A febre tifóide é uma infecção causada pelo bacilo Salmonella typhi.
Os bacilos tíficos encontram-se nas fezes e na urina das pessoas infectadas. Uma lavagem incorrecta das mãos depois de defecar ou de urinar transmitem a Salmonella typhi aos elementos utilizados para comer e beber. As moscas podem transmitir as bactérias directamente desde as fezes até aos alimentos. Em situações raras, o pessoal dos hospitais que não tomou as devidas precauções pode contrair a infecção manuseando a roupa de cama das pessoas infectadas.
As bactérias entram no tracto intestinal e chegam à corrente sanguínea. Em seguida verifica-se uma inflamação dos intestinos delgado e grosso. Nos casos graves, que podem pôr a vida em perigo, aparecem úlceras sangrando no tecido afectado, o qual pode perfurar-se.
Aproximadamente 3 % dos infectados com Salmonella typhi que não recebem tratamento eliminam bactérias na sua matéria fecal durante mais de um ano. Alguns desses portadores nunca manifestam sintomas de febre tifóide. Assim, por exemplo, segundo estatísticas procedentes dos Estados Unidos, os indivíduos portadores são geralmente mulheres de idade avançada com uma doença crónica da vesícula biliar.
Em geral, os sintomas começam gradualmente entre 8 e 14 dias após a infecção. Entre eles figuram febre, dor de cabeça, dor articular e de garganta, prisão de ventre, perda de apetite, dores e outras queixas abdominais. Com muito menos frequência, verificam-se dor durante a micção, tosse e hemorragias nasais.
Se não for iniciado um tratamento, a temperatura corporal sobe lentamente durante 2 ou 3 dias, mantém-se a 39,5ºC-40ºC durante 10 a 14 dias, começa a descer gradualmente no final da terceira semana e atinge níveis normais à volta da quarta semana. Esta febre mantida costuma ser acompanhada por uma frequência cardíaca lenta e um cansaço extremo. Nos casos graves pode verificar-se delírio, estupor e coma. Em cerca de 10 % dos doentes aparecem grupos de pequenos pontos rosados no peito e no abdómen durante a segunda semana de doença, que duram de 2 a 5 dias. Por vezes a infecção causa sintomas semelhantes aos da pneumonia ou então apenas febre, ou somente sintomas idênticos aos de uma infecção das vias urinárias.
Mesmo quando os sintomas e a história da doença possam sugerir febre tifóide, o diagnóstico deve ser confirmado identificando o crescimento das bactérias responsáveis através de culturas do sangue, da urina, das fezes ou de outros tecidos do corpo.
Embora a maioria dos doentes recupere por completo, podem surgir complicações, principalmente naqueles que não são tratados ou então nos que o foram tardiamente. Muitos sofrem hemorragias abdominais e cerca de 2 % têm hemorragias graves. Em geral, a perda de sangue verifica-se durante a terceira semana da doença. A perfuração intestinal ocorre em 1 % a 2 % dos indivíduos e ocasiona fortes dores abdominais, dado que o conteúdo do intestino infecta a cavidade abdominal, o que se designa por peritonite. (Ver secção 9, capítulo 112)
Durante a segunda ou terceira semana pode manifestar-se pneumonia, que se deve habitualmente a uma infecção pneumocócica, mesmo que os bacilos tíficos a possam causar igualmente. Pode verificar-se também uma infecção da vesícula biliar e do fígado. Uma infecção do sangue (bacteriemia) pode ocasionalmente conduzir a uma infecção dos ossos (osteomielite), das válvulas cardíacas (endocardite), da membrana que reveste o cérebro (meningite), dos rins (glomerulonefrite) ou das vias urinária ou genital. Uma infecção muscular pode provocar um abcesso.
Em cerca de 10 % dos casos não tratados, os sintomas da infecção inicial repetem-se duas semanas depois de ter começado a febre. Por motivos que se desconhecem, os antibióticos tomados durante a fase inicial da doença aumentam o índice de recorrência de 15 % a 20 %. Se se administrarem antibióticos para uma recaída, a febre desaparece muito mais rapidamente do que aconteceu na doença original, mas ocasionalmente verifica-se uma nova recaída.
A vacina oral contra a febre tifóide dá cerca de 70 % de protecção. Só é aplicada a pessoas que tenham estado expostas ao microrganismo e às que correm um grande risco de exposição, incluindo aí os técnicos de laboratório e os indivíduos que viajam para locais onde a doença é frequente. Os turistas que se dirigem a estas áreas devem evitar comer legumes de folha verde crus, bem como outros alimentos servidos ou conservados à temperatura ambiente. Os alimentos recém-preparados, quando servidos quentes ou mornos, as bebidas gasosas engarrafadas e os alimentos crus a que se possa tirar a pele costumam ser seguros. A menos que se saiba que a água não está contaminada, ela deve ser fervida ou desinfectada antes de consumida.
Com um tratamento antibiótico rápido, mais de 99 % dos casos de febre tifóide curam-se. Em geral, os doentes que morrem estão desnutridos, são muito jovens ou então de idade muito avançada. O estupor, o coma e o choque são sinais de uma infecção grave e um mau prognóstico.
A convalescença pode durar vários meses, mas os antibióticos diminuem a gravidade e as complicações da febre tifóide, assim como a duração dos sintomas. O cloranfenicol é usado em todo o mundo, mas como a resistência ao mesmo é cada vez maior, tem-se começado a utilizar outros medicamentos. Se o doente está a delirar, em coma ou em choque, administram-se corticosteróides para reduzir o edema cerebral.
É necessário que a pessoa se alimente com frequência devido às hemorragias intestinais ou outras alterações do tubo digestivo. Em certos casos deve administrar-se alimentação por via endovenosa até que os alimentos possam ser digeridos. Os doentes com perfuração intestinal necessitam de antibióticos que eliminem um amplo espectro de bactérias (porque entram muitas variedades diferentes de bactérias na cavidade peritoneal) e deverão porventura ser submetidos a cirurgia para reparar ou eliminar a secção do intestino que se tenha perfurado.
As recaídas são tratadas da mesma forma que a doença inicial, mas, em geral, os antibióticos só são necessários durante 5 dias.
Os portadores (pessoas que não têm sintomas mas albergam as bactérias na sua matéria fecal) devem comunicá-lo ao departamento de saúde da sua comunidade e são proibidos de trabalhar com alimentos. As bactérias podem ser completamente erradicadas em muitos dos portadores após 4 a 6 semanas de tratamento com antibióticos.
Fonte: www.manualmerck.net
A febre tifóide é uma doença grave, produzida pela bactéria Salmonella typhi. Evolui, geralmente, num período de quatro semanas. Do momento em que a pessoa adquire a infecção até o aparecimento dos primeiros sintomas, decorrem de cinco a 23 dias (período de incubação). A fonte de infecção é o doente, desde o instante em que ingeriu os bacilos até muitos anos depois, já que os bacilos persistem em suas fezes.
A febre paratifóide é mais rara que a tifóide. Produzida pela Salmonella paratyphi dos tipos “A”, “B” ou “C”, sua fonte de infecção é a mesma da febre tifóide: doentes e portadores.

A doença se transmite pelas descargas do intestino (fezes), que contaminam as mãos, as roupas, os alimentos e a água. O bacilo tifóide é ingerido com os alimentos e a água contaminada.
A doença se manifesta pelos seguintes sintomas: dor de cabeça, mal-estar, fadiga, boca amarga, febre, calafrios, indisposição gástrica, diarréia e aumento do baço.
O diagnóstico é feito pelo exame de sangue e pelas pesquisas
de bacilos nas fezes. O tratamento é à base de clorafenicol.
A incubação da paratifóide “A” varia de quatro
a dez dias, enquanto a paratifóide “B” manifesta-se em
menos de 24 horas. A paratifóide “B” resulta de envenenamento
alimentar e caracteriza-se por náuseas, vômitos, febre, calafrios,
cólicas,
diarréias e prostração.
As medidas preventivas da febre paratifóide, bem como o tratamento específico, são as mesmas da febre tifóide.
Fonte: www.copasa.com.br
A febre tifóide é uma doença bacteriana aguda, de distribuição mundial, associada a baixos níveis sócio-econômicos, relacionando-se, principalmente, com precárias condições de saneamento, higiene pessoal e ambiental. Foi praticamente eliminada em países onde estes problemas foram superados, mas persiste no Brasil de forma endêmica, com superposição de epidemias, especialmente no Norte e Nordeste, refletindo as condições de vida dessas regiões.
Agente Etiológico: Uma bactéria gram-negativa: Salmonella typhi, da família Enterobacteriaceae.
Reservatório: o homem (doente ou portador).
Modo de Transmissão: A transmissão se dá principalmente de forma indireta através de água e alimentos, em especial o leite e derivados, contaminados com fezes ou urina de paciente ou portador. A contaminação de alimentos verifica-se geralmente por manipulação de alimentos feita por portadores ou oligossintomáticos, sendo por isso a febre tifóide conhecida como a doença das mãos sujas.Raramente as moscas participam da transmissão. O congelamento não destrói a bactéria, sendo que sorvetes, por exemplo, podem ser veículos de transmissão. Todavia, só uma grande concentração de bactérias é que determinará a possibilidade de infecção. Por isso não se costuma verificar surtos de febre tifóide após enchentes, quando provavelmente há maior diluição de bactérias no meio hídrico, com menor possibilidade de ingestão de salmonelas em número suficiente para causar a doença.
A carga bacteriana infectante, experimentalmente estimada, é 106 a 109 bactérias ingeridas. Infecções subclínicas podem ocorrer com a ingestão de um número bem menor de bactérias. Tempo de Sobrevida do Agente nos Diferentes Meios, Particularmente nos Alimentos: Água: varia, consideravelmente, com a temperatura (temperaturas mais baixas levam a uma maior sobrevida), com a quantidade de oxigênio disponível (as salmonelas sobrevivem melhor em meio rico em oxigênio), e com o material orgânico disponível (águas poluídas, mas não tanto a ponto de consumir todo oxigênio, são melhores para a sobrevida do agente). Em condições ótimas, a sobrevida nunca ultrapassa de 3 a 4 semanas.
Esgoto: em condições experimentais, quase 40 dias. Água do Mar: não é um bom meio. Para haver o encontro de salmonela na água do mar é necessário uma altíssima contaminação. Ostras, Mariscos e Outros Moluscos: sobrevida demonstrada de até 4 semanas. Leite, Creme e Outros Laticínios: constituem um excelente meio, chegando a perdurar até por 2 meses na manteiga, por exemplo. Carnes e Enlatados: são raros os casos adquiridos através destes alimentos, provavelmente porque o processo de preparo dos mesmos é suficiente para eliminar a salmonela. Mas, uma vez preparada a carne ou aberta a lata, a sobrevida do agente é maior do que a vida útil destes alimentos. Obs.: ostras e outros moluscos, assim como leite e derivados, são os principais alimentos responsáveis pela transmissão da febre tifóide. Praticamente todos os alimentos, quando manipulados por portadores, podem veicular a Salmonella typhi inclusive havendo registro de transmissão por suco de laranja. · Período de Incubação: depende da dose infectante. É comumente de 1 a 3 semanas (2 semanas em média).
Período de Transmissibilidade: a transmissibilidade se mantém enquanto existirem bacilos sendo eliminados nas fezes ou urina, o que ocorre geralmente, desde a primeira semana da doença até o fim da convalescença. A transmissão após essa fase dá-se por períodos variáveis, dependendo de cada situação. Sabe-se que cerca de 10% dos pacientes continuam eliminando bacilos durante até 3 meses após o início da doença. A existência de portadores é de extrema importância na epidemiologia da doença: 2 a 5% dos pacientes após a cura se transformam em portadores (geralmente mulheres adultas). Tanto em doentes quanto em portadores, a eliminação da Salmonella typhi costuma ser intermitente.
Portadores: indivíduos que, após enfermidade clínica ou sub-clínica, continuam eliminando bacilos por vários meses. São de particular importância para a vigilância epidemiológica porque mantêm a endemia e dão origem a surtos epidêmicos.
A suscetibilidade é geral, e é maior nos indivíduos com acloridria gástrica. A imunidade adquirida após a infecção ou vacinação não é definitiva.
A doença não apresenta alterações cíclicas ou de sazonalidade que tenham importância prática. Não existe uma distribuição geográfica especial. A ocorrência da doença está diretamente relacionada às condições de saneamento básico existentes e aos hábitos individuais. Estão mais sujeitas à infecção as pessoas que habitam ou trabalham em ambientes com precárias condições de saneamento. A doença acomete com maior freqüência a faixa etária entre 15 e 45 anos de idade em áreas endêmicas. A taxa de ataque diminui com a idade.
Observando-se o comportamento da febre tifóide no Brasil nas últimas décadas, constata-se uma tendência de declínio nos coeficientes de incidência, mortalidade e letalidade. Estes indicadores apresentam importantes variações quando analisados por regiões e unidades da federação.
As regiões Norte e Nordeste registram sempre números mais elevados devido à precariedade de suas condições sanitárias, onde menos de 50% de sua população dispõe de algum tipo de abastecimento de água. Por outro lado o Nordeste, em 1988, apresentou o menor coeficiente de letalidade (1,4%), em relação às demais regiões (Norte 52%, Sudeste 5,2%, Sul 2,5%, Centro Oeste 8,3%), reflexo de um importante sub-registro de óbitos.
Chamamos a atenção para que os dados de morbi-mortalidade da febre tifóide sejam vistos com cautela quanto à sua representatividade e fidedignidade devido às seguintes razões:
Fonte: www.pgr.mpf.gov.br
A febre tifóide é uma doença infecciosa aguda, transmissível, de caráter endêmico e, esporadicamente, epidêmico, causada por uma bactéria Gram-negativa do gênero Salmonella (Salmonella enterica sorotipo typhi).
A ocorrência desta enfermidade guarda relação direta com as condições sócio-econômicas e sanitárias desfavoráveis, principalmente no que diz respeito ao saneamento básico, distribuição e armazenamento de água. A transmissão se faz por via oral, através da ingestão de água e alimentos contaminados por fezes de pessoas doentes e portadores assintomáticos.
No Estado do Amazonas, os fatores epidemiológicos relevantes são: viagens prolongadas de barco, ingestão da água dos rios (sem tratamento prévio) e os alagamentos.
O quadro clínico da febre tifóide se divide classicamente em quatro septenários, que correspondem a três fases bem distintas:
Corresponde à primeira semana de doença, manifestando um quadro febril de evolução progressiva, atingindo altas temperaturas ao final deste período. Este quadro se acompanha de cefaléia importante, mal-estar geral, astenia, anorexia, mialgia, prostração, dor abdominal difusa e vômitos;
Corresponde à segunda e terceira semanas de evolução. Neste período, ocorre intensificação da sintomatologia anterior, especialmente a febre e as manifestações digestivas. O paciente desenvolve um quadro de toxemia, acompanhado de prostração, desidratação, torpor, olhar inexpressivo (olhar tífico), obstipação intestinal alternada com diarréia líquida esverdeada, icterícia, hepatoesplenomegalia, meteorismo, borborigmo e dor abdominal;
Corresponde à quarta semana de evolução. O quadro febril tende a diminuir progressivamente, bem como os demais sintomas, e o paciente entra na fase de recuperação clínica.
É importante lembrar que nem sempre a febre tifóide acontece na sua forma clássica ou com a evolução esperada. Muitas vezes, em nosso serviço, a simples presença de síndrome febril indiferenciada sub-aguda, com fortes dados epidemiológicos, faz-nos iniciar terapêutica específica, enquanto se aguarda o resultado da cultura. Outras formas inespecíficas de apresentação da doença são síndrome febril ictérica aguda e/ou síndrome febril hemorrágica aguda.
As complicações da febre tifóide são raras, mas podem acontecer durante o período de estado, como resultado do processo séptico. As principais intercorrências, observadas em aproximadamente 10% dos pacientes acometidos, são a enterorragia e a perfuração intestinal. A enterorragia ocorre principalmente na região ileocecal, podendo determinar sangramentos discretos e até quadro de hemorragia intensa com falência hemodinâmica. Os quadros mais graves geralmente representam uma maior susceptibilidade individual e também demora no diagnóstico e tratamento específicos. A perfuração intestinal representa uma progressão do quadro de enterorragia, acometendo preferencialmente a região do íleo terminal. Manifesta-se por dor intensa na fossa ilíaca direita, acompanhada dos sinais clássicos de irritação peritoneal, hipotensão e taquicardia. Outras complicações mais raras da febre tifóide são os abscessos viscerais, colecistite acalculosa, pancreatite, bronquite, pneumonia, miocardite, pielonefrite, artrite e osteomielite.
A recaída é um evento que pode acometer até 10% dos pacientes infectados e traduz, em última análise, período insuficiente de tratamento ou sub-dosagem antibiótica (com persistência de bactérias viáveis nos linfonodos mesentéricos e na vesícula biliar), ou resistência antimicrobiana da bactéria à droga utilizada. Caracteriza-se pela recrudescência da sintomatologia após duas semanas do desaparecimento da febre.
Em relação aos exames inespecíficos, algumas peculiaridades podem ser observadas na febre tifóide:
Hemograma: na fase inicial da doença, pode-se observar leucopenia, neutropenia, linfocitose relativa, anemia moderada e plaquetopenia; o surgimento de leucocitose e neutrofilia, associados à piora clínica ao final do período de estado, sugere alguma das complicações anteriormente discutidas; o surgimento de leucopenia após o início do tratamento com cloranfenicol pode sugerir aplasia medular farmacotóxica, indicando a substituição da droga;
As transaminases podem estar moderadamente elevadas (raramente ultrapassando 500U/l), assim como as enzimas de colestase (FAL e ãGT); bilirrubina total aumentada às custas da fração direta, traduzindo uma hepatite trans-infecciosa.
O diagnóstico específico da febre tifóide baseia-se sempre no isolamento da bactéria:
Tem alta sensibilidade, principalmente durante a primeira semana de infecção; deve ser solicitada obrigatoriamente para todos os casos suspeitos, independente da fase em que se encontre; sugerimos a coleta de pelo menos duas amostras antes de se iniciar a antibioticoterapia;
Tem maior sensibilidade a partir da terceira semana de infecção; é particularmente importante no pós-tratamento a fim de se identificar o estado de portador crônico;
É o método de maior sensibilidade para o isolamento de salmonela e se mantém positiva mesmo quando do uso prévio de antimicrobianos; por ser um método mais invasivo, está indicada para o diagnóstico de pacientes que referem uso de antimicrobianos previamente ou pacientes cuja hemocultura e coprocultura não foram conclusivas e ainda há forte suspeita de febre tifóide.
Deve-se insistir sempre no isolamento da bactéria, pois ainda é o padrão-ouro no diagnóstico desta doença, em nosso meio, além de proporcionar realização do antibiograma, com vistas à vigilância de bactérias resistentes às drogas habitualmente utilizadas.
Outro método auxiliar para o diagnóstico da febre tifóide é a reação sorológica de Widal, que quantifica as aglutininas contra os antígenos O (somático) e H (flagelar) da Salmonella typhi e da Salmonella paratyphi. Porém, como nos encontramos em área endêmica para esta doença, é possível a ocorrência de falso-positivos, com relativa freqüência. O que se recomenda é que sejam coletadas amostras pareadas para análise a partir da segunda semana, e que se considerem anormais os títulos maiores que 1:100 e a conversão sorológica (aumento da titulação) entre as duas coletas.
O tratamento e seguimento dos pacientes com febre tifóide devem ser realizados, sempre que possível, em nível ambulatorial. No entanto, pacientes com quadro toxêmico, vômitos ou diarréia persistente (dificultando absorção oral de antimicrobianos), leucopenia abaixo de 2.000/mm3, instabilidade hemodinâmica, sinais de complicação, crianças, grávidas e idosos devem ser hospitalizados até a melhora clínica significativa, podendo completar posteriormente o seguimento em nível ambulatorial.
A terapêutica específica da febre tifóide deve ser iniciada tão logo os dados clínicos, epidemiológicos e laboratoriais sugiram o diagnóstico e que se tenha coletado os materiais para estudo bacteriológico. O tratamento específico é feito com antimicrobianos.
| DROGA | POSOLOGIA | TEMPO | COMENTÁRIOS |
|---|---|---|---|
| Cloranfenicol | 50mg/kg/dia VO ou IV 6/6h enquanto houver febre e 25mg/kg/dia por mais 14 dias depois de cessada a febre | 21dias | Droga de primeira escolha; preferir a VO; suspender se leucócitos<2.000 céls/mm3 |
| Amoxacilina | 50-75mg/kg/dia VO 8/8h | 14 dias | Boa absorção VO e eficácia; pode ser usada em grávidas |
| Sulfametoxazol+Trimetoprim | 7-10mg/kg/dia de trimetoprim VO 12/12h | 14 dias | Eficácia razoável; droga de segunda escolha |
| Ceftriaxona | 50-100mg/kg/dia IV 12/12h (máximo 4g/dia) | 10-14 dias | Indicada em casos graves ou c/ resistência confirmada |
| Ciprofloxacina | 500mgVO 12/12h 200-400mg IV 12/12h |
10-14 dias | Indicada em casos graves ou c/ resistência confirmada (segunda opção) |
A terapêutica inespecífica é também de fundamental importância para a evolução favorável do quadro clínico.
Os pacientes devem ser orientados a seguir dieta branda, pobre em resíduos e aumentar a ingestão de líquidos usuais ou soro de reidratação oral, além de repouso e sintomáticos para o alívio da febre e das dores. Em pacientes internados, deve-se observar a necessidade de suplementar a hidratação e nutrição por via parenteral e a correção de distúrbios hidroeletrolíticos.
Nos quadros mais exuberantes, deve-se estar sempre atento às complicações, para detecção e intervenção precoces. Na presença de enterorragia, além do tratamento específico por via parenteral, deve-se instituir dieta zero, reposição da volemia e, quando necessário, transfusão de concentrado de hemácias. No caso de perfuração intestinal, além dos cuidados acima, deve-se encaminhar o paciente para tratamento cirúrgico e ampliar a terapia antimicrobiana para cobrir a flora entérica da seguinte maneira:
Pacientes em uso de cloranfenicol, associar gentamicina (3-5mg/kg/dia ou 240mg/dia IV 1x/dia) para cobrir Gram-negativos;
Pacientes em uso de ceftriaxona ou ciprofloxacina, associar metronidazol (30mg/kg/dia ou 500mg IV 8/8h) para cobrir anaeróbios.
Os critérios de alta hospitalar são: ausência de febre por 48 horas, melhora significativa dos sintomas e ausência de complicações. O critério de cura é a negativação de duas coproculturas (com uma semana de intervalo entre elas), após término da terapia antimicrobiana.
Fonte: www.fmt.am.gov.br
A febre tifóide é uma doença infecciosa causada pela bactéria Salmonella Typhi. É considerada uma doença grave onde apresenta constante febre, alterações intestinais, aumento das vísceras e se não tratada pode ocorrer uma confusão mental e levar à morte.
A principal forma de contágio é pela ingestão de água e alimentos contaminados e estes estão espalhados pelo mundo todo, mas ocorre com mais freqüência em países onde o saneamento é precário ou inexistente. Os alimentos e a água por sua vez, são contaminados através do contato com urina ou fezes humanas contendo a bactéria. Pode ocorrer um contágio direto pela mão levada à boca em situações de mão suja de fezes, urina, secreção respiratória, vômito ou pus contaminados, mas essa forma de contágio é bastante rara.
O ácido gástrico é o primeiro a reagir contra a salmonella, mas a bactéria normalmente resiste a esse ataque e se dirige ao intestino delgado onde invade a parede intestinal e alcança a circulação sanguínea. A partir do momento em que a salmonella chega a corrente sanguínea, os sintomas começam a aparecer. A salmonella pode adentrar em qualquer órgão e se multiplicar no interior das células de defesa. Normalmente a salmonella invade o fígado, o baço, a medula óssea, a vesícula e o intestino.
O contágio com a salmonella é global, mas, no Brasil a maior
quantidade de casos registrados concentram-se no Norte e no Nordeste sendo
a Bahia e o Amazonas os estados de maior ocorrência.
Os sinais e sintomas são: febre alta, dor de cabeça, mal-estar,
falta de apetite, bradicardia relativa, esplenomegalia, manchas rosadas no
tronco do corpo, diarréia e tosse seca.
A febre tifóide pode ser mais grave em pessoas com saúde precária. O tratamento se baseia em antibióticos e processos de reidratação do organismo. Dependendo do quadro clínico do paciente, o tratamento poderá ser feito em casa com medicação oral.
Fonte: www.brasilescola.com