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Futurismo

 

Movimento artístico e literário iniciado oficialmente em 1909 com a publicação do Manifesto Futurista, do poeta italiano Filippo Marinetti (1876-1944), no jornal francês Le Figaro. O texto rejeita o moralismo e o passado, exalta a violência e propõe um novo tipo de beleza, baseado na velocidade.

O apego do futurismo ao novo é tão grande que chega a defender a destruição de museus e de cidades antigas. Agressivo e extravagante, encara a guerra como forma de higienizar o mundo.

futurismo produz mais manifestos - cerca de 30, de 1909 a 1916 - que obras, embora esses textos também sejam considerados expressões artísticas. Há enorme repercussão, principalmente na França e na Itália, onde vários artistas, entre eles Marinetti, se identificam com o fascismo nascente. Após a I Guerra Mundial, o movimento entra em decadência, mas seu espírito influencia o dadá.

Artes plásticas

As obras refletem o mesmo ritmo e espírito da sociedade industrial. Para expressar velocidade na pintura, os artistas recorrem à repetição dos traços das figuras.

Se querem mostrar muitos acontecimentos ao mesmo tempo, adaptam técnicas do cubismo. Na escultura, os futuristas fazem trabalhos experimentais com vidro e papel e seu expoente é o pintor e escultor italiano Umberto Boccioni (1882-1916). Sua escultura Formas Únicas na Continuidade do Espaço (1913) - interseção de inúmeros volumes distorcidos - é uma das obras emblemáticas dofuturismo. Nela se capta a idéia de movimento e de força.

Preocupados com a interação entre as artes, alguns pintores e escultores se aproximam da música e do teatro. O pintor italiano Luigi Russolo (1885-1947), por exemplo, cria instrumentos musicais e os utiliza em apresentações públicas.

Na Rússia, o futurismo tem papel importante na preparação da Revolução Russa (1917) e caracteriza as pinturas de Lariónov (1881-1964) e Gontcharova (1881-1962).

Literatura

As principais manifestações ocorrem na poesia italiana. Sempre a serviço de causas políticas, a primeira antologia sai em 1912. O texto é marcado pela destruição da sintaxe, dos conectivos e da pontuação, substituída por símbolos matemáticos e musicais. A linguagem é espontânea e as frases são fragmentadas para expressar velocidade. Os autores abolem os temas líricos e incorporam à poesia palavras ligadas à tecnologia. As idéias de Marinetti, mais atuante como teórico que como poeta, influenciam o poeta cubista francês Guillaume Apollinaire (1880-1918).

Na Rússia, o futurismo se expressa basicamente na literatura - enquanto os autores italianos se identificam com o fascismo, os russos aliam-se à esquerda.

Vladímir Maiakóvski (1893-1930), o poeta da Revolução Russa, aproxima a poesia do povo. Viktor Khlébnikov (1885-1922) é outro poeta de destaque.

Teatro

Introduz a tecnologia nos espetáculos e tenta interagir com o público. O manifesto de Marinetti sobre teatro, de 1915, defende representações de apenas dois ou três minutos, um pequeno texto, ou nenhum texto, vários objetos em cena e poucos atores.

As experiências na Itália concentram-se no teatro experimental fundado em 1922 pelo italiano Anton Giulio Bragaglia (1890-1960). Marinetti também publica uma obra dramática em 1920, Elettricità Sensuale, mesmo título de uma peça sua escrita em 1909.

FUTURISMO NO BRASIL

movimento colabora para desencadear o modernismo, que dominou as artes após a Semana de Arte Moderna de 1922. Os modernistas usam algumas das técnicas do futurismo e discutem suas idéias, mas rejeitam o rótulo, identificado com o fascista Marinetti.

Fonte: br.geocities.com

Futurismo

Foi na Itália, que o futurismo irrompeu como um vendaval, detonador de uma quantidade de idéias anarquistas na arte e na vida e contra o classicismo rigoroso, imposto pelas academias oficiais de arte de Roma.

futurismo fez sua primeira aparição pública em 20 de fevereiro de 1909, na primeira página do jornal Le Figaro.

Um manifesto repleto de frases retóricas e de radicalismos dialéticos, mostrava as impetuosas alegrias do futurismo e a aceitação entusiástica do moderno mundo tecnológico: máquinas, produção em massa, sons mecânicos, velocidade e a destruição de tudo o que era velho.

"Queremos destruir os museus, as bibliotecas e as academias de todas as espécies, e combater o moralismo, o feminismo e todas as torpezas oportunistas e utilitárias. Cantaremos as grandes multidões excitadas pelo trabalho, o prazer ou os motins, as marés multicoloridas e de milhares de vozes da revolução em capitais modernas. Cantaremos a incandescência noturna e vibrante de arsenais e estaleiros, resplandecendo sob luares elétricos, as vorazes estações devorando suas fumegantes serpentes...as locomotivas de peitorais robustos que escavam o solo de seus trilhos como enormes cavalos de aço que têm por arreios, poderosas bielas motrizes, e o vôo suave dos aviões, suas hélices açoitadas pelo vento como bandeiras e parecendo bater palmas de aprovação, qual multidão entusiástica. Lançamos da Itália para o mundo este nosso manifesto de violência irrefreável e incendiária, com o qual fundamos hoje o Futurismo, porque queremos libertar esta terra do fétido câncer de professores, arqueólogos, guias e antiquários."

Este primeiro manifesto, fundador do Futurismo, exalta a ação, a violência, a força, a agressão, o dinamismo, a velocidade, a transformação perene.

Fillipo Tomaso Marinetti (1876-1944), foi o promotor e redator dos principais manifestos futuristas.

Na obra de arte, o futurismo partiu de uma operação do universo para introduzir o dinamismo, fazendo com que o objeto em repouso, representado na tela, fosse concebido como um movimento potencial, desagregando em várias linhas de força - simultaneidade, multidimensionalidade, sobreposição, interpenetração.

"Os pintores sempre nos mostraram as coisas e as pessoas diante de nós. Nós colocaremos o espectador no centro da pintura." A nova época, dominada pela técnica, corresponde uma arte dinâmica, representando o ritmo rápido em que se movem todas as coisas: "chegamos ao último degrau dos séculos! Por que olhar para trás? O tempo e o espaço morreram ontem. Vivemos já no absoluto, visto que criamos a velocidade eterna e o onipresente."

Satisfeitos com o que consideravam o esplendor do mundo e a nova forma de beleza - a velocidade - buscaram acabar com todos os sinais do passado, pois para eles "a beleza agora só existe na luta. Uma obra que não seja de caráter agressivo não pode ser uma obra-prima..."

O Segundo Manifesto, dirigido "aos jovens artistas da Itália", redigido pelos pintores Umberto Boccioni, Luigi Russolo e Carlo Carrá, sob a supervisão de Marinetti, foi proclamado no Teatro Chiarella, em Turim, a 8 de março de 1910.

O Manifesto dos pintores futuristas exigia firmemente uma nova arte para um novo mundo e denunciava todas as vinculações das artes com o passado: "Um varrer geral de tudo quanto é assunto velho e gasto, com o objetivo de expressar a voragem da vida moderna, uma vida de aço, febre, orgulho e velocidade temerária."

Desenvolvendo uma nova percepção dos objetos característicos dos novos tempos - o automóvel, o trem, o avião, a máquina - os futuristas representaram nos seus quadros, as forças físicas ou mecânicas, que intervêm nos agentes do movimento:

"Um carro de corrida, sua carroceria ornamentada por grandes tubos que parecem serpentes com respiração explosiva...um automóvel estridente que parece correr como uma metralha é mais belo do que a Vitória Alada de Samotrácia ( a famosa escultura helenística no Louvre)..."

A primeira grande mostra de pintura futurista teve lugar em Milão, em 30 de abril de 1911.

Em fevereiro de 1912, realizou-se em Paris, a primeira exibição coletiva dos futuristas, seguindo depois, para Londres, Berlim, Bruxelas, Hamburgo, Amsterdã, Haia, Munique, Viena, Budapeste, Breslau, Frankfurt, Wiesbaden, Zurique e Dreden.

Na literatura, o futurismo lança seu manifesto em 1912, intitulado "Manifesto Técnico da Literatura Futurista", propondo a destruição total da sintaxe e da pontuação. Não uma frase-associação (como no cubismo), mas pura sucessão de "palavras em liberdade", um precedente da escrita automática dos surrealistas. Propuseram também, a suspensão do eu no poema e a suspensão do adjetivo e do advérbio.

futurismo foi o primeiro movimento de vanguarda que proclamou os limites da literatura e rompeu com uma certa sacralidade literária, ultrapassando as fronteiras do literário para recuperar uma relação direta com a vida. Apesar de ter alguns adeptos durante um certo tempo, o futurismo literário reduziu-se praticamente às atividades de Marinetti e seu grupo e à publicação de mais de 40 manifestos.

Marinetti nasceu em Alexandria (1876) e foi educado na França. Passou pele Universidade de Gênova, regressando a Paris, onde iniciou com êxito sua carreira de escritor, publicando "Le roi Bombance". Foi, no entanto, com o Primeiro Manifesto Futurista, que Marinetti deu começo à sua ação de autêntico propagandista de um movimento, do qual se autoproclamava dirigente absoluto.

futurismo interpretou a modernidade sob o prisma imperialista (campanha para a conquista de Trípoli, em 1911), nacionalista e militarista ( campanha para a intervenção na guerra mundial, desde 1914 ).

Pergunta-se: após a experiência de quatro anos de guerra, seria ainda possível cantar ingenuamente as maravilhas da máquina e da tecnologia?

Apesar de tudo, Marinetti leva suas posições às últimas conseqüências: em 1919 funda o agrupamento pré-fascista dos "arditi" e se lança numa atividade abertamente política, em apoio ao fascismo italiano. Dez anos mais tarde, Mussolini reconheceu sua dívida em relação ao futurismo e introduziu o "anti-acadêmico" Marinetti na Real Academia da Itália.

Ainda em 1919, iniciou-se o experimentalismo no "teatro sintético" futurista (sucessão de quadros rapidíssimos, estilo teatro "off" norte-americano). Experimentou-se ainda o "teatro aéreo" (shows acrobáticos).

Mas em 1920, começou as deserções do movimento futurista e em 1924, foi a sua decadência.

O fascismo, que deveu não só na sua retórica como na sua estética ao futurismo, acabou com o movimento, embora de forma não violenta.

Marinetti morreu praticamente marginalizado em Belgrado, a 2 de dezembro de 1944.

Fonte: www.caleidoscopio.art.br

Futurismo

Futurismo

A dinâmica do mundo nas primeiras décadas do século XX afetou a noção de distancia e de tempo e é no seio da nova tecnologia que brota o movimento chamado Futurismo, que atingiu as artes, a literatura, a arquitetura e ainda a tipografia, iniciado em 1909 pelo escritor italiano Filippo Tomaso Marinetti.

Procurava a expressão artística da modernidade, ao apresentar a dinâmica da forma e do pensamento do novo século. Defendia o rompimento com o passado artístico e evocava o glorioso mundo moderno da velocidade, da violência e da guerra.

Umberto Boccioni e outros, pensavam que a Itália estava aprisionada pela reminiscência de suas glórias passadas e que devia dar um passo rumo ao futuro. Os futuristas se esforçavam ao máximo em negar o passado.

Entusiastas do manifesto redigido por Marinetti, louvando a juventude, as máquinas, o movimento, a energia e a velocidade, atacavam as técnicas clássicas na pintura e, de outra parte, aquilo que chamavam de modernismo superficial na arte de secessão.

Para os futuristas a palavra chave era o dinamismo, considerado uma força universal e que deveria estar presente em todas as artes, reunindo ao mesmo tempo os elementos som, luz e movimento. A expressão plástica que mais os caracteriza é a simultaneidade, ou seja, a multiplicidade de imagens reunidas em uma só obra.

Naquele momento, a transgressão das regras alterava a visão da natureza. De fato, os futuristas expressam a violência e representam a dinâmica do teatro da nova vida e, para tanto, distorcem a imagem do espectador, reproduzindo no quadro, imagens seqüenciadas como numa fita de cinema.

CARACTERÍSTICAS DO FUTURISMO

Dinamicidade

Aspectos mecânicos

Velocidade abstrata

Uso de elementos geométricos

Esquemas sucessivos de representação do objeto pictórico, como exposição fotográfica múltipla.

Movimentos animados pela fragmentação das figuras representadas, conforme o modernismo. ( no final da fase fica próximo ao cubismo )

Fonte: www.cyberartes.com.br

Futurismo

O primeiro manifesto foi publicado no Le Fígaro de Paris, em 22/02/1909, e nele, o poeta italiano Marinetti, dizendo que "o esplendor do mundo enriqueceu-se com uma nova beleza: a beleza da velocidade. Um automóvel de carreira é mais belo que a Vitória de Samotrácia". O segundo manifesto, de 1910, resultou do encontro do poeta com os pintores Carlo Carra, Russolo, Severini, Boccioni e Giacomo Balla. Os futuristas saúdam a era moderna, aderindo entusiasticamente à máquina. Para Balla, "é mais belo um ferro elétrico que uma escultura". Para os futuristas, os objetos não se esgotam no contorno aparente e seus aspectos se interpenetram continuamente a um só tempo, ou vários tempos num só espaço. O grupo pretendia fortalecer a sociedade italiana através de uma pregação patriótica que incluía a aceitação e exaltação da tecnologia.

futurismo é a concretização desta pesquisa no espaço bidimensional. Procura-se neste estilo expressar o movimento real, registrando a velocidade descrita pelas figuras em movimento no espaço. O artista futurista não está interessado em pintar um automóvel, mas captar a forma plástica a velocidade descrita por ele no espaço.

Principais Artistas

GIACOMO BALLA

Em sua obra o pintor italiano tentou endeusar os novos avanços científicos e técnicos por meio de representações totalmente desnaturalizadas, embora sem chegar a uma total abstração.Mesmo assim, mostrou grande preocupação com o dinamismo das formas, com a situação da luz e a integração do espectro cromático. A formação acadêmica de Balla restringiu-se a um curso noturno de desenho, de dois meses de duração, na Academia Albertina de Turim, sua cidade natal. Em 1895 o pintor mudou-se para Roma, onde apresentou regularmente suas primeiras obras em todas as exposições da Sociedade dos Amadores e Cultores das Belas-Artes. Cinco anos mais tarde, fez uma viagem a Paris, onde entrou em contato com a obra dos impressionistas e neo-impressionistas e participou de várias exposições. Na volta a Roma, conheceu Marinetti, Boccioni e Severini. Um ano mais tarde, juntava-se a eles para assinar o Manifesto Técnico da Pintura Futurista. Preocupado, como seus companheiros, em encontrar uma maneira de visualizar as teorias do movimento, apresentou em 1912 seu primeiro quadro futurista intitulado Cão na Coleira ou Cão Atrelado.

Dissolvido o movimento, Balla retornou às suas pinturas realistas e se voltou para a escultura e a cenografia. Embora em princípio Balla continuasse influenciado pelos divisionistas, não demorou a encontrar uma maneira de se ajustar à nova linguagem do movimento a que pertencia. Um recurso dos mais originais que ele usou para representar o dinamismo foi a simultaneidade, ou desintegração das formas, numa repetição quase infinita, que permitia ao observador captar de uma só vez todas as seqüências domovimento..

CARLO CARRA (1881-1966)

Junto com Giorgio De Chirico, ele se separaria finalmente do futurismo para se dedicar àquilo que eles próprios dariam o nome de Pintura Metafísica. Enquanto ganhava seu sustento como pintor-decorador freqüentava as aulas de pintura na Academia Brera, em Milão. Em 1900 fez sua primeira viagem a Paris, contratado para a decoração da Exposição Mundial. De lá mudou-se para Londres. Ao voltar, retomou as aulas na Academia Brera e conheceu Boccioni e o poeta Marinetti. Um ano mais tarde assinou o Primeiro Manifesto Futurista, redigido pelo poeta italiano e publicado no jornal Le Figaro. Nessa época iniciou seus primeiros estudos e esboços de Ritmo dos Objetos e Trens, por definição suas obras mais futuristas.

Numa segunda viagem a Paris entrou em contato com Apollinaire, Modigliani e Picasso. A partir desse momento começaram a aparecer as referências cubistas em suas obras. Carrà não deixou de comparecer às exposições futuristas de Paris, Londres e Berlim, mas já em 1915 separou-se definitivamente do grupo.

Juntou-se a Giorgio De Chirico e realizou sua primeira pintura metafísica. Em suas últimas obras retornou ao cubismo.Publicou vários trabalhos, entre eles La Pittura Metafísica (1919) e La Mia Vita (1943), pintor italiano. Representante do futurismo e mais tarde da pintura metafísica, influenciou a arte de seu país nas décadas de 1920 e 1930.

UMBERTO BOCCIONI (1882-1916)

Sua obra se manteve sob a influência do cubismo, mas incorporando os conceitos de dinamismo e simultaneidade: formas e espaços que se movem ao mesmo tempo e em direções contrárias. Nascido em Reggio di Calábria, Boccioni mudou-se ainda muito jovem para Roma, onde estudou em diferentes academias.

Logo fez amizade com os pintores Balla e Severini. No início, mostrou-se interessado na pintura impressionista, principalmente na obra de Cézanne. Fez então algumas viagens a Paris, São Petersburgo e Milão. Ao voltar, entrou em contato com Carrà e Marinetti e um ano depois se encontrava entre os autores do Manifesto Futurista de Pintura, do qual foi um dos principais teóricos. Foi com a intenção de procurar as bases dessa nova estética que ele viajou a Paris, onde se encontrou com Picasso e Braque.

Ao retornar, publicou o Manifesto Técnico da Pintura Futurista, no qual foram registrados os princípios teóricos da arte futurista:condenação do passado, desprezo pela representação naturalista, indiferença em relação aos críticos de arte e rejeição dos conceitos de harmonia e bom gosto aplicados à pintura.Em 1912, participou da primeira exposição futurista. Suas obras ainda deixavam transparecer a preocupação do artista com os conceitos propostos pelo cubismo. Os retratos deformados pelas superposições de planos ainda não conseguiam expressar com clareza sua concepção teórica.

Um ano mais tarde, com sua obra Dinamismo de um Jogador de Futebol, Boccioni conseguiu finalmente fazer a representação domovimento por meio de cores e planos desordenados, como num pseudofotograma. Durante a Primeira Guerra Mundial, o pintor se alistou como voluntário e ao voltar publicou o livro Pittura, Scultura Futurista, Dinâmico Plástico (Pintura, Escultura Futurista, Dinamismo Plástico). Morreu dois anos depois, em 1916, na cidade de Verona.

Fragmento "Fundação e manifesto do futurismo", 1908, publicado em 1909.

Então, com o vulto coberto pela boa lama das fábricas - empaste de escórias metálicas, de suores inúteis, de fuliges celestes -, contundidos e enfaixados os braços, mas impávidos, ditamos nossas primeiras vontades a todos os homens vivos da terra:

1. Queremos cantar o amor do perigo, o hábito da energia e da temeridade.

2. A coragem, a audácia e a rebelião serão elementos essenciais da nossa poesia.

3. Até hoje a literatura tem exaltado a imobilidade pensativa, o êxtase e o sono. Queremos exaltar o movimento agressivo, a insônia febril, a velocidade, o salto mortal, a bofetada e o murro.

4. Afirmamos que a magnificência do mundo se enriqueceu de uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um carro de corrida adornado de grossos tubos semelhantes a serpentes de hálito explosivo... um automóvel rugidor, que parece correr sobre a metralha, é mais belo que a Vitória de Samotrácia.

5. Queremos celebrar o homem que segura o volante, cuja haste ideal atravessa a Terra, lançada a toda velocidade no circuito de sua própria órbita.

6. O poeta deve prodigalizar-se com ardor, fausto e munificência, a fim de aumentar o entusiástico fervor dos elementos primordiais.

7. Já não há beleza senão na luta. Nenhuma obra que não tenha um caráter agressivo pode ser uma obra-prima. A poesia deve ser concebida como um violento assalto contra as forças ignotas para obrigá-las a prostrar-se ante o homem.

8. Estamos no promontório extremo dos séculos!... Por que haveremos de olhar para trás, se queremos arrombar as misteriosas portas do Impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem. Vivemos já o absoluto, pois criamos a eterna velocidade onipresente.

9. Queremos glorificar a guerra - única higiene do mundo -, o militarismo, o patriotismo, o gesto destruidor dos anarquistas, as belas idéias pelas quais se morre e o desprezo da mulher.

10. Queremos destruir os museus, as bibliotecas, as academias de todo tipo, e combater o moralismo, o feminismo e toda vileza oportunista e utilitária.

11. Cantaremos as grandes multidões agitadas pelo trabalho, pelo prazer ou pela sublevação; cantaremos a maré multicor e polifônica das revoluções nas capitais modernas; cantaremos o vibrante fervor noturno dos arsenais e dos estaleiros incendiados por violentas luas elétricas: as estações insaciáveis, devoradoras de serpentes fumegantes: as fábricas suspensas das nuvens pelos contorcidos fios de suas fumaças; as pontes semelhantes a ginastas gigantes que transpõem as fumaças, cintilantes ao sol com um fulgor de facas; os navios a vapor aventurosos que farejam o horizonte, as locomotivas de amplo peito que se empertigam sobre os trilhos como enormes cavalos de aço refreados por tubos e o vôo deslizante dos aeroplanos, cujas hélices se agitam ao vento como bandeiras e parecem aplaudir como uma multidão entusiasta.

É da Itália que lançamos ao mundo este manifesto de violência arrebatadora e incendiária com o qual fundamos o nosso Futurismo, porque queremos libertar este país de sua fétida gangrena de professores, arqueólogos, cicerones e antiquários.

Há muito tempo a Itália vem sendo um mercado de belchiores. Queremos libertá-la dos incontáveis museus que a cobrem de cemitérios inumeráveis.

Museus: cemitérios!...

Idênticos, realmente, pela sinistra promiscuidade de tantos corpos que não se conhecem.

Museus: dormitórios públicos onde se repousa sempre ao lado de seres odiados ou desconhecidos!

Museus: absurdos dos matadouros dos pintores e escultores que se trucidam ferozmente a golpes de cores e linhas ao longo de suas paredes!

Que os visitemos em peregrinação uma vez por ano, como se visita o cemitério no dos dos mortos, tudo bem. Que uma vez por ano se desponta uma coroa de flores diante da Gioconda, vá lá. Mas não admitimos passear diariamente pelos museus nossas tristezas, nossa frágil coragem, nossa mórbida inquietude. Por que devemos nos envenenar? Por que devemos apodrecer?

E que se pode ver num velho quadro senão a fatigante contorção do artista que se empenhou em infringir as insuperáveis barreiras erguidas contra o desejo de exprimir inteiramente o seu sonho?... Admirar um quadro antigo equivalente a verter a nossa sensibilidade numa urna funerária, em vez de projetá-la para longe, em violentos arremessos de criação e de ação.

Quereis, pois, desperdiçar todas as vossas melhores forças nessa eterna e inútil admiração do passado, da qual saís fatalmente exaustos, diminuídos e espezinhados?

Em verdade eu vos digo que a frequentação cotidiana dos museus, das bibliotecas e das academias (cemitérios de esforços vãos, calvários de sonhos crucificados, registros de lances truncados!...) é, para os artistas, tão ruinosa quanto a tutela prolongada dos pais para certos jovens embriagados por seu os prisioneiros, vá lá: o admirável passado é talvez um bálsamo para tantos os seus males, já que para eles o futuro está barrado... Mas nós não queremos saber dele, do passado, nós, jovens e fortes futuristas!

Bem-vindos, pois, os alegres incendiários com seus dedos carbonizados! Ei-los!... Aqui!... Ponham fogo nas estantes das bibliotecas!... Desviem o curso dos canais para inundar os museus!... Oh, a alegria de ver flutuar à deriva, rasgadas e descoradas sobre as águas, as velhas telas gloriosas!... Empunhem as picaretas, os machados, os martelos e destruam sem piedade as cidades veneradas!

Os mais velhos dentre nós têm 30 anos: resta-nos assim, pelo menos um decênio mais jovens e válidos que nós jogarão no cesto de papéis, como manuscritos inúteis. - Pois é isso que queremos!

Nossos sucessores virão de longe contra nós, de toda parte, dançando à cadência alada dos seus primeiros cantos, estendendo os dedos aduncos de predadores e farejando caninamente, às portas das academias, o bom cheiro das nossas mentes em putrefação, já prometidas às catacumbas das bibliotecas.

Mas nós não estaremos lá... Por fim eles nos encontrarão - uma noite de inverno - em campo aberto, sob um triste galpão tamborilado por monótona chuva, e nos verão agachados junto aos nossos aeroplanos trepidantes, aquecendo as mãos ao fogo mesquinho proporcionado pelos nossos livros de hoje flamejando sob o vôo das nossas imagens.

Eles se amotinarão à nossa volta, ofegantes de angústia e despeito, e todos, exasperados pela nossa soberba, inestancável audácia, se precipitarão para matar-nos, impelidos por um ódio tanto mais mais implacável quanto seus corações estiverem ébrios de amor e admiração por nós.

A forte e sã Injustiça explodirá radiosa em seus olhos - A arte, de fato, não pode ser senão violência, crueldade e injustiça.

Os mais velhos dentre nós têm 30 anos: no entanto, temos já esbanjado tesouros, mil tesouros de força, de amor, de audácia, de astúcia e de vontade rude, precipitadamente, delirantemente, sem calcular, sem jamais hesitar, sem jamais repousar, até perder o fôlego... Olhai para nós! Ainda não estamos exaustos!

Nossos corações não sentem nenhuma fadiga, porque estão nutridos de fogo, de ódio e de velocidade!... Estais admirados? É lógico, pois não vos recordais sequer de ter vivido! Eretos sobre o pináculo do mundo, mais uma vez lançamos o nosso desafio às estrelas!

Vós nos opondes objeções?... Basta! Basta! Já as conhecemos... Já entendemos!... Nossa bela e mendaz inteligência nos afirma que somos o resultado e o prolongamento dos nossos ancestrais. - Talvez!... Seja!... Mas que importa? Não queremos entender!... Ai de quem nos repetir essas palavras infames!...

Cabeça erguida!...

Eretos sobre o pináculo do mundo, mais uma vez lançamos o nosso desafio às estrelas."

Fonte: www.galeriafernandobarbosa.kit.net

Futurismo

Futurismo

Único movimento italiano de vanguarda, no entanto o mais radical de todos, por pregar ruidosamente a anti-tradição.

Ao contrário de movimentos como o Fauvismo e o Cubismo, que foram assim chamados por seus antagonistas, o Futurismoescolheu seu próprio nome e propagou suas idéias através de manifestos.

Fundado por Filippo Tommaso Marinetti com a publicação do Manifesto fundador do Futurismo (1909), tinha o intuito de que as artes demolissem o passado e tudo o mais que significasse tradição, e celebrassem a velocidade, a era mecânica, a eletricidade, o dinamismo, a guerra. Surgiu como uma forma de superar as novas tendências e correntes artísticas de então, adiantando-se a todas elas.

A Marinetti juntaram-se Umberto Boccioni, Luigi Russolo e Carlo Carrà, autores do Manifesto dos pintores futuristas, 1910 (no mesmo ano, Boccioni redigiria o Manifesto técnico da pintura futurista ). Um ano depois aconteceria a primeira grande exposição futurista, que contaria com 50 obras desses artistas, as quais chamaram a atenção mais pelo tema que pela linguagem, embora insistissem no fato de que a tecnologia e o progresso deveriam ser expressos em novas e audaciosas formas de arte.

Com a guerra de 1914, o Futurismo chegou ao fim. Artistas como Boccioni sucumbiram em combate, outros à tradição. Marinetti a ideais políticos, ajudando o Fascismo a chegar ao poder. Alguns jovens artistas tentaram reavivá-lo após 1918, mas sem sucesso; porém, sua influência sobre os outros movimentos modernos foi importante e duradoura.

Fonte: www.mac.usp.br

Futurismo

Futurismo

Futurismo foi um movimento modernista lançado por Marinetti (Filippo Tomaso Marinetti), autor italiano (1876-1944), e que se baseia numa concepção exasperadamente dinâmica da vida, toda voltada para o futuro, e combate o culto do passado e da tradição, o sentimentalismo, prega o amor das formas nítidas, concisas e velozes; é nacionalista e antipacifista.

"Em França e na Itália, Marinetti divulgara a partir de 1909 os princípios basilares do futurismo: luta sem quartel às tradições, à cultura feita; exaltação dos instintos guerreiros; apologia dum novo Homem-protótipo isento de sensibilidade, saudável, amoral, dominador, livre de todas as peias"

(Jacinto do Prado Coelho, Diversidade e Unidade em Fernando Pessoa)

Mas, é imprescindível iniciar esse trabalho com a apresentação do próprio Fernando Pessoa sobre o futurismo.

Futurismo esse, que em Portugal, adquiriu um caráter Sensacionista.

Os três princípios básicos do "sensacionismo", tal como Pessoa os formulou em voz de seu mestre Alberto Caeiro sâo:

1. Todo objeto é uma sensação nossa

2. Todo objeto é uma sensação em objeto

3. Portanto, toda arte é a conversão de uma sensação numa outra sensação.

Entretanto no caso de Pessoa ainda temos a existência de Pessoas. Ele não tem nenhum paralelo próximo, não apenas por causa de sua estrutura onde quatro vozes assumem uma única personalidade, mas também por diferenças mercantes entre essas quatro vozes. Cada uma tem sua própria biografia e físico detalhados. Caeiro é loiro, pálido e de olhos azuis; Reis é de um vago moreno mate; e "Campos, entre branco e moreno, tipo vagamente de judeu português, cabelo, porém, liso e normalmente apartado ao lado, monóculo", como nos diz Pessoa. Caeiro quase não dispôs de educação e vive de pequenos rendimentos. Reis, educado num colégio de jesuítas, é um médico auto-exilado no Brasil desde 1919, por convicções monárquicas. Campos é engenheiro naval e latinista.

O Caeiro em Pessoa faz poesia por pura e inesperada inspiração. A obra de Ricardo Reis é fruto de uma deliberação abstrata, quase analítica. As afinidades com Campos são as mais nebulosas e intricadas. "É um semi-geterônimo porque, não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu, manos o raciocínio e afetividade".
A língua de Campos é bastante parecida à de Pessoa; Caeiro escreve um português descuidado, por vezes com lapsos; Reis é um purista cujo linguajar Pessoa considera exagerado.

Caeiro, Reis e Campos são "os protagonistas de romance que Pessoa jamais escreveu" segundo Octavio Paz em "A Centenary Pessoa" (" Um Pessoa Centenário"). Pessoa não é entretanto "um inventor de poetas-personagens, mas um criador de obras de poetas", argumenta Paz. "A diferença é crucial". As biografias imaginárias, as anedotas, o "realismo mágico" do contexto histórico-político-social em que cada máscara se desenvolve são um acompanhamento, uma elucidação para os textos. O enigma da autonomia de Reis e Campos é tal que, vez por outra, eles chegam a tratar Pessoa com ironia ou condescendência. Caeiro, por sua vez, é o mestre, cuja brusca autoridade e salto para a vida generativa, desencadeiam todo o projeto dramático. Paz distingue com acurácia estes fantasmas animados.

Essa brevíssima introdução a respeito do heterônimos de Fernando Pessoa serve para esclarecer de que modo o futurismo é encontrado nesse autor, nascido em Lisboa aos 13 de junho de 1888. Vamos encontrar características mais marcantes dessa expressão em um dos Pessoas, Alváro de Campos.

Campos é considerado o mais moderno dos heterônimos de Fernando Pessoa.

Possuidor de três fase: a do Opiário; a mecanicista, whitmaniana; a do sono e do cansaço, a partir de "A Casa Branca" e "Nau Preta"; poema escrito em 11 de outubro de 1916.

Apresenta o heterônimo as características que passamos a indicar. Na primeira fase, composta do poema "Opiário" e dois sonetos, "Quando olho para mim e não me percebo" e "A Praça da Figueira de manhã", encontra-se morbidez, decadentismo, torpor ("É antes do ópio que a minha alma é doente").

A segunda fase compôe-se dos seguintes poemas: "Ode Triunfal", "Dois Excertos de Odes", "Ode marítima", "Saudação a Walt Whitman" e "Passagem das Horas".

Com exceção do segundo poema, predomina nesta fase o espírito nietzschiano, a inspiração de Walt Whitman e do futurismo italiano de Marinetti, que se aclimata ao caso português através, como já foi dito, do Sensacionismo: "Sentir tudo de todas as maneiras".

Outras características marcantes da segunda fase: desordem de sensações ("Multipliquei-me para me sentir,/ precisei sentir tudo"); inquietude do após-guerra, dinamismo, interação na civilização da máquina ("Eia eletricidade, nervos doentes da Matéria!"); sadomasoquismo ("Ser o pirata-resumo de toda a pirataria no seu auge/ E a vítima-síntese, mas de carne e osso de todos os piratss do mundo!").

Homem da cidade, Álvaro de Campos desumaniza-se, ao tentar explicar a lição sensacionista de Alberto Caeiro ao mundo da máquina.

Não consegue acompanhar como um super-homem a pressa mecanicista, e deprime-se, chegando a escrever o poerma "Mestre, mau mestre querido!", dedicado a Caeiro, poema em que, apesar do respeito do mestre, lhe apresenta queixas:

"Por que é que me chamaste par o alto dos montes
Se eu, criança das cidades do vale, não sabia respira?
Por que é que me acordaste para a sensação e a nova alma,
Se eu não saberei sentir, se a minha alma é sempre a minha?"

Surge a terceira fase de Campos sobretudo devido à falta de adaptação às teorias de Caeiro e à desilusão própria do após-guerra.

Vejamos as características desta fase: antidomatismo ("Não me venham com conclusões!"; revolta, incoformismo ("Vão para o diabo sem mim,/ Ou deixem-me ir sozinho para o Diabo!") enternecidmento memorialista, que também ocorre na segunda fase ("Ó éu azul! - o mesmo da minha infância, - / Eterna verdade vazia a perfeita!"); senso de fragilidade humana e senso do real ("W wu tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil"); desprezo ao mito do heroísmo ("Ah a frescura na face de não cumprir um dever!"); dispersão ("Outra vez te revejo,/ Mas, ai, a mim não me revejo!" - refere-se o autor a Lisboa no importante poema Lisbon Revisited); expressão de semidemência ("Se ao menos endoidecesse deveras!/ Mas não: pressão é eset estar entre,/ Este quase,/ Este poder ser que...,/Isto"); torpor expresso em sono e cansaço ("O sono universal que desce individualmente sobre mim/ [E o sono da síntese de todas as desesperanças"); preocupação com o existencial ("Sou quem falhei ser./ Somos todos quem nos supusemos,/ A nossa realidade é o que não conseguimos nunca"); adoção de intensos e funcionais desvios gramaticais e a livre metria ("Eu que me agüente comigo e com os comigos de mim"; "Ou somos, todos os Eu que estive aqui ou estiveram,/ Uma série de contas-entes ligadas por um fio - memória,/ Uma série de mim de alguém fora de mim?"; "Um supremíssimo cansaço,/ Íssimo, íssimo, íssimo,/ Cansaço...").

Por tudo isso, estilisticamente, ele é "moderno", "futurista", entusiasmado com as novidades da civilização industrial, como um discípulo de Marinetti, que introduz na linguagem poética as palavras desse admirável mundo novo. Louva o cheiro fresco da tinta de tipografia, os cartazes colados há pouco, ainda molhados, a telegrafia sem fio, os túneis, o canal do Panamá, o canal de Suez... Álvaro de Campos guia automóvel e faz disso matéria de poema. Nem Caeiro nem Reis seriam capazes de semelhante proeza.

Já Alverto Caeiro é, como o próprio Pessoa o confessa em sua famosa carta a Adolfo Casais Monteiro sobre a gênese da heteronímia - "Aparecera em mim o meu mestre" -, o mestre de todos os demais heterônimos e, inclusive, de seu criador. Isto porque os textos poéticos que levam a assinatura de Alberto Caeiro têm, na obra pessoana, a finalidade de encarnar a essência do "sensacionismo".

Podemos facilmente verificar, pela leitura dos poemas de Caeiro,que ele é, dentre os heterônimos, aquele que representa a postura mais radical face a esses postulados pessoanos: para o mestre, o que importa é vivenciar o mundo, sem peias e máscaras simbólicas, em toda a sua multiplicidade sensacionista.

É por este motivo que, repetidamente, Caeiro, em seus poemas, insiste naquilo que ele mesmo chama de "aprendizagem de desaprender", ou seja, o homem deve aprender a não pensar, a silenciar a mente, libertando-se assim de todos os padrões, modelos, máscaras e pseudo-certezas ideológicas, culturais, signos enfim, que desde cedo lhe foram impostos, para dedica-se só e simplesmente à revolucionária e reveladora aventura do contato direto e sem mediações com a realidade concreta, palpável, que nos cerca e de que fazemos parte.

A verdadeira vida para Caiero reduz-se, deste modo, ao "puro sentir", sendo o sentimento da "visão" o mais relevante de todos, por ser o que nos coloca em relação mais estreita e integral com o mundo objetivo:

"O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar e pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê,
Nem ver quando se pensa."

Nascido em Lisboa, em 1889, e falecido, vítima de tuberculose, na mesma cidade, em 1915, Caeiro passou quase todos os anos de sua curta vida no Ribatejo, na quinta de propriedade de uma tia velha, onde pastoreava ovelhas e procurava, diariamente, exercitar o que ele mesmo chamou de a "perversa ciência de ver".

Em decorrência dessa sua postura face à vida e dessa prática sensacionista, nasce uma estranha poesia empenhada em fazer a crítica mais radical de linguagem, da cultura, das ideologias e, paradoxalmente, da própria atividade poética, via negação, rejeição e recusa de qualquer tipo de pensamento.

A poesia de Caeiro é, neste sentido, uma curiosa poesia de anti-poesia, feita com o objetivo específico de pôr em xeque todas as máscaras simbólicas (palabras, conceitos, pensamentos, ideologias, religiões, arte) com que estamos habituados a "vestir" a realidade, esquecidos de que ela simplesmente é e vale por si mesma, e de que a única experiência que vale a pena é a de uma espécie de silêncio simbólico total ( o homem, neste caso, se libertaria do poder constrangedor de todo e qualquer signo, deixando, portanto, de atribuir significados ao mundo), o único caminho que, segundo Caeiro, nos possibilitaria a visão e, consequentemente, o conhecimento do real em toda a sua verdade, enquanto pura presença e pura existência:

"A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta
de todos os dias. Cada coisa é o que é, e é difícil expli-
car a alguém quanto isso me alegra, e quanto isso me
basta."

Voltemos à criação do Sensacionismo atribuído a Álvaro de Campos, onde é que está, a nosso ver, a realização poética mais próxima das premissas filosóficas de Kant. Aliás, essa produção "sensacionista", produzida e publicada nos anos 1915 e 1916, corresponde a um dos pontos mais altos da poesia fernandina, como expressado mundo contemporâneo, isto é, o mundo construído pela Civilização da Técnica e da Máquina, onde as sensações humanas parecem explodir, tal o grau em que são provocadas.

Refiro-me, precisamente, aos poemas: "Ode Triunfal"; "Ode Marítima"; "Saudação a Walt Whitmann"; "Passagem das Horas" e "Casa Branca Nau Preta". Neste último poema, já existe uma outra atmosfera, melancólica, desalentada, que contrasta com a euforia vital que predomina nos primeiros e indica que o "sensacionismo" de Álvaro de Campos estava se esgotando, ou pelo menos iria enfatizar outros aspectos da possível apreensão do Real.

Nesses poemas, aparece de maneira indiscutível a intenção básica do processo Poético de Fernando Pessoa: consumar a alquimia do verbo, ou melhor transubstanciar em Palavra a "verdade" do Real, intuída pelas sensações. Obviamente, não será por acaso que, nos anos 1915 e 1916, quando aqueles poemas eram publicados ou escritos, Fernando Pessoa registrava também, em seus manuscritos soltos, reflexões filosóficas e estéticas que indicam com clareza a intencionalidade criadora que orientava, no momento, sua produção poética.

Para se compreender melhor o quanto a poesia fernandina foi "programada" ou era "intelectualizada" (como ele mesmo tantas vezes afirmou) parece-me bastante esclarecedor um apanhado de trechos de alguns textos pessoanos. Vejamos, por exemplo, um fragmento de sues "textos filosóficos", cuja data provável é dos anos acima mencionados (1915-1916)

"Tudo é sensação."
"O espiritual em nós é a potência para sentir e o sentir é
a sensação, o ato."
"Tudo o que existe é uma fato mental, isto é, concebido."
"Criar, isto é, conceber uma coisa como em nós, mas
não em nós, é concebê-la como feita da nossa própria
substância conceptiva, sem ser essa mesma substância."

Aí temos enunciada de maneira óbvia uma explicação das relações entre eu e mundo, tendo em vista o sentir, pensar e conhecer, de lastro kantiano.

Tal lastro aparece também em certas reflexões pessoais (recolhidas em Páginas Íntimas, com da provável de 1916, mas que talvez sejam anteriores à publicação dos poemas em questão), onde Fernando Pessoa analisa teoricamente o que Álvaro de Campos realiza poeticamente na diretriz do Sensacionismo, e com isso nos dá as "chaves" mais adequadas para compreendermos a natureza da alquimia verbal ali pretendida pelo poeta. Diz Pessoa:

"Nada existe, não existe a realidade, apenas sensação. As idéias são sem-asções, mas de coisas não situadas no espaço e, por vezes, nem mesmo situadas no tempo. A lógica, o lugar das idéias, outra espécie de espaço."

"A finalidade da arte é simplesmente aumentar a auto-consciência huma-
na. O seu critério é a aceitação geral (ou semi-geral), mais arde ou mais
cedo, pois é essa a prova de que, na realidade, ela tende a aumentar a
auto-consciência entre os homens. Quanto mais decompomos e analisa-
mos as nossas sensações em seus elementos psíquicos, tanto mais au-
mentamos a nossa auto-consciência. A arte tem, pois, o dever de se tornar cada vez mais consciente."

Aí temos pelo menos três importantes premissas que alicerçam o universo poético fernandino no tema em questão: a importância basilar das sensações na apreensão do mundo das relações: homem X mundos exterior; a diferença de natureza entre "sensações" (ligadas à intuição) e "idéias" (ligadas à inteligência, à lógica, à razão); e a finalidade pragmática da arte: tornar a humanidade auto-consciente das realidades que lhe são essenciais à evolução.

Essas premissas podem ser rastreadas em todo o universo poético fernandino (ortônimo ou heterônimo); e é através dessa perspectiva (a de o poeta tentar decompor e analisar suas sensações até o fundo de seus componentes psíquicos, para aumentar sua auto-consciência do Real que deve ser objetivado no poema), que compreende melhor o ritmo torrencial dos poemas sensacionistas.

Em "Ode Triunfal" de Álvaro de Campos, por exemplo:

"A dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecido dos antigos
O rodas, õ engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Em fúria fora e dentro de mim."

Mais do que a euforia futurista de Marinetti ( a primeira a tentar encontrar o ritmo e a atmosfera própria à civilização da máquina); mais do que a adesão à "vitalidade transbordante", ao "belo feroz" ou "à força sensual" do universo poético de Walt Whitmann, os poemas sensacionistas de Álvaro de Campos expressam a experiência quase apocalíptica do poeta contemporâneo, ao pretender expressar um mundo que ultrapassou sua capacidade normal de apreensão, um mundo "totalmente desconhecido dos antigos", mas resultante irredutível destes últimos.

O poeta tenta (e praticamente o consegue) nos comunicar suas sensações na totalidade. Não, a epidérmica visão do babélico mundo moderno que os futuristas ofereciam, mas uma apreensão global, abrangente, que sugere o mundo como um "continuum vital", em que presente, passado e futuro se amalgamam na alquimia do verbo, tal como na realidade cósmica as vivências estão amalgamadas.

"Canto, e canto o presente e também o passado e o futuro
Porque o presente é todo o passado e todo o futuro
E há Platão e Virgílio dentro das Máquinas e das luzes elétricas
Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão."

Com uma profunda consiência da metamorfose, como processo fundamental da vida, Fernando Pessoa, tal como os grandes criadores, seus contemporâneos, introjeta o passado no presente, como algo vivo, que ocultamente dinamiza as realidades.

Esse é um dos aspectos fundamentais da poesia fernandina: a diluição das fronteiras entre os "tempos" que regem nossa vida concreta, para revelar o Tempo infinito que tudo engloba e que permanece desconhecido dos homens.

Mas não é só dos "tempos" que se anulam as fronteiras. Na palavra de Pessoa há uma grande ânsia de fundir "espaços" distintos e distantes em só espaço abrangente e perene. Como há também a ânsia de expansão da Individualidade, para que seja alcançada a Totalidade do ser ou um plenitude de sentir e ser, quase cósmica, na qual pressentimos uma grande identificação com o fenômeno de nossos dias, o "mutante cultural".

Fonte: www.cfh.ufsc.br

Futurismo

Manifesto Futurista, de autoria do poeta italiano Filippo Tommaso Marinetti (1876 - 1944), é publicado em Paris em 1909.

Nesse primeiro de uma série de manifestos veiculados até 1924, Marinetti declara a raiz italiana da nova estética: "...queremos libertar esse país (a Itália) de sua fétida gangrena de professores, arqueólogos, cicerones e antiquários". Falando da Itália para o mundo, o futurismo coloca-se contra o "passadismo" burguês e o tradicionalismo cultural.

À opressão do passado, o movimento opõe a glorificação do mundo moderno e da cidade industrial. A exaltação da máquina e da "beleza da velocidade", associada ao elogio da técnica e da ciência, torna-se emblemática da nova atitude estética e política. Uma outra sensibilidade, condicionada pela velocidade dos meios de comunicação, está na base das novas formas artísticas futuristas.

Movimento de origem literária, o futurismo se expande com a adesão de um grupo de artistas reunidos em torno do Manifesto dos Pintores Futuristas e do Manifesto Técnico dos Pintores Futuristas (1910).

A partir de então, se projeta como um movimento artístico mais amplo, que defende a experimentação técnica e estilística nas artes em geral, sem deixar de lado a intervenção e o debate político-ideológico. Umberto Boccioni (1882 - 1916), Carlo Carrà (1881 - 1966), Luigi Russolo (1885 - 1947), Giacomo Balla (1871 - 1958) e Gino Severini (1883 - 1966) estão entre os principais nomes do primeirofuturismo, que conhece um refluxo em 1916, com a morte de Boccioni e com a crise social e política instaurada pela Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918).

Um segundo futurismo tem lugar, sem a unidade criadora e a força do momento originário, apresentando Fortunato Depero (1892 - 1960) como protagonista.

Dinamismo e simultaneidade são termos paradigmáticos da proposta futurista. A ênfase na ação e na pesquisa do movimentoaparece tanto no romance Mafarka, o Futurista, de Marinetti, e no Manifesto Técnico da Literatura Futurista (1912) quanto nas artes visuais, por exemplo na escultura Formas Únicas na Continuidade do Espaço (1913), de Boccioni, e nas telas Os Funerais do Anarquista Galli (1911), de Carrà, e Dinamismo de um Cão na Coleira (1912), de Balla.

As inspirações nas pesquisas de cor e nos efeitos de luz do pós-impressionismo divisionista assim como nas técnicas das composições cubistas são evidentes, ainda que o futurismo italiano sublinhe na contramão do cubismo a carga emotiva e a expressão de estados de alma na arte (Estados de Alma nº 1. Os Adeuses, 1911, de Boccioni).

A forte politização do movimento é outro traço marcante e distintivo da arte futurista. A base ideológica do movimento é anticlerical - revelam os manifestos políticos lançados em 1909, 1911, 1913 e 1918 - e, em seguida, anti-socialista, pela defesa da modernização da indústria e da agricultura, do irredentismo e de uma política exterior agressiva. As afinidades com o fascismo, entrevistas pelo nacionalismo e pela exaltação do ímpeto e da ação, se concretizam quando diversos membros do grupo aderem ao partido fascista.

Em Futurismo e Fascismo (1924), Marinetti reúne discursos e relatos em que apresenta o futurismo como parceiro e precursor do fascismo.

As propostas futuristas impregnam diversas artes. Na música, o teórico, pintor e músico Russolo defende "a arte dos ruídos", pela criação de instrumentos que produzem surpreendente gama de sons (os "entoadores de ruídos"). Nas artes cênicas, o teatro sintético futurista (1915) prevê ações simultâneas que tomam o palco e a platéia. A ênfase na invenção cênica aparece nos posteriores Teatro da Surpresa (1922) e no Teatro Visionário (1929).

As experiências futuristas com o cinema, por sua vez, acompanham o movimento a partir de 1915, e mobilizam Marinetti, Balla, entre outros (Vida Futurista, 1916). O cinema é visto como a nova forma de expressão artística que atenderia à necessidade de uma expressividade plural e múltipla, declara o manifesto Cinema Futurista (1916). A arquitetura visionária de A. Sant´Elia (1888 - 1916) é mais um exemplo da extensão do projeto futurista.

movimento futurista serve de inspiração a obras e artistas de distintas tradições nacionais. Na Rússia, trabalhos de Mikhail Larionov (1881 - 1964), Natalia Gontcharova (1881 - 1962) e de Kasimir Malevich (1878 - 1935) podem ser vistos com base em leituras do futurismo.

As manifestações do grupo dada, intencionalmente desordenadas e pautadas pelo desejo de choque e de escândalo, permitem entrever a retomada do futurismo.

O vorticismo na Inglaterra e algumas pinturas de Marcel Duchamp (1887 - 1968) e Robert Delaunay (1885 - 1941) em solo francês sugerem, cada qual a seu modo, inspirações futuristas. Os modernistas reunidos na Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo, recebem imediatamente a alcunha de "futuristas" (configuram o chamado futurismo paulista), em virtude das propostas estéticas renovadoras e das intervenções estéticas de vanguarda.

A consideração cuidadosa das obras de modernismo, entretanto, permite aferir a distância entre a vanguarda modernista brasileira e a italiana.

Referências

ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna. Tradução Denise Bottmann e Federico Carotti. Prefácio Rodrigo Naves. São Paulo: Cia. das Letras, 1993. 709 p. il p&b. color. 
BRADBURY, Malcom & McFARLANE, James. Modernismo. Guia geral. Tradução Denise Bottmann. São Paulo: Cia. das Letras, 1998, 556 p.
CHALVERS, Ian. Dicionário Oxford de Arte. 2.ed. Tradução de Marcelo Brandão Cipolla. São Paulo: Martins Fontes, 2001, 584 p.
FABRIS, Annateresa. O Futurismo paulista: hipóteses para o estudo da chegada da vanguarda ao Brasil. São Paulo: Perspectiva, 1994. 296 p. (Estudos, 138). 
LA NUOVA ENCICLOPEDIA DELL´ARTE GARZANTI. Milão: Garzanti Editore, 1986. 1112p. il. p&b, color.

Fonte: www.itaucultural.org.br

Futurismo

futurismo foi um movimento fundado pelo poeta italiano Filippo Tomasso Marinetti, que redigiu um manifesto e tentou espalhá-lo em 1909. Nesse manifesto, já proclamava o fim da arte passada e a ode à arte do futuro (futurismo, daí o nome do movimento).

Com implicações políticas, buscava tornar a Itália livre do peso de sua história e inserí-la no mundo moderno. Ao poeta juntaram-se outros artistas - principalmente poetas e pintores - como Umberto Boccioni (1882 - 1916), Carlo Carrá (1881 - 1966), Giacomo Balla (1871 - 1958), Luigi Russolo (1885- 1947) e Gino Severeni (1883 - 1950) e em abril de 1910 era lançado um manifesto da pintura futurista, seguido por um manifesto da escultura futurista em 1912 e um livro sobre seus objetivos em 1914 (Pinttura,Scultura Futurista, Milão) os dois últimos escritos por Boccione.

movimento, a velocidade, a vida moderna, a violência, as máquinas e a quebra com a arte do passado eram as principais metas dofuturismo

Somente a forma e a cor não mais bastavam para representar o dinamismo moderno. "Deve ser feita uma limpeza radical em todos os temas gastos e mofados a fim de se expressar o vórtice da vida moderna - uma vida de aço, febre, orgulho e velocidade vertiginosa", declaram no manifesto de 1910. Até 1912, as influências maiores na maneira como davam formas artísticas às suas idéias era a dos impressionistas e pós-impressionistas, artistas que já apresentavam certa preocupação em representar o dinamismo. Após 1912, uma exposição em Paris marca a hegemonia da influência cubista sobre a arte do grupo. Os artistas futuristas deparavam-se com o sério problema de representar a velocidade em objetos parados.

As soluções normalmente foram a representação de seres humanos ou animais com múltiplos membros dispostos radialmente e em movimento triangular. Forças mecânicas ou físicas eram fontes temáticas bastante freqüentes, em especial nos primeiros trabalhos futuristas. "Automóvel e Ruído", de Balla ou "O que o Bonde me contou", de Carrá, são bons exemplos desses quadros.

Talvez Boccioni, uma das principais forças do futurismo, tenha sido o artista mais bem-sucedido na representação da velocidade. "Formas Únicas de Continuidade no Espaço" transmite o efeito de projeção no espaço (diferenciando-se, de acordo com Herbert Read, em História da Pintura Moderna, do vigor dinâmico barroco, por não mais gravitar em torno de si). A Primeira Grande Guerra Mundial e a morte de Boccioni em 1916 (havia sido ferido no conflito) foram golpes decisivos no movimento futurista que acabou se dissolvendo.

Entretanto, os futuristas deixaram contribuições importantes para a arte do século XX, seja no futurismo russo (composto por artistas como Malevitch) ou no dadaísmo. Também teve grande influência para artistas importantes como Marcel Duchamp e Delaunay em atentá-los para a representação do movimento que acabaria marcando os estilos característicos dos artistas. De qualquer forma, foram um dos pioneiros a chamar a atenção para a nova vida que se punha à frente do a essa nova vida (como as máquinas).

Fonte: www.brasilcultura.com.br

Futurismo

Futurismo

É o movimento literário artístico surgido na Europa, na primeira década do séc XX.

movimento reivindicava uma ruptura com o passado, buscando novas formas, assuntos e estilo, que melhor representaria a modernidade, era das máquinas, aeroplanos, fábricas e da velocidade.

O lema central era "liberdade para a palavra" e, neste sentido, afirmava o manifesto: "destruir a sintaxe". Pretendiam defender o uso do verbo no infinito e abolir advérbios e adjetivos, assim, acompanhar cada substantivo de outro com função de adjetivo. Pretendiam buscar analogia cada vez mais simples e suprimir a pontuação.

Nas artes plásticas procuravam obter a máxima desordem abolindo o lado psicológico. Exaltou o culto ao perigo e na velocidadeencontrou a sua melhor expressão.

" Declaramos que o esplendor do mundo se enriqueceu com uma beleza nova - a velocidade"

movimento atingiu o campo político pregando o nacionalismo, violência e a prática da guerra que na Itália levou base ao fascismo.

Foi um movimento forte, com grandes pretensões, pois queria atingir diversas artes (música, pintura, dança, poesia, teatro e cinema).

No Brasil ele se iniciou com a semana de arte moderna reunião artistas modernistas no Brasil (sic)*, no qual houve exposições, debates, declamações, et coetera.

Desta semana, difundiu se os ideais da vanguarda de origem européia originando o modernismo brasileiro.

Naturalmente os movimentos de vanguarda declinaram enfim todo o rebuliço, renovação repentinas se apagaram .

Fonte: www.geocites.com

Futurismo

Futurismo

Movimento artístico e literário iniciado oficialmente em 1909, na Itália, com a publicação do Manifesto Futurista, do poeta italiano Filippo Marinetti, no jornal francês Le Figaro. Sua base foi a rejeição ao passado e a exaltação à desordem e a um novo tipo de beleza baseado na velocidade e no movimento

O apego ao novo foi tanto que os futuristas chegaram a defender a destruição de museus e cidades antigas. Agressivo e extravagante, esse movimento encarava a guerra como forma de “limpar” o mundo.

Os Futuristas queriam fortalecer a sociedade italiana por meio da aceitação e exaltação da tecnologia moderna. Tinham como expoente o pintor e escultor italiano Umberto Boccioni (1882-1916), cuja obra consiste na interação de vários volumes distorcidos, na qual se percebe a idéia de movimento e força.

Tinham como objetivo criar obras com o mesmo ritmo e espírito da sociedade industrial. Com vermelhos berrantes, verdes intensos, amarelos e laranjas, em composições violentas e chocantes, eles refletiam a vida moderna.

Seus desenhos são modificados e as formas geométricas do cubismo são consideradas muito frias. Predominam, então, arabescos contorcidos e linhas circulares emaranhadas, elípticas e espirais.

O tumulto, este sim é considerado pelos futuristas fator indispensável para a criação do clima adequado ao novo mundo em que vivem e com o qual estão de acordo.

Fonte: www.acrilex.com.br

Futurismo

"Os trens correm soando através do meu quarto. Automóveis passam sobre mim. Uma porta range. Em algum lugar uma vidraça está batendo.

Ouço a risada dos grandes ruídos, o murmúrio suave das lantejoulas.

Depois, de repente, um barulho surdo, abafado, do outro lado, no interior da casa. Alguém sobe a escada. Aproxima-se sem se deter. Está lá, lá permanece por algum tempo, vai-se. E, de novo, a rua.

Uma mulher grita: 'Cala-te, não quero mais'. De repente, surge o trem elétrico, agitado; passa por cima, para além de tudo. Alguém chama. Pessoas correm, atropelam-se. Um cachorro late. Que alívio, um cachorro."

Publicado em 1904, em Paris, no "Cahiers de Malte Laurids Brigge", esse texto revela um momento da existência do homem moderno, que capta simultaneamente diferentes impressões de vida que o cerca.

Exaltar o presente: essa é a atitude que domina os artistas do começo do século XX. A revolta contra a mecanização das atividades humanas, que caracterizou a arte do século XIX, desaparece para dar lugar total à aceitação do momento presente. "O homem moderno registra cem vezes mais impressões que o artista do século XVIII", dizia o pintor Léger. Já que tudo se movimenta, deforma-se e multiplica-se sem cessar, o artista vê-se obrigado, também, a modificar sua linguagem expressiva, para representar a velocidade que muda o aspecto das coisas. "A paisagem atravessada por um carro ou trem perde seu sentido descritivo para ganhar em valor sintético" (Léger); o que interessa, agora, é captar e revelar a própria sensação dinâmica, ou seja, a multiplicidade de coisas que o homem do nosso século percebe simultaneamente.

A 20 de fevereiro de 1909, o poeta italiano Filippo Tommaso Marinetti, publica no jornal "Le Figaro", de Paris o seu MANIFESTO FUTURISTA. Polêmico e profético, o texto propõe a aniquilação definitiva de toda e qualquer forma de tradição, anunciando uma pintura e literatura mais condizentes com a era das máquinas e da velocidade.

Um ano depois, no Teatro Ghiarela de Turim, lançava-se o manifesto dos artistas, subscrito por Boccioni, Carrà, Russolo, Balla e Severini.

Os dois manifestos exaltavam a velocidade e a força, negavam o passado e glorificavam o futuro. Daí a denominação domovimento, cuidadosamente escolhida e não deixada ao acaso ou à pilhéria dos críticos como acontecera ao Impressionismo, ao Fauvismo e ao Cubismo.

futurismo, movimentado círculo criado por artistas italianos radicados na França, abrange a literatura, com Marinetti; a música com Pratello e Russolo; a arquitetura com Antonio Sant'Elia e a pintura na qual se destacam Giacomo Balla, Umberto Boccioni, Carlo Carrà, Luigi Russolo, Gino Severini, e Ardengo Soffici.

Todos os futuristas, sejam poetas, pintores ou arquitetos tem a mesma meta, já anunciada por Marinetti: "Preparar a próxima e inevitável identificação do homem com o motor..."

"Tudo passa e o tempo foge", afirmara Begson. Como resposta a essa constatação, os artistas do futurismo adotam como princípio enxergar a vida com olhos vorazes e febris, sem nada perder do que acontece à sua volta. Através desse novo modo de ver as coisas, pretendem atingir uma estética que extraia do movimento a noção de mudança.

Os recursos aprendidos com o cinema são utilizados na pintura futurista: alternância de planos, superposição de imagens fundidas ou encadeadas. O contorno das coisas já não permanece imóvel; modifica-se, aparece e desaparece, pois o que importa, com diz Marinetti, é "descobrir a sensação dinâmica e eterniza-la como tal.

Estamos na ponta extrema do promontório dos séculos: por que olhar para trás? O tempo e o espaço morreram ontem. Os elementos essenciais de nossa arte serão a coragem, a ousadia, a revolta".

Adotando como temas básicos velocidade, dinamismo e mudança, o futurismo representa, de certa forma, uma reação ao cubismo. Para os adeptos do novo movimento, os cubistas demonstravam, partindo da análise formal do objetivo, com as formas e cores suaves, certa propensão para o estático. Agora as cores suaves são postas de lado.

Com vermelhos berrantes, verdes intensos, amarelos e laranjas espalhados, em composições violentas e chocantes, os pintores futuristas desejam não apenas refletir a vida moderna que os cerca como demonstrar seu amor por ela. Para tanto, o desenho também precisa ser modificado. As formas geométricas do cubismo são consideradas muito frias. Predominam, então, arabescos contorcidos, linhas circulares emaranhadas, elípticas e espirais. São eliminadas as análises minuciosas e os ângulos retos que visavam à organização. O tumulto, este sim, é considerado fator indispensável para a criação do clima adequado ao novo mundo em que vivem, e com o qual, ao contrário dos antecessores, eles estão de acordo.

O tema dominante nas turbulentas pregações futuristas era, porém, o ódio ao passado: "Avante os bons incendiários de dedos carbonizados! Aqui! Aqui!

Queimai, com o fogo dos vossos raios, as bibliotecas! Desviai o curso dos canais, para inundara as salas dos museus! Que flutuem, aqui e ali, os desenhos gloriosos! Mãos às picaretas e aos martelos! Cavai os cimentos das cidades veneráveis!" Na mesma linha de idéias ferozes, exigiam a matança dos medalhões, literários, artísticos e científicos, para apagar todos os vestígios do passado.

Caracterizavam-se pela agressividade na propaganda do movimento.

Personalidade realmente fascinante, Marinetti (escritor italiano) percorreu a Europa, fazendo conferências ruidosas pelo radicalismo e tom polêmico. Esteve no Rio de Janeiro, tendo falado no desaparecido Teatro Lírico. Quando Mussolini e o Fascismo apareceram, considerou-os conseqüências do Futurismo.

Essa tomada de posição em favor de um regime de força não foi muito bem recebida entre os aderentes de vários países, apesar dos hinos que erguiam à violência. Mas, nessa altura, o movimento já havia perdido o seu impulso e não correspondia mais ao estado de espírito europeu resultante da Primeira Guerra Mundial. Estava superado, pertencia, agora, ao passado, que infatigavelmente condenara.

Pela impetuosidade da propaganda e extremismo dos pontos de vista, em relação aos princípios artísticos tradicionais, oFuturismo exerceu verdadeira ação didática, no sentido de preparar a opinião pública para receber, sob menores resistências, as correntes renovadoras, que surgiam nas letras e nas artes.

Na sua concepção do dinamismo universal e no desejo de expressar a velocidade, o Futurismo representou de início uma reação à estática do Cubismo, por essência plástico e preocupado, exclusivamente, com relações de formas e cores. Na ânsia de expressar o dinamismo do universo e a vertiginosidade da vida moderna, os pintores futuristas negaram de plano o realismo visual, isto é, a representação ou imitação das imagens visuais da realidade, justamente para evitar a sensação de imobilidade. Se pretendiam comunicar o sentimento de velocidade imanente ao mundo material e espiritual, sob constantes transformações, não poderiam ter preocupações de sugerir sensações de volume, peso, densidade, estrutura dos objetos e seres, qualidades de um mundo estático, inexistente nas suas concepções e inerente à pintura figurativa realista.

Num dos manifestos, dizia-se que um cavalo galopando não tem quatro pernas, mas vinte e seu movimento é triangular. Desse modo, em vez de repetir vinte vezes, realisticamente, a perna do cavalo, o pintor futurista substituía essa representação visual por linhas e planos coloridos e luminosos para nos transmitir, não a imagem de um cavalo galopando, mas a expressão da velocidadedo galope do cavalo.

"Os objetos - escreveu Gino Severini, aliás um dos melhores teóricos do movimento - não existem. Não se trata de representar o automóvel em movimento, mas a velocidade de um automóvel. Um dos mais importantes progressos científicos que transformam a nossa sensibilidade e a conduziram às nossas conclusões futuristas é, sem dúvida, o que produziu a velocidade.

velocidade deu-nos uma nova noção do tempo e do espaço e, consequentemente, da vida mesma. É preciso, portanto, que a arte plástica da nossa época seja caracterizada por uma estilização da velocidade, manifestação a mais imediata e expressiva da nossa vida moderna."

E, mais adiante: "No objetivo de interpretar o mais possível a vida moderna na obra de arte, quero seja suprimido da pintura futurista, como fizemos com o nu nosso primeiro manifesto, o corpo humano, as naturezas mortas e as paisagens agrestes, consideradas como centros emotivos.

Porque penso que uma complexidade de elementos realistas e dinâmicos como: aeroplano em pleno vôo + homem + paisagem; trem ou automóvel em velocidade + bulevar + viajante ou vagão de metrô + estação + anúncio + luzes + multidão etc., e todas as continuidades qualificativas até suas diferenças específicas, constituem fontes de emoção e de lirismo plástico infinitamente mais vastos e mais interessantes."

Boccioni, outro futurista, dizia que um cavalo parado é uma coisa completamente diferente de um cavalo em movimento. Considerava a velocidade um novo absoluto, que um temperamento moderno não pode ignorar.

Em fevereiro de 1912, realiza-se a primeira exposição futurista, na Galeria de Bernheim-Jeune. No prefácio do catálogo que explica o movimento, seus adeptos deixam bem clara a intenção de fazer uma arte totalmente diferente daquela desenvolvida pelos fauvistas e cubistas. Anunciam, ainda, que sua revolução pretende abalar não só os caminhos da arte mas também os costumes a própria vida. As telas expostas não contradizem o folheto.

Embora não apresentem unidade perfeita quanto à técnica empregada, as obras traduzem o estonteante princípio proclamado pelos futuristas: "Simultaneidade dos estados de alma na obra de arte". Sem fugir a esse propósito, cada artista tenta realizá-lo, contudo, de maneira bem pessoal. Enquanto Severini transporta para o novo estilo as cores puras de Seurat, Carrà emprega as tonalidades próprias do Cubismo.

Nas telas de Boccioni, teórico do movimento, nota-se o estudo das obras de Picasso. Já Russolo guia-se unicamente pela intuição, transpondo para o quadro temas do inconsciente, sonhos, desvarios, alucinações, através de imagens desconcertantes, como as que aparecem em Solidez da Neblina.

O maior destaque na exposição de 1912 cabe a Severini. No ano seguinte, contudo, Giacomo Balla expõe uma série de quadros que expressam ainda com maior vigor o desejo de "revolução total" proposto pelo futurismo. Se seus companheiros manifestam ainda certa indecisão quanto às técnicas mais adequadas para a realização dos objetivos do movimento, Balla mostra-se, desde os primeiros trabalhos, um pintor firme. Suas obras, mais que as dos outros, evidenciam a existência de novo estado de ânimo diante das coisas que estão acontecendo.

Tentando expressar a vida moderna, os adeptos do futurismo não constroem somente mais uma doutrina passageira e vã, mas conseguem, realmente, aproximar a arte da vida.

Sua preocupação é organizar o espaço de tal maneira que o espectador não fique apenas diante do quadro, mas seja transportado para dentro dele no momento em que o observa: "Os pintores colocam objetos e pessoas diante dos nossos olhos. A partir de agora, nós colocaremos o observador no meio do quadro. Quando pintamos um personagem na varanda, visto de um espaço interior, não nos limitamos a retratar a cena sob o ângulo reto que a janela permite ver.

Esforçamo-nos para dar à cena o conjunto de sensações visuais experimentadas pela figura que está na varanda: o burburinho da rua exposta ao sol, a fila de casas que se estendem à direita e à esquerda". O espectador está no centro da obra na medida em que esta transmite uma síntese de tudo aquilo que ele lembra, sente e vê.

Exaltando a civilização industrial, glorificando a velocidade, a força e o dinamismo, o calabrês Umberto Boccioni (1882-1916) é o mais futurista de todos os futuristas.

No princípio da carreira, Boccioni deixa-se influenciar pelo divisionismo, Fica conhecendo a técnica que está em moda na França por intermédio de seu companheiro Balla, que visitara Paris. Em seguida adota o futurismo, tornando-se o grande teórico do novo estilo. Pesquisador aplicado, Boccioni não se cansa de estudar o problema do movimento - sua maior preocupação como pintor e escultor.

Na tentativa de livrar-se de todas as tendências artísticas do passado que ainda o influenciam, procura encontrar o caminho para uma nova representação de vida cotidiana, a fim de que ela seja apresentada como realmente é: "Enquanto os impressionistas pintam para expressar um momento particular e subordinam o quadro àquilo que é semelhante a esse momento, nós reunimos, numa só tela, todos os momentos."

Contrapondo-se violentamente à objetividade do cubismo, Boccioni declara que a pintura deve expressar livremente todas as sensações e estados de espírito que dominam o artista na hora da criação. As linhas horizontais e verticais são por ele repudiadas. Elas visam a organização e esta tolhe o pintor. Boccioni pretende descobrira "energia" das linhas, cores e formas, uma espécie de força abstrata que transmita o ritmo constante dos objetos. O resultado deve conter, acima de tudo, um tumulto sem restrições, a fim de que o espectador sinta-se participando do que acontece na tela. Em sua obra Dinamismo de Um Ciclista nota-se a tentativa sincera do artista de conciliar a cena com as emoções interiores e abstratas que ele provoca.

Nascido em 1883, Gino Severini fica conhecendo Boccioni em 1901 e no ano seguinte torna-se aluno de Giacomo Balla. Fascinado pela pintura de Seurat, que lhe serve de inspiração e exemplo, parte para Paris em 1906.

Chegando ao centro cultural europeu do início do século, Severini instala-se no mesmo atelier em que trabalham Braque, Utrillo e outros pintores. Em suas incursões por Montmartre fica conhecendo Picasso. No entanto, o cubismo propagado pelo grande mestre deste século não o interessa. Em 1910 seu nome já está incluído no grupo dos futuristas.

Como seus companheiros de movimento, Severini pretende atingir uma arte livre de regras preestabelecidas e esforça-se por introduzir no espaço a ser pintado a idéia de movimento e mudança. Para tanto, recorta as formas e fraciona as figuras em pequenas zonas de cor. Embora esse método seja o mesmo empregado pelos cubistas, Severini não tem, como eles, propósitos analíticos. O que lhe interessa, antes de mais nada, é atingir o ritmo. Rica em detalhes, sua obra permite ao espectador ir descobrindo sem cessar, à medida que a aprecia, novos elementos e informações. Hieróglifo Dinâmico do Bal Tabarin é um exemplo expressivo dessa nova posição.

Embora aplaudido como pintor, a certa altura da carreira Severini decide abandonar o cavalete para se dedicar à pintura mural. Executa inúmeros afrescos e mosaicos em igrejas suíças, e logo em seguida é convidado para trabalhos semelhantes na Itália e na França.

Giacomo Balla, talvez a personalidade mais surpreendente do futurismo, também busca a representação do ritmo, mas de maneira bem diversa da de Severini: luz, cor e movimento são os elementos fundamentais de sua obra.

Os primeiros quadros realizados por Balla na Itália revelam um tratamento acadêmico e rígido. A crítica, no entanto, elogia-o entusiasticamente. Vai a Paris, onde conhece o impressionismo e o divisionismo. A partir daí, toda a sua atenção concentra-se nos problemas de cor e luz. Regressando a Roma, encontra-se com Severini e Boccioni, revelando-lhes suas novas descobertas. O contato com o poeta Marinetti esclarece-o ainda mais sobre as possibilidades de uma nova arte, que expresse o dinamismo da vida moderna. Em 1909, Balla adere definitivamente ao movimento. Suas obras até então apreciadas, provocam risadas do público, que não as compreende, e comentários desfavoráveis da crítica.

A princípio, Balla resolve o problema de maneira um tanto esquemática, como acontece na tela Menina Que Corre Sobre o balcão. Para dar a idéia do "correr sobre o balcão", o artista fixa o mecanismo de caminhar, repetindo-o monotonamente no espaço da tela, como se tratasse de uma seqüência fotográfica. Em 1914, contudo, pinta Mercúrio Passa Diante Do Sol, uma das obras primas dofuturismo.

Valendo-se exclusivamente de formas abstratas, consegue traduzir magnificamente a idéia de movimento que o obceca. Para tanto, justapõe e fragmenta sólidos geométricos, organizando-os numa composição onde prevalecem azuis, amarelos e vermelhos intensos, que contrastam com o verde neutro do primeiro plano.

No conjunto de diagonais entrecortadas, introduz curvas que se dirigem ao foco da composição: um círculo para o qual convergem todas as linhas.

Carlo Carrà, contemporâneo de Severini, Balla e Boccioni, trabalha de maneira bem diversa da de seus companheiros. Tomando emprestadas algumas soluções e técnicas cubistas, tenta imprimir à austeridade desse estilo o dinamismo e movimento dofuturismo.

No desejo de colocar o espectador no centro da obra, muitos futuristas empregam a técnica das composições circulares, e este é também o caso da Carrà, como se pode notar no quadro Manifestação Intervencionista. O movimento giratório das linhas vai acontecendo como se continuasse para além da própria tela. A partir de um círculo expandem-se faixas diagonais compostas de pedaços de jornal, cartazes de publicidade e partituras musicais. Os cubistas empregavam os elementos gráficos para que as obras se aproximassem mais da realidade. Carrà utiliza-os com outra finalidade. Quer mostrar o dinamismo das informações consumidas simultaneamente pelo homem moderno, por mais diversas que elas sejam.

Sua intenção não é narrativa e não há seqüência lógica entre os grafismos empregados: são apenas pedaços de notícias, fragmentos de manchetes - não tem sentido informativo, mas apenas um efeito plástico.

futurismo, contudo, não é a meta final das aspirações artísticas de Carrà. Gradativamente, ele se afasta do estilo que inspira suas primeiras obras e entrega-se à pintura metafísica, movimento que precede o surrealismo e tem como tema, sonhos, mistérios, visões.

Criticado pelos companheiros que não se conformam com mudança tão brusca, Carrà afirma: "Não vejo porque os manequins, peixes de cobre e mapas", elementos que passa a empregar com muita frequência em suas obras, "hão de ser menos dignos de estudo do que as maçãs, garrafas e moringas que deram a Cézanne sua merecida fama de grande pintor."

Natural, que ao fazer um retrato, o pintor futurista colocasse em segundo plano a semelhança física e as intenções psicológicas aderentes ao realismo visual.

Procurava era interpretar a velocidade espiritual do modelo e do ambiente que o cercava, através do que denominava linhas de força, expressões do dinamismo universal. O próprio Boccioni tem uma composição semi-abstrata, cortada de vertiginosos planos de luz e de cor, denominada linhas de força de uma rua, com a qual procura traduzir a vertiginosidade da vida nas cidades modernas. E Marcel Duchamp pintou o seu famoso Nu descendo uma escada, com absoluta ausência do humano, para expressar o dinamismo de um corpo de mulher descendo uma escada e o dinamismo da própria escada, utilizando linhas, planos e cores tratados geometricamente.

Nas representado as imagens, mas procurando exprimir o movimento ou a velocidade, o Futurismo pode ser considerado uma abstração de segundo grau. Isto foi observado por mais de um crítico ao ser observado que o objetivo futurista não é uma imagem abstrata, mas uma imagem expressiva do movimento, coisa diferente da abstração, quaisquer os resultados de suas pesquisas.

Apesar de efêmero, o Futurismo constitui-se numa das etapas fecundas na evolução da pintura contemporânea. O seu maior mérito está na tentativa de dar expressão plástica à vida moderna, cuja principal característica estaria na velocidade, produzida pelo aperfeiçoamento da técnica, que proporcionou ao homem, com as máquinas e motores, novas e eficientes armas na luta contra o espaço e o tempo.

Sem dúvida alguma, é o primeiro movimento artístico deste século que, deliberadamente, procura das expressão direta e imediata do novo sentido que os progressos da técnica conferiram à vida e ao espírito do homem. Novas formas sociais - está implícito na doutrina futurista - produzem novas formas de expressão artística.

Mais tarde também encontraremos traços de sua influência em outras tendências da pintura moderna, tocadas igualmente de sentimentos de dinamismo, como o próprio Orfismo, musical e impressionista.

Podemos dizer, por último, que com sua concepção do dinamismo universal, tudo sob constantes e velozes transformações, nada existindo de estático, os turbulentos e agressivos futuristas de 1909 foram, certamente, os antecipadores artísticos de nossas atuais verdades da física nuclear, que nos revelam o universo sob permanente velocidade.

Fonte: www.sul-sc.com.br

Futurismo

Este movimento teve uma forte relação com a literatura do início do século, influenciada em 1909 pelo Manifesto Futurista do poeta e escritor italiano Filippo Tommaso Marinetti.

Na pintura, assim como na literatura, os futuristas, exaltavam o futuro e, sobretudo a velocidade, que passou a ser conhecida e admirada a partir da mecanização das indústrias e da crescente complexidade social que ganharam os grandes centros urbanos.

Para os pintores ligados ao Futurismo, os outros artistas tinham ainda uma visão estática da realidade, ignorando o aspecto mais evidente dos novos tempos: o movimento veloz das máquinas, que provoca a superação do movimento natural.

Não interessava a representação de um corpo em movimento, e sim, expressar o próprio movimento evitando qualquer relação com a imobilidade, recusaram toda representação realista e usaram, além de linhas retas e curvas, cores que sugerissem velocidade.

Futurismo
“Velocidade abstrata - o carro passou” - Giacomo Balla

Fonte: www.coisaetal.maxiweb.com.br

Futurismo

Futurismo
"Dança do Mar" Gino Severini, 1914

Futurismomovimento de artistas italianos, deve ser considerado o primeiro movimento artístico tipicamente de vanguarda, embora tenha surgido um pouco depois do Cubismo.

O primeiro manifesto do movimento foi publicado em 20 de fevereiro de 1909, em Paris no "Le Figaro" e não na Itália, assinado por Filippo Tommaso Marinetti (1876/1944); apresentava como pontos fundamentais a exaltação da vida moderna, da máquina, da eletricidade, do automóvel e da velocidade. Período 1909 a 1914.

Principais artistas

Umberto Boccioni

Carlo Carrá

Luigi Russolo

Gino Severini

Giacomo Balla

Futurismo
"Formas de Continuidade no Espaço"
Humberto Boccioni, 1913

Características do Futurismo

Precedência da teoria sobre a prática e pretensão de ser "moderno", com exclusividade da expressão mais avançada da arte do seu tempo, características que, também, marcaram outros movimentos de vanguarda.

Movimento que mais produziu manifestos.

Expressão do dinamismo, ponto essencial da estética futurista.

Busca de uma linguagem intensa, dinâmica, audaciosa capaz de expressar as novas concepções de espaço e movimento.

Fonte: www.artenarede.com.br

Futurismo

Movimento artístico e literário que teve origem no início do século XX, antes da Primeira Guerra Mundial, e que se desenvolve na Europa, sobretudo em Itália, com os trabalhos de F. T. Marinetti, que estudara em Paris, onde publicou La conquête des étoiles (1902) e Destruction (1904), livros que despertaram o interesse de escritores de créditos já firmados na época como P. Claudel.

Como principais representantes da escola italiana de Marinetti temos:

Paolo Buzzi (1874-1956)

Ardengo Soffici (1879-1964)

Giovanni Papini (1881-1956)

Enrico Cavacchioli (1884-1954)

Corrado Govoni (1884-1965)

Aldo Palazzeschi (1885-1974)

Luciano Folgore (1888-1966)

Mas foi Marinetti o maior protagonista do futurismo e foi ele quem elaborou o primeiro manifesto futurista, publicado em Le Figaro, em 1909, cujo original em italiano contém as seguintes premissas:

1. Noi vogliamo cantare l’amor del pericolo, l’abitudine all’energia e alla temerità.

2. Il coraggio, l’audacia, la ribellione, saranno elementi essenziali della nostra poesia.

3. La letteratura esaltò fino ad oggi l’immobilità pensosa, l’estasi e il sonno. Noi vogliamo esaltare il movimento aggressivo, l’insonnia febbrile, il passo di corsa, il salto mortale, lo schiaffo ed il pugno.

4. Noi affermiamo che la magnificenza del mondo si è arricchita di una bellezza nuova: la bellezza della velocità. Un automobile da corsa col suo cofano adorno di grossi tubi simili a serpenti dall’alito esplosivo... un automobile ruggente, che sembra correre sulla mitraglia, è più bello della Vittoria di Samotracia.

5. Noi vogliamo inneggiare all’uomo che tiene il volante, la cui asta ideale attraversa la Terra, lanciata a corsa, essa pure, sul circuito della sua orbita.

6. Bisogna che il poeta si prodighi, con ardore, sfarzo e munificenza, per aumentare l’entusiastico fervore degli elementi primordiali.

7. Non v’è più bellezza, se non nella lotta. Nessuna opera che non abbia un carattere aggressivo può essere un capolavoro. La poesia deve essere concepita come un violento assalto contro le forze ignote, per ridurle a prostrarsi davanti all’uomo.

8. Noi siamo sul promontorio estremo dei secoli!... Perché dovremmo guardarci alle spalle, se vogliamo sfondare le misteriose porte dell’Impossibile? Il Tempo e lo Spazio morirono ieri. Noi viviamo già nell’assoluto, poiché abbiamo già creata l’eterna velocità onnipresente.

9. Noi vogliamo glorificare la guerra -sola igiene del mondo- il militarismo, il patriottismo, il gesto distruttore dei libertarî, le belle idee per cui si muore e il disprezzo della donna.

10. Noi vogliamo distruggere i musei, le biblioteche, le accademie d’ogni specie, e combattere contro il moralismo, il femminismo e contro ogni viltà opportunistica o utilitaria.

11. Noi canteremo le grandi folle agitate dal lavoro, dal piacere o dalla sommossa: canteremo le maree multicolori o polifoniche delle rivoluzioni nelle capitali moderne; canteremo il vibrante fervore notturno degli arsenali e dei cantieri incendiati da violente lune elettriche; le stazioni ingorde, divoratrici di serpi che fumano; le officine appese alle nuvole pei contorti fili dei loro fumi; i ponti simili a ginnasti giganti che scavalcano i fiumi, balenanti al sole con un luccichio di coltelli; i piroscafi avventurosi che fiutano l’orizzonte, le locomotive dall’ampio petto, che scalpitano sulle rotaie, come enormi cavalli d’acciaio imbrigliati di tubi, e il volo scivolante degli aeroplani, la cui elica garrisce al vento come una bandiera e sembra applaudire come una folla entusiasta. (Le premier Manifeste du futurisme: édition critique avec, en fac-similé, le manuscrit original de F.T. Marinetti, Éditions de l’Université d’Ottawa, 1986)

Marinetti apelava não só a uma ruptura com o passado e com a tradição mas também exaltava um novo estilo de vida, de acordo com o dinamismo dos tempos modernos.

No plano literário, a escrita e a arte são vistas como meios expressivos na representação da velocidade, da violência, que exprimem o dinamismo da vida moderna, em oposição a formas tradicionais de expressão. Rompe-se com a tradição aristotélica no campo da literatura, que já estava enraízada na cultura ocidental.

futurismo contesta o sentimentalismo e exalta o homem de ação. Destaca-se a originalidade, que Marinetti procura pelo elogio ao progresso, à máquina, ao motor, a tudo o que representa o moderno e o imprevisto. No Manifesto Técnico da Literatura (1912), Marinetti evoca a libertação da sintaxe e dos substantivos. É neste sentido que os adjetivos e os advérbios são abolidos, para dar mais valor aos substantivos. A utilização dos verbos no infinito, a abolição da pontuação, das conjunções, a supressão do “eu” na literatura e o uso de símbolos matemáticos são medidadas inovadoras.

De igual modo, aparecem novas concepções tipográficas ao surgir a recusa da página tradicional. Assim, procura-se a simultaneidade de formas e sensações e é na poesia que o futurismo encontra a sua melhor expressão.

futurismo influenciou a pintura, a música e outras artes como o cinema. Neste aspecto, Marinetti sugeriu que se fizesse um filme futurista que surgiu com o título Vida Futurista (1916). Neste filme, levantaram-se problemas de âmbito social e psicológico. O cinema era então visto como uma nova arte de grande alcance expressivo.

Com o começo da Primeira Guerra Mundial, os valores do mundo tradicional são postos em causa e daí que se agrave um clima de tensão social que se vinha arrastando por alguns anos. Os valores ditos burgueses começam a serem questionados e o mesmo acontece às formas de arte que representam esse mundo. Consequentemente, o futurismo surge como resultado dessa ruptura na arte, assim como o criacionismo, o dadaísmo, o cubismo, o ultraísmo, o orfismo e o surrealismo. O futurismo foi responsável pelo aparecimento de numerosos manifestos e exposições que provocaram escândalos.

futurismo sempre teve a sua faceta política. Marinetti fomenta o esplendor da guerra, do militarismo, do patriotismo, e depois torna-se um defensor convicto do fascismo italiano. O futurismo caracteriza a vida moderna na sua fragmentação, nos contrastes de classes, na agressividade social e por isso se serve dos manifestos para a retórica política.

futurismo difunde-se em vários outros países, para além da Itália e da França, incluindo Portugal. Segundo Pedro Oliveira, o jornal português Diário dos Açores seria o único a reproduzir o primeiro manifesto futurista de Marinetti e a publicar uma entrevista do mesmo teorizador. Posteriormente, Mário de Sá-Carneiro e Álvaro de Campos aderem ao futurismo, assim como José de Almada Negreiros com o Manifesto Anti-Dantas (1916), onde se apresenta como poeta futurista do Orpheu.

Apesar de só terem saído dois números desta revista, ela conseguiu escandalizar a burguesia, ameaçada pelo poder monárquico que podia derrotar as instituições republicanas. Daí o aparecimento da expressão “escândalo do Orpheu”, pela não aceitação das provocações de alguns elementos da revista. Apesar do desaparecimento do idealismo da Águia, o Orpheu garante um maior fortalecimento da estética futurista e da agressividade que lhe é inerente.

De fato, Portugal ao entrar na Primeira Guerra Mundial justifica as “Exortações da Guerra” de Almada e o ano de 1917 é de grande importância para o futurismo, pois é nesse ano que ocorre a “Sessão Futurista no Teatro Republicano”, se divulga o “Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX” de Almada e se lança a revista Portugal Futurista, que continha textos de Apollinaire, Almada e Álvaro de Campos.

Importa destacar as condições em que Fernando Pessoa reconhece o futurismo nas sua própria poesia.

Em carta ao Diário de Notícias, esclarece: “O que quero acentuar, acentuar bem, acentuar muito bem, é que é preciso que cesse a trapalhada, que a ignorância dos nossos críticos está fazendo, com a palavra futurismo.

Falar de futurismo, quer a propósito do primeiro número do Orpheu, quer a propósito do livro do Sr. Sá-Carneiro, é a coisa mais disparatada que se pode imaginar. (...) A minha Ode Triunfal, no primeiro número do Orpheu, é a única coisa que se aproxima do futurismo. Mas aproxima-se pelo assunto que me inspirou, não pela realização - e em arte a forma de realizar é que caracteriza e distingue as correntes e as escolas.” (Carta datada de 4-6-1915, in Obras em Prosa, vol.V, org. de João Gaspar Simões, Círculo de Leitores, Lisboa, 1987, pp.208-209). Álvaro de Campos foi diretamente influenciado por outra das grandes figuras de inspiração dos poetas futuristas, o norte-americano Walt Whitman. No Manifesto Futurista está a recusa da arte dominante que é o simbolismo, e, neste sentido, temos o anti-aristotelismo de Álvaro de Campos e o Manifesto Anti-Dantas de Almada. A revista Portugal Futurista sai logo de circulação pelo seu aspecto provocatório.

De fato, o futurismo surge como um escândalo (ao gosto dos futuristas) e se as notícias nos jornais não foram muitas, elas foram suficientes para a transmissão do pensamento futurista e sua consolidação como movimento de vanguarda.

Politicamente, vivia-se uma situação de intolerância ideológica que não foi atenuada com a subida ao poder de Sidónio Pais. Com o desaparecimento prematuro de Amadeo e Santa-Rita Pintor, em 1918, e com a dispersão de outras personalidades do futurismo, este acabaria por se dissipar.

Um outro país a sofrer a influência futurista foi o Brasil, onde se ansiava romper com os movimentos estéticos anteriores e, por outro lado, inovar no plano nacional.

No extremo oriental da Europa, a Rússia é um dos polos privilegiados no desenvolvimento do futurismo que surgiu com o manifesto Uma Bofetada no Gosto Público, assinado por D. Bourlyok, A. Kroutchoykh e V. Mayakovsky. Os futuristas russos opunham-se às vanguardas simbolistas e eram considerados como representantes de um importante aspecto do vanguardismo russo. Surgem grupos como o cubo-futurismo e o ego-futurismo.

É de notar o papel determinante que o futurismo teve na literatura russa, pois é bem capaz de ter influenciado indiretamente o surrealismo, o cubismo, o expressionismo e o dadaísmo.

futurismo influenciou as teorias dos formalistas russos no manuseamento livre das palavras, no verso livre, na nova sintaxe.

De fato, o futurismo inovou na poesia e na prosa ao caracterizar a arte de forma geométrica e abstrata. Queriam criar uma nova linguagem poética, liberta de todo o tipo de restrições e que fosse distinta das formas tradicionais de arte. Este tipo de atitude consiste num desafio ao que os escritores futuristas como Kamensky, Mayakovsky e Khlebnykov designam por sociedade burguesa decadente, aliada a uma autocracia czarista. Os futuristas russos estiveram ligados ao fascismo.

Pode-se dizer que proclamavam uma utopia socialista, um novo paraíso terrestre e daí a adesão à Revolução. Depois da Revolução de Outubro deu-se a ascensão do fascismo e muitos futuristas começaram a destacar-se no plano oficial da literatura. Apesar da arte se comprometer com a política, o movimento morre na década de vinte.

Bibliografia

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Fonte: www2.fcsh.unl.pt

Futurismo

Futurismo

Após o nascimento do Cubismo, o mundo testemunhou grandes mudanças; a Europa estava numa época de rápida industrialização, a tecnologia disparou em velocidade máxima transformando o mundo agrário em industrial e o mundo rural em urbano e os futuristas exaltaram esta velocidade.

movimento futurista foi fundado pelo poeta italiano Fillippo Tomasso Marinetti (1876-1944) que em seu manifesto publicado em Paris, em 20 fevereiro de 1909 proclamava o fim da arte passada, exigindo a renovação total da cultura e da arte. Buscavam tornar a Itália livre do peso de sua história (período da Primeira Guerra Mundial) e inserí-la no mundo moderno. Ao poeta, juntaram-se outros artistas que propunham a exaltação do futuro, da técnica, da raça, da velocidade. Neste sentido, glorificavam o ritmo da vida moderna, a era das máquinas com a eletricidade, o automóvel e o avião.

A poesia transformou-se em “palavras em liberdade” e em “palavras visuais”, representadas de forma extravagantes; a música transformou-se numa entoação de ruídos executada com novos instrumentos musicais.

Em abril de 1910, era lançado o Manifesto da Pintura Futurista.

Tanto na pintura como na escultura, os futuristas tentaram por todos os meios reproduzir o movimento (velocidade: compunham seres humanos ou animais com múltiplos membros dispostos radialmente e em movimento triangular) e decompondo as partes (como os planos quebrados e recortados do Cubismo) combinando com as cores fortes do Fauvismo. Portanto, a arte futurista é a soma do estilo cubista, com o uso arbitrário das cores numa composição dinâmica.

movimento, a velocidade, a vida moderna, a violência, as máquinas e a quebra com a arte do passado eram as principais metas do Futurismo.

A Primeira Guerra Mundial e a morte do pintor e escultor italiano Umberto Boccioni em 1916, ferido em conflito, foi um golpe decisivo para o movimento que acabou se dissolvendo porém, serviu para chamar a atenção para a nova vida que se punha a frente: a vida com as máquinas.

Os futuristas mais famosos foram:

Umberto Boccioni (1882-1916)

Giacomo Balla (1871-1958)

Gino Severini (1883-1966)

Luigi Russolo (1886-1947)

Fortunato Depero (1892-1960)

Carlo Carrá (1881-1966)

Fonte: www.she.art.br

Futurismo

Introdução

O futurismo é um movimento artístico e literário, que surgiu oficialmente em 20 de fevereiro de 1909 com a publicação do Manifesto Futurista, pelo poeta italiano Filippo Marinetti, no jornal francês Le Figaro. Os adeptos do movimento rejeitavam o moralismo e o passado, e suas obras baseavam-se fortemente na velocidade e nos desenvolvimentos tecnológicos do final do século XIX. Os primeiros futuristas europeus também exaltavam a guerra e a violência.

Futurismo desenvolveu-se em todas as artes e influenciou diversos artistas que depois fundaram outros movimentos modernistas.

Embora tenha começado como um movimento de reforma literária, em breve o futurismo expandiu-se e abarcou outras disciplinas, à medida que jovens artistas italianos respondiam com entusiasmo a seu chamado às armas.

O movimento, a velocidade, a vida moderna, a violência, as máquinas e a quebra com a arte do passado eram as principais metas do futurismo.

Foi elaborado um primeiro “Manifesto dos pintores futuristas”, datado de 11 de Fevereiro de 1910 e logo surgiu um segundo, em 11 de Abril de 1910, intitulado “Pintura futurista: manifesto técnico”, no qual os artistas se declaravam “os primitivos de uma nova sensibilidade, completamente transformada”, e apresentavam ideias mais concretas sobre como realizar essa nova sensibilidade: O gesto que reproduziríamos na tela já não será mais um momento fixo no dinamismo universal.

Será simplesmente a própria sensação dinâmica. Nesse manifesto constava ainda que:

"Deve ser feita uma limpeza radical em todos os temas gastos e mofados a fim de se expressar o vórtice da vida moderna – uma vida de aço, febre, orgulho e velocidade vertiginosa."

Os artistas futuristas deparavam-se com o sério problema de representar a velocidade em objetos parados e as soluções apresentadas foram a representação de seres humanos ou animais com múltiplos membros dispostos radialmente e em movimento triangular.

Embora, tentassem se distanciar dos cubistas, os futuristas tiveram um débito para com eles. Numa época em que o cubismo era muito pouco conhecido fora de Paris, usaram as formas geométricas e os planos de intersecção cubistas, em combinação com cores complementares. Num certo sentido, puseram o cubismo em movimento.

Futurismo

Manifesto do Futurismo

“Le Figaro”

“1. Nós pretendemos cantar o amor ao perigo, o hábito da energia e a intrepidez.

2. Coragem, audácia, e revolta serão elementos essenciais da nossa poesia.

3. Desde então a literatura exaltou uma imobilidade pesarosa, êxtase e sono. Nós pretendemos exaltar a ação agressiva, uma insónia febril, o progresso do corredor, o salto mortal, o soco e a bofetada.

4. Nós afirmamos que a magnificiência do mundo foi enriquecida por uma nova beleza: a beleza da velocidade. Um carro de corrida cuja capota é adornada com grandes canos, como serpentes de respirações explosivas de um carro bravejante que parece correr na metralha é mais bonito do que a Vitória da Samotrácia.

5. Nós queremos cantar hinos ao homem e à roda, que arremessa a lança de seu espírito sobre a Terra, ao longo de sua órbita

6. O poeta deve esgotar a si mesmo com ardor, esplendor, e generosidade, para expandir o fervor entusiástico dos elementos primordiais.

7. Excepto na luta, não há beleza. Nenhum trabalho sem um carácter agressivo pode ser uma obra de arte. Poesia deve ser concebida como um ataque violento em forças desconhecidas, para reduzir e serem prostradas perante o homem.

8. Nós estamos no último promontório dos séculos!… Porque nós deveríamos olhar para trás, quando o que queremos é atravessar as portas misteriosas do Impossível? Tempo e Espaço morreram ontem. Nós já vivemos no absoluto, porque nós criamos a velocidade, eterna, omnipresente.

9. Nós glorificaremos a guerra — a única higiene militar, patriotismo, o gesto destrutivo daqueles que trazem a liberdade, ideias pelas quais vale a pena morrer, e o escarnecer da mulher.

10. Nós destruiremos os museus, bibliotecas, academias de todo o tipo, lutaremos contra o moralismo, feminismo, toda a cobardice oportunista ou utilitária.

11. Nós cantaremos as grandes multidões excitadas pelo trabalho, pelo prazer, e pelo tumulto; nós cantaremos a canção das marés de revolução, multicoloridas e polifónicas nas modernas capitais; nós cantaremos o vibrante fervor nocturno de arsenais e estaleiros em chamas com violentas luas eléctricas; estações de comboio cobiçosas que devoram serpentes emplumadas de fumaça; fábricas pendem em nuvens por linhas tortas de suas fumaças; pontes que transpõem rios, como ginastas gigantes, lampejando no sol com um brilho de facas; navios a vapor aventureiros que fungam o horizonte; locomotivas de peito largo cujas rodas atravessam os trilhos como o casco de enormes cavalos de aço freados por tubulações; e o voo macio de aviões cujos propulsores tagarelam no vento como faixas e parecem aplaudir como um público entusiasmado.

É da Itália que lançamos ao mundo este manifesto de violência arrebatadora e incendiária com o qual fundamos o nosso Futurismo, porque queremos libertar este país de sua fétida gangrena de professores, arqueólogos, cicerones e antiquários.

Há muito tempo a Itália vem sendo um mercado de belchiores. Queremos libertá-la dos incontáveis museus que a cobrem de cemitérios inumeráveis.

Museus: cemitérios!… Idênticos, realmente, pela sinistra promiscuidade de tantos corpos que não se conhecem.

Museus: dormitórios públicos onde se repousa sempre ao lado de seres odiados ou desconhecidos!

Museus: absurdos dos matadouros dos pintores e escultores que se trucidam ferozmente a golpes de cores e linhas ao longo de suas paredes!

Que os visitemos em peregrinação uma vez por ano, como se visita o cemitério no dos mortos, tudo bem. Que uma vez por ano se desponta uma coroa de flores diante da Gioconda, vá lá. Mas não admitimos passear diariamente pelos museus nossas tristezas, nossa frágil coragem, nossa mórbida inquietude. Por que devemos nos envenenar? Por que devemos apodrecer?

E que se pode ver num velho quadro senão a fatigante contorção do artista que se empenhou em infringir as insuperáveis barreiras erguidas contra o desejo de exprimir inteiramente o seu sonho?… Admirar um quadro antigo é equivalente a verter a nossa sensibilidade numa urna funerária, em vez de projetá-la para longe, em violentos arremessos de criação e de ação.

Quereis, pois, desperdiçar todas as vossas melhores forças nessa eterna e inútil admiração do passado, da qual saem fatalmente exaustos, diminuídos e espezinhados?

Em verdade eu vos digo que a frequência quotidiana dos museus, das bibliotecas e das academias (cemitérios de esforços vãos, calvários de sonhos crucificados, registros de lances truncados!…) é, para os artistas, tão ruinosa quanto a tutela prolongada dos pais para certos jovens embriagados por seu os prisioneiros, vá lá: o admirável passado é talvez um bálsamo para tantos os seus males, já que para eles o futuro está barrado… Mas nós não queremos saber dele, do passado, nós, jovens e fortes futuristas!

Bem-vindos, pois, os alegres incendiários com seus dedos carbonizados! Ei-los!… Aqui!… Ponham fogo nas estantes das bibliotecas!… Desviem o curso dos canais para inundar os museus!… Oh, a alegria de ver flutuar à deriva, rasgadas e descoradas sobre as águas, as velhas telas gloriosas!… Empunhem as picaretas, os machados, os martelos e destruam sem piedade as cidades veneradas!

Os mais velhos dentre nós têm 30 anos: resta-nos assim, pelo menos um decénio mais jovens e válidos que nós jogarão no cesto de papéis, como manuscritos inúteis. – Pois é isso que queremos!

Nossos sucessores virão de longe contra nós, de toda parte, dançando à cadência alada dos seus primeiros cantos, estendendo os dedos aduncos de predadores e farejando caninamente, às portas das academias, o bom cheiro das nossas mentes em putrefação, já prometidas às catacumbas das bibliotecas.

Mas nós não estaremos lá… Por fim eles nos encontrarão – uma noite de Inverno – em campo aberto, sob um triste galpão tamborilado por monótona chuva, e nos verão agachados junto aos nossos aeroplanos trepidantes, aquecendo as mãos ao fogo mesquinho proporcionado pelos nossos livros de hoje flamejando sob o voo das nossas imagens.

Eles se amotinarão à nossa volta, ofegantes de angústia e despeito, e todos, exasperados pela nossa soberba, inestancável audácia, se precipitarão para matar-nos, impelidos por um ódio tanto mais implacável quanto seus corações estiverem ébrios de amor e admiração por nós.

A forte e sã Injustiça explodirá radiosa em seus olhos – A arte, de fato, não pode ser senão violência, crueldade e injustiça.

Os mais velhos dentre nós têm 30 anos: no entanto, temos já esbanjado tesouros, mil tesouros de força, de amor, de audácia, de astúcia e de vontade rude, precipitadamente, delirantemente, sem calcular, sem jamais hesitar, sem jamais repousar, até perder o fôlego… Olhai para nós! Ainda não estamos exaustos! Nossos corações não sentem nenhuma fadiga, porque estão nutridos de fogo, de ódio e de velocidade!… Estais admirados? É lógico, pois não vos recordais sequer de ter vivido! Eretos sobre o pináculo do mundo, mais uma vez lançamos o nosso desafio às estrelas!

Vós nos opondes objeções?… Basta! Basta! Já as conhecemos… Já entendemos!… Nossa bela e mendaz inteligência nos afirma que somos o resultado e o prolongamento dos nossos ancestrais. – Talvez!… Seja!… Mas que importa? Não queremos entender!… Ai de quem nos repetir essas palavras infames!…

Cabeça erguida!…

Eretos sobre o pináculo do mundo, mais uma vez lançamos o nosso desafio às estrelas.” Estas são as palavras com que Filippo Tommaso Marinetti funda a 20 Fevereiro 1909 em Paris o Manifesto Futurista.

Protagonistas

O FUTURISMO

GIACOMO BALLA, pintor

UMBERTO BOCCIONI, pintor e escultor

ANTONIO SANT’ELIA, arquiteto

CARLO CARRÀ, pintor

FILIPPO TOMMASO MARINETTI, poeta

UMBERTO PRIMO CONTI, artista

GINO SEVERINI, pintor 

LUIGI RUSSOLO, pintor e musico

A VANGUARDA RUSSA

DAVID BURLIUK, pintor

VLADIMIR BURLIUK, pintor

VLADIMIR MAYAKOVSKY, poeta

O FUTURISMO EM PORTUGAL

ÁLVARO DE CAMPOS, poeta

SANTA-RITA PINTOR, pintor

ALMADA NEGREIROS, pintor e escritor

MÁRIO DE SÁ CARNEIRO, pintor e escritor

AMADEO SOUZA-CARDOSO, pintor

mots en liberté: tipografia futurista

No primeiro manifesto futurista de 1909, o slogan era Les mots en liberté ("Liberdade para as palavras") e levava em consideração o design tipográfico da época, especialmente em jornais e na propaganda.

Eles abandonavam toda distinção entre arte e design e abraçavam a propaganda como forma de comunicação. Foi um momento de exploração do lúdico, da linguagem vernacular, da quebra de hierarquia na tipografia tradicional, com uma predileção pelo uso de onomatopéias. Essas explorações tiveram grande repercussão no dadaísmo, no concretismo, na tipografia moderna, e no design gráfico pós-moderno.

Conclusão

O movimento Futurista rejeitava o moralismo e o passado, e suas obras baseavam-se fortemente na velocidade e nos desenvolvimentos tecnológicos do final do século XIX. Os primeiros futuristas europeus também exaltavam a guerra e a violência. O Futurismo desenvolveu-se em todas as artes e influenciou diversos artistas que depois fundaram outros movimentos modernistas.

No primeiro manifesto futurista de 1909, o slogan era Le mots en liberté (“Liberdade para as palavras”) e levava em consideração o design tipográfico da época, especialmente em jornais e na propaganda. Eles abandonavam toda distinção entre arte e design e abraçavam a propaganda como forma de comunicação. Foi um momento de exploração do lúdico, da linguagem vernacular, da quebra de hierarquia na tipografia tradicional, com uma predilecção pelo uso de onomatopeias.

Essas explorações tiveram grande repercussão no dadaísmo, no concretismo, na tipografia moderna, e no design gráfico pós-moderno.

A pintura futurista foi influenciada pelo cubismo e pelo abstraccionismo, mas a utilização de cores vivas e contrastes e a sobreposição das imagens pretendia dar a ideia de dinamismo – deformação e desmaterialização por que passam os objetos e o espaço quando ocorre a ação. Procura-se neste estilo expressar o movimento real, registrando a velocidade descrita pelas figuras em movimento no espaço. O artista futurista não está interessado em pintar um automóvel, mas captar a forma plástica a velocidade descrita por ele no espaço.

Em Portugal, o futurismo aparece como movimento no número dois da Revista Orpheu, dirigida por Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro.

A Primeira Grande Guerra Mundial e a morte de Boccioni em 1916, ferido no conflito, foram golpes decisivos no movimento futurista que acabou se dissolvendo.

As propostas futuristas impregnam diversas artes. Na música, o teórico, pintor e músico Russolo defende “a arte dos ruídos”, pela criação de instrumentos que produzem surpreendente gama de sons (os “entoadores de ruídos”). Nas artes cénicas, o teatro sintético futurista (1915) prevê ações simultâneas que tomam o palco e a plateia. A ênfase na invenção cénica aparece nos posteriores Teatro da Surpresa (1922) e no Teatro Visionário (1929). As experiências futuristas com o cinema, por sua vez, acompanham o movimento a partir de 1915, e mobilizam Marinetti, Balla, entre outros (Vida Futurista, 1916).

O cinema é visto como a nova forma de expressão artística que atenderia à necessidade de uma expressividade plural e múltipla, declara o manifesto Cinema Futurista (1916). A arquitetura visionária de A. Sant´Elia (1888 – 1916) é mais um exemplo da extensão do projeto futurista.

Fonte: futurismo1909.com

Futurismo

futurismo foi um movimento artístico que ocorreu na Itália de 1909 a 1916. De grande repercussão social, seus princípios foram o ponto de partida para a modernização da cultura italiana. Em 20 de fevereiro de 1909, o jornal parisiense Le Figaro publicou o primeiro manifesto futurista, assinado pelo poeta italiano Filippo Tomaso Marinetti. Suas bases eram totalmente revolucionárias, e ele foi o primeiro grito exigindo uma arte contemporânea.

O poeta propunha a destruição de um mundo representado pelo governo, academias de arte e Vaticano, para fazer a sociedade italiana despertar para a nascente modernidade. Seu programa político abordava o divórcio, a distribuição de riquezas e a igualdade entre homem e mulher. Além disso, defendia a guerra como o único meio de mudar um mundo antiquado e decadente e o militarismo, como revalorização do sentido de pátria.

Para conseguir pôr essas idéias em prática, não foi difícil para Marinetti contar com o apoio incondicional dos pintores mais jovens da Itália, do início do século: Balla, Boccioni, Carrà, Russolo e Severini.

Eles também, cheios de entusiasmo revolucionário, redigiram seus próprios manifestos, nos quais assentavam as bases do que viria a ser a arte futurista: a máquina como única expressão do dinamismo e a velocidade como o novo sinal dos tempos.

Também se unia a esta nova corrente o arquiteto Sant'Elia, que teorizava sobre uma arquitetura caduca e transitória, que não sobrevivesse ao homem. O verdadeiro desafio para os futuristas foi encontrar um estilo que não tivesse nada em comum com as formas de arte tradicionais. Surgiram assim seus quadros de planos fragmentados e cores expandidas, nos quais as formas se repetiam, amontoando-se umas sobre as outras, para transmitir uma sensação de movimento contínuo.

A PINTURA NO FUTURISMO

Em linhas gerais, os futuristas tentaram plasmar em suas pinturas a idéia de dinamismo, entendido como a deformação e desmaterialização por que passam os objetos e o espaço quando ocorre a ação.Pode parecer algo muito simples, mas não é. De fato, os futuristas, que tão bem souberam expressar suas teorias nos manifestos, tiveram muito trabalho para as materializar sem cair nas antigas representações artísticas que tanto abominavam.

Uma de suas propostas foi a divisão da cor. É mais do que sabido que, qualquer objeto em movimento, um automóvel por exemplo, é visto pelo observador como uma sucessão de linhas coloridas fugazes. Esta teoria pode parecer familiar quando se pensa nos esforços que os impressionistas fizeram para captar a luz ou as cores num momento determinado. Mas é exatamente aí que está a diferença na proposição dos futuristas...

... é que os futuristas aspiram à captação de um instante preciso na tela, sem a soma de momentos que, em conjunto, constroem a ação.Além disso, como um objeto em movimento também perde sua forma original, é necessário fragmentar volumes e linhas. Não bastasse isso, os futuristas ousaram ainda mais. Repetiram essas fragmentações até saturar o plano, com o que conseguiram alcançar um de seus maiores objetivos: a simultaneidade.

Diante das obras futuristas, o espectador, estático, só consegue se deixar envolver por essas telas velozes e movediças, que, mais do que um prazer visual, transmitem a sensação de vertigem dos novos tempos. O pintor Boccioni, um dos maiores expoentes do movimento, fez suas incursões pela escultura, aprofundando a busca do dinamismo, embora se possa afirmar sem dúvida que, nas artes plásticas, o futurismo foi uma arte eminentemente pictórica.

Arte do Futurismo

Futurismo
Manifestação Intervencionista - Carlo Carrá

Futurismo
Retrato de Marinetti - Carlo Carrá

Futurismo
Saída do Teatro - Carlo Carrá

Futurismo
Automóvel + Velocidade + Luz - Giacomo Balla

Futurismo
Interpretação iridescente radial ( Vibrações Prismáticas )
Giacomo Balla

Futurismo
Baillarina Azul - Gino Severini

Futurismo
Hieróglifo dinâmico do Bal Tabarin - Gino Severini

Futurismo
Luz no Espaço - Gino Severini

Futurismo
Paisagem toscana - Gino Severini

Futurismo
Lembrança de uma noite - Luigi Russolo

Fonte: www.arteeeducacao.net

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