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Ferrari Testarossa

O antecessor: derivado do Berlinetta Boxer de 1971, o 512 BBi apresentava claro envelhecimento, embora ainda conquistasse pelo desempenho e carisma O antecessor: derivado do Berlinetta Boxer de 1971, o 512 BBi apresentava claro envelhecimento, embora ainda conquistasse pelo desempenho e carisma

A Ferrari já sabia que precisava de um modelo que resgatasse a identidade da marca. Desde 1978 estudava um sucessor para o 512 BBi. Para desenvolver o projeto (tipo F110 AB), o comendador Enzo convocou uma equipe de quatro renomados engenheiros: Angelo Bellei, Nicola Materazzi, Maurizio Rossi e Leonardo Fiovaranti, este último do estúdio Pininfarina, que desenhara verdadeiras lendas como o 365 GTB/4 "Daytona".

O novo Ferrari seguiria a concepção mecânica do Berlinetta Boxer, como motor central-traseiro de 12 cilindros opostos e chassi tubular de aço. Entre 1979 e 1982 foram desenvolvidos vários protótipos do novo motor (tipo F113A), derivado do motor 312B, e da nova carroceria, que os engenheiros do centro de pesquisa do Estúdio Pininfarina denominaram BBN (Berlinetta Boxer New).

Os cabeçotes vermelhos, visíveis nos extremos superior e inferior da imagem, são a origem do nome do Testarossa, que já fora utilizado no 250 Testa Rossa da década de 1950 Os cabeçotes vermelhos, visíveis nos extremos superior e inferior da imagem, são a origem do nome do Testarossa, que já fora utilizado no 250 Testa Rossa da década de 1950

Em 1982 era construído o primeiro protótipo completo, mas não continha adereços de conforto em seu interior, apenas componentes mecânicos. Ao todo, foram feitas 30 unidades de teste, sendo 12 completas e o restante apenas para testar partes e peças individuais.

V12 a 180 graus

O resultado foi um cupê -- ou berlinetta, como os chamam os italianos -- de 4,48 metros de comprimento, 1,97 m de largura e 1,13 m de altura, pesando 1.500 kg. Possuía câmbio manual de cinco marchas e seu motor de 5,0 litros, com 12 cilindros opostos (ou V12 a 180º, como dizia o comendador), adotava duplo comando em cada cabeçote e 48 válvulas, resultando em 390 cv e um torque de 49 m.kgf. A injeção era Bosch K-Jetronic, mecânica. Tudo isso fazia com que o Testarossa alcançasse a velocidade máxima de 290 km/h, com aceleração de 0 a 100 km/h em 5,3 segundos.

Seu desenho era revolucionário. As enormes entradas de ar laterais, para alimentar os radiadores, possuíam aletas que iniciavam nas portas e chegavam ao pára-lama traseiro. Essas aletas foram colocadas devido à exigência de alguns mercados, em que se acreditava que as tomadas de ar expostas poderiam causar acidentes. As lanternas traseiras também apresentavam visual inédito: pela primeira vez um Ferrari deixava de usar as tradicionais lanternas duplas redondas, passando a usar modelos retangulares camuflados por uma grade.

As formas retilíneas e imponentes marcaram o Testarossa como poucos Ferraris conseguiram; as lanternas traseiras ficavam por trás de uma grade negra As formas retilíneas e imponentes marcaram o Testarossa como poucos Ferraris conseguiram; as lanternas traseiras ficavam por trás de uma grade negra

O chassi tubular -- o mesmo do BB, mas alongado e amplamente reestudado -- garantia boa rigidez à torção e a largura elevada, aliada à baixa altura, garantia boa estabilidade em alta velocidade. O coeficiente aerodinâmico (Cx) não era brilhante, 0,36, talvez por ter a sustentação prioridade no desenho em relação à fluidez do ar. As suspensões eram de braços sobrepostos, a traseira com duas molas por lado, para lidar com o maior peso.

O interior era bastante luxuoso para um Ferrari, equipado com ar-condicionado, bancos revestidos em couro com várias regulagens, painel bem-equipado e com boa visualização dos instrumentos. Sistema de áudio, porém, não existia, pois para a marca do cavalinho empinado o próprio motor já produz a música para o motorista -- ou piloto.

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