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O Tipo Brasileiro

França Júnior

Ato Único

Sala elegantemente mobiliada em casa de Teodoro Paixão.

CENA I

Henriqueta e Henrique

Henriqueta (Sentada à direita bordando em um bastidor e cantando.)

Alta noite, tudo dorme,

Tudo é silêncio na terra,

Nem sequer nos ares erra...

Henrique (Entrando.) Bravo! Bravo! Muito bem!

Henriqueta (Levantando-se.) Quem é?!

Henrique Não te assustes, sou eu. Teu pai não está em casa?

Henriqueta Saiu, mas não deve tardar. O que vieste aqui fazer?

Henrique O que vim aqui fazer? É que te amo, Henriqueta.

Henriqueta Mas não vês, Henrique, que esse amor é impossível.

Henrique Não repitas esta palavra.

Henriqueta Conheces a mania de meu pai e sabes perfeitamente que desde o dia em que esse inglês...

Henrique (Com raiva) Esse inglês...Quando penso naquele maldito beef, sinto ímpetos de empunhar um facão e reduzi-lo a roupa velha. Olha, Henriqueta, está me parecendo que os nossos amores vão ter um fim muito trágico.

Henriqueta Tu me assustas.

Henrique É o que te digo. Provoco o bretão, há uma grande água suja, sobrevêm complicações internacionais e eis aí armada uma nova questão anglo-brasileira.

Henriqueta E tudo isto por minha causa?!

Henrique De que te admiras? Por causa de uma mulher derrubam-se impérios e baqueiam as maiores civilizações. Abre a história e lá veras se erro. O cerco de Tróia durou 10 anos. Quem deu origem a essa página de sangue nos fastos da humanidade? Helena, um a mulher formosa e sedutora, como tu; que tinha uns olhos que despediam chamas, como os teus, e que o Criador vasara nos moldes da beleza ideal com esse primor artístico com que cinzelou-te o porte encantador. Eu não sou ainda teu marido, mas juro-te como bom carioca, nascido na antiga rua do Piolho e batizado na freguesia de São José, que esse Paris de fraque não há de alcançar o teu amor.

Henriqueta O meu amor, nunca, dizes muito bem, porque o meu coração só pulsa por ti; mas infelizmente não sou senhora de meus atos e a vontade de meu pai vai-se cumprir.

Henrique Não se há de cumprir. A mania de teu pai pelo estrangeirismo não subirá ao ponto de comprometer a tua felicidade futura.

Henriqueta O que queres? Para ele o estrangeiro é tudo; em sua opinião um brasileiro não presta para nada. Diz-me constantemente que os nossos compatriotas são indolentes, fúteis, sem educação; que esbanjam a fortuna dos pais, e que quando se vêem surpreendidos pelo temporal da miséria, agarram-se a um casamento rico como o náufrago à tábua de salvação.

Henrique Mas isto é uma infâmia! Sou brasileiro, tenho vivido até aqui sob o aguaceiro da desgraça, mas minha alma, em suas santas expansões, jamais se deixou fascinar pelos tesouros que possuis.

Henriqueta Eu te conheço, e no entretanto ele não sabe te compreender.

CENA II

Os mesmos e Teodoro

Teodoro (Pelo fundo, com alegria.) Já abracei o homem; acaba de chegar neste instante! (Deparando com Henrique, à parte.) Este pelintra em minha casa!

Henrique Com tem passado, Senhor Teodoro?

Teodoro Vai-se vivendo.

Henrique Vem muito alegre, Senhor Paixão!

Teodoro Como veio gordo, bonito, faces rosadas! Olha, Henriqueta, ao descer para o escaler perguntou-me logo em sua meia língua como vai a sua Excelentíssima filha! E minha cavala está bem tratada?

Henriqueta (À parte.) Que bruto!

Henrique Ora, eis aí como se define um homem em dois traços. O último, sobretudo, é característico.

Teodoro Eu já contava com a judiciosa reflexa. Se fosse um brasileiro, antes de informar-se da saúde da família...

Henrique (Com intenção.) Da família?!

Teodoro Sim, da família havia de perguntar qual era o espetáculo da noite no Alcazar, que colarinhos se usavam, se já tínhamos companhia lírica e outras tantas futilidades.

Henrique Não sei de quem se trata, Senhor Teodoro; mas posso assegurar-lhe que nós brasileiros não somos tão maus como pensa.

Teodoro Falo de Mr. John Read, engenheiro distinto, que acaba de chegar de uma viagem que foi fazer ao Norte a fim de melhor conhecer este país.

Henrique Dou-lhe os meus parabéns e há de permitir que me felicite por tão distinto hóspede.

Teodoro E deve felicitar-se. É um bretão às direitas, sangue azul puríssimo e homem de vistas largas. Uma empresa importante o trouxe ao Brasil!

Henrique Ah!

Teodoro É uma idéia de alta conveniência pública, de que os tais senhores brasileiros ainda não se lembraram.

Henrique Trata-se sem dúvida da liberdade do ventre?

Teodoro Não, senhor, trata-se de uma idéia que só poderia germinar num cérebro maravilhosamente organizado. Mr. John Read pretende obter do governo um privilégio para encanar cajuadas em toda a cidade.

Henrique Assombroso! Se é exato que o caju possui altas virtudes medicinais, este homem vale por dez juntas de higiene pública.

Teodoro Em três meses compromete-se ele a fazer esguichar caldo de caju de miríades de bicas, colocadas nos pontos principais desta capital. Conversando há dias com um engenheiro...brasileiro, disse-me este que duvidava da obra e que o homem era um visionário. Quer ver até onde chega a miséria desta terra?

Henrique Vejamos!

Teodoro O homem ainda não obteve o privilégio e no entretanto já começam a fazer-lhe uma guerra de morte todos os confeiteiros e botequineiros da cidade. Que país! Não se pode ser estrangeiro aqui!

Henrique Engana-se, Senhor Paixão, brasileiro é que aqui não se pode ser.

Teodoro Aposto que vem já com o lugar comum favorito: tudo está monopolizado!

Henrique Ainda não disse nada.

Teodoro Se tudo está monopolizado é por inteligências superiores às nossas, por ilustrações que nunca havemos de ter...

Henrique E pelos inúmeros charlatões que cá vêm engodar-nos com cajuadas.

Teodoro Observo-lhe, Senhor Henrique, que está em minha casa.

Henrique O Senhor Teodoro é o tipo do brasileiro. Não há país nenhum do mundo que não tenha orgulho de suas glórias, de suas instituições e de suas coisas. Desde a soberba Roma onde o súdito dos Césares dizia cheio de justa satisfação civis romanus sum, até ao canto mais recôndito do globo, o patriotismo tem sido a virtude saliente de todas as classes sociais. O brasileiro desprestigia-se a si próprio, em todos os lugares, a cada momento, nas coisas mais insignificantes da vida e nos maiores acontecimentos dela.

Teodoro Discursos! Discursos!

Henrique Apesar de já me ter observado que está em sua casa, peço-lhe que me ouça por alguns instantes. Saímos do colégio ignorando a nossa história; sabemos onde fica a França, a Inglaterra e a Rússia, mas raros são os que podem dizer os nomes das cidades principais do Brasil. No parlamento ninguém cita os luminosos precedentes do nosso passado, roídos pelas traças em solitários arquivos; em compensação porém invocam-se ali, a cada passo, as práticas inglesas e levantam-se soberbos pedestais a lord Derby, Pitt, Thiers, Guisot e a tantos outros luzeiros do velho mundo. A imprensa desprestigia os nossos literatos: quando uma vocação surge, ébria de esperanças, ou morre ignorada, tiritando no gelo da indiferença, ou sucumbe aos golpes da crítica invejosa e mordaz. Não há ninguém honrado no fastígio do poder: os estadistas assumem o governo, cheios de fé, e descem dos conselhos da coroa, feridos na probidade e trazendo no coração os germens da descrença. Se a dignidade da nação empenha-se em cruenta guerra, amesquinhamos as nossas vitórias perante o estrangeiro mandando escrever em todos os jornais do império que nos batemos com inimigos esfaimados, maltrapilhos e covardes. Não é tudo ainda, os guerreiros da rua do Ouvidor dão planos de campanha e, desrespeitando a dignidade do pavilhão nacional, abatem hoje o general que elevaram ontem, para elevarem outro que hão de abater amanhã.

Teodoro Está provando, meu amigo, que é um brasileiro às direitas; tem discursado maravilhosamente. Estamos fartos de discursos, queremos a realidade.

Henrique A nossa indústria...

Teodoro (Zangado.) Ainda? (Senta-se e lê o jornal.)

Henrique A nossa indústria definha, humilhada por nós mesmos. O brasileiro que monta um estabelecimento industrial trata logo de ocultar a nacionalidade dos seus produtos em pomposos rótulos estrangeiros. O senhor, por exemplo, detesta a cerveja brasileira; entretanto vai beber, por dez tostões a garrafa, a cerveja que o rótulo afirma ser inglesa e que poderia saborear pela módica quantia de uma pataca. Envergonhamo-nos das tradições as mais populares que todos os povos civilizados respeitam como legados preciosos do passado. Vamos de dia em dia perdendo o tipo na família, nos hábitos, nos costumes, e finalmente até já começamos a prostituir a própria língua que falamos! O Senhor Teodoro é a personificação eloqüente do que acabo de dizer. Mas o que é isto? Está lendo?

Teodoro É verdade. Ora, ouça: “Grande exposição de camelos da Costa dÁfrica. Entrada 1$000”

Henrique Eis aí ainda uma prova do nosso pouco amor à pátria, e do maldito estrangeirismo que vai tudo invadindo. Camelos da Costa dÁfrica! Este país tem muito bons camelos, pode dizê-lo com orgulho, não há necessidade de ir mendigá-los ao estrangeiro.

Teodoro (Com intenção.) Lá isso tem, é a pura verdade.

Henrique Talvez militasse no ânimo do expositor uma razão muito poderosa de economia.

Teodoro Qual é?

Henrique É que o camelo da Costa dÀfrica pode passar muitos dias sem comer; os camelos do Brasil são os que mais comem.

Teodoro (Levanta-se, à parte.) Patife! (Baixo a Henriqueta.) Despeça-me este sujeito: não quero vê-lo mais aqui.

Henriqueta (Baixo.) Mas meu pai...

Teodoro (Para Henrique.) Sinto não poder ouvi-lo mais, tenho que fazer. Ah! É verdade, aproveito a ocasião para dizer-lhe que minha filha vai casar com Mr. John Read. (Sai.)

CENA III

Henrique e Henriqueta

Henrique Chama-se isto em bom português pôr-me no andar da rua.

Henriqueta Tu mesmo és o culpado; por que falas-lhe sempre por aquele modo?

Henrique Eu ando cheio até aqui, (Mostra a garganta.) Henriqueta. Aborrece-me ver por toda a parte o desprestígio de tudo o que é nosso e sinto a bílis ferver-me nas faces quando vejo o gênio brasileiro encarnado em teu pai. Mas tratemos de nós, só de nós. O que nos resta agora fazer?

Henriqueta Esquece-me; és moço e inteligente e ainda podes ser muito feliz.

Henrique Esquecer-te? Tu não me amas!

Henriqueta Já não te disse que o meu coração só pulsa por ti?

Henrique Então é necessário que esse inglês desapareça.

Henriqueta Como?!

Henrique Diante de uma pistola, de um cólera-morbus, de uma febre amarela, de um tifo...

Henriqueta Estás louco?!

Henrique É preciso que a todo transe se levante uma barreira entre ti e o filho da Ilha Grande. Vê se achas um meio, anda, inspira-me.

Henriqueta Queres porventura que te aconselhe um crime?!

Henrique (Batendo na testa.) Ah! Achei! Estamos salvos! (Sai correndo.)

Henriqueta Henrique! Henrique! O que iria ele fazer, meu Deus?!

CENA IV

Henriqueta e Teodoro

Teodoro Já se foi aquele pelintra? Ora, graças a Deus! Olha para cá, menina; nada dos muxoxos costumados diante de teu noivo. Estuda um ar senhoril e compenetra-te da idéia de que vais ser a mulher de um inglês! Miss Henriqueta Paixão Read! Que nome! Tem o diabo do Paixão que desconcerta-lhe a harmonia estrangeira, mas enfim, se quiseres, podes tirá-lo.

Henriqueta Não renego o nome de meus pais.

Teodoro Não digo isso, mas esta maldita língua portuguesa é tão cheia de ãos, ãos, ãos, que nos assemelham, quando conversamos, a uma matilha de cães a ladrar.

Henriqueta Ora, papai, “cá e lá más fadas há”.

Teodoro Minha filha, não há língua nenhuma no mundo tão burlesca e tão pouco significativa como a nossa. O inglês diz yes e sente-se na força do termo a resolução tomada, a convicção inabalável, o caráter do povo, enfim... Yes é uma palavra de pedra e cal. Quando francês diz oui, quem não vê transparecer neste simples vocábulo a jovialidade, a alegria, a expansão generosa do povo do espírito? O alemão diz ya, e vê-se um povo aberto, franco e inteligente. O italiano...

Henriqueta Não há necessidade de vosmecê esgotar a sua lógica para demonstrar-me que a nossa língua nada significa. Dou-me por convencida.

Teodoro Ainda bem. Lastimo, entretanto, que não fales as línguas dos povos cultos. Estiveste bem contra a minha vontade em um colégio dirigido por uma brasileira que apenas te ensinou a fazer tricô, bordados, marcas, crochê...futilidades em suma.

Henriqueta Conheço a minha língua; não sou como muitas que estudam o francês, inglês, alemão, o que sei eu? Em colégios estrangeiros e saem deles ignorando o português.

Teodoro Meu pai também mandou-me educar em colégio brasileiro...Saí um perfeito burro...Se arranho uma ou outra palavra dos idiomas estrangeiros devo-o a mim mesmo e à sociedade que freqüento. (Vendo o relógio.) Duas horas. O inglês já deve vir subindo as escadas. Ele disse-me: “As duas horras em ponta lá estarrei.” E quando um inglês diz, cumpre.

CENA V

Os mesmos e John

John Mim pode entra?

Teodoro (Com alegria.) Ei-lo, eu bem dizia.

John (Apertando com força a mão de Teodoro.) How do you do, sir?

Teodoro (À parte.) Irra.

Teodoro (Apertando com força a mão de Henriqueta.) Coma passa. Mim estar com muites saudades de voucê.

Henriqueta (À parte.) Que brutalidade!

John Coraçáu estar muite comprimida. Três meses sem vê voucê, passa aborrecida, não pode viver dirreita.

Teodoro Eu imagino; por toda a parte a imagem do objeto amado, nos raios da lua, na estrela que brilha no firmamento, nas flores...

John Oh! Yes, very well.

Teodoro No sol a dourar a crista das montanhas, no mar…

John Oh! non, non, no mar mim estar passa muito bem; mim come roastbeef e bebe port wine, sem recorda ferida de coraçáu. Quando estar em terra, lembra filha de voucê, e non pode mais bebe.

Teodoro Avalio o quanto terá sofrido.

John Muite, mim estar bastante contente por ter viaja país de voucê.

Teodoro É muita bondade. Um país bárbaro, atrasado. (À Henriqueta.) Menina, manda trazer cerveja. (Henriqueta sai pela direita.)

CENA VI

John, Teodoro e depois um criado

John Natureze aqui fica muite grandiose. Brasileira não sabe aproveita riqueza de Brasil; estar tudo preguiça. Não estar precisa planta neste terra: fuma e milha nasce nas telhadas; quem quer sustenta sua cavala de graça, manda bota em campo de Santa Ana.

Teodoro É a pura verdade; nunca havemos de ser nada.

John Oh! non; voucê pode ainda ser muita.

Teodoro Como achou o Norte?

John Beautiful! Mas não tem passa lá muite bem. Falta confortável de vida, que este terra não conhece. Mim quando vai pra Ingliterre, escreve um alivra, e há de mostra o que estar Brasil. Estar gosta um pouco de Pernambiúco, muite de Pará. Oh! Pará is very fine. Eu compra lá muite borracha, e leva uma carregamenta para Liverpool. Não estar muite querida dAmazonas...

Teodoro Um deserto! Um ninho de crocodilos, cobras e mosquitos.

John Mim não tem lá carne para come. Estar lá muite tempa bastante doente.

Teodoro E não me mandou dizer nada!

John Quase deixa ossos neste terra.

Teodoro Então o que foi?

John Dar-me pra almoça e janta só caurubu, caurubu.

Teodoro Deram-lhe urubu para comer?!

John Oh! yes, caurubu.

Teodoro Que vergonha! O que não dirão deste país os estrangeiros! Urubu! Um pássaro grande, que come carniça?!

John Non, non, uma peixe.

Teodoro Ah! Pirarucu!

John Very well, saurucucu!

Teodoro Mr. John, creia que me sobe o rubor às faces todas as vezes que vejo um estrangeiro da sua ordem aportar a estas malditas plagas.

John Não fala assim. Mim estar muite contenta, por exempla, de Bahia. Tem intestinas estragadas de vatapá, mas dá tudo por muite bem empregada.

Teodoro E para que foi comer essas extravagâncias, que são um veneno para o estômago?

John Oh! não diz isso. Se vatapá estar venena, eu quer morre com o boca dentra de terrina. Mim leva muites saudades de Bahia pra Ingliterre: mulatines e crioulines canta lá laundus, que espreme curaçáo de gente.

Teodoro Este maganão!

John Laundu de Bahia faz bole com perna, vira cabeça, beiça treme e fica caída, arrepia cabela daqui. (Mostra a nuca.) Mim estar muite incomodada com este cousa.

Teodoro Uma música chula.

John Eu vem canta tode viagem. Oh! tem piana aqui, eu vai canta laundu.

Teodoro (À parte.) Como são joviais estes ladrões!

John (Abrindo o piano e tocando.) Espera uma pouca, deixa acerta desacompanhamenta. (Acompanhando.) Very well.

Mulatines dá caroce

Na pescoce,

Aqui está tua cambau,

Mete ferra do gilhadau,

Minha amada,

No teu dengue cachorrau.

Mim gosta de cor morrena,

Muite amena,

Das bolinhas de mãe benta,

Desse cor que se coloca

No pipoca

Do lada que non rebenta.

Beautiful! Beautiful!

Teodoro Bravo, muito bem. Que excelente voz!

John Mim aprende música em Ingliterre, e leva pra lá todes esses bonites coses.

Teodoro (Gritando para dentro.) Ô menina, vem ou não esta cerveja?

John Não se incomoda; eu já tem bebe um aduzia de garrafas: pode espera. (Entra um criado com uma bandeja com copos de cerveja e coloca-a na mesa. Batem na porta.)

Teodoro (Para o criado.) Vê quem é. (O criado sai.)

John (Abanando-se.) Non suporta este calor.

Criado Um senhor estrangeiro deseja falar-lhe.

Teodoro Um estrangeiro?! Manda-o entrar. (O criado introduz Henrique.)

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