Os mesmos, Lulu e Ritinha
Lulu Vivam os doutores.
Silveira Lulu!
Feliciano Adeus, adorada Ritinha. Sempre bela e arrebatadora, como as criações antigas de Fídias e de Praxíteles.
Lulu Saibam que viemos jantar com vocês.
Silveira O quê?
Ritinha Olha, Lulu! Fingem-se de surdos. Viemos jantar com vocês. Queremos sobretudo Champagne.
Lulu Apoiado. Não dispensamos Champagne.
Silveira Não preferem clicau?
Feliciano Está dito: manda-se vir Champagne, Chambertin, Sothern...Quem paga?
Ritinha Olha, Lulu. Estão caçoando!
Silveira Nós caçoamos; mas vocês fazem mais: vocês insultam-nos. Sim, porque é um insulto entrar ao meio-dia em casa de dois desgraçados que ainda não almoçaram e vir pedir jantar.
Ritinha e Lulu Ainda não almoçaram?!
Lulu Tanto melhor; almoçaremos juntos.
Feliciano Viva a Lulu! (Abraça-a.)
Lulu Mas eu não os compreendo. Há pouco eu insultava-os e agora abraçam-me!
Feliciano Pois não pagas o almoço?
Ritinha E que tal!
Silveira Não há em casa nem um real!
Lulu (Depois de alguma pausa.) Está dito: eu pago o almoço.
Feliciano e Silveira Viva a Lulu!
Silveira Eu vou já ao hotel defronte. (Vai saindo e volta.) Não, vai, tu, Feliciano. A felicidade desvairou-me. Louco, ia eu mesmo procurar a boca do lobo!
Feliciano Por que não vais?
Silveira Tenho lá um credor.
Lulu (Rindo-se.) Cobarde!
Feliciano
Vou já num pulo. (Vai saindo, volta: para Lulu.)
É verdade e o ... (Faz o acionado de quem pede dinheiro.)
Lulu
Mande assentar na minha conta; e sobretudo que venha Champagne
do melhor. (Feliciano sai.)
Lulu Senhor Silveira: o seu procedimento para comigo ultimamente tem sido inqualificável! Há duas semanas que não tenho a honra de o ver.
Silveira Menina, os credores...
Ritinha Quanto a mim, tenho do Senhor Silveira uma ofensa que jamais esquecerei. Lembra-se daquela célebre viagem a Santo Amaro, em que o senhor, entrando numa venda para comprar cigarros sem ter dinheiro, deixou-me na porta, e disse-me: _ Ritinha, meu coração, espera-me dez minutos que eu já volto, e trocando algumas palavras em voz baixa com o caixeiro, desapareceu sem mais voltar? Deixar-me empenhada numa venda por meia pataca de cigarros! Desta nunca me hei de esquecer!
Silveira (Rindo-se.) Águas passadas não moem moinhos, menina. Agora que a felicidade começa a sorrir-nos, falemos de coisas alegres. O que teremos para almoço?
Lulu, Ritinha, Silveira e Feliciano
Feliciano (Com uma caixa de charutos.) Um magnífico roastbeef, ovos, Bordeaux, Champagne, Porto, doces finos... Trouxe esta caixa de charutos por conta. São trabucos.
Silveira Viva a Lulu.
Feliciano Vivam. (Cantam.)
Silveira
Viva a bela Providência
Que o céu nos deparou,
Viva o anjo tutelar
Que o almoço nos pagou.
Lulu
Nada têm que agradecer-me
Eu olho para o porvir,
Da vossa algibeira um dia
O almoço há de sair.
Coro Viva a bela Providência etc, etc.
(Entra um criado com uma bandeja.)
Silveira Arreia, arreia: não há tempo a perder. (Feliciano e Lulu arrastam a mesa até o meio da cena: Silveira põe a bandeja em cima da mesa.)
Ritinha (Destapando os pratos.) Não é um almoço: é um lauto jantar!
Silveira (Sentando-se na canastra e comendo.) Já não posso mais; sentem-se e façam o mesmo, nada de cerimônias.
Feliciano Ritinha, queres um bocado de roastbeef?
Ritinha Aceito, meu anjo.
Lulu Eu começo pelo Champagne: é a bebida dos amores. Não há saca-rolha?
Feliciano Veio um. Aqui está. Champagne à saca-rolha!
Lulu (Abrindo a garrafa.) Viva o néctar dos deuses! (Bebe.) Agora serve-me de qualquer coisa.
Feliciano Queres ervilhas?
Lulu Qualquer coisa.
Ritinha O colega da frente perdeu a fala!
Feliciano (Suspirando.) Ai, ai, meninas; não há gozo perfeito nesta vida. Diante deste roastbeef eu vejo dissiparem-se todos os meus sonhos de felicidade. E sabes por quê? Porque a idéia de roastbeef associa-se uma outra: a de inglês!-.
Ritinha E o que tem o senhor com os ingleses?
Feliciano Cala-te: não quero inocular o mal da experiência em teu coração de vinte e dois anos. Só o que te digo é que eles hão de ser a causa da minha desgraça. Num belo dia vocês hão de encontrar o meu corpo pendurado a um pé...
Lulu De malvas.
Silveira (Para Feliciano.) Por falar em malvas, passa-me o prato das ervas. (Feliciano passa o prato.)
Lulu (Levantando-se.) Meus senhores: à saúde daqueles e daquelas a quem consagramos nossas horas de ventura há de ser com Ups - .
Todos (Menos Silveira.) Ups, ups, urrah, etc, etc.
Feliciano Eu proponho outro brinde. À saúde da nossa Providência do dia 15. Á tua saúde, Lulu.
Silveira À razão da mesma.
Todos (Menos Silveira.) Ups, ups, etc, etc.
Ritinha Não tem medo de uma apoplexia fulminante, Senhor Silveira?
Feliciano Silveira? És homem: pára!
Silveira Vejo tudo azul! Creio que desta não escapo. Amanhã os jornais publicarão: Fato Extraordinário! Morreu um estudante de indigestão. Eu serei depois de morto o alvo das atenções públicas. Mas, antes que me entoem o Requiescat in pace -, eu quero fazer um brinde. Encham os cálices de Champagne. À morte de todos os credores.
Feliciano Bravo! Se é exato o princípio dos Romanos Mors omnia solvit - , eu seria capaz de beber...eu nem sei o que beberia para solenizar este brinde. (Ouve-se dentro bater palmas.)
Silveira Hein?!
Feliciano Ingleses na Costa!
Silveira Salve-se quem puder. (Correm todos e escondem-se na porta do lado direito.)
Os mesmos e Luís de Castro
Luís de Castro (Entra com botas de montar; traz um grande chapéu de palha e uma mala de viagem na mão.) Dão licença. Ninguém?! Olá de dentro!
Feliciano Um credor de botas!
Silveira É um cometa!
Feliciano Tu tens dívidas no Rio de Janeiro?
Silveira Não sei; parece-me que tenho verdugos até na China!
Luís de Castro (Sentando-se aos poucos na canastra.) Ui, ui, ui. Irra! Doze léguas! Parece-me um sonho estar aqui! Que viagem, que precipícios e que burro! Corcoveou um quarto de hora comigo na serra; afinal não pude: deixei-me escorregar pelo rabicho, e caí com a parte onde a espinha dorsal muda de nome mesmo na ponta de uma pedra! Vi estrelas! Ui, ui, ui. E tudo para quê? Para vir ver o patife de um sobrinho que me anda esbanjando a fortuna! Ah! São Paulo, tu és um foco de imoralidades! Mas onde estará esse bigorrilhas? Disseram-me que ele morava aqui. (Põe a mala no chão e tira as esporas.)
Silveira Um sobrinho?! Quem será?
Luís de Castro Hei de lhe mostrar para quanto sirvo, Senhor Félix de Castro. Há de me pagar. (Ferindo-se com as esporas. ) Ui, ainda mais esta. Ora esta! Bebi um pouco de aguardente a viagem. Estou assim meio aéreo!
Feliciano É o tio do Félix: é o desalmado Luís de Castro. Ritinha e Lulu, vão batizar aquele mouro.
Lulu Fiquem vocês aqui: quando o homem estiver convertido, eu os chamarei. (Ritinha e Lulu entram em cena.)
Luís de Castro Minhas senhoras...Perdão: creio que estou enganado. (Á parte.) É uma casa de família. (Alto.) Como cheguei agora mesmo, julguei que fosse esta a casa de meu sobrinho Félix de Castro.
Lulu Esteja a gosto, pode ficar, o senhor está em sua casa.
Luís de Castro Bondade de vossa excelência, minha senhora.
Ritinha (Tirando um charuto da caixa e fumando.) Não quer um charuto?
Luís de Castro Obrigado, minha senhora. (À parte.) E esta!
Lulu Prefere cigarros campineiros? Não quer um cálice de Champagne?
Luís de Castro (À parte.) Com que gente estou metido! Estou na Torre de Nesly. (Alto.) Eu estou enganado, minhas senhoras; vou procurar o meu sobrinho. (Vai a sair.)
Lulu Ora, não vá já, não seja mau. (Tomam-lhe ambas a frente.)
Luís de Castro Deixem-me, senhoras. Eu sou um pai de família. Não me envolvo em intrigas amorosas.
Ritinha Pois tem ânimo de nos deixar tão cedo?!
Lulu Ora, fique.
Luís de Castro Eu porventura as conheço? Tenho negócios com as senhoras? (À parte.) Decididamente vou-me embora: dizem que o fogo perto da pólvora...(Alto.) Minhas senhoras. (Vai sair.)
Lulu (Baixo.) Não vá: se for há de se arrepender.
Luís de Castro O quê?
Ritinha (Baixo.) Ingrato.
Luís de Castro Como? (À parte.) Mau, que já vai me virando a bola!
Lulu Pois o senhor ousa abordar a ilha de Calipso e quer retirar-se impune?!
Ritinha (Oferecendo-lhe um cálice de Champagne.) Não seja egoísta: beba ao menos à saúde daquela que tanto lhe adora: à minha saúde.
Luís de Castro (À parte.) É um fazendão! (Alto.) Este vinho irrita-me os nervos, minha senhora.
Lulu O senhor padece dos nervos?
Luís de Castro (À parte.) A provocação já é muito direta: vou-me embora. (Alto.) Minhas senhoras. (Vai sair, Ritinha toma-lhe a frente com o cálice.)
Ritinha Então não quer satisfazer o meu pedido?
Luís de Castro (À parte.) Vai tudo com os diabos. (Alto.) Bebo.
Lulu (Enchendo outro cálice.) Mais este.
Luís de Castro Venha (À parte.) Não me apanham no laço.
Lulu (Baixo a Ritinha.) Está filado.
Luís de Castro Às suas ordens.
Lulu (Dando-lhe um charuto.) Fume sempre um charutinho.
Luís de Castro (À parte) Esta é melhor fazenda. (Alto.) Não fumo: eu só tomo rapé. (Tirando uma boceta.) Não gostam?
Lulu (Pondo-lhe a mão no ombro.) E se eu lhe pedir muito?
Luís de Castro Desencoste-se, senhora. (À parte.) Não há dúvida: estou na Torre de esly. Vivam. (Vai sair, Lulu e Ritinha ajoelham-se.)
Lulu Não vá, meu coração.
Ritinha Ora, fique...
Luís de Castro (À parte.) É preciso muita coragem. (Alto.) Fico.
Lulu (Oferecendo-lhe outro cálice.) Então à saúde dos nossos amores.
Luís de Castro Vá lá: à saúde dos nossos amores. (Bebe até o meio.)
Lulu Esta é de virar.
Luís de Castro Viro.
Silveira (Para Feliciano.) Isto promete um desfecho majestoso.
Luís de Castro (Risonho.) Mas as senhoras moram mesmo aqui...sozinhas?
Ritinha Sozinhas.
Luís de Castro (À parte.) É célebre! Estou tão leve! (Alto.) Então com que...(Rindo-se.) Eu vou-me embora: eu bem disse que aquele vinho fazia-me mal aos nervos.
Lulu É porque não está ainda acostumado. Beba outro cálice que há de sentir-se melhor. (Dá-lhe outro cálice.) Tem ânimo de rejeitar?
Luís de Castro Quem pode resistir ao fogo desses olhos? (Bebe.)
Ritinha Mais outro.
Luís de Castro Tudo o que quiseres, meu coraçãozinho. (Beija a mão de Ritinha. Lulu lança-lhe um olhar lânguido.) Machuca-me todo, (Ajoelhando-se.) mata-me; mas não me lances este olhar! (Lulu dá sinal a Feliciano e a Silveira que entrem para a cena.)
Silveira (A Luís de Castro que quer levantar-se.) Esteja a gosto. (Tirando um charuto da caixa.) Não quer um charuto?
Luís de Castro Eu bem disse que estava enganado. Eu vou-me embora. (Levanta-se cambaleando.) Mas aquele patife há de me pagar. (Vai saindo.)
Ritinha Não vá.
Lulu Ora, fique.
Silveira Fique.
Feliciano Ora, fique.
Luís de Castro (Consigo.) Que papel representam estes dois sujeitos aqui? Estou abismado! Era preciso que eu viesse a São Paulo para presenciar esta cena!
Silveira Senhor Luís de Castro.
Luís de Castro O senhor sabe o meu nome?! Donde me conhece o senhor?
Silveira (Para Feliciano.) Uma idéia! (Para Luís de Castro: baixo.) Maganão feliz! Então com que pensa que não o conheço. Não se lembra talvez daquele célebre pagode no Rio de Janeiro...
Luís de Castro Eu nunca estive em pagodes, senhor.
Silveira (Continuando.) Em que havia uma célebre menina de olhos negros, cor de jambo,cabelos encrespados...Maganão! Não tem mau gosto.
Luís de Castro Fale mais baixo, senhor, não me comprometa.
Silveira (À parte.) Creio que pegam as bichas. (Alto.) E no entretanto quer fingir-se santarão...Diz que o Champagne faz-lhe mal aos nervos...
Feliciano (Para Lulu e Ritinha.) O que quererá o Silveira com aquele D. Juan em segunda mão?
Silveira Basta de hipocrisia. Se continuar com esse ar estudado de moralista, irei denunciá-lo ao seu sobrinho e então...
Luís de Castro Basta, senhor: o que quer que eu faça?
Silveira Quero que se apresente tal qual é: deixe-se de hipocrisias. (Para Lulu e Ritinha.) Meninas, o Senhor Luís de Castro é dos nossos: é velho no corpo, mas criança na alma. Senhor Luís de Castro: viva a pândega!
Luís de Castro (Gritando.) Viva a pândega! (À parte.) Estou desmoralizado!
Silveira (Baixo a Feliciano.) Está preparada a situação. (Baixo a Lulu.) Enche um cálice de vinho do Porto. (Lulu enche o cálice.) Senhor Luís de Castro (Dando o cálice.) à saúde dos velhos moços.
Luís de Castro Vivam! (Bebe até o meio.)
Silveira Não senhor; esta é de virar.
Ritinha (Baixo.) Olhe que o homem já bebeu muito Champagne.
Silveira Vá outra: à saúde dos seus verdadeiros amigos.
Luís de Castro Vá.
Todos Up, up, urrah, etc, etc.
Os mesmos e Félix
Félix (Cantando dentro.) La donna é mobile
Qual pouima alvento...
Luís de Castro Esta voz...
Silveira (Para Feliciano.) Vejamos o desfecho.
Félix (Entrando.) Um cometa! (Luís de Castro volta-se.) Meu tio! Estou perdido! Ah! meus pressentimentos! (Para Luís de Castro.) Abença.
Luís de Castro Sô bigorrilhas!
Félix (À parte.) Ai! Que cheiro de vinho!
Luís de Castro (Cambaleando.) O seu comportamento é inqualificável! O seu ofício em São Paulo tem sido pregar calotes. (Esbarra na canastra.)
Félix Meu tio, olhe a canastra.
Luís de Castro E tem o arrojo de não corar em minha presença! Quem julga o senhor que eu sou?
Félix A princípio supus que fosse um cadáver.
Luís de Castro Cadáver, grandíssimo patife! Estou vivo e bem vivo para te meter o chicote. (Félix senta-se.) Levante-se.
Félix (Sentado.) Admira-me bastante que o senhor meu tio venha moralizar num lugar destes entre garrafas de Champagne, e exalando vapores de vinho. (Baixo.) Quando chegar ao Rio de Janeiro, minha tia há de ser informada de tudo isso.
Luís de Castro (Brando.) Sim...mas tu não tens te comportado bem: Constantemente estou a receber contas tuas. Tu não sabes que eu não tenho grande fortuna?
Félix Meu tio: à primeira vista parece que eu devo muito: mas está ali o Silveira que deve mais do que eu.
Luís de Castro Eu não digo que deixe de se divertir...mas (Cambaleando.)
Félix Meu tio, não caia.
Os mesmos e Teixeira
Silveira Ainda o Teixeira caolho.
Teixeira Venho aqui...
Silveira (Baixo.) Já sei, espere. (Baixo a Félix.) Diz a teu tio que o Teixeira é teu credor. O homem hoje está disposto a tudo!
Luís de Castro (Voltando-se.) Quem é este senhor?
Félix Este senhor...
Luís de Castro Diga logo: é um credor.
Silveira É uma pequena dívida de 100$000, Senhor Luís de Castro.
Luís de Castro Tome. Trouxe o recibo? (Recebe.) Suma-se. (À parte) Com os diabos, anda-me tudo à roda!
Os mesmos, menos Teixeira
Silveira (Suspirando.) Estou livre do Teixeira caolho!
Lulu, Ritinha e Feliciano Viva o Senhor Luis de Castro.
Luís de Castro Hoje mesmo pagarei todas as tuas dívidas; mas hás de me prestar dois juramentos: 1º de não as contrair mais; 2º (Baixo.) de nada revelares a tua tia do que se passou aqui.
Félix Juro.
Silveira Eu também quero impor uma condição. O senhor há de ficar aqui pelo menos dois meses.
Luís de Castro Fico.
Silveira (Para Feliciano.) Já não morreremos mais de fome.
Luís de Castro Estou desmoralizado, perdido, esbandalhado, e tudo por quê? Por causa de um sobrinho extravagante.
Feliciano Engana-se, Senhor Luís de Castro: tudo isso é devido a Ingleses na Costa.
Luís de Castro Que ingleses?
Félix (Segurando em Luís de Castro.) Venha para o quarto, meu tio. É uma história muito complicada; logo lha contarei.
Silveira Esperem. Eu tenho que falar com estes senhores por parte do autor.
Se algum inglês se ofendeu,
Com o autor não encavaque
O autor só se refere
- aos Ingleses de Balzac.
(Cai o Pano.)
Fonte: Biblioteca Virtual do Estudante
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