Nascido em Montmorency (França) e falecido no Rio de Janeiro. Filho de Nícolas Antoine Taunay, com quem estudou, acompanhou o pai em 1816 ao Brasil, com o restante da família, mas, ao contrário dele (que em 1821 retornou à França) , deixou-se ficar no Rio de Janeiro.
Como substituto do pai à frente da cadeira de Paisagem da Academia e Escola Real de Belas Artes, mais tarde Academia Imperial de Belas Artes, lecionou entre 1820 e 1851, quando foi substituído por Augusto Müller.
Também em 1851 deixou, por aposentadoria, o cargo de diretor da Academia, que exercia desde 1834 quando assumiu a vaga de Henrique José da Silva, falecido naquele ano.
Em sua gestão vários melhoramentos e inovações foram feitos na Academia, tais como a criação, em 1840, das Exposições Gerais de Belas Artes, a organização, em 1843, da pinacoteca, e a outorga, a partir de 1845, dos prêmios de viagem ao estrangeiro.
Coube-lhe ainda propor a criação da cadeira de História da Arte, que contudo só se concretizou em 1855, sob a gestão de Porto-Alegre.
Se tanto se destacou Félix-Emile Taunay como professor e administrador, força é dizer que, nele, o artista era mais discreto. Autor do primeiro Panorama do Rio de Janeiro, executado provavelmente em 1821 e desenvolvido por Rommy na Europa, distinguiu-se como paisagista (Vista da Mãe d'Água, Mata Reduzida a Carvão), mas fez também o retrato (Dom Pedro II Adolescente) e a pintura histórica (A Morte de Turenne).
Escreveu Les idylles brésiliennes, L 'astronomie du jeune âge e La bataille de Poitiers (poesia), Ajax de Telamon (tragédia em versos); traduziu para o francês as Odes de Píndaro e as Sátiras de Pérsio, além de Inocência, de seu filho Alfredo de Escragnolle Taunay.
Foi professor de Francês, Desenho e Paisagem, Grego e Literatura do Imperador Pedro II, que lhe devotava muita estima.
Por outro lado, pugnou pela adoção de medidas estéticas e higiênicas para o Rio de Janeiro, incluindo a criação de jardins, o plantio de árvores, a drenagem e aterro de terrenos, a retificação de cursos d'água, etc., nisso se revelando o coadjutor de Grandjean de Montigny, de quem era grande amigo.
Nunca se naturalizou brasileiro, o que não o impediu, aliás, de desempenhar-se de elevadas missões e de gozar do maior prestígio entre os brasileiros.
Falecendo a 10 de abril de 1881, com mais de 86 anos no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro, exibindo sua campa o seguinte epitáfio, de sua autoria:
Philologue, à demi-poète, Spectateur éternel du Beau, Je perdis mon temps à sa quête... Un doux regard sur mon tombeau!
O mais jovem representante desse período, filho de Nícolas Taunay, e segundo barão deste nome.
Nascido em Montmorenci, perto de Paris, a 1º de março de 1795 e falecido nesta cidade (Rio de Janeiro) a 10 de abril de 1881, depois de permanência não interrompida de mais de 65 anos no Brasil.
Prestou inolvidáveis serviços à arte nacional, já como professor, já como diretor da Academia Imperial, cargo que exerceu de 1834 a 1851.
A pedido seu, dirigido ao imperador, em princípios de 1824, substituiu seu ilustre pai, de quem foi discípulo, na cadeira de pintura de paisagem, tendo sido nomeado por decreto imperial de 8 de novembro daquele ano.
"Manda sua Majestade, o Imperador, pela Secretaria de Estado dos Negócios do Império, remeter ao Diretor da Academia de Belas Artes o requerimento incluso de Felix Emílio Taunay, filho e discípulo do pintor de paisagem e professor adido à Escola de Belas Artes desta Corte, o qual pede ser preferido para o lugar que ficou vago por ausência de seu pai: e há por bem que o mencionado Diretor informe sobre esta pretensão. Palácio do Rio de Janeiro, em 5 de maio de 1824. - José Severiano Maciel da Costa."
"Sua Majestade, o Imperador, atendendo aos estudos e talentos de Felix Taunay, houve por bem, por decreto de 8 deste mês, nomeá-lo Lente de Pintura de Paisagem da Academia de Belas Artes desta Corte, cuja cadeira ocupava seu pai, Nicolau Antônio Taunay; vencendo pela respectiva folha o ordenado anual de oitocentos mil reis; com a declaração que, por efeito desta graça cessa todo e qualquer direito que o referido Nicolau Antonio Taunay possa ter ao pagamento de vencimentos atrasados, a que fica servindo de completa indenização esta mercê. O que manda, pela Secretaria do Estado dos Negócios do Império participar ao Diretor da referida Academia, para sua inteligência. Palácio do Rio de Janeiro, em 11 de novembro de 1826. - Estêvão Ribeiro de Resende."
Tendo como especialidade o gênero de pintura que professou, pode ser tido, com justiça, como o criador de pintura de paisagens entre nós, sem contudo ter sido o mais notável de nossos pintores.
Não fez escola, nem formou discípulos que, assimilando e adquirindo suas qualidades, as transmitissem, revelando a técnica característica do mestre. Foi, no entanto, artista sincero, consciencioso e delicado. Os seus bons serviços foram reconhecidos pelo Governo, que, no ato de o aposentar, os deixou em destaque.
"Rio de Janeiro, Ministério dos Negócios do Império, em 21 de junho 1851. Sua Majestade, o Imperador, atendendo ao que representou Felix Emilio Taunay, Diretor da Academia de Belas Artes desta Corte e Professor de Pintura de paisagem da mesma Academia, sobre a impossibilidade em que, por suas moléstias, se acha de continuar no exercício daqueles empregos; e tomando em consideração os bons serviços que nele prestou pelo espaço de quase vinte e sete anos; houve por bem, por decreto de 8 de maio próximo passado, aposentá-lo com o vencimento do ordenado que atualmente percebe; dependendo, porém, esta mercê, da aprovação da Assembléia Geral Legislativa. O que manda, por esta Secretaria de Estado, comunicar à Congregação dos Professores da referida Academia para seu conhecimento; assim que, enquanto o mencionado emprego de Diretor não for definitivamente provido, deverá exercê-lo, conforme já se tem praticado, o Professor da Cadeira de Arquitetura Jó Justino d'Alcântara, visto ser o mais idoso dos que se acham presentemente em efetividade. - Visconde de Montalegre."
Fonte: www.pitoresco.com.br
Félix Émile Taunay (Montmorency, França 1795 - Rio de Janeiro RJ 1881). Pintor, professor, escritor, poeta, tradutor, professor. Vem ao Rio de Janeiro em 1816, acompanhando seu pai, o pintor Nicolas Taunay (1755 - 1830), integrante da Missão Artística Francesa, por quem é orientado nas artes. Por volta de 1821, faz desenhos e aquarelas que constituem o primeiro Panorama do Rio de Janeiro - mais tarde, pintado em tela por Fréderic Guillaume Ronmy e exposto em Paris.
Nesse ano, Nicolas Taunay retorna à França e Félix o sucede na cadeira de pintura de paisagem da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, futura Academia Imperial de Belas Artes - Aiba. Em 1834, após a morte do diretor português Henrique José da Silva (1772-1834), assume a direção da Aiba, sendo responsável pelo estabelecimento do ensino acadêmico, segundo as normas idealizadas pelos artistas da Missão Francesa. Durante sua gestão, foram criadas as Exposições Gerais de Belas Artes (1840), nas quais se oferecia a outros artistas que não fossem alunos da instituição a oportunidade de participar da mostra; organizada a pinacoteca (1843) e instituídos os prêmios de viagem ao estrangeiro (1845). Em 1851, aposenta-se da cadeira de pintura de paisagem e, em 1854, é substituído na direção da academia por Porto Alegre (1806-1879).
Em decorrência de problemas oftálmicos, afasta-se da pintura e passa a ministrar aulas de francês, grego e literatura para o príncipe Dom Pedro II (1825-1891). É membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro - IHGB e participa, com o arquiteto Grandjean de Montigny (1776-1850), dos projetos de saneamento e urbanização da cidade do Rio de Janeiro.
1795 - Montmorency (França) - 1º de março
1881 - Rio de Janeiro RJ - 10 de abril
Filho de Nicolas Taunay, pintor; sobrinho de Auguste Marie Taunay, escultor; irmão de Adrien Taunay, desenhista e pintor
s.d. - França - Inicia-se no campo das artes com o pai, Nicolas Taunay
Pintor, professor, escritor, poeta, tradutor, professor
s.d. - Rio de Janeiro RJ - É professor de francês, grego e literatura de D. Pedro II
s.d. - Rio de Janeiro RJ - É membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro
s.d. - Rio de Janeiro RJ - Participa, com o arquiteto Grandjean de Montigny, dos projetos de saneamento e de urbanização da cidade
s.d. - Escreve as obras Les idyl les brésiliennes, L'astronomie du jeune âge e La bataille de Poitiers (poesia), entre outras
s.d. - Traduz para o francês as Odes de Píndaro e as Sátiras de Persio, além de Inocência, do seu filho Alfredo de Escragnolle Taunay
s.d. - Rio de Janeiro RJ - Recebe de D. Pedro II os títulos de Comendador da Ordem da Rosa e Cavaleiro da Ordem de Cristo
s.d. - Rio de Janeiro RJ - Recebe do Império o título de Segundo Barão de Taunay
1816/1881 - Rio de Janeiro RJ - Vem ao Brasil acompanhando o pai, integrante da Missão Artística Francesa, chefiada por Lebreton
1821/1851 - Rio de Janeiro RJ - Quando Nicolas Taunay retorna à França, Félix o sucede na cadeira de pintura de paisagem da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, futura Academia Imperial de Belas Artes - Aiba; em 1851 é substituído por Augusto Müller
ca.1821 - Rio de Janeiro RJ - Executa o primeiro Panorama do Rio de Janeiro em desenhos e aquarelas que, em 1824, é desenvolvido em telas por Fréderic Guillaume Ronmy
1834/1851 - Rio de Janeiro RJ - Após a morte do diretor português Henrique José da Silva, assume a direção da Aiba, sendo responsável pelo estabelecimento do ensino acadêmico segundo as normas idealizadas pelos artistas da Missão Francesa. Durante sua gestão, são criadas as Exposições Gerais de Belas Artes (1840), nas quais se oferecia a outros artistas que não fossem alunos da instituição a oportunidade de participar da mostra; organizada a pinacoteca (1843) e instituídos os prêmios de viagem ao exterior (1845)
1851/1854 - Rio de Janeiro RJ - Aposenta-se da cadeira de pintura de paisagem e, em 1854, é substituído na direção da academia por Porto Alegre
1981 - Rio de Janeiro RJ - A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos lança selo em homenagem ao artista, com emissão de 300 mil unidades
1830 - Rio de Janeiro RJ - 2ª Exposição da Classe
de Pintura Histórica da Imperial Academia das Belas Artes, na Aiba
1840 - Rio de Janeiro RJ - 1ª Exposição Geral de
Belas Artes, na Aiba
1841 - Rio de Janeiro RJ - 2ª Exposição Geral de
Belas Artes, na Aiba
1843 - Rio de Janeiro RJ - 4ª Exposição Geral de
Belas Artes, na Aiba
1859 - Rio de Janeiro RJ - 13ª Exposição Geral de
Belas Artes, na Aiba
1860 - Rio de Janeiro RJ - 14ª Exposição Geral de
Belas Artes, na Aiba
1879 - Rio de Janeiro RJ - 25ª Exposição Geral de
Belas Artes, na Aiba
Fonte: www.itaucultural.org.br