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Fernão Dias Pais

Célebre bandeirante brasileiro nascido na vila de São Paulo de Piratininga, conhecido como o caçador de esmeraldas.

Descendente dos primeiros povoadores da capitania de São Vicente, começou a projetar-se como bandeirante após o desbravamento dos sertões que hoje constituem os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (1638).

Participou da expedição que expulsou os holandeses das vilas do litoral, ameaçando desembarcar em São Vicente (1640).

Exerceu várias funções na câmara de São Paulo e teve papel saliente na reintegração dos jesuítas que, expulsos (1640), permaneceram durante 13 anos afastados da vila.

Na bandeira das esmeraldas, a grande expedição associada a seu nome, partiu de São Paulo (1674) e da qual participaram seu genro, Manuel de Borba Gato, e os filhos Garcia Rodrigues Pais e José Dias Pais. Este último conspirou contra o pai, que o enforcou a título de exemplo para seus comandados.

Durante sete anos o bandeirante explorou extensa área do território das Minas Gerais, a partir das cabeceiras do rio das Velhas, seguindo sempre rumo ao norte até a zona do Serro Frio, onde jazia o ouro, logo depois descoberto pelos paulistas.

Não descobriu as cobiçadas pedras verdes, pois verificou-se que eram turmalinas as amostras de seu achado em Vupabuçu, no entanto, abriu o caminho para a segunda e grande etapa do bandeirismo, a da conquista do ouro e do diamante.

Vitimado pela malária, morreu no arraial de Sumidouro, próximo a Sabará, MG.

Fonte: www.dec.ufcg.edu.br

Fernão Dias Pais

No século XVII, ao norte de Minas Gerais, ficava uma serra muito alta ou Serra Resplandecente, assim chamada porque, quando o Sol ao nascer se projetava sobre ela, a montanha começava a brilhar, cheias de cintilações verdes. Tal notícia chegou a São Paulo, à Bahia e a Portugal.

Os reis de Portugal, ávidos por riquezas, prometeram céus e terras àqueles que descobrissem a tão famosa serra. Lá sim, é que havia esmeraldas, ao alcance da mão, tal qual cascalho em beira de rio.

Muitos bandeirantes, desejosos de se tornarem nobres, resolveram sair à procura da Serra Resplandecente. Era claro que a descoberta ficaria pertencendo ao rei de Portugal, único dono de tudo que era encontrado nas terras do Brasil. Mas seu descobridor, ganharia prestígio e um título de nobreza. Naquela época, ser fidalgo era uma inspiração que enlouquecia muitos brasileiros.

Entretanto, uma expedição deste tamanho, não era obra para qualquer um, pois era muito dispendiosa. Foi então que, Fernão Dias Pais, já sexagenário, mas muito rico e poderoso, aceitou o maior desafio de sua vida. Investido pelo rei com o título de Governador das Esmeraldas, dedicou três anos apenas aos preparativos da expedição, financiada com seus próprios recursos.

Em 21 de julho de 1674, com longas barbas brancas, que denunciavam seus já 66 anos, partiu de São Paulo à frente de 674 homens.

Vagou por regiões desconhecidas e perigosas, semeando vilarejos pelo caminho e ajudando a expandir o Centro-Oeste as fronteiras do território brasileiro. Em meio a marchas e contramarchas, porém, os anos escoavam sem nenhuma riqueza fosse encontrada. O desânimo do grupo era geral. Muitos morriam, vítimas da fome ou de febres fulminantes. Outros desertavam, minados pelo esforço e pelas privações da busca infrutífera. Fernão Dias Pais, entretanto, obcecado por seu sonho, não aceitava desistir. Pelo contrário, escrevia a sua mulher, pedindo mais alimentos, pólvora, roupas e remédios. Maria Betim vendeu as terras que restavam, empenhou as jóias, enfronhou-se na pobreza, só para contentar o marido.

Certa noite, uma índia acordou o bandeirante e avisou-lhe que um grupo tinha se reunido para tramar a sua morte. Sem ser notado, Fernão aproximou-se dos conspiradores e escutou a conversa. Na manhã seguinte, mandou enforcar o líder da rebelião: José Dias Pais, seu próprio filho.

Incansável, Fernão Dias continuou a marcha com seu outro filho, Garcia Rodrigues Pais, e seu genro e amigo, Borba Gato. Avançou pelas serras, chegando ao Vale do Jequitinhonha, no norte mineiro.

Chegando as cercanias da lagoa Vupabuçu, que ficava no sopé da tão sonhada Serra Resplandecente, um índio mapaxó lhe avisou que não era permitido que os civilizados chegassem até lá. O bandeirante quis saber o motivo e o índio respondeu:

-"A Uiara mora nas águas claras da Lagoa Vupabuçu. Seu canto seduzia os guerreiros indígenas. Nas noites de Cairê (Lua Cheia), ela sobia à flor das águas e se põe a cantar. Atraídos por seus cânticos os guerreiros chegavam à margem da lagoa e eram puxados para o fundo, de onde eles nunca mais voltavam. Foi então, que os índios mapaxós, pediram ao Deus da Guerra (Macaxera), que salvasse seus jovens guerreiros. O Deus Macaxera fêz a Uiara dormir e mandou que os mapaxós vigiassem o seu sono e a sua vida. Seus cabelos eram verdes do limo da água que se encontra no fundo da lagoa. Esses cabelos, muito longos, entraram pela terra e, em contato com a terra viraram pedra.

Mas o Deus da Guerra ainda avisou, que a vida da Uiara estava em seus cabelos. Um fio a menos, significa um dia de vida que ela perderá. Arrancar suas pedras verdes acordará a Uiara e ela poderá morrer. E, se ela morrer, uma grande desgraça poderá acontecer!"

Fernão Dias Pais, entretanto, não acreditava em lendas, muito menos em coisas do outro mundo. Por isso, não levou a sério o aviso do índio e mandou seus homens arrancarem os cabelos verdes da Mãe Uiara, sem dó nem piedade. O importante era não voltar de mãos vazias.

Pouco depois do bandeirante apropriar-se das pedras verdes, uma febre abate o desbravador. Tremores sacodem todo o seu corpo. Aos 73 anos, ele agoniza no sertão mineiro. Morre apertando entre as mãos um punhado de pedras, consolado com o sucesso de sua empreitada. Não sabe que as pedras verdes não possuem valor, pois são apenas turmalinas. Para os índios, sua morte foi atribuída a Tupã, como castigo por ter retirado um pouco dos cabelos de Uiara.

Entretanto, foi Fernão Dias Pais que abriu o caminho para a descoberta do ouro.

Fonte: www.rosanevolpatto.trd.br

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