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Segundo Filho

Dinheiro não é tudo

As primeiras mudanças ocorrem na conta bancária. O que preocupa principalmente os homens, por ainda serem socialmente considerados os provedores do lar. Enquanto o filho é um bebê, os gastos são menores. Ganham-se muitos presentes, como fraldas e roupas. O leite materno, não bastasse ser o melhor alimento para o bebê, é de graça! E os pais que guardaram itens do enxoval do primeiro filho economizam mais ainda. Mas as cifras aumentam à medida que os bodies RN são deixados para trás.

A educadora Mariana Galvão, 32 anos, brinca ao dizer que, se tivesse mais tempo e dinheiro, teria uns quatro filhos. A mãe de Helena, 6 anos, filha do primeiro casamento, e de João, 1 mês e meio, sente o bolso apertar. 'Ela tem só 6 anos e já vai a festas de aniversário quase todo fim de semana', diz.

Sabendo das dificuldades que enfrentaria, a gerente comercial Alessandra Soares Figueiredo, 35 anos, resolveu esperar dez anos para ter o segundo filho. 'Queríamos outro, mas temíamos as despesas', diz. Hoje, com a situação financeira estável, ela e o marido estão felizes com o resultado do planejamento familiar. O casal investe pesado na educação de Rafael, 12 anos, e se futuramente tiverem de pagar a faculdade do menino, a pequena Daniele, 2, ainda estará no ensino fundamental.

De fato, a escola é uma das vilãs das finanças. 'Para a classe média, a educação tem um alto custo. Por isso mesmo, os pais sabem que outro filho resultará numa grande diferença no orçamento', diz a psicóloga Patrícia Spada, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), especialista em Desenvolvimento Infantil e Psicologia da Infância.

Um segundo filho não significa, portanto, apenas 'colocar mais água no feijão', como diziam nossas avós. É preciso pensar no espaço físico, no investimento escolar, em quem vai tomar conta da criança, só para citar alguns dos arranjos. Mudanças que exigem planejamento para não fechar os meses no vermelho. Mas não pensem que riqueza é sinônimo de pais melhores. 'Se a família não estiver estruturada emocionalmente, não será o dinheiro que vai resolver os problemas', afirma Patrícia.

Quando é o ideal

Existe melhor hora para iniciar o segundo round? Alguns adiam a segunda gravidez a fim de curtir bastante os primeiros anos do bebê em casa. Assim, quando o primogênito estiver mais independente, têm a oportunidade de viver tudo outra vez com o recém-nascido. 'Mas o que é considerado divertido por muitos, como amamentar, dar banho ou fazer o bebê dormir, para outros é um suplício. Por isso, o momento ideal para aumentar a família vai depender da curtição de cada um', afirma a terapeuta familiar Daniela da Rocha Paes Peres.

A compradora Vera Duarte, 39, mãe de Carolina, 7, e Bianca, 5, preferiu 'tudo de uma vez'. Uma das vantagens, além do reaproveitamento do enxoval, é que os pais continuam familiarizados com o universo infantil. Ela reconhece que é preciso fôlego para agüentar o pique de duas crianças pequenas. 'Tudo o que uma faz, a outra copia', diz. Como a chegada das duas foi muito bem planejada, a mãe não reclama.

Vera resolveu encurtar o intervalo entre as gestações também por outro motivo. 'Sempre quis filhos com idade próxima. Minha irmã era dez anos mais velha e meu irmão, quatro. Só nos aproximamos na fase adulta', lamenta. Apesar do ciúme que Carolina tem da caçula - outro aspecto para os pais lidarem -, a relação das meninas é saudável. 'Além de ser gostoso vê-las crescer juntas, sinto que é bom uma irmã ao lado para brincar e dividir', diz Vera. Ela tem razão. A convivência entre irmãos envolve competição, frustrações e raiva, o que seria um treinamento para relacionamentos futuros. Os ganhos emocionais também se estendem aos pais, que vão aprender a diluir o afeto e as exigências entre duas crianças.

Organize-se!

A expectativa pela chegada do segundo filho vai depender de como foi a experiência com o primeiro. 'É natural que os pais queiram fazer tudo diferente e melhor', diz o terapeuta familiar Paulo Fernando Pereira de Souza. O jeito é segurar a ansiedade, porque a segunda gravidez não será como a primeira e nenhuma criança será igual à outra.

Para receber o segundo filho, a chef de cozinha Aleli Berlim, 30 anos, grávida de sete meses, montou uma nova estrutura em casa. O primeiro arranjo foi contratar uma ajudante para dormir no emprego. Mais para a frente, pretende colocar o bebê também na escola e, então, voltar ao trabalho. Ela acha que o mais difícil, no entanto, será delegar. 'Nunca consegui deixar qualquer um cuidando de um filho meu. Nem meu marido. Não é ciúme, é excesso de zelo', diz a mãe de Dara, 7 anos, que está esperando um menino.

A experiência de Vera, a mãe de Carolina e Bianca, pode servir de inspiração. 'A mamada da minha primeira filha tinha de ser obrigatoriamente de três em três horas. Mesmo se ela estivesse dormindo, eu a acordava só para dar o peito', lembra. Com o segundo filho, ela descobriu que as coisas fogem do controle - e tudo bem. 'Você não tem todo o tempo disponível para cuidar só do bebê. Agora são dois e pronto.' Assim como Vera, a maioria dos pais aprende, nem que seja na marra, a organizar melhor o dia-a-dia. Caso contrário, tantas mudanças podem afetar até o relacionamento a dois. Pedir e aceitar ajuda, nessa hora, faz diferença. Não tentem ser perfeitos: a única coisa que vão conseguir é ficar sobrecarregados.

Experiência é tudo

Independentemente do intervalo entre a primeira e a segunda gravidez, a chegada do segundo é menos avassaladora. Na primeira vez, os pais deixam de ser filhos para se tornarem pais, uma mudança e tanto na vida de qualquer um. Mesmo assim, claro que outro bebê transforma toda a família. 'É sempre um novo desafio. O pai, além de se afastar da esposa, tem de ajudar na aproximação do mais velho. Já o primogênito vai ter de dividir a mãe com o bebê', diz o terapeuta familiar Souza. Fiquem atentos, porém, para que a família não se transforme em duas duplas. 'O mais velho também precisa da atenção materna', afirma a especialista Daniela. Assim como o recém-nascido só tem a ganhar com o contato do pai. Não existe receita de bolo. Um ingrediente, porém, vai deixar tudo mais saboroso: a sua experiência. Como vocês já sabem, por exemplo, que não será necessário esterilizar a casa inteira, vão aproveitar mais as delícias de ter um bebê em casa. 'As preocupações aumentam, é verdade, mas a satisfação também', diz a terapeuta.

Ciúme de você

O filho mais velho reage de diferentes maneiras à chegada do bebê. Alguns voltam a usar chupeta, outros a falar como bebê.

Veja como evitar o estresse

Conte a história da primeira gravidez, mostre fotos, diga como foi o nascimento.

Qualquer mudança na rotina do mais velho, como tirar a fralda ou a chupeta, deve ocorrer no começo da gravidez ou um tempo depois do parto - o primeiro filho pode relacionar isso à vinda do irmãozinho, aumentando o sentimento de perda.

Converse sobre o assunto com a criança, para que ela entenda que ciúme é normal.

Faça com que o mais velho participe (sempre sob supervisão de um adulto) dos cuidados com o bebê.

Familiares e amigos não precisam sufocar o filho mais velho com mimos e presentes. Mas ele está ali e precisa de atenção.

Malu Echeverria e Soraia Gama

Fonte: www.batistasparana.org.br

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