
Biomassa sólida (resíduos florestais)

Resíduo vegetal proveniente da agricultura
Através da fotossíntese, as plantas capturam energia do sol e transformam em energia química. Esta energia pode ser convertida em eletricidade, combustível ou calor. As fontes orgânicas que são usadas para produzir energias usando este processo são chamadas de biomassa.
Os combustíveis mais comuns da biomassa são os resíduos agrícolas, madeira e plantas como a cana-de-açúcar, que são colhidos com o objetivo de produzir energia. O lixo municipal pode ser convertido em combustível para o transporte, indústrias e mesmo residências.
Os recursos renováveis representam cerca de 20% do suprimento total de energia no mundo, sendo 14% proveniente de biomassa e 6% de fonte hídrica. No Brasil, a proporção da energia total consumida é cerca de 35% de origem hídrica e 25% de origem em biomassa, significando que os recursos renováveis suprem algo em torno de 2/3 dos requisitos energéticos do País.
Em condições favoráveis a biomassa pode contribuir de maneira significante para com a produção de energia elétrica. O pesquisador Hall, através de seus trabalhos, estima que com a recuperação de um terço dos resíduos disponíveis seria possível o atendimento de 10% do consumo elétrico mundial e que com um programa de plantio de 100 milhões de hectares de culturas especialmente para esta atividade seria possível atender 30% do consumo.
A produção de energia elétrica a partir da biomassa, atualmente, é muito defendida como uma alternativa importante para países em desenvolvimento e também outros países. Programas nacionais começaram a ser desenvolvidos visando o incremento da eficiência de sistemas para a combustão, gaseificação e pirólise da biomassa.
Vantagens: Aproveita restos, reduzindo o desperdício. O álcool tem eficiência equivalente à da gasolina como combustível para automóveis.
Desvantagens: o uso em larga escala na geração de energia da biomassa esbarra nos limites da sazonalidade. A produção de energia cai no período de entressafra. Dependendo de como se queima, pode ser muito poluente.

No passado, todas as necessidades de energia das usinas de cana eram supridas por terceiros. Para produzir o calor, inicialmente, era usada a madeira das florestas (lenha), prática que ao longo de séculos foi a principal causa de destruição da mata atlântica nordestina e do norte do Rio de Janeiro. Mais tarde esta indústria passou a consumir também óleo combustível.
Enquanto isso, eram queimados, nos campos ou em grandes piras, os resíduos combustíveis da agroindústria, que contêm 2/3 da energia da cana (a energia restante está no caldo da cana que é transformado em álcool ou açúcar).
Aos poucos, a tecnologia da queima do bagaço foi dominada e a crise do petróleo trouxe uma modernização tal que as usinas conseguiram chegar ao final dos anos 90 auto-suficientes em energia. No início deste século, começaram a exportar energia para o setor elétrico, processo ainda em estágio inicial, mas que deve crescer com a queda de barreiras institucionais do setor elétrico a partir do Marco Regulatório (2004) que reconhece a Geração Distribuída.
O crescimento da demanda pelo álcool deve aumentar a produtividade e em uma dezena de anos os desperdícios observados devem ser reduzidos substancialmente e suprir, de 10 a 15%, a energia elétrica do país.

O uso do carvão vegetal na redução do minério de ferro foi substituído pelo carvão mineral quando as florestas da Inglaterra acabaram no século XVIII.
No Brasil, a prática se manteve pela ausência do carvão mineral de boa qualidade e pela sensação de que as reservas de madeira nativa são infinitas. Isto explica a destruição de partes importantes da floresta atlântica na região sudeste do país.
Embora algumas florestas tenham sido plantadas para suprir a biomassa das carvoarias, a madeira nativa ainda continuou importante com a conseqüente degradação ambiental. Sua queima, é hoje das grandes causadoras da "morte" de diversos rios e do acelerado assoreamento do São Francisco. Na região de Carajás a produção de gusa, quintuplicada em dez anos, causa uma contínua pressão sobre a floresta amazônica.
A produção artesanal do carvão vegetal é feita com baixíssima eficiência porque no carvoejamento tradicional, a energia original é perdida para a atmosfera sob a forma de gases e voláteis.
A produção do carvão vegetal com tecnologias mais eficientes e usando biomassa produzida para esta finalidade pode significar um importante salto para aumento da eficiência energética e para criar as condições econômicas para substituir a produção de origem extrativa.
Fonte: www.bibliotecavirtual.sp.gov.br