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Feminismo

 

Feminismo
Feminismo

Movimento sociopolítico que luta pela defesa e ampliação dos direitos da mulher.

Surge na primeira metade do século XIX, na Inglaterra e nos EUA, com o objetivo principal de conquistar direitos civis, como o voto e o acesso ao ensino superior.

Ressurge na década de 60, nos EUA, com reivindicações mais amplas, como o direito à sexualidade e à igualdade com os homens no mercado de trabalho.

Para o feminismo, as diferenças entre os sexos não se podem traduzir em relações de subordinação na vida social, profissional ou familiar.

O movimento procura reforçar a identidade sexual feminina negando a relação de hierarquia entre o homem e a mulher. Defende, ainda, que as qualidades ditas femininas ou masculinas sejam vistas como atributos do indivíduo e não de um ou outro sexo.

Ocupa-se de questões como sexualidade, controle da natalidade e violência contra mulheres. Embora tenha alcance internacional, o movimento feminista não é unificado nem possui uma organização central. Caracteriza-se pela auto-organização das mulheres em múltiplas frentes.

Seus métodos de atuação variam: desde grupos de pressão política até grandes manifestações públicas.

Conferência de Pequim

De 4 a 15 de setembro de 1995, representantes de 180 países reúnem-se na China num encontro promovido pela ONU para tratar das questões femininas.

Aprovado por consenso, o documento final da conferência afirma que as mulheres são as principais vítimas da pobreza e denuncia que estupros sistemáticos estão sendo usados como tática de guerra.

Entre os abusos contra as mulheres, também são denunciados no documento o casamento forçado, a exploração sexual, a circuncisão feminina, a seleção pré-natal por sexo e a violência doméstica.

O texto sugere aos governos a revisão das leis que prevêem punições às mulheres que fazem abortos ilegais e inclui, entre os direitos femininos, o de decidir sobre temas ligados à sua sexualidade.

Feminismo no Brasil

No Brasil, a luta das mulheres pelo voto dura 22 anos. Começa em 1910, com a fundação do Partido Republicano Feminino, no Rio de Janeiro, e termina em 1932, quando o presidente Getúlio Vargas promulga por decreto-lei o direito das mulheres de votar e ser votadas.

Nos anos 60 e 70, o feminismo acompanha a luta pela volta da democracia ao país.

São criados o Movimento Feminino pela Anistia e o Centro da Mulher Brasileira, e aparecem jornais como Brasil-Mulher e Nós Mulheres.

A partir da década de 80, grupos feministas espalham-se pelo país.

Ligado ao Ministério da Justiça, em 1985 é fundado o Conselho Nacional da Condição Feminina.

Fonte: www.geocities.yahoo.com.br

Feminismo

Feminismo é o movimento social que defende igualdade de direitos e status entre homens e mulheres.

Embora ao longo da história diversas correntes filosóficas e religiosas, tenham defendido a dignidade e os direitos da mulher, o movimento feminista remonta mais propriamente à revolução francesa.

A convulsão desencadeada em 1789, além de pôr em cheque o sistema político e social então vigente na França e no resto do Ocidente, encorajou as mulheres a denunciar a sujeição em que eram mantidas e que se manifestava em todas as esferas da existência: jurídica, política, econômica, educacional etc.

Enquanto os revolucionários proclamavam uma declaração dos direitos do homem e do cidadão, a escritora e militante Olympe de Gouges redigia um projeto de declaração dos direitos da mulher, inspirada nas idéias poéticas e filosóficas do marquês de Condorcet, que integrava a Assembléia.

Desde o início da revolução, as francesas participaram ativamente da vida política e criaram inúmeros clubes de ativistas femininas.

Em 1792, uma delegação encabeçada por Etta Palm foi até a Assembléia para exigir que as mulheres tivessem acesso ao serviço público e às forças armadas.

Essa exigência não foi atendida e o movimento feminino foi suprimido pelo Terror. Robespierre proibiu que as mulheres se associassem a clubes, e o projeto de igualdade política de ambos os sexos foi arquivado.

Em 1848, a França conheceu nova revolução e, como a anterior, sacudiu as bases da ordem estabelecida.

Mais uma vez os clubes femininos proliferaram no país. As mulheres agora reivindicavam não só a igualdade jurídica e o direito a voto, mas também a equiparação de salários. Essas novas exigências se explicavam pelas transformações da sociedade européia da época.

Com a crescente industrialização, as mulheres dos meados do século XIX foram cada vez mais abandonando seus lares para empregar-se como assalariadas nas indústrias e oficinas.

Entraram, assim, em contato com as duras realidades do mercado de trabalho: se os operários da época já eram mal pagos, elas recebiam menos ainda.

Conseqüentemente, era mais vantajoso dar emprego às mulheres que aos homens, e, assim, estes últimos viram-se envolvidos em uma penosa concorrência com o outro sexo. Irromperam até mesmo movimentos de oposição ao trabalho feminino.

Nesse confuso panorama, emergiram dois fenômenos significativos. A partir do momento em que as mulheres se mostraram capazes de contribuir para o sustento de suas famílias, não foi mais possível tratá-las apenas como donas-de-casa ou objetos de prazer.

As difíceis condições de trabalho impostas às mulheres conduziram-nas a reivindicações que coincidiam com as da classe operária em geral.

É, pois, dessa época que data a estreita relação do feminismo com os movimentos de esquerda.

Feminismo nos Estados Unidos e no Reino Unido: Os Estados Unidos e o Reino Unido também se notabilizaram por vigorosos movimentos feministas, surgidos já em princípios do século XIX.

Em 1837, fundou-se nos Estados Unidos a universidade feminina de Holyoke e, nesse mesmo ano, realizou-se em Nova York uma convenção de mulheres que se opunham à escravidão.

O abolicionismo foi, efetivamente, um dos temas centrais do desenvolvimento e consolidação do movimento feminista americano.

No Reino Unido, Mary Wollstonecraft publicou A Vindication of the Rights of Women (1792; Reivindicação dos direitos das mulheres), obra em que exigia para as mulheres as mesmas oportunidades de que gozavam os homens na educação, no trabalho e na política.

Mas foi somente em meados do século XIX, graças aos esforços conjuntos de Barbara Leigh Smith e do filósofo e economista John Stuart Mill, que se criou um comitê do sufrágio feminino. Em 1866, esse comitê apresentou ao Parlamento um projeto igualitário, que foi rejeitado.

Apesar dos êxitos parciais alcançados, o movimento sufragista britânico teve de esperar também o século XX para ver coroados seus esforços.

O movimento feminista brasileiro teve como sua principal líder a bióloga e zoóloga Berta Lutz, que fundou, em 1922, a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino.

Essa organização tinha entre suas reivindicações o direito de voto, o de escolha de domicílio e o de trabalho, independentemente da autorização do marido.

Outra líder feminina, Nuta Bartlett James, participou das lutas políticas do país na década de 1930 e foi uma das fundadoras da União Democrática Nacional (UDN).

Feminismo no século XX

Desde o início do século XX, a situação mudou rapidamente pelo mundo inteiro.

A revolução russa de 1917 concedeu o direito de voto às mulheres e, em 1930, elas já votavam na Nova Zelândia (1893), na Austrália (1902), na Finlândia (1906), na Noruega (1913) e no Equador (1929). Por volta de 1950, a lista compreendia mais de cem nações.

Após a segunda guerra mundial, o feminismo ressurgiu com vigor redobrado, sob a influência de obras como Le Deuxième Sexe (1949; O segundo sexo), da francesa Simone de Beauvoir, e The Feminine Mystique (1963; A mística feminina), da americana Betty Friedan.

No Reino Unido destacou-se Germaine Greer, australiana de nascimento, autora de The Female Eunuch (1971; A mulher eunuco), considerado o manifesto mais realista do women's liberation movimento (movimento de libertação da mulher), mundialmente conhecido como women's lib.

Agora já não se tratava mais de conquistar direitos civis para as mulheres, mas antes de descrever sua condição de oprimida pela cultura masculina, de revelar os mecanismos psicológicos e psicossociais dessa marginalização e de projetar estratégias capazes de proporcionar às mulheres uma liberação integral, que incluísse também o corpo e os desejos.

Além disso, contam-se entre as reivindicações do moderno movimento feminista a interrupção voluntária da gravidez, a radical igualdade nos salários e o acesso a postos de responsabilidade.

O objetivo de plena igualdade, nunca radicalmente alcançado, realizou-se de forma muito desigual nos diversos países. Entre os principais obstáculos, os de índole cultural são de grande importância.

Assim, por exemplo, sobrevivem em grande parte do continente africano resíduos da organização tribal. Em outra esfera, as peculiaridades culturais do mundo islâmico redundam em dificuldades e atrasos na consecução das reivindicações feministas.

Machismo ou Feminismo

Antes de discutir essa questão precisamos saber de antemão o que é machismo e o que é feminismo: A palavra machismo está associada ao sistema patriarcal (sistema familiar e social ensinado na Bíblia, no Alcorão e em outros livros também religiosos).

Nesse sistema, o pai é o líder da família sob todos os aspectos.

Já a palavra feminismo está associada a movimentos anti-patriarcalistas e ao sistema matriarcal (sistema mais ou menos teórico em que a mãe é a líder da família).

Alguns historiadores dizem existir indícios de que o matriarcado já teria existido em algumas tribos da região africana (uma das regiões mais subdesenvolvida do mundo). De qualquer modo, o sistema matriarcal é utilizado por algumas espécies de animais.

A mais famosa é a hiena, onde matriarcas (fêmeas) disputam o poder a força e comandam pequenos grupos. No Brasil, as feministas dizem que só querem igualdade.

Mas, os adeptos do patriarcalismo acham que elas querem inverter a ordem natural das coisas e dominar sobre os homens.

Na década de 90, vários países ficaram meio desorientados com relação ao papel ideal do homem e da mulher em suas sociedades.

A expansão das liberdades e a expectativa de um novo milênio tornaram esta questão um pouco complicada. No caso brasileiro, a ingenuidade modernista e o enfraquecimento do referencial religioso levaram os políticos a optarem por igualdade jurídica entre homens e mulheres.

Essa igualdade, de direitos e de responsabilidades, parece não estar de acordo com a natureza humana, apesar de compreensível a tentativa de corrigir algumas distorções existentes no passado.

No entanto, sair de um extremo e ir para o extremo oposto, como se tem feito no Brasil não é dar solução; na verdade, é mudar de problema.

Homem e mulher são complemento um do outro e não podem ser tratados como se fossem concorrentes um do outro. Qualquer observação da Natureza comprova que toda espécie animal subsiste e se desenvolve em função da perfeita união entre macho e fêmea.

Tudo funciona bem quando cada um faz a parte que lhe cabe, a parte predeterminada pela "Natureza" (pelo Deus Criador) com a adequada capacitação física e emocional tanto do macho quanto da fêmea.

Em geral, o homem é mais racional e conservador enquanto a mulher é mais sentimental e inovadora. A combinação destas características produz equilíbrio e eficiência na formação educacional e no sustento da espécie humana.

De fato, tal combinação, se bem administrada, pode ajudar também na formulação das nossas leis e dos nossos princípios socais. Entretanto, precisamos nos organizar de forma a evitar disputas de poder entre homens e mulheres. As disputas entre homens e mulheres geram violências dentro da própria família e comprometem a sociedade também.

A igualdade absoluta e irrestrita, como querem alguns grupos feministas, não foi planejada pela natureza nem mesmo entre o lado esquerdo e o lado direito dos seres humanos. Se dividíssemos o corpo humano exatamente ao meio, de forma que fizéssemos duas metades simétricas, ainda assim estas metades não seriam totalmente iguais.

Em geral, o lado direito é líder sobre o lado esquerdo: a mão esquerda ajuda a escrever, mas é a mão direita que escreve - o pé esquerdo participa igualmente de toda a corrida, mas é o pé direito que normalmente chuta a bola. A liderança, na maioria dos casos, é uma necessidade real e tem a finalidade de organizar, de disciplinar e, portanto, não pode ser desrespeitada.

É bom lembrarmos, também, que, "todo o reino dividido contra si mesmo, será assolado; e a casa dividida contra si mesma, cairá." (Palavras de Jesus cristo em Lucas 11:17).

Em outras palavras, toda sociedade, toda família, todo casal dividido contra si mesmo e sem liderança, com certeza fracassará.

Se considerarmos que a espécie humana é composta de duas metades (uma metade feminina e uma metade masculina), então o nível de diferença entre a metade esquerda e a metade direita, do corpo humano, pode ser um ótimo referencial para compreendermos as diferenças jurídicas, civis e sociais que devem ser preservadas entre a metade humana feminina e a metade humana masculina.

Já é evidente que as diferenças entre homem e mulher não são tão grandes como se praticava no passado ou como ainda se pratica nos países muçulmanos. Entretanto, tais diferenças não deixaram de existir.

Infelizmente, nas décadas de 80 e 90, grupos anti-cristãos usaram a televisão brasileira para convencer a mulher a se rebelar contra o homem. Tais grupos usavam o argumento da igualdade total visando, na verdade, destruir a família tradicional e popularizar práticas pagãs na sociedade brasileira. Precisamos entender esta anormalidade e nos preparar para combatê-la, da mesma forma que combatemos a gripe, a dengue, a prostituição, a apologia às drogas, a marginalidade, etc...

Uma boa relação entre marido e mulher deve ser semelhante à relação entre a metade direita e a metade esquerda do corpo humano. A metade direita não explora nem menospreza a metade esquerda, mas também não deixa de exercer sua natural liderança. Imagine o que aconteceria se a mão esquerda e a mão direita tentassem ao mesmo tempo levar o garfo até a boca?

A mão esquerda e a mão direita são mais ou menos iguais, mas têm finalidades ligeiramente diferentes. É óbvio que se a mão esquerda começar a se rebelar e tentar ocupar o lugar da mão direita, ou vice-versa, todo o corpo sairá prejudicado.

Hoje em dia é natural que a mulher queira participar do mercado de trabalho e, com certeza, ela deve ter liberdade para fazê-lo. Entretanto, temos que considerar também que a principal missão que a Natureza preparou para a mulher não é a de sus­tentar a família. Na verdade, é a de gerá-la e educá-la com o sentimentalismo, o amor e a paciência que lhe são peculiares.

Ao homem foi preparado a missão de sustentar e de proteger a família, já que está dotado de maior frieza emocional e de um porte físico mais adequado a esta tarefa. Portanto, o Brasil precisa encontrar uma forma mais flexível para atender os interesses individuais de mulheres e de homens, sem, no entanto, prejudicar os interesses da família.

A família "normal" (pai, mãe e filhos) é a base da existência humana e sem ela não haveria mulheres nem homens para pleitear qualquer direito individual.

A mulher brasileira precisa entender sua divina missão e agir com sabedoria e prudência na hora de avaliar os diferentes estímulos, feministas, veiculados nos programas de televisão. No fundo, as "personalidades" da TV estão interessadas em obter fama e ganhar dinheiro; não estão nem um pouco preocupadas com o futuro do país e do povo brasileiro.

As personalidades que aproveitam as idéias feministas para propagar imoralidades, rebeldia conjugal, vestimentas indecentes, sodomia, afronta e desrespeito, são pessoas de ideais pagãos; são simples adoradores dos prazeres físicos e do dinheiro e não levam em consideração nenhum dos mandamentos de Deus. Portanto, não são exemplos a serem seguidos porque certa­mente ao seu tempo, cairão.

Fonte: www.renascebrasil.com.br

Feminismo

Feminismo é uma teoria social, uma corrente filosófica e um movimento político. Formado e motivado primeiramente a partir de experiências da mulher, ele apresenta uma crítica à desigualdade social dos sexos (numa perspectiva sociológica de gênero) e promove os direitos das mulheres, seus temas e interesses.

As autoras (e os autores) do feminismo tentam compreender a natureza da desigualdade e enfocam a política dos sexos, relações de poder e sexualidade.

Ativistas políticas feministas advogam a igualdade social, política e económica entre os sexos, inscrita inclusivamente nas constituições e tratados internacionais.

Tentam esclarecer questões sobre temas como direitos reprodutivos, a posição da mulher como objeto (essencialmente sexual), violência sexual e doméstica, licença pós-parto, igualdade salarial, assédio sexual, discriminação no local de trabalho, pornografia e o patriarcalismo.

As bases do feminismo se assentam na idéia de que a sociedade é organizada de forma patriarcal, em que o homem recebe vantagens sobre a mulher.

A teoria feminista moderna é predominantemente, embora não exclusivamente, associada a teóricas e teóricos acadêmicas de classe média, no ocidente. O feminismo no entanto é profundamente amplo e enraizado na sociedade, estendendo-se através das fronteiras de classe, raça ou localidade. O movimento tem especificidade cultural, procurando questionar os tópicos relativos à posição da mulher na sociedade em questão (por exemplo, quando trata de mutilação sexual em sociedades onde isso acontece, ou o sexismo das sociedades ocidentais). Alguns temas, entretanto, são universais, como estupro, incesto, aborto, criação de filhos, etc.

História

Os primeiros textos sobre a questão do papel da mulher criticavam as restrições de atividades impostas às mulheres, sem necessariamente culpar os homens por isso ou dizer de modo geral que as mulheres eram inferiorizadas. O livro "Em defesa dos direitos da mulher", de de Mary Wollstonecraft, é um dos poucos trabalhos escritos antes do século XIX que podem ser classificados como feminista.

Pelos padrões modernos, a sua metáfora das mulheres como a nobreza, a elite da sociedade, mimada, frágil e em perigo de preguiça intelectual e moral, não soa como um argumento feminista. Wollstonecraft acreditou que ambos os sexos contribuíram para esta situação e tomou como uma verdade que as mulheres tinham um poder considerável sobre os homens.

O feminismo é tido geralmente como iniciado no século XIX, período em que os povos adoptaram cada vez mais a percepção que as mulheres são oprimidas numa sociedade centrada no homem (veja patriarcalismo). Para alguns, este tipo de perspectiva só seria possível após o fenómeno do iluminismo, do século XVIII; e não seria por acaso que o feminismo tivesse surgido iniciamente nos países protestantes, onde o iluminismo foi mais acentuado — países como Portugal, católicos e sócio-economicamente menos desenvolvidos, apresentariam, segundo essa perspectiva, um défice histórico relativamente à sensibilidade para o feminismo que ainda se faz sentir. As raízes do movimento encontram-se pois no mundo ocidental, em especial nos movimentos de reforma do século XIX. Como movimento organizado, data da primeira convenção dos direitos da mulher em Seneca Falls, Nova Iorque em 1848.

Primeira convenção internacional dos direitos da mulher (realizada nos EUA)Emmeline Pankhurst foi uma das fundadoras do movimento das sufragistas e pretendeu revelar o sexismo institucional na sociedade britânica, tendo criado a união social e política das mulheres (WSPU). Após ser presa repetidas vezes com base na lei "Cat and Mouse", por infrações triviais, inspirou membros do grupo a fazer greves de fome. Ao serem alimentadas à força e ficarem doentes, chamaram à atenção pela brutalidade do sistema legal na época e também divulgaram sua causa.

Ao longo de um século e meio, o movimento cresceu para hoje incluir diferentes perspectivas sobre o que constitui discriminação contra mulheres. As feministas pioneiras e os primeiros movimentos feministas são normalmente chamados de primeira onda. Movimentos feministas ativos a partir dos anos 60 são chamados da segunda onda. Existe uma terceira onda, nos dias atuais, embora haja grande diferença entre os pontos de vista dos diversos grupos feministas. A associação com ondas remete a característica dessas fases, de sempre recobrir a fase anterior, aproveitando alguns elementos.

Feminismo no Brasil

As raízes do feminismo no Brasil se encontram no movimento pelos direitos políticos, ainda no século XIX. Durante o império, alguns juristas tentaram legalizar o voto feminino, com ou sem o consentimento do marido. A constituição republicana de 1889 continha inicialmente uma medida que dava direito de voto para as mulheres, mas na última versão essa medida foi abolida, pois predominou a idéia de que a política era uma atividade desonrosa para a mulher.

Em 1922, aquela que é considerada a pioneira no feminismo brasileiro, Berta Lutz, fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, que lutava pelo voto, pela escolha do domicílio e pelo trabalho de mulheres sem autorização do marido.

O Rio Grande do Norte foi o estado pioneiro no país a legalizar o voto feminino, em 1927. A primeira eleitora registrada foi Celina Guimarães Viana.

O código eleitoral elaborado em 1933 finalmente estendia o direito a voto e a representação política às mulheres; na constituinte de 1934 houve uma representante do sexo feminino, a primeira deputada do Brasil: Carlota Pereira de Queirós.

O movimento feminista atualmente tem como bandeiras principais, no Brasil, o combate à violência doméstica — que atinge níveis elevados no país — e o combate à discriminação no trabalho. Também se dá importância ao estudo de gênero e da contribuição, até hoje um tanto esquecida, das mulheres nos diversos movimentos históricos e culturais do país. A legalização do aborto (que atualmente só é permitido em condições excepcionais) e a adoção de estilos de vida independente são metas de alguns grupos.

A Revolução das Mulheres Moema Toscano e Mirian Goldemberg

A respeito do livro, "A Revolução das Mulheres", de Moema Toscano e Mirian Goldemberg, será feita uma breve leitura. Não se pretende, no entanto, hastear uma bandeira feminista. O objetivo é levantar alguns dados históricos sobre a questão da mulher, como a importância dos movimentos feministas e o papel das mulheres nos grandes acontecimentos da história, tanto na Europa quanto no Brasil.

Quando se fala sobre a questão da mulher se pensa em um discurso repetitivo e cansativo. A intenção aqui não é a de endeusar as mulheres, muito menos de crucificá-las ou estigmatizá-las por seus feitos ao longo da história. A intenção, ou pretensão é encontrar o seu lugar dentre os acontecimentos marcantes de toda a sociedade, seja na política na filosofia e nos grandes marcos da história. Busca-se descobrir onde estavam as mulheres quando foram registrados os nomes de grandes homens nas placas e nos monumentos das praças públicas. Percebe-se que, talvez, estas questões já sejam demasiadamente complexas para que se faça uma simples leitura, mas, como já referido, não se tem a intenção de criar um marco em relação às questões já escritas sobre as mulheres.

É possível se observar que quando há identificação com alguns conceitos, sejam de ordem social, política ou cientifica, passa-se a ter uma visão, ou opinião a partir deles. Ou seja, se há uma identificação com o Partido Comunista e um envolvimento com ele, passa-se a ver as questões sociais, educacionais e políticas a partir dos princípios deste Partido. Não quer dizer que concordar com suas idéias ou ver a realidade a partir dos princípios comunistas seja algo negativo. É por isso que as idéias feministas e os seus discursos percebem em toda sociedade e em todos os movimentos, tanto masculinos quanto femininos, os preconceitos, e, portanto, o feminismo e o machismo. Para as feministas o mundo está dividido entre homens e mulheres. Dois lados em constante confronto, onde cada palavra e cada movimento estão previamente estigmatizados.

Serão vistos alguns tópicos sobre a questão da mulher no Brasil, o que torna indispensável que se fale na origem do feminismo. O movimento feminista, que tem sua origem na Europa Ocidental, se concretiza e toma forma a partir do século XVIII. Não quer dizer que não existissem descontentamentos, por parte da mulher em relação ao homem, anteriormente. É a partir das grandes revoluções que o feminismo incorpora seu cunho reivindicatório e, unindo-se a alguns Partidos, ganha força de expressão. Com a expansão do capitalismo e a Revolução Francesa surgem os "partidos de esquerda" onde as mulheres encontram espaço para as suas manifestações. Os partidos precisavam de mais colaboradores e as mulheres precisavam de um espaço para manifestar as suas reivindicações, como por exemplo, o direito ao voto. Não é a título gratuito, que estejam ligados, portanto, os movimentos feministas aos movimentos políticos.

Segundo as autoras, alguns homens engajaram-se, ou pelo menos, foram solidários à idéia da importância da mulher como agente de mudanças.

Seriam estes os grandes autores das questões sociais, muito bem lembrados, como: "Condorcet, Voltaire, e Montesquieu", dentre outros.

Muitas mulheres tiveram uma participação ativa na Revolução Francesa. Como resultado dessa participação, se registra, por exemplo, a instauração do casamento civil e a legislação do divórcio. Durante a Primeira Guerra Mundial as mulheres lutaram juntamente com os homens na intenção de que, se equiparando a eles, teriam os mesmos direitos que estes, já que cumpriam com os mesmos deveres. Porém, ao retornarem, no fim da guerra, as mulheres viram retroceder as antigas teses conservadoras, segundo as quais, "lugar de mulher é no lar". Em todos esses embates, nos quais as mulheres estiveram presentes, pode-se dizer que, dentre suas buscas, o direito ao voto sempre foi a questão primordial. No entanto somente em "1928, o Parlamento inglês outorgou o direito ao voto a todas as mulheres, em igualdade de condição com os homens".

Comemora-se em 8 de março, o dia Internacional da Mulher, no entanto não se questiona o significado desta data. Inicialmente chamava-se "Dia Internacional da Mulher Trabalhadora", tendo isso sido proposto em 1910, na "Conferência Internacional da Mulher Socialista". O dia foi escolhido em homenagem às operárias de uma fábrica que, no dia oito de março de 1857, fizeram uma manifestação contra as más condições de trabalho e redução da carga horária, ocupando as instalações da indústria. Os patrões desgostosos e um tanto irritados fecharam as portas da fabrica e atearam fogo na mesma. Como resultado desta atitude 129 mulheres foram queimadas vivas. Este dado histórico é fornecido pelas autoras, Mirian e Moema, no livro em questão. Ainda segundo as autoras, a partir do fato esta data foi incorporada apenas por alguns paises Europeus, e somente em "1975, a ONU incluiu o dia oito de Março em seu calendário oficial de comemorações".

A Revolução de 1917 e a formação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas trouxeram êxito às buscas do movimento feminista, porém estas conquistas não tiveram um prazer duradouro. Em seguida, com Lênin e Stalin, houve um retrocesso nas árduas conquistas do movimento feminista, pois em 1926 foi aprovado e instaurado por Stalin o Novo Código da Família, derrogando todas as conquistas alcançadas pelo Código da Família de 1917.

Tivemos até aqui um breve esboço de como surgiu o movimento feminista, além de suas lutas e conquistas na Europa. No Brasil a moda sempre foi copiar os modelos europeus, tanto na política como também na questão da mulher. Não está em discussão aqui o porque da cópia dos modelos europeus, pelo Brasil, porém o modelo do Movimento Feminista Europeu foi adaptado e incorporou os aspectos e as características do Brasil. Como aspectos brasileiros que influenciaram o movimento feminista, as autoras Moema e Mirian citam "a escravidão, a tardia emancipação do centro de dominação, o modelo fundiário imposto pelo colonizador português e a influência da Igreja Católica como força política e instrumento de controle social."

O nome Nísia Floresta, muito bem lembrado por Moema e Mirian é um dos primeiros a se manifestar no Brasil como força defensora da busca de igualdade pelas mulheres. Outro nome citado é o de Bertha Lutz, que segundo Mirian e Moema, criou em 1919 a Liga pela Emancipação Feminina.

Em 1922 temos vários acontecimentos no Brasil, como: "A criação do Partido Comunista Brasileiro (1922), a Semana da Arte Moderna (1922), o Tenentismo (1922) e a Coluna Prestes (1924-1927)...", que vieram polemizar as estruturas da sociedade brasileira, provocando uma grande discussão sobre seus rumos.

Bertha Lutz aproveitou esse clima de alvoroço nos ânimos da sociedade para mudar o nome da Liga pela Emancipação Feminina por Federação Brasileira para o Progresso Feminino. Além da mudança de nome, também houve uma sacudida nas pretensões da Liga, conseguindo então o apoio de vários políticos e homens públicos como jornalistas e senadores. A partir desse momento era visível a crescente participação da mulher na sociedade, porém ainda não o suficiente para conseguir o direito ao voto.

Um fato muito curioso é verificado por Mirian e Moema, qual seja: a constituição republicana de 1891 já assegurava o voto para as mulheres, porém era mal interpretada.

Segundo as autoras, o artigo 171 da Constituição dizia: "São eleitores todos os cidadãos maiores de 21 anos", porém, o termo ‘cidadãos’, segundo a interpretação da época, referia-se aos homens, ao sexo masculino, e não aos cidadãos na forma genérica.

A mulher só conseguiu efetivamente o direito ao voto em 1932, sendo que em seguida surge a Legislação Trabalhista de proteção ao trabalho feminino. Como resultado dessas grandes conquistas, e de todos esses movimentos, surgiram várias associações, clubes, ligas e organizações em favor dos direitos femininos. No inicio dos anos 70 surge uma nova retomada do movimento feminista pelas mãos de Romy Medeiros da Fonseca, que foi chamado de Conselho Nacional de Mulheres do Brasil.

Esse movimento torna as questões do movimento mais abrangentes, conquistando coisas como: "principio da igualdade entre marido e mulher no casamento e a introdução do divórcio na Legislação brasileira".

Durante a Ditadura Militar as mulheres organizaram-se, independentemente de partidos políticos, idade e classe social, para formar uma militância contra o regime militar. Em 1975 a ONU organizou o "Ano Internacional da Mulher", e a partir daí a questão da mulher, pode-se dizer, deixou de ser tabu. A questão da mulher passou inclusive a ser tema de discussão nas universidades e em meio aos profissionais liberais.

No mesmo ano aconteceu o Congresso Internacional da Mulher no México e simultaneamente no Brasil, sendo que este mandou ao México Berta Lutz como sua representante. No Brasil o movimento organizou a Semana de Pesquisa Sobre o Papel e Comportamento da Mulher Brasileira. Como resultado desse movimento criou-se, em setembro de 1975, o Centro da Mulher Brasileira, um órgão institucionalizado, responsável por intermediar e articular os objetivos feministas em forma de ação coletiva. Muitas mulheres haviam sido exiladas no exterior e voltavam com grandes contribuições para o CMB. O Centro da Mulher Brasileira propôs um centro de estudos que promoveu grandes seminários e grandes discussões e pesquisas sobre a condição da mulher. Daí surgiram várias publicações em jornais e revistas além da produção de livros.

O Movimento Feminista pela Anistia foi criado no final do ano de 1975. Esse movimento tinha como proposta denunciar as repressões que o governo militar havia imposto aos cidadãos brasileiros. Grande parte do grupo da militância era composta por mulheres que viram seus maridos serem torturados e assassinados pelo governo militar.

Esse movimento, independente de partidos políticos e outras ideologias, foi muito apreciado pela sociedade, dando espaço à simpatia de vários grupos políticos. O movimento liderado por Terezinha Zerbini espalhou-se pelo Brasil, dando legitimidade ao Movimento Feminista pela Anistia, com tamanho sucesso e um grande número de novos adeptos. Em 1980 mudou-se o nome do movimento para Anistia e Liberdades Democráticas, um movimento marcado pelo vigor nacionalista.

Segundo as autoras Mirian e Moema, em 1977 foi instaurada uma CPI para investigar a situação da mulher no mercado de trabalho e demais atividades.

Essa Comissão Parlamentar de Inquérito trouxe à tona fatos que eram de conhecimento de pequenos grupos.

A exemplo, algumas questões que chocaram a sociedade como: "que a mulher recebia, no meio rural, apenas um quinto do salário pago ao homem por igual trabalho; que não era cumprida a legislação que obrigava empresas com mais de trinta trabalhadoras a manter berçários; que empresas estatais impediam o acesso à mulher em determinados setores e que tais impedimentos não tinham apoio legal; que mulheres grávidas eram despedidas sumariamente; que agências com verbas vindas do estrangeiro estavam promovendo a esterilização indiscriminada de mulheres; e inúmeras outras denúncias que foram feitas nos depoimentos."

A partir do ano de 1980, foram grandes as conquistas do Movimento Feminista, como conseqüência de todos os anos de luta. Em 1980 foi criado o programa TV Mulher na Rede Globo de televisão. Segundo as autoras, esse programa era um canal direto das feministas, no qual eram discutidas questões como decoração e cozinha. Em seguida surgiu a necessidade de se falar sobre o corpo, sobre a sexualidade e a liberdade. Segundo o relato de Moema e Mirian as expectadoras repassavam à apresentadora do programa, Marta Suplicy, muitas dúvidas a respeito da liberdade sexual e muitas curiosidades sobre o próprio corpo. Era perceptível na mulher a necessidade de uma libertação da sexualidade.

Um fato muito marcante para as feministas foi a morte de Ângela Diniz, em 1976, por Doca Street, que em 1979 foi absolvido. A indignação das feministas trouxe o movimento que criou o SOS Mulher. A partir daí houve uma proteção maior para as mulheres, inclusive para as que trabalhavam e sofriam explorações e chantagens sexuais por parte dos patrões.

A década de 80 foi bastante promissora para as feministas. Nas universidades a questão feminina se tornou objeto de estudo. Tamanha foi a importância do assunto que a Associação Nacional de Pós-Graduação em Ciências Sociais (ANPOCS) reservou um espaço anual para reuniões a partir de 1979.

Em 1981 foi ratificada pelo governo brasileiro a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher, firmada pela ONU em 1967. Ficou acertado, nesta convenção entre os países signatários, o compromisso de eliminar todas as restrições contra a mulher trabalhadora. Algumas empresas e órgãos passam a aceitar a mulher como parte integrante do quadro de funcionários. São exemplos dessas empresas e órgãos a polícia civil e militar, a Academia Brasileira de Letras e a Petrobrás.

O ano de 1980 se caracterizou como um ano de crise para todos os setores políticos e econômicos no Brasil, inclusive para o Movimento Feminista. É clara a desmobilização política e a retração de todos os grupos sociais organizados, apesar das mobilizações pela Constituinte e pelas eleições diretas. Como podemos ver, o Movimento Feminista não escapa da reestruturação a qual todo o contexto social está submetido no país.

Nesse momento histórico o Movimento Feminista fica difuso e não se concentra em um único grupo. Com a democratização as mulheres passam a trabalhar em vários grupos não governamentais, e não há mais uma unificação da causa feminista. Com essa dissolução das organizações feministas foram criados os fóruns, dentre eles um dos mais importantes o Fórum Feminista do Rio de Janeiro, que passaram a se reunir regularmente a partir de 1985.

A partir de 1980, também se torna primordial entre os discursos políticos uma definição da situação da mulher. Em 1983 através de decretos oficiais criou-se o Conselho Estadual da Condição Feminina de São Paulo e em 1985 o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. Foi nesse ano também que, as mulheres de vários partidos uniram-se e de mãos dadas ocuparam 26 cadeiras como deputadas constituintes, dando uma representatividade maior e mais significativa aos direitos da mulher.

Diante de tamanha luta por reconhecimento político-profissional e pela conquista do direito ao voto era inevitável o surgimento do questionamento, entre as mulheres e, por conseqüência, entre os homens, a respeito da liberdade sexual. Todo ser humano tem seus sonhos e seus objetivos, isso lhe impulsiona ao dia seguinte. São desses sonhos e objetivos que vivem também os partidos políticos e os movimentos sociais, dentre os quais encontra-se o movimento feminista.

Realiza-se hoje o sonho de várias décadas e, tendo passado o momento prazeroso da conquista, outro sonho se faz presente no momento seguinte, outro objetivo torna-se impaciente e o promove ao dia seguinte. Assim o movimento feminista se lançou em busca da livre sexualidade e da liberdade sexual. O movimento feminista, talvez por seu romantismo e autoconfiança no momento das grandes realizações, tenha dado a impressão de menor seriedade. Muitas feministas conservadoras tinham medo de que a luta pela liberdade sexual se tornasse uma busca pela igualdade em relação à ‘promiscuidade masculina’.

O que desabona o Movimento Feminista, ou o que o torna menos convicto e legítimo em seus objetivos, é uma má interpretação do que foi o movimento feminista. Algumas mulheres se dizem feministas para conseguirem uma legitimidade das suas atitudes, que tendem a uma tentativa de superação de gênero.

O Movimento Feminista garante hoje à mulher um trabalho mais igualitário e um convívio social mais justo e pacífico. Por tudo que vimos, é inegável a seriedade e a importância do Movimento Feminista para as relações e atividades atuais. Mesmo assim, 20 anos Vinte anos depois das grandes mobilizações, algumas feministas admitem existir alguns equívocos do movimento. A tentativa das mulheres de encontrar o seu espaço sugeriu muitas vezes que se ocupasse o lugar do masculino ou se deixasse a feminilidade de lado.

A conscientização se dá hoje no sentido de que as mulheres percebam que para ocupar o seu espaço não é necessário deixar de ser feminina, e vejam a possibilidade de transformar o espaço que era masculino em um espaço que abrace ambos os gêneros. Todos esses anos trouxeram grandes mudanças para as mulheres. Muitas coisas foram conquistadas e a ideologia do discurso feminista se transformou.

O fato é que vinte anos depois não é possível dizer que somente as mulheres se transformaram e cresceram, ou não, com todas essas conquistas. É preciso admitir as grandes mudanças pelas quais os homens passaram com os embates feministas.

A tentativa de salvar o pensamento e a ideologia do movimento feminista não é vã, nem mesmo a tentativa de encontrar o lugar da mulher ao longo da história deve ser considerada inválida. Embora ainda sofra-se discriminações por falar sobre o assunto, não se pode deixar de fazê-lo.

Sandra Nunes

Feminismo e suas formas

O nome "feminismo" sugere uma ideologia singular, mas em realidade o movimento tem vários sub-grupos. De acordo com precedentes históricos, com a situação legal das mulheres em alguns países, e com outros fatores, a ideologia feminista foi direcionada para diferentes objetivos. Como resultado, existem muitos tipos de feminismo.

Há um tipo de feminismo chamado de feminismo radical que considera a concepção patriarcal da sociedade como causa de seus mais sérios problemas. Essa forma de feminismo foi popular na chamada segunda onda, mas hoje não tem muita força. Pela radicalidade e força aparente desse tipo de feminismo, muitos ainda associam o termo "feminismo" somente às idéias do feminismo radical. Alguns acreditam que é inútil buscar uma generalização universal do conceito de mulher (que é parte do feminismo radical), e que as mulheres de outros países jamais chegaram a experimentar o mulher que experimentam aquelas dos países ocidentais. A crítica diz que as mulheres de países de outras partes do mundo encaram a opressão não como causa da discriminação de gênero, e sim como discriminação social e econômica.

Algumas feministas radicais clamam pelo separatismo completo entre homem e mulher, na sociedade e na cultura. Outros ainda questionam o conceito real de homem e mulher. Dizem alguns que os papéis atribuídos aos gêneros, a identidade dos gêneros e a sexualidade são apenas padrões sociais. (Veja também heteronormatividade.) Para esses feministas, o feminismo é a libertação não só da mulher, como também do homem; a libertação da humanidade em geral.

Um movimento que tem suas origens no feminismo radical é o feminismo descontrutivista, que acredita ser o sexo (tanto no sentido biológico quanto social) uma construção social, que deve ser rejeitada enquanto unidade de classificação. Para esse tipo de feminismo, o paradigma de dois sexos deve ser substiuído por outro, que considere diversas sexualidades.

Outros grupos feministas acreditam que existem outros problemas sociais separados ou anteriores ao patriarcalismo (como o racismo ou a disparidade econômica). Vêem o feminismo como um movimento de liberação que se relaciona com muitos outros.

Alguns tipos de feminismo:

Anarca-feminismo
Ecofeminismo
Feminismo cultural
Feminismo descontrutivista
Feminismo de gênero
Feminismo espiritual
Feminismo francês
Feminismo pop
Feminismo liberal
Feminismo libertário ou individualista
Feminismo mágico
Feminismo materialista
Feminismo marxista
Feminismo radical
Feminismo de libertação sexual
Feminismo separatista
Feminismo terceiro-mundista
Transfeminismo

Alguns atos, concepções ou pessoas podem ser descritas como proto-feminismo ou pós-feminismo.

Embora muitos líderes do feminismo tenham sido mulheres, nem todos os feministas são mulheres e nem todas as mulheres são feministas. Há muita discussão sobre a participação de homens no movimento feminista. Alguns feministas dizem que os homens devem tomar partido nos movimentos, e mesmo na liderança dos mesmos — pois a tendência socialmente construída do homem em agir agressivamente em busca de poder ajudaria o movimento. Isso faria do feminismo um movimento controlado por homens, o que discorda do ideal de representação da mulher no poder.

Na maioria das vezes são aceitas e buscadas as colaborações de homens para o movimento feminista. Esses homens podem ser descritos como "pró-feministas", uma vez que parece inadequado, para certas feministas, descrevê-los também como "feministas".

O feminismo encontra bastante limitação fora do ocidente, onde esteve restrito durante o século XX. Os movimentos feministas esperam que suas ações e conquistas ganhem espaço em todo o mundo durante o século XXI.

Relações com outros movimentos

A maioria dos grupos feministas adopta uma visão holística quanto à política — o que concordaria com a frase de Martin Luther King, "Uma injustiça em algum lugar é uma injustiça em todo lugar". Seguindo a linha dessa frase, alguns feministas costumam apoiar outros movimentos como o movimentos dos direitos cívicos e o movimento dos direitos homossexuais. Muitas feministas negras participam também do movimento negro, e criticam o feminismo por ser ele dominado por mulheres brancas; argumentam que os problemas enfrentados pela mulher negra são ainda piores em razão do preconceito racial somado ao preconceito de género. Essa idéia é a chave do feminismo pós-colonial. Muitas mulheres negras dos EUA preferem o termo womanism (algo como mulherismo) em detrimento do tradicional feminism.

Entretanto, feministas são geralmente precavidos a respeito do movimento transexual, porque questionam a tradicional distinção entre homem e mulher. Mulheres transexuais são quase sempre excluídas de reuniões fechadas à mulheres e eventos feministas, e são rejeitadas por algumas feministas que dizem que ninguém que nasceu homem poderá realmente entender a opressão que a mulher enfrenta. Por outro lado, mulheres transexuais argumentam que enfrentam discriminação semelhante, e inclusive lutam a respeito de direitos legais que não lhes são assegurados; e que a discriminação contra pessoas de géneros diferrentes não é nada mais do que outra face do heterosexismo e patriarcalismo.

Efeitos do feminismo no Ocidente

O feminismo foi responsável por várias mudanças nas sociedades ocidentais, inclusive:

O voto feminino
Crescimento das oportunidades de trabalho para mulheres, com salários iguais aos dos homens
Direito de pedir divórcio
Controle sobre o próprio corpo em questões de saúde, inclusive quanto ao uso de preservativos e ao aborto, etc

Algumas feministas dizem que muito falta a ser conquista nessas frentes, e as feministas do terceiro mundo muito provavelmente não tomariam essas conquistas por reais.

A medida que a sociedade ocidental aceita os princípios feministas, exigências que antes pareciam absurdas se tornam convencionais e inquestionáveis: hoje em dia poucas pessoas questionariam o direito ao voto ou à propriedade de terras para mulheres, direitos que pareciam insensatos há 100 anos.

Em alguns casos (notadamente em relação aos salários iguais pela mesma função), apesar dos avanços, o movimento feminista ainda precisa batalhar para alcançar os objetivos completos.

Feministas propõe frequentemente o uso de uma linguagem não sexista, que utiliza, por exemplo, "senhorita" tanto para mulheres casadas como para mulheres solteiras. Também procuram criticar o uso de palavras que derivam do género masculino para descrever coisas relativas tanto à mulher quanto ao homem (por exemplo, homem para designar o ser humano; ou o uso de pronomes masculinos no plural, quando em referência a grupo de homens e mulheres — eles).

Isso pode ser visto como uma tentativa de eliminar o sexismo de algumas línguas, pois algumas feministas acreditam que a linguagem afeta diretamente a percepção da realidade (veja hipótese de Sapir-Whorf). Existem línguas que possuem pronomes masculinos, femininos e neutros; nos locais onde a língua não impõe uma preferência por género, a discussão sobre linguagem sexista tende a ser minimizada. Mas uma vez que o idioma inglês (que é sexista) se torna a cada dia uma língua universal, o debate sobre linguagem sexista adquire importância.

Efeitos na educação moral

Aqueles que se opõe ao feminism o dizem que a busca da mulher por poder externo, aparente, em oposição à força interior no sentido de afetar a ética e os valores de outras pessoas, deixou um vácuo na área da educação moral, área em que tradicionalmente a mulher tinha influência. Algumas feministas argumentam que a educação, incluindo a educação moral, não devem ser encarada como responsabilidade exclusiva da mulher. Paradoxalmente, alguns dizem que a educação dada em casa pelas mães é uma maneira de agir feminista. Esses argumentos são muito discutidos, no que tange a responsabilidade do ensino de valores sociais e compaixão para as crianças.

Efeitos nas relações heterossexuais

O feminismo certamente teve efeitos nas relações heterossexuais, no Ocidente e em outros locais onde se fez presente. Conquanto esses efeitos foram em geral encarados como positivos, algumas consequências negativas devem ser apontadas.

Em alguns relacionamentos, houve uma mudança sensível na relação entre o homem e a mulher. Ambos tiveram de se adaptar a novas situações, não sem embaraços e tropeços.

A mulher começou a se conscientizar de que tinhas novas oportunidades, mas ao mesmo tempo sofreu com a necessidade de tentar equilibrar uma carreira bem-sucedida e a vida familiar ("desfrutar de tudo"). O ônus da criação dos filhos não pesa mais somente para a mulher, e do homem passou a se exigir o desempenho de algumas tarefas na educação das crianças. Muitas feministas adeptas do socialismo argumentam que na verdade o problema se encontra na omissão do Estado quanto a educação dos futuros cidadãos; por exemplo, através de creches.

Argumentam que em muitas sociedades do passado o papel de cuidar das crianças era muito mais do Estado do que dos pais. Mas assistência por parte do Estado existe em alguns lugares, e mesmo assim nesses lugares enfrentam dificuldades em conciliar diversas atividades.

O homem em alguns casos sentiu uma perda de poder e identidade, e tentou lutar para readquirir alguns privilégios (ou adquirir novos).

Quanto ao comportamento sexual, as mulheres passaram a ter mais controle sobre seus corpos, e passaram a vivenciar o sexo com mais liberdade do que antes lhes era permitido. A consequência dessa revolução sexual é vista como positiva, uma vez que homens e mulheres passaram a poder ter experiências sexuais mais livres e compartilhadas. Entretanto algumas feministas argumentam que a revolução sexual foi benéfica apenas para os homens.

O casamento também sofreu abalos em razão do feminismo. Muitas mulheres hoje pensam que o casamento é uma instituição que serve apenas para oprimí-las, preferindo a coabitação com os parceiros. (Algumas feministas discordam disso.)

Efeitos na religião

O feminismo teve grande efeitos em variados aspectos da religião. Nas correntes liberais do protestantismo, a mulher agora pode ser ordenada clériga, e em algumas correntes do judaísmo a mulher pode ser ordenada rabina e cantor . Nesses grupos católicos e judaicos a mulher adquiriu certa igualdade perante o homem, na capacidade de obter posições de poder.

Essas mudanças enfretam resistência na igreja católica e no Islão. Toda a tradição do Islão proibe as mulheres muçulmanas de ocupar posições religiosas e de estudo da religião. Movimentos liberais dentro do islamismo procuram trazer reformas ao Islão que permitam, por exemplo, a participação mais efetiva das mulheres. Já quanto a Igreja Católica, é notória sua tradição quanto ao abuso e discriminação contra as mulheres (veja por exemplo, o funcionamento do Convento das Madalenas); as mulheres católicas são proibidas de ascender na hierarquia religiosa, e se decidirem dedicar-se à religião só podem ser freiras.

O feminismo também foi importante na criação de novas formas de religião. Especialmente as religiões neopagãs enfatizam a importância de uma deusa ou divindade feminina, e questionam a sujeição da mulher nas religiões tradicionais. Certo ramo da Wicca conhecido como Wicca de Diana tem sua origem no feminismo radical. Próximo a Wicca, há o feminismo mágico, corrente que argumenta quanto a incompreensão dos homens para com aquilo que chamam de bruxas, ou seja, mulheres com conhecimento científico ou médico superior. A auto-identificação como bruxas revela a posição dessas feministas em recuperar conhecimentos perdidos em razão da perseguição e eliminação das bruxas no passado.

O feminismo também discute o papel das mulheres na mitologia das religiões tradicionais. Especialmente no caso de Maria, é discutida a contradição de se acreditar que foi mãe e virgem, o que levaria muitas mulheres a aspirar um ideal impossível, e portanto teria consequências negativas em relação à sexualidade feminina.

Críticas ao feminismo

O movimento feminista atraiu atenção por sua capacidade de alterar a sociedade no Ocidente. Embora o feminismo seja geralmente aceito, existem vozes discordantes.

Além das críticas apontadas na seção anterior, outras tantas são dirigidas ao movimento. Alguns críticos (tanto homens quanto mulheres) pensam que as feministas estão efetivamente pregando o ódio contra os homens, ou tentando mostrar a inferioridade do homem; argumentam que se as palavras "homem" e "mulher" forem substituídas por "negro" e "branco", os textos feministas podem se transformar naturalmente em manifestos racistas.

Outros dizem que, por conta do feminismo, os homens começam a ser oprimidos. Embora as feministas neguem a veracidade dessa crítica, aqueles que a defendem dizem que em países como os EUA a taxa de suicídios entre homens é maior do que entre mulheres, levando a conclusão de que os homens estão sendo oprimidos. Desde a década de 1970, a razão entre os suicídios de homens para os suicídios de mulheres tem aumentado. Mas podem haver várias causas para esse aumento, que não necessariamente uma sociedade opressora para os homens.

Alguns grupos conservadores vêem o feminismo como elemento de destruição dos papéis tradicionais dos géneros, nomeadamente quando o pai e a mãe são trabalhadores bem sucedidos e ocupados — não sobrando ninguém para cuidar bem das crianças. As feministas geralmente respondem que os papéis tradicionais de género servem para silenciar e oprimir a mulher.

Certos homens argumentam que as mudanças sociais e legais acarretadas pelo feminismo foram muito longe, e agora afetam negativamente ao homem a às crianças. Por exemplo, muitos homens acreditam que nas dispustas de custódia após um divórcio, a justiça tende a entregar os filhos para a custódia da mãe. As feministas do terceiro mundo são geralmente mais receptivas a esse tipo de idéia, aceitando que a sociedade patriarcal está oprimindo tanto ao homem quanto à mulher.

Também há críticas quanto a existência da barreira que impede as mulheres de ocupar postos de chefia: alguns homens dizem que muitas mulheres são promovidas não por méritos, mas para melhorar a imagem das empresas ("não somos machistas"). Essa questão se relaciona com a promoção e o emprego de negros não qualificados para funções, atos também realizados para fins de propaganda, em muitos casos. O argumento apresentado pelas feminista é que medidas desse tipo (a promoção realizada não por mérito) são necessárias para ajustar a sociedade, refém da discriminação de séculos.

Em casos de assédio sexual também se critica a posição pró-mulher que sempre envolve os casos. Normalmente é dado pouco crédito ao homem acusado de assédio sexual, e mesmo que a situação não tenha sido constrangedora, fica difícil para ele provar que não cometeu o assédio. Tratar-se-ia de um preconceito indireto, e de uma situação em que a mulher teria quase um poder absoluto. Além disso, quando o homem é vítima de assédio sexual, recebe pouco crédito e é geralmente motivo de piadas e zombaria.

Feministas pós-coloniais criticam as formas ocidentais de feminismo, notadamente o feminismo radical e sua tentativa de universalizar a experiência de ser mulher.

Os pós-coloniais argumentam que o conceito generalizado e global de que é ser mulher geralmente é baseado em padrões de classe média e de mulheres brancas, e logo não é capaz de lidar com experiências de mulheres para as quais o preconceito de género é apenas secundário ou terciário, em relação ao preconceito racial e de classe social.

Hoje em dia, muitas moças associam a palavra "feminismo" ao feminismo radical, o que as afasta do engajamento na luta feminista.

O feminismo hoje

Muitas feministas acreditam que a discriminação contra mulheres ainda existe tanto em países subdesenvolvidos quanto em países desenvolvidos. O quanto de discriminação e a dimensão do problema são questões abertas.

Existem muitas idéias no movimento a respeito da severidade dos problemas atuais, sua essência e como enfrentá-los. Em posições extremas encontram-se certas feministas radicais que argumentam que o mundo poderia ser muito melhor se houvessem poucos homens. Algumas feministas afastam-se das correntes principais do movimento, como Camille Paglia; se afirmam feministas mas acusam o feminismo de ser, por vezes, uma forma de preconceito contra o homem. (Há um grande número de feministas que questiona o rótulo "feminista", aplicado a essas dissidentes.)

Muitas feministas, no entanto, também questionam o uso da palavra "feminismo" para se referir a atitudes que propagam a violência contra qualquer género ou para grupos que não reconhecem uma igualdade entre os sexos. Algumas feministas dizem que o feminismo pode ser apenas uma visão da "mulher como povo". Posições que se baseiam na separação dos sexos são consideradas, para esses grupos, sexistas ao invés de feministas.

Há feministas que fazem questão de assumir diferenças entre os sexos — ao contrário da corrente principal que sugere que homem e mulher são iguais. A ciência moderna não tem um parecer claro sobre a extensão das diferenças entre homem e mulher, além dos aspectos físicos (anatómicos, genéticos, hormonais). Essas feministas sustentam que, embora os sexos sejam diferentes, nenhuma diferença deve servir de base à discriminação.

O debate sobre questões feministas no Ocidente não deve, no entanto, distrair o movimento feminista de seu principal objetivo no século XXI: promover maiores direitos para as mulheres nas sociedades do Oriente.

Estatísticas mundiais

Apesar dos avanços feitos pelas mulheres no que respeita à igualdade no mundo ocidental, há um longo caminho a percorrer para se chegar à igualdade, de acordo com as seguintes estatísticas:

As mulheres detêm apenas 1% da riqueza mundial, e ganham 10% das receitas mundiais, apesar de constituirem 49% da população.
Quando se considera a criação dos filhos e o trabalho doméstico, as mulheres trabalham mais do que os homens, quer no mundo industrializado, quer no mundo sub-desenvolvido (20% a mais no mundo industrializado, 30% no resto do mundo).
As mulheres estão sub-representadas em todos os corpos legislativos mundiais. Em 1985 a Finlândia detinha a maior percentagem de mulheres na legislatura nacional, com aproximadamente 32% (cf. NORRIS, P.. Women's Legislative Participation in Western Europe, West European Politics). Atualmente a Suécia tem o maior número, com 42%. A média mundial é apenas 9%.
Em média e a nível mundial, as mulheres ganham 30% menos do que os homens, mesmo quando têm o mesmo emprego.

Fonte: www.conhecimentosgerais.com.br

Feminismo

Feminismo no Brasil

Este texto analisa a crescente participação das mulheres em todas as esferas de atividade na sociedade brasileira, observando a atuação dos movimentos feministas/de mulheres para a conquista destes espaços, território que tende a ser esquecido ou minimizado.Um histórico dos movimentos feministas no Brasil , que promovem mudanças significativas nas relações feminino/masculino e na própria expressão da sexualidade é assim traçado. Dos anos da ditadura militar a nossos dias, as diversas expressões dos movimentos feministas brasileiros são assim apontadas.

Um rápido olhar sobre as ruas e praças das cidades brasileiras logo destaca a crescente e colorida presença das mulheres, marcando fortemente uma diferença em relação ao passado. Os espaços públicos se tornam menos constrangedores, percebe a observadora recém-chegada, concluindo que houve uma grande mudança nos hábitos e costumes da população. Progressivamente também nota que nos postos de gasolina, nos restaurantes e bares, nas lojas, bancos, empresas, nas escolas e universidades, ou nas delegacias, seu número aumentou consideravelmente, mesmo que, muitas vezes, não nos postos de comando. Ainda assim, uma mulher é a atual prefeita da maior cidade do país e as negras começam a compor o ministério do governo de esquerda.

É bem possível que se a observadora fizer entrevistas com muitas dessas mulheres, especialmente com as mais jovens, concluirá que não se consideram feministas e que nem mesmo conhecem a história do feminismo no Brasil, afinal este não é um país onde o sentido histórico seja predominante.

De qualquer modo, esse desconhecimento não deve levá-la a concluir que o movimento feminista não tenha tido um forte impacto sobre as estruturas socioeconômicas, sobre as instituições políticas e principalmente sobre o modo de pensar, no país e que não esteja em plena ebulição ganhando cada vez maior número de adeptas, militantes e associadas. Aliás, tentando satisfazer à sua possível curiosidade, apresso-me a dar algumas pinceladas sobre a história do movimento feminista brasileiro das últimas décadas.

Quarenta anos depois da conquista do direito feminino de voto no Brasil, em 1932, mas também da vitória dos padrões normativos da ideologia da domesticidade, entre os anos trinta e sessenta, assistimos emergência de um expressivo movimento feminista, questionador não só da opressão machista, mas dos códigos da sexualidade feminina e dos modelos de comportamento impostos pela sociedade de consumo.

No contexto de um processo de modernização acelerado, promovido pela ditadura militar e conhecido como "milagre econômico", em que se desestabilizavam os vínculos tradicionais estabelecidos entre indivíduos e grupos e a estrutura da familiar nuclear, as mulheres entraram maciçamente no mercado de trabalho e voltaram a proclamar o direito à cidadania, denunciando as múltiplas formas da dominação patriarcal.

Também homossexuais masculinos e femininos se organizaram, ao lado de outras "minorias" sociais, e se manifestaram em movimentos políticos reivindicando o "direito à diferença" e questionando radicalmente os padrões dominantes da masculinidade e da feminilidade. O movimento negro fortaleceu-se, invadindo os espaços públicos das universidades às praças, defendendo o "black is beautiful", e colocando em cena as novas exigências e críticas das mulheres negras, diferenciando-se, por sua vez, das demandas dos feminismos "brancos".

A contrapartida à violenta ditadura militar foi a explosão de uma vigorosa cultura da resistência, que se expressou na crítica política ao regime, a exemplo das composições musicais de Geraldo Vandré, Chico Buarque de Holanda, Milton Nascimento, Caetano Veloso e Gilberto Gil, assim como na proposta de modos alternativos e libertários de vida em sociedade, a exemplo do movimento hippie. Inicialmente dirigida ao regime militar, a "revolução cultural" em curso nas décadas de sessenta e setenta, no país, estendeu seus questionamentos sociedade burguesa mais ampla, encontrando várias correntes do pensamento internacional envolvidas com a crítica à modernidade.

Assim, paradoxalmente, no mesmo momento em que se vivia aqui uma violenta repressão política e cultural, que afetava radicalmente a vida pública, cerceando a palavra e a ação, desfazendo os antigos espaços de sociabilidade e interação social, assistia-se à emergência de novas formas de produção cultural, tanto nos setores ligados às lutas da resistência, quanto entre os mais indiferentes, ou mesmo comprometidos com a ditadura militar. Multiplicavam-se os espaços culturais e desportivos, tanto dos que pregavam o "culto californiano do corpo", quanto dos que criticavam as formas sociais aburguesadas e que, inspirados pelos orientalismos, recorriam yoga, aos relaxamentos terapêuticos, aos tratamentos psicológicos e psiquiátricos, à alimentação macrobiótica e naturalista.

A classe média urbana, em especial, passou a solicitar e desfrutar das inúmeras formas de tratamento psicológico, ao viver de maneira brutal a ruptura de antigos padrões de relações familiares, a quebra dos antigos modos de sociabilidade e a destruição da esfera pública e das antigas formas de convívio e solidariedade.(Figueiredo, 1994)

Nesse contexto de crise e de construção de novos modelos de subjetividade, desde os anos setenta, emergiu o "feminismo organizado", como movimentos de mulheres das camadas médias, na maioria intelectualizadas, que buscavam novas formas de expressão da individualidade.(Goldberg, 1986) Em luta contra a ditadura militar, defrontavam-se com o poder masculino dentro das organizações de esquerda, que impediam sua participação em condições de igualdade com os homens nos movimentos então construídos.

Assim, as primeiras organizadoras dos grupos e jornais feministas, em meados daquela década, iniciaram um movimento de recusa radical dos padrões sexuais e do modelo de feminilidade que suas antecessoras haviam ajudado a fundar, nos inícios do século 20. Mais do que nunca, as feministas colocaram em questão o conceito de mulher que a afirmava enquanto sombra do homem e que lhe dava o direito à existência apenas como auxiliar do crescimento masculino, no público ou no privado.

Fora do feminismo, mas também influenciadas por ele, surgiam outras revistas destinadas ao público feminino mais amplo, como as revistas NOVA e MAIS, da Editora Abril Cultural, inspiradas nos padrões jornalísticos norte-americanos, que propunham novas linguagens em relação ao corpo e à sexualidade das mulheres e uma reflexão que, embora construída nos marcos de um pensamento contestador, avançaram a discussão de assuntos considerados tabus, como o sexo e o orgasmo da mulher.(Moraes e Sarti,1980)

O feminismo rebelde

Paralelamente aos movimentos sociais que se levantavam contra a ditadura militar, - como o movimento das mulheres que se organizava na periferia das principais cidades - mas que não incluía em sua agenda as bandeiras do feminismo -, as feministas propuseram-se, desde meados dos anos setenta, a denunciar a dominação sexista existente inclusive no interior dos grupos políticos, de sindicatos e partidos de esquerda.(Alvarez, 1988) Marcadas por uma experiência política de oposição, já que muitas eram ex-ativistas políticas e vinham do exílio forçado no exterior, ou então, das prisões, entenderam que o movimento pelos direitos das mulheres, no Brasil, deveria ser diferenciado e não subordinado às lutas que despontavam em múltiplos espaços sociais e políticos pela redemocratização no país.

Acima de tudo, as primeiras feministas brasileiras questionavam radicalmente as relações de poder entre os gêneros, que se estabeleciam no interior dos grupos políticos de esquerda e lutavam para impedir que a dominação machista fosse diluída ou subsumida pelo discurso tradicional da Revolução. No entanto, muitas traziam uma referência ideológica marxista, a partir da qual pensavam as relações entre os sexos.

Assim, logo que estabeleceram as estratégias e táticas de seu movimento, definiram que o alvo maior de sua preocupação deveria ser as trabalhadoras, consideradas não como o setor mais oprimido socialmente, mas como as principais portadoras da Revolução Social. Os dois principais jornais feministas fundados no período - o BRASIL MULHER, do grupo homônimo de Londrina, que circulou entre 1975-1980 e o NÓS, MULHERES, da Associação de Mulheres de São Paulo, publicado entre 1976-1978 - visavam conscientizar as trabalhadoras pobres, iniciando-as numa linguagem marxista, inicialmente destinada a pensar a luta entre as classes sociais, e não precisamente a "guerra entre os sexos".

Esta postura obedecia a algumas estratégias políticas: de um lado, obter o reconhecimento social de um movimento que colocava as mulheres como alvo principal; de outro, conseguir a aliança dos demais setores da esquerda, envolvidos na luta pela redemocratização, onde os homens davam as cartas e enunciavam um discurso político bastante característico. Além do mais, nesse momento, o marxismo ainda era considerado o principal instrumento teórico de análise no campo da política revolucionária.

O feminismo, nesse contexto, procurou pautar-se pela linguagem predominante na esquerda do país, dominando não apenas os conceitos marxistas, mas procurando provar como, em cada uma das questões levantadas pelos líderes e partidos políticos, era possível também perceber a dimensão feminina. Em suma, falando a linguagem marxista-masculina, as feministas esforçaram-se para dar legitimidade às suas reivindicações, para valorizar suas lutas e apresentarem-se como um grupo político importante e digno de confiança.

Por isso, o editorial de NÓS MULHERES, publicado a 7 de março de 1978, propunha:

" Que as coisas fiquem claras: mantemos a firme convicção de que existe um espaço para a imprensa feminista, que denuncia a opressão da mulher brasileira e luta por uma sociedade livre e democrática. Acreditamos que a liderança da luta feminista cabe às mulheres das classes trabalhadoras que não só são oprimidas enquanto sexo, mas também exploradas enquanto classe."

A idéia de que o conceito de classe deveria ser priorizado em relação ao de sexo revelava, portanto, que a apropriação da linguagem masculina, marxista ou liberal, era fundamental para se conseguir a aceitação na esfera pública masculina, que progressivamente se reconstituía. Era, portanto, uma estratégia de reconhecimento político e social fundamental num momento em que as barreiras para a entrada das mulheres no mundo da política eram pesadas demais, seja as impostas pela ditadura militar, seja as criadas pela própria dominação masculina, de esquerda ou de direita.

As feministas se colocavam, assim, segundo a perspectiva marxista-leninista, como vanguarda revolucionária do movimento das mulheres, necessária para orientar as trabalhadoras em sua "missão histórica", parafraseando o que a esquerda repetia em relação às suas tarefas para com o proletariado. Articulavam-se para fora, deste modo, com os outros movimentos de luta pela redemocratização no país e, deste modo, eram legitimadas.

Na segunda metade da década de setenta e inícios de oitenta, nasceram inúmeros grupos feministas, mais ou menos próximos do campo marxista e dos grupos políticos de esquerda, ao mesmo tempo que abertos para os novos horizontes teóricos e políticos que se abriam no país, sobretudo com os "novos" movimentos sociais. Assim como outros grupos denominados de "minorias", as feministas buscavam criar uma linguagem própria, capaz de orientar seus rumos na construção da identidade das mulheres como novos atores políticos.

Desta experiência, surgiram inúmeras associações feministas no país, como o Centro Brasileiro da Mulher, no Rio de Janeiro, a Associação de Mulheres, de São Paulo, futuramente denominada "Sexualidade e Política", o Coletivo Feminista do Rio de Janeiro, o Coletivo Feminista de Campinas, SOS Violência de São Paulo, o SOS Campinas, o SOS Corpo, no Recife, o Maria Mulher, em João Pessoa, o Brasília Mulher, o Brasil Mulher, o Grupo "Sexo Finalmente Explícito", o Centro de Informação da Mulher - CIM, de São Paulo, entre outros.

Todos eles mesclavam ex-militantes partidárias, marxistas e ex-marxistas, com feministas das novas gerações que defendiam prioritariamente as "políticas do corpo" e as questões da sexualidade. A despeito das tendências políticas diferenciadas, estes grupos buscavam total autonomia em relação aos partidos políticos de esquerda, como o PT - Partido dos Trabalhadores, que acabava de ser fundado, embora muitas ativistas fossem também militantes partidárias.

A "explosão desconstrutivista" nos anos 80

Somente depois desse primeiro momento de afirmação do feminismo enquanto movimento social e político que lutava pelos direitos das mulheres, mas que também se colocava na luta pela redemocratização do país, é que as feministas passaram a propor uma nova concepção da política, ampliando os próprios temas que constituíam o campo das enunciações feministas na esfera pública.

Assim, questões antes secundarizadas como essencialmente femininas e relativas à esfera privada, isto é, não pertencentes ao campo masculino da política - a exemplo das relativas ao corpo, ao desejo, à sexualidade e à saúde - foram politizadas e levadas à esfera pública, a partir da utilização de uma linguagem diferenciada, que além do mais, permitia enunciá-las.

Nesse momento de crítica acentuada à racionalidade ocidental masculina, já não mais definida apenas como burguesa, partiu-se para a afirmação do universo cultural feminino, em todas as dimensões possíveis. Isto implicava, no campo conceitual, a emergência de uma linguagem especificamente feminina e daquilo que se considera como uma "epistemologia feminista", suficientemente inovadora em suas problematizações e conceitualizações, para apreender as diferenças.(Rago, 1998)

Por vários lados, as feministas passavam a feminizar-se valorizando a linguagem feminina, os atributos e os temas femininos, o que significava mais do que um simples retorno aos seus valores próprios, um alargamento do campo conceitual, através do qual teciam suas críticas à sociedade patriarcal capitalista, revelando suas armadilhas e limitações.

Mais do que nunca, passaram a pensar em si mesmas sob uma ótica própria, dando visibilidade ao que antes fora escondido e recusado, o que inevitavelmente levou a uma radicalização da potencialidade transformadora da cultura feminista em contato com o mundo masculino. Tratava-se, então, não mais de recusar o universo feminino, mas de incorporá-lo renovadamente na esfera pública, o que se traduziu ainda por forçar um alargamento e uma democratização desse mesmo espaço.

As questões do mundo privado, da subjetividade, da família, da sexualidade, das linguagens corporais ganharam visibilidade e dizibilidade, podemos dizer, tomando de empréstimo alguns termos de Deleuze, tanto na prática cotidiana dos grupos feministas, quanto nos debates acadêmicos e nas reuniões dos militantes.

O distanciamento do discurso marxista-masculino, por sua vez, facilitou a incorporação de temas tabus como os referentes às emoções, ou à moda e, por conseguinte , a procura de novos conceitos capazes de enunciá-los e interpretá-los. Estes foram buscados, sobretudo, no campo conceitual que vinha sendo proposto pelas correntes do pensamento pós-moderno, a exemplo do conceito de "desconstrução" de Derrida, ou das noções de "poder disciplinar" e de "subjetivação", trabalhadas por Foucault.

A ampla crítica cultural feminista não deixou de lado as próprias representações do feminismo, veiculadas na imprensa alternativa de esquerda, especialmente a partir da publicação do jornal MULHERIO, entre 1981 e 1988. A antropóloga Eliane Robert Moraes, por exemplo, num sugestivo e inteligente artigo perguntava-se "Feminista é Mulher?", endereçando suas críticas tanto aos "rapazes" do jornal O Pasquim, para as quais as feministas só poderiam ser mulheres feias e mal-amadas, quanto às próprias feministas que reforçavam uma imagem negativa de si mesmas. Enfim, perguntava-se por que lutar pela autonomia feminina implicava numa dessexualização e num certo embrutecimento da mulher.

O próprio jornal, em edição de março-abril de 1981, explicava seu título, afirmando:

"Por que Mulherio? Mulherio. Quase sempre a palavra é empregada em sentido pejorativo, associado a histerismo, gritaria, chatice, fofocagem, ou então, "gostosura". Mas qual é a palavra relacionada mulher que não tem essa conotação? (...)

Mulherio, por sua vez, nada mais é do que "as mulheres". E’ o que somos, é o que este jornal será. "Sim, nós vamos nos assumir como Mulherio e, em conjunto, pretendemos recuperar a dignidade, a beleza e a força que significam as mulheres reunidas para expor e debater seus problemas. De uma maneira séria e conseqüente, mas não mal-humorada, sisuda ou dogmática."

Enfim, nesse novo feminismo, a estética, os cuidados de si, a saúde e a beleza do corpo passavam a fazer parte do leque temático sem, contudo, significar uma adesão acrítica aos ideais de beleza veiculados pela mídia. Muito ao contrário, passavam a compor as discussões relativas à saúde, vista agora numa perspectiva ampliada.

Assim, vários artigos discutiam que tipo de beleza as feministas desejavam ("A beleza produzida", "Espelho, espelho meu", de Sivia Beck), enquanto a psicanalista Maria Rita Kehl questionava a aceitação/negação machista do corpo feminino, aceito apenas enquanto expressão de um determinado padrão estético:

"Se os homens afirmam que vêm na mulher antes de mais nada belos contornos, considero isso como um empobrecimento de sua capacidade de olhar e ver. Estou convencida de que nosso olhar sabe encontrar no homem sinais do que ele é, além dos contornos de sua musculatura." (KHEL, Maria Rita. Mulherio, ano 2, no.5, jan-fev.1982, p.14-15).

A psicanalista feminista reforçava sua crítica observando como para ser ao mesmo tempo "moderna e atraente dentro dos padrões da boneca de luxo de antigamente", as mulheres precisavam consumir muito mais, no interior de um sistema de referências ditadas pelo mundo masculino, em que o corpo feminino deveria ser ágil, limpo, magro, cheiroso e rígido.

Propunha radicalmente "a subversão de nossos conceitos estéticos":

"A maior beleza é a do corpo livre, desinibido em seu jeito próprio de ser, gracioso porque todo ser vivo é gracioso quando não vive oprimido e com medo. E’ a livre expressão de nossos humores, desejos e odores; é o fim da culpa e do medo que sentimos pela nossa sensualidade natural; é a conquista do direito e da coragem a uma vida afetiva mais satisfatória; é a liberdade, a ternura e a autoconfiança que nos tornarão belas. É essa a beleza fundamental." (idem)

O repensar das práticas feministas levou, ainda, à decisão de abrir os guetos feministas e encontrar os inúmeros canais disponíveis e outros movimentos que ocorriam na sociedade. As feministas ampliaram seu raio de atuação, entrando nos sindicatos, partidos, espaços de diferentes entidades da sociedade civil e, sobretudo, no "movimento de mulheres", que se articulara, desde os anos setenta, na periferia de algumas cidades, como em São Paulo, apoiado pela Igreja de esquerda e pelos grupos políticos envolvidos na luta pela redemocratização.

Esse movimento, embora mobilizasse um número excepcionalmente grande de mulheres, não levantava questões feministas como bandeira de luta. Lutava por creches, por transportes urbanos, por melhores condições de vida sem, contudo, serem incluídas questões femininas importantes, como o aborto e a violência sexual contra as mulheres, temas bastante pertinentes nos meios pobres e ricos.

Assim, o contato que se estabeleceu entre os dois movimentos liderados pelas mulheres - o movimento feminista e o movimento de mulheres - foi certamente muito lucrativo para todas. Para as feministas, porque passavam a atingir uma rede muito mais ampla de mulheres; para as mulheres pobres da periferia, porque lhes traziam questões que dificilmente seriam enunciadas espontaneamente, como as referentes à moral sexual, ao corpo e à saúde. Fundamental nessa associação, o feminismo desenvolveu e ampliou suas bandeiras de luta, dando destaque às questões da violência contra as mulheres e dos direitos reprodutivos.

Vale lembrar que, nesse período, e como parte de seu próprio processo de abertura aos diferentes canais de participação social e política, o feminismo também se caracterizou por iniciar um diálogo com o Estado, sobretudo a partir de 1982, com a criação do Conselho Estadual da Condição Feminina, em São Paulo. Em 1985, surge a primeira Delegacia Especializada da Mulher.

Para muitas, isto significou um enorme perigo de institucionalização dos movimentos feministas, ameaçados de ser absorvidos pelo Estado "pós-autoritário", mas ainda machista, enquanto outras julgaram os benefícios que daí poderiam resultar. Assim, se de um lado foram implementados determinados programas de ação como o PAISM - Plano de Assistência Integral à Saúde da Mulher - em 1984, a partir das propostas feministas de cuidados com o corpo e a saúde, de outro, várias feministas apontaram para as dificuldades de implementação efetiva do programa, que não contava com o apoio necessário do Estado.

Questões de gênero

Sem dúvida, são enormes as conquistas realizadas pelos feminismos em todos os campos da vida social, ao longo dessas décadas, especialmente no que se refere à aceitação das mulheres no mercado de trabalho e ao seu reconhecimento profissional.

Além disso, as mulheres têm reivindicado cada vez mais seus direitos de cidadania e aberto novas formas e espaços de luta. Cresceram e têm crescido os grupos feministas, como o Coletivo das Mulheres Negras da Baixada Santista, o Geledés - Instituto da Mulher Negra e o Criola, que defendem a causa das mulheres negras. Surgiram inúmeras ONGS feministas, das quais se destacam a REDEH - Rede de Desenvolvimento Humano, o CFEMEA - Centro Feminista de Estudos e Assessoria, o SOF- Sempre Viva Organização Feminista e a União das Mulheres, em São Paulo, entre outras. Inúmeros núcleos de pesquisas sobre as mulheres e as relações de gênero têm impulsionado pesquisas não só sobre as questões femininas, mas direcionadas também para os estudos da masculinidade, nas universidades brasileiras.

Deste trabalho, resultam algumas importantes publicações, como a Revista de Estudos Feministas, atualmente vinculada à Universidade Federal de Santa Catarina e os Cadernos Pagu, na Universidade Estadual de Campinas. Enfim, as mulheres se afirmam no mundo público, revelando uma criatividade e uma potencialidade indiscutíveis, feminizando indubitavelmente a cultura ocidental.

Por outro lado, não há como negar o fato de que todas as conquistas arduamente ganhas ao longo dessas últimas décadas pelos feminismos não estão consolidadas. Ao contrário, são continuamente ameaçadas por pressões machistas as mais conservadoras. Uma das principais queixas das "novas mulheres", em geral, é a dupla jornada do trabalho e o acirramento da competição no mundo masculino.

As duas questões não podem ser dissociadas, se considerarmos que a exigência da qualidade do trabalho feminino ainda é muito maior do que a que se dá em relação aos homens. As mulheres ainda pagam um alto preço por participarem da vida pública, como continuam a denunciar as feministas. Na verdade, a libertação feminina acarretou um aumento muito grande do trabalho feminino, especialmente para as casadas ou com filhos.

A guerra entre os sexos não terminou e, aliás, se acentua nos novos fronts: o profissional e o afetivo.

Contudo, e a despeito do pessimismo suscitado pelo conservadorismo de nossos tempos, os feminismos, seja enquanto modo de pensamento, seja enquanto conjunto de práticas políticas, sociais e sexuais, tem contribuído enormemente para a crítica cultural contemporânea. Para além da desconstrução de configurações ideológicas, conceituais, políticas, sociais e sexuais que organizam nosso mundo, os feminismos deram visibilidade às formas perversas da exclusão que operam no mundo público.

Ao mesmo tempo, propuseram formas alternativas de organização social e sexual fundamentais para a construção de relações mais igualitárias não apenas entre os gêneros, já que se trata fundamentalmente da construção de um novo conceito de cidadania, num campo em constante mutação. Finalmente, há que se destacar a enorme contribuição feminista à ciência, introduzindo as discussões não apenas relativas às mulheres, mas ampliadas às questões do gênero, e mais do que isso, transformando radicalmente o modo de pensamento, com suas problematizações diferenciadas.

A observadora já pode se retirar, percebendo que a "mulher pública" no Brasil do século 21 deixou de referir-se à prostituta, associação, aliás, da qual atualmente quase ninguém mais se lembra...

Fonte: www.unb.br

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