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Fungos

Fisiologia e Nutrição dos Fungos

Fungos crescem melhor em habitats úmidos e escuros, porém são encontrados universalmente onde quer que exista matéria orgânica disponível. Eles necessitam de umidade para crescer e podem obter água da atmosfera, bem como do meio sobre o qual vivem. Quando o ambiente torna-se muito seco, os fungos sobrevivem entrando num estado de repouso ou produzindo esporos, que são resistentes aridez. Embora o pH ótimo para a maioria das espécies seja ± 5,6, alguns fungos podem tolerar e crescer em ambientes onde o pH varia de 2 a 9. Muitos fungos são menos sensíveis à altas pressões osmóticas que as bactérias, e podem crescer em soluções de sais concentradas ou soluções de açúcares, que inibem ou previnem o crescimento bacteriano. Os fungos também crescem num amplo intervalo de temperatura (0o a 62o C, estando a temperatura ótima entre 22o e 30o C).

Classificação dos Fungos

A classificação dos fungos é baseada principalmente nas características dos esporos sexuais e dos corpos de frutificação, na natureza de seus ciclos de

Entretanto, muitos fungos produzem esporos sexuais sob certas condições ambientais. Aqueles que possuem todos os estágios sexuais conhecidos são denominados fungos perfeitos e os que não possuem, fungos imperfeitos. Os fungos imperfeitos são classificados arbitrariamente, num primeiro momento, e são colocados provisoriamente em uma classe especial denominada Deuteromycetes. Quando o seu ciclo sexual é descoberto posteriormente, são então reclassificados entre outras classes e recebem novos nomes.

Os micologistas dividem o Reino Fungi em 3 principais grupos: os fungos limosos, os fungos inferiores flagelados e os fungos terrestres.

Os fungo limosos são considerados um enigma biológico e taxonômico porque não são nem um fungo típico, nem um protozoário típico. Durante uma de suas etapas de crescimento, assemelham-se aos protozoários porque não possuem parede celular, possuem movimentos amebóides e ingerem nutrientes particulados.

Durante a etapa de propagação, formam corpos de frutificação e esporângios apresentando esporos com paredes, como nos fungos típicos. Vivem em água doce, em solo úmido e em vegetais em decomposição.

Os fungos inferiores flagelados incluem todos os fungos, com exceção dos limosos, que produzem células flageladas em alguma fase do seu ciclo de vida.

Alimentam-se pela absorção dos alimentos. A grande maioria é filamentosa, produzindo um micélio cenocítico. Muitos são unicelulares ou unicelulares com rizóides. A reprodução sexuada pode ocorrer por vários meios; a reprodução assexuada ocorre mediante a produção de zoósporos. Podem ser parasitas ou saprófitas, que vivem no solo ou água doce.

Os fungos terrestres são as espécies mais conhecidas entre os fungos. Este grupo inclui as leveduras, bolores, orelhas-de-pau, mofo, fungos em forma de taça, ferrugem, carvão, bufa-de-lobo e cogumelos. Todos caracterizam-se pela nutrição através da absorção e, com exceção das leveduras, a maioria produz um micélio bem desenvolvido constituído de hifas septadas ou cenocíticas. As células móveis não são encontradas nos fungos terrestres. A reprodução assexuada ocorre através de brotamento, fragmentação e produção de esporangióforos ou conídios. A reprodução sexuada envolve a produção de zigósporos, ascósporos ou basidiósporos.

Existem 4 principais grupos de fungos terrestres: Zygomycetes, Ascomycetes, Basidiomycetes e Deuteromycetes. A tabela 6 resume esta classificação.

Classes de Fungos Terrestres

Classes TIPOS COMUNS REPR. ASSEXUADA REPR. SEXUADA
Zygomycetes bolor preto do pão esporos não-móveis zigósporos
Ascomycetes leveduras, fungos em forma
de taça, trufas.
conídios desprendemse
dos conidióforos
ascósporos
Basidiomycetes cogumelos, fungos da
ferrugem e do carvão, bufade-
lobo, orelha-de-pau
incomum basidiósporos
Deuteromycetes
(fungos
imperfeitos)
Candida albicans, algumas
espécies de Penicillium e
Aspergillus
conídios estágio sexual
desconhecido

Zygomycetes

Os membros desta classe são chamados de zigomicetos e há cerca de 600 espécies encontradas em todo mundo. Eles produzem esporos sexuais chamados zigósporos, que permanecem dormentes por um tempo. Suas hifas são cenocíticas (não têm septo). Muitos zigomicetos vivem no solo sobre matéria orgânica animal ou vegetal em decomposição; alguns são parasitas de plantas e animais. Alguns zigomicetos são utilizados na elaboração de produtos comercialmente valiosos, como molho de soja, ácidos orgânicos esteróides para drogas contraceptivas e antiinflamatórias. Um zigomiceto comum é o bolor preto do pão, Rhizopus stolonifer. O pão torna-se embolorado quando o esporo do bolor cai sobre ele, germinando e crescendo como uma massa de fios, o micélio. As hifas penetram no pão e absorvem nutrientes. Algumas hifas, chamadas estolões, crescem horizontalmente; outras, chamadas rizóides, ancoram os estolões no pão.

Eventualmente, certas hifas crescem para cima e desenvolvem um esporângio, ou saco de esporos, na extremidade. Agregados de esporos esféricos pretos desenvolvem-se dentro do esporângio e são liberados quando este se rompe. A reprodução sexual pode ocorrer quando hifas de dois tipos diferentes (+ e -) crescem em contato uma com a outra (figura 21).

Não há diferenciação sexual morfológica, de modo que não é próprio referir-se a linhagens feminina e masculina. Quando as hifas de dois tipos encontram-se, hormônios são produzidos, fazendo com que suas extremidades cresçam juntas. Os núcleos + e - fundem-se e formam um núcleo diplóide, o zigoto, chamado de zigósporo. O zigósporo pode permanecer dormente por vários meses. A meiose provavelmente ocorre no momento ou um pouco antes da germinação do zigósporo. Quando este germina, uma hifa aérea desenvolve-se com um esporângio na extremidade. Cada esporo formado é capaz de tornar-se um novo micélio.

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O ciclo de vida do bolor preto do pão, Rhizopus stolonifer.

Após ruptura da parede do esporângio, os esporangiósporos são liberados. Um esporangiósporo germina para desenolver um talo micelial, os rizóides penetram no meio e os esporangiósporos dão origem ao esporângio, completando a fase assexuada do ciclo de vida. A reprodução sexuada requer dois mating types (+ e -) sexualmente compatíveis. Quando entram em contato, são formadas ramificações de copulação denominadas progametângio. Eles logo se fundem, os protoplasmas misturam-se (através da plasmogamia) e os núcleos + e - também se fundem (através da cariogamia) para formar muitos núcleos zigotos. A estrutura contendo o núcleo torna-se corada em preto e com aspecto verrugoso, formando o zigósporo diplóide maduro, que repousa em estado dormente por 1 a 3 meses ou mais. O zigósporo germina para formar um novo organismo haplóide e a meiose ocorre durante o processo de germinação (fonte: Pelczar et al.., 1996).

Ascomycetes

Os ascomicetos constituem um grande grupo de mais ou menos 30.000 espécies descritas. Recebem também o nome de fungos de saco pois seus esporos sexuais são produzidos em pequenos sacos chamados ascos. Suas hifas geralmente têm septos, porém as paredes transversais são perfuradas, permitindo o movimento do citoplasma.

Os ascomicetos variam na complexidade, desde leveduras unicelulares até mofos multicelulares e fungos em forma de taça. Eles incluem a maioria dos bolores esverdeados, rosas e marrons que estragam os alimentos e as trufas comestíveis. Os ascomicetos desempenham um papel ecológico importante na degradação de moléculas animais e vegetais resistentes como a celulose, lignina e o colágeno.

Na maioria dos ascomicetos, a reprodução assexuada envolve a produção de esporos, chamados conídios. Estes esporos desprendem-se das extremidades de certas hifas conhecidas como conidióforos (que contêm os esporos). Algumas vezes chamados de "esporos de verão", os conídios são um meio de rápida propagação do novo micélio. Eles variam na forma, tamanho e cor, nas diferentes espécies; a cor do conídio é que dá a característica preta, azul, verde, rosa ou outra, a muitos destes bolores.

A reprodução sexual ocorre após duas hifas crescerem juntas e unirem seus citoplasmas. Dentro desta estrutura fundida, os dois núcleos ficam juntos, porém não se fundem. Novas hifas desenvolvem-se a partir desta estrutura; as células destas hifas são dicarióticas (2 núcleos). Estas hifas formam o corpo de frutificação conhecido como ascocarpo, onde o asco se desenvolve. Dentro de cada célula que irá se desenvolver num asco, os dois núcleos fundem-se e formam um núcleo diplóide, o zigoto. Cada zigoto sofre meiose e origina 4 núcleos haplóides. Cada um destes passa por uma mitose, resultando na formação de 8 núcleos. Estes, quando separados, formam os ascósporos. Assim, dentro de um asco, há 4 ascósporos, que são liberados quando este se rompe. A figura 22 mostra o ciclo de vida do ascomiceto Neurospora sp.

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Ciclo de vida de Neurospora sp

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