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Classe Crustácea

Os crustáceos são animais do filo Arthropoda, representados por camarões, siris, caranguejos, cracas, lagostas, além de espécies da microfauna, totalizando cerca de 40.000 espécies.

O nome da classe vem do fato de terem um exoesqueleto de quitina endurecido pelo acúmulo de carbonato de cálcio (do latim, crusta= carapaça dura).

Constituem o grupo principal de artrópodos aquáticos. A maioria é marinha, mas existem muitas espécies de água doce e tem havido muitas invasões do ambiente terrestre (“tatuzinhos”). Os crustáceos são extremamente diversificados quanto à estrutura e ao hábito, mas são os únicos entre os artrópodos a possuírem dois pares de antenas. As primeiras antenas, próximas a boca, têm uma origem similar às antenas de outros artrópodes.

O segundo par, contudo, provavelmente originou-se a partir de transformações de apêndices da região anterior do corpo que foram incorporados à cabeça; o par mais curto é chamado de antênulas birremes e o longo de antenas; ambos são receptores de estímulos do meio ambiente. Outros apêndices cefálicos característicos são um par de mandíbulas e dois pares de maxilas. As mandíbulas constituem o terceiro par de apêndices da cabeça. Na maioria das espécies são utilizadas para triturar e moer, sendo curtas e fortes. Além desses três pares de apêndices, na cabeça há mais dois pares alimentares acessórios chamados de primeira e segunda maxila. A especialização do tronco (tórax mais abdome) varia muito, mas é comum uma carapaça que cobre todo ou parte do corpo. São os únicos artrópodos que possuem apêndices em todos os segmentos do corpo.

O corpo dos crustáceos é extremamente variável, conforme o tipo de especializações de cada espécie. Todavia, a partir de estudos comparativos, é possível estabelecer algumas semelhanças básicas e fazer inferências sobre a forma ancestral dos crustáceos viventes.

Cada segmento do corpo é formado, como nos insetos, por 4 peças:

Um tergo

Um esterno

Duas pleuras

A estrutura básica do tronco desses animais seria formada de muitos segmentos similares, cada qual com um par de apêndices, sendo que na base do último segmento há um orifício retal. Os apêndices torácicos são fundamentalmente locomotores. Servem para nadar e caminhar sobre superfícies sólidas. Os apêndices abdominais, quando existentes, estão adaptados à natação e a eles, nas fêmeas, podem aderir os ovos até ao nascimento dos novos animais. O corpo dos crustáceos, é recoberto por uma carapaça, denominada cutícula que geralmente é calcificada.

Os apêndices dos crustáceos são tipicamente birremes e, dependendo do grupo, adaptaram-se para muitas diferentes funções.

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Na alimentação por filtração, ceifas muito próximas dos apêndices funcionam como filtro. As brânquias, que geralmente não existem apenas nas espécies muito pequenas, estão tipicamente associadas com os apêndices, mas a localização, o número e a forma variam muito.

A maioria das espécies é marinha, existindo também na água doce e salobra, mas há espécies terrestres, como o tatuzinho-de-jardim.

O corpo, nos crustáceos mais evoluídos, pode ter 19 segmentos e é dividido em três tagmas: cabeça, tórax e abdômen; a cabeça é fundida ao tórax, e o conjunto chama-se cefalotórax.

O cefalotórax tem as peças mastigatórias (para a alimentação) assim como os órgãos sensitivos: olhos e antenas.

Os dois pares de antenas são particularmente desenvolvidos; elas têm um papel táctil e sensitivo. O cefalotórax também pode incluir cinco pares de patas andarilhas (ou ambulatórias), explicando o nome dos decápodes (5 X 2= 10). Essas patas servem aos deslocamentos ao solo, o primeiro par é transformado em pinças mais ou menos desenvolvidas em comprimento e espessura. O cefalotórax protege os órgãos internos, nomeadamente as brânquias. Ele termina à frente por um rostro mais ou menos desenvolvido, que inclui diversos dentes. Este rostro, e sobretudo o número de dentes que inclui, podem ajudar a determinar uma espécie.

O abdômen é a parte mais comestível dos camarões e lagostas, e é freqüentemente chamado de cauda, sobretudo em culinária. É articulado e inclui as patas nadadoras

Classe Crustácea

Como o exoesqueleto é rígido, deve ser mudado para permitir o crescimento do corpo. Nos jovens, essa muda geralmente ocorre a cada duas semanas, e nos adultos, duas vezes por ano. Antes da muda, as camadas de cutícula velha são digeridas, o cálcio é reabsorvido, um novo esqueleto mole cresce por baixo, separa-se do velho, enquanto os músculos e outras estruturas dentro das extremidades amolecem e diminuem de volume. A velha cutícula abre-se dorsalmente, entre a carapaça e o abdome, e o animal sai do velho exoesqueleto. Nessa ocasião, o intestino absorve muita água para aumentar o volume do corpo e distender a nova cutícula. O animal fica escondido até que a nova cutícula endureça.

A maioria é de vida livre, mas existem espécies gregárias (cracas) que vivem em cardumes. Existem espécies parasitas e comensais. São um grupo muito antigo, com fósseis do Cambriano e, apesar do número reduzido de espécies (se comparado aos insetos), são os artrópodos dominantes do ambiente aquático.

O tegumento de muitos malacostracos contém cromatóforos ramificados, dentro dos quais grânulos de pigmento de uma ou mais cores podem ficar dispersados ou concentrados, mudando a coloração do animal. A adaptação ao fundo é uma função comum dos cromatóforos. As mudanças dos cromatóforos e outras funções dos crustáceos podem apresentar atividades rítmicas que coincidem com ritmos diurnos ou de maré. Muitos malacostracos são capazes de praticar a auto-amputação de apêndices (autotomia), o que auxilia a fuga de predadores. Os apêndices são regenerados em conexão com a muda.

Alguns crustáceos mudam durante toda a vida; outras cessam as mudas ao atingir a maturidade sexual. Muitos aspectos importantes da fisiologia da muda ocorrem durante a longa fase preparatória (reabsorção de cálcio), durante a fase de conclusão (deposição de cálcio) e durante a intermuda (acumulação de reservas alimentícias). Ao longo do seu crescimento, um crustáceo fica apertado nessa carapaça que não cresce com ele. Ele abandona-a, a carapaça torna-se a exúvia, o exoesqueleto abandonado; é o fenômeno da muda ou ecdise.

Ao absorver o carbonato de cálcio (CaCO3) contido na água (é por esta razão que a grande maioria das espécies vive em água dura, por vezes salina), mas também em menor medida à partir do cálcio dos gastrólitos contidos no estômago, os crustáceos fabricam sua nova carapaça. Durante este tempo, seu corpo mole e frágil torna-se presa para os predadores. E por esta razão necessário prever refúgios no aquário, para que possam mudar ao abrigo dos olhares indiscretos. O crescimento é descontinuo, por etapas; ocorre um brusco aumento de peso e de comprimento à cada muda.

O aparelho digestivo é formado pela boca, esôfago, estômago dividido em duas partes: a anterior, denominada câmara cardíaca e a posterior chamada de câmara pilórica. Na câmara cardíaca existem dentes calcificados formando um moinho gástrico que ajuda na trituração dos alimentos. De uma maneira geral, os crustáceos são carnívoros ou onívoros, por vezes detritívoros. As formas de alimentação podem variar muito, porém o tubo digestivo, na maioria dos casos, é reto, iniciando-se numa boca que ocupa posição ventral na cabeça. A porção anterior do aparelho digestivo, apesar de ter às vezes a conformação de um simples esôfago, é normalmente dilatada funcionando como um triturador de alimento, graças à presença de dentículos ou ossículos em suas paredes. Segue-se a esse intestino anterior, a porção do tubo onde o alimento é absorvido, o intestino médio, onde desembocam dois cecos. Em vários animais as células dos cecos são bastante especializadas, secretando enzimas digestivas.

As excretas são armazenadas em nefrócitos, células presentes na maioria dos artrópodes, e, entre os crustáceos, situadas nos eixos das brânquias e nas bases das pernas.

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Morfologia Interna dos Crustáceos

O aparelho circulatório é do tipo aberto, ou seja, há um coração de onde partem veias e artérias, mas nos órgãos e tecidos o sangue passa a circular em lacunas onde há a troca de nutrientes, gases e excretas, e é formado por um coração dorsal curto e irregular de onde saem seis artérias que se distribuem por todo o corpo. O sangue (hemolinfa) possui coloração azulada devido ao pigmento hemocianina, e volta ao coração pelos ostíolos. Este sistema circulatório é denominado aberto ou lacunar, porque o sangue não está sempre no interior dos vasos.

Classe Crustácea

O aparelho circulatório é do tipo aberto, ou seja, há um coração de onde partem veias e artérias, mas nos órgãos e tecidos o sangue passa a circular em lacunas onde há a troca de nutrientes, gases e excretas, e é formado por um coração dorsal curto e irregular de onde saem seis artérias que se distribuem por todo o corpo. O sangue (hemolinfa) possui coloração azulada devido ao pigmento hemocianina, e volta ao coração pelos ostíolos. Este sistema circulatório é denominado aberto ou lacunar, porque o sangue não está sempre no interior dos vasos.

O aparelho respiratório é formado por vários pares de brânquias situadas nos dois lados de todos os segmentos torácicos.

Localizadas lateralmente difundem oxigênio para o sistema circulatório aberto ou lacunar que o tranportará associado a pigmentos.

O sistema nervoso dos crustáceos também é bastante similar ao dos outros artrópodes, notando-se a ocorrência de gânglios nervosos que podem ser maiores ou menores conforme a espécie considerada. É constituído de gânglios supraesofágicos (cérebro, gânglio subesofágico e cordão nervoso ventral duplo). O gânglio subesofágico é resultante de fusão de 5 ou 6 pares de gânglios.

Sabe-se que os hormônios controlam muitas funções nos crustáceos, das quais a reprodução, a muda e crescimento e as mudanças dos cromatóforos têm sido as mais estudadas (em decápodes). Existem vários centros de secreção hormonal e a glândula do seio no pedúnculo ocular dos decápodes é um centro principal de liberação de hormônios. O órgão X, uma pequena glândula, produz hormônios que inibem a muda, enquanto que os hormônios do órgão Y induzem a muda.

Os órgãos sensoriais dos crustáceos incluem dois tipos de olhos, um par de olhos compostos e um olho de náuplio pequeno, mediano e dorsal, composto de três ou quatro ocelos situados bem próximos. Alguns grupos não possuem olhos compostos, e o olho de náuplio, característico da larva dos crustáceos, não persiste no adulto de muitos grupos. O tato é percebido pelos pêlos tácteis que se distribuem pelo corpo. O sentido químico, gosto mais olfato, reside em pêlos localizados nas extremidades das antenas, peças bucais e extremidade daquelas. Equilíbrio e orientação à gravidade são dados pelo estatocisto que é uma estrutura em forma de saco que se abre dorsalmente sob pêlos finos, no artículo basal de cada antênula.

A reprodução nesse grupo de animais é sexuada, sendo que, salvo algumas exceções, os indivíduos apresentam sexos separados. Entre as poucas espécies hermafroditas podem os citar as cracas. Os crustáceos são ovíparos. O desenvolvimento dos crustáceos é indireto, ou em outras palavras quando há a eclosão do ovo, o indivíduo encontra-se num estágio de larva e através de algumas transformações, ao longo do tempo, adquire a forma do adulto. Na maioria das espécies o desenvolvimento é indireto, com uma larva livre-natante chamada Náuplio, primeiro estágio de eclosão e possui um olho de náuplio mediano e apenas os primeiros três pares de apêndices do corpo. Nos crustáceos superiores o náuplio se desenvolve numa larva chamada Zoea. Esta pode se desenvolver numa larva mísis ou originar um estágio juvenil muito semelhante ao adulto, chamado pós-larva. Na maioria dos Decapoda (os crustáceos mais avançados) o náuplio ocorre dentro do ovo, e uma zoea é liberada na eclosão. O número de estágios larvais varia bastante nos diferentes grupos de crustáceos. Em alguns, como nos lagostins, as formas larvais são totalmente suprimidas.

A cópula é típica da maioria dos crustáceos e a incubação dos ovos é muito comum. Os orifícios genitais estão situados ventralmente, entre as patas de andar.

Quando há acasalamento, o macho vira a fêmea de costas (por vezes depois da muda) e deposita uma massa de esperma perto de seus orifícios genitais. A desova ocorre umas horas depois, os ovos, freqüentemente muito coloridos, são fecundados à medida da desova. Então eles são aglutinados por uma substância gelatinosa (produzida pelas glândulas) entre as patas nadadoras cujo movimento as areja, o tempo que os embriões se desenvolvam. A incubação varia de dez à vinte dias em função das espécies e da temperatura; quanto mais esta é elevada, mais curta é a incubação.

Os crustáceos , como os artrópodes em geral, têm boa capacidade de regenerar partes perdidas. Quando perdem uma parte ela começa a ser regenerada na muda seguinte e cresce a cada muda, até ficar completa. Se arrancarmos o pedúnculo todo do olho, a regeneração pode ser defeituosa e não originar um novo olho, e sim um apêndice em forma de antena. Regeneração de uma parte diferente daquela que foi removida é chamada heteromorfose. A regeneração é tanto maior quanto mais jovem for o animal.

Sistemática

Por conveniência, os crustáceos serão subdivididos em dois grupos: a subclasse Branchiopoda e a subclasse Malacostraca, onde concentram-se animais maiores e bem conhecidos.

Sub-classe Malacostraca, subdividida em:

Ordem Decapoda

Ordem Amphipoda

Ordem Isopoda

Sub-classe Branchiopoda, subdividida em:

Sub-classe Ostracoda

Sub-classe Copepoda

Sub-classe Cirripedia

Os Malacostracos incluem todas as formas ditas superiores.

O número de seus segmentos é fixo: cabeça 6, tórax 8, abdômen 6, mais o télson.

O nauplius não existe ao estado da larva livre a não ser num pequeno número de gêneros, ele apresenta-se como um estado intra-ovular. Crustáceos com olhos compostos, 2 pares de antenas, com a cabeça e tórax fundidos e normalmente cobertos por uma carapaça. A principal característica comum do grupo é a organização do corpo, dividido em cabeça, tórax (com 8 segmentos) e abdome (com 6 ou 7 segmentos). A cabeça possui os tradicionais 5 pares de apêndices. Todos os segmentos do tórax e do abdome são providos de apêndices. Segmentos do tórax podem estar unidos à cabeça, formando um cefalotórax.

A carapaça pode estar presente ou ausente.

Outras características próprias são: presença de estômago, presença de leque caudal (formado pelo último par de segmentos abdominais, os urópodos, e pelo télson); um par de olhos compostos. Os malacostracos podem ser marinhos (bentônicos ou nectônicos), podem viver na água doce (rios e lagos) ou podem ser terrestres (vivendo próximo à água ou em ambientes úmidos). Sua ordem mais importante, Decapoda, inclui os crustáceos mais conhecidos, como caranguejos, siris, lagostas, lagostins e camarões.

O tórax tem 8 segmentos, com um par de apêndices cada (os primeiros 3 pares servem para a alimentação, e os restantes 5 são locomotores). Na região torácica encontramos cinco pares de apêndices (pernas torácicas), denominados PERIÓPODOS, usados para andar sobre o fundo.

Abdômen geralmente com 6 segmentos adaptados a várias funções (natação, reprodução, etc.) e com apêndices, muitos deles birremes, isto é, divididos em duas partes. Nestes casos um dos ramos desempenha uma função (por exemplo a locomoção) enquanto que o outro tem uma diferente (por exemplo a respiração).

Seus apêndices (patas abdominais) que são denominados PLEÓPODOS, ajudam na respiração e carregam os ovos das fêmeas. Os últimos segmentos são estruturas achatadas; os dois laterais são denominados urópodos e o central, télson. Em conjunto eles formam um remo para natação. Esta situação observa-se nas patas torácicas de muitos Malacostraca, onde o ramo mais curto está modificado numa brânquia.

Os Malacostraca são normalmente animais de vida livre e procuram ativamente a sua comida, fazendo uso dos seus olhos bem desenvolvidos e de quimiorreceptores.

Somente três ordens serão comentadas aqui

Os Isópodes, cujo primeiro segmento torácico (por vêzes também o segundo) fusiona-se com a cabeça, mas sem formar uma carapaça cefalotorácica. O primeiro par de apêndices torácicos transforme-se em patas-maxilares, os outros são unirremes.

Os apêndices abdominais conservam a estrutura birreme e funcionam como brânquias. O corpo é achatado dorso-ventralmente. Por entre as espécies marinhas encontram-se as Idothea e as Lygia. Entre as espécies dulcícolas, a asela (Asellus aquaticus) e entre as terrestres, os "bichos de contas" (Oniscus asellus).

Os isópodes são pequenos crustáceos achatados dorsoventralmente e sem carapaça. São representados pelos tatuzinhos de jardim (Porcellio e Armadillidium) e as baratinhas da praia (Ligia exotica). São crustáceos terrestres que apresentam sete segmentos torácicos distintos, cada um com um par de pernas. A respiração nos isópodos é feita através de apêndices abdominais modificados para esse fim. Têm o abdômen curto com os segmentos fundidos total ou parcialmente. O 1º par de antenas é curto e o 2º pode ser bastante longo.

Os olhos não são pedunculados. O primeiro par de apêndices torácicos faz parte da armadura bucal e os restantes servem para a locomoção. Os primeiros 5 pares de apêndices abdominais são achatados, funcionando como brânquias, e o 6º segmento suporta apêndices natatórios birremes juntamente com o télson.

Classe Crustácea

Os Amphipoda têm o corpo comprimido lateralmente. Seu segmento torácico anterior fusiona com a cabeça e tem um par de patas-maxilares. As brânquias são filamentos ou tubos anexados às patas torácicas. Geralmente, os três primeiros pares de patas abdominais servem para nadar. Os três seguintes, dirigidos para trás, servem para saltar. Numerosas formas livres marinhas e dulcícolas, nomeadamente o gammarus (Gammarus pulex).

Os anfípodes são pequenos crustáceos sem carapaça, comprimidos lateralmente e com o abdômen dobrado ventralmente. As antenas superiores e inferiores são variavelmente desenvolvidas e os olhos não são pedunculados. O 1º par de apêndices torácicos faz parte da armadura bucal, enquanto que os restantes 6 pares podem estar ou não transformados em pinças. O abdômen tem 3 pares de patas adaptadas ao salto, 3 pares de apêndices natatórios e o télson (por vezes ausente). Da Ordem Amphipoda destacamos a Família Caprellidae.

Classe Crustácea

Os Decápodes representam os crustáceos mais evoluídos. Sua pele coberta de quitina impregna-se de calcário e adquire uma grande solidez. Os apêndices dos três primeiros segmentos torácicos, transformados em patas-maxilares, incorporam-se na armadura bucal. Um grande escudo cefalotorácico cobre dorsalmente e lateralmente a cabeça e o tórax; ele forma uma espécie de concha de cada lado do cefalotórax, delimitando as cavidades das brânquias, a direita e a esquerda.

As patas dos cinco últimos segmentos torácicos são natatórias ou para andar, justificando o nome de Decápodes. Os olhos compostos são suportados por um pedúnculo móvel.

O abdômen é segmentado e bem desenvolvido nos Macruros: Lagostim e Lagosta; só forma uma chapa triangular rebatida sobre o cefalotórax nos Brachiuros: caranguejos e siris. É mole e assimétrico nos Paguros que o põem na concha de um Gastrópode.

Os crustáceos decápodes que andam (caranguejos, lagostas, lagostins, camarões) têm uma carapaça articulada que se divide em duas partes, o cefalotórax e o abdômen. São crustáceos que têm a cabeça e o tórax fundidos e recobertos por uma carapaça da qual se projeta um rostro entre os olhos; o abdômen é bem definido. Têm 8 pares de apêndices torácicos; o 1º e 3º pares estão modificados em peças bucais e do 4º ao 8º par são utilizados para a locomoção, podendo terminar em pequenas pinças. Os 5 pares de apêndices abdominais (pleópodes) são utilizados na natação (e no transporte dos ovos nas femeas) e o 6º par forma uma cauda.

A Ordem Decapoda encontra-se dividida em duas Super-secções:

Super-secção Natantia

Super-secção Reptantia

Super-secção Natantia

Estes decápodes nadadores têm exoesqueletos delicados e o seu corpo pode ser comprimido lateralmente. Um par de antenas é nitidamente mais comprido do que o outro e é ramificado na base. O rostro pode ser proeminente mas em algumas espécies encontra-se reduzido a um pequeno espinho. Os seus cinco pares de patas (pléopodes) conferem aos seres desta super-secção a habilidade natatória.

Super-secção Reptantia

Verdadeiros caranguejos, bentônicos, normalmente robustos e com um exoesqueleto espesso. A carapaça é achatada dorso-ventralmente e arredondada. O abdômen é bastante reduzido e curvado sob a carapaça. O 1º par de pereiópodes termina em pinças robustas e conspícuas enquanto que nos restantes a terminação é variável, mas normalmente terminam em garras.

Classe Crustácea

LEGENDA

1. Pereiópodes
2. Bordo posterior
3. Abdômen
4. Cefalotórax
5. Borda posterior-lateral
6. Borda ântero-lateral
7. Pedúnculo
8. Antena
9. Dedos da pinça
10. Quelas
11. Fronte

Os Branchiopoda reunem crustáceos pequenos, em geral com menos de um centímetro de comprimento. Esses diminutos animais com formas de corpo variadas, são planctônicos, possuindo uma carapaça mais espessa na região do tronco. A ordem Copepoda também é constituída por espécies planctônicas de tamanho pequeno, mas nesse caso o corpo é geralmente cilíndrico. É interessante notar que cerca de vinte e cinco por cento dos copépodes são parasitas de peixes, aderindo-se às brânquias ou à pele do animal. Aos Ostracoda pertencem seres milimétricos cujo corpo está totalmente incluso numa carapaça bivalva. A ordem Cirripedia inclui crustáceos presos ao substrato, como as cracas.

Finalmente, poderíamos incluir, nesta subclasse, com um número restrito de espécies, aos Rimipedia. Acredita-se que esses crustáceos são os que guardam maiores semelhanças com os ancestrais do grupo. Descoberta no inicio dos anos 80, em uma caverna submarina nas Bahamas, este grupo continua pouco conhecida. São seres transparentes, cegos e relativamente pequenos, atingindo no máximo 3 centímetros de comprimento. O corpo consiste de um cefalotórax e de um tronco alongado, com cerca de 30 segmentos semelhantes, cada um possuindo um par de apêndices natatórios.

A Classe Ostracoda compreende os pequenos crustáceos conhecidos como camarão-mexilhão ou camarão-semente. Abrange cerca de 5650 espécies vivas. O corpo é totalmente protegido por uma carapaça bivalve dobrada dorsalmente cobrindo corpo e cabeça, impregnada com carbonato de cálcio. Apresentam apêndices em forma de bastão, com exceção dos filtradores. A maioria dos Ostracodas são bentônicos escavadores ou se arrastam no fundo, muitos adotaram uma vida planctônica e alguns são terrestres, habitando ambientes úmidos. Eles são abundantes nos ecossistemas aquáticos e existem espécies vivendo em profundidades de até 7000 metros no oceano.

Os Cirripedia, todos marinhos, vivem fixados à um suporte. Seu tórax tem 6 pares de apêndices cujos ramos são dois longos chicotes peludos ou cirres. Os cirrípedes são animais muito modificados que evoluíram de um tipo de vida séssil. Apresentam ao corpos protegidos por placas de carbonato de cálcio as quais formam uma concha. Estão agarrados ao substrato pela parte anterior do seu corpo (cabeça) e os seus apêndices torácicos ( ± 6 pares de apêndices birremes) adaptaram-se à filtração, podendo ser projetados para fora da concha e balançados para captarem partículas orgânicas em suspensão. São animais sésseis que se apresentam bem diferentes de outros crustáceos, sendo dificilmente reconhecidos como tais. Eles fixam-se pela região pré-oral, e tem seu corpo protegido por uma carapaça constituída por várias placas às vezes fundidas umas às outras. São considerados os crustáceos mais modificados, entre os quais estão as “cracas” e “lepas”. Geralmente não possuem cabeça distinta, podendo apresentar espécies sésseis (filtradoras) ou ainda espécies parasitas.

As “cracas” são seres sésseis, com corpo saculiforme protegido por uma carapaça reforçada por placas calcárias. Enquanto as “cracas“ se fixam ao substrato por um disco basal, as “lepas” possuem pedúnculo para fixação.

Os cirripédios possuem uma tendência para o hermafroditismo e para a redução do intestino. Uma característica importante é a presença de uma larva cypris (estágio que se segue ao náuplio). A larva cypris localiza o hospedeiro (no caso de espécie parasita) ou o local para fixação (lepas e cracas) e a seguir sofre metamorfose para o estágio adulto.

Classe Crustácea

Dois tipos são encontrados nas águas litorâneas: as que possuem pedúnculo, conhecidas como Lepas, e as que o não possuem, conhecidas como Balorifício retal (cracas). São vivíparas.

Classe Crustácea

Os Copépodes contam um número considerável de espécies marinhas ou dulcícolas. São os crustáceos dominantes no zooplâncton marinho e, em menor extensão, no plâncton de água doce. Muitas espécies são bentônicas intersticiais. Cerca de 25% das espécies são parasitas.

Não possuem carapaça, possuem apenas olhos simples e o corpo está usualmente dividido em 3 tagmas: cabeça (com apêndices bem desenvolvidos), tórax (com apêndices natatórios) e abdome (desprovido de apêndices). Seu tórax conta seis segmentos, cada um com um par de apêndices; o primeiro fusiona-se com a cabeça.

O abdômen tem cinco segmentos ápodos, exceto o último que tem apêndices modificados rebatidos ao longo do telson. As fêmeas são reconhecidas facilmente quando estão com os sacos ovígeros. Alguns podem ser vistos a olho nu e reconhecidos pela maneira de locomoção que efetua por pequenos saltos. O Cyclops é o gênero mais conhecido.

Classe Crustácea
Cyclopoidea

Podemos ainda acrescentar os Cladocera, ou pulgas d'água constituem um grupo essencialmente de água doce, com grande representatividade nos corpos de água lênticos em todo o mundo e também no Brasil. Estimativas conservadoras apontam cerca de 600 espécies ocorrendo em todo o mundo (Korovchinsky, 1996); e estima-se em cerca de 150 as espécies que ocorrem no Brasil.

Os Cladocera caracterizam-se pela segmentação reduzida do corpo, por apresentarem tórax e abdomen fundidos em um tronco, no qual estão inseridos quatro a seis pares de apêndices na porção anterior e que termina em estrutura denominada pós-abdomen, que contém uma garra terminal.

Apresentam carapaça única, dobrada na porção dorsal, dando impressão de estrutura bivalva, a qual encerra todo o tronco, mas usualmente não a parte cefálica.

A cabeça é uma peça compacta, na qual a estrutura mais proeminente é o olho composto. Têm 4 à 6 pares de patas foliáceas. Locomovem-se através das antenas transformadas em vigorosos órgãos de propulsão. Podemos encontrá-las em concentrações que variam de 100 a 100.000 por metros cúbicos de água. São de suma importância sob o aspecto ecológico, uma vez que representam a dieta principal dos peixes de água doce. Um exemplo típico é a Daphnia pulex.

Classe Crustácea

Fonte: www.marcobueno.net

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