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Galileu Galilei

Galileu Galilei
Galileu Galilei

1564 - 1642

Eu, Galileu, filho do falecido Vincenzo Galilei, florentino, de setenta anos de idade, intimado pessoalmente à presença deste tribunal e ajoelhado diante de vós, Eminentíssimos e Reverendíssimos Senhores Cardeais Inquisidores-Gerais contra a gravidade herética em toda a comunidade cristã, tendo diante dos olhos e tocando com as mãos os Santos Evangelhos, juro que sempre acreditei, que acredito, e, mercê de Deus, acreditarei no futuro, em tudo quanto é defendido, pregado e ensinado pela Santa Igreja Católica e Apostólica. Mas, considerando que (... ) escrevi e imprimi um livro no qual discuto a nova doutrina (o heliocentrismo) já condenada e aduzo argumentos de grande força em seu favor, sem apresentar nenhuma solução para eles, fui, pelo Santo Oficio, acusado de veementemente suspeito de heresia, isto é, de haver sustentado e acreditado que o Sol está no centro do mundo e imóvel, e que a Terra não está no centro, mas se move; desejando eliminar do espírito de Vossas Eminências e de todos os cristãos fiéis essa veemente suspeita concebida mui justamente contra mim, com sinceridade e fé verdadeira, abjuro, amaldiçôo e detesto os citados erros e heresias, e em geral qualquer outro erro, heresia e seita contrários à Santa Igreja, e juro que no futuro nunca mais direi nem afirmarei, verbalmente nem por escrito, nada que proporcione motivo para tal suspeita a meu respeito."

Era o dia 22 de junho de 1633. Numa sala do convento dominicano de Santa Maria Sopra Minerva, em Roma, encerrava-se um dos episódios mais controvertidos da história: o julgamento de Galileu Galilei pela Santa Inquisição, sua condenação e subseqüente renúncia à crença de que a Terra gira em torno do Sol. Além da retratação, o Tribunal do Santo Oficio impôs a Galileu a pena de prisão domiciliar perpétua e a repetição, semanal, por três anos, dos sete salmos penitenciais.

Lido o veredicto e cumprida a cerimônia de abjuração pública (ao término da qual, segundo contam alguns, Galileu teria murmurado ironicamente: "eppur si muove " - "e, no entanto, ela se move"), o sábio recolheu-se à residência do grão-duque da Toscana, seu velho amigo, onde começou a cumprir a sentença. Pouco depois, alojou-se por algum tempo no palácio do arcebispo Piccolomini, em Siena, mudando-se finalmente para Florença, onde passaria seus últimos anos de vida.

Este período final foi bastante penoso para o cientista, pois, em 1638, a cegueira total o atingiu. Em carta a um amigo, desabafava seu sofrimento: "Ai de mim! O vosso amigo e servo Galileu tem estado no último mês desesperadamente cego, de modo que este céu, esta Terra, este Universo, que eu, por maravilhosos descobrimentos e claras demonstrações, alarguei cem mil vezes além da crença dos sábios da antigüidade, se reduzem, daqui por diante, para mim, a um diminuto espaço preenchido pelas minhas próprias sensações corpóreas".

Galileu no Tribunal da Santa Inquisição
Galileu no Tribunal da Santa Inquisição

Rodeado de amigos e discípulos, Galileu morreria a 8 de janeiro de 1642. Seus companheiros quiseram erguer um monumento em sua homenagem, mas o papa Urbano VIII vetou a proposição, alegando que ela seria um mau exemplo para os fiéis, visto que o morto "dera origem ao maior escândalo de toda a cristandade".

Suas obras foram incluídas no Index dos livros proibidos pela Igreja, juntamente com as de Kepler e Copérnico. Tais publicações seriam liberadas somente em 1822, mas as idéias que defendiam divulgaram-se muito antes.

Galileu Galilei nasceu em Pisa, a 15 de fevereiro de 1564, filho de Vincenzo Galilei e Julia Ammanati di Pescia. O pai, membro empobrecido da pequena nobreza, era músico e mercador, homem de cultura respeitada e um espírito contestador das idéias vigentes. Entretanto, Vincenzo desejava uma sólida posição social para seu filho, e por isso induziu-o à carreira médica.

Assim, após completar seus primeiros estudos em Pisa e na escola dos jesuítas do mosteiro de Vallombrosa, perto de Florença, com apenas dezessete anos, Galileu ingressava na Universidade de Pisa como estudante de Medicina. Entretanto, já no segundo ano do curso - que jamais concluiu, por falta de interesse pela matéria - ele descobriu a Física e a Matemática, realizando sua primeira observação importante: a oscilação de um pêndulo apresenta uma freqüência constante, independentemente de sua amplitude (quando esta é muito pequena). Na mesma época, inventou o pulsillogium, espécie de relógio utilizada para medir a pulsação.

Galileu observa a oscilação de um lampadário na catedral de Pisa
Galileu observa a oscilação de um lampadário na catedral de Pisa

O encontro de sua verdadeira vocação científica levou-o a abandonar a universidade, apesar do descontentamento do pai. Voltando para Florença, em 1585, dedicou-se por conta própria aos novos estudos, mantendo um contato permanente com os intelectuais da cidade que freqüentavam a casa paterna, o que enriqueceu bastante sua formação filosófica e literária. Prosseguindo suas experiências, notadamente no campo da mecânica aplicada, Galileu inventou uma balança hidrostática, sobre a qual escreveu um tratado, que terminou por atrair a atenção do grão-duque da Toscana, Fernando de Medici. Isto valeu-lhe, em 1589, a nomeação para lente de Matemática da Universidade de Pisa. Três anos mais tarde, o cientista transferiu-se para Pádua, onde, ainda sob a proteção de Fernando de Medici, assumiu a Cátedra de Matemática. Nesta cidade, Galileu viveu dezoito anos, e aí realizou a parte mais importante de sua obra: a formulação das leis do movimento dos corpos em queda livre e dos projéteis, e a defesa do sistema heliocêntrico do Universo. Em ambos os casos, ele investiu contra as doutrinas oficiais da época - que se baseavam nas concepções do filósofo grego Aristóteles -, atraindo, com isso, a ira dos doutores da Igreja. Aristóteles viveu entre 384 e 322 a.C. Segundo ele, a Terra encontra-se imóvel no centro do Universo, rodeada por nove esferas concêntricas e transparentes. Nessas, a camada mais interna é formada pela Lua, seguida pelas esferas dos planetas Mercúrio e Vênus, e, depois, pela do Sol, Marte, Júpiter e Saturno. A oitava região corresponde às estrelas e a última ao Primeiro Motor - Deus - que imprime movimento a todo o sistema. No mundo de Aristóteles, cada coisa tem seu lugar, onde deve permanecer. Quando, por qualquer razão, algo se desloca de sua posição "natural", tende a reassumi-la imediatamente, animando-se de um "movimento natural": uma pedra, se elevada do chão, nele recairá, pois esse é o seu lugar. E isso, no entanto, não se aplica apenas aos objetos inanimados.

Os pássaros voam e os peixes nadam porque esta é a sua natureza. E, o que é mais importante, eles existem exatamente para voar e nadar. Esses exemplos também ilustram uma das idéias fundamentais da doutrina de Aristóteles: a da existência de causas finais no Universo, que faz com que todas as coisas sempre atuem visando a atingir determinados objetivos. Durante muito tempo, essa filosofia constituiu um entrave ao desenvolvimento científico, pois suas explicações limitavam-se a postular um fim apropriado para cada fenômeno, sem verificar como ele ocorria. No início de 1543 foi publicado, em Nuremberg, um livro de autoria do cônego prussiano Nicolau Copérnico, intitulado De revolutionibus orbium coelestium. Suas primeiras vinte páginas continham uma síntese da tese revolucionária defendida pela obra: o Universo ocupa um espaço finito, limitado pela esfera das estrelas lixas, ao centro do qual encontra-se, imóvel, o Sol. Ao redor deste astro giram, sucessivamente, os planetas Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter e Saturno, enquanto a Lua se move em torno da Terra.

Para o autor, a aparente revolução diária do firmamento terrestre é uma conseqüência do movimento de rotação da Terra em torno de seu próprio eixo. Assim, Copérnico retirou a Terra do centro do mundo, colocando em seu lugar o Sol. Essa idéia ousada, no entanto, apesar de contrariar frontalmente os cânones oficiais, não levantou imediatamente a ira da Igreja, pois o sistema heliocêntrico de Copérnico, além de pouco divulgado, explicava os movimentos celestes de forma pouco satisfatória. De fato, Copérnico, seguindo a tradição, não conseguira se libertar da tirania do movimento circular; e, assim, também fora obrigado a introduzir rodas e mais rodas em seu Universo para que ele funcionasse. Além disso, o prefácio do De revolutionibus orbium coelestium trazia a seguinte observação tranqüilizadora: "Por favor, não tomeis isto a sério. É apenas um gracejo, destinado exclusivamente a matemáticos e, na verdade, muito improvável". A tempestade que se abateria sobre o sistema heliocêntrico, "o maior escândalo da cristandade", somente ocorreu três quartos de século mais tarde, com o processo de Galileu. Entretanto, o germe fora lançado, e, no decorrer desse período, o heliocentrismo foi ganhando um número cada vez maior de adeptos, entre os quais se destacava a figura de Johannes Kepler. Kepler fora assistente do dinamarquês Tycho Brahe. Os dados observados por este, no decorrer de toda uma existência dedicada à astronomia, permitiram a Kepler concluir, juntamente com Copérnico, que o Sol, e não a Terra, é que se encontra no centro do Universo; e - o que é mais importante que as órbitas dos planetas são elipses e não circunferências. Com isso, não só eliminava a principal objeção astronômica à hipótese de Copérnico, mas golpeava de morte o dogma circular, arrastando consigo uma parte do já vacilante edifício da cosmologia aristotélica. Contudo, os cálculos puramente astronômicos de Kepler não foram o elemento decisivo para produzir a grande revolução que conduziria a uma imagem completamente nova do Universo.

Essa tarefa coube a Galileu Galilei. Ao contrário do astrônomo alemão, que sempre viveu em países protestantes, fora do alcance da Inquisição, o cientista italiano pagou caro a sua audácia. Tudo começou em 1609, com uma viagem de Galileu a Veneza, onde ouviu falar de um aparelho, construido por um artesão holandês, que fazia os objetos parecerem maiores e mais próximos: o telescópio. De volta a Pádua, conseguiu adquirir um desses instrumentos, com o qual passou a investigar o céu.

Fonte: www.saladefisica.cjb.net

Galileu Galilei

Galileu Galilei, pioneiro da matemática aplicada, da física e da astronomia, nasceu em Pisa, a 15 de fevereiro de 1564, filho de Vincenzo di Michelangelo Galilei, um músico que fazia experiências com cordas instrumentais buscando comprovação de suas teorias musicais, e Giulia di Cosimo di Ventura degli Ammannati da Pescia. Foi educado no mosteiro de Vallombrosa, perto de Florença, cidade onde sua família se fixou em 1574.

Galileu entrou para a universidade de Pisa em setembro de 1581, para estudar medicina. Preparou-se para medicina por quatro anos (1581-84). Em fevereiro de 1582 o Papa Gregorio XIII, com a Bula "Inter Gravissimas" promulga a reforma do calendário com efeito a partir de 4 de outubro, que passaria a ser 15 de outubro.

Em 1583, observando a oscilação de uma lâmpada na Catedral de Pisa, Galileu descobriu o isocronismo pendular. Durante as férias iniciou o estudo da geometria sob a direção de Ostilio Ricci, de Fermo, mestre que servia na corte toscana. Mas em 1585, por falta de recursos, interrompeu o curso em Pisa e voltou a Florença. Lecionou na academia florentina e em 1586 publicou um ensaio descrevendo a balança hidrostática, invento que tornou seu nome conhecido na Itália. Em 1587 faz sua primeira viagem a Roma.

Em 1589 realizou algumas experiências e demonstrações sobre o centro de gravidade dos sólidos, o que lhe valeu passar a lecionar matemática na universidade de Pisa. Nos anos 1590 e 1591 realizou seus famosos experimentos sobre a queda livre dos corpos e a gravidade, segundo a tradição efetuadas do alto da Torre de Pisa. Fez imprimir o opúsculo Le Operazioni del compasso geometrico et militare. Em 1592 conseguiu ingressar na universidade de Pádua, da República de Veneza, como professor de geometria euclidiana e astronomia aristotélica para estudantes de medicina que precisavam dessa disciplina como base para a prática médica da astrologia, e lá ficou 18 anos.

Em 1609, teve notícia da invenção do telescópio pelo holandês Zacharias Janssen, efetuada em 1608, e imediatamente interessou-se em aperfeiçoar o instrumento. No mesmo ano construiu seu telescópio em Pádua, duplicando a capacidade de aumento do aparelho, e começou em fins de 1609 a realizar com ele suas observações astronômicas. Do alto do campanário de São Marco mostrou a alguns venezianos o funcionamento de sua luneta, a qual ofereceu ao governo de Veneza, salientando a importância do instrumento no campo marítimo e bélico e foi confirmado professor vitalício de matemática na universidade de Pádua com expressivo aumento de salário.

Em janeiro de 1610 descobriu os quatro satélites de Júpiter e escreve sobre as montanhas da lua. Batizou os quatro satélites "Astri Medicei" em homenagem à casa reinante em Florença. Anunciou ao mundo suas descobertas astronômicas no opúsculo Sidereus Nuncius, publicado em Veneza em maio de 1610, no qual descrevia o aspecto montanhoso da superfície lunar, revelava a existência de inúmeras estrelas até então desconhecidas e mostrava que Júpiter possuía quatro satélites. Estas descobertas desacreditavam o sistema ptolomaico da astronomia de então, pois acreditava-se que os corpos celestes descreviam órbitas circulares uniformes ao redor da terra, e eram compostos exclusivamente de um elemento, o éter, e eram, consequentemente, homogêneos e perfeitos. O movimento dos astros era tido como "natural", não tinha agente externo, pertencia ao corpo, e também uma força não atuava à distância mas somente por contacto e os corpos possuíam peso como parte de sua essência e sua "atualização". Buscava-se, de acordo com a filosofia de Aristóteles, conhecer a "essência imutável do real". A física era a ciência descritiva das qualidades de uma coisa por simples enumeração de todos os particulares.

Apesar de que o senado Veneziano lhe havia dado cátedra vitalícia em Pádua, em 1610 Galileu deixou a universidade para ficar em Florença, servindo como matemático e filósofo a corte do grão-duque da Toscana, Cosimo II de Médici, o que lhe dava mais tempo e recursos para experiências. Ele havia batizado Sidera Medicea (Estrelas dos Médicis) os satélites descobertos, em homenagem ao grão-duque que fora seu aluno e agora seria seu patrono.

Em 1611 foi a Roma fazer demonstrações do telescópio para as autoridades eclesiásticas. Devido ao seu talento para expor suas idéias, Galileu tornou-se rapidamente conhecido e discutido na Itália, e muitos peritos eclesiásticos em doutrina ficaram de seu lado. Outros porém viam na sua tese uma destruição da perfeição do céu e uma negação dos textos bíblicos. Os professores aristotélicos uniram-se contra ele, e com a colaboração dos dominicanos, que fulminavam sermões contra os "matemáticos", secretamente o denunciaram à inquisição por blasfêmia.

Em meados de 1612 publicou em Florença o Discorso intorno alle cose che stanno in su l' acqua ("Discurso sobre as coisas que estão sobre a àgua"), no qual ridiculariza a teoria aristotélica dos quatro elementos sublunares e do éter, suposto componente único dos corpos celestes e responsável por sua "perfeição".

Em 1613, no pontificado de Paulo V (1605-1621), publicou Istoria e dimostrazioni intorno alle macchie solari ("História e Demonstração sobre as Manchas Solares"), onde apóia a teoria de Copérnico. A descoberta das manchas solares foi criticada violentamente pelos teólogos, que viam na tese de Galileu um audacioso e pertinaz confronto com a religião. Na ocasião Galileu escreveu uma carta para seu aluno Benedeto Castelli, afirmando que as passagens bíblicas não possuíam qualquer autoridade no que diz respeito a controvérsias de cunho científico; a linguagem da Bíblia deveria ser interpretada à luz dos conhecimentos da ciência natural. Essa carta começou a circular em inúmeras cópias manuscritas e a oposição ao autor cresceu progressivamente. Assustado, o cientista escreveu cartas explanatórias ao grão-duque de Toscana e às autoridades romanas. Disse que seria um grande prejuízo para as almas, se o povo descobrisse, através de provas, que aquilo em que era pecado acreditar era verdadeiro. Foi a Roma dar pessoalmente explicações. As autoridades, contudo, limitavam-se a instruí-lo para que não defendesse mais as idéias copernicanas do movimento da Terra e estabilidade do Sol, por serem contrárias às escrituras sagradas. Pareceu ao Cardeal Roberto Belarmino, influente teólogo da ordem jesuíta, que era necessário evitar escândalos que comprometessem a luta dos católicos contra os protestantes. Num ato de consideração, o Cardeal concedeu uma audiência a Galileo e informou-o de um decreto que seria promulgado declarando falso e errôneo o copernicanismo, e que ele não devia nem sustentar nem defender tal doutrina, embora ela pudesse ser discutida como suposição matemática. O Papa Paulo V declarou a teoria falsa e errônea pouco depois, em 1616.

Em 1617 Galileu escreveu uma obra sobre a superioridade da fé católica, que teve o interesse dos papas Paulo V e Gregório XV. Este último inspirou-se nela para instituir a congregação da Propagação da fé (De propaganda fide).

Durante alguns anos Galileu permaneceu em silêncio. Os sete anos seguinte viveu em Bellosguardo, próximo a Florença. Ao fim desse tempo, em outubro de 1623 ele respondeu a um panfleto de autoria de Orazio Grassi, sobre a natureza dos cometas, com a obra Saggiatore, na qual expunha sua idéia de método científico e dizia que o livro da natureza está escrita em letras matemáticas. A obra foi dedicada ao novo Papa, Urbano VIII, seu amigo, que recebeu a dedicatória com entusiasmo.

Em 1624, já falecido o Cardeal Belarmino, Galileu volta a Roma, para pedir a Urbano VIII (1623-1644), a revogação do decreto de 1616. Apenas conseguiu uma licença do papa para discutir os dois sistema, Ptolomaico e Copernicano, imparcialmente, colocando no final uma nota que lhe foi ditada: que o homem não pode pretender conhecer como o mundo é feito de verdade... porque Deus podia chegar aos mesmos efeitos por caminhos não imaginados por ele. Feito este acordo, voltou a Florença e escreveu, em 1632 o Dialogo sopra i due massimi sistemi del mondo tolemaico, e copernicano ("Diálogo a respeito dos dois maiores sistemas: Ptolomaico e Copernicano").

Porque nenhum editor desejava correr maiores riscos, apesar do imprimatur garantido dos censores, "O Diálogo" de Galileu somente é publicado em Florença em 1632, ainda sob Urbano VIII e foi recebido com aplauso em toda a Europa como um obra prima de literatura e filosofia. O trabalho, porém, não respeitava a imparcialidade requerida: era inteiramente favorável ao sistema de Copernico. Então foi colocado para o Papa que, apesar do titulo neutro, o trabalho era inteiramente favorável ao sistema Copernicano, o que fazia inútil o texto final exigido no acordo feito com o autor. Os Jesuítas insistiram que o livro teria piores conseqüências sobre o sistema de ensino que Lutero e Calvino colocados juntos. O papa, irritado, ordenou o processo inquisitorial. Em outubro do mesmo ano o autor foi convocado para enfrentar o tribunal do Santo Ofício.

Apesar de queixar problemas de saúde e idade, Galileu foi obrigado a viajar para Roma e submeter-se a julgamento. Foi julgado culpado de ter adotado e ensinado a doutrina copernicana e condenado em junho de 1633. Foi no entanto tratado com indulgência e não foi colocado na prisão. Obrigado a abjurar suas teses sob pena de ser queimado como herege, Galileu recitou uma fórmula em que renegava, amaldiçoava e repudiava seus erros passados. O Papa reduziu a pena a prisão domiciliar, que durou o resto de sua vida.

Galileu continuou, no entanto, a trabalhar secretamente ainda sob Urbano VIII (1623-1644), e em junho de 1635 o príncipe Mattias de Medici levou os originais do Discorsi e dimostrazioni matematiche intorno a due nuove scieze attenenti alla meccanica et i movimenti locali ("Discurso a Respeito de Duas Novas Ciências") contrabandeados da Itália para serem publicado em Leiden, na Holanda em 1638. Nessa obra, que seria a mais madura de todas que escreveu, Galileu mostra que o verdadeiro caminho para o conhecimento da natureza é a observação dos fenômenos tais como ocorrem e não como os explica a pura especulação; recapitula os resultados de suas primeiras experiências em Pisa e acrescenta algumas reflexões sobre os princípios da mecânica; essa obra. Idealizou a aplicação do pêndulo aos relógios, invento que, por mediação de Mersenne, o cientista holandês Christiaan Huygens pôs em prática em 1656.

Aos poucos Galileu perdeu a visão em conseqüência de suas experiências com a luneta. Ele ditava a dois discípulos Vicenzo Viviani e Evangelista Torricelli suas idéias, quando veio a adoecer para morrer em Arcetri, perto de Florença, a 8 de janeiro de 1642. Suas descobertas, foram resultado de uma nova maneira de abordar os fenômenos da natureza e nisso reside sua importância dentro da história da filosofia.

R.Q.Cobra
Doutor em Geologia e bacharel em Filosofia. 1997

Fonte: www.cobra.pages.nom.br

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