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Fauvismo

Contexto Histórico

No princípio do século XX, a arte tornou-se agressivamente compulsiva, e um estilo se sobrepunha ao outro com extrema rapidez.

Porém, um tema permanecia constante: a arte se concentrava menos na realidade visual externa e mais na visão interna.

Em toda a evolução da arte ocidental, o século XX produziu a ruptura mais radical com o passado. A arte do século XX não apenas decretou que qualquer tema era adequado, mas também libertou a forma (cubismo) das regras tradicionais e livrou as cores (fauvismo) da obrigação de representar com exatidão os objetos.

Os artistas modernos desafiavam violentamente convenções, seguindo o conselho de Gauguin, para “quebrar todas as janelas velhas, ainda que cortemos os dedos nos vidros”.

No coração dessa filosofia de rejeição ao passado, chamada de Modernismo, havia a busca incessante de uma liberdade radical de expressão. A arte se afastava gradualmente de qualquer pretensão de retratar a natureza, seguindo na direção da pura abstração em que dominam a forma, as linhas e as cores.

Nas três décadas que precedem à Primeira Guerra Mundial, Paris converte-se num centro cultural de incrível força criadora na arquitetura, nas artes decorativas, no teatro e na música. O novo século parece trazer um vento de otimismo e confiança no futuro. As conquistas coloniais oferecem grande abundância de matérias primas a baixo preço, e a grande indústria produz no limite da sua capacidade com enormes margens de lucro.

Paris enche-se de cafés-concerto, teatros, cabarés e salões de baile. Entre 1901 e 1906, houve várias exposições abrangentes que, pela primeira vez, tornavam bastante visíveis as obras de Van Gogh, Gauguin e Cezanne. Para os pintores que viram as realizações desses artistas, o efeito foi uma libertação, e começaram a fazer experiências com estilos novos e radicais.

Este movimento deu origem ao Fauvismo, que floresceu entre 1898 e 1908, e que apesar de seu curto período de permanência é considerado um movimento de vanguarda. Ele usa cores brilhantes e puras, aplicadas como saem das bisnagas de tinta, e de uma forma agressiva e direta para criar uma sensação de explosão na tela.

A exposição de 1905 – Salon d’Automne – que inaugurou o Fauvismo em Paris, mudou para sempre a maneira de ver a arte. Antes o céu era azul e a grama era verde. Mas nas telas dos fauvistas Matisse, Vlaminck, Derain, Dufy, Braque, Rouault entre outros, o céu era amarelo-mostarda, as árvores vermelhas e os rostos verde-ervilha.

A reação do público foi hostil.

O grupo ganhou esse nome do crítico de arte Louis Vauxcelles, da revista Gil Blas, que, observando os quadros em volta de uma escultura em bronze de Albert Marquet, representando um menino, comenta: “Ah, Donatello au milieu des fauves!” (Ah, Donatello no meio das bestas selvagens!). O que levou os críticos a considerarem os fauvistas “todos um pouco loucos”, foi o uso das cores sem referência e aparência real. Os fauvistas porém se embriagavam com cores vibrantes, exageradas. Liberaram a cor de seu papel tradicional de descrever objetos, para fazê-la representar sentimentos. Os fauvistas acreditavam inteiramente na cor como força emocional. A cor perdeu as qualidades descritivas e tornou-se luminosa, criando a luz em vez de imitá-la.

Outra influência de peso na arte fauvista foi a descoberta da arte-tribal não européia. Derain, Vlaminck e Matisse foram os primeiros a colecionar máscaras africanas.

A arte dos Mares do Sul, popularizada por Gauguin, e o artesanato da América do Sul e Central também contribuíram para afastá-los das tradições renascentistas e conduzi-los a vias mais livres de comunicação de emoções.

Principais artistas e suas obras

Durante sua breve prosperidade, o Fauvismo teve alguns adeptos notáveis, entre eles Dufy, Camoin e Braque; entretanto as principais obras fauves foram pintadas por Matisse, Derain e Vlaminck.

Obviamente há dificuldades em agrupar artistas tão eminentemente individuais e independentes sob um único rótulo, sobretudo porque todos eles contribuíram com diferentes qualidades para o estilo que reconhecemos como Fauvismo.

Charles Camoin

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Nascido em Marselha em 23 de setembro de 1879, Charles Camoin foi encorajado desde cedo no campo das artes. Aos sete anos ele já passava as suas manhãs estudando na Escola de Belas Artes de Marselha. Ele conheceu os seus contemporâneos fauvistas aos dezenove anos quando ingressou no Estúdio de Gustave Moreau em Paris.

Ele também foi muito amigo de Paul Cezanne. O uso pacífico das cores nos seus trabalhos reflete um leve afastamento do estilo proverbialmente vívido do fauvismo, na medida em que ele foi sendo influenciado pelo impressionismo, particularmente por Renoir. Ele viajou extensivamente pelo sul da Europa, pintando com seus amigos Matisse e Marquet, mas ele preferia a pintura das províncias francesas. Ele casou com Charlotte Proust em 1940 e morreu em Paris em 1965.

Andre Derain

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Nascido em 10 de junho de 1880 em Chatou, França, a família de Andre Derain, inicialmente, pretendia que ele se tornasse um engenheiro. Entretanto ele começou a pintar aos quinze anos tornando-se um dos mais prolíficos artistas fauvistas. A paixão de Derain pela arte surgiu quando ainda era jovem e ele admitia ser obsecado pelo Louvre. Ele conheceu Henri Matisse no início de sua carreira e a Vlaminck em 1900. Um encontro que muitos historiadores da arte consideram o nascimento da arte Fauve. Derain e Vlaminck eram seus bons amigos e eles intercambiavam idéias artísticas e literárias. Eles freqüentemente pintavam juntos. As pinturas de Derain são muito ecléticas e a partir delas pode-se rastrear os seus vários estágios de experimentação.

A sua peça mais famosa, A Dançarina, foi influenciada por Gauguin como se observa pelo uso que Derain fez dos tons de terra.

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Outros trabalhos como a sua série de Londres e barcos a vela são reminiscências do impressionismo. Durante as suas viagens com George Braque, o seu trabalho foi adquirindo um estilo mais Cubista. Mais tarde, Derain mudou das paisagens para o estudo da figura humana e ele chegou mesmo a experimentar a escultura e desenho de roupas. Andre Derain morreu em 1954, semanas após ter sido atropelado por um carro em Chambourcy.

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