Infestação causada pelo nematelminto Wuchereria bancrofti.
Transmitida pela picada de mosquitos Culex sp ou Anopheles sp, possibilitando a penetração das microfilárias pela pele. Essas larvas ganham a via linfática, onde se desenvolvem em vermes adultos, obstruindo seu fluxo. À noite as fêmeas liberam microfilárias no sangue. A embriogênese das microfilárias parece ser dependente da infecção das fêmeas de W. bancrofti pela endobactéria Wolbachia.
Acomete principalmente regiões intertropicais. No Brasil, algumas regiões do Norte e Nordeste.
Geralmente assintomática.
Sinais inespecíficos de invasão: prurido, erupções cutâneas, edemas fugazes, tensão em território de drenagem linfática.
Manifestações linfáticas agudas: crises de linfangite com febre, edema inflamatório e doloroso ao redor de cordões linfáticos, adenite regional e artralgias. Pode também acometer genitália masculina e mama. Em caso de acometimento de gânglio profundo, pode haver dor torácica ou abdominal.
Manifestações linfáticas crônicas: hidrocele, varicocele linfática, elefantíase de genitália, linfedema e elefantíase de membros, adenomegalia inguinal, quilúria.
Outras manifestações: nódulos filarianos (granulomatosos) em tecido subcutâneo, seios, testículo, pulmões; reação de hipersensibilidade pulmonar, com tosse, febre, crises de broncoespasmo e infiltrado pulmonar difuso (pulmão eosinofílico filariano), podendo complicar com fibrose pulmonar; hepatoesplenomegalia; adenopatia; monoartrite de joelhos; endomiocardiofibrose; uveíte anterior.
Exames de imagem: a obstrução linfática pode ser avaliada por linfografia pediosa bilateral por cintilografia linfática com albumina ou dextran marcados, ou por ultra-sonografia (principalmente de escroto).
Exames laboratoriais: detecção direta das microfilárias no sangue entre 22:00 e 4:00, ou após estímulo com dietilcarbamazepina 100 mg (30 minutos-2 horas), por técnica de gota espessa; sorologia (ELISA e radioimunoensaio); reação em cadeia por polimerase; eosinofilia e aumento de IgE, principalmente no pulmão eosinofílico filariano; pesquisa de microfilárias em coleções linfáticas.
Etiológico
Dietilcarbamazepina 6 mg/kg em dose única.
Dietilcarbamazepina 50 mg no 1o dia, 50 mg 8/8 horas no 2º dia, 100 mg 8/8 horas no 3o dia, 2 mg/kg/dose 8/8 horas do 4º ao 14º dia.
Ivermectina 400 mcg/kg em dose única.
Recomenda-se associar um dos tratamentos acima com doxicilina 100-200 mg/dia para eliminar a bactéria Wolbachia, esterilizando as fêmeas W. bancrofti.
Elefantíase
Eventualmente são necessárias intervenções cirúrgicas vasculares, ginecológicas ou urológicas.
Fonte: www.consultormedico.com
A Filariose (ou Elefantiase) é a doença causada pelos parasitas nematódes Wuchereria bancrofti, Brugia malayi e Brugia timori, que se alojam nos vasos linfáticos causando linfedema. Esta doença é também conhecida como elefantíase, devido ao aspecto de perna de elefante do paciente com esta doença.
Tem como transmissor os mosquitos dos gêneros Culex, Anopheles, Mansonia ou Aedes, presentes nas regiões tropicais e subtropicais.
Quando o nematódeo obstrui o vaso linfático o edema é irreversível, daí a importância da prevenção com mosquiteiros e repelentes, além de evitar o acúmulo de águas paradas em pneus velhos, latas, potes e outros.


Verme Brugia malayi
As formas adultas são vermes nemátodes de secção circular e com tubo digestivo completo. As fêmeas (alguns centímetros) são maiores que os machos e a reprodução é exclusivamente sexual, com geração de microfilárias. Estas são pequenas larvas fusiformes com apenas 0,2 milímetros.

O mosquito Aedes pode transmitir a filaríase
As larvas são transmitidas pela picada dos mosquitos. Da corrente sanguinea elas dirigem-se para os vasos linfáticos, onde se maturam nas formas adultas sexuais. Após cerca de oito meses da infecção inicial (período pré-patente), começam a produzir microfilárias que surgem no sangue, assim como em muitos orgãos. O mosquito é infectado quando pica um ser humano doente. Dentro do mosquito as microfilárias modificam-se ao fim de alguns dias em formas infectantes, que migram principalmente para a cabeça do mosquito.

Mosquito Culex
Afeta 120 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo dados da OMS. Só afeta o ser humano (outras espécies afetam animais).
O Wuchereria bancrofti existe na África, Ásia tropical, Caraíbas e na América do Sul incluindo Brasil. É transmitido pelos mosquitos Culex, Anopheles e Aedes.
O Brugia malayi está limitado ao Subcontinente Indiano e a algumas regiões da Ásia oriental. O transmissor é o mosquito Anopheles, Culex ou Mansonia.
O Brugia timori existe em Timor-Leste e Ocidental, do qual provém o seu nome, e na Indonésia. Transmitido pelos Anopheles.

Mosquito Anopheles gambiae
O parasita só se desenvolve em condições úmidas com temperaturas altas, portanto todos os casos na Europa e EUA são importados de indivíduos provenientes de regiões tropicais.
O período de incubação pode ser de um mês ou vários meses. A maioria dos casos é assintomática, contudo existe produção de microfilárias e o individuo dissemina a infecção através dos mosquitos que o picam.
Os episódios de transmissão de microfilárias (geralmente à noite a depender da espécie do vetor)pelos vasos sanguineos podem levar a reações do sistema imunitário, como prurido, febre, mal estar, tosse, asma, fatiga, exantemas, adenopatias (inchaço dos gânglios linfáticos) e com inchaços nos membros, escroto ou mamas. Por vezes causa inflamação dos testículos (orquite).
A longo prazo apresença de vários pares de adultos nos vasos linfáticos, com fibrosação e obstrução dos vasos (formando nódulos palpáveis) pode levar a acumulações de linfa a montante das obstruções, com dilatação de vasos linfáticos alternativos e espessamento da pele. Esta condição, dez a quinze anos depois, manifesta-se como aumento de volume grotesco das regiões afetadas, principalmente pernas e escroto, devido à retenção de linfa. Os vasos linfáticos alargados pela linfa retida por vezes rebentam, complicando a drenagem da linfa ainda mais. Por vezes as pernas tornam-se grossas dando um aspecto semelhante a patas de elefante, descrito como elefantíase.
O diagnóstico é pela observação microscópica de microfilárias em amostras de sangue. Caso a espécie apresente periodicidade noturna é necessário recolher sangue de noite, de outro modo não serão encontradas. A ecografia permite detectar as formas adultas. A serologia por ELISA também é útil.
São usados antiparasiticos como mebendazole. É importante tratar as infecções secundárias.
Há um programa da OMS que procura eliminar a doença com fármacos administrados como prevenção e inseticidas.
É útil usar roupas que cubram o máximo possível da pele, repelentes de insetos e dormir protegido com redes.
Fonte: pt.wikipedia.org