Salmonella corresponde a um gênero de microrganismos em forma de bastão, Gram-negativo, não formador de esporos. Causam doenças infecciosas no homem e nos animais e atualmente já são conhecidos mais de 2600 sorotipos de Salmonella.
As salmonelas causam três tipos de síndrome: a febre tifóide, causada por Salmonella Typhi, as febres paratíficas, causadas por Salmonella Paratyphi A, B e C e as gastroenterites, ou salmoneloses, causadas por uma ampla variedade de sorotipos. Os sorotipos Typhimurium e Enteritidis são os mais frequentemente envolvidos nos casos em humanos.
A febre tifóide caracteriza-se por febre, dor de cabeça, diarréia, dor abdominal, podendo produzir ainda danos respiratórios, hepáticos, esplênicos e/ou neurológicos. As febres paratíficas (A, B e C) são semelhantes à febre tifóide.
Trata-se de uma doença infecciosa que se caracteriza por diarréia, febre e cólicas abdominais, que aparecem 12 a 72 horas após a infecção. A doença dura de 4 a 7 dias, e a maioria das pessoas infectadas se recupera sem qualquer tratamento. Entretanto, a diarréia pode ser muito grave em idosos, crianças e pessoas com o sistema imunológico comprometido, necessitando hospitalização.
Nesses pacientes a infecção por Salmonella pode atingir a corrente sanguínea e através do sangue atingir outros locais, causando a morte se não houver tratamento imediato com antibióticos. Se o hospedeiro é uma criança no primeiro ano de vida, particularmente recém-nascido, podem ocorrer complicações sérias, como meningites.
No adulto, diversas doenças pré-existentes, como esquistossomose, anemia falciforme e malária, modificam o quadro clínico da salmonelose, podendo ocorrer bacteremia, febre de evolução prolongada, anemia e esplenomegalia.
Salmonella vive no trato intestinal de humanos e alguns animais, principalmente aves. A transmissão ao homem se dá através de alimentos contaminados com fezes, principalmente os de origem animal, como carne bovina e de aves, leite e ovos, mas todos os tipos de alimentos, inclusive vegetais, podem estar contaminados.
O sorotipo Enteritidis é veiculado pelos ovos e seus derivados, pois esse sorotipo infecta os ovários de aves aparentemente sadias e contamina os ovos antes da casca ser formada. Os alimentos podem contaminar-se também através das mãos sujas de manipuladores que não adotam práticas de higiene adequadas após o uso do banheiro. Salmonella pode ser encontrada também nas fezes de animais domésticos, especialmente quando estão com diarréia, e as pessoas podem infectar-se se não lavarem as mãos após contacto com essas fezes.
Os répteis têm grande probabilidade de conter Salmonella e todos, principalmente crianças, devem sempre lavar bem as mãos após o contato com esses animais, mesmo que saudáveis. É importante ressaltar que pessoas que tiveram infecção por Salmonella e se curaram podem eliminar o microrganismo pelas suas fezes mesmo quando não apresentam nenhum sintoma. Esses portadores assintomáticos transformam-se em perigosa fonte de contaminação da água e dos alimentos.
As pessoas com diarréia recuperam-se completamente, embora possa levar vários meses até que o funcionamento do intestino fique normal. Entretanto, uma parcela dos doentes pode apresentar a síndrome de Reiter, caracterizada por dores nas juntas, irritação nos olhos e dor ao urinar. Esses sintomas podem durar meses, podendo se transformar em artrite crônica de difícil tratamento. O uso de antibióticos para tratar a salmonelose não interfere no desenvolvimento da síndrome de Reiter.
Não há vacina para prevenir a salmonelose. Considerando que os alimentos de origem animal são a principal fonte de contaminação, é importante não consumir certos alimentos crus ou mal cozidos, como ovos, carne bovina e de aves. Ovos crus podem fazer parte da composição de certos alimentos, como maioneses caseiras, sorvetes caseiros, molhos para salada, massas para bolo, etc. Carne bovina e de aves, inclusive hambúrgueres, devem ser bem cozidos, não devendo apresentar coloração rosa no interior. Leite não pasteurizado, inclusive derivados preparados com esse tipo de leite, não devem ser consumidos. Hortaliças e vegetais devem ser muito bem lavados antes do consumo.
A contaminação cruzada de alimentos deve ser evitada. Carnes cruas devem ser mantidas longe de produtos prontos para consumo. Mãos, tábuas de cortar, balcões, facas e outros utensílios devem ser bem lavados antes e após o uso. Pessoas com salmonelose jamais devem manipular alimentos ou água para beber.
Muitos microrganismos diferentes podem causar diarréia, febre e cólicas abdominais, por isso a identificação correta do microrganismo causador depende de testes de laboratório para detectar sua presença nas fezes das pessoas doentes. Esses testes nem sempre são realizados de forma rotineira, por isso é necessário que o médico especifique no pedido de exame que esse microrganismo deva ser investigado. Uma vez identificado, são necessários testes complementares para detectar o tipo da Salmonella e também quais os antibióticos que devem ser usados no tratamento.
As salmoneloses duram, em média, 5 a 7 dias, e necessitam de tratamento quando o doente tem desidratação severa ou quando a infecção é extra-intestinal. Pessoas com diarréia grave precisam de reidratação, às vezes intravenosa. De modo geral, as salmoneloses não devem ser tratadas com antibióticos, pois esse procedimento pode prolongar o período de excreção do microrganismo pelas fezes. É importante destacar que algumas Salmonella já são resistentes a diversos antibióticos, principalmente porque essas drogas são adicionadas às rações para animais.
Fonte: www.sfdk.com.br
A Febre Tifóide é uma doença contagiosa causada pela bactéria Salmonella typhi. A febre tifóide é uma doença distinta e não relacionada com o Tifo.
As Salmonella são bacilos Gram-negativos, móveis e anaérobios facultativos, pertencentes à familia Enterobacteriaceae. Tem altos niveis de metabolismo em comparação com outras bactérias.
Na verdade Salmonella typhi não é uma espécie, mas antes a designação comum do serovar Salmonella enterica typhi (S.enterica subespécie typhi), que inclui vários outras subespécies que não causam esta doença. O serovar Salmonella enterica paratyphi causa uma doença semelhante, a febre paratifóide.
Como todas as bactérias Gram-negativas, elas têm lipopolissacarideo (LPS) que é um poderoso indutor de resposta imunitária despropositada, com vasodilatação sistémica e possivel morte por choque séptico. Além disso a sua disseminação e multiplicação nos orgãos pode causar danos graves.
A doença é exclusiva do ser humano, não sendo encontrada em nenhuma outra espécie animal. É sempre transmitida via oral-fecal, ou seja pela contaminação por fezes de alimentos ou objectos levados à boca.
Muitos casos são devidos à preparação não higiénica da comida, em que um individuo portador (com a bactéria no intestino mas saudável e sem sintomas por períodos prolongados) suja os dedos com os seus próprios detritos fecais e não lava as mãos antes de manusear os alimentos. A personagem Maria Tifóide, que trabalhava numa pastelaria infectando os clientes, é famosa. Cerca de 5% dos doentes não tratados com antibiotico tornam-se portadores após resolução da doença.
É transmitida através da ingestão de alimentos ou água contaminados, o mais comum, ou então pelo contato direto com os portadores através de um beijo por exemplo. Seja qual for a origem a única porta para a sua entrada é a via digestiva.
As bactérias são ingeridas e a partir do lúmen intestinal invadem um tipo especializado de célula do epitélio do orgão, a célula M, por mecanismos de endocitose ou invasão directa, passando depois à subserosa. Aí são fagocitadas por macrófagos, mas resistem à destruição intracelular. Como estas células linfáticas são altamente móveis, são transportadas para tecidos linfáticos por todo o corpo, como gânglios linfáticos, baço, fígado, pele e medula óssea. A sua disseminação é inicialmente pela linfa, e depois sanguinea.
Os primeiros sintomas, aumentando ao longo da primeira semana, são febre de cerca 40ºC, dores de cabeça, fadiga, bradicardia, e agitação durante o sono. Podem aparecer manchas rosas na pele. Após cerca de 3 semanas, o enfermo pode apresentar falta de apetite (anorexia), hemorragia nasal (epistaxe), diarreia e vómitos, esplenomegália, tosse, delírios e estado de torpor, surgindo depois quadros de septicémia, com possivel choque séptico mortal.
Se não for tratada, a febre tifóide pode complicar-se em hemorragia ou até perfuração intestinal e inflamação da vesícula biliar. A mortalidade chega a 25% nos casos não tratados, sendo frequentemente cuasada pela septicémia e choque (perda catastrófica da tensão arterial com isquémia fatal dos orgãos).
É feito por analise de amostras de sangue, fezes ou da medula óssea com um teste serologico de Widal (demonstração de anticorpos anti-salmonela). Em países pobres é usado o teste de detecção de diazo na urina.
A febre tifóide deve ser tratada com antibióticos específicos, mais comummente o cloranfenicol, ampicilina ou quinolonas. São tratadas as complicações de acordo com a sua condição, caso hajam.
Os doentes que se tenham curado sem tratamento antibiótico devem ser isolados, já que que mesmo curados podem tornar-se portadores do bacilo por meses, até mesmo anos. São-lhes administrados antibióticos que eliminam as bactérias remanescentes.
Além da vacinação, para evitar o contágio da febre tifóide é necessário tratar a água e os alimentos, controlar o lixo, observar boas condições de higiene. É importante no seguimento de qualquer epidemia identificar os portadores e eliminar as bactérias que transportam com antibióticos.
Por ser uma doença altamente contagiosa, normalmente isola-se o infectado, isolando assim também a doença em locais de prá(c)tica clínica e de higiene adequada evitando sua proliferação através da água, um dos mais importantes vetores de contágio em todo mundo.
A Salmonella typhi é também conhecida como bacilo de Elberth, assim chamado em homenagem a Karl Joseph Elberth que o descreveu pela primeira vez em 1880.
Em 1907, Mary Mallon (a original "Maria Tifóide") foi o primeiro portador a ser identificado após uma epidemia, nos EUA.
A tifóide matou várias personagens famosas, incluindo o compositor Franz Schubert, o consorte da Rainha Vitória do Reino Unido Alberto de Saxe-Coburg-Gotha e Wilbur Wright, um dos primeiros aviadores.
Salmonella é um gênero de bactérias, pertencente à família Enterobacteriaceae, sendo conhecida há mais de um século. Tem em seu nome uma referência ao cientista estadunidense chamado Daniel Elmer Salmon, que associou a doença à bactéria pela primeira vez.
A espécie Salmonella enterica é subdividida em seis subespécies: enterica, salamae, arizonae, diarizonae, hutnae e indica.A espécie Salmonella enterica subespécie enterica, por sua vez, possui uma grande variedade de sorotipos, que são designados após a subespécie ou após o gênero, escritos com letra maiúscula, tais como: Enteritidis, Typhimurium, Typhi, Agona, Infantis, Weltvreden, London, Javiana e outros. Existem mais de 2500 sorotipos de Salmonella descritos.

Os sintomas causados pela Salmonelose são febre, náuseas, vômito e diarréia. Tendem a parecer cerca de 24 horas após a ingestão. Elas se fixam na parede do intestino delgado, mais precisamente nas células M (microcílios), onde se multiplicam e se manifestam causando vômito, diarréia, náuseas, febre, anorexia intensa etc.
A Salmonella é transmitida ao homem através da ingestão de alimentos contaminados com fezes animais.
Os alimentos contaminados apresentam aparência e cheiro normais e a maioria deles é de origem animal, como carne de gado, galinha, ovos e leite. Entretanto, todos os alimentos, inclusive vegetais, podem tornar-se contaminados. É muito freqüente a contaminação de alimentos crus de origem animal.
O cozimento de qualquer destes alimentos contaminados mata a Salmonella.
A manipulação de alimentos por pessoas contaminadas que não lavam as mãos com sabonete, pode causar sua contaminação.
Fezes de animais de estimação, especialmente os que apresentam diarréia, podem conter Salmonella, e as pessoas em contato com estes animais podem ser contaminadas e contaminar a outras se não adotarem medidas rígidas de higiene (lavar as mãos com sabonete). Répteis são hospedeiros em potencial para a Salmonella e as pessoas devem lavar as suas mãos imediatamente após manusear estes animais, mesmo que o réptil seja saudável.
A maior parte das pessoas infectadas com Salmonella apresenta diarréia, dor abdominal (dor de barriga) e febre.
Estas manifestações iniciam de 12 a 72 horas após a infecção. A doença dura de 4 a 7 dias e a maioria das pessoas se recupera sem tratamento. Em algumas pessoas infectadas, a diarréia pode ser severa a ponto de ser necessária a hospitalização devido à desidratação.
Os idosos, crianças e aqueles com as defesas diminuídas (diminuição da resposta imune) são os grupos mais prováveis de ter a forma mais severa da doença.
Uma das complicações mais graves é a difusão da infecção para o sangue e daí para outros tecidos, o que pode causar a morte caso a pessoa não seja rapidamente tratada.
Muitas doenças podem causar as mesmas manifestações que a salmonelose, sendo o diagnóstico, na maior parte das vezes, associado à história alimentar recente.
A comprovação de que as manifestações clinicas são causadas pela Salmonella só pode ser feita pela identificação do germe nas fezes da pessoa infectada e é útil somente nos casos mais graves, em que a administração de antibiótico se faz necessária.
Este teste usualmente não é realizado em um exame comum de fezes, sendo necessário uma instrução específica ao laboratório para a procura do germe nas fezes.
Uma vez identificado pode ser realizada a cultura das fezes para a determinação do tipo específico e qual antibiótico deve ser utilizado para o tratamento.
A infecção por Salmonella usualmente dura de 5 a 7 dias e freqüentemente não é necessário tratamento, sendo suficiente as medidas de suporte e conforto ao paciente. Após este período, a pessoa fica recuperada, podendo permanecer ainda por algum tempo um hábito intestinal irregular.
Caso o paciente se torne severamente desidratado ou a infecção
se difunda do intestino para outras regiões do organismo, medidas terapêuticas devem ser tomadas, incluindo a hospitalização. Pessoas com diarréia severa devem ser reidratadas através da administração endovenosa de soro. Os casos graves, em que a infecção se difunde, devem ser tratados com antibióticos.
Sendo os alimentos de origem animal uma das principais fontes de contaminação por Salmonella, ovos, carne e galinha não devem ser ingeridos crus, mal-passados ou não completamente cozidos.
Atenção especial deve ser dada aos ovos crus que aparecem sem serem percebidos em um grande número de pratos, como maionese caseira, molho holandês, tiramisu, sorvete caseiro. Estes pratos devem ser evitados.
Carnes em geral, incluindo hambúrgueres e frango, devem ser bem cozidas (não devem estar avermelhadas no centro). Leite não pasteurizado deve ser evitado.
Todos os produtos devem ser bem lavados antes de sua preparação e consumo.
Contaminação entre alimentos deve ser evitada: carnes cruas devem ficar separadas de alimentos que estão sendo preparados, de alimentos já cozidos e de alimentos prontos para serem servidos.
Todos os utensílios de cozinha (tábuas, facas, etc.) devem sempre ser lavados após sua utilização em alimentos crus.
As mãos devem ser lavadas antes do manuseio de qualquer alimento e entre o manuseio de diferentes itens alimentares.
Já que os répteis são portadores em potencial da Salmonella, qualquer pessoa deve lavar as mãos imediatamente após o contato com estes animais.
Répteis, incluindo as tartarugas, não são apropriados como animais de estimação de crianças e não deveriam habitar o mesmo ambiente.
Fonte: pt.wikipedia.org