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Fibras Alimentares

FIBRAS ALIMENTARES E ALIMENTOS PROBIÓTICOS O importante papel da alimentação saudável na manutenção da saúde e bem-estar da população tem sido comprovado através de inúmeros estudos científicos ao longo dos anos. A ingestão correta e equilibrada de nutrientes variados em quantidades suficientes pode prevenir doenças e proporcionar um estado de bom funcionamento de todas as funções do organismo.

Entre vitaminas, minerais, água e macronutrientes, cada vez mais ganham espaço nas recomendações as fibras alimentares e os alimentos probióticos, uma vez que diversos estudos já evidenciaram seus efeitos benéficos saúde do organismo. Mas qual é exatamente a diferença entre eles? As fibras alimentares, de acordo com as definições mais recentes, consistem em polímeros de carboidratos, não digeríveis no intestino delgado e que estão presentes na parede celular dos vegetais1,2.

São exemplos de fibras alimentares a celulose, a pectina, o amido resistente, a maltodextrina resistente, as gomas e mucilagens, entre outros. Podem ser encontradas nas frutas, hortaliças, leguminosas e grãos integrais.

Os benefícios proporcionados pelas fibras estão relacionados com uma de suas características fisiológicas principais: a não-digestibilidade no intestino delgado. As fibras chegam ao intestino grosso onde são parcial ou totalmente fermentadas pela microbiota ali presente. Importantes produtos dessa fermentação, como os ácidos graxos de cadeia curta, desempenham um papel fisiológico fundamental no organismo1.

Os alimentos ricos em fibra aumentam o tempo de mastigação e ingestão, e também o tempo de esvaziamento gástrico, prolongando a sensação de saciedade2. Além disso, a presença de fibras no intestino grosso em associação com a água é responsável pelo aumento no peso das fezes e melhora de sua consistência (tornando-as mais pastosas), provocando um aumento na freqüência de defecação. Isso diminui o tempo de trânsito intestinal e contribui para a prevenção de distúrbios do intestino grosso, como diverticulite e câncer do intestino grosso1.

Outros benefícios estão relacionados com a ingestão de fibras alimentares, entre eles a diminuição dos níveis circulantes de colesterol e trigliceróis, diminuindo o risco de incidência de doenças coronarianas; e a melhora na sensibilidade de resposta à insulina, diminuindo o risco de desenvolvimento de diabetes do tipo 21,2.

Dietas contendo grandes quantidades de fibras alimentares podem ser volumosas e conter baixo valor energético, o que pode ser inadequado para pessoas muito jovens ou muito idosas. A recomendação de ingestão de fibras preconizada pelo Ministério da Saúde4 é de 25 gramas por dia.

Uma alimentação equilibrada composta por cereais integrais, tubérculos, leguminosas, frutas e hortaliças em quantidades suficientes, certamente atende a essa quantidade determinada como saudável.

Outro tipo de alimento que tem sido apontado como benéfico para o organismo são os chamados probióticos.

A definição atualmente aceita internacionalmente é a sugerida pela FAO/OMS de 2002: “probióticos são organismos vivos que, quando administrados em quantidade adequada, conferem efeito benéfico à saúde do hospedeiro”.

A finalidade de utilização desses microrganismos é de instalar, reforçar ou compensar as funções da microbiota normal residente no trato digestivo. Os efeitos dos microorganismos são específicos de cada linhagem (cepa) e podem atuar tanto na modulação da microbiota intestinal como no sistema imunológico3.

Dentre os efeitos que podem ser observados e atribuídos aos probióticos estão: balanceamento da microflora intestinal, prevenção de diarréias e constipação, estímulo do sistema imunológico, aumento da absorção de minerais, produção de fatores antimicrobianos, aumento da resistência a infecções gastrintestinais, entre outros3.

Os probióticos mais utilizados para o consumo humano são os do gênero Bifidobacterium e Lactobacillus, e estão disponíveis geralmente, em produtos como o leite fermentado. Seu benefício está relacionado com a quantidade de microrganismos ingerida e também com a frequência de ingestão. Estudos indicam que a ingestão diária de 108 UFC/g desses microrganismos é suficiente para provocar efeitos positivos na saúde do hospedeiro5.

É importante ressaltar que, embora as fibras alimentares e os probióticos sejam especialmente benéficos para o intestino, cada um possui particularidades que provocam diferentes efeitos no organismo. A ingestão de um não deve tornar desnecessária a ingestão do outro e ambos são necessários para a boa manutenção da saúde.

Referências Bibliográficas

1. Gray J. Fibra Alimentar. Definição e análise, fisiologia e saúde. ILSI Europe, 2006.

2. de Francisco A. Propriedades funcionais das fibras dietéticas. In Fibras, Prebióticos e Probióticos. ILSI Brasil. São Paulo, 2005. Publicação baseada em evento realizado em 17/06/2003 em parceria com a ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

3. Larayer A. Introdução ao tema probióticos: estágio atual das pesquisas no Brasil. In Fibras, Prebióticos e Probióticos. ILSI Brasil. São Paulo, 2005. Publicação baseada em evento realizado em 17/06/2003 em parceria com a ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

4. Ministério da Saúde. Coordenação-geral da política de alimentação e nutrição. Guia alimentar para a população brasileira. Brasília, 2006.

5. Danone Research. Monografia Actimel. Material destinado a profissionais de saúde.

Fonte: emkt.medcentersolutions.com

Fibras Alimentares

Fibra Alimentar: Qual o seu papel numa alimentação saudável?

 

Apesar de não ser um “nutriente”, a fibra alimentar é um componente muito importante da nossa alimentação.

Esta importância advém do fato dela atravessar o nosso organismo sem ser absorvida.

O que é a fibra alimentar?

A fibra alimentar compreende as partes comestíveis dos vegetais que o nosso intestino delgado é incapaz de digerir e absorver, passando para o intestino grosso intactas.

Entre elas inclui-se os polissacarideos não amilóides (por exemplo: celulose, hemicelulose, gomas e pectinas), os oligossacarideos (por exemplo: inulina), a lenhina e substâncias derivadas das plantas (por exemplo: ceras, suberinas). O termo fibra alimentar também inclui um tipo de amido conhecido como amido resistente (encontrado nas leguminosas, sementes e grãos parcialmente moídos e alguns cereais de pequeno almoço), uma vez que resiste à digestão a nível do intestino delgado e atinge o intestino grosso inalterado.

Fontes de fibra alimentar

A fibra alimentar pode ser encontrada em frutas (maçã, pêra, morango, amora, framboesa, groselha e laranja), legumes (couve de Bruxelas, alcachofras, cebola, alho, milho, feijão verde e bróculos, etc), leguminosas (lentilhas, grão, feijão, ervilhas, etc) e nos alimentos à base de cereais integrais (farelo de trigo, flocos de aveia integral, pão integral ou de mistura, etc).

Tipos de fibra alimentar

Muitas vezes, a fibra alimentar é classificada de acordo com sua solubilidade, em fibra solúvel e insolúvel. Ambos os tipos estão em diferentes proporções nos alimentos que contém fibra na sua composição. Por exemplo, a aveia, cevada, frutas, verduras e legumes são boas fontes de fibra solúvel, enquanto que, os cereais e os pães integrais são ricos em fibra insolúvel.

Fibra alimentar e saúde

A fibra alimentar consumida atravessa o intestino grosso, sendo neste local parcialmente ou totalmente fermentada pelas bactérias intestinais. Durante o processo de fermentação, vários subprodutos são formadas, como ácidos gordos de cadeia curta e gases. Os efeitos benéficos para a saúde da fibra alimentar é proveniente do efeito combinado da fermentação com subprodutos formados.

Os principais efeitos fisiológicos atribuídos fibra alimentar:

Função Intestinal A fibra alimentar, particularmente a fibra insolúvel, ajuda na prevenção da obstipação intestinal, aumentando o peso das fezes e reduzindo o tempo de trânsito intestinal. Esse efeito é ainda maior se o consumo de fibra for acompanhado por um aumento da ingestão de água.

Os ácidos gordos de cadeia curta produzidos durante a fermentação da fibra, pelas bactérias intestinais, são uma grande fonte de energia para as células do cólon, podendo inibir o crescimento e proliferação de células cancerígenas a nível do intestino.

Ao melhorar a função intestinal, a fibra alimentar pode reduzir o risco de doenças e outras perturbações, tais como a doença diverticular ou hemorróidas, podendo inclusive ter um efeito protetor contra o cancro do cólon.

Níveis de glicose sanguíneos A fibra solúvel pode retardar a digestão e a absorção dos hidratos de carbono, reduzindo desta forma o aumento da glicose sanguínea, que ocorre após a refeição (pós prandial), assim como a resposta da insulina. Esta situação pode ajudar pessoas diabéticas a terem um melhor controlo dos níveis de açúcar no sangue.

Colesterol sanguíneo Resultados de diversos estudos epidemiológicos revelam um outro papel de fibra alimentar na prevenção da doença coronária, ao melhorar o perfil lipídico sanguíneo, e os ensaios clínicos vieram confirmar as conclusões desses estudos. A consistência viscosa das fibras, como a pectina, o farelo de arroz ou aveia, reduz os valores séricos de colesterol total e de colesterol LDL (lipoproteína de baixa densidade ou “mau” colesterol). As investigações continuam a demonstrar simultaneamente que uma dieta rica em fibra alimentar de origem mista também protege contra doença coronária.

Outros efeitos Embora a prevenção da obstipação intestinal, a melhoria dos níveis de glicemia e do perfil lipídico no sangue sejam as principais vantagens de uma alimentação rica em fibra alimentar, existem outros efeitos positivos que merecem ser salientados. Por exemplo, dado que a fibra alimentar aumenta o volume da dieta, sem adicionar calorias, pode ter um efeito saciante, contribuindo para o controlo de peso.

Para beneficiar de todos os efeitos da fibra alimentar é importante variar as suas fontes de origem na dieta. A alimentação rica em frutas, legumes, lentilhas, feijão e cereais integrais não só fornecer fibra alimentar, como também nutrientes e outros componentes dos alimentos essenciais para a saúde.

Referências

1. Anonymous (2002) Position of the American Dietetic Association: Health implications of dietary fibre. Journal of the American Dietetic Association 7:993-1000.

2. Bessesen, D.H. The Role of Carbohydrates in Insulin Resistance. Journal of Nutrition (2001)131: 2782S – 2786S.

3. De Vries, J. (2003) On defining dietary fibre. Proc. of the Nutrition Society 62:37-43.

4. Lupton, J.R., Turner, N.D. (2003) Dietary Fibre and Coronary Disease: Does the evidence support an association? Current Atherosclerosis Reports 5:500-505.

5. Carbohydrates: Nutritional and health aspects. 2003 ILSI Europe Concise Monograph Series. ILSI Press.

Fonte: www.eufic.org

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