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Febre Tifóide

A febre tifóide é uma doença bacteriana aguda, de gravidade variável que se caracteriza por febre, mal-estar, cefaléia, náusea, vômito e dor abdominal, podendo ser acompanhada de erupção cutânea.

A febre tifóide é causada pela Salmonella Typhi, subespécie enterica sorotipo Thypi (S. Typhi), que é um patógeno especificamente humano. É uma bactéria com morfologia de bacilo Gram negativo, móvel, pertencente à família Enterobacteriaceae. Possuindo alta infectividade, baixa patogenicidade e alta virulência, o que explica a existência de portadores (fontes de infecção não doentes) que desempenham importante papel na manutenção e disseminação da doença na população.

A S. Thypi é bastante resistente ao frio e ao congelamento, resistindo também ao calor de 60ºC por uma hora. É pouco resistente à luz solar. Conserva sua vitalidade em meio úmido e sombrio e na água.

A via de transmissão é a fecal-oral.

Se transmite, na maioria das vezes, através de comida contaminada por portadores, durante o processo de preparação e manipulação dos alimentos.

A água também pode ser um veículo de transmissão, podendo ser contaminada no próprio manancial (rio, lago ou poço) ou por ser tratada inadequadamente ou ainda por contaminação na rede de distribuição (quebra de encanamento, pressão negativa na rede e etc.).

O período de incubação em geral é de 1 a 3 semanas, em média 2, podendo ser curto como três dias e longo até 56 dias em função da dose infectante e da facilidade de proliferação do agente em determinados alimentos. em alguns alimentos contaminados pode ocorrer multiplicação da S. Thypi, o que explicaria, nestes casos, períodos de incubação relativamente menores.

Na S. Thypi, a anamnese deve investigar a história e período de ingestão de alimentos, e verificar os sinais e sintomas clínicos.

Após o período de incubação surge de forma gradual a febre, dor de cabeça, mal estar geral, dor abdominal e falta de apetite. Durante 1 a 2 semanas a febre se mantém alta (39 a 40ºC) e cerca de 10% dos casos apresentam manchas avermelhadas no tronco (roséola tífica). Nesta fase da doença, a obstipação intestinal é mais freqüente do que a diarréia, porém à medida que aumenta o comprometimento intestinal pode surgir diarréia com sangue.

A S. Thypi, distingue-se das outras salmonelas por sua estrutura antigênica, possuindo três tipos de antígenos de interesse para o diagnóstico:

ANTÍGENO

Somático, presente em todas as espécies de salmonela, de natureza glicidolipídica, identificando-se com a endotoxina O, é termoestável e essencial à virulência. Para a S. Thypi o antígeno somático específico de grupo é o "09".


ANTÍGENO H

Flagelar, de natureza protéica, a composição e ordem dos aminoácidos da flagelina determinam a especificidade flagelar. No caso da S. Thypi o antígeno flagelar é o "d". É termolábil.

ANTÍGENO VI

Capsular, formado por um complexo glicidoprotéico. É termolábil. A S. Thypi pode ou não possuir o antígeno Vi e este pode também ser encontrado na S. Paratyphi e na S. Dublin.

No tratamento, a droga de primeira escolha é cloranfenicol. Colicistectomia freqüentemente soluciona o problema de portador permanente. Medicamentos obstipantes ou laxantes não devem ser usados e sendo fundamental, o acompanhamento da curva térmica do paciente para orientar a duração da antibióticoterapia. Recomenda-se repouso e dieta conforme a aceitação do paciente, e inclusive, evitando alimentos hipercalóricos ou hiperlipídicos.

Podem surgir várias complicações, particularmente na doença não tratada. Três a 20% dos casos podem apresentar recaída que parece estar associada à antibióticoterapia inadequada. Outras complicações relativamente freqüentes são a enterorragia e a perfuraçãointestinal. Como em qualquer doença que evolui com septicemia, na febre tifóide podem surgir complicações em qualquer órgão. A letalidade atual da doença em países desenvolvidos é menor que 1%, no entanto, algumas regiões continuam apresentando índices tão altos quanto 10%, relacionada à demora no diagnóstico e instituição do tratamento adequado.

Métodos para a detecção de portador de S. Thypi:

A coprocultura é o único método que permite detectar o estado de portador.

Doente tratado e clinicamente curado que não manipula alimentos: coletar, no mínimo, 3 amostras de fezes com intervalo não inferior a 24 horas entre as mesmas, 30 dias após o início dos sintomas e no mínimo 7, após o término da antibioticoterapia.

Doente tratado e curado, manipulador de alimentos: coletar, no mínimo, 7 amostras de fezes em dias seqüenciais, 30 dias após o início dos sintomas e no mínimo 7, após o término da antibioticoterapia.

Pesquisa de portador crônico entre manipuladores de alimentos (responsável pela contaminação de alimentos que infectaram as pessoas que adoeceram): coletar, no mínimo, 7 amostras de fezes em dias seqüenciais.

Quando se constata pelo menos uma coprocultura, positiva orienta-se no tratamento e cuidados de higiene, bem como o afastamento de atividades que ofereçam risco à família e à comunidade, com posterior realização de outra série de coproculturas, conforme descrito acima, a fim de evitar a disseminação das salmonelas.

Todos os laboratórios da rede do Instituto Adolfo Lutz que realizam hemocultura e coprocultura, podem isolar e identificar presuntivamente a Salmonella:

ISOLAMENTO DA BACTÉRIA

Os meios de cultura utilizados para semeadura da amostra biológica recebida, dependem da padronização de cada laboratório. Basicamente são empregados: Meio líquido de enriquecimento para Salmonella; Placas de meio diferencial e seletivo.

CONFIRMAÇÃO DO GÊNERO SALMONELLA

As colônias suspeitas são repicadas em meio presuntivo para enterobactérias para verificar os caracteres bioquímicos essenciais;

CARACTERIZAÇÃO SOROLÓGICA E BIOQUÍMICA DE SALMONELLA

As cepas isoladas devem ser encaminhadas ao Instituto Adolfo Lutz - SP, Divisão de Biológia Méica - Seção de Batcteriologia; - A análise antigênica das cepas é realizada por testes de aglutinação, utilizando anti-soros monovalentes somáticos e flagelares, específicos para Salmonella; - A associação dos antígenos determinados permite a identificação do sorotipo em estudo. Além disso realiza-se a caracterização bioquímica específica para a S. Thypi.

Observação: O Instituto Adolfo Lutz (SP) e a Fundação Osvaldo Cruz (RJ) são os dois laboratórios, no Brasil, que realizam a caracterização sorológica de cepas de Salmonella sp..

ALIMENTOS ASSOCIADOS

Por tratar-se de doença relacionada à contaminação fecal de alimentos ou da água, não existe um tipo particular de alimento associado à transmissão de febre tifóide; geralmente, são alimentos com alto teor de proteínas, saladas cruas, leite, crustáceos, manipulados e ingeridos sem reaquecimento adequado.

Destacam se situações que propiciam esta forma de disseminação:

a) água contaminada utilizada para irrigação;
b) utilização de fezes humanas como fertilizante;
c) manipulação de alimentos por doentes ou portadores com hábitos higiênicos inadequados;
d) presença de insetos em áreas de processamento de alimentos que possam atuar como vetores mecânicos.

Especialmente quando se tratar da investigação de um surto de febre tifóide, a investigação deve buscar o apoio do laboratório no sentido de se identificar a fonte de infecção, isto é, o portador ou os principais veículos de transmissão. Assim muita atenção deve ser dada na identificação de alimentos que potencialmente estejam envolvidos na disseminação da doença e por conseguinte na identificação dos manipuladores de alimentos a eles relacionados. Como em geral o tempo decorrido entre o consumo e o início do quadro clínico é grande, não se dispõe mais, no momento da investigação, de amostras dos alimentos suspeitos para análise, então é de fundamental importância a pesquisa do estado de portador entre os manipuladores. Para estes preconiza-se a colheita de 7 amostras de fezes em dias consecutivos.

A distribuição e freqüência relativa da febre tifóide foi eliminada em países que alcançaram altos índices de saneamento ambiental. No Brasil, persiste de forma endêmica em algumas regiões, refletindo as condições de vida desse lugares. No estado de São Paulo, o coeficiente de incidência caiu vertiginosamente a partir da segunda metade da década de 70, quando atingia níveis em torno de 3 a 4 casos por 100.000 habitantes. Na última década este índice tem se mantido sempre abaixo de 0,1.

A conduta epidemiológica exige notificação de todos os casos suspeitos ou surtos, devendo ser imediatamente notificado ao Serviço de Vigilância Epidemológica Municipal, Regional ou Central para que sejam desencadeadas as medidas de controle bem como as necessárias à identificação do agente etiológico.

O doente deve ser mantido em condições tais que garantam o isolamento entérico até o final do tratamento e pesquisar-se a condição de portador no final deste. Para tanto, deve-se realizar 3 coproculturas em dias consecutivos, 30 dias após o início dos sintomas e pelo menos 7 dias após a suspensão do uso de antibiótico.

A vacinação de rotina contra a febre tifóide é indicada apenas a grupos populacionais de risco elevado para a doença em função de suas atividades profissionais ou a indivíduos que por motivo de viagem ingressem em áreas de alta endemicidade. No estado de São Paulo, a vacina contra a febre tifóide vem sendo usada sistematicamente em trabalhadores de companhias de saneamento que entram em contato com esgoto. Não existe indicação de vacinação na ocorrência de catástrofes ou calamidades públicas como enchentes ou terremotos.

Os comunicantes de caso devem ser mantidos sob vigilância avaliando-se o surgimento de manifestações clínicas durante o período de incubação da doença (até 3 semanas da possível contaminação). A conduta sanitária e educativa requer inspeção sanitária em estabelecimento fechados, como escolas, presídios, asilos, etc., e restaurantes ou cozinhas, bares, hotéis, etc., quando os surtos tiverem essa fonte comum.

A coleta de alimentos é importante para identificação da fonte de infecção. As medidas de educação sobre higiene pessoal, requer controle de portadores, eliminação de portadores da manipulação de alimentos, resfriamento rápido de alimentos em porções pequenas e intenso cozimento de alimentos e leite pasteurizado.

As medidas recomendadas: saneamento básico como água tratada e protegida, bem como destino adequado dos esgotos, resíduos sólidos e controle de moscas.

Fonte: www.nuclear.radiologia.nom.br

Febre Tifóide

Febres tifóide e paratifóide

A febre tifóide é uma doença grave, produzida pela bactéria Salmonella typhi. Evolui, geralmente, num período de quatro semanas. Do momento em que a pessoa adquire a infecção até o aparecimento dos primeiros sintomas, decorrem de cinco a 23 dias (período de incubação). A fonte de infecção é o doente, desde o instante em que ingeriu os bacilos até muitos anos depois, já que os bacilos persistem em suas fezes.

A febre paratifóide é mais rara que a tifóide. Produzida pela Salmonella paratyphi dos tipos “A”, “B” ou “C”, sua fonte de infecção é a mesma da febre tifóide: doentes e portadores.

Febre Tifóide

Como se contrai

A doença se transmite pelas descargas do intestino (fezes), que contaminam as mãos, as roupas, os alimentos e a água. O bacilo tifóide é ingerido com os alimentos e a água contaminada.

O que causa

A doença se manifesta pelos seguintes sintomas: dor de cabeça, mal-estar, fadiga, boca amarga, febre, calafrios, indisposição gástrica, diarréia e aumento do baço.

Como evitar

Destinar convenientemente os dejetos humanos em fossas ou redes de esgotos;

Tratar a água;

Combater as moscas;

Efetuar exame e vacinação e promover a educação sanitária dos manipuladores de alimentos;

Examinar os convalescentes para a descoberta de portadores;

Higienizar os alimentos;

Vacinar os indivíduos preventivamente.

O diagnóstico é feito pelo exame de sangue e pelas pesquisas de bacilos nas fezes.

O tratamento é à base de clorafenicol. A incubação da paratifóide “A” varia de quatro a dez dias, enquanto a paratifóide “B” manifesta-se em menos de 24 horas.

A paratifóide “B” resulta de envenenamento alimentar e caracteriza-se por náuseas, vômitos, febre, calafrios, cólicas,
diarréias e prostração.

As medidas preventivas da febre paratifóide, bem como o tratamento específico, são as mesmas da febre tifóide.

Fonte: www.copasa.com.br

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