
Estátua do bandeirante no Museu Paulista
Fernão Dias Pais Leme (São Paulo, c. 1608 — sertão de Minas Gerais, provavelmente Sumidouro, em 1681) foi um bandeirante paulista. Ficou conhecido como "O Caçador de Esmeraldas".
Desbravador dos sertões do Brasil, era oriundo de família de antigos paulistas, filho de Pedro Dias Leme e Maria Leite. Seu irmão Pascoal Leite Pais foi também bandeirante.
Desde 1660 havia ajudado a reconstrução do mosteiro de São Bento, onde obteve jazigo para si e seus descendentes.
Em 1626 assumiu o cargo de Fiscal de Rendas da câmara municipal.
Integrou a famosa Bandeira de Antônio Raposo Tavares ao sul do Brasil em 1638. Defensor da expulsão dos jesuítas, que não concordavam com a escravização dos índios, partiu em nova Bandeira, de 1644 a 1646, desta vez pelo sertão paulista.
Em 1650 administrou a construção do Mosteiro de São Bento, na cidade de São Paulo, sendo eleito juiz ordinário no ano seguinte.
Em 1653 promoveu uma reconciliação entre paulistas e jesuítas, mas em 1661 empreendeu novas expedições ao sertão em busca de índios para escravizar. Penetrou o Sul «até o centro da serra de Apucarana, no «Reino dos índios da nação Guaianás». Retornou em 1665 com mais de 4 mil índios, mas, sem conseguir vendê-los, passou a administrá-los numa aldeia às margens do Rio Tietê.
Casou com Maria Garcia Rodrigues Betting ou Betim, filha de Garcia Rodrigues Velho e de Maria Betting, Betim ou Betinck, que as três grafias são encontradas.
Desde que uma Entrada pelo Espírito Santo, chefiada por Marcos de Azeredo, dito o Velho, trouxe amostras de esmeraldas, em 1611, havia renascido o sonho de encontrar tais pedras. Em 1671 Fernão Dias Pais recebeu ordens do governador Afonso Furtado de Castro para penetrar no sertão em busca das esmeraldas da mítica serra do Sabarabuçu.
Sua Bandeira foi precedida pela de Bartolomeu da Cunha Gago e Matias Cardoso de Almeida, enviados com a missão de plantar roças de mantimentos. Partiu de São Paulo somente em 21 de julho de 1674, já com 66 anos, acompanhado mais de 600 homens (cerca de 40 brancos e o restante, índios), entre eles seu filho, Garcia Rodrigues Pais, e seu genro, Borba Gato, além de outros sertanistas experientes.
Depois de percorrer por quatro anos um longo trecho dentro das terras que pertenceriam ao atual estado de Minas Gerais, tendo fundado diversos arraiais, encontraram um lote de pedras verdes. As pedras não eram esmeraldas, mas turmalinas, mas Fernão Dias faleceu de febre no meio da mata, sem tomar conhecimento deste fato.
Seus ossos foram sepultados no Mosteiro de São Bento em São Paulo, do qual havia sido financiador. Na pequena cidade de Ibituruna, no Sul de Minas, existe até hoje um marco de pedra que se atribuiu ao Bandeirante, que deixou sua herança em inúmeras outras localidades mineiras, como Pouso Alegre, onde existe uma estátua de pedra ao lado da Rodovia que leva o seu nome.
As Câmaras de Parnaíba, São Vicente, Santos, São Paulo e Taubaté passaram atestado de seus serviços, a primeira em 20 de dezembro de 1681.
Conforme demonstrado no volume dedicado à Família Leme em sua «Genealogia Paulistana» de nove columes, Luís Gonzaga da Silva Leme demonstra que Fernão Dias Pais descende efetivamente dos Leme, apesar de não usualmente assinar o nome.
Estes, por sua vez, seriam descendentes de um Martim Lems, flamengo dos Países Baixos que, cansado das lutas contra a Espanha, se mudara para Lisboa, constituindo família em Portugal. Um ou mais filhos de Martim, portugueses de nascimento, migraram para a Ilha da Madeira e de lá a família se dirigiu para o Brasil, especialmente para a Capitania de São Vicente. Com a fundação da Vila de São Paulo, os Leme subiram a Serra do Mar e se transformaram numa das mais importantes famílias paulistanas. É desse tronco que descende Fernão Dias e muitos outros Leme que existem pelo Brasil, principalmente no interior de São Paulo e no Sul de Minas Gerais.
O espírito guerreiro do "Caçador de Esmeraldas" se fez presente no século XX: Honório Lemes, que se dizia descendente do Bandeirante, conhecido no Rio Grande do Sul como "O Leão de Caverá" ou "O Tropeiro da Liberdade", lutou na Revolução Legalista de 1923 com muita bravura, vindo a falecer em 1930 com 65 anos de idade, pouco antes do começo da Revolução de 1930.
O seu filho mais famoso foi Garcia Rodrigues Pais, que abriu o chamado Caminho Novo do Rio de Janeiro entre a baía de Guanabara e as Minas Gerais.
Um dos seus bisnetos é o conhecido Beato Frei Galvão
Outro de seus descendentes foi seu trineto Pedro Dias Pais Leme da Câmara, o barão de São João Marcos.
Fonte: pt.wikipedia.org