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Fungos

Os fungos são tão distintos das algas, briófitas e plantas vasculares, quanto o são dos animais.

Tradicionalmente são agrupados com as plantas, mas pertencem a um Reino distinto, Fungi, constituindo um dos cinco principais grupos de organismos vivos, como já foi falado.

Juntamente com as bactérias, os fungos vêm a ser os seres encarregados da decomposição na biosfera, sendo suas atividades tão necessárias à existência permanente do mundo que conhecemos quanto as dos seres produtores de alimento. A decomposição libera gás carbônico na atmosfera e devolve ao solo compostos nitrogenados e outros materiais, que poderão ser novamente usados por vegetais e eventualmente por animais. Foi estimado que os 20 cm superiores da terra fértil possam conter perto de 5 toneladas de fungos e bactérias por hectare.

Os fungos constituem um grupo de microrganismos que tem grande interesse prático e científico para os microbiologistas.

Suas manifestações são familiares: crescimentos azuis e verdes em laranjas, limões e queijos; as colônias cotonosas (aspecto de algodão), brancas ou acinzentadas, no pão e no presunto; os cogumelos dos campos e os comestíveis, entre tantos. Todas representam vários organismos fúngicos, morfologicamente muito diversificados. De um modo geral, os fungos incluem os bolores e as leveduras. A palavra bolor tem emprego pouco nítido, sendo usada para designar os mofos, as ferrugens e o carvão (doença de gramíneas). As leveduras se diferenciam dos bolores por se apresentarem sob a forma unicelular.

Os fungos podem viver como saprófagos, quando obtêm seus alimentos decompondo organismos mortos; como parasitas, quando se alimentam de substâncias que retiram dos organismos vivos nos quais se instalam, prejudicando-os; ou podem estabelecer associações mutualísticas com outros organismos, em que ambos se beneficiam. Em todos os casos, no entanto, os fungos liberam enzimas digestivas para fora de seus corpos e estas atuam diretamente no meio orgânico no qual eles se instalam, degradando moléculas simples, que são então absorvidas pelo fungo. Os fungos saprófagos são responsáveis por grande parte da degradação da matéria orgânica, propiciando a reciclagem de nutrientes, como já foi comentado.

Os fungos são importantes nas fermentações industriais, tais como na fabricação da cerveja, do vinho e na produção de antibióticos (penicilina), de vitaminas e ácidos orgânicos (ácido cítrico). A fabricação de pães e o amadurecimento de queijos também dependem da atividade saprofítica dos fungos.

Como parasitas, os fungos causam doenças vegetais, humanas e animais, embora a maior parte das micoses seja menos severa que as bacterioses ou as viroses.

A ciência que estuda os fungos recebe o nome de Micologia.

Características próprias dos fungos

Os fungos são microrganismos eucarióticos quimiorganotróficos. Reproduzemse, naturalmente, por meio de esporos, com poucas exceções. Além disso, a maioria das partes de um fungo é potencialmente capaz de crescimento; um minúsculo fragmento é suficiente para originar um novo indivíduo. Os fungos não têm clorofila, são filamentosos em geral e comumente ramificados. Os filamentos apresentam paredes celulares constituídas por quitina ou celulose, ou ambas. São imóveis, em sua maioria, embora possam demonstrar células vegetativas móveis.

A maior parte entre todas as classes de fungos produz esporos de dois modos: sexuada e assexuadamente. Os esporos produzidos sexuadamente têm núcleos derivados das células parentais e estas, como os esporos, são, geralmente, haplóides. Dois núcleos de células parentais se fundem para formar um núcleo diplóide zigótico, do qual, por divisão celular redutora (meiose zigótica), originam-se os núcleos dos esporos haplóides. Os esporos sexuados e as estruturas que os contém são usualmente distinguíveis, sob o ponto de vista morfológico, dos esporos assexuados, os quais são formados por simples diferenciação do talo em desenvolvimento (o talo é o fungo individual completo, incluindo as porções vegetativas ou não-sexuadas e todas as estruturas especializadas). Os esporos são muito importantes na classificação dos fungos, sendo as classes diferenciadas pelas características morfológicas dos estágios sexuados e dos esporos. A figura abaixo mostra alguns tipos de esporos fúngicos.

Morfologia dos fungos filamentosos

O talo de um fungo é tipicamente composto por filamentos tubulares microscópicos, chamados hifas. O conjunto de hifas tem o nome de micélio. A parede das hifas é semi-rígida, e os fungos podem apresentar três tipos morfológicos de hifas. O micélio pode formar uma rede frouxa ou um tecido compacto, como nos cogumelos. Além disso, os micélios podem ser vegetativos ou de reprodução, sendo estes responsáveis pela produção de esporos. As hifas dos micélios de reprodução são, em geral, aéreas, enquanto algumas hifas do micélio vegetativo podem penetrar no meio, em busca de nutrientes.

Fungos
Diferentes tipos de esporos fúngicos

Fungos
Tipos morfológicos de hifas nos fungos.

A hifa conocítica não apresenta septos transversais. As hifas septadas podem apresentar células mononucleadas (um núcleo por célula) ou multinucleadas (dois ou mais núcleos por célula); os septos transversais apresentam um poro central, através do qual o citoplasma e os nucléolos podem migrar de um compartimento para outro (modificado de Davis et al.., 1990).

Reprodução nos Fungos

As leveduras (fungos unicelulares) reproduzem-se assexuadamente por gemulação ou brotamento, no qual uma pequena protuberância (broto) cresce e eventualmente separa-se da célula-mãe. Cada broto que separa-se, pode tornar-se uma nova levedura (figura 19). Leveduras também podem reproduzir-se assexuadamente por fissão e sexuadamente, através da formação de esporos. As leveduras não são classificadas como um grupo taxonômico único pois muitos fungos diferentes podem ser induzidos a formar um estágio de levedura.

Os esporos dos fungos terrestres são células reprodutivas não-móveis, dispersas através do vento ou por animais e, geralmente, produzidos nas hifas aéreas (que se projetam no ar). Este arranjo permite que os esporos sejam "arrastados" por correntes de ar e distribuídos a novas áreas. Em alguns fungos, as hifas aéreas formam estruturas grandes e complexas, onde os esporos são produzidos. Estas estruturas são chamadas esporocarpos ou corpos de frutificação. A parte familiar de um cogumelo, por exemplo, é um grande esporocarpo. Nós normalmente não vemos a maior parte do organismo, uma rede quase invisível de hifas enterradas sobre o material na qual ele cresce. Ao contrário de células animais e vegetais, os fungos normalmente contêm núcleos haplóides. Na reprodução sexuada, os fungos freqüentemente realizam um tipo de conjugação no qual duas hifas geneticamente diferentes juntam-se e seus núcleos fundem-se. Em certos fungos, os núcleos geneticamente diferentes não se fundem imediatamente, mas permanecem separados dentro do citoplasma do fungo pela maior parte de sua vida. Hifas que contêm dois núcleos distintos geneticamente dentro de cada célula são chamadas dicarióticas. Hifas que contêm somente um núcleo por célula são monocarióticas.

Quando um esporo fúngico "cai" num substrato apropriado, por exemplo, um pêssego muito amadurecido, o esporo germina e começa a crescer. Uma hifa parecida com um fio emerge do pequeno esporo. Assim que uma camada de hifas emaranhadas infiltra-se no pêssego, uma outra hifa estende-se em direção ao ar. Células das hifas secretam enzimas digestivas dentro do pêssego, degradando seus compostos orgânicos em pequenas moléculas que serão absorvidas pelos fungos.

Fungos
Célula de uma levedura comum, mostrando a reprodução por brotamento. b) Fotomicrografia de células da levedura Saccharomyces cerevisiae, utilizado como fermento de pão. Note que muitas das células estão brotando (fonte: Davis, 1990)

Fungos
Germinação de um esporo e crescimento de um fungo terrestre (fonte: Davis et al.., 1990).

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