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Filo Artrópodes

 

O filo Arthropoda é enorme em termos de números de espécies e em termos de número de indivíduos.

Eles diversificaram a viver em cada habitat imaginável, dos trópicos para os pólos, a partir do fundo dos oceanos para os topos de montanhas, tanto subterrâneas e dentro de outros animais e plantas, onde quer que você olhe Artrópodes são onipresentes.

Artrópodes são surpreendentemente diverso em forma e função e, em muitos casos, as características fundamentais foram secundariamente perdidos, totalmente ou só são visíveis em forma embrionária.

Por causa de seus grandes números, e a densidade em que ocorrem em muitos habitats, em terra, no solo, na água doce e no mar, artrópodes são de imensa importância para a ecologia de todo o planeta.

Eles fornecem alimentos diretamente para um grande número de anfíbios, peixes, aves e mamíferos e répteis e indiretamente para mais ainda.

Como insetos seu valor como polinizadores de plantas floríferas e, portanto, como preservadores da diversidade floral é incalculável.

O filo dos artrópodes

O filo dos artrópodes inclui a maioria das espécies potencialmente causadoras de pragas.

Assim, reveste-se de especial importância, a identificação das diversas espécies de artrópodes consideradas como potenciais pragas urbanas, que se deve apoiar em critérios específicos que permitam de uma maneira simples e fiável conhecer uma determinada espécie num dado espaço e numa determinada etapa do seu ciclo biológico.

Os artrópodes apresentam as seguintes características morfológicas gerais:

Corpo segmentado (articulado), com os segmentos agrupados em duas ou três regiões distintas
Apêndices (patas, antenas) em número par, segmentados
Esqueleto externo que se renova periodicamente
Simetria bilateral

O filo dos artrópodes inclui várias classes a que pertencem espécies causadoras de pragas urbanas, cujas características gerais são:

Crustacea: A maioria tem dois pares de antenas e pelo menos cinco pares de patas. Exemplo: bichos-da-conta
Diplopoda:
Corpo formado por diversos segmentos semelhantes com excepção do primeiro que constitui a cabeça. Cada segmento com dois pares de patas articuladas. Antenas pequenas. Exemplo: maria-café
Chilopoda:
Corpo muito segmentado, tal como os anteriores. Cada segmento com um par de patas. Antenas grandes. Exemplo: centopeias
Arachnida:
Cabeça e tórax unidos formando o cefalotórax. Adultos com quatro pares de patas, um par de quelíceras, um par de pedipalpos. Sem antenas. Geralmente desenvolvimento sem metamorfoses. Exemplo: aranhas, ácaros, carraças, escorpiões.
Insecta:
Corpo dividido em cabeça, tórax e abdómen. Um par de antenas. Normalmente um ou dois pares de asas. Três pares de patas. Exemplo: moscas, mosquitos, baratas, percevejos.

No caso dos artrópodes, e especialmente dos insetos, os conhecimentos de sistemática e de chaves para a identificação de espécies tem para os profissionais de controlo de pragas uma importância acrescida.

Além da apreciação das características morfológicas que permitem identificar uma praga utilizando chaves de identificação, também os conhecimentos dos hábitos (alimentares e outros) das diversas espécies e das suas características biológicas é imprescindível para a identificação, nomeadamente quando não são capturados elementos das espécies.

A maioria dos insetos desenvolve-se a partir de ovos. Estes são depositados pelas fêmeas normalmente em locais protegidos no meio ambiente, nos hospedeiros no caso das espécies parasitas, juntos numa cápsula ou ooteca como é o caso das baratas, individualmente ou em massas, soltos ou fixos a objetos diversos.

O crescimento dos insetos é feito em estadios separados por mudas, ou seja pela substituição do esqueleto rígido externo que possuem. O número de mudas varia com a espécie. Além das alterações do tamanho, muitas espécies de insetos alteram também a sua forma durante o crescimento, processo que é conhecido por metamorfose.

Relativamente a este aparência existem quatro tipos de insetos:

Sem metamorfoses: Ao longo do crescimento verifica-se apenas um aumento de tamanho, sem ocorrerem alterações da forma. Exemplo: peixinhos de prata
Metamorfose gradual: Distinguem-se três etapas de desenvolvimento:
ovos, ninfas e adultos. As ninfas, assemelham-se aos adultos em termos de forma, hábitos alimentares e outros. As alterações da aparência são muito graduais excepto a presença de asas que só atingem um desenvolvimento completo nos adultos. Exemplo: baratas, percevejos das camas
Metamorfose incompleta:
As alterações da forma são superiores às que se verificam nos artrópodes de metamorfose gradual. Os jovens, têm uma forma e hábitos diferentes dos adultos. Exemplo: algumas moscas.
Metamorfose completa:
Distinguem-se quatro etapas de desenvolvimento: ovos, larvas (com vários estadios), pupas e adultos. Exemplo: escaravelhos, traças, algumas moscas, pulgas, formigas, abelhas, vespas. A larva, forma que sai do ovo, tem frequentemente hábitos diferentes dos adultos e é causadora de estragos (exemplo larva da traça da roupa), o que justifica a importância do conhecimento dos hábitos e características biológicas das várias etapas.

Embora seja conhecida como fase de repouso, a pupa é uma das etapas mais ativas do desenvolvimento dos insetos já que é durante esta se desenvolvem as estruturas corporais adultas. Os adultos emergem da cápsula pupal, não ocorrendo qualquer desenvolvimento posterior.

Filo Artrópodes - Espécies

Filo Artrópodes é representados por animais que possuem exoesqueleto (esqueleto externo que da sustentação e proteção ao corpo do animal) e membros articulados (artro =articulação; podes = pés).

É nesse grupo de animais que se encontra o maior numero de espécies de seres vivos, mais de um milhão segundo outros autores. Exemplos de artrópodes são os caranguejos, aranhas, escorpiões e os insetos.

Os Artrópodes são o maior grupo de animais existentes, a cada cinco quatro são Artrópodes, que podem ser desde seres microscópicos ate crustáceos com mais de 3 metros de espessura.

Onde os Artrópodes habitam?

Os Artrópodes habitam quase todo o tipo de ambiente: aquáticos e terrestres e representam os únicos invertebrados voadores.

Filo Artrópodes - Características

Filo Artrópodes
Filo Artrópodes

Os artrópodos (do grego arthron = articulação, e podos = pés) reúne o maior número de espécies do reino animal, compreendendo mais de 800 mil (cerca de 3/4 do total de espécies conhecidas).

Estes animais podem ser encontrados em todos os ambientes: terrestres, aéreos, de água doce e marinhos; desde altitudes de 6 mil metros até mais de 9 mil metros de profundidade nos oceanos. Podem apresentar vida livre ou serem parasitas de animais e plantas. Trata-se de um grupo bastante diversificado, incluindo entre seus representantes os insetos, aranhas, escorpiões, lagostas, camarões, centopéias, lacraias e piolhos-de-cobra.

Características gerais

Apesar da grande diversidade, todos os artrópodes exibem, em comum, as seguintes características:

Exoesqueleto

Constituído principalmente por quitina, podendo apresentar impregnações por sais de cálcio. Nas regiões de articulações de patas, antenas, ou entre as diferentes regiões do corpo, a cutícula é fina e flexível, permitindo a movimentação. Por possuírem este revestimento externo rígido, os artrópodes apresentam crescimento descontínuo, por meio de mudas e ecdises.

Desta forma, periodicamente, um novo esqueleto mole forma-se sob o mais antigo; a velha cutícula se rompe e o animal se solta, ocorre rápido aumento do volume do corpo enquanto a cutícula está mole e flexível. Após este processo a cutícula se torna rígida como a anterior.

Apêndices articulados

No caso dos apêndices locomotores, sempre em número par, compostos por articulações móveis. Os apêndices podem ser de vários tipos dependendo da função que realizam, como pernas, antenas e aparelhos bucais.

Tubo digestivo completo: Inclusive com glândulas salivares, fígado e pâncreas, estes últimos fundidos em um único órgão.
Sistema respiratório presente:
A maioria com respiração traqueal; entretanto os que vivem na água apresentam respiração branquial.
Segmentação:
Os artrópodes são, além dos anelídeos, os únicos invertebrados segmentados, diferindo deles por não apresentarem septos intersegmentares internamente.
Excreção:
Se faz por meio dos tubos de Malpighi, na maioria deles.

Diversidade

Os artrópodos compreendem cinco classes principais:

Classe Insecta

Apresentam o corpo dividido em cabeça, tórax e abdome; possuem três pares de pernas (seis pernas) e duas antenas. Podem apresentar indivíduos com um par de asas (dípteros) ou dois pares de asas (tetrápteros).
Apresentam respiração traqueal e a excreção é feita por túbulos de Malpighi.
São dióicos, com dimorfismo sexual e fecundação interna.
O desenvolvimento pode ser direto ( jovens muito semelhantes aos adultos) ou indireto (apresentam fase de larva, pupa, imago ou ninfas e imagos).
Fazem parte desta classe os gafanhotos, formigas, abelhas, traças, besouros, libélulas, borboletas e outros.

Classe Crustácea

Os crustáceos são artrópodes com carapaça rígida e impregnada por cálcio. O corpo é formado por cefalotórax ( fusão da cabeça e tórax ) e abdome.
Possuem dois pares de antenas e vários pares de apêndices bífidos, com formas e funções diversas. A respiração é branquial e a excreção é realizada por glândulas verdes.
A maioria dos crustáceos é dióica, embora algumas espécies possam ser monóicas, ocorrendo tanto fecundação interna quanto externa.
A grande maioria das espécies vivem na água (na orla marítima, mares profundos e água doce). O Porcellio (tatuzinho-de-jardim) é uma das poucas espécies que vivem longe da águamas em ambientes úmidos. Fazem parte deste grupo os camarões, lagostas, caranguejos, tatuzinho-de-quintal, e outros.

Classe Arachnida

Possuem quatro pares de pernas articuladas, sem antenas e corpo dividido em cefalotórax e abdome. A respiração é feita por filotraquéias ou pulmões foliáceos.Presença de palpos (apêndices semelhantes a pernas, mas finalidade de locomoção; servem para prender vítimas e alimentos ou possuem função sexual) e quelíceras.
A classe dos aracnídeos compreende as ordens dos Araneídeos (aranhas), Acarinos (ácaros), Escorpionídeos (escorpiões), Pseudo-escorpionídeos (pseudo-escorpiões), e Opiliões. Os aracnídeos são dióicos, podendo apresentar nítido dimorfismo sexual.
A fecundação é interna. Nas aranhas e escorpiões o desenvolvimento é direto, embora nos ácaros seja indireto. Muitas espécies são peçonhentas e perigosas.
Outras são parasitas (sarna, acne, carrapatos), ocorrendo, através de algumas a tramissão de doenças infecto-contagiosas.

Classe Chilopoda

Possuem corpo longo e cilíndrico, ligeiramente achatado dorsoventralmente, segmentado em numerosos anéis, nos quais se prendem as patas articuladas ( um par por cada segmento).
A divisão do corpo é simples, compreendendo apenas a cabeça e o tronco.
Há um par de antenas longas e um aparelho bucal adaptado para a inoculação de peçonha, com ação muito dolorosa mas raramente mortal.
Na parte posterior do animal existe um apêndice que simula uma estrutura inoculadora de veneno.
Fazem parte deste grupo as conhecidas centopéias ou lacráias.

Lacráia ou centopéia

Classe Diplopoda

São animais muito aparentados com os quilópodos, porém apresentam dois pares de pernas articuladas por segmento, sendo todos inofensivos, já que não possuem nenhuma estrutura inoculadora ou glândulas secretoras de peçonha.

Vivem em buracos no solo e enroscam-se quando agredidos. São vulgarmente conhecidos como piolhos-de-cobra.

Filo Artrópodes - Organismos

O Filo Artrópodes constitui o maior grupo de organismos quanto ao número de espécies viventes, sendo conhecidas cerca de 1.000.000 espécies. A enorme diversidade tem lhes permitido sobreviver em praticamente todos os habitats. Este Filo inclui os caranguejos, camarões, cracas e outros crustáceos, os insetos, as aranhas, escorpiões, carrapatos, as centopéias, os piolhos-de-cobra e outros menos conhecidos, além de formas fósseis.

Estes animais tiveram origem a partir de um tronco primitivo de poliquetos, o que pode ser evidenciado pela presença de metameria, pela mesma organização do sistema nervoso e, primitivamente, pela presença de um par de apêndices por segmento, também observado nos poliquetos (os parapódios).

A característica principal dos Artrópodes é a presença do exoesqueleto quitinoso,que dá a ele proteção.Esta também é uma característica evolutiva,pois os anelídeos não apresentam nenhuma estrutura osséa.

Apesar da proteção, o exoesqueleto dificulta o crescimento dos Artropódes ,pois para seu crescimento deve-se haver substituição da casca(processo de formação da casca é denominado de muda),sendo assim o seu gráfico de crescimento é em forma de escada.

Uma outra característica importante é a presença de patas articuladas.

Os Artropódes são divididos nas seguintes classes:

Insecta

Sua importância no planeta é a produção de sedas, as joaninhas comem os pulgões que infestam as lavouras e tem as abelhas que fornecem alimento,o mel.
Tem uma estrutura de corpo dividida em cabeça,torax e abdômem.Seu sistema excretor é denominado 'tubos de malpighi'.
Seu sistema circulátório é aberto,ou seja não tem vasos sanguinios.Sua respiração é traqueal.E apresenta fecundação externa,além de serem dioícos(sexos separados,inseto macho e inseto femêa). Ex: borboleta.

Crustáceos

São caracterizados pela formação de patas modificadas em formas de pinças,sendo somente as duas primeiras.
O seu corpo é dividido em cefalotórax(cabeça unida ao torax) e abdômem.Sua respiração é branquial.São dioícos.Fecundação externa. Ex: Camarão. .
Chilopoda = Corpo é dividido em cabeça e tórax.Um par de antenas.Possuem um par de patas por segmento. Ex: Lacraias .

Diplopoda

Apresentam 2 pares de plantas por segmento. Ex: piolho-de-cobra.

Aracnidea

Corpo dividido em cefalotórax e abdômem.Respiração traqueal.

Sistema excretor é composto pelas glândulas coxais.Sistema nervoso ganglionar ventral(como nos insetos e crustáceos).

Fecundação interna

Alguns peçonhetos. Ex: aranha.

Filo Artrópodes - Animais

O filo dos artrópodes (gr. arthros = articulado + poda = pé) contém a maioria dos animais conhecidos (mais de 3 em cada 4 espécies animais), mais de 1 milhão de espécies, muitas das quais extremamente abundantes em número de indivíduos.

Estão nesta categoria os crustáceos, insetos, aranhas, centopeias, marias-café, bem como outros menos conhecidos e inúmeras formas fósseis.

O filo é um dos mais importantes ecologicamente pois domina todos os ecossistemas terrestres e aquáticos em número de espécies, de indivíduos ou ambos. A maior parte do fluxo energético desses ecossistemas passa pelo corpo dos artrópodes.

Podem ser encontrados artrópodes acima dos 6000 m de altitude, bem como a mais de 9500 m de profundidade. Existem espécies adaptadas á vida no ar, na terra, no solo e em água doce e salgada. Outras espécies são parasitas de plantas e ecto ou endoparasitas de animais.

Algumas espécies são gregárias e desenvolveram complexos sistemas sociais, com divisão de tarefas entre as diversas castas.

Considera-se que os artrópodes terão evoluído a partir de animais tipo anelídeo poliqueta ou que teria existido um ancestral comum a anelídeos e artrópodes. A sua relação com outros filos não é clara pois, embora o registo fóssil seja extenso e date desde o Câmbrico, não apresenta formas de transição.

Devido ao peso limitante do exosqueleto, nenhum artrópode atinge grande tamanho, embora existam caranguejos japoneses com 3,5 m de comprimento, com as suas delgadas pernas. A lagosta atlântica atinge 60 cm mas nenhum inseto tem mais que 28 cm de envergadura ou comprimento.

Caracterização do filo Artrópodes

O corpo do artrópode típico é segmentado externamente – metamerização - em diversos graus e as extremidades pares são articuladas, especializadas em forma e função para o desempenho de tarefas específicas.

Em algumas espécies, durante o desenvolvimento embrionário ocorre a fusão de alguns segmentos, podendo ocorrer a perda de apêndices em alguns deles.

Por esta razão, o corpo do artrópode típico é dividido em duas (cefalotórax e abdómen) ou três zonas (cabeça, tórax e abdómen).

Todas as superfícies externas do corpo são revestidas por um exosqueleto orgânico contendo quitina, segregado pela epiderme. Este revestimento é composto por camadas sucessivas de quitina (glícido), proteínas e ceras (praticamente impermeáveis) e lípidos, podendo ser ainda mais endurecido por impregnação de cálcio, como nos crustáceos.

O exosqueleto apresenta "pêlos" sensoriais exteriormente e dobras e pregas internas, que servem de apoio aos músculos.

O exosqueleto é uma peça fundamental para o sucesso dos artrópodes, pois fornece suporte ao corpo, fornece apoio aos músculos que movem os apêndices, protege contra predadores e, devido a ser impermeável, impede a dessecação, fundamental em meio terrestre.

Em cada articulação existem pares de músculos antagônicos (flexor e extensor), o que leva a movimentos extremamente precisos quando coordenados pelo sistema nervoso altamente desenvolvido.

Deste modo, os artrópodes deslocam-se de modo muito semelhante ao dos vertebrados, sendo as peças rígidas externas e não internas.

No entanto, o exosqueleto acarreta igualmente dificuldades pois é rígido e pouco expansível, limitando os movimentos, o crescimento e as trocas com o exterior.

Por este motivo, o animal realiza mudas periódicas. Aracnídeos e crustáceos realizam várias mudas ao longo da sua vida, enquanto insetos deixam de realizar mudas após atingirem a maturidade sexual.

O exosqueleto velho é “solto” por enzimas especializadas e um novo é formado por baixo dele, embora permanecendo mole. Quando o novo está formado, o exosqueleto velho fende-se em locais predeterminados e o animal emerge. Enchendo o corpo de ar ou água para o expandir ao máximo, o animal espera que o novo exosqueleto seque e endureça, período em que está muito vulnerável. As mudas provocam, portanto, um crescimento descontínuo.

O problema da falta de maleabilidade é resolvido, em parte, pela segmentação mas também pela presença de membranas mais finas na zona das articulações.

Em espécies marinhas o exosqueleto é reforçado por carbonato de cálcio e nas espécies terrestres é coberto por uma fina camada de cera, que impede a perda excessiva de água.

De modo a compensar a falta de contato direto do corpo com o exterior e com os estímulos, o exosqueleto está coberto por cerdas sensitivas.

O sistema nervoso (semelhante ao dos anelídeos, em escada de corda) e órgãos dos sentidos (olhos compostos, por exemplo) são proporcionalmente grandes e bem desenvolvidos, permitindo respostas rápidas a estímulos. Por este motivo, a cefalização é nítida.

O sistema circulatório é composto por um vaso dorsal simples, com zonas contrácteis que funcionam como um coração tubular, donde o sangue passa para uma aorta dorsal anterior. Após este vaso o sangue espalha-se por lagunas.

O sistema respiratório pode apresentar diversos tipos de estruturas, dependendo do meio em que o animal vive. Espécies aquáticas possuem brânquias, enquanto outras respiram pela superfície do corpo.

Os artrópodes terrestres possuem estruturas internas especializadas, designadas traqueias. Estas são sistemas de canais ramificados, por onde circula ar, comunicando com o exterior por orifícios na superfície do tegumento – espiráculos. Estas aberturas podem, geralmente, ser reguladas.

O sistema digestivo é completo, com compartimentos especializados.

O sistema excretor é igualmente especializado, principalmente nos animais terrestres, onde é formado por tubos de Malpighi. Este sistema é composto por uma rede de túbulos mergulhados na cavidade celómica e em contato com o sangue, donde removem as excreções. Estes tubos comunicam com o intestino, onde lançam esses produtos, que são eliminados com as fezes.

O celoma é reduzido e ocupado principalmente pelos órgãos reprodutores e excretores. Este fato parece relacionado com o abandono da locomoção que usa a pressão hidrostática.

A reprodução pode ser sexuada ou assexuada. Os artrópodes apresentam sexos separados, com fecundação interna nas formas terrestres e interna ou externa nas aquáticas.

Os ovos são ricos em vitelo e o desenvolvimento é quase sempre indireto, passando os animais por metamorfoses.

Este é o único filo de invertebrados com muitos membros adaptados ao meio terrestre, apresentando, igualmente, os únicos invertebrados capazes de voar, capacidade surgida há cerca de 100 M.a., muito antes da dos vertebrados.

Filo Artrópodes - Classe

Filo Artrópodes é o maior filo.

Apresentam pernas articuladas e têm corpo dividido geralmente em cabeça, tórax e abdome.

Em algumas espécies pode ocorrer a fusão da cabeça com o tórax, neste caso o corpo é dividido em cefalotórax e abdome.

Apresenta esqueleto externo (exoesqueleto).

O exoesqueleto é feito de uma substância resistente chamada quitina.

A função do exoesqueleto é de proteger o animal contra predadores e sustentar seu corpo, além de diminuir a perda de água por evaporação.

Presença de músculos que se prendem ao exoesqueleto que dão grande mobilidade a esses animais.

Presença de alguns apêndices: pernas (locomoção), antenas (olfato e tato).

Em certos períodos da vida, os artrópodes abandonam o exoesqueleto, pois crescem e precisam fabricar outro, esse processo é chamado de muda ou ecdise.

O filo artrópode se divide em cinco classes menores que são: insetos, crustáceos, aracnídeos, diplópodes e quilópodes.

1) Insecta (insetos)

É a maior classe de artrópodes.

Corpo dividido em: cabeça, tórax e abdome.

Na cabeça está um par de antenas, que capta cheiros e é sensível ao tato; possui ocelos (olhos simples) que acusam a presença de luz e de objetos próximos; olhos compostos, formados de várias unidades dotadas de lentes que fornecem imagens e detectam movimentos. Ao redor da boca existem várias peças bucais (sugador, mastigador, lambedor e picador-sugador) que ajudam na alimentação do animal.

No tórax há três pares de pernas e dois pares de asas.

Alguns possuem apenas um par de asas o outro é atrofiado, outros não possuem asas. As asas ajudam na captura de alimentos, na fuga de predadores, a explorar novos ambientes e a encontrar parceiros sexuais.

Possuem respiração traqueal, ou seja, respiram por tubos chamados traquéias que se abrem em diversos orifícios nas laterais do tórax e do abdome do inseto.

Por isso o oxigênio é levado até as células pelas ramificações das traquéias, sem passar pelo sangue, da mesma forma o gás carbônico faz o caminho inverso.

Possuem sistema digestório completo (boca, papo, cecos gástricos que produzem enzimas,estômago, intestino e orifício retal).

Sistema nervoso

Sistema nervoso é ventral, com órgãos dos sentidos e bem desenvolvido.

Sistema circulatório aberto (coração alongado dorsal que apresenta orifícios através dos quais o sangue entre ou sai dos vasos e cai em lacunas nas quais estão os órgãos).

Sistema excretor

A excreção é feita pelos túbulos de Malpighi que filtram as substâncias tóxicas produzidas pelas células e as lançam no intestino onde são eliminadas juntamente com as fezes.

Os sexos são separados e sua fecundação é interna (espermatozóide lançado dentro do corpo da fêmea).

São animais ovíparos e podem apresentar três tipos de desenvolvimento:

I – Holometábolos (metamorfose completa): Quando o ovo origina uma larva, que é bastante diferente do animal adulto. Nesse caso a larva se transforma em pupa ficando imóvel e dentro de um casulo para se transformar num animal adulto. Exemplo: borboleta, besouros, moscas e pulgas.
II – Hemimetábolos (metamorfose incompleta):
Quando o ovo origina um indivíduo chamado de ninfa (filhote sem asas), que apresenta pouca diferença em relação ao adulto. Exemplo: gafanhoto, barata e percevejo.
III – Ametábolo (não sofre metamorfose, o desenvolvimento é direto):
Quando o animal já sai do ovo com a forma do animal adulto, só que de tamanho menor. Exemplo: traças.

Importância dos insetos

Os insetos participam de cadeias alimentares. Muitas espécies de formigas ajudam a mexer a terra e a arejar o solo facilitando o crescimento das plantas.

Os insetos fazem também a polinização que é fundamental na reprodução das plantas e também no caso das abelhas que produzem o mel e a larva do bicho-da-seda que produz os fios de seda.

Alguns insetos vivem em sociedade, ou seja, desempenham determinadas funções como: abelhas, cupins e formigas.

Malefícios dos insetos

Alguns insetos contribuem para a disseminação de doenças transmitindo vários microorganismos ao ser humano e também podem causar grandes danos as plantações, destruindo-as. Prejuízos domésticos.

2) Crustácea (crustáceos)

Exoesqueleto feito de quitina muito mais calcificado porque contém carbonato de cálcio, formando uma crosta.

O corpo dos crustáceos é dividido em duas partes: cefalotórax (formado pela reunião da cabeça e do tórax) e abdome.

Na cabeça, há dois pares de antenas (tato e olfato); olhos compostos e apêndices ao redor da boca, com os quais seguram o alimento e o levam a boca.

O número de pernas vai variar. Suas pernas ficam no abdome.

Respiração branquial localizadas geralmente na base das pernas.

Circulação igual a dos insetos.

Excreção feita por estruturas que estão próximas as antenas (glândulas antenares).

Sexos separados. Porém existem espécies hermafroditas (fecundação cruzada) como as cracas.

Desenvolvimento indireto (ovo – larva – adulto) na maioria das espécies, podendo ocorrer também desenvolvimento direto como nas lagostas.

Exemplos: camarões, lagostas, siris, caranguejos.

3) Arachnida (aracnídeos)

O corpo é dividido em cefalotórax e abdome.

Possuem quatro pares de pernas.

Não possuem antenas e têm um par de quelíceras (manipulação do alimento) e um par de pedipalpos ou palpos (atuam como órgão sensorial ou órgão de cópula no macho).

Possuem olhos simples.

Não possuem mandíbula, pois cortam o alimento em pedaços com as quelíceras e jogam enzimas digestivas sobre os pedaços e sugam o material parcialmente digerido para dentro do tubo digestório, onde termina a digestão.

Respiração filotraqueal (falsos pulmões) traquéias modificadas que formam cavidades mais amplas que funcionam como brânquias internas.

Excreção feita pelos túbulos de Malpighi

Na aranha na extremidade do abdome existem as glândulas fiandeiras, que produzem fios utilizados na confecção de teias ou de casulos onde os ovos ficam abrigados.

As quelíceras do escorpião servem para triturar o alimento e o pedipalpos serve para prender a presa capturada. No escorpião a peçonha é injetada pelo aguilhão, uma espécie de ferrão existente na cauda.

Nas aranhas as quelíceras servem para injetar a peçonha, já os pedipalpos são apêndices sensoriais.

4) Chilopoda e Diplopoda ( quilópodes e diplópodes)

Podem ser reunidos em outra classe a dos Miriápodes (dez mil pés).

Possuem o corpo dividido em cabeça e tronco (segmentado).

Na cabeça apresentam olhos simples e um par de antenas.

Os quilópodes apresentam um par de patas por segmento, sendo que o primeiro par é transformado em uma estrutura chamada forcípula com as quais injetam peçonha nas presas. São carnívoros, predadores e se utilizam do veneno para imobilizar suas presas. São representados pelas centopéias ou lacraias.

Os Diplópodes apresentam dois pares de patas por segmentos e não possuem forcípula. São herbívoros e quando estão em perigo, eliminam um produto com cheiro desagradável e se enrolam em espiral. São representados pelosembuás ou piolhos-de-cobra).

Possuem tubo digestório completo.

Sistema excretor formado por túbulos de Malpighi.

Sistema circulatório aberto.

Sexos separados e desenvolvimento direto ou indireto.

Características Gerais dos Artrópodes

O filo Arthropoda é o mais extenso do reino Animal, existindo ainda muitas espécies por identificar. Este grupo inclui as aranhas, os crustáceos, as centopeias e os insetos, entre muitos outros seres vivos. Desde o final do Pré-Câmbrico, há cerca de 570 milhões de anos, que são encontrados artrópodes no registo fóssil (Hickman et al., 1997).

Estes seres vivos têm órgãos sensoriais bem desenvolvidos e um exosqueleto com quitina. A sua estrutura primitiva consiste numa série linear de segmentos, cada um com um par de apêndices constituídos por diferentes artículos. No entanto, verificou-se a tendência para os segmentos se fundirem entre si, originando grupos funcionais, e os apêndices estão frequentemente diferenciados, de modo a existir uma divisão do trabalho.

Poucos são os artrópodes que apresentam dimensões superiores a 60 cm de comprimento: o maior é um caranguejo japonês, com aproximadamente 4m de largura, e o mais pequeno é um ácaro com menos de 0,1 mm (Hickman et al., 1997).

Os artrópodes são geralmente animais ativos e energéticos. A maioria destes seres vivos são herbívoros, mas existem também artrópodes carnívoros e omnívoros. Tendo em conta a sua enorme abundância, vasta distribuição ecológica e elevado número de espécies, a sua diversidade não é ultrapassada por nenhum outro grupo de animais. São encontrados em todos os tipos de ambiente, desde zonas oceânicas profundas até regiões de elevada altitude, bem como desde o equador, até aos pólos. Muitas espécies estão adaptadas à vida no ar, em meio terrestre, em água doce, salobra ou salgada. Outras vivem ainda sobre ou no interior de plantas ou de outros animais (Hickman et al., 1997).

Apesar dos artrópodes competirem com o Homem por alimento e provocarem doenças, são essenciais para a polinização de muitas plantas e são também utilizados como alimento e para a produção de produtos como a seda, o mel e a cera (Hickman et al., 1997).

1. Principais Características

Encontram-se seguidamente enumeradas algumas das características deste grupo de seres vivos:

1. A simetria é bilateral e o corpo é segmentado, estando os segmentos geralmente agrupados em duas ou três regiões distintas: cabeça e tronco; cabeça, tórax e abdómen; ou cefalotórax e abdómen (Hickman et al., 1997; Triplehorn & Johnson, 2005).
2.
Existem apêndices constituídos por um conjunto de artículos. Tipicamente cada segmento apresenta um par de apêndices, mas esta organização surge frequentemente modificada, com segmentos e apêndices adaptados a funções especializadas: natação, manipulação do alimento, reprodução, entre outras (Hickman et al., 1997).
3.
Existe um exosqueleto com proteínas, quitina, lípidos e, muitas vezes, carbonato de cálcio. Trata-se de um esqueleto externo, segregado pela epiderme, que possibilita uma grande proteção. Para além disso, evita a desidratação, permite a fixação dos músculos e confere proteção contra as radiações solares. Um dos principais constituintes do exosqueleto é a quitina, um polissacarídeo resistente e insolúvel em água, existindo igualmente nos crustáceos impregnações de carbonato de cálcio. Devido à existência de zonas do exosqueleto que não são expansíveis, os artrópodes para crescerem têm que libertar esta cobertura após determinados intervalos de tempo, produzindo um novo exosqueleto, de maiores dimensões. Este processo denomina-se por mudas. Até atingirem a idade adulta, os artrópodes podem passar por quatro a sete mudas, podendo continuar a sofrer mudas durante a idade adulta (nesse caso, podem chegar a passar por 50 mudas). Como o exosqueleto é relativamente pesado, este é um dos fatores que condiciona as dimensões destes seres vivos (Hickman et al., 1997; Mader, 2001).
4.
O sistema muscular é complexo e utiliza o exosqueleto como suporte para os músculos, adaptados a movimentos rápidos (Hickman et al., 1997).
5.
O sistema circulatório é aberto, correspondendo a maior parte da cavidade do corpo ao hemocélio, que está repleto de hemolinfa (Hickman et al., 1997; Triplehorn & Johnson, 2005).
6.
O sistema digestivo é completo, com peças bucais resultantes da modificação de apêndices e adaptadas a diferentes tipos de alimentação (Hickman et al.,1997).
7.
A respiração ocorre através da superfície do corpo, de brânquias, de traqueias ou de pulmões laminares. A maioria dos artrópodes terrestres tem um sistema de traqueias altamente eficiente, que entrega o oxigênio diretamente aos tecidos, permitindo uma elevada taxa metabólica. Este sistema limita igualmente o tamanho destes seres vivos. Os artrópodes aquáticos respiram principalmente por um sistema de brânquias, igualmente eficiente (Hickman et al., 1997).
8. Os órgãos sensoriais estão bem desenvolvidos, existindo uma grande variedade de estruturas:
para o tato, audição, olfato, equilíbrio e visão. Em relação aos órgãos visuais, podem existir olhos compostos e/ou olhos simples (ocelos). Os olhos compostos são constituídos por unidades (omatídios) que variam em número (entre 1 e cerca de 10.000) e que operam individualmente, permitindo que o ser vivo veja simultaneamente em quase todas as direções. Quando o número de omatídios é muito elevado, obtém-se a conhecida imagem em “mosaico” dos insetos. A visão inicia-se na gama dos ultravioleta, estendendose apenas até ao laranja (Hickman et al., 1997).
9.
Os sexos são geralmente separados, sendo a fecundação maioritariamente interna. Podem ser ovíparos ou ovovivíparos (Hickman et al., 1997).
10.
Durante o desenvolvimento, podem ocorrer metamorfoses, existindo por vezes uma fase larvar muito diferente da forma adulta. Nesta situação, as duas formas têm geralmente exigências alimentares e ecológicas diferentes, diminuindo assim a competição intraespecífica (Hickman et al., 1997).

O filo Arthropoda inclui quatro subfilos: Trilobita (extinto); Chelicerata, com três classes (Arachnida, Merostomata e Pycnogonida); Crustacea, com dez classes; e Atelocerata, com cinco classes (Diplopoda, Chilopoda, Pauropoda, Symphyla e Insecta) (Triplehorn & Johnson, 2005). Seguidamente encontra-se uma breve descrição de algumas classes deste filo (Arachnida, Chilopoda, Diplopoda e Insecta), bem como de algumas ordens (Acari, Araneae, Collembola, Diptera, Hemiptera e Hymenoptera).

2. Características de Algumas Classes

2.1. Classe Arachnida

Esta classe inclui as aranhas, os escorpiões, os pseudoescorpiões e os ácaros, entre outros (Figura 1).

Estão descritas cerca de 65.000 espécies, organizadas em onze ordens, tais como: Scorpiones (escorpiões), Opiliones (opiliões), Araneae (aranhas), Acari (ácaros e carraças) e Pseudoscorpiones (pseudoescorpiões).

Estes seres vivos são mais comuns em regiões quentes e secas, do que em qualquer outro local. O corpo encontra-se dividido em cefalotórax e abdómen, apresentando o cefalotórax um par de quelíceras, um par de pedipalpos e quatro pares de patas locomotoras. Assim, não existem mandíbulas nem antenas. A maioria dos aracnídeos são predadores, podendo existir pedipalpos modificados em forma de pinças, como nos escorpiões. As presas são capturadas e mortas pelas quelíceras e pedipalpos, sendo ingeridos posteriormente os fluidos e tecidos moles. O seu sistema respiratório é constituído por traqueias e/ou pulmões laminares (Borror & DeLong, 1988; Ruppert & Barnes, 1994; Hickman et al., 1997; Triplehorn & Johnson, 2005).

Os aracnídeos foram os primeiros artrópodes a ocupar o meio terrestre e, em geral, são inofensivos para o Homem, alimentando-se de insetos prejudiciais. No entanto, existem aracnídeos que podem provocar picadas dolorosas ou mesmo mortais, e alguns podem transmitir doenças ou danificar culturas (Hickman et al., 1997).

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Figura 1 – Esquemas de alguns exemplares da classe Arachnida: A – ordem Araneae; B – ordem Opiliones; C - ordem Pseudoscorpiones; e D - ordem Scorpiones, retirados de Borror & DeLong (1988). Note-se que os esquemas não se encontram na mesma escala.

2.2. Classe Chilopoda

Este grupo corresponde aos centípedes (do Grego, chilo = lábio e poda = pé/apêndice), artrópodes terrestres com o corpo achatado dorsoventralmente, que podem apresentar até 177 segmentos. Estão descritas 2.500 espécies, organizadas em quatro ordens (Ruppert & Barnes, 1994; Hickman et al., 1997; Triplehorn & Johnson, 2005).

Cada segmento, excepto o primeiro e os últimos dois, apresenta um par de apêndices locomotores (Figura 2). Os apêndices do primeiro segmento estão modificados para formar um par de garras venenosas. Na cabeça existe um par de antenas (com 14 ou mais artículos), um par de mandíbulas e dois pares de maxilas.

Os olhos, quando presentes, correspondem geralmente a um conjunto de ocelos. A respiração ocorre através de traqueias, existindo normalmente um par de espiráculos em cada segmento. Contudo, o padrão de distribuição dos espiráculos varia nos diferentes grupos. Em relação à reprodução, estes seres vivos são ovíparos, podendo os indivíduos jovens apresentar ou não o número total de segmentos dos indíviduos adultos (Ross et al., 1982; Borror & DeLong, 1988; Ruppert & Barnes, 1994; Hickman et al., 1997; Mader, 2001; Triplehorn & Johnson, 2005).

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Figura 2 – Esquema de um exemplar da classe Chilopoda, retirado de Ruppert & Barnes (1994).

As centopeias preferem locais húmidos e são carnívoras, alimentando-se fundamentalmente de outros insetos. A maioria tem hábitos nocturnos, escondendo-se durante o dia e alimentando-se de noite. As presas são mortas com as suas garras venenosas e posteriormente são trituradas com as mandíbulas (Ross et al., 1982; Borror & DeLong, 1988; Ruppert & Barnes, 1994; Hickman et al., 1997; Mader, 2001; Triplehorn & Johnson, 2005).

2.3. Classe Diplopoda

Os seres vivos pertencentes a esta classe são designados muitas vezes por milípedes, existindo cerca de 10.000 espécies, organizadas em dez ordens. O seu corpo cilíndrico ou ligeiramente achatado, é constituído por 25 a 100 segmentos, existindo na maior parte deles dois pares de patas (do Grego, diplo = dois/duplo e poda = pé/apêndice), uma vez que resultam da fusão de dois segmentos (Figura 3). Na cabeça encontra-se um par de antenas curtas (com sete artículos), um par de mandíbulas, um par de maxilas e geralmente dois conjuntos de ocelos. Os milípedes são ovíparos e são menos ativos do que os centípedes.

Deslocam-se lentamente, sem o movimento ondulatório das centopeias, e, em geral, são saprófagos, alimentando-se maioritariamente de detritos vegetais.

Contudo, também se podem alimentar de plantas vivas e alguns são predadores. Estes seres vivos preferem normalmente locais húmidos e escuros (Borror & DeLong, 1988; Ruppert & Barnes, 1994; Hickman et al., 1997; Mader, 2001; Triplehorn & Johnson, 2005).

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Figura 3 – Esquema de um exemplar da classe Diplopoda, retirado de Ruppert & Barnes (1994).

2.4. Classe Insecta

Os insetos são o grupo mais abundante e diversificado de todos os artrópodes, existindo cerca de 900.000 espécies descritas. Assim, existem mais espécies de insetos do que de todos os restantes animais em conjunto.

Os indivíduos deste grupo caracterizam-se por apresentarem o corpo dividido em três regiões: cabeça, tórax e abdómen.

No tórax encontram-se três pares de patas, podendo existir ainda um ou dois pares de asas, enquanto que no abdómen encontra-se a maior parte dos órgãos internos. O seu tamanho varia entre 1 mm e 20 cm de comprimento, tendo a maioria menos de 2,5 cm (Hickman et al., 1997; Mader, 2001). Estes artrópodes encontram-se em praticamente todos os habitats. São comuns em águas doces e salobras, bem como na areia das praias, mas poucos são marinhos. São igualmente abundantes no solo e nas florestas (especialmente na copa das árvores das florestas tropicais), sendo também comuns nos desertos e no topo das montanhas. Muitos são parasitas na superfície ou no interior de plantas e animais. A sua vasta distribuição deve-se, entre outras características, à sua capacidade de voo e enorme adaptabilidade. Além disso, os seus ovos podem sobreviver a condições adversas e ser transportados a longas distâncias (Hickman et al., 1997).

O seu corpo apresenta um exosqueleto rígido, devido à presença de determinadas proteínas. Na cabeça existe geralmente um par de olhos compostos, um par de antenas e um máximo de três ocelos. As antenas podem funcionar como órgãos olfativos, tácteis ou mesmo auditivos. As peças bucais incluem em geral um lábio superior (labrum), um par de mandíbulas, um par de maxilas, um lábio inferior (labium), um cretal alimentar (hipofaringe) e um cretal salivar (epifaringe). A sua alimentação determinou o tipo de peças bucais existentes. O tórax é constituído por três segmentos, apresentando cada um deles um par de patas. Na maioria dos insetos os dois últimos segmentos torácicos apresentam igualmente um par de asas.

As patas são constituídas pelos seguintes segmentos: coxa, trocânter, fémur, tíbia e tarsos (pequenos artículos que podem variar em número, geralmente entre dois e cinco). O último artículo tarsal apresenta o pré-tarso, em geral, com um par de garras.

As patas dos insetos podem apresentar modificações para funções específicas, como por exemplo: para o salto, para fixação, para se enterrarem, para a coleta de pólen ou para a natação. O abdómen é constituído embrionariamente por 11 segmentos. Nos adultos, em geral, visualizam-se de 6 a 8. Nas formas larvares podem existir apêndices no abdómen, que desaparecem no estado adulto. Nos últimos segmentos abdominais encontram-se as estruturas relacionadas com a reprodução e também podem existir estruturas de natureza sensorial (Ross et al., 1982; Borror & DeLong, 1988; Hickman et al., 1997; Triplehorn & Johnson, 2005).

As asas correspondem a expansões do exosqueleto, podendo ser exclusivamente membranosas, coriáceas ou córneas. As nervuras existentes são específicas de cada espécie e servem para conferir maior rigidez. As asas podem estar cobertas de pequenas escamas, como nas borboletas, ou apresentar muitos pêlos, como nos tisanópteros. O seu movimento é controlado por um complexo conjunto de músculos do tórax, que originam alterações na forma deste último. As asas dos insetos variam em número, tamanho, forma, textura, nervação e posição de repouso. Alguns insetos, como grilos e gafanhotos machos, conseguem produzir um som característico com as asas (a estridulação), friccionando as duas asas anteriores entre si ou as asas anteriores com as patas posteriores (Ross et al., 1982; Borror & DeLong, 1988; Hickman et al., 1997; Triplehorn & Johnson, 2005).

Dada a sua enorme diversidade, os insetos podem tirar partido de praticamente todos os recursos alimentares e abrigos.

A maioria dos insetos alimenta-se de seiva elaborada e de tecidos vegetais, podendo alimentar-se de plantas específicas ou ser mais generalistas. Contudo, alguns alimentam-se de animais mortos e existem também insetos predadores, que se alimentam de outros insetos ou de outros animais. Vários insetos e larvas são parasitas, alimentando-se do sangue de outros animais ou vivendo no interior do seu corpo. Para cada tipo de alimentação, as peças bucais estão adaptadas de uma forma específica (Figura 4).

Numa armadura bucal picadora-sugadora, existem peças bucais que permitem perfurar os tecidos de plantas e animais, sendo geralmente alongadas e em forma de estilete. É o que acontece no caso dos mosquitos e cigarras. Nas borboletas não existem mandíbulas e uma das partes constituintes das maxilas (as gáleas), encontram-se fundidas formando uma longa probóscis, que em repouso é mantida enrolada – armadura sugadora pura. Numa armadura bucal libadora-sugadora, como nas moscas, existe no ápice do labium um par de lóbulos (labelos) constituídos por canais semelhantes a traqueias (pseudotraqueias), que permitem absorver o alimento sob a forma líquida. Finalmente, numa armadura bucal mastigadora ou trituradora, como nos gafanhotos, as mandíbulas são fortes e apresentam pequenos dentes para a trituração do alimento (Matthes, 1959; Hickman et al., 1997).

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Figura 4 – Esquema de diferentes tipos de armaduras bucais: A – mastigadora, adaptado de Matthes (1959); B – sugadora pura, adaptado de Matthes (1959); e C – picadora-sugadora (em repouso), adaptado de Hickman et al. (1997).

Os insetos terrestres respiram por um sistema de traqueias, as quais se ramificam no interior do seu corpo e abrem para o exterior através de aberturas respiratórias pares (os espiráculos ou estigmas), existindo geralmente dois no tórax e sete ou oito no abdómen (um par por cada segmento). No caso dos insetos aquáticos existe um sistema de brânquias especializado (Hickman et al., 1997).

Os sexos são separados e a fecundação é maioritariamente interna, sendo produzido em geral um elevado número de ovos. A maioria dos insetos sofre metamorfose durante o seu desenvolvimento, isto é, alterações na sua forma. No caso de uma metamorfose holometabólica ou completa, as larvas vivem num nicho ecológico totalmente diferente das formas adultas, tendo também uma alimentação distinta. Após uma série de mudas, as larvas formam um casulo, no interior do qual sofrem um conjunto de alterações morfológicas, sem se alimentarem – pupa ou crisálida. Da pupa emerge o indivíduo adulto, que não sofre mudas. É o caso das borboletas, escaravelhos e moscas. Neste ciclo de vida, as asas desenvolvem-se internamente. Na metamorfose hemimetabólica ou incompleta, as fases juvenis denominam-se por ninfas e as suas asas desenvolvem-se externamente, aumentando de tamanho à medida que ocorrem as mudas sucessivas, até ser atingido o estado adulto. Ao longo das mudas ocorre também o aumento do tamanho das ninfas e o desenvolvimento dos órgãos reprodutores, designados por genitália. Nestes casos, as fases juvenis têm uma alimentação semelhante e encontram-se nos mesmos habitats que os indivíduos adultos.

Exemplos deste tipo de desenvolvimento são as baratas e os gafanhotos. Alguns insetos têm um desenvolvimento direto, em que formas juvenis são morfologicamente idênticas aos adultos, excepto no que diz respeito ao tamanho e maturação sexual. Os insetos reproduzem-se geralmente apenas uma vez durante o seu tempo de vida. Assim, as populações são normalmente constituídas por indivíduos da mesma idade, existindo pouca ou nenhuma sobreposição de gerações sucessivas (Ross et al., 1982; Borror & DeLong, 1988; Hickman et al., 1997; Triplehorn & Johnson, 2005).

Muitos insetos passam por um período de dormência no seu ciclo de vida anual. Nas zonas temperadas pode existir um período de dormência no Inverno (hibernação) e/ou um período de dormência no Verão (estivação). Muitos insetos entram em dormência quando um determinado fator ambiental, como a temperatura, se torna desfavorável. Contudo, outros apresentam essa fase no seu ciclo de vida, independentemente das condições ambientais. Neste caso, este tempo de dormência designa-se por diapausa e é geneticamente determinado, podendo ser ativado, por exemplo, pela diminuição do número de horas de luz. O estádio hibernante pode ser o ovo, a ninfa, a larva ou o indivíduo adulto. Em geral, os insetos que vivem nos trópicos têm um desenvolvimento contínuo, sem existir um período de dormência. Muitos insetos têm mais do que uma geração por ano, podendo o número de gerações variar consoante as condições ambientais sejam mais ou menos favoráveis (Borror & DeLong, 1988; Hickman et al., 1997; Triplehorn & Johnson, 2005).

Os insetos comunicam entre si através de sinais visuais, auditivos, químicos e tácteis. Muitos insetos estão organizados em comunidades, comunicando entre si essencialmente por sinais químicos e tácteis. Algumas comunidades são temporárias e pouco organizadas, mas outras são permanentes (como nas abelhas, formigas e térmitas), existindo uma divisão do trabalho e diferentes castas (Hickman et al., 1997).

Os insetos desempenham importantes funções: são necessários para a polinização de muitas culturas e produzem materiais como o mel, a seda e a cera.

Durante a evolução, insetos e plantas desenvolveram adaptações mútuas. Os insetos exploram as flores para se alimentarem e as flores utilizam os insetos para a polinização. A estrutura das flores está totalmente adaptada às características dos insetos que as polinizam. Para além do mais, muitos insetos predadores alimentam-se de insetos prejudiciais às culturas. Em termos ecológicos, os insetos são igualmente o recurso alimentar de muitas aves, peixes e outros animais.

Contudo, existem também insetos transmissores de doenças (como malária, febre amarela, peste, tifo exantemático, doença das chagas e doença do sono).

Além disso, muitos insetos, como as formigas, baratas e térmitas, podem causar a destruição de alimentos, de roupa e de outros materiais (Hickman et al., 1997).

3. Características de Algumas Ordens

3.1. Ordem Acari (Classe Arachnida)

Do conjunto de artrópodes do solo, esta é a ordem com um maior número de espécies e, frequentemente, com a maior abundância (Eisenbers & Wichard, 1984). Apesar de só terem sido descritas 30.000 espécies, deverão existir mais de 500.000, sendo esta a ordem de aracnídeos com uma maior riqueza específica. Nestes seres vivos o cefalotórax pode estar completamente fundido com o abdómen, sem existirem sinais externos de segmentação (Figura 5).

Existem formas terrestres e aquáticas, de água doce ou salgada. As formas livres podem ser predadoras, herbívoras ou saprófagas, mas muitas espécies são parasitas, pelo menos durante parte do seu ciclo de vida. Deste grupo fazem parte os ácaros e as carraças. As carraças são um dos principais agentes transportadores de doenças provocadas por bactérias, vírus, protozoários e fungos (Borror & DeLong, 1988; Hickman et al., 1997; Triplehorn & Johnson, 2005).

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Figura 5 – Esquema de um exemplar da ordem Acari, retirado de Triplehorn & Johnson (2005).

3.2. Ordem Araneae (Classe Arachnida)

As aranhas formam um vasto grupo de artrópodes, correspondendo a mais de 38.000 espécies, distribuídas por todo o mundo. Encontram-se em geral com uma elevada riqueza específica em zonas naturais e agrícolas (Marc et al., 1999), sendo por vezes muito abundantes. O seu corpo está dividido em duas regiões (o cefalotórax e o abdómen) não segmentadas e ligadas entre si por uma região delgada (Figura 6). Todas as aranhas são predadoras, alimentando-se de insetos.

As quelíceras, o seu primeiro par de apêndices, apresentam um aguilhão terminal ligado a glândulas de veneno, tendo este último a capacidade de liquefazer os tecidos das presas. O fluido resultante é posteriormente absorvido. Para além das quelíceras, existe também um par de pedipalpos, que intervem geralmente na manipulação do alimento, e quatro pares de patas locomotoras (Borror & DeLong, 1988; Hickman et al., 1997; Triplehorn & Johnson, 2005).

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Figura 6 – Esquema de uma aranha, adaptado de Triplehorn & Johnson (2005).

Estes artrópodes apresentam geralmente muitos pêlos sensoriais, através dos quais recebem algumas informações sobre o meio exterior, como a existência de correntes de ar. Quando existem olhos simples, o seu número (de 1 a 8) e distribuição são características importantes na classificação dos diferentes grupos.

Quanto ao sistema respiratório, as aranhas respiram por traqueias e/ou pulmões laminares. Estes últimos são exclusivos deste grupo, sendo constituídos por várias cavidades de ar paralelas. Em relação à reprodução, as aranhas são ovíparas e sofrem várias mudas até atingirem a idade adulta. Quando eclodem têm uma aparência muito próxima à dos adultos, sendo a metamorfose muito pequena durante o seu desenvolvimento (Borror & DeLong, 1988; Hickman et al., 1997; Triplehorn & Johnson, 2005).

Muitas aranhas elaboram teias, sendo a seda constituída por proteínas e produzida por glândulas existentes no abdómen.

Existem diferentes tipos de teias, que variam de espécie para espécie: em forma de funil, irregulares, orbiculares, entre outras (Borror & DeLong, 1988; Hickman et al., 1997; Triplehorn & Johnson, 2005).

Os seus hábitos predadores permitem limitar o crescimento de outros animais, em geral, insetos, pelo que este grupo desempenha um importante papel nos ecossistemas (Borror & DeLong, 1988; Triplehorn & Johnson, 2005). A sua abundância e riqueza específica pode refletir inclusivamente a abundância das suas presas (Miyashita et al., 1998)

3.3. Ordem Collembola (Classe Insecta)

Os colêmbolos (do Grego, coll = cola; embola = cunha) são um dos grupos mais abundantes da mesofauna do solo, atingindo por vezes elevadas densidades populacionais (até 100.000/m3). Este grupo engloba cerca de 2.000 espécies, correspondendo a insetos de reduzidas dimensões, raramente excedendo os 5mm, com peças bucais picadoras ou mastigadoras. A maioria apresenta uma estrutura terminal bifurcada, a fúrcula, que é utilizada para o salto e que se encontra sob o abdómen quando em repouso.

No lado ventral existe no primeiro segmento abdominal uma estrutura em forma de tubo bilobado, o colóforo, com funções de absorção de água e de excreção, tendo também substâncias que permitem a adesão ao substrato (Figura 7). Em relação a estruturas sensoriais, pode ser encontrado na cabeça um número variável de ocelos, existindo também um par de antenas curtas, com quatro artículos. Este insetos apresentam metamorfose incompleta e podem ser saprófagos ou fitófagos, alimentando-se geralmente de matéria vegetal em decomposição e fungos. Algumas espécies podem danificar jardins, estufas e culturas de cogumelos (Borror & DeLong, 1988; Richards & Davies, 1988; Chinery, 1993; Triplehorn & Johnson, 2005).

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Figura 7 – Esquema de um colêmbolo, adaptado de Cunha e colaboradores (1964).

A variação da densidade das populações de colêmbolos está, em geral, relacionada com fatores ecológicos que alteram a atividade destes artrópodes. A humidade e a temperatura são os parâmetros mais importantes, dependendo deles também a migração vertical destes animais no solo. Em relação ao primeiro fator, vários autores verificaram que a temperatura tem um forte efeito sobre os colêmbolos, afetando, por exemplo, o número de ovos colocados. Quanto à humidade, os colêmbolos estão dependentes de um fornecimento constante de água, existindo deslocamentos verticais no solo e migrações horizontais para encontrarem as condições mais adequadas (Eisenbers & Wichard, 1984; Wolters, 1998). A sensibilidade que estes artrópodes apresentam em relação à modificação das suas condições ambientais já levou alguns autores a defender inclusivamente a sua utilização para o estudo da influência de fatores físico-químicos e microbiológicos na fauna do solo (Pflug & Wolters, 2002).

A vegetação também influencia este grupo, tendo Berbiers et al. (1989) verificado que as zonas com um estrato herbáceo mais desenvolvido apresentam tendencialmente uma maior densidade de indivíduos, pois o ar encontra-se mais saturado e existem mais refúgios. No entanto, o tipo de solo também afeta as comunidades de colêmbolos (Pflug & Wolters, 2002). Além disso, verificou-se igualmente que o pisoteio das áreas em estudo intensifica a atividade destes artrópodes, originando amostras de maiores dimensões (Adis, in Borges, 1991).

3.4. Ordem Diptera (Classe Insecta)

Esta ordem compreende mais de 90.000 espécies, pertencendo a este grupo as moscas e os mosquitos. A maioria dos dípteros (do Grego, di = duas; ptera = asas) distingue-se dos outros insetos por apresentar apenas um par de asas, as anteriores, estando as asas posteriores transformadas num par de órgãos de equilíbrio, de pequenas dimensões, os halteres ou balanceiros (Figura 8). As peças bucais são fundamentalmente do tipo libador-sugador, mas existe uma grande variabilidade no interior desta ordem. A maioria dos indivíduos adultos alimenta-se de fluidos animais ou vegetais, em geral de néctar, mas também de seiva ou sangue. Na cabeça existe um par de olhos compostos relativamente grandes e, geralmente, três ocelos. Em relação ao seu desenvolvimento, estes artrópodes passam por metamorfose completa, sendo as larvas vermiformes e ápodas. Muitas delas são aquáticas, existindo larvas herbívoras, predadoras e saprófagas (Borror & DeLong, 1988; Richards & Davies, 1988; Chinery, 1993; Triplehorn & Johnson, 2005).

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Figura 8 - Esquema de um díptero, adaptado de Dierl & Ring (1992).

Algumas espécies de dípteros podem tornar-se pragas para o Homem, para outros animais e para plantas cultivadas. Para além disso, podem igualmente transportar doenças, como a malária, a febre amarela, a doença do sono e o tifo exantemático. No entanto, muitos dípteros são úteis como saprófagos, predadores ou parasitas de outros insetos prejudiciais, e realizam a polinização de plantas importantes para o Homem (Borror & DeLong, 1988; Chinery, 1993; Triplehorn & Johnson, 2005).

3.5. Ordem Hemiptera (Classe Insecta)

Deste grupo fazem parte, por exemplo, as cigarras, os pulgões, as cochonilhas e os percevejos, correspondendo a cerca de 70.000 espécies. Trata-se de uma ordem diversificada, existindo variações consideráveis na forma do corpo, asas, antenas, ciclo de vida e hábitos alimentares. A característica comum a todos estes insetos é a armadura bucal, do tipo picadora-sugadora.

Alguns apresentam um rostro segmentado, com origem na parte anterior da cabeça e que se estende ao longo do lado ventral do corpo, muitas vezes até à base das patas posteriores (Figura 9). Outros apresentam um rostro de dimensões mais reduzidas, com origem na parte posterior da cabeça. Em geral, alimentam-se da seiva das plantas, mas alguns alimentam-se de sangue (Borror & DeLong, 1988; Chinery, 1993; Hickman et al., 1997; Triplehorn & Johnson, 2005).

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Figura 9 – Esquema de um hemíptero, adaptado de Borror & DeLong (1988).

Os hemípteros apresentam geralmente dois pares de asas, existindo, no entanto, espécies ápteras. Alguns têm a parte basal das asas anteriores espessada, sendo a zona apical membranosa (Figura 9). Contudo, outros apresentam as asas anteriores com uma textura uniforme. Em repouso, as asas dos primeiros encontram-se horizontalmente sobre o abdómen, com as extremidades membranosas sobrepostas (do Grego, hemi = meio; ptera = asas).

Nos segundos, as asas são colocadas em telhado sobre o corpo, sobrepondo-se ligeiramente no ápice. Em ambos os casos, as asas posteriores são totalmente membranosas (Borror & DeLong, 1988; Chinery, 1993; Hickman et al., 1997; Triplehorn & Johnson, 2005).

As antenas podem ser curtas ou longas, mas apresentam, em geral, quatro ou cinco artículos. Os olhos compostos estão na maioria dos casos bem desenvolvidos, podendo também existir ocelos, no máximo, três. Durante o seu ciclo de vida os hemípteros sofrem geralmente metamorfose incompleta, tendo alguns um ciclo de vida bastante complexo (Borror & DeLong, 1988; Chinery, 1993; Hickman et al., 1997; Triplehorn & Johnson, 2005).

A maioria das espécies é terrestre, mas existem muitas aquáticas. Algumas espécies podem ser uma praga para diferentes culturas, mas outras são predadoras, desempenhando um papel útil ao Homem. Os que se alimentam de sangue podem ser transmissoras de doenças (Borror & DeLong, 1988; Triplehorn & Johnson, 2005).

3.6. A Ordem Hymenoptera (Classe Insecta)

Esta ordem engloba nomeadamente as vespas, as abelhas e as formigas. Corresponde a cerca de 120.000 espécies, que apresentam geralmente dois pares de asas membranosas (do Grego, hymeno = membrana; ptera = asas), sendo as posteriores menores do que as anteriores (Figura 10). Estes dois pares de asas encontram-se ligados entre si por um conjunto de estruturas que variam em termos morfológicos. As asas apresentam poucas nervuras, sendo estas quase inexistentes nos himenópteros mais pequenos. Contudo, existem elementos desta ordem que não têm asas na maior parte do seu ciclo de vida, como é o caso das formigas (Figura 10). As peças bucais são do tipo mastigador ou mastigador-sugador. Na cabeça existe um par de antenas, geralmente com dez ou mais segmentos e, muitas vezes, em cotovelo. Existe igualmente um par de olhos compostos e, geralmente, três ocelos. No seu ciclo de vida ocorre metamorfose completa, sendo as larvas vermiformes. As pupas podem formar-se no interior de um casulo ou num hospedeiro, no caso de espécies parasitas.

Esta ordem inclui muitos insetos parasitas ou predadores de insetos prejudiciais ao Homem e, também, os agentes polinizadores mais importantes: as abelhas (Borror & DeLong, 1988; Chinery, 1993; Triplehorn & Johnson, 2005).

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Figura 10 – Esquema de um espécimen alado (A) e de um espécimen áptero (B) da ordem Hymenoptera, retirados de Chinery ( 1993 )

Fonte: www.earthlife.net/lucianadeabreu.no-ip.org/curlygirl.naturlink.pt/lisboaverde.cm-lisboa.pt

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