Nunca,
como hoje, os homens mostraram tanto o seu lado emocional. E ainda bem!
Habituámo-nos a ouvir dizer que o conceito de família está em crise. Alguns, os mais pessimistas, chegam a afirmar que as verdadeiras famílias deixaram de existir e agora só persistem fragmentos.
Os estudos do âmbito da sociologia mostram que esta ideia é completamente falsa e o que de facto se passa, é que a família se encontra em profunda mutação, mudança essa que tem que ser encarada de frente para que consigamos gerir a diferença, sem angústias desnecessárias.
Existem agora famílias de muitos tipos: monoparentais, reconstruídas, alargadas, de acolhimento, adoptivas, etc. A maior parte dos casais tem unicamente um filho, o que pressupõe que as crianças são muito planeadas e desejadas.
Por outro lado, apenas uma minoria, usufrui dos cuidados permanentes da mãe, já que as mulheres optaram por responder ao apelo de trabalhar fora de casa, o que as torna mais felizes do ponto de vista individual e não prejudica necessariamente a educação dos filhos.
Neste contexto, também os papeis das figuras parentais, acabaram por sofrer profundas mudanças. Aquilo a que assistimos durante décadas deixou de ser uma realidade.
Essa realidade pode até chocar as gerações mais antigas, onde o homem e a mulher tinham papeis muito distintos dos que desempenham actualmente. Deixando de lado o caso dos pais solteiros, ou dos divorciados, podemos constatar que mesmo nos casais que se mantêm juntos, a vida familiar se tem vindo a alterar.
A imagem do pai deste século, é de um homem emocional e activo no que respeita às questões do lar. Vai buscar os filhos ao infantário e ajuda nas tarefas caseiras como aspirar a casa ou mesmo lavar a louça. É um homem interventivo, que gosta de partilhar tarefas e que as faz na perfeição.
É com agrado que se desloca às compras ao hipermercado, mesmo que para isso leve uma lista elaborada pela mulher. Não demonstra nenhum acanhamento em fazê-lo, porque encara essa atitude como algo perfeitamente natural.
Fonte: familia.sapo.pt
Afinal, após tantas revoluções femininas no mundo dos negócios, seria de se estranhar que o papel masculino continuasse o mesmo, sem o surgimento de novos deveres e o desaparecimento de alguns velhos.
Definir o papel do pai na família é uma tarefa árdua, para não dizer improvável de ser realizada, já que o homem não representa um papel rígido e fixo na estrutura familiar. Em tempos nos quais o divórcio é completamente natural e a adoção por parte de casais de mesmo sexo já é mais aceita, o papel de pais e mães no seio da família é mais elástico e não tão padronizado como antigamente. Mesmo assim, algumas características persistem e a discussão sobre elas só tem a fazer crescer a qualidade da educação provida por pais envolvidos ativamente na criação de seus filhos.
Em síntese, o papel paterno representa a relação dos filhos com o mundo externo, ou seja, a abertura para a sociedade, o impulso de se tornarem adultos. Também indica o ingresso da criança no contexto social, em contraposição ao mundo íntimo representado pela relação entre mãe e filho. Ao mostrar, de maneira clara e serena que existem regras e limites no mundo, o pai ajuda os filhos a crescerem emotivamente preparados para enfrentar com segurança o mundo externo.
São vários os pontos na atuação do pai que determinam a criação de uma base firme para a vida futura de seus filhos. Entre eles, o compartilhar do tempo livre para brincadeiras e atividades conjuntas, a abertura ao diálogo e a extinção dos tabus, a atenção ao mundo da criança e, finalmente, a maneira como o pai responde as exigências e comportamentos do seu filho. Quando colocadas em prática de forma equilibrada, esses pontos destacados solidificam a base emocional sobre a qual a criança irá se desenvolver, para se transformar em um adulto emocionalmente bem estruturado e de bem consigo mesmo.
No caso de pais separados, realidade cada vez mais comum, o ideal é que a educação dos filhos não seja delegada a um só dos cônjuges. Dividir deveres, cuidados e momentos de lazer é um fator importante para o desenvolvimento saudável das crianças. Porém, o fundamental no caso de pais separados (e não só), não é tanto quem faz o que e quando, mas que o pai e a mãe não enviem mensagens díspares para a criança, que exponham algum contraste de valores ou tenham atitudes que criem conflito, angústia e confusão na cabeça dos jovens. É importante que a comunicação e as atitudes do pai e da mãe se completem mutuamente, no principio do amor, do respeito e do dever de criar um filho.
A atitude do pai de estar presente e envolvido na vida dos próprios filhos, com disponibilidade emotiva para responder as suas necessidades, é de extrema importância no saudável desenvolvimento afetivo das crianças. Muitos pais pensam que sua relação com o filho deve ser um pouco mais distante do que com a mãe. Mas a partir de vários estudos, afirmo que quanto mais os filhos se sentem em conexão com o pai, mais confiam na vida, em si mesmos e nos outros. Criar um vínculo afetivo e íntimo, de empatia e confiança, ou seja, estar em conexão com os filhos, permite criar entre os dois uma confiança e uma proximidade que, estabelecidas quando criança, podem durar por toda a vida.
Eduardo Shinyashiki
Fonte: www.curitibanoscenter.com.br