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ESPANHA (1982)

ITÁLIA PÕE FIM A SONHO DO BRASIL

Mais uma vez o futebol brasileiro tinha se renovado e a nova geração de excelentes jogadores permitiu que o técnico Telê Santana selecionasse um grupo excepcional para a Copa da Espanha de 82.

O time de Telê não teve dificuldades em se classificar, despachando nas eliminatórias a Venezuela e Bolívia.

Para o Mundial, a Fifa aumentou o número de participantes de 16 para 24, de modo a refletir o crescente número de inscrições e acomodar interesses financeiros e políticos.

A Copa já tinha se tornado um negócio bilionário, atraindo a maior audiência entre os eventos esportivos existentes.

Mais jogos

Com o aumento do número de participantes, na Copa da Espanha foram disputadas 52 partidas, em comparação com as 38 da Copa de 78.

Os 24 países foram dividos em 6 grupos, cabendo ao Brasil encabeçar o grupo 6, ao lado de URSS, Escócia e Nova Zelândia.

O time de Telê contava com o talento de jogadores como Leandro, Júnior, Zico, Sócrates, Falcão e Toninho Cerezo.

No jogo de abertura, a Argentina, campeã mundial, foi derrotada por 1 a 0 pela Bélgica. Esta partida marcou a estréia em Copas do Mundo de Diego Maradona, a grande estrela mundial de sua geração.

No dia seguinte, o Brasil começou a campanha contra a União Soviética. O time jogou mal, com uma defesa insegura, que permitiu que os soviéticos abrissem o placar, com um gol do meio-de-campo Bal, em falha do goleiro Valdir Peres.

No segundo tempo, o Brasil continuou errando muito e o árbitro espanhol, Ausgusto Lamo, deixou de marcar um pênalti em favor dos soviéticos, cometido pelo zagueiro Luisinho, do Atlético Mineiro.

A criatividade dos atacantes brasileiros acabou garantindo a vitória de virada. O empate veio com um belo gol de Sócrates, que, depois de driblar dois adversários, desferiu um potente chute de direita no ângulo do goleiro Dasaev.

O ponta Éder fez o gol da vitória a dois minutos do fim, com outro chute forte, de fora da área.

Escócia

No segundo jogo, contra a Escócia, o Brasil mostrou mais tranqüilidade. Nem o gol dos escoceses, aos 18 minutos de jogo, abalou o time. O Brasil seguiu dominando e os gols foram saindo normalmente.

Primeiro Zico, em cobrança perfeita de falta. Em seguida o zagueiro Oscar fez de cabeça, depois Éder, encobrindo o goleiro escocês Rough. O meia Falcão fechou o placar a três minutos do final. Resultado: 4 a 1 para o Brasil.

No último jogo das oitavas, nova goleada brasileira. Desta vez, o time venceu a Nova Zelândia por quatro a zero, com dois gols de Zico, um de Falcão e outro do centroavante Serginho.

Na próxima fase, o Brasil teria que deixar Sevilha e iria à Barcelona formar o grupo C com a Itália e a Argentina.

Os argentinos, campeões do mundo, pareciam ser os adversários mais perigosos. Os italianos faziam uma péssima campanha, tendo marcado apenas dois gols nos três empates que conseguiram na primeira fase (0 a 0 contra Polônia e um a um contra o Peru e Camarões).

Mas os italianos surpreenderam ao vencer os argentinos por 2 a 1. Contra o Brasil, a Argentina voltou a jogar mal e a seleção brasileira não perdoou, vencendo por 3 a 1, com gols de Zico, Junior e Serginho, com Ramon Diaz descontando.

Os campeões mundiais estavam eliminados e o jovem Diego Maradona perdeu a cabeça atingindo deslealmente o meio-de-campo Batista. Como resultado, foi expulso de campo.

Brasil eliminado

No dia 5 de julho, o Brasil voltava ao campo do pequeno estádio do Sarriá, para decidir a classificação contra a Itália. Para o Brasil, o empate era suficiente.

Mas logo aos 5 minutos de jogo, o centroavante Paolo Rossi abriu o placar para a Itália. O Brasil empataria aos 12 minutos com Sócrates, finalizando um passe de Zico.

Paolo Rossi voltou a marcar aos 25 minutos, aproveitando uma falha de Cerezo numa saída de bola equivocada. Depois de muito batalhar, o Brasil voltou a empatar no segundo tempo com Falcão, dando a impressão de que a classificação estava garantida.

Mas o time de Telê não sabia se defender para segurar um resultado e, instintivamente, continuou atacando, dando chances à Itália. Aos 29 minutos, o artilheiro Rossi marcou o último gol da partida e pôs fim ao sonho de mais um título brasileiro.

O Brasil, eleito pela imprensa internacional especializada como o melhor time da Copa, estava eliminado da Copa de 82.

Semifinais

A Itália seguia para as semifinais, junto com a França, a Alemanha e a Polônia.

Os italianos, empolgados com as vitórias sobre Brasil e Argentina, nem pareciam o mesmo time que começara timidamente o mundial. Com outros dois gols do oportunista Paolo Rossi, a Itália não deu chances aos poloneses. O placar de dois a zero colocava a Itália na final contra a Alemanha.

A outra semifinal entre França e Alemanha acabou sendo considerada a melhor partida daquele mundial.

No lado alemão, craques como o lateral Briegel, o meio-de-campo Paul Breitner e os atacantes Littbarski e Rummenigge, além do excelente goleiro Schumacher.

A França não ficava atrás, com Amoros na lateral direita e o excelente Trésor comandando o miolo da zaga. No meio-de-campo brilhava o talento do baixinho Girese e de Tiganá. No ataque, os ótimos ponteiros Six e Rocheteau eram liderados pelo fabuloso Michel Platini.

Depois de um empate de um a um no tempo normal, o jogo foi levado a uma prorrogação de 30 minutos.

Os franceses fizeram dois gols e cometeram o mesmo erro da seleção brasileira: continuaram atacando, permitindo que os alemães empatassem em 3 a 3.

Pela primeira vez na hisitória das Copas, uma partida teria que ser decidida em cobrança de pênaltis. Prevaleceu a Alemanha que marcou cinco, contra quatro dos franceses.

Final

Alemanha e Itália fizeram a grande final. Os italianos entraram com muita raça e não deram chance aos alemães.

Final do jogo: três para a Itália (gols de Paolo Rossi, Tardelli e Altobelli) e um para a Alemanha (Paul Breitner). A Itália conseguiu, assim, seu tricampeonato, igualando a marca brasileira.

Paolo Rossi, o "carrasco" do Brasil, tornou-se artilheiro da Copa de 82, com seis gols.

Para o Brasil, sobrou o consolo de ter pela primeira vez um juiz apitando uma final de Copa do Mundo, o árbitro Arnaldo César Coelho.

Para muitos, a Copa de 82 marcou o fim da era do chamado futebol arte. A partir daí, prevaleceriam o preparo físico e os rígidos esquemas táticos defensivos, que acabariam por tirar o brilho do espetáculo.

Times como a França de Platini e o Brasil de Zico, Sócrates e Falcão passaram a ser citados para mostrar que no futebol o que conta mesmo é o resultado.

Uma grande curiosidade do mundial da Espanha foi a interferência do xeque do Kuwait, Fahid al-Sabah. Ele invadiu o campo da partida em que a França derrotou o Kuwait por quatro a um, para protestar com o juiz soviético Miroslav Stuper, contra a validação de um gol francês.

Surpreendentemente, o juiz não só permitiu a invasão de campo, como voltou atrás e mudou sua decisão, anulando o gol francês. O árbitro acabou punido pela Fifa.

Seleção brasileira

Valdir Peres, Paulo Sergio, Carlos, Leandro, Edevaldo, Oscar, Luisinho, Juninho, Edinho, Junior, Pedrinho, Toninho Cerezo, Falcão, Batista, Renato, Paulo Isidoro, Sócrates, Serginho, Roberto Dinamite, Zico, Éder e Dirceu.

Resultados

Grupo 1

Itália 0 X 0 Polônia

Peru 0 X 0 Camarões

Itália 1 X 1 Peru

Polônia 0 X 0 Camarões

Polônia 5 X 1 Peru

Itália 1 X 1 Camarões

Grupo 2

Argélia 2 X 1 Alemanha Ocidental

Áustria 1 X 0 Chile

Alemanha Ocidental 4 X 1 Chile

Áustria 2 X 0 Argélia

Argélia 3 X 2 Chile

Alemanha Ocidental 1 X 0 Áustria

Grupo 3

Bélgica 1 X 0 Argentina

Hungria 10 X 1 El Salvador

Argentina 4 X 1 Hungria

Bélgica 1 X 0 El Salvador

Bélgica 1 X 1 Hungria

Argentina 2 X 0 El Salvador

Grupo 4

Inglaterra 3 X 1 França

Tchecoslováquia 1 X 1 Kuwait

Inglaterra 2 X 0 Tchecoslováquia

França 4 X 1 Kuwait

França 1 X1 Tchecoslováquia

Inglaterra 1 X 0 Kuwait

Grupo 5

Espanha 1 X 1 Honduras

Iugoslávia 0 X 0 Irlanda do Norte

Espanha 2 X 1 Iugoslávia

Honduras 1 X 1 Irlanda do Norte

Iugoslávia 1 X 0 Honduras

Irlanda 1 X 0 Espanha

Grupo 6

Brasil 2 X 1 URSS

Escócia 5 X 2 Nova Zelândia

Brasil 4 X 1 Escócia

URSS 3 X 0 Nova Zelândia

URSS 2 X 2 Escócia

Brasil 4 X 0 Nova Zelândia

Segunda fase

Grupo A

Polônia 3 X 0 Bélgica

URSS 1 X 0 Bélgica

Polônia 0 X 0 URSS

Grupo B

Alemanha Ocidental 0 X 0 Inglaterra

Alemanha Ocidental 2 X 1 Espanha

Espanha 0 X 0 Inglaterra

Grupo C

Itália 2 X 1 Argentina

Brasil 3 X 1 Argentina

Itália 3 X 2 Brasil

Grupo D

França 1 X 0 Áustria

Áustria 2 X 2 Irlanda do Norte

França 4 X 1 Irlanda do Norte

Semifinais

Itália 2 X 0 Polônia

Alemanha Ocidental 3 X 3 França

(Alemanha Ocidental venceu por 5 X 4 nos pênaltis)

Disputa pelo terceiro lugar

Polônia 3 X 2 França

Final

Itália 3 X 1 Alemanha Ocidental

Fonte: www.joaozinho10.com.br

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