A Febre Tifóide é uma doença contagiosa causada pela bactéria Salmonella typhi.
A febre tifóide é uma doença distinta e não relacionada com o Tifo, mas também é trasmitida pela a aproximação das pessoas infectadas.

É transmitida através da ingestão de alimentos ou água contaminada, o mais comum, ou então pelo contato direto com os portadores, através de um beijo por exemplo. Seja qual for a origem a única porta para a sua entrada é a via digestiva.
As bactérias são ingeridas e a partir do lúmen intestinal invadem um tipo especializado de célula do epitélio do órgão, a célula M, por mecanismos de endocitose ou invasão direta, passando depois à subserosa. Aí são fagocitadas por macrófagos, mas resistem à destruição intracelular. Como estas células linfáticas são altamente móveis, são transportadas para tecidos linfáticos por todo o corpo, como gânglios linfáticos, baço, fígado, pele e medula óssea. A sua disseminação é inicialmente pela linfa, e depois sanguínea.
Os primeiros sintomas, aumentando ao longo da primeira semana, são febre de cerca 40ºC, dores de cabeça, fadiga, bradicardia, e agitação durante o sono. Podem aparecer manchas rosa na pele. Após cerca de 3 semanas, o enfermo pode apresentar falta de apetite (anorexia), hemorragia nasal (epistaxe), diarréia e vómitos, esplenomegália, tosse, delírios e estado de torpor, surgindo depois quadros de septicemia, com possível choque séptico mortal.
Se não for tratada, a febre tifóide pode complicar-se em hemorragia ou até perfuração intestinal e inflamação da vesícula biliar. A mortalidade chega a 25% nos casos não tratados, sendo freqüentemente causada pela septicemia e choque (perda catastrófica da tensão arterial com isquémia fatal dos órgãos).
É feito por analise de amostras de sangue, fezes ou da medula óssea com um teste serologico de Widal (demonstração de anticorpos antissalmonela).
A febre tifóide deve ser tratada com antibióticos específicos. São tratadas as complicações de acordo com a sua condição, caso haja.
Os doentes que se tenham curado sem tratamento antibiótico devem ser isolados, já que mesmo curados podem tornar-se portadores do bacilo por meses, até mesmo anos. São-lhes administrados antibióticos que eliminam as bactérias remanescentes.
Além da vacinação, para evitar o contágio da febre tifóide é necessário tratar a água e os alimentos, controlar o lixo, observar boas condições de higiene e a boa alimentaçao. É importante no seguimento de qualquer epidemia identificar os portadores e eliminar as bactérias que transportam com antibióticos.
Por ser uma doença altamente contagiosa, normalmente isola-se o infectado, isolando assim também a doença em locais de prática clínica e de higiene adequada evitando sua proliferação através da água, um dos mais importantes vetores de contágio em todo mundo.
Fonte: www.vigilancia.bebedouro.sp.gov.br
Doença infecciosa sistêmica causada pela Salmonella typhi.
A Salmonella typhi é um bacilo gram-negativo de transmissão
fecal-oral, geralmente através de ingestão de água e alimentos contaminados
por fezes e urina de pacientes portadores ou oligossintomáticos.
Cosmopolita, considerada endêmica em vários países subdesenvolvidos, como
Índia e Vietnã, e alguns países em desenvolvimento.
No Brasil, a doença é endêmica com picos em meses quentes e chuvosos. Está altamente relacionada com más condições de higiene e saneamento básico inadequado. Embora possa acometer qualquer indivíduo, são consideradas de risco pessoas menores de um ano de idade, portadores de acloridria gástrica e doenças biliares.
Na ausência de tratamento adequado, aproximadamente 10% dos pacientes continuam eliminando os bacilos por até 3 meses após o início da doença.
Nas mulheres adultas, 2 a 5% tornam-se portadoras crônicas.
Período de incubação média de 10 a 14 dias, podendo variar de 3 a 60 dias.
A transmissão pode ocorrer enquanto há presença de bacilos sendo eliminados
nas fezes ou urina, geralmente desde a primeira semana da doença até a convalescença.
Classicamente, a manifestação clínica apresenta evolução em semanas,
podendo ser dividida em quatro períodos:
Período inicial: corresponde à primeira semana da doença, caracterizada pelas manifestações inespecíficas como febre e dor abdominal acompanhadas de astenia, mialgia, cefaléia, vertigem, calafrios, anorexia, náusea e vômitos. A temperatura eleva-se progressivamente, de forma escalonada. Manifestações intestinais geralmente iniciam-se com constipação seguida de diarréia.
Período de estado: corresponde à segunda e à terceira semanas da doença, com acentuação dos sintomas. A febre torna-se mais elevada e contínua, acompanhada de prostração pronunciada, cefaléia, alteração do sensório e torpor (typhus). Em 50% dos casos, observa-se a dissociação pulso/temperatura (sinal de Faget). Nessa fase, apresenta diarréia aquosa, podendo levar à desidratação, piora da dor abdominal e meteorismo. Hepatoesplenomegalia está presente em 50 a 60% dos casos. Lesões cutâneas (roséolas tifoídicas) estão presentes em 15% dos casos, caracterizadas por exantema macular, róseo, de aproximadamente 0,5 a 1 cm de diâmetro, e desaparecem à digitopressão, localizadas principalmente no tronco. Raramente podem ocorrer ulcerações do véu palatino, caracterizando angina de Duguet-Bouveret.
Período de declínio ou defevercência: queda progressiva da febre, recuperação do estado geral e do nível de consciência.
Período de convalescença: Nesse período, 15 a 20% dos pacientes podem apresentar novas elevações de temperatura e ressurgimento de algumas manifestações do período de estado (recaída).
As complicações geralmente aparecem entre a terceira e quarta semanas da doença, podendo ocorrer hemorragias e perfurações intestinais, pneumonia lobar com abscesso pulmonar, colecistite, pancreatite, parotidite, hepatite, glomerulonefrite, depressão do miocárdio.Em indivíduos infectados pelo HIV, a sepse por salmonela pode ser mais prolongada, constituindo doença definidora de Aids. Eles podem apresentar manifestações mais graves, com vários episódios de recaída. Em regiões endêmicas, a incidência da febre tifóide é 25 a 60 vezes maior em pessoas infectadas pelo HIV.
Laboratorial inespecífico: leucopenia, neutropenia, linfocitose, anaeosinofilia são alterações comuns. Anemia e plaquetopenia podem ocorrer.
Bacteriológico: hemocultura (positividade de até 80% na primeira semana, caindo progressivamente ao longo da evolução), mielocultura (positividade de até 90% ao longo de evolução de toda doença), coprocultura (sensibilidade crescente ao longo da evolução da doença e de grande importância no controle de cura e na avaliação de portadores crônicos) e urocultura (positividade tardia com baixa sensibilidade).
Sorológico: reação de Widal (detecção de anticorpos contra antígenos O e H da salmonela), sendo considerada positiva reação com títulos de aglutinina superiores a 1/100 e, em indivíduos vacinados contra febre tifóide, acima de 1/200. Outras técnicas: contra-imunoeletroforese e ELISA.
PCR: vantagem de permitir diagnóstico precoce, de maior utilidade em áreas endêmicas onde a reação de Widal pode ter resultado falso-positivo.
A escolha do antibiótico deve basear-se na gravidade do quadro clínico e no perfil de resistência da região.
Deve-se dar preferência à administração via oral se não houver vômitos ou outras contra-indicações:
Cloranfenicol 50 mg/kg/dia, máximo de 4 g/dia, divididos em 4 doses, por 14 a 21 dias.
Ampicilina 100 mg/kg/dia, máximo de 6 g/ dia, divididos em 4 doses, por até 14 dias após desaparecimento da febre.
Amoxacilina 50 a 75 mg/kg/dia divididos em 3 doses.
Cotrimoxazol 800 a 1.600 mg/dia de sulfametoxazol por até 7 dias após desaparecimento da febre.
Ciprofloxacina 500 mg 12/12 horas por 10 dias.
Ceftriaxona 2 g/dia EV por 10 a 14 dias.
Azitromicina 1 g/dia por 5 dias.
Saneamento básico, tratamento da água, lavagem e cozimento dos alimentos, acondicionamento adequado do lixo.
Há duas vacinas atualmente recomendadas como medida complementar para viajantes que vão para áreas com condições sanitárias precárias. A vacina inativada, contendo o polissacarídeo Vi, é administrada por via subcutânea; a vacina de bactérias atenuadas da cepa Ty21a, por via oral.
Fonte: www.consultormedico.com