
Após o nascimento do Cubismo, o mundo testemunhou grandes mudanças; a Europa estava numa época de rápida industrialização, a tecnologia disparou em velocidade máxima transformando o mundo agrário em industrial e o mundo rural em urbano e os futuristas exaltaram esta velocidade.
O movimento futurista foi fundado pelo poeta italiano Fillippo Tomasso Marinetti (1876-1944) que em seu manifesto publicado em Paris, em 20 fevereiro de 1909 proclamava o fim da arte passada, exigindo a renovação total da cultura e da arte. Buscavam tornar a Itália livre do peso de sua história (período da Primeira Guerra Mundial) e inserí-la no mundo moderno. Ao poeta, juntaram-se outros artistas que propunham a exaltação do futuro, da técnica, da raça, da velocidade. Neste sentido, glorificavam o ritmo da vida moderna, a era das máquinas com a eletricidade, o automóvel e o avião.
A poesia transformou-se em palavras em liberdade e em palavras visuais, representadas de forma extravagantes; a música transformou-se numa entoação de ruídos executada com novos instrumentos musicais.
Em abril de 1910, era lançado o Manifesto da Pintura Futurista.
Tanto na pintura como na escultura, os futuristas tentaram por todos os meios reproduzir o movimento (velocidade: compunham seres humanos ou animais com múltiplos membros dispostos radialmente e em movimento triangular) e decompondo as partes (como os planos quebrados e recortados do Cubismo) combinando com as cores fortes do Fauvismo. Portanto, a arte futurista é a soma do estilo cubista, com o uso arbitrário das cores numa composição dinâmica.
O movimento, a velocidade, a vida moderna, a violência, as máquinas e a quebra com a arte do passado eram as principais metas do Futurismo.
A Primeira Guerra Mundial e a morte do pintor e escultor italiano Umberto Boccioni em 1916, ferido em conflito, foi um golpe decisivo para o movimento que acabou se dissolvendo porém, serviu para chamar a atenção para a nova vida que se punha a frente: a vida com as máquinas.

"Formas de Continuidade no Espaço"
Humberto Boccioni, 1913
Os futuristas mais famosos foram:
Umberto Boccioni (1882-1916)
Giacomo Balla (1871-1958)
Gino Severini (1883-1966)
Luigi Russolo (1886-1947)
Fortunato Depero (1892-1960)
Carlo Carrá (1881-1966)
Fonte: www.she.art.br
O futurismo é um movimento artístico e literário, que surgiu oficialmente em 20 de fevereiro de 1909 com a publicação do Manifesto Futurista, pelo poeta italiano Filippo Marinetti, no jornal francês Le Figaro. Os adeptos do movimento rejeitavam o moralismo e o passado, e suas obras baseavam-se fortemente na velocidade e nos desenvolvimentos tecnológicos do final do século XIX. Os primeiros futuristas europeus também exaltavam a guerra e a violência.
O Futurismo desenvolveu-se em todas as artes e influenciou diversos artistas que depois fundaram outros movimentos modernistas.
Embora tenha começado como um movimento de reforma literária, em breve o futurismo expandiu-se e abarcou outras disciplinas, à medida que jovens artistas italianos respondiam com entusiasmo a seu chamado às armas.
O movimento, a velocidade, a vida moderna, a violência, as máquinas e a quebra com a arte do passado eram as principais metas do futurismo.
Foi elaborado um primeiro Manifesto dos pintores futuristas, datado de 11 de Fevereiro de 1910 e logo surgiu um segundo, em 11 de Abril de 1910, intitulado Pintura futurista: manifesto técnico, no qual os artistas se declaravam os primitivos de uma nova sensibilidade, completamente transformada, e apresentavam ideias mais concretas sobre como realizar essa nova sensibilidade: O gesto que reproduziríamos na tela já não será mais um momento fixo no dinamismo universal.
Será simplesmente a própria sensação dinâmica. Nesse manifesto constava ainda que:
"Deve ser feita uma limpeza radical em todos os temas gastos e mofados a fim de se expressar o vórtice da vida moderna uma vida de aço, febre, orgulho e velocidade vertiginosa."
Os artistas futuristas deparavam-se com o sério problema de representar a velocidade em objetos parados e as soluções apresentadas foram a representação de seres humanos ou animais com múltiplos membros dispostos radialmente e em movimento triangular.
Embora, tentassem se distanciar dos cubistas, os futuristas tiveram um débito para com eles. Numa época em que o cubismo era muito pouco conhecido fora de Paris, usaram as formas geométricas e os planos de intersecção cubistas, em combinação com cores complementares. Num certo sentido, puseram o cubismo em movimento.

Le Figaro
1. Nós pretendemos cantar o amor ao perigo, o hábito da energia e a intrepidez.
2. Coragem, audácia, e revolta serão elementos essenciais da nossa poesia.
3. Desde então a literatura exaltou uma imobilidade pesarosa, êxtase e sono. Nós pretendemos exaltar a ação agressiva, uma insónia febril, o progresso do corredor, o salto mortal, o soco e a bofetada.
4. Nós afirmamos que a magnificiência do mundo foi enriquecida por uma nova beleza: a beleza da velocidade. Um carro de corrida cuja capota é adornada com grandes canos, como serpentes de respirações explosivas de um carro bravejante que parece correr na metralha é mais bonito do que a Vitória da Samotrácia.
5. Nós queremos cantar hinos ao homem e à roda, que arremessa a lança de seu espírito sobre a Terra, ao longo de sua órbita
6. O poeta deve esgotar a si mesmo com ardor, esplendor, e generosidade, para expandir o fervor entusiástico dos elementos primordiais.
7. Excepto na luta, não há beleza. Nenhum trabalho sem um carácter agressivo pode ser uma obra de arte. Poesia deve ser concebida como um ataque violento em forças desconhecidas, para reduzir e serem prostradas perante o homem.
8. Nós estamos no último promontório dos séculos! Porque nós deveríamos olhar para trás, quando o que queremos é atravessar as portas misteriosas do Impossível? Tempo e Espaço morreram ontem. Nós já vivemos no absoluto, porque nós criamos a velocidade, eterna, omnipresente.
9. Nós glorificaremos a guerra a única higiene militar, patriotismo, o gesto destrutivo daqueles que trazem a liberdade, ideias pelas quais vale a pena morrer, e o escarnecer da mulher.
10. Nós destruiremos os museus, bibliotecas, academias de todo o tipo, lutaremos contra o moralismo, feminismo, toda a cobardice oportunista ou utilitária.
11. Nós cantaremos as grandes multidões excitadas pelo trabalho, pelo prazer, e pelo tumulto; nós cantaremos a canção das marés de revolução, multicoloridas e polifónicas nas modernas capitais; nós cantaremos o vibrante fervor nocturno de arsenais e estaleiros em chamas com violentas luas eléctricas; estações de comboio cobiçosas que devoram serpentes emplumadas de fumaça; fábricas pendem em nuvens por linhas tortas de suas fumaças; pontes que transpõem rios, como ginastas gigantes, lampejando no sol com um brilho de facas; navios a vapor aventureiros que fungam o horizonte; locomotivas de peito largo cujas rodas atravessam os trilhos como o casco de enormes cavalos de aço freados por tubulações; e o voo macio de aviões cujos propulsores tagarelam no vento como faixas e parecem aplaudir como um público entusiasmado.
É da Itália que lançamos ao mundo este manifesto de violência arrebatadora
e incendiária com o qual fundamos o nosso Futurismo, porque queremos libertar
este país de sua fétida gangrena de professores, arqueólogos, cicerones e
antiquários.
Há muito tempo a Itália vem sendo um mercado de belchiores. Queremos libertá-la dos incontáveis museus que a cobrem de cemitérios inumeráveis.
Museus: cemitérios! Idênticos, realmente, pela sinistra promiscuidade de tantos corpos que não se conhecem.
Museus: dormitórios públicos onde se repousa sempre ao lado de seres odiados ou desconhecidos!
Museus: absurdos dos matadouros dos pintores e escultores que se trucidam ferozmente a golpes de cores e linhas ao longo de suas paredes!
Que os visitemos em peregrinação uma vez por ano, como se visita o cemitério no dos mortos, tudo bem. Que uma vez por ano se desponta uma coroa de flores diante da Gioconda, vá lá. Mas não admitimos passear diariamente pelos museus nossas tristezas, nossa frágil coragem, nossa mórbida inquietude. Por que devemos nos envenenar? Por que devemos apodrecer?
E que se pode ver num velho quadro senão a fatigante contorção do artista que se empenhou em infringir as insuperáveis barreiras erguidas contra o desejo de exprimir inteiramente o seu sonho? Admirar um quadro antigo é equivalente a verter a nossa sensibilidade numa urna funerária, em vez de projetá-la para longe, em violentos arremessos de criação e de ação.
Quereis, pois, desperdiçar todas as vossas melhores forças nessa eterna e inútil admiração do passado, da qual saem fatalmente exaustos, diminuídos e espezinhados?
Em verdade eu vos digo que a frequência quotidiana dos museus, das bibliotecas e das academias (cemitérios de esforços vãos, calvários de sonhos crucificados, registros de lances truncados! ) é, para os artistas, tão ruinosa quanto a tutela prolongada dos pais para certos jovens embriagados por seu os prisioneiros, vá lá: o admirável passado é talvez um bálsamo para tantos os seus males, já que para eles o futuro está barrado Mas nós não queremos saber dele, do passado, nós, jovens e fortes futuristas!
Bem-vindos, pois, os alegres incendiários com seus dedos carbonizados! Ei-los! Aqui! Ponham fogo nas estantes das bibliotecas! Desviem o curso dos canais para inundar os museus! Oh, a alegria de ver flutuar à deriva, rasgadas e descoradas sobre as águas, as velhas telas gloriosas! Empunhem as picaretas, os machados, os martelos e destruam sem piedade as cidades veneradas!
Os mais velhos dentre nós têm 30 anos: resta-nos assim, pelo menos um decénio mais jovens e válidos que nós jogarão no cesto de papéis, como manuscritos inúteis. Pois é isso que queremos!
Nossos sucessores virão de longe contra nós, de toda parte, dançando à cadência alada dos seus primeiros cantos, estendendo os dedos aduncos de predadores e farejando caninamente, às portas das academias, o bom cheiro das nossas mentes em putrefação, já prometidas às catacumbas das bibliotecas.
Mas nós não estaremos lá Por fim eles nos encontrarão uma noite de Inverno em campo aberto, sob um triste galpão tamborilado por monótona chuva, e nos verão agachados junto aos nossos aeroplanos trepidantes, aquecendo as mãos ao fogo mesquinho proporcionado pelos nossos livros de hoje flamejando sob o voo das nossas imagens.
Eles se amotinarão à nossa volta, ofegantes de angústia e despeito, e todos, exasperados pela nossa soberba, inestancável audácia, se precipitarão para matar-nos, impelidos por um ódio tanto mais implacável quanto seus corações estiverem ébrios de amor e admiração por nós.
A forte e sã Injustiça explodirá radiosa em seus olhos A arte, de fato, não pode ser senão violência, crueldade e injustiça.
Os mais velhos dentre nós têm 30 anos: no entanto, temos já esbanjado tesouros, mil tesouros de força, de amor, de audácia, de astúcia e de vontade rude, precipitadamente, delirantemente, sem calcular, sem jamais hesitar, sem jamais repousar, até perder o fôlego Olhai para nós! Ainda não estamos exaustos! Nossos corações não sentem nenhuma fadiga, porque estão nutridos de fogo, de ódio e de velocidade! Estais admirados? É lógico, pois não vos recordais sequer de ter vivido! Eretos sobre o pináculo do mundo, mais uma vez lançamos o nosso desafio às estrelas!
Vós nos opondes objeções? Basta! Basta! Já as conhecemos Já entendemos! Nossa bela e mendaz inteligência nos afirma que somos o resultado e o prolongamento dos nossos ancestrais. Talvez! Seja! Mas que importa? Não queremos entender! Ai de quem nos repetir essas palavras infames!
Cabeça erguida!
Eretos sobre o pináculo do mundo, mais uma vez lançamos o nosso desafio às estrelas. Estas são as palavras com que Filippo Tommaso Marinetti funda a 20 Fevereiro 1909 em Paris o Manifesto Futurista.
O FUTURISMO
GIACOMO BALLA, pintor
UMBERTO BOCCIONI, pintor e escultor
ANTONIO SANTELIA, arquiteto
CARLO CARRÀ, pintor
FILIPPO TOMMASO MARINETTI, poeta
UMBERTO PRIMO CONTI, artista
GINO SEVERINI, pintor
LUIGI RUSSOLO, pintor e musico
A VANGUARDA RUSSA
DAVID BURLIUK, pintor
VLADIMIR BURLIUK, pintor
VLADIMIR MAYAKOVSKY, poeta
O FUTURISMO EM PORTUGAL
ÁLVARO DE CAMPOS, poeta
SANTA-RITA PINTOR, pintor
ALMADA NEGREIROS, pintor e escritor
MÁRIO DE SÁ CARNEIRO, pintor e escritor
AMADEO SOUZA-CARDOSO, pintor
No primeiro manifesto futurista de 1909, o slogan era Les mots en liberté ("Liberdade para as palavras") e levava em consideração o design tipográfico da época, especialmente em jornais e na propaganda.
Eles abandonavam toda distinção entre arte e design e abraçavam a propaganda como forma de comunicação. Foi um momento de exploração do lúdico, da linguagem vernacular, da quebra de hierarquia na tipografia tradicional, com uma predileção pelo uso de onomatopéias. Essas explorações tiveram grande repercussão no dadaísmo, no concretismo, na tipografia moderna, e no design gráfico pós-moderno.
O movimento Futurista rejeitava o moralismo e o passado, e suas obras baseavam-se fortemente na velocidade e nos desenvolvimentos tecnológicos do final do século XIX. Os primeiros futuristas europeus também exaltavam a guerra e a violência. O Futurismo desenvolveu-se em todas as artes e influenciou diversos artistas que depois fundaram outros movimentos modernistas.
No primeiro manifesto futurista de 1909, o slogan era Le mots en liberté (Liberdade para as palavras) e levava em consideração o design tipográfico da época, especialmente em jornais e na propaganda. Eles abandonavam toda distinção entre arte e design e abraçavam a propaganda como forma de comunicação. Foi um momento de exploração do lúdico, da linguagem vernacular, da quebra de hierarquia na tipografia tradicional, com uma predilecção pelo uso de onomatopeias.
Essas explorações tiveram grande repercussão no dadaísmo, no concretismo, na tipografia moderna, e no design gráfico pós-moderno.
A pintura futurista foi influenciada pelo cubismo e pelo abstraccionismo, mas a utilização de cores vivas e contrastes e a sobreposição das imagens pretendia dar a ideia de dinamismo deformação e desmaterialização por que passam os objetos e o espaço quando ocorre a ação. Procura-se neste estilo expressar o movimento real, registrando a velocidade descrita pelas figuras em movimento no espaço. O artista futurista não está interessado em pintar um automóvel, mas captar a forma plástica a velocidade descrita por ele no espaço.
Em Portugal, o futurismo aparece como movimento no número dois da Revista Orpheu, dirigida por Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro.
A Primeira Grande Guerra Mundial e a morte de Boccioni em 1916, ferido no conflito, foram golpes decisivos no movimento futurista que acabou se dissolvendo.
As propostas futuristas impregnam diversas artes. Na música, o teórico, pintor e músico Russolo defende a arte dos ruídos, pela criação de instrumentos que produzem surpreendente gama de sons (os entoadores de ruídos). Nas artes cénicas, o teatro sintético futurista (1915) prevê ações simultâneas que tomam o palco e a plateia. A ênfase na invenção cénica aparece nos posteriores Teatro da Surpresa (1922) e no Teatro Visionário (1929). As experiências futuristas com o cinema, por sua vez, acompanham o movimento a partir de 1915, e mobilizam Marinetti, Balla, entre outros (Vida Futurista, 1916).
O cinema é visto como a nova forma de expressão artística que atenderia à necessidade de uma expressividade plural e múltipla, declara o manifesto Cinema Futurista (1916). A arquitetura visionária de A. Sant´Elia (1888 1916) é mais um exemplo da extensão do projeto futurista.
Fonte: futurismo1909.com