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MÉXICO (1986)

MARADONA GANHA A COPA PARA A ARGENTINA

Torcida comemora bicampeonato

Maradona comandou a equipe da Argentina na campanha vitoriosa do bicampeonato, na Copa de 1986. Já o Brasil voltou mais cedo para casa, eliminado, nos pênaltis, pela França, nas quartas-de-final.

O México ganhou o direito de sediar a Copa do Mundo pela segunda vez, depois de a Colômbia, inicialmente escolhida para abrigar o campeonato, desistir do torneio, alegando falta de dinheiro para as obras necessárias à criação da infra-estrutura exigida.

O Brasil foi escolhido cabeça-de-chave do grupo D, formado também pela Espanha, Irlanda do Norte e Argélia.

A seleção brasileira jogaria todas as partidas no estádio Jalisco, em Guadalajara, local da vitoriosa campanha da Copa de 70.

Primeiras fases

O comando da seleção continuou entregue a Telê Santana, técnico que privilegiava os esquemas ofensivos que sempre caracterizaram o futebol brasileiro.

Telê tentou como pôde manter a base da excelente seleção que tinha levado à Espanha quatro anos antes. Zico era o seu maior problema. Contundido seriamente no joelho, estava longe de sua melhor forma e seu aproveitamento era incerto.

No jogo de estréia, a seleção brasileira suou para vencer a Espanha por 1 a 0, com gol de Sócrates, marcado no segundo tempo.

No segundo tempo, o Brasil, ainda sem contar com Zico, voltou a jogar mal e a ganhar de 1 a 0. Desta vez, o gol foi do centroavante Careca.

A seleção confirmou a classificação para a segunda fase ao vencer a Irlanda do Norte no terceiro jogo por 3 a 0. Foram dois gols de Careca e um golaço do lateral do Botafogo, Josimar, com uma bomba de fora da área. O chute forte pegou um efeito esquisito e entrou no ângulo do gol irlandês. Zico entrou no segundo tempo no lugar de Sócrates para pegar ritmo de jogo.

Na segunda fase, o time do Brasil passou a apresentar um bom futebol, mostrando mais entrosamento e um belo toque de bola. Mas, apesar da fácil vitória de 4 a 0 sobre a Polônia, era evidente que a seleção não tinha mais o poder ofensivo do time de 82. Seu esquema tático revelava claramente preocupações defensivas.

Em entrevista à BBC, o técnico Telê Santana explicou a substituição do talentoso Falcão pelo limitado Elzo: "Precisávamos aumentar a consistência defensiva do meio-de-campo, para que nosso ataque pudesse desenvolver as jogadas ofensivas com mais tranqüilidade."

No começo da Copa, a Dinamarca era apontada como uma das favoritas, um time com futebol coletivo semelhante ao "carrossel" holandês de 74.

Na primeira fase, o time dinamarquês, apelidado de "Dinamáquina", goleou o bom time do Uruguai por 6 a 1 e derrotou a poderosa Alemanha por 2 a 0.

Mas, na fase seguinte, a máquina dinamarquesa emperrou e o time foi eliminado pela Espanha com uma goleada de 5 a 1. Neste jogo, o atacante espanhol Emilio Butragueño, "El Bugre", marcou quatro gols.

Espanha, Brasil, França, Bélgica, Inglaterra, Argentina, México e Alemanha fariam as quartas-de-final da Copa.

Brasil eliminado

O adversário do Brasil seria a França de Michel Platini, Tigana e Girese, um time com estilo de jogo aberto como o brasileiro.

Como a seleção brasileira, a França apresentava uma base composta por uma geração de craques em decadência, que disputaria a sua última Copa do Mundo.

Jogando ofensivamente, os dois times fizeram um grande espetáculo para o público. A partida foi considerada pela Fifa a mais técnica da Copa.

O Brasil começou dominando e aos 17 minutos de jogo o centroavante Careca completou de primeira uma bela troca de passes do ataque brasileiro.

Mas, antes do final do primeiro tempo, um descuido da zaga brasileira permitiu que Platini completasse um cruzamento, empatando a partida.

No segundo tempo, Telê colocou Zico no lugar de Mueller. Logo na primeira jogada, Zico deu um ótimo passe para o lateral Branco, que foi derrubado na área.

Encarregado da cobrança, Zico bateu fraco, permitindo a defesa do goleiro Bats. O empate de 1 a 1 prevaleceu até o final do tempo normal. Também não houve gols na prorrogação de 30 minutos, o que levou o jogo a ser decidido nos pênaltis.

Sócrates e Júlio César desperdiçaram suas cobranças. Pela França, apenas Platini não marcou. O Brasil estava eliminado de mais uma Copa do Mundo.

Por ter perdido o pênalti no tempo normal, Zico foi duramente criticado pela torcida. Foi chamado de displicente e de responsável pela eliminação do Brasil.

Em entrevista à BBC, Zico rebateu as críticas e negou que tenha sido displicente: "Não houve displicência. Na verdade eu tinha acabado de entrar e ainda estava meio frio, ainda não estava no ritmo da partida. Não queria cobrar, mas acabou sobrando para mim, pois no treino do dia anterior eu tive o melhor índice de aproveitamento."

Para o lateral Junior, o que faltou foi "criatividade e um pouco de sorte."

Mão de Deus

Curiosamente, nas quartas-de-final, somente o jogo entre a Argentina e a Inglaterra não precisou ser decidido nos pênaltis.

Foi um gol de mão, de Maradona, que decidiu a partida. Maradona disputou de cabeça uma bola com o goleiro Shilton e usou a mão para tocar o balão para as redes. O juiz não percebeu a malandragem e validou o gol que acabou desclassificando a Inglaterra.

Depois do jogo, Maradona foi cínico ao se referir ao recurso antiesportivo. Ele disse que fez o gol com a cabeça e com a mão de Deus.

Mas a deslealdade do craque não tira o brilho do primeiro gol de Maradona na vitória de 2 a 1 contra os ingleses.

Num verdadeiro "gol de placa", Maradona driblou uma fila de ingleses desde o meio-de-campo até o gol adversário. Depois de driblar também o goleiro Shilton, Maradona simplesmente tocou para o gol vazio.

Final

Nas semifinais, Argentina e Alemanha venceram, respectivamente, a Bélgica e a França pelo mesmo placar de 2 a 0, classificando-se para a grande final.

Contra a Bélgica, a Argentina teve outro golaço de Maradona, que conseguiu romper a marcação de vários zagueiros com jogadas geniais.

Num jogo de grande emoção, a Argentina, sob comando de Maradona, venceu na final a forte equipe da Alemanha por 3 a 2, conquistando o bicampeonato mundial.

Maradona repetiu em 86 para a Argentina o que Garrincha, em 62 no Chile, e Pelé, em 70, no México, tinham feito para o Brasil. O craque inventou jogadas sensacionais e enloqueceu seus marcadores, comandando as vitórias de seu time.

A Copa do México marcou o fim de uma das maiores gerações de craques do futebol mundial. Seria a última Copa de Zico, Falcão, Junior, Sócrates, Reinaldo, Leandro e Toninho Cerezo para o Brasil, e de Platini, Tigana, Girese para a França, e de Rummenige para a Alemanha.

Seleção Brasileira

Carlos, Edson, Edinho, Junior, Casagrande, Careca, Julio César, Alemão, Branco, Sócrates, Elzo, Oscar, Falcão, Muller, Zico, Edivaldo, Paulo Victor, Josimar, Mauro Galvão, Silas, Valdo e Leão.

Resultados

Grupo 1

Bulgária 1 X 1 Itália

Argentina 3 X 1 Coréia do Sul

Coréia do Sul 1 X 1 Bulgária

Itália 1 X 1 Argentina

Argentina 2 X 0 Bulgária

Itália 3 X 2 Coréia do Sul

Grupo 2

México 2 X 1 Bélgica

Paraguai 1 X 0 Iraque

México 1 X 1 Paraguai

Bélgica 2 X 1 Iraque

México 1 X 0 Iraque

Paraguai 2 X 2 Bélgica

Grupo 3

França 1 X 0 Canadá

URSS 6 X 0 Hungria

França 1 X 1 URSS

Hungria 2 X 0 Canadá

URSS 2 X 0 Canadá

França 3 X 0 Hungria

Grupo 4

Brasil 1 X 0 Espanha

Argélia 1 X 1 Irlanda do Norte

Brasil 1 X 0 Argélia

Espanha 2 X 1 Irlanda do Norte

Brasil 3 X 0 Irlanda do Norte

Espanha 3 X 0 Argélia

Grupo 5

Dinamarca 1 X 0 Escócia

Uruguai 1 X 1 Alemanha Ocidental

Dinamarca 6 X 1 Uruguai

Alemanha Ocidental 2 X 1 Escócia

Escócia 0 X 0 Uruguai

Dinamarca 2 X 0 Alemanha Ocidental

Grupo 6

Marrocos 0 X 0 Polônia

Portugal 1 X 0 Inglaterra

Inglaterra 0 X 0 Marrocos

Polônia 1 X 0 Portugal

Marrocos 3 X 1 Portugal

Inglaterra 3 X 0 Polônia

Oitavas-de-final

Bélgica 4 X 3 URSS

México 2 X 0 Bulgária

Brasil 4 X 0 Polônia

Argentina 1 X 0 Uruguai

França 2 X 0 Itália

Alemanha Ocidental 1 X 0 Marrocos

Inglaterra 3 X 0 Paraguai

Espanha 5 X 1 Dinamarca

Quartas-de-final

França 1 X 1 Brasil (França venceu nos pênaltis: 4 X 3)

Alemanha Ocidental 0 X 0 México (Alemanha Ocidental venceu nos pênaltis: 4 X 1)

Argentina 2 X 1 Inglaterra

Bélgica 1 X 1 Espanha (Bélgica venceu nos pênaltis: 5 X 4)

Semifinais

Alemanha Ocidental 2 X 0 França

Argentina 2 X 0 Bélgica

Disputa pelo terceiro lugar

França 4 X 2 Bélgica

Final

Argentina 3 X 2 Alemanha Ocidental

Fonte: www.joaozinho10.com.br

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