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Catedral de Notre-Dame

Um espírito de competição tomou conta do século XII no que se referia à construção de catedrais. O desconhecido mestre (idealizador e construtor) dos trabalhos de Notre Dame em Paris, logo no início do trabalho em 1150, decidiu que esta catedral seria a mais alta igreja existente na época.

Assim os trabalhos começaram e, quando o coro estava praticamente terminado, foi tomada mais uma corajosa decisão, aumentar ainda mais a altura da catedral, agora a uma altura um terço mais alta do que qualquer outra catedral existente.

Notre-Dame
Postal

Notre Dame tornou-se assim um lugar de grandes discussões pois, além da beleza criada pela grande altura, muitos problemas, nunca antes enfrentados, começaram a surgir.

Sua altura se tornou tão grande que a luz que entrava pelas janelas situadas na parte superior das paredes da catedral não atingia o chão.

Notre-Dame
Postal

Quanto mais alta ficava sua estrutura, mais problemas eram encontrados, dentre eles a grande velocidade e, principalmente, a grande pressão dos ventos.

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Frente a esses problemas, os mestres construtores e estudiosos encontraram uma solução: abóbodas ogivais, arcobotantes e contrafortes introduzidos em 1180. Esses novos elementos estruturais propiciaram paredes mais altas e resistiram aos esforços laterais gerados pelas abóbadas e pelo vento. Porém, frente a pequenas rachaduras, os construtores perceberam pontos falhos nesse esquema estrutural e, em 1220, modificaram a estrutura, além de terem introduzido escadarias ao lado dos corredores e galerias.

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Em 1250, Jean de Chelles, mestre construtor do período, decidiu substituir as paredes dos transeptos por paredes de vidro (vide foto da visão interna da catedral). Livres da influência de cargas, foram abertos nessas paredes grandes orifícios que foram preenchidos com vidros e estruturados apenas por dois pequenos pilares. Assim, formou-se com centenas de blocos de pedra uma belíssima moldura para esses vidros em forma de rosa, delineando a fachada da catedral

Notre-Dame

A perfeição e habilidade do trabalho de Jean de Chelles, desenvolvendo a geometria e supervisionando o corte das pedras, foi tanta que essa moldura de pedra vem suportando 117 metros quadrados de vidros há mais de 700 anos e, nos 100 anos seguintes, pouco menos de 20 janelas tentaram superá-la em tamanho, porém nenhuma realmente conseguiu.

Ficha Técnica

Nome

Catedral de Notre Dame

Sistema Estrutural

Abóbadas ogivais, arcobotantes, pilares e contrafortes

Função

Catedral

Localização

Paris, França

Época da construção

Séculos XII e XIII

Projeto

Jean de Chelles e outros mestres desconhecidos

Execução

Jean de Chelles e outros mestres desconhecidos

Dimensões

Abóbadas com 34 m de altura, nave central com 12 m de largura e comprimento externo de 130 m.

Material

Alvenaria de pedra com argamassa

Fonte: www.lmc.ep.usp.br

Catedral de Notre-Dame

Embora a construção desta catedral tenha sido iniciada apenas no século XII, este monumento incorporou-se de tal forma a Paris que parece sempre ter estado ali. Desde a ocupação romana, já havia um templo dedicado a Júpiter neste mesmo local. Alguns séculos mais tarde, com o surgimento do Cristianismo, foi erguida no mesmo endereço uma basílica em estilo romanesco.

Apenas em 1163 é iniciada a efetiva construção desta catedral. Na época, Luis VII era o imperador da França, e tinha como objetivo construir uma catedral a altura da importância da França e de sua capital. Para tanto fez questão até de convidar o Papa Alexandre III para vir a Paris colocar a pedra fundamental da obra.

Em 1182, o coro da catedral já estava pronto e outros elementos arquitetônicos seriam executados com o passar das décadas e séculos seguintes.

A Nave da Catedral de Notre-Dame foi finalizada em 1208, a fachada oeste em 1225, a torre oeste em 1250. As capelas laterais foram sendo incorporadas sucessivamente entre 1235 e 1250, o domo entre 1296 e 1330, e o transepto entre 1250 e 1267. Quase 200 anos seriam necessários para que todos os elementos estivessem concluídos e que pudesse chegar-se à complementação da obra, o que só iria ocorrer em 1345.

Infelizmente, após este período, a Catedral também conheceu tempos difíceis e de guerras, e durante as Cruzadas, era na Notre Dame que os cavaleiros medievais oravam e pediam proteção antes de partir para o Oriente. Notre Dame também presenciou tempos de dominação estrangeira. Durante a Guerra dos Cem Anos, quando a Inglaterra invadiu e conquistou grande parte da França, o rei Henrique VIII da Inglaterra é coroado na Catedral em 1430.

Durante a revolução francesa diversos tesouros são pilhados ou destruídos. Até os sinos da catedral são objeto da revolta popular, e escapam por pouco de serem retirados das torres e fundidos para ter seu metal aproveitado pelos revolucionários.

O interior da catedral passa a ser utilizado como depósito de armas e provisões. Atos de vandalismo e obras de embelezamentos executadas por vaidosos políticos e religiosos que querem aparecer mais que a própria Catedral, também trazem danos ao projeto original, fazendo com que surgisse até mesmo um movimento pedindo sua demolição.

Felizmente estas violências não trazem danos irreparáveis, e passado os momentos difíceis, Notre Dame reassume sua vocação de principal templo religioso da cidade. Um dos momentos marcantes de sua história ocorre em 2 de dezembro de 1804, quando Napoleão Bonaparte é coroado Imperador da França no altar da Notre Dame.

Para quem duvida do poder da literatura, e de sua capacidade de motivar multidões, é interessante lembrar que foi graças ao famoso romance de Victor Hugo, O Corcunda de Notre Dame, lançado em 1831, contando a história de Quasímodo e de sua paixão impossível pela cigana Esmeralda, que a sorte da catedral mudou em definitivo.

Victor Hugo tinha apenas 28 anos quando concluiu esta obra prima. E graças a seus adoráveis e eternos personagens, ressurge o interesse popular pela Catedral, pela sua arquitetura gótica, e inicia-se um movimento nacional pela reforma e preservação da Catedral, que viria a ser executada entre 1845 e 1865, sob o comando do genial arquiteto Eugène Emmanuel Viollet-le-Duc.

Foi na Notre Dame onde ocorreu a beatificação de Joana d’Arc, em 1909. E no parvis de Notre Dame, em 26 de agosto de 1944, é celebrada a missa pela libertação da cidade da tirania nazista, bem como é realizada a missa de corpo presente pelo falecimento do comandante geral da França durante os anos de resistência, o General de Gaulle, provas definitivas que não existe outro ponto na cidade com tanto prestígio e que represente de tanto a alma de Paris e da França. Pode-se dizer que a própria nação está simbolizada neste monumento com 130 metros de comprimento, 48 metros de largura, 35 metros de altura, pilares com 5 metros de diâmetro e sinos de 13 toneladas.

Ao visitar esta catedral comece observando as esculturas da Galeria dos Reis, ainda em sua fachada externa. Visite, também o tesouro, onde estão guardados vários itens sagrados, inclusive um relicário destinado a guardar a cruz de Jesus Cristo.Aprecie também cada uma de suas capelas e esculturas, cada detalhe de suas rosáceas de vidro colorido e seus portais, ou suas incontáveis Gárgulas, monstros encarapitados nas torres da catedral, e que tinham como função manter os demônios afastados.

Visitantes com mais disposição não devem também deixar de subir as escadas em espiral que conduzem às torres de 68 metros de altura, e apreciar uma das melhores vistas de Paris. Quem sabe ao chegar lá, você não terá a sorte de encontrar pela frente aquele famoso corcunda?...

Se um símbolo tivesse que ser escolhido para representar a Cidade Luz, a Catedral de Notre Dame seria, sem dúvida, o primeiro candidato. Foi exatamente aqui que Paris nasceu, e foi a partir deste núcleo situado no coração de uma ilha que Paris nasceu. Não por acaso, todas as estradas da França tem como marco zero e ponto inicial, a pequena placa de bronze incrustada no chão em frente a Notre Dame. Um pequeno e discreto símbolo, geralmente desapercebido pelas multidões de turistas que ali passam, mas que em sua simplicidade representa o reconhecimento do país pela importância desta catedral, e do que ele significa para a França.

Fonte: www.imagensviagens.com

Catedral de Notre Dame

A catedral de Notre-Dame de Paris (ou de Nossa Senhora de Paris), considerada por Victor Hugo como o paradigma das catedrais francesas, estabeleceu o modelo ideal do templo gótico, constituindo um dos exemplos mais equilibrados e coerentes deste período. Foi erguida na Ile de la Cité, no centro do rio Sena, sobre os restos de duas antigas igrejas, por iniciativa do bispo Maurice de Sully.

À planta, inicialmente rectangular e extremamente compacta, foi acrescentado o transepto que a tornou cruciforme. Apresenta cinco naves que se prolongam pela dupla charola da profunda cabeceira.

A forma final do templo resultou de um conjunto de modificações, ampliações e restauros que abrangem uma larga diacronia. Iniciada pelo coro em 1163 (no reinado de Luís VII, tendo o Papa Alexandre III, na altura refugiado em Paris, assistido à cerimónia), só na terceira década de duzentos se terminou a nave e grande parte das torres. Por volta de 1230 iniciou-se a construção das capelas entre os contrafortes das naves e aumentou-se a dimensão do transepto. Na mesma altura o alçado poente foi alterado para melhorar a iluminação da nave central.

O portal sul do transepto, consagrado a Santa Ana, data do século XII e o portal norte foi construído entre 1210 e 1220. Na primeira metade do século XIV foram concluídos os arcobotantes erguidos na cabeceira do templo.

A fachada principal apresenta o mesmo modelo da igreja de Saint-Denis, precursora da arquitectura gótica. Divide-se em três sectores por grandes contrafortes e é rematada lateralmente por duas torres de 70 metros de altura. No nível inferior tem três grandes pórticos profusamente esculpidos sobre os quais assenta a famosa galeria dos reis. Em cima, a grande rosácea é rematada por uma galeria de traçaria coroada balaustrada.

No interior, um vasto espaço com 130 metros de comprimento e 48 de largura, são ainda evidentes as ascendências românicas normandas deste edifício, denunciadas nomeadamente pelas grossas colunas das arcadas da nave e do coro. Os pilares mais recentes, localizados junto da fachada poente e estruturados por colunelos assim como as grandes janelas do clerestório e a verticalidade do espaço interior acentuam o efeito gótico. Com 35 metros de altura, a relação entre a largura e altura da nave central é de 1 para 2,75.

A junção das nervuras e dos torais que reforçam as abóbadas e os seus prolongamentos pelos pilares, ligada à grande dimensão das naves assim como a difusão espacial da luz através das grandes rosáceas dos topos das naves, garantem a amplitude e nobreza do espaço interior do templo.

No exterior, a verticalidade da construção e aligeiramento dos suportes determinou a construção de contrafortes que se prolongam em arcobotantes por forma a receber os impulsos das abóbadas de pedra.

Bastante maltratada após a Revolução Francesa, foi reabilitada durante o século XIX através de uma grande campanha de trabalhos de restauro orientados pelos arquitectos Viollet-le-Duc e Lassus permitiram restituir a sua imagem gótica, dando-lhe o aspecto que actualmente apresenta. Foram reconstruídas as esculturas destruídas pelos revolucionários e reintroduziram-se os quatro níveis do alçado. A agulha que coroa exteriormente o cruzeiro deve-se também a este restauro.

Fonte: www.infopedia.pt

Catedral de Notre-Dame

A mais famosa catedral gótica medieval, situada na Île de la Cité, em Paris, dedicada à Virgem Maria, a construção da Catedral de Notre-Dame de Paris foi iniciada em 1163 quando o papa Alexandre III inaugurou a pedra fundamental.

Maurice Sully, o bispo de Paris, teve a idéia de transformar as duas igrejas antigas que aí existiam para formar uma catedral enorme sem igual.

A galeria do coro foi terminada em 1183. A pia batismal oeste e a nave foram terminadas em 1240. Nesta mesma época as janelas originais, do período gótico inicial foram ampliadas e preenchidas com arabescos seguindo o estilo do alto período gótico.

Uma série de construções completadas por volta de 1260 acrescentaram torres de 68 metros, janelas em rosáceas, e reforços leves e delicados que tornaram tão extraordinária a arquitetura desta catedral.

O interior acabado mede 130 metros de comprimento por 48 de largura, com um telhado 35 metros.

Em 1844, Eugene Emmanuel Viollet-le-Duc iniciou uma restauração de grande porte da catedral, dando-lhe novamente vários elementos do período gótico inicial A fachada oeste da catedral, muito danificada durante a Revolução Francesa, também foi restaurada.

Fonte: monumentos.vilabol.uol.com.br

Catedral de Notre Dame

A Catedral de Notre-Dame de Paris é uma das mais antigas catedrais francesas em estilo gótico. Iniciada sua construção no ano de 1163, é dedicada a Maria, Mãe de Jesus Cristo (daí o nome Notre-Dame – Nossa Senhora), situa-se na praça Parvis, na pequena ilha Île de la Cité em Paris, França, rodeada pelas águas do Rio Sena.

Notre-Dame
Entrada principal na fachada a ocidente

A catedral surge intimamente ligada à ideia de gótico no seu esplendor, ao efeito claro das necessidades e aspirações da sociedade da altura, a uma nova abordagem da catedral como edifício de contacto e ascensão espiritual.
A arquitectura gótica é um instrumento poderoso no seio de uma sociedade que vê, no início do século XI, a vida urbana transformar-se a um ritmo acelerado. A cidade ressurge com uma extrema importância no campo político, no campo económico (espelho das crescentes relações comerciais), ascendendo também, por seu lado, a burguesia endinheirada e a influência do clero urbano. Resultado disto é uma substituição também das necessidades de construção religiosa fora das cidades, nas comunidades monásticas rurais, pelo novo símbolo da prosperidade citadina, a catedral gótica. E como reposta à procura de uma nova dignidade crescente no seio de França, surge a Catedral de Notre-Dame de Paris.

O processo de ascensão

O local da catedral contava já, antes da construção do edifício, com um sólido historial relativo ao culto religioso. Os celtas teriam aqui celebrado as suas cerimónias onde, mais tarde, os romanos erigiriam um templo de devoção ao deus Júpiter. Também neste local existiria a primeira igreja do cristianismo de Paris, a Basílica de Saint-Etienne, projectada por Childeberto por volta de 528 d.C.. Em substituição desta obra surge uma igreja românica que permanecerá até 1163, quando se dá o impulso na construção da catedral.

Já em 1160, e em resultado da ascensão centralizadora de Paris, o Bispo Maurice de Sully considera a presente igreja pouco digna dos novos valores e manda-a demolir. O gótico inicial, com as suas inovações técnicas que permitem formas até então impossíveis, é a resposta à demanda de um novo conceito de prestígio no domínio citadino. Durante o reinado de Luís VII, e sob o seu apoio (visto o monarca central ter também no século XII um poder crescente), este projecto é abençoado financeiramente por todas as classes sociais com interesse na criação do símbolo do seu novo poder. Assim, e tendo em conta a grandeza do projecto, o programa seguiu velozmente e sem interrupções que pudessem ocorrer por falta de meios económicos (algo comum, na época, em construções de grande envergadura).

A construção inicia-se em 1163 reflectindo alguns traços condutores da Catedral de Saint Denis, subsistindo ainda dúvidas quando à identidade de quem terá "colocado" a primeira pedra, o Bispo Maurice de Sully ou o Papa Alexandre III. Ao longo do processo (a construção, incluindo modificações, durou até sensivelmente meados do século XIV) foram vários os arquitectos que participaram no projecto, esclarecendo este factor as diferenças estilísticas presentes no edifício.

Em 1182 presta já o coro serviços religiosos e, na transição entre os séculos, está a nave terminada. No início do século XIII arrancam as obras da fachada oeste com as suas duas torres estendendo-se a meados do mesmo século. Os braços do transepto (de orientação norte-sul) são trabalhados de 1250 a 1267 com supervisão de Jean de Chelles e Pierre de Montreuil. Simultaneamente levantam-se outras catedrais ao seu redor num estilo mais avançado do gótico; a Catedral de Chartres, a Catedral de Reims e a Catedral de Amiens.

As turbulências da História

Vista de sudeste
Vista de sudeste

A catedral foi, nos finais do século XVII, durante o reinado de Luís XIV, palco de alterações substanciais principalmente na zona este, em que túmulos e vitrais foram destruídos para substituir por elementos mais ao gosto do estilo artístico da época, o Barroco.

Em 1793, no decorrer da Revolução francesa e sob o culto da razão, mais elementos da catedral foram destruídos e muitos dos seus tesouros roubados, acabando o espaço em si por servir de armazém para alimentos.

Com o florescer da época romântica, outros olhares são lançados à catedral e a filosofia vira-se para o passado, enaltecendo e mistificando numa aura poética e etérea a história de outras épocas e a sua expressão artística. Sob esta nova luz do pensamento é iniciado um programa de restauro da catedral em 1844, liderado pelos arquitectos Eugene Viollet-le-Duc e Jean-Baptiste-Antoine Lassus, que se estendeu por vinte e três anos.

Em 1871, com a curta ascensão da Comuna de Paris , a catedral torna-se novamente pano de fundo a turbulências sociais, durante as quais se crê ter sido quase incendiada.
Em 1965, em consequência de escavações para a construção de um parque subterrâneo na praça da catedral, foram descobertas catacumbas que revelaram ruínas romanas, da catedral merovíngia do século VI e de habitações medievais.

Já mais próximo da actualidade, em 1991, foi iniciado outro projecto de restauro e manutenção da catedral que, embora previsto para durar dez anos, se prolonga além do prazo.

A literatura e a fama

Durante o espírito do romantismo, Victor Hugo escreveu, em 1831, o romance “Notre-Dame de Paris”, O Corcunda de Notre-Dame. Situando os acontecimentos na catedral durante a Idade Média, a história trata de Quasimodo que se apaixona por uma cigana de nome Esmeralda. A ilustração poética do monumento abre portas a uma nova vontade de conhecimento da arquitectura do passado e, principalmente, da Catedral de Notre-Dame de Paris.

And the cathedral was not only company for him, it was the universe; nay, more, it was Nature itself. He never dreamed that there were other hedgerows than the stained-glass windows in perpetual bloom; other shade than that of the stone foliage always budding, loaded with birds in the thickets of Saxon capitals; other mountains than the colossal towers of the church; or other oceans than Paris roaring at their feet. (Victor Hugo, Notre Dame de Paris, 1831.)

Momentos altos na catedral

1314 - Na praça Parvis, em frente à fachada ocidental da catedral, o último grão mestre templário, Jacques de Molay, após dez anos na prisão, juntamente com outros templários, foram executados queimados vivos na fogueira. Foram condenados pela igreja católica com ordem direta do Papa Clemente V, influenciado e pressionado pelo rei Filipe IV de França, que acusaram os templários de serem hereges, culpados de adoração ao demônio, homossexualidade, desrespeito à Santa Cruz, sodomia e outros comportamentos de blasfêmia.

1431 - Coroação de Henrique VI de Inglaterra durante a Guerra dos cem anos.

1804 - Coroação a 2 de Dezembro de Napoleão Bonaparte a imperador de França e sua mulher Josefina de Beauharnais a imperatriz, na presença do Papa Pio VII
1909 - Beatificação de Joana d'Arc.

A matéria

Existe ainda nesta catedral uma dualidade de influências estilísticas: por uma lado, reminiscências do românico normando, com a sua forte e compacta unidade, por outro lado, o já inovador aproveitamento das evoluções arquitectónicas do gótico, que incutem ao edifício uma leveza e aparente facilidade na ascensão vertical e no suporte do peso da sua estrutura (sendo o esqueleto de suporte estrutural visível só do exterior).

A planta é demarcada pela formação em cruz romana orientada a ocidente, de eixo longitudinal acentuado, e não é perceptível do exterior do edifício visto os braços do transepto não excederem a largura da fachada. A cruz está “embebida” no edifício, envolta por um duplo deambulatório, ou charola, que circula o coro na cabeceira (a este) e se prolonga paralelamente à nave, dando lugar, assim, a quatro colaterais (ou naves laterais).

A fachada ocidental

Notre-Dame
Pormenor da fachada oeste

Esta é a fachada principal e não só a de maior impacto e monumentalidade como também a de maior popularidade.

Uma afinidade na composição e traços gerais pode ser estabelecida com a fachada da Catedral de Saint Denis, uma derivação da fachada do românico normando.

A fachada apresenta um conjunto proporcional, uma ordem de traçado coerente, de construção racional, reduzindo os seus elementos ao essencial, não tendo, talvez por isso, influenciado outros arquitectos contemporâneos do gótico. Aqui optou-se por uma parede “plástica” que interliga todos os seus elementos e passa a integrar também a escultura em locais pré-definidos, evitando que cresça espontânea e aleatoriamente como acontecia no românico.

A fachada apresenta três níveis horizontais e é ainda dividida em três zonas verticais pelos contrafortes ligeiramente proeminentes que unem em verticalidade os dois pisos inferiores e reforçam os cunhais das duas torres.

Nível inferior

Neste nível são evidentes três portais que surgem em épocas diferentes e que formam um conjunto que passa a ser utilizado na arquitectura a partir dos meados do século XII. São profusamente trabalhados, penetrando na parede por uma sucessão de arcos envolventes em degrau, arquivoltas, destacando-se o portal central ligeiramente em altura dos laterais.

Portal de Santa Ana

É o portal da direita e vem da época do início da construção da catedral e terá sido no início possivelmente pensado para um dos braços do transepto.

O tímpano, que representa a Virgem Maria com Cristo em criança, transparece ainda uma forte ligação à escultura do românico tardio pela sua frontalidade, rigidez do vestuário e pouca volumetria. Na proximidade da Virgem está um rei ajoelhado, que se crê ser o rei Luís VII e na frente deste um bispo, que poderá ser o impulsionador da construção da catedral, o bispo Maurice de Sully. A arquitrave possui dois níveis; a banda superior, de cerca de 1170, tem cenas da vida de Maria e a inferior, do início do século XIII – altura em que o portal deverá ter sido colocado neste local, retrata cenas da vida de Ana e Joaquim, pais de Maria, facto que terá dado o nome ao portal.

Portal da Virgem

É o portal da esquerda e, já pensado especificamente para este local, pertence ao século XIII com iconografia referente a Maria.

Na arquitrave, na sua banda inferior, vêem-se seis patriarcas do Antigo Testamento e reis sentados a emoldurar um pequeno baldaquino em baixo que remete simbolicamente à Anunciação. Na banda superior, são representados a morte e a ascensão de Maria aos céus e os apóstolos que rodeiam a cena. Cristo, no ponto central, toca o corpo de sua mãe, como que num sinal à futura ressurreição. O tímpano trata da coroação de Maria, em que Cristo, sentado, recebe-a e benze-a, enquanto um anjo descende e a coroa. A realçar a festividade da cena estão dois anjos ajoelhados carregando candelabros nas mãos. Nas arquivoltas anjos, profetas, reis e santos assistem ao acontecimento. Neste portal o volume corporal é mais acentuado e a representação mais realista, em oposição ao abstraccionismo românico.

Portal do Julgamento

Portal do Julgamento
Portal do Julgamento

É o portal central e o mais novo do conjunto.

No românico a figura central do portal é Cristo em ascensão aos céus, como parte dos acontecimentos de pentecostes ou no papel de Julgador. Mas no gótico já não é o monge que inicia os fiéis no mundo iconográfico do sagrado, a fé e a experiência espiritual são, nesta fase, sobrepostos pela autoridade e lei representadas pelo clero ligado à cidade, o bispo. Deste modo passa o tema do Julgamento a representar o papel principal no portal gótico.

A banda inferior da arquitrave, por estar danificada, foi substituída no século XVIII por uma representação da ressurreição dos mortos. A banda superior representa os “escolhidos” e os “condenados” separados pelo Diabo e pelo arcanjo Miguel com a balança das almas. Os que entram no paraíso levam uma coroa, uma possível alusão à santidade da coroa francesa. O tímpano apresenta Cristo na pose de Julgador revelando as chagas nas palmas das suas mãos. Nas arquivoltas Abraão recebe as almas dos escolhidos e o Diabo as dos pecadores. Concêntricos a Cristo surgem anjos, patriarcas, profetas, dignatários, mártires e virgens santas.

A rematar e a fazer a transição para o nível intermédio está a Galeria dos Reis, uma banda composta por vinte e oito estátuas de 3,5 metros de altura cada. As estátuas tanto podem ser representações de figuras do Antigo Testamento como monarcas franceses. Durante a revolução francesa foram danificadas pelos revoltosos que pensavam tratar-se dos reis de França. As actuais estátuas foram redesenhadas por Viollet-le-Duc e as originais encontram-se no Museu de Cluny.

Nível intermédio

A dominar o nível intermédio encontra-se a rosácea de 13 metros de diâmetro ao centro encaixada entre os contrafortes e ladeada por janelas gémeas. À sua frente surge a estátua da Virgem Maria com o Menino.

Seguindo o traçado do piso inferior, e contribuindo para a unidade da fachada, corre uma galeria de arcarias rendilhadas a rematar este nível na zona superior.

Nível superior

Aqui erguem-se as duas torres de 69 metros de altura - influência normanda do século XII que acabou por permanecer na arquitectura religiosa europeia. A torre sul acolhe o famoso sino de nome “Emmanuel”.

É possível visitar a torre norte onde, após uma subida de 386 degraus, se podem vislumbrar a cidade de Paris, os pináculos e as gárgulas da catedral que povoaram o romance de Victor Hugo.

A cabeceira

Notre-Dame
Vista da cabeceira na zona este

A estrutura de suporte de peso é visível do exterior a ladear todo o edifício, mas na zona da cabeceira a elegância destes elementos resulta numa fluidez visual que só se torna possível depois de 1225, quando as capelas são acrescentadas ao exterior.
Nesta altura todo o esplendor técnico do gótico está ao alcance e os arcobotantes, que fluem da zona superior da parede do coro, onde a impulsão da abóbada para o exterior se concentra, prolongam-se até aos contrafortes, não de forma pesada, mas transmitindo leveza e harmonia.

As fachadas do transepto

Notre-Dame
Fachada sul do transepto

Após a construção das capelas exteriores torna-se necessário prolongar os braços do transepto. Jean de Chelles inicia ao norte demonstrando já um traçado típico do gótico alto. O frontão trabalhado a coroar o portal, denominado gablete, cresce ao segundo nível e sobrepõe-se à fileira de janelas que surgem num plano recolhido. Do mesmo modo é também a rosácea colocada num nível mais recolhido e ligeiramente sobreposta por uma balaustrada fina. A rematar a fachada surge um frontão com janela circular ladeado de tabernáculos abertos.

O tímpano apresenta um registo em três bandas, típico do gótico, onde se torna possível representar diversos episódios alimentando o gosto pela festividade do relato. Na banda inferior vêem-se cenas de Jesus em criança. Nas duas bandas superiores um bispo conta a história do presbiteriano Teófilo, desenvolvendo-se a lenda do mesmo personagem numa sequência de quatro cenas na banda imediatamente inferior.

Também no portal toma lugar a estátua de uma Madona que sobreviveu à revolução francesa e que denota o nível avançado da escultura gótica, apresentando uma naturalidade na atitude e rotação corporal.

De um modo geral a decoração em filigrana e o traçado aqui utilizados irão ser adoptados pela arquitectura europeia.

Após a morte de Chelles, Montreuil assume o projecto da fachada do transepto sul seguindo um traçado mais ou menos fiel ao do seu antecessor. A plasticidade dos elementos e o trabalho de filigrana da pedra revelam uma virtuosidade com o material ao mais alto nível, assim como uma clara individualização do trabalho do artista que se começa a destacar do conjunto do movimento artístico geral.

O interior

Notre-Dame
Vista interior da nave

O gótico permite a ligação da terra ao céu e, no interior de uma catedral do estilo, o crente é impelido à ascensão pela afirmação constante da verticalidade, pela monumentalidade das paredes que parecem erguer-se segundo uma teoria contrária à da gravidade, tornando-as leves, deixando por elas filtrar o colorido dos grandes vitrais numa aura etérea. A utilização de tais elementos arquitectónicos numa catedral deve-se mais a um propósito religioso prático que a aspirações artísticas.

A nave de 127 metros de comprimento, 48 metros de largo e 35 metros de altura é rematada em cima por abóbadas sexpartidas e dá o primeiro passo na construção colossal do gótico. As maciças colunas de fuste liso da nave, que acentuam a verticalidade, fazem a divisão em arcadas altas para as alas laterais e suportam uma tribuna (galeria), em que janelas para o exterior são abertas para deixar entrar mais luz. Criando unidade com este elemento surge o clerestório a fazer o remate superior com os seus grandes grupos de janelas de dois lances e óculo.

A rosácea do braço norte do transepto tem 13 metros de diâmetro e um azul forte como cor dominante. A composição baseia-se no número 8 e suas multiplicações e simboliza o Universo, a Terra e os sete planetas. No centro surge a Mãe de Deus rodeada de medalhões com representação de personagens do Antigo Testamento, profetas, reis e altos clérigos.

A rosácea do braço sul do transepto baseia-se do mesmo modo no número 12 e apresenta central a imagem de Cristo como o julgador do mundo. À sua volta, em medalhões, surgem apóstolos e anjos.

Os órgãos

O principal órgão está situado em frente da rosácea do lado ocidental. Datando originalmente do século XIV, só doze dos seus 32 tubos são originais e já foi alvo de vários restauros. Este órgão é usado em eventos especiais e o órgão do coro tem mais serventia para os eventos de rotina.

Curiosidades

Na praça Parvis, em frente à fachada ocidental da catedral, encontra-se no pavimento uma placa de bronze que representa o ponto zero a partir do qual todas as distâncias das estradas nacionais francesas são calculadas.

Na catedral existem quase duzentos vitrais, alguns entre os maiores construídos na História.

Fonte: pt.wikipedia.org

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