Mesmo com Pelé contundido, seleção
conquista o título
Ricardo Acampora
Em 1962, o Brasil repetiu o sucesso de 1958 e conquistou o bicampeonato mundial.
Na Copa do Chile houve um novo recorde de inscrições. Cinqüenta e seis países se inscreveram para disputar as 14 vagas do Mundial. O Brasil, como país campeão, e o Chile, como anfitrião, estavam automaticamente classificados.
O Brasil ficou no grupo 3, com México, Espanha e Tchecoslováquia. A surpresa ficou por conta da desclassificação da França, terceira colocada no mundial da Suécia.
Na Europa, o futebol se tornara um esporte cada vez mais físico, mas a técnica ainda prevalecia entre os jogadores sul-americanos.
A primeira fase da Copa de 1962 foi marcada por jogos truncados, por uma marcação rigorosa e violenta. Preocupado, o Comitê de Arbritragem da Fifa convocou uma reunião de emergência com todos os juízes e bandeirinhas do mundial, para que o jogo bruto fosse reprimido com mais rigor.
O Brasil teve uma estréia tranqüila, derrotando o México, em Viña del Mar, por 2 a 0, gols de Pelé e Zagalo.
O técnico campeão de 58, Vicente Feola, estava com problemas cardíacos e foi substituído por Aimoré Moreira. O novo dirigente conservou a base da seleção de 1958, trocando apenas o miolo da zaga. Mauro era o capitão no lugar de Belini e Zózimo, do Bangu, ficou com a vaga de Orlando.
No segundo jogo, contra a ótima equipe da Tchecoeslováquia, o Brasil perderia sua maior estrela. Pelé sofreu uma distensão no músculo da virilha e estava fora do restante da Copa.
Pelé continuou em campo mancando, pois na época não eram permitidas substituições durante os jogos. A partida terminou empatada sem gols.
O resultado fazia o Brasil decidir a classificação com a Espanha, que tinha vencido o México e perdido para os tchecos.
Sem Pelé, substituído por Amarildo, do Botafogo, o Brasil começou o jogo nervoso, permitindo o domínio dos espanhóis. Aos 35 minutos de jogo, Abelardo abriu o placar para os espanhóis.
No segundo tempo, o Brasil voltou melhor, e na ponta-direita começou a brilhar a genialidade de Garrincha, o craque de pernas tortas.
Garrincha aplicava dribles desconcertantes em seu marcador abrindo a defesa espanhola. Duas jogadas iniciadas por Mané Garrincha foram concluídas pelo garoto Amarildo, garantindo a vitória brasileira de virada.
A vitória classificou o Brasil e deu confiança à seleção que até então não tinha mostrado o futebol que a levara ao título na Suécia.
No grupo do Brasil, a Tchecoslováquia também se classificou para as quartas-de-final.
O Brasil enfrentaria a Inglaterra na tarde de 10 de junho. Na falta de Pelé, o talento de Garrincha brilhou mais do que nunca. Mané armou, driblou, deu passes, humilhou seus marcadores, foi à linha de fundo quantas vezes quis, fez um gol de cabeça e outro com um chute de curva no ângulo do goleiro Springett.
Placar: Brasil (Garrincha) 3, Inglaterra 1. O Brasil disputaria com os chilenos, os donos da casa, uma das vagas para a grande final.
Os "olheiros" da delegação brasileira descobriram um plano dos chilenos para pertubar o time do Brasil na chegada da seleção à capital Santiago.
Seguindo o plano traçado pelo chefe da delegação, Paulo Machado de Carvalho, a seleção viajou de trem, evitou comer as refeições oferecidas a bordo, preferindo os sanduíches comprados em Viña del Mar.
Os jogadores desceram duas estações antes do destino final, seguindo de ônibus diretamente para o estádio Nacional, driblando a multidão que foi à estação de trem para hostilizar os brasileiros.
Diante de quase 80 mil espectadores, o Brasil se impôs com outro show de Garrincha, que marcou duas vezes no primeiro tempo. Pouco antes do fim da etapa inicial, Toro reacendeu a esperança da torcida local, descontando para o Chile.
Logo no começo do segundo tempo, Vavá restabeleceu a vantagem de dois gols para o Brasil.
Leonel Sanchez ainda diminuiria de pênalti aos 16 minutos, e aos 32, novamente Vavá balançaria a rede do Chile, que não encontrou forças para reagir.
Quase no final do jogo, Garrincha, cansado de apanhar do seu marcador Rojas, revidou uma entrada desleal com um pontapé no traseiro do lateral chileno. O árbitro peruano Arturo Yamasaki expulsou Garrincha, que ainda levou na saída uma pedrada de um torcedor.
Na outra semifinal a Tchecoslováquia venceu a Iugoslávia por 3 a 1 e se classificou para enfrentar os brasileiros na final.
Como em 1958, o adversário do Brasil saiu na frente, com um gol de Masopust, aos 14 minutos do primeiro tempo.
Mas o Brasil tinha Garrincha. Sempre que pegava na bola, Garrincha atraía a atenção de pelo menos três adversários. Assim, Amarildo, Zito e Vavá, tiveram espaço necessário parea marcar os gols que deram o bicampeonato mundial ao Brasil.
As atuações sensacionais de Garrincha não deixaram que o Brasil sentisse falta do rei Pelé. A artilharia do mundial de 62 ficou com o iugoslavo Jerkovic, com 5 gols.
A Copa do Chile foi marcada pela introdução do chamado futebol-força jogado pelos europeus que, através do preparo físico esmerado, nivelava por baixo os jogadores.
Dois jogadores tiveram a perna quebrada e seis foram expulsos durante o torneio, tendo sido marcadas oito penalidades máximas.
O jogo bruto dava uma idéia do que seria a próxima Copa do Mundo a ser disputada na Inglaterra, em 1966.
Gilmar, Castilho, Djalma Santos, Jair Marinho, Belini, Mauro, Zózimo, Nilton Santos, Altair, Jurandir, Zito, Zequinha, Mengálvio, Didi, Jair da Costa, Garrincha, Amarildo, Coutinho, Pelé, Vavá, Pepe e Zagalo.
Uruguai 2 X 1 Colômbia
URSS 2 X 0 Iugoslávia
URSS 4 X 4 Colômbia
URSS 2 X 1 Uruguai
Iugoslávia 5 X 0 Colômbia
Chile 3 X 1 Suíça
Alemanha Ocidental 0 X 0 Itália
Chile 2 X 0 Itália
Alemanha Ocidental 2 X 1 Suíça
Alemanha Ocidental 2 X 0 Chile
Itália 3 X 0 Suíça
Brasil 2 X 0 México
Tchecoeslováquia 1 X 0 Espanha
Brasil 0 X 0 Tchecoslováquia
Espanha 1 X 0 México
Brasil 2 X 1 Espanha
México 3 X 1 Tchecoslováquia
Argentina 1 X 0 Bulgária
Hungria 2 X 1 Inglaterra
Inglaterra 3 X 1 Argentina
Hungria 6 X 1 Bulgária
Hungria 0 X 0 Argentina
Inglaterra 0 X 0 Bulgária
Chile 2 X 1 URSS
Tchecoeslováquia 1 X 0 Hungria
Iugoslávia 1 X 0 Alemanha Ocidental
Brasil 3 X 1 Inglaterra
Brasil 4 X 2 Chile
Tchecoslováquia 3 X 1 Iugoslávia
Chile 1 X 0 Iugoslávia
Brasil 3 X 1 Tchecoslováquia
Fonte: www.joaozinho10.com.br
As Copas atravessaram as transformações políticas e culturais dos anos 60. O mundo vivia a divisão dos mega-blocos, Guerra Fria e do Vietnã, revoluções culturais, países latino-americanos sob a tutela dos regimes militares em nome da democracia.
No Chile em 1962, o Brasil conquistava o bi ao vencer os tcheco-eslovacos na final. A estrela de Pelé não brilhou, machucado no primeiro jogo, mas o Brasil contou com Didi, Djalma e Nilton Santos, Vavá, Zito e... Garrincha, um dos artilheiros da competição e melhor jogador da Copa. Recusado por vários clubes até ser aceito e brilhar no Botafogo e na seleção. Com Garrincha, o escrete canarinho só perdeu uma vez em 60 jogos. Com Garrincha e Pelé, o Brasil não perdeu nenhum jogo.
Em 1962, Garrincha, craque da Copa, foi absolvido de uma expulsão participar da final. No dia anterior a disputa do título, um membro do conselho de arbritagem foi visto saindo de uma boite no Rio de Janeiro.
Seleções participantes: 16
Seleções estreantes: 2 (13%) - Bulgária
e Colômbia
Eliminatórias: 56 seleções
Classificados automaticamente: Brasil (último campeão)
e Chile (país-sede)
Sede: Chile
Campeão: Brasil - 2º título
Jogos: 32
Gols: 89
Média de gols: 2,78
Público: 776.000
Média de público: 24.250
Artilheiro: Drazen Jerkovic (Iugoslávia) - 5 gols
Fonte: pt.wikipedia.org