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Feudalismo

Feudalismo

A queda de Roma e as invasões bárbaras provocaram na Europa a substituição das relações políticas entre o Estado e os cidadãos pela vinculação pessoal entre senhores e vassalos.

Entende-se por feudalismo o sistema social, econômico e político que se desenvolveu no território europeu, principalmente entre os séculos IX e XII. Como termo genérico, o conceito de feudalismo se aplica a todas as sociedades nas quais o poder central é reduzido e cuja economia se baseia no trabalho de camponeses submetidos a um regime de servidão. Várias das grandes civilizações do mundo passaram por um período feudal no curso de sua história. Alguns desses feudalismos, como o japonês, têm numerosos pontos de comparação com o feudalismo europeu.

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Efígie eqüestre de Guido Riccio da Fogliano

Efígie eqüestre do senhor feudal e guerreiro Guido Riccio da Fogliano, de Simone Martini. (Museu Cívico, Siena.)

O sistema feudal tem origem em instituições tanto do mundo romano quanto do germânico. De fato, notam-se no Império Romano, desde a crise do século III, traços que conduziriam ao feudalismo. Os ataques bárbaros, as lutas internas e todo o processo de desintegração da ordem antiga e sua transformação numa sociedade predominantemente agrária levaram a uma grave depressão econômica, com contínua depreciação da moeda. As exigências, pelo Estado, de recursos para enfrentar enormes despesas resultaram num excesso de impostos. As isenções concedidas aos grandes proprietários e à Igreja, após Constantino, aumentaram o peso sobre a massa contribuinte. Um dos resultados dessa situação foi a tendência à fuga dos impostos e muitas pessoas abandonavam o trabalho em busca de outro tipo de vida. Para impedir isso, o Estado interferiu na ordem socioeconômica, prendendo coercitiva e hereditariamente as pessoas à profissão, por meio dos collegia e, no caso dos camponeses, do colonato.

Visando aliviar sua situação, indivíduos ou grupos começaram a recorrer ao patrocinium potentiorum, isto é, à proteção dos poderosos, noção familiar ao mundo romano, dada a antiga instituição da clientela. Os camponeses entregavam suas pequenas propriedades a um grande proprietário, em troca de proteção, conhecida como recomendação, e dele recebiam de volta a terra, sob a forma de um precarium; deveriam trabalhá-la para o protetor, ficando presos a ela. Na sociedade germânica, os jovens guerreiros, os comites, associavam-se sob a liderança de um chefe, o princeps, de quem recebiam armas, alimento e uma parte dos despojos dos exércitos inimigos derrotados. A base do comitatus era a fidelidade.

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Pátio do castelo de Salzburgo, na Áustria

Pátio do castelo de Salzburgo, na Áustria. A dispersão do poder entre os muitos senhores foi a principal característica política do feudalismo, como a relação de vassalagem foi o principal traço social.

Às vezes o feudo - palavra que no século X passou a substituir a palavra benefício - se originava da concessão feita por um rei a um nobre ou de um nobre a outro, mediante o cumprimento de certas obrigações; o que concedia a terra era o suserano, o que a recebia com obrigações, o vassalo. Em outras ocasiões, administradores da coroa, os condes, apropriavam-se das atribuições reais e acabavam convertendo-se em donos do território que antes apenas administravam.

A partir do século X combinavam-se, no sistema feudal, a propriedade da terra, a recomendação, o serviço militar e a fidelidade. Com o passar do tempo a Europa foi coberta por uma verdadeira rede de feudos, pois cada suserano tornava-se vassalo de um outro mais forte, sendo então o rei o “suserano dos suseranos”. O vassalo podia transferir parte de seu feudo para outrem, desde que obtivesse permissão de seu suserano, e dessa forma tornava-se ele também suserano. O ato pelo qual um homem se colocava sob a proteção de outro era solene e recebia o nome de homenagem (de homem); nele o vassalo se ajoelhava ante o senhor e prestava juramento de fidelidade; e o senhor o investia como vassalo ao entregar-lhe um objeto simbólico, por exemplo uma espada. No feudalismo o vínculo era pessoal, já que unia o suserano e seu vassalo; e de direito real, pois vinculava as terras de um e de outro.

Propriedade feudal

Miniatura correspondente ao mês de março, parte do livro “As riquíssimas horas do duque de Berry”, de 1411-1416. Mostra a propriedade feudal, com o servo trabalhando as terras e o castelo do senhor ao fundo. (Museu de Chantilly, França.)
Miniatura correspondente ao mês de março, parte do livro “As riquíssimas horas do duque de Berry”, de 1411-1416. Mostra a propriedade feudal, com o servo trabalhando as terras e o castelo do senhor ao fundo. (Museu de Chantilly, França.)

A sociedade feudal possuía uma estrutura piramidal. No ápice estavam o rei ou imperador e o papa; mais abaixo os ocupantes das antigas circunscrições administrativas, os duques, condes ou viscondes; depois vinham os barões, ou “senhores castelões”; abaixo na hierarquia apareciam outros nobres, cavaleiros e o clero, isentos do pagamento de taxas; na base, as classes inferiores, compostas por camponeses livres e servos, sobre os quais recaíam todos os impostos.

A posse do feudo era limitada à nobreza, excetuando-se entretanto os sacerdotes, as mulheres e crianças. Houve uma diminuição do poder real, pois, muitas vezes, o vassalo obedecia a seu suserano antes de obedecer ao rei. A realeza era o centro, em torno do qual se agrupavam os feudos. Além dos senhores laicos havia os eclesiásticos; arcebispos, bispos e abades eram não apenas clérigos mas senhores feudais, participantes da vida característica da nobreza. A própria igreja era grandemente feudalizada. Os senhores laicos, em troca da homenagem, investiam bispos e abades em suas funções eclesiásticas e nas vantagens temporais que as acompanhavam. Em troca, os bispos e abades prestavam serviços, inclusive militares. Depois da reforma gregoriana do século XI, os sacerdotes continuaram a ser investidos em seus feudos pela autoridade laica mas a investidura religiosa passou à igreja.

Na França ocorreu o sistema mais desenvolvido. A partir do século XII, entretanto, o feudalismo se viu sob o ataque de novas forças sociais. Entre as causas de sua gradual modificação, até o desaparecimento por volta do fim do século XIV, estão: as cruzadas, uma vez que muitos senhores tiveram de criar exércitos permanentes, o que os levou a se encherem de dívidas; o fortalecimento do poder real; e a centralização administrativa, decorrente dos outros dois fatores.

Regime predominante na ordem política e social de grande parte da Europa, na Idade Média, e caracterizado principalmente pela limitação do poder central, com o maior estreitamento da autoridade e da propriedade da terra, numa relação, assim, de grande dependência entre vassalos e suseranos. Uma das suas causas mais importantes foi a necessidade de proteção, decorrente do estado geral de insegurança motivado pelas invasões do século X. Muito se discute a origem das instituições feudais: romana, para uns; germânica ou celta, para outros, viria, ainda, a decorrer de influxo combinado de uns e de outros elementos. Entende-se por feudo a concessão recebida, por vassalo nobre, de um suserano, também nobre, mediante o cumprimento de certas obrigações.

Originou-se, principalmente, de duas instituições: o benefício e a recomendação. Já entre os romanos ocorriam o precarium e o patrocinium, normas características do sistema feudal. O precarium seria a origem do benefício, pois, como este, em dar o proprietário de uma terra permissão a outro homem ( quase sempre como recompensa de bons serviços ) que a ocupasse e explorasse sob certas condições.

De início, era outorgado sem qualquer garantia. Dada a escassez de moeda, costumavam os reis conceder um benefício a determinados funcionários, em paga de serviços tais como administração de territórios, recrutamento de soldados, cobrança de impostos de que resultou, para estes, rápida e considerável ampliação de poderes. Com o tempo, alcançarão os beneficiários a hereditariedade de seus domínios e, depois, a das suas funções. Continuavam, porém, obrigados ao cumprimento de certos deveres para com o senhor, isto é, o cessionário, em troca das vantagens obtidas. Daí em diante, não mais tivéramos reis autoridade sobre esses funcionários, que não podiam demitir. Dá -se, nos séculos, a substituição da palavra ( benefício) pela palavra ( feudo) . Era recomendação o ato pelo qual um homem se colocava sob a proteção de certos serviços, principalmente militar.

Entregava o recomendado suas terras ao senhor mais poderoso, a quem pedia proteção, e este imediatamente as desenvolvia, conservado apenas o senhorio. Na origem da recomendação, vêem os melhores autores o ( patrocinium) romano, ou situação de dependência dos clientes para com os patrícios, e o ( comitatus) dos francos (grupo de guerreiros e seu chefe, com m\'fatuas obrigações de serviço e lealdade). Assim, o vínculo feudal era pessoal porque, decorrendo da recomendação, unia o vassalo a seu suserano; e real porque, devido do benefício, unia as terras de um e outro. A partir do século X , combinavam-se no sistema feudal: a propriedade territorial, a recomendação, o serviço militar e a idéia de fidelidade. Com o tempo, uma rede de feudos cobriu a Europa, pois cada suserano se tornava vassalo de outro, mais forte, sendo o rei o ( seserano dos suseranos) .

Podia o vassalo transferir a outrém parte do feudo recebido e, assim, tornar-se, por sua vez, seserano. Na base da hierarquia feudal estavam os cavaleiros; depois os (senhores castelões) , ou barões; mais alto, os duques, condes ou viscondes, ocupantes das antigas circunscrições administrativas; no ípice, o rei.

Duas formalidades compreendia o contrato de enfeudação: a homenagem, juramento de fidelidade do vassalo, e, da parte do suserano a investidura, ou entrega do feudo. Comprometia-se o primeiro a dar para o segundo: auxílio militar, judiciário e financeiro, sendo este para resgatá -lo quando cativo, dotar sua filha, armar o filho cavaleiro e preparar a guerra. Cabia ao suserano proteger o vassalo e transferir-lhe alguns de seus direitos, tais como arrecadar impostos, fazer a guerra e cunhar moeda. A posse do feudo era limitada á nobreza, excetuando-se, entretanto, os sacerdotes, mulheres e crianças.

Transmitia-se por sucessão ao mais velho dos descendentes masculinos e, na falta destes, aos colaterais. Não podiam ser alienados sem o consentimento do suserano. Os casamentos e as heranças complicaram enormemente os contratos feudais. Observou-se crescente descentralização administrativa e diminuição da autoridade real: o vassalo obedecia o suserano a quem jurara fidelidade, antes de obedecer ao rei a quem não prestara juramento, e só por intermédio daquele obedecia a este. Tornou-se a realeza apenas o centro, em torno do qual se grupavam os feudos. Contribuiu a igreja para a deceminação do Feudalismo, que lhe garantia segurança e facilidade de administração de seu patrimônio te rritorial inalienável. O sistema não foi o mesmo em todos os países da Europa ocidental, tendo sido mais amplamente desenvolvido na França. Entre as causas da gradual modificação do sistema, citam-se as Cruzadas, que obrigaram muitos senhores a seder suas prerrogativas em troca do dinheiro necessário ao custeio dessas expedições; criação dos exércitos permanentes; o fortalecimento do poder real e conseqüente centralização administrativa.

Fonte: br.geocities.com

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Formação

A formação do feudalismo, desenvolveu-se num longo período, que engloba a crise do Império Romano a partir do século III, a formação dos Reinos Bárbaros e a desagregação do Império Carolíngeo no século IX.

Introdução

A formação do feudalismo, na Europa Ocidental, envolveu uma série de elementos estruturais, de origem romana e germânica, associados aos fatores conjunturais, num longo período, que engloba a crise do Império Romano a partir do século III, a formação dos Reinos Bárbaros e a desagregação do Império Carolíngeo no século IX.

A Crise Romana

A partir do século III a crise do Império romano tornou-se intensa e manifestou-se principalmente nas cidades, através das lutas sociais, da retração do comércio e das invasões bárbaras. Esses elementos estimularam um processo de ruralização, envolvendo tanto as elites como a massa plebéia, determinando o desenvolvimento de uma nova estrutura sócio econômica, baseada nas Vilae e no colonato.

As transformações da estrutura produtiva desenvolveram-se principalmente nos séculos IV e V e ocorreram também mesmo nas regiões onde se fixaram os povos bárbaros, que, de uma forma geral, tenderam a se organizar seguindo a nova tendência do Império, com uma economia rural, aprofundando o processo de fragmentação.

Em meio a crise, as Vilae tenderam a se transformar no núcleo básico da economia. A grande propriedade rural passou a diversificar a produção de gêneros agrícolas, além da criação de animais e da produção artesanal, deixando de produzir para o mercado, atendendo suas próprias necessidades.

Foi dentro deste contexto que desenvolveu-se o colonato, novo sistema de trabalho, que atendia aos interesses dos grandes proprietários rurais ao substituir o trabalho escravo, aos interesses do Estado, que preservava uma fonte de arrecadação tributária e mesmo aos interesses da plebe, que migrando para as áreas rurais, encontrava trabalho.

O Colono

O colono é o trabalhador rural, colocado agora em uma nova situação. Nas regiões próximas à Roma a origem do colono é o antigo plebeu ou ainda o ex-escravo, enquanto nas áreas mais afastadas é normalmente o homem de origem bárbara, que, ao abandonar o nomadismo e a guerra é fixado à terra.

O colono é um homem livre por não ser escravo, porém está preso à terra.

A grande propriedade passou a dividir-se em duas grandes partes, ambas trabalhadas pelo colono; uma utilizada exclusivamente pelo proprietário, a outra dividida entre os colonos. Cada colono tinha a posse de seu lote de terra, não podendo abandona-lo e nem ser expulso dele, devendo trabalhar na terra do senhor e entregar parte da produção de seu lote.

Dessa maneira percebe-se que a estrutura fundiária desenvolve-se de uma maneira que pode ser considerada como embrionária da economia feudal.

É importante notar que durante todo o período de gestação do feudalismo ainda serão encontrados escravos na Europa, porém em pequena quantidade e com importância cada vez mais reduzida.

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gravura que retrata o trabalho do camponês no feudo

As Invasões Bárbaras

Os povos “bárbaros”, ao ocuparem parte das terras do Império Romano, contribuíram com o processo de ruralização e com a fragmentação do poder, no entanto assimilaram aspectos da organização sócio econômica romana, fazendo com que os membros da tribo se tornassem pequenos proprietários ou rendeiros e, com o passar do tempo, cada vez mais dependentes dos grandes proprietários rurais, antigos líderes tribais.

O colapso do “Mundo Romano” possibilitou o desenvolvimento de diversos reinos de origem bárbara na Europa, destacando-se o Reino dos Francos, formado no final do século V, a partir da união de diversas tribos francas sob a autoridade de Clóvis, iniciador da Dinastia Merovíngea.

A aliança das tribos, assim como a aliança de Clóvis com a Igreja Católica impulsionou o processo de conquistas territoriais, que estendeu-se até o século IX e foi responsável pela consolidação do “beneficium”, que transformaria a elite militar em elite agrária.
O “Beneficium” era uma instituição bárbara, a partir da qual o chefe tribal concedia certos benefícios a seus subordinados, em troca de serviços e principalmente de fidelidade. Em um período de crise generalizada, marcada pela retração do comércio, da economia monetária e pela ruralização, a terra tornou-se o bem mais valioso e passou a ser doada pelos reis a seus principais comandantes.

O Império Carolíngeo

Durante o reinado de Carlos Magno (768 - 814), a autoridade real havia se fortalecido, freando momentaneamente as tendências descentralizadoras. Como explicar então a formação do feudalismo, se o poder real é fortalecido? Primeiro a centralização deve ser vista dentro do quadro de conquistas da época, comandadas pelo rei, reforçando sua autoridade, mas ao mesmo tempo, preservando o beneficium.

Com o Estado centralizado, a cobrança das obrigações baseadas na fidelidade ainda são eficientes e esse função é destinada aos “Missi Dominici” ( enviados do rei). Segundo, a Igreja Católica já era uma importante instituição, que, ao apoiar as conquistas do rei, referenda sua autoridade e poder, ao mesmo tempo que interfere nas relações sociais, como demostra o “Juramento de Fidelidade” instituição de origem bárbara que passou a ser realizada sob “os olhos de Deus” legitimando-a como representativa de sua vontade.

No entanto é importante perceber as contradições existentes nesse processo: a Igreja construiu sua própria autoridade e como grande proprietária rural tendeu, em vários momentos, a desvincular-se do poder central.

As Relações de Suserania e Vassalagem

As relações de subordinação desenvolveram-se desde o século V, no entanto foi durante o reinado de Carlos Magno que tomaram sua forma mais desenvolvida. O incentivo aos laços de vassalagem num primeiro momento fortalecia o poder real, pois direta ou indiretamente estendia-se a toda a sociedade, no entanto, com o passar do tempo o resultado tornou-se oposto na medida em que as relações pessoais foram reforçadas, diminuindo portanto a importância do Estado.

Economia Feudal

A economia feudal possuía base agrária, ou seja, a agricultura era a atividade responsável por gerar a riqueza social naquele momento. Ao mesmo tempo, outras atividades se desenvolviam, em menor escala, no sentido de complementar a primeira e suprir necessidades básicas e imediatas de parcela da sociedade. A pecuária, a mineração, a produção artesanal e mesmo o comércio eram atividades que existiam, de forma secundária.

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Como a agricultura era a atividade mais importante, a terra era o meio de produção fundamental. Ter terra significava a possibilidade de possuir riquezas ( como na maioria das sociedades antigas e medievais), por isso preservou-se a caráter estamental da sociedade. Os proprietários rurais eram denominados Senhores Feudais, enquanto que os trabalhadores camponeses eram denominados servos.

O feudo era a unidade produtiva básica. Imaginar o feudo é algo complexo, pois ele podia apresentar muitas variações, desde vastas regiões onde encontramos vilas e cidades em seu interior, como grandes “fazendas” ou mesmo pequenas porções de terra. Para tentarmos perceber o desenvolvimento socioeconômico do período, o melhor é imaginarmos o feudo como uma grande propriedade rural. O território do feudo era dividido normalmente em três partes: O Domínio, terra comum e manso servil
O Domínio é a parte da terra reservada exclusivamente ao senhor feudal e trabalhada pelo servo. A produção deste território destina-se apenas ao senhor feudal. Normalmente o servo trabalha para o senhor feudal, nessa porção de terra ou mesmo no castelo, por um período de 3 dias, sendo essa obrigação denominada corvéia.

Terra comum e a parte da terra de uso comum. Matas e pastos que podem ser utilizadas tanto pelo senhor feudal como pelos servos. É o local de onde retiram-se lenha ou madeira para as construções, e onde pastam os animais.

Manso servil era a parte destinada aos servos. O manso é dividido em lotes (glebas) e cada servo tem direito a um lote. Em vários feudos o lote que cabe a um servo não é contínuo, ou seja, a terra de vários servos são subdivididas e umas intercaladas nas outras. De toda a produção do servo em seu lote, metade da produção destina-se ao senhor feudal, caracterizando uma obrigação denominada talha.

Esse sistema se caracteriza pela exploração do trabalho servil, responsável por toda a produção. O servo não é considerado um escravo, porém não é um trabalhados livre. O que determina a condição servil é seu vínculo com a terra, ou seja, o servo esta preso a terra. Ao receber um lote de terra para viver e trabalhar, e ao receber (teoricamente) proteção, o servo esta forçado a trabalhar sempre para o mesmo senhor feudal, não podendo abandonar a terra. Essa relação, definiu-se lentamente desde a crise do Império Romano com a formação do colonato.

Além da corvéia e da talha, obrigações mais importantes devidas pelo servo ao senhor, existiam outras obrigações que eram responsáveis por retirar dos servo praticamente tudo o que produzia.

Tradicionalmente a economia foi considerada natural, de subsistência e desmonetarizada. Natural por que baseava-se em trocas diretas, produtos por produto e diretamente entre os produtores, não havendo portanto um grupo de intermediários (comerciantes); de subsistência por que produzia em quantidade e variedade pequena, além de não contar com a mentalidade de lucro, que exigiria a produção de excedentes; desmonetarizada por não se utilizar de qualquer tipo de moeda, sendo que havia a troca de produto por produto.

Apesar de podermos enxergar essa situação básica, cabem algumas considerações: o comércio sempre existiu, apesar de irregular e de intensidade muito variável. Algumas mercadorias eram necessárias em todos os feudos mas encontradas apenas em algumas regiões, como o sal ou mesmo o ferro. Além desse comércio de produtos considerados fundamentais, havia o comércio com o oriente, de especiarias ou mesmo de tecidos, consumidos por uma parcela da nobreza (senhores feudais) e pelo alto clero. Apesar de bastante restrito, esse comércio já era realizado pelos venezianos.

Mesmo o servo participava de um pequeno comércio, ao levar produtos excedentes agrícolas para a feira da cidade, onde obtinha artesanato urbano, promovendo uma tímida integração entre campo e cidade. “ A pequena produtividade fazia com que qualquer acidente natural (chuvas em excesso ou em falta, pragas) ou humano ( guerras, trabalho inadequado ou insuficiente) provocasse períodos de escassez” (1) Nesse sentido havia uma tendência a auto suficiência, uma preocupação por parte dos senhores feudais em possuir uma estrutura que pudesse prove-lo nessas situações.

A sociedade

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A sociedade feudal era composta por duas classes sociais básicas: senhores e servos. A estrutura social praticamente não permitia mobilidade, sendo portanto que a condição de um indivíduo era determinada pelo nascimento, ou seja, quem nasce servo será sempre servo. Utilizando os conceitos predominantes hoje, podemos dizer que, o trabalho, o esforço, a competência e etc, eram características que não podiam alterar a condição social de um homem.

O senhor era o proprietário dos meios de produção, enquanto os servos representavam a grande massa de camponeses que produziam a riqueza social. Porém podiam existir outras situações: a mais importante era o clérigo. Afinal o clero é uma classe social ou não?

O clero possuía grande importância no mundo feudal, cumprindo um papel específico em termos de religião, de formação social, moral e ideológica. No entanto esse papel do clero é definido pela hierarquia da Igreja, quer dizer, pelo Alto Clero, que por sua vez é formado por membros da nobreza feudal. Originariamente o clero não é uma classe social, pois seus membros ou são de origem senhorial (alto clero) ou servil (baixo clero).

A maioria dos livros de história retrata a divisão desta sociedade segundo as palavras do Bispo Adalberon de Laon: “na sociedade alguns rezam, outros guerreiam e outros trabalham, onde todos formam um conjunto inseparável e o trabalho de uns permite o trabalho dos outros dois e cada qual por sua vez presta seu apoio aos outros” Para o bispo, o conjunto de servos é “uma raça de infelizes que nada podem obter sem sofrimento”. Percebe-se o discurso da Igreja como uma tentativa de interpretar a situação social e ao mesmo tempo justifica-la, preservando-a. Nesta sociedade, cada camada tem sua função e portanto deve obedece-la como vontade divina.

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Na camada superior, “os guerreiros” pode-se perceber uma diferença entre nobres e cavaleiros. Os primeiros descendem das principais famílias do período carolíngeo, enquanto que os demais se tornaram proprietários rurais a partir da concessão de extensões de terras oferecidas pelos nobres. Essa relação era bastante comum, fortalecia os laços entre os membros da elite, mesmo por que os cavaleiros se tornavam vassalos e ao mesmo tempo procuravam imitar o comportamento da nobreza tradicional, adotando sua moral e seus valores. Com o passar do tempo a diferenciação entre nobres e cavaleiros foi desaparecendo; preservou-se no entanto a relação de suserania e vassalagem.

A relação de suserania e vassalagem é bastante complexa. Sua origem remonta ao Reino Franco, principalmente durante o reinado de Carlos Magno e baseia-se na concessão do feudo (beneficium).

Surgem os dois primeiros problemas: Quem esta envolvido nesta relação? e, o que é feudo?

Esta relação é eventual, pode existir ou não, dependendo da vontade ou da necessidade das partes, que são sempre dois senhores feudais; ou seja, é uma relação social que envolve membros da mesma camada social, a elite medieval. O termo feudo originariamente significava “benefício”, algo concedido a outro, e que normalmente era terra, daí sua utilização como sinônimo da “propriedade senhorial”. Suserano é o senhor que concede o benefício, enquanto que vassalo é o senhor que recebe o benefício. Esta relação, na verdade bastante complexa, tornou-se fundamental durante a Idade Média e serviu para preservar os privilégios da elite e materializava-se a partir de três atos: a homenagem , a investidura e o juramento de fidelidade. Normalmente o suserano era um grande proprietário rural e que pretende aumentar seu exército e capacidade guerreira, enquanto o vassalo, é um homem que necessita de terras e camponeses.

O poder

No mundo feudal não existiu uma estrutura de poder centralizada. Não existe a noção de Estado ou mesmo de nação. Portanto consideramos o poder como localizado, ou seja, existente em cada feudo. Apesar da autonomia na administração da justiça em cada feudo, existiam dois elementos limitadores do poder senhorial. O primeiro é a própria ordem vassálica, onde o vassalo deve fidelidade a seu suserano; o segundo é a influência da Igreja Católica, única instituição centralizada, que ditava as normas de comportamento social na época, fazendo com que as leis obedecessem aos costumes e à “ vontade de Deus”. Dessa forma a vida quase não possuía variação de um feudo para outro.

É importante visualizar a figura do rei durante o feudalismo, como suserano-mor, no entanto sem poder efetivo devido a própria relação de suserania e a tendência á auto-suficiência econômica.

Fonte: www.culturabrasil.org

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