
Toxocara canis - ovo embrionado
Helminto nematódeo, causador da toxocaríase (larva migrans visceral). O nematódeo Toxocara canis vive no intestino delgado do cão e de canídeos selvagens. O parasito adulto (1) mede de 4 a 18 cm, e é caracterizado pela presença de asa cefálica.
Os ovos embrionados (2), quando ingeridos pelo homem, liberam no intestino delgado as larvas, que invadem a mucosa e ganham a circulação, sendo levadas ao fígado, coração e depois pulmões; lesam, além desses órgãos, cérebro, olhos e linfonodos. A lesão típica é o granuloma alérgico. A incubação dura de semanas a meses. Manifesta-se comumente em crianças por sintomas inespecíficos, podendo ocorrer febre, eosinofilia, leucocitose, manifestações pulmonares, cardíacas, hepatomegalia, lesões cerebrais, síndrome de Loeffler (tosse, febre, infiltrado pulmonar e eosinofilia). O diagnóstico é feito por dados laboratoriais e provas imunológicas (imunofluorescência, ELISA).
A prevenção consiste em tratar os animais domésticos, dar destino adequado às fezes desses, cuidados com crianças em bancos de areia que podem conter fezes de animais domésticos.
São nematódeos relativamente pequenos, que possuem esôfago longo e estreito, dilatado posteriormente. Seu ciclo é monoxênico.
Os indivíduos do sexo feminino possuem a extremidade posterior longa e afilada, dois ovários e um útero. Os ovos têm forma ovalar e assimétrica.

Enterobius vermicularis Fêmea
É um helminto nematódeo de 0,3 a 1,0 cm, conhecido como oxiúrus. Morfologicamente, apresenta como característica do verme adulto um par de asas cefálicas.
Após o acasalamento, o macho é eliminado com as fezes e a fêmea adulta (1) se dirige até o orifício retal para fazer a ovipostura, principalmente à noite. Com freqüência, não consegue retornar para a ampola retal, morrendo nesse local. Os ovos (2) maturam rapidamente na pele da região periretal ou no solo, apresentando larvas infectantes. Então, os ovos maduros devem ser ingeridos pelo hospedeiro para a continuidade do ciclo.

Enterobius vermicularis - Detalhe da cabeça para mostrar asas
cefálicas (setas).
Os ovos ingeridos eclodem no intestino delgado. As larvas migram pela mucosa intestinal até o ceco e intestino grosso, onde atingem a maturidade. O período pré-patente é de um a dois meses.
Provocam poucas lesões significativas na mucosa. Na região periretal e períneo, pode haver laceração da pele, com hemorragia, dermatite e infecções secundárias. Localizações ectópicas podem se manifestar como uretrite e vaginite. As manifestações incluem prurido retal intenso, especialmente à noite; náuseas, dor abdominal, emagrecimento, diarréia.

Enterobius vermiculares (ovo)
A contaminação entre pessoas da mesma casa é comum. Hábitos de higiene corporal e limpeza de roupas íntimas, toalhas e lençóis previne a infecção.
Estes nematódeos são relativamente longos e finos, com nítido dimorfismo sexual. As fêmeas apresentam extremidade posterior em ponta romba e são até quatro vezes maiores que os machos. Estes possuem a extremidade posterior fortemente enrolada e com dois espículos diferentes. Boca e lábios pequenos, intestino simples e atrofiado. Ciclo heteroxênico, sendo que mosquitos, pulgas e carrapatos desempenham o papel de hospedeiros intermediários.
As fêmeas são maiores que os machos e os ovos são envoltos apenas pela membrana vitelina, sem casca quitinosa.
É um nematódeo causador da filariose linfática. O parasito adulto tem de dois a seis centímetros, enquanto as microfilárias possuem de 0,2 a 0,3 mm.
A fêmea do mosquito do gênero Culex ingere a forma microfilária (1) durante a picada da pessoa infectada. As microfilárias, na cavidade geral do mosquito (sofrem mudas até larvas infectantes), dirigem-se para a probóscide, rasgando-a e penetrando a pele do hospedeiro por alguma abrasão. Atingem a circulação, permanecendo aí até a fase de L5, quando dirigem-se para os linfáticos e começa a liberação de microfilárias, se houver acasalamento. Se não, a forma adulta provoca obstrução linfática. O período pré-patente é de um ano.
Pode haver inflamação (linfangites e adenites), derramamento de linfa e hipersensibilidade. Há febre ao entardecer, com pico no início da madrugada. Edema de membros, com ou sem espessamento pronunciado da pele. A elefantíase consiste na obstrução linfática pela presença dos vermes adultos (irreversível) após 10-15 anos de infecção.
Medidas de prevenção contra as picadas do mosquito (mosquiteiros, inceticidas, higiene) e tratamento dos doentes são importantes no controle do aparecimento da doença.

Wuchereria bancrofti - microfilária (notar o detalhe da bainha)
Helminto nematódeo agente da oncocercose, conhecida como o "Mal do Garimpeiro". Os parasitos adultos tem de 2 a 4 cm (macho) e de 30 a 50 cm (fêmea). É transmitida pelo mosquito borrachudo (Simulium spp.).
Os borrachudos ingerem microfilárias pela hematofagia; essas, no inseto, evoluem a microfilárias infectantes, que são reinoculados no hospedeiro definitivo; as microfilárias reinoculadas permanecem na derme ou migram para tecido conjuntivo, olhos, baço, rins, mesentério, linfáticos, formando aglomerados de adultos (1). O período de desenvolvimento da doença é de dois meses a um ano.
Na pele, ocorrem os oncocercomas (granulomas, nódulos), hiperceratose e atrofia glandular cutânea; no olho, forma-se o pannus com infiltração de linfócitos e eosinófilos; ocorrem ainda adenite, obstrução linfática e elefantíase. O diagnóstico é feito por biópsia de pele, oftalmoscopia, nodulectomia, teste de Mazzotti.
A oncocercose atinge cerca de 18 milhões de pessoas no mundo, das quais 300 mil são cegas. No Brasil, ocorre no norte e nordeste de Roraima e norte do Amazonas.
A prevenção se faz com a eliminação dos focos do inseto e com o tratamento dos doentes.
Helminto nematódeo; filária prevalente no continente americano, que não é patogênica, mas deve ser conhecida para que se possa fazer o diagnóstico diferencial entre suas microfilárias (1) e as microfilárias da Wuchereria bancrofti, quando faz-se a distensão em lâmina do sangue de um paciente suspeito de filariose.
É um helminto nematódeo, transmitido por mosquitos culicóides. A fêmea tem de 7 a 8 cm e o macho, 4,5cm. São tidas como não patogênicos, mas sua microfilária (1) pode ser encontrada no organismo humano (localizam-se nas cavidades serosas do corpo). Deve ser reconhecida para diagnóstico diferencial de microfilárias na filariose. Pouco se sabe sobre o ciclo vital e a importância clínica desses parasitos.
É um helminto nematódeo, causador da dirofilariose; a doença é transmitida por mosquitos culicídeos. Os vermes adultos têm como hospedeiro preferencial o cão, mas, eventualmente, podem parasitar o homem, localizando-se no coração e pulmões. Após o acasalamento, as fêmeas produzem ovos de onde eclodirão microfilárias (1). As microfilárias habitam o sistema circulatório de seus hospedeiros, causando hipersensibilidade, inflamação e obstrução cardíaca. A prevenção dessa filariose consiste no controle dos mosquitos vetores e no tratamento dos cães parasitados, principal hospedeiro definitivo.
A porção esofagiana é muito delgada e mais longa que a porção posterior. A extremidade posterior do corpo é obtusa e arredondada em ambos os sexos.
É um nematódeo geralmente associado a infecções
pelo Ascaris lumbricoides. O verme adulto (1) é facilmente identificado
pela extremidade anterior afilada. Seu tamanho varia de três a cinco
centímetros.
Ocorre ingestão dos ovos (2) infectantes, que são larvados.
Eclodem no intestino e as larvas se desenvolvem nas criptas cecais. Há
acasalamento e liberação dos ovos (operculados). Eles ficam
mergulhados na mucosa e podem causar reação inflamatória.
O período pré-patente é de cinco a sete semanas.
Há ação tóxica/irritativa dos tecidos, podendo levar a necroses focais. Em geral a infecção é assintomática, mas pode haver febre, náuseas, dor abdominal e prolapso retal (grave em crianças com grande número de parasitos).
Alta prevalência em locais quentes e peridomícilio.
A prevenção é feita através de cuidados na preparação de alimentos, higiene corporal e tratamento dos doentes.

Trichuris trichiura
Nemátodeo agente da Triquinose. Os vermes adultos (1) são muito pequenos (fêmea com 3 a 4 mm e o macho com 2mm de comprimento) e finos. Vivem presos ou mergulhados na mucosa intestinal do homem ou de outros animais como cão, gato, rato, e porco.
Após a cópula, o macho é eliminado e, cerca de 15 dias depois, a fêmea vivípara inicia a eliminação de larvas. Essas, penetram a mucosa intestinal e caem na circulação sistêmica. Somente as que chegarem ao tecido muscular esquelético têm chance de evoluir. No interior das fibras musculares, iniciam seu crescimento, chegando a medir 1mm. Enrolam-se em espiral. O organismo do hospedeiro reage formando um cisto fibroso que envolve a larva. Nessas condições, permanecem vivas por meses ou anos sem apresentar evolução. Os animais infectam-se ao ingerir carne triquinada (contendo cistos) (2). As larvas são liberadas pelo processo digestivo no estômago, passam para o duodeno e, após completarem sua diferenciação, dão origem a machos e fêmeas que reiniciam o ciclo.
A Triquinose é uma doeça cosmopolita, sendo mais freqüente em países da Ásia, África e América Latina.
O diagnóstico é feito pela biópsia de músculos ou reação intradérmica (não especícica, pois serve para Trichuris trichiura também).
Para prevenção, recomenda-se cozinhar bem carne de porco e derivados; dar destino adequado ao lixo, para que ratos e porcos não tenham acesso a ele, e controle de roedores.
Fonte: www.ufrgs.br