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Alsácia

 

Entre o Reno e as montanhas dos Vosgos, junto à planície alsaciana, séculos de trabalho criaram uma das mais belas paisagens vinícolas de França. No Alto Reno, as aldeias de Eguisheim, Riquewihr, Kaysersberg, Hunawihr e Ribeauvillé emergem de um mar de vinhedos e são, ao mesmo tempo, a face irresistível da Alsácia rural emedieval.

ALSÁCIA, ROTA DAS VINHAS

Por uma razoável variedade de razões se pode meter os pés ao caminho em terra alsaciana, mas deve o viajante prover-se de claras convicções, isto é, munir-se de um objectivo desejo e de um afecto que o sustente, mas, também, de ânimo e paciência para belezas que, para os cânones dominantes, respondem por superlativas. Se assim não for, há-de um tédio sorrateiro instalar-se-lhe na alma, tal a fotogénica leveza da paisagem ou a formosura do cenário de conto de fadas que algumas das povoações exibem.

A arquitectura medieval marca a paisagem urbana da Alsácia, de que é exemplo a aldeia de Ribeauvillé
A arquitectura medieval marca a paisagem urbana da Alsácia,
de que é exemplo a aldeia de Ribeauvillé

Não é de excluir que um ou outro forasteiro mais excêntrico chegue em busca das paisagens que assistiram, nos anos 30, à rodagem de um dos mais belos filmes de sempre - «A Grande Ilusão», de Jean Renoir -, mas a grande maioria dos visitantes que procura a Alsácia tem em mente as inúmeras aldeias de urbanismo e arquitectura medieval e renascentista, as paisagens de vinha que se estendem por suaves colinas ondulantes, a degustação de alguns néctares afamados, ou um turismo cultural que se traduz na oferta de uma infinidade de pequenos museus temáticos, uma boa parte relacionada com a cultura do vinho.

Pode-se, simplesmente, chegar à Alsácia em busca de uma certa França germânica, identificável no rosto das povoações ou no dialecto da Alsácia que mistura palavras latinas e alemãs. Os nomes das aldeias testemunham bem o atribulado percurso histórico da região, que foi mudando, periodicamente, e ao sabor de trocas entre poderios feudais e guerras, de domínio político: Eguisheim, Riquewihr, Kaysersberg, Hunawihr, Ribeauvillé, Niedermorschwihr.

A coluna vertebral da região é, sem dúvida, a cultura do vinho. Grande parte das actividades económicas e das práticas culturais estão intimamente relacionadas com o vinho - a Alsácia produz anualmente mais de um milhão de litros de vinho e o processo envolve quase dez mil famílias. Museus e actividades de ecoturismo, gastronomia e percursos de trekking ou simples caminhadas, tudo evoca mais ou menos directamente a cultura do vinho ou as paisagens transformadas com essa finalidade.

Vista de Ribeauvillé, Alsácia
Vista de Ribeauvillé, Alsácia

A chamada Rota dos Vinhos é, assim, a atracção que mais polariza a atenção dos visitantes, embora a sua extensão - cerca de uma centena de quilómetros - a torne impraticável no espaço de tempo de umas breves férias e desaconselhe, aliás, o seu percurso de uma só vez.

O itinerário, que atravessa os mais importantes vinhedos da região e dá a conhecer algumas das aldeias históricas da Alsácia, começa na povoação de Tann, perto de Mulhouse, e termina em Marlenheim, a cerca de trinta quilómetros de Estrasburgo, seguindo quase sempre a estrada D 35, com alguns desvios por caminhos municipais. Entre estas duas portas do reino alsaciano o roteiro cumpre-se ao gosto do viajante, as mais das vezes de automóvel, mas também, frequentemente, sobre duas rodas. Pode ser dividido em duas grandes etapas, que correspondem, também, a duas subzonas vitivinícolas, o Alto Reno e o Baixo Reno.

DE EGUISHEIM A RIBEAUVILLÉ, A ALSÁCIA RURAL E MEDIEVAL

As primeiras notas são, evidentemente, as da integração harmoniosa das aldeias na paisagem e da intimidade com os vinhedos. A articulação entre estes dois elementos funciona numa lógica de contraponto ou de complementaridade, mas é sempre testemunho de uma Alsácia rural e quinhentista que sobrevive com um edificante e invejável nível de conservação. Caminha-se no interior das povoações ou pelos trilhos entre as vinhas dos arrabaldes e cada um dos cenários oferece-se sempre ao alcance do olhar gratificado do caminheiro.

Qualquer uma das cinco aldeias tocadas por este roteiro possui, nas redondezas, caminhos pedestres assinalados, o que proporciona, aliás, uma agradável experiência, acrescentada, ainda, do bónus retemperador da evasão das multidões de turistas que habitualmente abarrotam os povoados, especialmente Riquewhir. Este celebérrimo burgo passa por ser a aldeia mais visitada de França - dois milhões de visitantes por ano!

Um traço comum a todos os povoados é uma arquitectura com muitos pormenores marcados pela cultura do vinho, como pátios interiores e outras estruturas funcionais requeridas por habitações rurais que deviam também apoiar os trabalhos vitivinícolas. A cultura do vinho é uma realidade local pelo menos desde o século XVI, quando a Alsácia exportava já os seus vinhos para o Norte da Europa, e o urbanismo e a arquitectura da maioria das aldeias datam exactamente dessa época. Muitas casas conservam traça e estruturas medievais ou renascentistas e algumas tornaram-se mesmo paradigmas de conservação, como é o caso da Maison du Gourmet, em Kaysersberg.

Igreja em Eguisheim, Alsácia, França
Igreja em Eguisheim, Alsácia, França

Eguisheim é um precioso exemplo de estrutura urbana conservada praticamente intacta. O povoado dispõe-se de forma concêntrica em torno do castelo do século XIII, restaurado no final do século XIX. Esta configuração favorece ao caminhante a descoberta de ângulos surpreendentes que combinam perspectivas singulares sobre as ruas estreitas e as fileiras de casas medievais de tabique - um exercício que pode começar pelas antigas Rues des Fossés, perto da confluência da Grand Rue com a Rue du Muscat e a Rue du Riesling. O conjunto de edifícios medievais da adega Freudenreich, junto ao Cour Unterlinden, merece também atenção do visitante: não só é paradigmático da arquitectura rural da Alsácia, com o seu belo pátio interior, como aí encontramos um recanto muito simpático e aconselhável para uma prova de vinhos.

Pormenor curioso e significativo em Kaysersberg: a Rua General de Gaulle mantém também a sua designação medieval, Grand Rue. Ladeada por casario de raiz medieva, a artéria atravessa toda a povoação e leva-nos a uma magnífica ponte quinhentista fortificada, uma espécie de centro nevrálgico dos deambulares turísticos. O adjectivo pitoresco vai que nem uma luva: lá em cima, coroando um cerro arborizado, jazem os restos mortais de um castelo medieval e, junto à ponte, um vetusto casarão em tabique, com uma varanda bordada em madeira, parece acabadinho de edificar. A Grand Rue de Kaysersberg leva à estrada para Kientzheim, a aldeia vizinha, onde se pode visitar um museu consagrado à cultura do vinho. Entre as duas povoações, um trilho contorna os premiados vinhedos da casa Schlosseberg, nome a reter, tanto como o das adegas Salzmann.

Quatro ou cinco aldeias depois, surge Riquewhir e, finalmente, Ribeauvillé, que se reclama como a pátria do Riesling. Garantida a excelência dos vinhos, ainda que aquela paternidade seja disputada, resta confirmar o recorrente figurino medieval, a que se associa uma série de edifícios dos séculos XVI e XVII. Os cerros vizinhos anunciam a cadeia montanhosa dos Vosgos e têm empinados uns quantos castelos. Observado de longe, o de St. Ulrich parece apenas mais uma fortaleza - por dentro, revela-se a residência luxuosa de uma família aristocrata da povoação. Vale o esforço da subida, quanto mais não seja pela soberba vista sobre Ribeauvillé e a vasta planície alsaciana, que se estende para leste, até ao Reno e à fronteira franco-alemã.

Rua General de Gaulle, em Riquewhir, Alsácia
Rua General de Gaulle, em Riquewhir, Alsácia

Para além destas andanças de reconhecimento do património edificado e da Rota do Vinho, há, claro, a História, com maiúscula, alicerçada nas narrativas que os turistas podem encontrar com abundância de referências nos folhetos ou nos guias turísticos, narrativas essenciais, bem entendido, para o inteiro retrato da Alsácia. Mas por ora, fiquemo-nos pela matéria com que se tece o imaginário local. E para isso, não há, certamente, história mais adequada do que a de um célebre e milagreiro fontanário de Hunawhir: num tempo já, convenientemente, longínquo, a água da fonte ter-se-á transformado em vinho para compensar os habitantes pelos danos causados por um ano de más vindimas.

RIQUEWIHR, O OURO DO RIESLING

Apesar da dimensão e do número de habitantes (cerca de um milhar), há que evitar qualquer expressão do tipo “a aldeia de Riquewihr”, descuido capaz de gerar localmente a maior indignação... Riquewihr é cidade desde 1320, o que constitui, naturalmente, motivo de forte orgulho para os seus habitantes, orgulho que não impede o povoado de pertencer, paradoxalmente, a uma associação que reúne as cem mais belas aldeias de França!

Local de prova de vinhos da casa Freundenreich, em Eguisheim
Local de prova de vinhos da casa Freundenreich, em Eguisheim

Ainda que a torre Dolder, que fazia parte da primeira cintura de muralhas, construída no final do século XIII, seja uma das imagens mais reproduzidas da cidade, o século XVI corresponde à época de ouro de Riquewhir, quando o rendimento da produção vinícola aumentou substancialmente. A maioria das belíssimas e coloridas casas em tabique que rodeiam as estreitas ruas e ruelas da povoação data precisamente desse tempo. Muitas delas apresentam-se decoradas com escultura em madeira, uma delas famosíssima pela réplica que acabou por constituir um dos ex-líbris da cidade de Bruxelas. Com efeito, o Manneken-pis, datado de 1617, terá colhido inspiração numa figura semelhante criada por um artista da Alsácia. Esculpida em 1545, o antepassado da irreverente figurinha belga pode ainda hoje ser admirado pelos visitantes de Riquewhir num edifício localizado a meio da Rua Charles de Gaulle, a rua principal.

A arquitectura de Riquewihr solicita ao visitante um esforço particular, tal a profusão de ornatos inscritos nas estruturas dos edifícios ou a quantidade de recantos que há que escrutinar. Neste capítulo, vale bem a pena, por exemplo, partir à descoberta dos pátios setecentistas, com os seus varandins de madeira e poços que conservam as estruturas originais em ferro forjado. Entre muitos outros, anotem-se o Pátio Schwander, na Rue Saint-Nicholas (duas escadas em caracol, em madeira e em pedra), e o Pátio das Cegonhas, na Rue des Écuries, onde se pode ver uma enorme prensa em madeira, datada do início do século XIX.

Do topo da torre Dolder obtém-se um bom panorama da cidade e, também, dos vinhedos circundantes. Na região há um percurso assinalado, de 15 km, que abrange um território de excelência entre Riquewihr, Zellenberg, Beblenheim, Hunawhir, Mittelwhir e Bennwihr. O Riesling produzido localmente é dos melhores da Alsácia, graças à natureza calcária dos solos, generosos também para as castas Moscatel e Pinot. Provas recomendadas: Sporen e Schoenenberg.

VINHOS DA ALSÁCIA

A cultura do vinho na Alsácia remonta a uma época anterior à conquista romana. Durante a Idade Média, os vinhos da Alsácia eram já exportados para Inglaterra e Escandinávia e no século XVIII eram muito apreciados na Áustria e na Suíça. Actualmente, mais de metade dos vinhos produzidos na Alsácia é consumida pelos mercados da Alemanha, Reino Unido, Escandinávia, Suíça, Itália, Estados Unidos e Canadá.

Os vinhedos ocupam mais de 12.000 hectares, entre Tann, no Alto Reno, e Marlenheim, no Baixo Reno, e os métodos de vinificação são modernos, utilizando alta tecnologia. Uma das singularidades mais marcantes da produção vinícola da Alsácia é a designação dos vinhos em função das castas e não da origem geográfica, salvo algumas excepções, como a marca Les Sorcières, de Riquewihr. A zona compreendida entre esta povoação e Ribeauvillé corresponde, aliás, a uma das mais importantes aglomerações vinícolas da Alsácia.

Entre as castas mais nobres utilizadas na produção dos vinhos da região destacam-se a Riesling, a Gewürztraminer, a Moscatel da Alsácia, a Sylvaner e a Pinot Blanc. A grande estrela destes vinhos, muito apreciado localmente, é o Riesling, que os alsacianos aconselham degustar na companhia de ostras, mariscos ou alguns queijos.

Vista de Kaysersberg, Alsácia, França
Vista de Kaysersberg, Alsácia, França

Algumas das grandes casas produtoras - Hugel, Dopff, Lorenz, Willm - mantêm-se propriedade das mesmas famílias há quatrocentos anos e proporcionam visitas e provas inesquecíveis. A centenária casa Wolfberger, em Eguisheim, por exemplo, tem caves bem emblemáticas, com as suas grandes cuvas em carvalho da Hungria, onde se pode adquirir alguns dos bons vinhos alsacianos. Em alternativa, há vinotecas que disponibilizam um amplo leque de escolhas, onde é possível adquirir vinhos de diferentes produtores. Eis um bom endereço: Maison Emile Beyer, na Place du Chateau, em Eguisheim.

Riquewhir é um vespeiro de turistas durante o Verão
Riquewhir é um vespeiro de turistas durante o Verão

A bela paisagem vinícola da Alsácia, França
A bela paisagem vinícola da Alsácia, França

Fonte: www.almadeviajante.com

Alsácia

A Alsácia é a única apelação clássica da França que construiu sua reputação apoiando-se no conceito de vinhos varietais. A região produz vinhos brancos muito ricos, com ênfase no caráter frutado, que são adequados tanto quando consumidos na refeição como quando degustados isoladamente.

Localização

A Alsácia situa-se no nordeste da França, sendo delimitada pelas Montanhas de Vosges a oeste e pelo rio Reno e pela Floresta Negra da Alemanha a leste. Do alto das Montanhas de Vosges nascem seis rios, que atravessam cerca de 97 quilômetros de magníficos vinhedos.

Clima

Os vinhedos da Alsácia são protegidos plenamente da influência do Atlântico pelas Montanhas de Vosges, recebendo uma excepcional insolação, com baixíssima taxa de precipitação pluvial. Isto se deve ao fato das nuvens de chuva descarregarem seu conteúdo na face oeste dos Vosges, na medida em que vão alcançando maiores altitudes.

Aspecto

Os vinhedos estão situados nas encostas do Vosges, com orientação leste, a altitudes relativamente elevadas, entre 180 a 360 metros, com inclinações que variam entre 25o nas encostas mais baixas e 65o nas mais elevadas. Os melhores vinhedos possuem uma orientação sul ou sudeste, porém existem excelentes propriedades nas encostas voltadas para o norte e nordeste. Na década de 70, o excesso de cultivo nas férteis regiões planas deram origem a problemas decorrentes da superprodução de uvas. Entretanto, alguns vinhedos destas regiões planas dão origem a vinhos de muito boa qualidade, devido à constituição favorável do solo.

Solo

A Alsácia possui a constituição geológica mais complexa de todas as grandes regiões produtoras da França. As três principais áreas, baseado em sua estrutura e morfologia são: a borda de silício dos Vosges, as colinas de calcário e os solos de aluvião da planície. Os solos dos Vosges incluem colluvium (terras trazidas pelas chuvas que caem sobre as encostas), areia fértil sobre base de granito, solos de argila e pedras sobre xisto, solos férteis variados sobre rocha sedimentar de origem vulcânica e finalmente os solos pobres e leves, de areia sobre pedregulho arenoso. Nas colinas, encontramos solos pedregosos, marrons, alcalinos e secos, sobre base de calcário; solos marrons e arenosos sobre pedregulho arenoso e calcário; solos pesados e férteis sobre argila e calcário e solos alcalinos marrons sobre giz e marla. Nas planícies o solo de aluvião (trazido pelos rios) é composto de areia, argila e pedregulhos, além de um solo composto por um material poroso, marrom e pobre em cálcio, sobre o qual, em alguns lugares se deposita um escuro solo calcário.

Viticultura e Vinificação

O sistema de condução dos vinhedos os mantém mais elevados, evitando a proximidade com o solo congelado na época da primavera. Habitualmente os vinhos são fermentados até o máximo consumo possível do açúcar, apesar de atualmente muitos vinhos não serem tão secos como costumavam ser, pois houve uma drástica redução na quantidade de uvas de cada colheita nos últimos dez anos, com o objetivo de se conseguir os elevados níveis de açúcar exigidos para a produção de vinhos "Vendage Tardive" e "Sélection de Grains Nobles".

As principais variedades de uvas cultivadas na Alsácia são as germânicas Riesling e Gewürztraminer, a francesa Pinot Gris e a exótica Moscatel, em suas quatro principais variedades, entre elas as Moscatel branca e rosé "à petit grains" e a Moscatel "otonell". Também encontramos a Sylvaner, a Pinot Noir, a Pinot Blanc, a Auxerrois e a Chasselas. Deve-se ressaltar que na Alsácia, a Gewürztraminer e a Pinot Gris (que é uma uva neutra em todas as outras regiões), assumem um caráter decididamente "spicy" (picante, pungente e com toques de especiarias).

Muito pouco vinho tinto, particularmente de Pinot Noir, é produzido na Alsácia, sendo brancos 90% dos vinhos produzidos na região. Tradicionalmente, a produção de vinhos na Alsácia é de vinhos brancos secos, bastante frutados, apesar dos vinhos produzidos c om a Gewürztraminer serem menos secos do que os produzidos com as demais varietais. Com a introdução dos vinhos "Vendage Tardive" e "Sélection de Grains Nobles" e com a deliberada redução das quantidades de uvas colhidas, buscando um maior teor de açúcar, mesmo os "cuvées" mais básicos acabaram se tornando muito ricos para a produção de um vinho verdadeiramente seco. Em vista disso, a tendência à produção de vinhos não verdadeiramente secos (off-dry) vem se espalhando para todas as outras varietais.

Os Grand Crus da Alsácia

A legislação que instituiu os "grands crus" na Alsácia data de 1975, porém somente em 1983 é que surgiu a primeira relação de 25 vinhedos classificados como "grand cru". Três anos mais tarde, 25 novos vinhedos entraram na lista, totalizando 50 "grands crus", apesar deste número ser alvo de intensa controvérsia, não apenas por excluir um dos mais famosos e conceituados vinhedos da Alsácia, um verdadeiro e reconhecido "grand cru", o grandioso Kaefferkopf, em Ammerschwihr. Embora a longo prazo deva trazer benefícios aos consumidores, o fato da legislação restringir o uso da denominação "grand cru" aos vinhos 100% varietais das quatro principais uvas, a saber, Gewürztraminer, Riesling, Pinot Gris e Moscatel, certamente irá inibir o plantio e o desenvolvimento das outras varietais, privando o mercado de uma gama maior de vinhos de alta qualidade.

Principais Produtores

Os principais produtores da Alsácia são: Domaine Zind-Humbretch, Domaine Weinbach, E.F.Trimbach, Marcel Deiss, Albert Mann, Dopff au Moulin, Hugel & Fils, Kuentz-Bas, Bruno Sorg, Paul Blanck, entre outros.

Fonte: www.abs-sp.com.br

Alsácia

A Região

Situa-se na região nordeste, entre as cidades de Strasbourg, ao norte, e Moulhouse, ao sul, na fronteira com a Alemanha, da qual é separada pelo rio Reno (Rhin), que faz a divisa entre os dois países. É uma região muito peculiar, histórica e enologicamente, pois foi território alemão por várias vezes, nos séculos X, XVII, XIX e XX.

Ao contrário das outras regiões vinícolas da França, a Alsácia não possui uma classificação com divisões em sub-regiões ou locais de produção ("château", "climat", etc.) e só existe uma A.O.C. geral, Alsace. Outra grande diferença é que os vinhos alsacianos em sua maioria absoluta são varietais, isto é, são elaborados com um só tipo de uva, com predomínio absoluto das brancas. A Pinot Noir é praticamente a única variedade tinta e dá bons tintos e rosés. Existem, ainda, outras poucas variedades não típicas da região como Chardonnay, Auxerrois e outras.

Localização

Alsace é uma região da França.

Classificação dos vinhos Alsacianos

Existem ainda quatro denominações especiais que podem ser encontradas no rótulo:

Vendange Tardive

Vinho geralmente doce, mais alcoólico, feito com uvas de colheita tardia (equivalente ao Spätlese alemão).

Séletion de Grains Nobles

Vinho fino de sobremesa, doce e mais alcoólico, elaborado a partir de grãos selecionados de uvas hiperamadurecidas e botritizadas (equivalente ao Beerenauslese e ao Trockenbeerenauslese alemães).

Edelzwicker

Literalmente, significa mistura nobre e indica que o vinho é feito a partir de um corte de Gutedel (Chasselas) com Pinot Blanc ou Silvaner e um pouco de variedades aromáticas (Gewürztraminer e Muscat).

Crémant d’Alsace

Vinho espumante feito a partir de corte com uvas típicas da região ou outras como a Chardonnay, a Pinot Noir, a Auxerrois.

Existe, desde 1983, uma denominação, para os vinhos da mais alta qualidade, a Appellation Alsace Gran Cru que, no entanto, não é um índice confiável de alta qualidade, pois por seu caráter político, incluiu produtores medíocres e deixou de fora alguns bons produtores. Assim, como no rótulo de um vinho alsaciano constam apenas a A.O.C. Alsace, o nome da variedade da uva do qual é feito e o nome do produtor, esse último é o fator decisivo na escolha de um vinho alsaciano.

Fonte: www.academiadovinho.com.br

Alsácia

A Alsácia (francês Alsace, alemão Elsass) é uma região administrativa da França, localizada a leste do país, junto às fronteiras alemã e suíça. Sua capital e maior cidade é Estrasburgo.

Geografia

A Alsácia tem uma superfície de 8 280 km², sendo a menor região da França metropolitana. Seu comprimento é de aproximadamente quatro vezes sua largura, estendendo-se sobre uma planície entre o rio Reno a leste e as montanhas dos Vosges a oeste.

Ela engloba os departamentos (départements) do Haut-Rhin (Alto Reno), ao sul, e Bas-Rhin (Baixo Reno), ao norte . Tem fronteiras com a Alemanha ao norte e ao leste, com a Suíça e a região francesa de Franche-Comté ao sul e com a região francesa da Lorena (Lorraine) ao oeste.

Possui diversas florestas, principalmente nos Vosges e no Bas-Rhin (floresta de Haguenau). Diversos vales também embelezam a região. Seu ponto culminante é o Grand Ballon, ou Ballon de Guebwiller no Haut-Rhin, que culmina a 1424 m.

A Alsácia tem um clima subcontinental com invernos frios e secos e verões quentes. Há pouca precipitação pluviométrica devido à proteção dos Vosges a oeste. A cidade de Colmar tem um microclima ensolarado: é a segunda cidade mais seca da França (depois de Perpignan), com uma precipitação anual de somente 550 mm, tornando-a ideal para o vinho da Alsácia (vin d'Alsace).

Principais cidades

As maiores cidades são (> 20 000 habitantes (1999)):

Estrasburgo (264 115)
Mulhouse (110 359)
Colmar (65 136)
Haguenau (32 242)
Schiltigheim (30 841)
Illkirch-Graffenstaden (23 815)

História

Em tempos pré-históricos, a Alsácia era habitada por tribos nômades de caçadores, mas por volta de 1500 a.C. os Celtas começaram a se estabelecer na região, desmatando e cultivando a terra. Por volta de 58 a.C., os romanos invadiram e estabeleceram a Alsácia como um centro de viticultura. Para proteger esta atividade valiosa, os romanos construíram fortificações e campos militares que se transformaram em diversas comunidades que têm sido habitadas sem interrupção até hoje.

Com o declínio do Império Romano, a Alsácia tornou-se um território controlado pelos Alamanos, um povo agrícola cuja língua formou as bases do moderno dialeto alsaciano. Os Francos expulsaram os Alamanos da região durante o século V, e a Alsácia tornou-se então parte do Reino da Austrásia. A Alsácia permaneceu sob controle franco até que o reino franco fosse dissolvido oficialmente em 843, com o Tratado de Verdun.

A Alsácia tornou-se então parte do Sacro Império Romano-Germânico e ficou sob a administração dos Habsburgos da Áustria até que fosse cedida à França no término da Guerra dos Trinta Anos em 1648. Enquanto isso, a Alsácia usufruiu de uma grande prosperidade durante o século XII e o século XIII, sob a administração dos Hohenstaufen, mas essa prosperidade teve fim no século XIV com uma série de invernos rigorosos, péssimas colheitas e a Peste bubônica. As dificuldades foram atribuídas aos judeus, levando aos pogroms terríveis de 1336 e 1339. Durante o Renascimento, a prosperidade retornou à Alsácia sob a administração dos Habsburgos.

A Alsácia, junto com a Lorena, foi durante séculos objeto de disputas e guerras entre a Alemanha e a França. A Alsácia e a Lorena foram anexadas pela França sob a administração de Louis XIV de França. Desde 500, a área foi povoada principalmente por uma população de origem e língua germânicas, que lutou contra a imposição da língua e costumes franceses (mostrando que esse território é essencialmente germânico). As duas regiões foram reunificadas à Alemanha após a Guerra Franco-Prussiana de 1870, causando a emigração (estimada) de 50000 pessoas (de um total de 1 milhão) para a França, e a Alsácia permaneceu parte da Alemanha até o final da Primeira Guerra Mundial, quando a Alemanha a cedeu de volta à França no Tratado de Versalhes. Alguns, no entanto, como o presidente dos EUA Woodrow Wilson, acreditavam que a região deveria ser independente e autônoma, pois sua Constituição definia que estava sujeita unicamente à autoridade do Kaiser, e não do Estado Alemão (muitos alsacianos defendiam a anexação ao Império Alemão que na época havia se tornado uma república).

Após a Primeira Guerra Mundial, os habitantes que tinham vindo de outras partes da Alemanha foram expulsos. A identidade germânica foi reprimida com uma política sistemática de proibição do uso do alemão e de seus dialetos, e a obrigação do uso do francês como língua vernacular. Isso humillhou os alemães, trazendo o revanchismo da II Guerra Mundial. Curiosamente, a região não foi obrigada e reconhecer as leis promulgadas na França entre 1870 e 1918, tais como a lei de separação entre a Igreja e o Estado.

A região foi anexada pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. A Alsácia foi absorvida pela região alemã do Baden, e a Lorena pela do Saarland (Sarre). Note-se o estatuto diferente da situação do resto da França, que foi ocupada pela Alemanha. Com isso, os alsacianos foram obrigados a se alistar nas forças armadas alemãs, como qualquer cidadão alemão. Muitos alsacianos foram enviados à Frente russa, a fim de distanciá-los da região natal e coibir as tentativas de deserção. Muitos desertaram, e suas famílias sofreram as conseqüências.

A região trocou de mãos novamente em 1944, voltando ao domínio francês, que restaurou a velha política de repressão do período entre-guerras. Por exemplo, de 1945 a 1984 o uso da língua alemã em jornais era restrito a um máximo de 25%. Nos últimos anos, com a diluição da consciência nacionalista, a liberdade cultural foi gradualmente restabelecida.

Política

A Alsácia é uma das regiões mais conservadoras da França. Foi uma das duas regiões da França metropolitana onde a direita ganhou as eleições regionais de 2004, controlando assim o Conselho Regional da Alsácia (conseil régional d'Alsace). O presidente do Conselho Regional é Adrien Zeller, membro do partido governamental Union pour un mouvement populaire (União para um Movimento Popular), ou UMP.

Economia

Segundo o Institut National de la Statistique et des Études Économiques (INSEE), a Alsácia teve um PIB de 44,3 bilhões de Euros em 2002 (3% do PIB francês). Com um PIB per capita de 24 804 Euros, é a segunda região mais rica da França, com a Île-de-France em primeiro lugar. 68% dos empregos são no setor de serviços (terciário) e 25% na indústria (secundário), fazendo da Alsácia uma das regiões francesas mais industrializadas.

Demografia

A população alsaciana era de 1 734 145 habitantes em 1999. Tem crescido regularmente ao longo dos anos, exceto em tempos de guerra, tanto por crescimento natural como pela imigração. Este crescimento acelerou-se no final do século XX. O INSEE estima que a população alsaciana crescerá de 12,9% a 19,5% entre 1999 e 2030.

Com uma densidade de 209 hab./km², a Alsácia é a terceira região mais densamente povoada na França metropolitana. A população tem, na maior parte, origem germânica (a língua alemã foi proibida depois da I Guerra Mundial e o dialeto alemão da Alsácia possui poucos falantes).

Cultura

Kammerzell em Estrasburgo
A maison Kammerzell em Estrasburgo

Historicamente, a região passou da França para a Alemanha diversas vezes, resultando em uma rica mistura cultural. Além disso, era ponto de passagem para os deslocamentos humanos desde antes da Idade Média, tendo recebido inúmeras contribuições culturais.

Culinária

A cozinha alsaciana, fortemente influenciada pela tradição culinária alemã, caracteriza-se pelo uso do porco em vários pratos. A lista de pratos tradicionais inclui baeckeoffe, tartes flambées (flammekueche), choucroute, e fleischnacka. O sul da Alsácia, também chamado Sundgau, é famoso pela sua carpe frite (carpa frita).

As festividades de fim de ano, contrariamente ao resto da França, envolvem a produção de uma grande variedade de biscoitos e pequenos bolos chamados brédalas, assim como de pain d'épice (algo parecido com o pão de mel brasileiro), que são distribuídos às crianças desde a festa de Saint Nicolas (São Nicolau).

Região vitícola por excelência, seus vinhos são principalmente brancos (a exceção é o Pinot Noir), tendo uma grande influência germânica e sendo chamados vins d'Alsace. A Alsácia produz alguns dos mais notáveis Rieslings secos do mundo, e é a única região da França a dar o nome da cepagem ao vinho.

A Alsácia é também a maior produtora de cerveja da França, graças principalmente às cervejarias na região de Estrasburgo. Entre elas, podemos citar as de Kronenbourg, Fischer, Heineken, Météor e Kanterbräu. O Schnapps (aguardente) também é produzido na Alsácia, mas está em declínio porque as destilarias domésticas são menos comuns hoje em dia, e também porque o consumo de bebidas tradicionais, a forte teor alcoólico, diminui drasticamente.

Além disso, a Alsácia também é conhecida por seus sucos de fruta e suas águas minerais.

Fonte: pt.wikipedia.org

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