De acordo com a definição de campo elétrico, discutida acima, verifica-se que o princípio da superposição também se aplica ao cálculo do campo elétrico.
Em particular, se o campo for criado por várias cargas puntuais (distribuição discreta) como por exemplo na distribuição da figura (Fig. 1), temos que o campo elétrico resultante será igual a soma vetorial dos campos elétricos criados em P por cada uma das N cargas.

Fig. 1 - Campo elétrico devido a uma distribição de cargas
Assim, o campo resultante no ponto P, será dado pela soma dos campos produzidos por cada carga individual, isto é,
Consideremos, agora, o caso em que o campo seja criado por uma distribuição de carga contínua. O cálculo do campo no ponto P, neste caso pode ser bastante complicado a menos que a distribuição tenha uma forma geométrica simples.
O procedimento para calcular o campo resultante, nestes casos, consiste em imaginar um corpo carregado dividido em partes infinitesimais (pequenos pedaços do corpo contendo cargas) e cada uma destas partes cria um campo infenitesimal em P.
Como cada pedaço pequeno do corpo pode ser considerado como uma carga puntual, pode-se dai calcular o campo resultante somando vetorialmente as contribuições devido a cada uma destas partes infinitesimais.
Esta soma de um grande número (quase infinito) de parcelas infinitesimais é determinada usando o cáculo integral.
De forma semelhante ao caso da potencial elétrico podemos construir equações para o Campo Elétrico para diferentes distribuições de cargas, como mostraremos a seguir. Vimos também que o campo elétrica produzido por cargas elétricas pode ser escrito em termos da forçca elétrica pela lei de Coulomb;
e
Com base nisto podemos definir o campor elétrico para diferentes distribuições de cargas como mostra a tabela abaixo.
| Distribuição de Cargas |
Força Elétrica |
Força Elétrica |
| Discreta |
![]() |
![]() |
| Volumétrica |
![]() |
![]() |
| Superficial |
![]() |
![]() |
| Linear |
![]() |
![]() |
Tabela 1 - Campo eletrostática para diferentes distribuições de cargas.
Chamamos de dipolo elétrico o conjunto de duas cargas iguais e de sinais contrários. O estudo das propriedades dos dipolos é bastante simples, interessante. Nesta aplicação vamos calcular o campo elétrico, em ponto P qualquer do eixo perpendicular à linha que passa pelas duas cargas, veja Fig.2.7.

Fig.2.7 - Dipolo elétrico.
Assumiremos que o ponto P é a origem do nosso sistema de coordenadas cartesianas retangulares. A carga -q induzirá no ponto P um campo elétrico E- e a positiva um campo E+, cujas direções e sentido estão destacadas na Fig.2.7. O campo elétrico resultante E é dado pela soma vetorial de E+ com E-, como a seguir;
![]()
Em módulo, E+ = E-, pois as cargas e suas distâncias ao ponto P são iguais. Para calcular o campo elétrico resultante, temos que decompor os campos vetoriais E+ e E- em suas componentes paralelas aos eixos x e y, como a seguir;
cujo módulo é ![]()
De acordo com a Fig. 2.7 temos que;
e ![]()
Substituindo as equações (15) em (14), podemos calcular a resultante do campo elétrico, no eixo x, devido as cargas +q e -q, como a seguir;
![]()
Como E+ = E-, temos que Ex = 2 E+ cos(q ). Desta forma a componente resultante no eixo x é igual a;
onde 
Então,

A componente resultante na direção y será nula por simetria, pois ![]()
Analisaremos, a seguir, o comportamento da interação entre um dipolo - campo elétrico. Veja Fig.1. As forças elétricas sobre as cargas positiva e negativa do dipolo são respectivamente dadas por;
![]()
onde q é uma das cargas dipolar (positiva ou negativa). Estas forças, F+ e F- , têm a mesma direção, mas sentidos opostos, portanto elas produzirão um torque no dipolo. Veja Fig.1. Este torque promoverá uma rotação no dipolo no sentido orientar o seu eixo dipolar de forma a ficar paralelo às linhas de campo elétrico. Este torque pode ser calculado como a seguir;

A força atuando sobre o dipolo realiza um trabalho para girá-lo, até que o eixo dipolar fique paralelo às linhas de campo. Este trabalho pode ser calculado pela seguinte expressão;
ou
, onde
o vetor p é conhecido como momento de dipolo elétrico.


Fig.1 - Dipolo elétrico em um campo E.