mundo antigo é um Calvário devem tomar suas responsabilidades.

Somos de novo responsáveis pelo destino do mundo: da morte do antigo e do nascimento do novo. É agora que tudo se decide. É agora que nasce o Homem Novo".

Depois de passar das artes plásticas e da arquitetura para a literatura e o teatro, o expressionismo agora estava maduro para chegar ao cinema, e sua primeira realização foi O Gabinete do Dr. Caligari (Das Kabinett des Dr. Caligari", 1919), de Robert Wiene, que marcou época, seguido de Da Aurora à Meia-noite ("Von Morgens bis Mitternacht, 1920), de Karl Heinz Martin, que nem chegou a ser lançado. Toda uma nova linguagem cinematográfica será desenvolvida a partir das premissas perturbadoras do caligarismo. A nova indústria de entretenimento, que empresários e artistas em boa parte de origem judaica edificaram na Alemanha, iria agora transformar-se com a infusão de novas formas e valores, transformando o cinema numa verdadeira tribuna de propaganda da arte moderna, e sobretudo do recente legado das artes plásticas e da arquitetura, da literatura e do teatro expressionistas. Aqui o expressionismo encontrou um terreno fértil, ainda aberto a todo tipo de experimentação. Aí os expressionistas puderam criar um mundo tridimensional sustentado apenas por sua própria fantasia, realizando, ainda que dentro dos limites estreitos daquela arte de massa, a maior de todas as suas revoluções estéticas.

De fato, a produção da imagem expressionista em movimento constituirá a idade de ouro do cinema mudo alemão: o triunfo da fantasia em plena crise econômica, quando as massas arruinadas pela desvalorização da moeda não pensavam senão em consumo e diversão. Com a implantação do Plano Dawes, que estabilizou momentaneamente a economia corroída, diminuindo o desemprego e aumentando a produção e os salários, o que favoreceu os partidos de centro e de direita, a indústria do cinema retornou à velha estética do realismo. Gustav Hartlaub, diretor do Museu de Manheim, criou, em 1924, o termo "Nova Objetividade", para designar essa nova tendência da arte alemã. Logo o realismo triunfará no cinema com a introdução do som e a adoção oficial de estéticas realistas pelos regimes totalitários, que irrompem na década de 30 desterrando as vanguardas modernas na União Soviética e na Alemanha, difamadas como "protofascistas" pelos comunistas e como "degeneradas" pelos nazistas.

Sob a influência de Georg Lukàcs, os primeiros historiadores da arte moderna tenderão a ignorar o expressionismo, a despeito de sua grande produção literária e artística: Paul Raabe registrará 2.300 títulos de livros expressionistas de 347 autores, em todos os gêneros, além de 37.000 colaborações literárias e gráficas em 110 periódicos.

Milhares de obras plásticas e projetos arquitetônicos e dezenas de filmes completam esse legado imenso e ainda pouco conhecido: o continente expressionista ainda espera ser redescoberto e devidamente valorizado.

Fonte: www.theartstory.org/www.geocities.com/www.cen.g12.br/www.artesbr.hpg.ig.com.br/www.expressionismo.pro.br

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