Os fósseis da bacia de Sergipe-Alagoas

Anelídeo
Os anelídeos são os invertebrados vermiformes que atingiram as maiores dimensões e diferenciações estruturais. O filo Annelida compreende todos os vermes segmentados que habitam tanto os ambientes terrestres como os aquosos, marinhos ou de água doce. A principal característica do filo é a divisão do corpo em segmentos, arranjados em uma série linear. Entretanto, nem a cabeça, representada pelo prostômio, nem o pigídio, onde se situa o orifício retal, são segmentados.
O tamanho dos anelídeos é muito variado, entre 0,5mm a mais de 3m de comprimento.
A divisão do corpo em segmentos é denominada metamerismo; nos
anelídeos é importante também a segmentação do celoma (ou cavidade corporal)
por septos transversais. A movimentação do animal ocorre pela contração dos
músculos da parede do corpo que exerce pressão sobre o fluido celômico, alterando
a forma do corpo. Como o celoma é compartimentado, a contração ou expansão
do fluido celômico ocorre diferencialmente em cada segmento. Deste modo é
gerada uma onda de contrações peristálticas que permite que o animal se movimente
sobre ou no interior do substrato onde vive.

Figura 1 – Diagrama esquemático de um serpulídeo (anelídeo poliqueta) secretor de tubos calcários, que vive fixo a um substrato consolidado, exibindo os radíolos1.
Os anelídeos constituem um filo muito numeroso, com mais de 8000 espécies distribuídas em três classes: Polychaeta, Oligochaeta e Hirudinea2. As evidências mais antigas de anelídeos no registro geológico são encontradas em rochas proterozóicas, provavelmente de origem marinha, estando representados por traços derivados de sua locomoção sobre o substrato.

Figura 2 – Terebella sp., uma escavação de poliqueta revestida por bioclastos, Formação Calumbi, Campaniano superior da bacia de Sergipe (exemplar FPH-323-I, acervo Phoenix).
A classe Polychaeta engloba a maior parte das formas marinhas atuais; organismos deste grupo vivem também em águas salobras ou doces. Os poliquetas são caracterizados pelo corpo segmentado onde cada segmento possui uma série de cerdas denominadas quetas. Apesar da morfologia exótica (e às vezes repugnante), alguns poliquetas são extraordinariamente bonitos e coloridos.
Este grupo possui uma grande diversidade adaptativa, podendo viver sobre o substrato (consolidado ou não), rastejando, enterrados no substrato, em escavações, ou habitando tubos secretados para este fim. Poliquetas rastejantes possuem numerosas estruturas sensoriais e apêndices laterais bem desenvolvidos, os parapódios. Muitos poliquetas possuem adaptação para escavação. Alguns deles constroem galerias cujas paredes são revestidas por muco. Neste último grupo, os parapódios são reduzidos e em parte transformados em feições semelhantes a anzóis.
Estas escavações servem como estruturas de proteção ou como esconderijo para capturar suas presas. A escavação pode apresentar forma variável e ser revestida por grãos de areia, bioclastos diversos ou mesmo material orgânico secretado pelo animal, cimentados por muco (Figura 2). Neste grupo destacam-se os Serpulidae, poliquetas que secretam tubos calcários que são fixados às rochas, conchas ou mesmo algas, sendo muito comuns no registro fóssil. Alguns poliquetas são ainda perfuradores de conchas calcárias. Em geral estas escavações e tubos são as únicas estruturas encontradas como fósseis, visto que as partes moles raramente são preservadas.
A classe Oligochaeta (= poucas setae) engloba os principais anelídeos terrestres, embora tenham também representantes de água doce e marinhos. Diferenciam-se dos poliquetas pela ausência de parapódios. A grande maioria, contudo, possui setae, estruturas filamentosas de morfologia variável, que surgem em grupos ou feixes em cada segmento, sendo porém menos numerosas que nos poliquetas. Todos os oligoquetas terrestres são escavadores. Os oligoquetas aquáticos preferem as águas rasas; algumas espécies rastejam sob a vegetação submersa ou outros objetos; outras escavam substrato lamoso ou arenoso e alguns chegam a construir tubos. Seu registro fóssil é bem menos numeroso que o dos poliquetas.
A classe Hirudina possui representantes marinhos, terrestres e de água doce. São vulgarmente chamados de sanguessugas, embora nem todos sejam parasíticos. São os menores anelídeos, com tamanho entre 1 e 30cm. Nestes organismos ambas extremidades foram modificadas para estruturas de sucção. O metamerismo é muito reduzido e não possuem parapódios ou setae. A grande maioria vive em corpos de água doce, de baixa energia. Não são conhecidos no registro fóssil.
Uma estrutura dos poliquetas muito resistente e bem preservada como fósseis, principalmente do Paleozóico, são os escolecodontes. São peças mandibulares submilimétricas (entre 50mm e alguns milímetros), encontradas em geral desarticuladas. Sua classificação normalmente procura relacioná-los a estruturas encontradas nos anelídeos atuais.
Na bacia de Sergipe, os anelídeos fósseis constituem um grupo ainda pouco estudado, embora possam ser bons indicadores paleoecológicos. Se não freqüentes, poliquetas são às vezes encontrados abundantemente em alguns intervalos das seqüências marinhas, principalmente em rochas do Albiano inferior (Fm. Riachuelo)3, Coniaciano (Fm. Cotinguiba)4 e Campaniano superior (Fm. Calumbi). As formas mais comuns são as secretoras de tubos calcários (p. ex., Serpula, Diploconcha e Hamulus), entretanto formas escavadoras (p. ex., Terebella, ocorrem de forma localizada).
Wagner Souza-Lima
Bibliografia
1Barnes, R. D. & Ruppert, E. E. 1996. Zoologia dos Invertebrados.
São Paulo, Ed. Roca, 6a ed., 1179 pp.
2Howell, B. F. 1962 - Worms. In Moore, R. C. (Ed.), Treatise on Invertebrate
Paleontology, Part W, Miscellanea: Conodonts, Conoidal Shells of Uncertain
Affinities, Worms, Trace Fossils, & Problematica. Geological Society of
America, University of Kansas, pp. W144-W177. Lawrence, Kansas.
3Beurlen, K. 1965a - Serpulidae na Formação Riachuelo (Cretáceo, Estado de
Sergipe). Anais da Academia Brasileira de Ciências, 37(2): 263-266.
4Muniz, G. da C. B. & Zucon, M. H. 1981 - Sobre a presença do anelídeo
poliqueta Senoniano-Daniano Glomerula gordialis na Formação Cotinguiba, Estado
de Sergipe. Simpósio de Geologia do Nordeste, 10, Recife, Novembro 1981, Atas,
pp. 265-267.
Fonte: www.phoenix.org.br

Vulgarmente chamam-se anelídeos (Annelida - do latim annelus, pequeno anel + ida, sufixo plural) aos vermes segmentados - com o corpo formado por "anéis" - do filo Annelida como a minhoca e a sanguessuga.
Existem mais de 15.000 espécies destes animais em praticamente todos os ecossistemas, terrestres, marinhos e de água doce. Encontram-se anelídeos com tamanhos desde menos de um milímetro até mais de 3 metros.
Os anelídeos são animais de corpo alongado, segmentado, triblásticos, protostómios e celomados, ou seja, com a cavidade do corpo cheia de um fluido onde o intestino e os outros órgãos se encontram suspensos e com Simetria Bilateral.
Os oligoquetas e os poliquetas possuem celomas grandes, mas, nas sanguessugas, o celoma está preenchido por tecidos e reduzido a um sistema de estreitos canais; em alguns arquianelídeos o celoma está completamente ausente. O celoma pode estar dividido numa série de compartimentos por septos. Em geral, cada compartimento corresponde a um segmento e inclui uma porção dos sistemas nervoso e circulatório, permitindo-lhes funcionar com relativa independência.
Cada segmento está dividido externamente em um ou mais anéis, é coberto por uma cutícula segregada pela epiderme e, internamente, possui um fino sistema de músculos longitudinais. Estas características são parcialmente comuns aos nemátodos e aos artrópodes e, por isso, eles foram durante algum tempo colocados no mesmo grupo sistemático, o filo Articulata, mas estudos mais recentes revelaram que essas características devem ser consideradas como convergências evolutivas.
Nas minhocas (Oligochaeta), os músculos são reforçados por lamelas de colagénio; as sanguessugas (Hirudinea) têm uma camada dupla de músculos, sendo os exteriores circulares e os interiores longitudinais.
A maioria dos anelídeos possui, em cada segmento, um par de cerdas, mas os Polychaeta (as minhocas marinhas) possuem ainda um par de apêndices denominados pseudópodos (ou "falsos pés").
Na extremidade anterior do corpo, antes dos verdadeiros segmentos - a cabeça -, encontra-se o protostómio onde se encontram os olhos e outros órgãos dos sentidos. Por baixo, encontra-se o peristómio, onde está a boca. A extremidade posterior do corpo é o pigídio, onde está localizado o orifício retal e os tecidos que dão origem a novos segmentos durante o crescimento.
Muitos poliquetas possuem órgãos de sentidos bastante elaborados, mas as formas sésseis muitas vezes apresentam tentáculos em forma de pluma, que eles utilizam para se alimentarem. Para além disso, muitas espécies têm fortes maxilas, por vezes mineralizadas com óxido de ferro.
O tubo digestivo é bastante especializado, devido à variedade das dietas, uma vez que muitas espécies são predadoras, outras detritívoras, outras alimentam-se por filtração, outras ainda ingerem sedimentos, dos quais o intestino tem de separar a parte nutritiva; finalmente, as sanguessugas alimentam-se de sangue de outros animais, por sucção.
O sistema vascular é composto por um vaso sanguíneo dorsal que leva o "sangue" no sentido da "cauda" e outro ventral, que o traz na direcção oposta.
O sistema nervoso é formado por um cordão ventral, a partir do qual saem nervos laterais em cada segmento.
A Sabela, a Sérpula e o Espirógrafo são anelídeos sedentários, e possuem numerosas sedas. Ligam-se ao solo através de um tubo feito do líquido que segregam e a que juntam areia e pedra. O Espirógrafo apresenta, tal como o seu nome indica, a forma de espiral.
A respiração dos Anelidae ocorre através de brânqueas (Poliquetas) ou cutânea (aquetas e oligoquetas)
A forma de reprodução dos anelídeos varia de espécie para espécie, podendo ser tanto assexuada como sexuada. Embora as minhocas sejam animais hermafroditas, são necessarias duas minhocas para a reprodução. Elas se unem de forma a ficarem os poros masculinos de uma encostados aos receptáculos seminais de outra, possibilitando, assim, a fecundação dos óvulos pelos espermatozóides.
Fonte: pt.wikipedia.org