

O Futurismo foi o movimento artístico e literário iniciado oficialmente em 1909 com a publicação do Manifesto Futurista, do poeta italiano Filippo Marinetti (1876-1944), no jornal francês Le Figaro. O texto rejeita o moralismo e o passado, exalta a violência e propõe um novo tipo de beleza, baseado na velocidade.
O apego do futurismo ao novo é tão grande que chega a defender a destruição de museus e de cidades antigas. Agressivo e extravagante, encara a guerra como forma de higienizar o mundo.
O Futurismo produz mais manifestos - cerca de 30, de 1909 a 1916 - que obras, embora esses textos também sejam considerados expressões artísticas. Há enorme repercussão, principalmente na França e na Itália, onde vários artistas, entre eles Marinetti, se identificam com o fascismo nascente. Após a Primeira Guerra Mundial, o movimento entra em decadência, mas seu espírito influencia o Dadá.
Nas artes plásticas, as obras refletem o mesmo ritmo e espírito da sociedade industrial. Para expressar velocidade na pintura, os artistas recorrem à repetição dos traços das figuras. Se querem mostrar muitos acontecimentos ao mesmo tempo, adaptam técnicas do Cubismo. Na escultura, os futuristas fazem trabalhos experimentais com vidro e papel e seu expoente é o pintor e escultor italiano Umberto Boccioni (1882-1916). Sua escultura Formas Únicas na Continuidade do Espaço (1913) - interseção de inúmeros volumes distorcidos - é uma das obras emblemáticas do Futurismo. Nela se capta a idéia de movimento e de força.
Preocupados com a interação entre as artes, alguns pintores e escultores se aproximam da música e do teatro. O pintor italiano Luigi Russolo (1885-1947), por exemplo, cria instrumentos musicais e os utiliza em apresentações públicas.
Na Rússia, o Futurismo tem papel importante na preparação da Revolução Russa (1917) e caracteriza as pinturas de Lariónov (1881-1964) e Gontcharova (1881-1962).
NA literatura, as principais manifestações ocorrem na poesia italiana. Sempre a serviço de causas políticas, a primeira antologia sai em 1912. O texto é marcado pela destruição da sintaxe, dos conectivos e da pontuação, substituída por símbolos matemáticos e musicais. A linguagem é espontânea e as frases são fragmentadas para expressar velocidade. Os autores abolem os temas líricos e incorporam à poesia palavras ligadas à tecnologia. As idéias de Marinetti, mais atuante como teórico que como poeta, influenciam o poeta cubista francês Guillaume Apollinaire (1880-1918).
Na Rússia, o Futurismo se expressa basicamente na literatura - enquanto os autores italianos se identificam com o fascismo, os russos aliam-se à esquerda. Vladímir Maiakóvski (1893-1930), o poeta da Revolução Russa, aproxima a poesia do povo. Viktor Khlébnikov (1885-1922) é outro poeta de destaque.
No teatro, introduz a tecnologia nos espetáculos e tenta interagir com o público. O manifesto de Marinetti sobre teatro, de 1915, defende representações de apenas dois ou três minutos, um pequeno texto, ou nenhum texto, vários objetos em cena e poucos atores.
As experiências na Itália concentram-se no teatro experimental fundado em 1922 pelo italiano Anton Giulio Bragaglia (1890-1960). Marinetti também publica uma obra dramática em 1920, Elettricità Sensuale, mesmo título de uma peça sua escrita em 1909.
No Brasil, o movimento colabora para desencadear o Modernismo, que dominou as artes após a Semana de Arte Moderna de 1922. Os modernistas usam algumas das técnicas do Futurismo e discutem suas idéias, mas rejeitam o rótulo, identificado com o fascista Marinetti.
Fonte: www.spiner.com.br
O futurismo foi um movimento fundado pelo poeta italiano Fillippo Tomasso Marinetti, que redigiu um manifesto e tentou espalhá-lo em 1909.
MARINETTI (Filippo Tommaso), escritor italiano (Alexandria, 1876 - Bellagio, 1944), iniciador do movimento futurista, cujo manifesto publicou no jornal parisiense Le Figaro (20 de fevereiro de 1909).
Nesse manifesto, já proclamava o fim da arte passada e a ode à arte do futuro (futurismo, daí o nome do movimento).
Com implicações políticas, buscava tornar a Itália livre do peso de sua história e inserí-la no mundo moderno.
Ao poeta juntaram-se outros artistas - principalmente poetas e pintores - como Umberto Boccioni (1882 - 1916), Carlo Carrá (1881 - 1966), Giacomo Balla (1871 - 1958), Luigi Russolo (1885- 1947) e Gino Severeni (1883 - 1950).
BOCCIONI (Umberto), pintor e escultor italiano (Reggio di Calabria, 1882 - Verona, 1916), importante no movimento futurista.
CARRÀ (Carlo), pintor italiano (Quargnento, 1881 - Milão, 1966). Militou no futurismo, nos metafísicos, mas regressou às tradições nos anos 20. Participou das Bienais de São Paulo com destaque em sala especial.
Em abril de 1910 era lançado um manifesto da pintura futurista, seguido por um manifesto da escultura futurista em 1912 e um livro sobre seus objetivos em 1914 (Pinttura,Scultura Futurista, Milão) os dois últimos escritos por Boccione.
O movimento, a velocidade, a vida moderna, a violência, as máquinas e a quebra com a arte do passado eram as principais metas do futurismo.
Somente a forma e a cor não mais bastavam para representar o dinamismo moderno, como se lê no manifesto de 1910:
"Deve ser feita uma limpeza radical em todos os temas gastos e mofados a fim de se expressar o vórtice da vida moderna - uma vida de aço, febre, orgulho e velocidade vertiginosa."
Até 1912, as influências maiores na maneira como davam formas artísticas às suas idéias era a dos impressionistas e pós-impressionistas, artistas que já apresentavam certa preocupação em representar o dinamismo.
Após 1912, uma exposição em Paris marca a hegemonia da influência cubista sobre a arte do grupo.
Os artistas futuristas deparavam-se com o sério problema de representar a velocidade em objetos parados.
As soluções normalmente foram a representação de seres humanos ou animais com múltiplos membros dispostos radialmente e em movimento triangular.
Forças mecânicas ou físicas eram fontes temáticas bastante freqüentes, em especial nos primeiros trabalhos futuristas.
«Automóvel e Ruído», de Balla ou «O que o Bonde me contou», de Carrá, são bons exemplos desses quadros.
Talvez Boccioni, uma das principais forças do futurismo, tenha sido o artista mais bem-sucedido na representação da velocidade.
«Formas Únicas de Continuidade no Espaço» transmite o efeito de projeção no espaço, diferenciando-se, de acordo com Herbert Read, em História da Pintura Moderna, do vigor dinâmico barroco, por não mais gravitar em torno de si).
A Primeira Grande Guerra Mundial e a morte de Boccioni em 1916, ferido no conflito, foram golpes decisivos no movimento futurista que acabou se dissolvendo.
Entretanto, os futuristas deixaram contribuições importantes para a arte do Século 20, seja no futurismo russo, composto por artistas como Malevitch, ou no dadaismo.
MALEVITCH ou MALIEVITCH (Kazimir)
Pintor russo (Kiev, 1878 - Leningrado, 1935). Precursor da arte abstrata, expôs, já em 1918, seu quadro intitulado Quadrado branco sobre fundo branco.
Também teve grande influência para artistas importantes como Marcel Duchamp e Robert Delaunay em atentá-los para a representação do movimento que acabaria marcando os estilos característicos dos artistas.
DUCHAMP (Marcel)
Pintor francês (Blainville, 1887 - Neuilly-sur-Seine, 1968). Inicialmente influenciado pelo cubismo, teve depois participação importante no movimento dadá e no surrealismo. Tendo-se fixado nos E.U.A., dedicou-se à "antiarte" e em 1914 criava o primeiro ready-made. Suas pesquisas viriam a exercer influência na "pop-art". DELAUNAY (Robert), pintor francês (Paris, 1885 - Montpellier, 1941). A seu ver, o quadro devia ser uma organização rítmica baseada numa seleção de planos coloridos.
De qualquer forma, ambos se situaram entre os pioneiros a chamar a atenção para a nova vida que se punha à frente do a essa nova vida (como as máquinas).
Fonte: www.pitoresco.com.br