"Os trens correm soando através do meu quarto. Automóveis passam sobre mim. Uma porta range. Em algum lugar uma vidraça está batendo.
Ouço a risada dos grandes ruídos, o murmúrio suave das lantejoulas.
Depois, de repente, um barulho surdo, abafado, do outro lado, no interior da casa. Alguém sobe a escada. Aproxima-se sem se deter. Está lá, lá permanece por algum tempo, vai-se. E, de novo, a rua.
Uma mulher grita: 'Cala-te, não quero mais'. De repente, surge o trem elétrico, agitado; passa por cima, para além de tudo. Alguém chama. Pessoas correm, atropelam-se. Um cachorro late. Que alívio, um cachorro."
Publicado em 1904, em Paris, no "Cahiers de Malte Laurids Brigge", esse texto revela um momento da existência do homem moderno, que capta simultaneamente diferentes impressões de vida que o cerca.
Exaltar o presente: essa é a atitude que domina os artistas do começo do século XX. A revolta contra a mecanização das atividades humanas, que caracterizou a arte do século XIX, desaparece para dar lugar total à aceitação do momento presente. "O homem moderno registra cem vezes mais impressões que o artista do século XVIII", dizia o pintor Léger. Já que tudo se movimenta, deforma-se e multiplica-se sem cessar, o artista vê-se obrigado, também, a modificar sua linguagem expressiva, para representar a velocidade que muda o aspecto das coisas. "A paisagem atravessada por um carro ou trem perde seu sentido descritivo para ganhar em valor sintético" (Léger); o que interessa, agora, é captar e revelar a própria sensação dinâmica, ou seja, a multiplicidade de coisas que o homem do nosso século percebe simultaneamente.
A 20 de fevereiro de 1909, o poeta italiano Filippo Tommaso Marinetti, publica no jornal "Le Figaro", de Paris o seu MANIFESTO FUTURISTA. Polêmico e profético, o texto propõe a aniquilação definitiva de toda e qualquer forma de tradição, anunciando uma pintura e literatura mais condizentes com a era das máquinas e da velocidade.
Um ano depois, no Teatro Ghiarela de Turim, lançava-se o manifesto dos artistas, subscrito por Boccioni, Carrà, Russolo, Balla e Severini.
Os dois manifestos exaltavam a velocidade e a força, negavam
o passado e glorificavam o futuro. Daí a denominação do movimento,
cuidadosamente escolhida e não deixada ao acaso ou à pilhéria dos críticos
como acontecera ao Impressionismo, ao Fauvismo e ao Cubismo.
O futurismo, movimentado círculo criado por artistas italianos radicados na França, abrange a literatura, com Marinetti; a música com Pratello e Russolo; a arquitetura com Antonio Sant'Elia e a pintura na qual se destacam Giacomo Balla, Umberto Boccioni, Carlo Carrà, Luigi Russolo, Gino Severini, e Ardengo Soffici.
Todos os futuristas, sejam poetas, pintores ou arquitetos tem a mesma meta, já anunciada por Marinetti: "Preparar a próxima e inevitável identificação do homem com o motor..."
"Tudo passa e o tempo foge", afirmara Begson. Como resposta a essa constatação, os artistas do futurismo adotam como princípio enxergar a vida com olhos vorazes e febris, sem nada perder do que acontece à sua volta. Através desse novo modo de ver as coisas, pretendem atingir uma estética que extraia do movimento a noção de mudança.
Os recursos aprendidos com o cinema são utilizados na pintura futurista: alternância de planos, superposição de imagens fundidas ou encadeadas. O contorno das coisas já não permanece imóvel; modifica-se, aparece e desaparece, pois o que importa, com diz Marinetti, é "descobrir a sensação dinâmica e eterniza-la como tal.
Estamos na ponta extrema do promontório dos séculos: por que olhar para trás? O tempo e o espaço morreram ontem. Os elementos essenciais de nossa arte serão a coragem, a ousadia, a revolta".
Adotando como temas básicos velocidade, dinamismo e mudança, o futurismo representa, de certa forma, uma reação ao cubismo. Para os adeptos do novo movimento, os cubistas demonstravam, partindo da análise formal do objetivo, com as formas e cores suaves, certa propensão para o estático. Agora as cores suaves são postas de lado.
Com vermelhos berrantes, verdes intensos, amarelos e laranjas espalhados, em composições violentas e chocantes, os pintores futuristas desejam não apenas refletir a vida moderna que os cerca como demonstrar seu amor por ela. Para tanto, o desenho também precisa ser modificado. As formas geométricas do cubismo são consideradas muito frias. Predominam, então, arabescos contorcidos, linhas circulares emaranhadas, elípticas e espirais. São eliminadas as análises minuciosas e os ângulos retos que visavam à organização. O tumulto, este sim, é considerado fator indispensável para a criação do clima adequado ao novo mundo em que vivem, e com o qual, ao contrário dos antecessores, eles estão de acordo.
O tema dominante nas turbulentas pregações futuristas era, porém, o ódio ao passado: "Avante os bons incendiários de dedos carbonizados! Aqui! Aqui!
Queimai, com o fogo dos vossos raios, as bibliotecas! Desviai o curso dos canais, para inundara as salas dos museus! Que flutuem, aqui e ali, os desenhos gloriosos! Mãos às picaretas e aos martelos! Cavai os cimentos das cidades veneráveis!" Na mesma linha de idéias ferozes, exigiam a matança dos medalhões, literários, artísticos e científicos, para apagar todos os vestígios do passado.
Caracterizavam-se pela agressividade na propaganda do movimento.
Personalidade realmente fascinante, Marinetti (escritor italiano) percorreu a Europa, fazendo conferências ruidosas pelo radicalismo e tom polêmico. Esteve no Rio de Janeiro, tendo falado no desaparecido Teatro Lírico. Quando Mussolini e o Fascismo apareceram, considerou-os conseqüências do Futurismo.
Essa tomada de posição em favor de um regime de força não foi muito bem recebida entre os aderentes de vários países, apesar dos hinos que erguiam à violência. Mas, nessa altura, o movimento já havia perdido o seu impulso e não correspondia mais ao estado de espírito europeu resultante da Primeira Guerra Mundial. Estava superado, pertencia, agora, ao passado, que infatigavelmente condenara.
Pela impetuosidade da propaganda e extremismo dos pontos de vista, em relação aos princípios artísticos tradicionais, o Futurismo exerceu verdadeira ação didática, no sentido de preparar a opinião pública para receber, sob menores resistências, as correntes renovadoras, que surgiam nas letras e nas artes.
Na sua concepção do dinamismo universal e no desejo de expressar a velocidade, o Futurismo representou de início uma reação à estática do Cubismo, por essência plástico e preocupado, exclusivamente, com relações de formas e cores. Na ânsia de expressar o dinamismo do universo e a vertiginosidade da vida moderna, os pintores futuristas negaram de plano o realismo visual, isto é, a representação ou imitação das imagens visuais da realidade, justamente para evitar a sensação de imobilidade. Se pretendiam comunicar o sentimento de velocidade imanente ao mundo material e espiritual, sob constantes transformações, não poderiam ter preocupações de sugerir sensações de volume, peso, densidade, estrutura dos objetos e seres, qualidades de um mundo estático, inexistente nas suas concepções e inerente à pintura figurativa realista.
Num dos manifestos, dizia-se que um cavalo galopando não tem quatro pernas, mas vinte e seu movimento é triangular. Desse modo, em vez de repetir vinte vezes, realisticamente, a perna do cavalo, o pintor futurista substituía essa representação visual por linhas e planos coloridos e luminosos para nos transmitir, não a imagem de um cavalo galopando, mas a expressão da velocidade do galope do cavalo.
"Os objetos - escreveu Gino Severini, aliás um dos melhores teóricos do movimento - não existem. Não se trata de representar o automóvel em movimento, mas a velocidade de um automóvel. Um dos mais importantes progressos científicos que transformam a nossa sensibilidade e a conduziram às nossas conclusões futuristas é, sem dúvida, o que produziu a velocidade.
A velocidade deu-nos uma nova noção do tempo e do espaço e, consequentemente, da vida mesma. É preciso, portanto, que a arte plástica da nossa época seja caracterizada por uma estilização da velocidade, manifestação a mais imediata e expressiva da nossa vida moderna."
E, mais adiante: "No objetivo de interpretar o mais possível a vida moderna na obra de arte, quero seja suprimido da pintura futurista, como fizemos com o nu nosso primeiro manifesto, o corpo humano, as naturezas mortas e as paisagens agrestes, consideradas como centros emotivos.
Porque penso que uma complexidade de elementos realistas e dinâmicos como: aeroplano em pleno vôo + homem + paisagem; trem ou automóvel em velocidade + bulevar + viajante ou vagão de metrô + estação + anúncio + luzes + multidão etc., e todas as continuidades qualificativas até suas diferenças específicas, constituem fontes de emoção e de lirismo plástico infinitamente mais vastos e mais interessantes."
Boccioni, outro futurista, dizia que um cavalo parado é uma coisa completamente diferente de um cavalo em movimento. Considerava a velocidade um novo absoluto, que um temperamento moderno não pode ignorar.
Em fevereiro de 1912, realiza-se a primeira exposição futurista, na Galeria de Bernheim-Jeune. No prefácio do catálogo que explica o movimento, seus adeptos deixam bem clara a intenção de fazer uma arte totalmente diferente daquela desenvolvida pelos fauvistas e cubistas. Anunciam, ainda, que sua revolução pretende abalar não só os caminhos da arte mas também os costumes a própria vida. As telas expostas não contradizem o folheto.
Embora não apresentem unidade perfeita quanto à técnica empregada, as obras traduzem o estonteante princípio proclamado pelos futuristas: "Simultaneidade dos estados de alma na obra de arte". Sem fugir a esse propósito, cada artista tenta realizá-lo, contudo, de maneira bem pessoal. Enquanto Severini transporta para o novo estilo as cores puras de Seurat, Carrà emprega as tonalidades próprias do Cubismo.
Nas telas de Boccioni, teórico do movimento, nota-se o estudo das obras de Picasso. Já Russolo guia-se unicamente pela intuição, transpondo para o quadro temas do inconsciente, sonhos, desvarios, alucinações, através de imagens desconcertantes, como as que aparecem em Solidez da Neblina.
O maior destaque na exposição de 1912 cabe a Severini. No ano seguinte, contudo, Giacomo Balla expõe uma série de quadros que expressam ainda com maior vigor o desejo de "revolução total" proposto pelo futurismo. Se seus companheiros manifestam ainda certa indecisão quanto às técnicas mais adequadas para a realização dos objetivos do movimento, Balla mostra-se, desde os primeiros trabalhos, um pintor firme. Suas obras, mais que as dos outros, evidenciam a existência de novo estado de ânimo diante das coisas que estão acontecendo.
Tentando expressar a vida moderna, os adeptos do futurismo não constroem somente mais uma doutrina passageira e vã, mas conseguem, realmente, aproximar a arte da vida.
Sua preocupação é organizar o espaço de tal maneira que o espectador não fique apenas diante do quadro, mas seja transportado para dentro dele no momento em que o observa: "Os pintores colocam objetos e pessoas diante dos nossos olhos. A partir de agora, nós colocaremos o observador no meio do quadro. Quando pintamos um personagem na varanda, visto de um espaço interior, não nos limitamos a retratar a cena sob o ângulo reto que a janela permite ver.
Esforçamo-nos para dar à cena o conjunto de sensações visuais experimentadas pela figura que está na varanda: o burburinho da rua exposta ao sol, a fila de casas que se estendem à direita e à esquerda". O espectador está no centro da obra na medida em que esta transmite uma síntese de tudo aquilo que ele lembra, sente e vê.
Exaltando a civilização industrial, glorificando a velocidade, a força e o dinamismo, o calabrês Umberto Boccioni (1882-1916) é o mais futurista de todos os futuristas.
No princípio da carreira, Boccioni deixa-se influenciar pelo divisionismo, Fica conhecendo a técnica que está em moda na França por intermédio de seu companheiro Balla, que visitara Paris. Em seguida adota o futurismo, tornando-se o grande teórico do novo estilo. Pesquisador aplicado, Boccioni não se cansa de estudar o problema do movimento - sua maior preocupação como pintor e escultor.
Na tentativa de livrar-se de todas as tendências artísticas do passado que ainda o influenciam, procura encontrar o caminho para uma nova representação de vida cotidiana, a fim de que ela seja apresentada como realmente é: "Enquanto os impressionistas pintam para expressar um momento particular e subordinam o quadro àquilo que é semelhante a esse momento, nós reunimos, numa só tela, todos os momentos."
Contrapondo-se violentamente à objetividade do cubismo, Boccioni declara que a pintura deve expressar livremente todas as sensações e estados de espírito que dominam o artista na hora da criação. As linhas horizontais e verticais são por ele repudiadas. Elas visam a organização e esta tolhe o pintor. Boccioni pretende descobrira "energia" das linhas, cores e formas, uma espécie de força abstrata que transmita o ritmo constante dos objetos. O resultado deve conter, acima de tudo, um tumulto sem restrições, a fim de que o espectador sinta-se participando do que acontece na tela. Em sua obra Dinamismo de Um Ciclista nota-se a tentativa sincera do artista de conciliar a cena com as emoções interiores e abstratas que ele provoca.
Nascido em 1883, Gino Severini fica conhecendo Boccioni em 1901 e no ano seguinte torna-se aluno de Giacomo Balla. Fascinado pela pintura de Seurat, que lhe serve de inspiração e exemplo, parte para Paris em 1906.
Chegando ao centro cultural europeu do início do século, Severini instala-se no mesmo atelier em que trabalham Braque, Utrillo e outros pintores. Em suas incursões por Montmartre fica conhecendo Picasso. No entanto, o cubismo propagado pelo grande mestre deste século não o interessa. Em 1910 seu nome já está incluído no grupo dos futuristas.
Como seus companheiros de movimento, Severini pretende atingir uma arte livre de regras preestabelecidas e esforça-se por introduzir no espaço a ser pintado a idéia de movimento e mudança. Para tanto, recorta as formas e fraciona as figuras em pequenas zonas de cor. Embora esse método seja o mesmo empregado pelos cubistas, Severini não tem, como eles, propósitos analíticos. O que lhe interessa, antes de mais nada, é atingir o ritmo. Rica em detalhes, sua obra permite ao espectador ir descobrindo sem cessar, à medida que a aprecia, novos elementos e informações. Hieróglifo Dinâmico do Bal Tabarin é um exemplo expressivo dessa nova posição.
Embora aplaudido como pintor, a certa altura da carreira Severini decide abandonar o cavalete para se dedicar à pintura mural. Executa inúmeros afrescos e mosaicos em igrejas suíças, e logo em seguida é convidado para trabalhos semelhantes na Itália e na França.
Giacomo Balla, talvez a personalidade mais surpreendente do futurismo, também busca a representação do ritmo, mas de maneira bem diversa da de Severini: luz, cor e movimento são os elementos fundamentais de sua obra.
Os primeiros quadros realizados por Balla na Itália revelam um tratamento acadêmico e rígido. A crítica, no entanto, elogia-o entusiasticamente. Vai a Paris, onde conhece o impressionismo e o divisionismo. A partir daí, toda a sua atenção concentra-se nos problemas de cor e luz. Regressando a Roma, encontra-se com Severini e Boccioni, revelando-lhes suas novas descobertas. O contato com o poeta Marinetti esclarece-o ainda mais sobre as possibilidades de uma nova arte, que expresse o dinamismo da vida moderna. Em 1909, Balla adere definitivamente ao movimento. Suas obras até então apreciadas, provocam risadas do público, que não as compreende, e comentários desfavoráveis da crítica.
A princípio, Balla resolve o problema de maneira um tanto esquemática, como acontece na tela Menina Que Corre Sobre o balcão. Para dar a idéia do "correr sobre o balcão", o artista fixa o mecanismo de caminhar, repetindo-o monotonamente no espaço da tela, como se tratasse de uma seqüência fotográfica. Em 1914, contudo, pinta Mercúrio Passa Diante Do Sol, uma das obras primas do futurismo.
Valendo-se exclusivamente de formas abstratas, consegue traduzir magnificamente a idéia de movimento que o obceca. Para tanto, justapõe e fragmenta sólidos geométricos, organizando-os numa composição onde prevalecem azuis, amarelos e vermelhos intensos, que contrastam com o verde neutro do primeiro plano.
No conjunto de diagonais entrecortadas, introduz curvas que se dirigem ao foco da composição: um círculo para o qual convergem todas as linhas.
Carlo Carrà, contemporâneo de Severini, Balla e Boccioni, trabalha de maneira bem diversa da de seus companheiros. Tomando emprestadas algumas soluções e técnicas cubistas, tenta imprimir à austeridade desse estilo o dinamismo e movimento do futurismo.
No desejo de colocar o espectador no centro da obra, muitos futuristas empregam a técnica das composições circulares, e este é também o caso da Carrà, como se pode notar no quadro Manifestação Intervencionista. O movimento giratório das linhas vai acontecendo como se continuasse para além da própria tela. A partir de um círculo expandem-se faixas diagonais compostas de pedaços de jornal, cartazes de publicidade e partituras musicais. Os cubistas empregavam os elementos gráficos para que as obras se aproximassem mais da realidade. Carrà utiliza-os com outra finalidade. Quer mostrar o dinamismo das informações consumidas simultaneamente pelo homem moderno, por mais diversas que elas sejam.
Sua intenção não é narrativa e não há seqüência lógica entre os grafismos empregados: são apenas pedaços de notícias, fragmentos de manchetes - não tem sentido informativo, mas apenas um efeito plástico.
O futurismo, contudo, não é a meta final das aspirações artísticas de Carrà. Gradativamente, ele se afasta do estilo que inspira suas primeiras obras e entrega-se à pintura metafísica, movimento que precede o surrealismo e tem como tema, sonhos, mistérios, visões.
Criticado pelos companheiros que não se conformam com mudança tão brusca, Carrà afirma: "Não vejo porque os manequins, peixes de cobre e mapas", elementos que passa a empregar com muita frequência em suas obras, "hão de ser menos dignos de estudo do que as maçãs, garrafas e moringas que deram a Cézanne sua merecida fama de grande pintor."
Natural, que ao fazer um retrato, o pintor futurista colocasse em segundo plano a semelhança física e as intenções psicológicas aderentes ao realismo visual.
Procurava era interpretar a velocidade espiritual do modelo e do ambiente que o cercava, através do que denominava linhas de força, expressões do dinamismo universal. O próprio Boccioni tem uma composição semi-abstrata, cortada de vertiginosos planos de luz e de cor, denominada linhas de força de uma rua, com a qual procura traduzir a vertiginosidade da vida nas cidades modernas. E Marcel Duchamp pintou o seu famoso Nu descendo uma escada, com absoluta ausência do humano, para expressar o dinamismo de um corpo de mulher descendo uma escada e o dinamismo da própria escada, utilizando linhas, planos e cores tratados geometricamente.
Nas representado as imagens, mas procurando exprimir o movimento ou a velocidade, o Futurismo pode ser considerado uma abstração de segundo grau. Isto foi observado por mais de um crítico ao ser observado que o objetivo futurista não é uma imagem abstrata, mas uma imagem expressiva do movimento, coisa diferente da abstração, quaisquer os resultados de suas pesquisas.
Apesar de efêmero, o Futurismo constitui-se numa das etapas fecundas na evolução da pintura contemporânea. O seu maior mérito está na tentativa de dar expressão plástica à vida moderna, cuja principal característica estaria na velocidade, produzida pelo aperfeiçoamento da técnica, que proporcionou ao homem, com as máquinas e motores, novas e eficientes armas na luta contra o espaço e o tempo.
Sem dúvida alguma, é o primeiro movimento artístico deste século que, deliberadamente, procura das expressão direta e imediata do novo sentido que os progressos da técnica conferiram à vida e ao espírito do homem. Novas formas sociais - está implícito na doutrina futurista - produzem novas formas de expressão artística.
Mais tarde também encontraremos traços de sua influência em outras tendências da pintura moderna, tocadas igualmente de sentimentos de dinamismo, como o próprio Orfismo, musical e impressionista.
Podemos dizer, por último, que com sua concepção do dinamismo universal, tudo sob constantes e velozes transformações, nada existindo de estático, os turbulentos e agressivos futuristas de 1909 foram, certamente, os antecipadores artísticos de nossas atuais verdades da física nuclear, que nos revelam o universo sob permanente velocidade.
Fonte: www.sul-sc.com.br
Este movimento teve uma forte relação com a literatura do início do século, influenciada em 1909 pelo Manifesto Futurista do poeta e escritor italiano Filippo Tommaso Marinetti.
Na pintura, assim como na literatura, os futuristas, exaltavam o futuro e, sobretudo a velocidade, que passou a ser conhecida e admirada a partir da mecanização das indústrias e da crescente complexidade social que ganharam os grandes centros urbanos.
Para os pintores ligados ao Futurismo, os outros artistas tinham ainda uma visão estática da realidade, ignorando o aspecto mais evidente dos novos tempos: o movimento veloz das máquinas, que provoca a superação do movimento natural.
Não interessava a representação de um corpo em movimento, e sim, expressar o próprio movimento evitando qualquer relação com a imobilidade, recusaram toda representação realista e usaram, além de linhas retas e curvas, cores que sugerissem velocidade.

Velocidade abstrata - o carro passou - Giacomo Balla
Fonte: www.coisaetal.maxiweb.com.br