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Gota

 

 

A Gota é uma doença que ataca principalmente as articulações e, se não tratada a tempo, pode debilitar órgãos como rins e fígado.

O que é?

A gota acontece quando há um acúmulo de ácido úrico no sangue. Isso pode acontecer tanto pela produção excessiva quanto pela eliminação deficiente da substância.

A doença já foi caracterizada como de nobres e ricos, pois carnes e vinho tinto podem desencadear a crise.

Gota

1) A articulação do pé, por ser naturalmente desprotegida, é geralmente a primeira a ser atingida pela gota. A dor é aguda e súbita e a região onde a crise acontece fica vermelha e muito inchada. Os sintomas da primeira manifestação da doença duram entre três e quatro dias.
2)
Se não for feito um tratamento devido desde a primeira manifestação da gota, as crises continuarão e poderão atingir outras articulações como as do joelho.
3)
As articulações dos dedos, punho, cotovelo, mãos e ombros também poderão ser atingidas.
4) A chamada gota crônica é o estágio mais sério da doença, pois as complicações já se instalaram em outros órgãos do corpo, além das articulações. Neste caso, podem surgir por exemplo deformidades e defeitos irreversíveis nas articulações.

Ácido úrico

Quando as células do corpo são destruídas para que novas células se instalem no organismo, os núcleos de cada uma eliminam substâncias que devem ser excretadas pelo corpo. O ácido úrico é uma delas e deve ser jogado fora pela urina.

A incidência

2% da população mundial sofrem de gota
Entre os doentes, há uma mulher para cada oito homens.

O processo da doença

O tecido conjuntivo é o que fica na união de um osso com outro, na articulação. O ácido úrico costuma ser solúvel neste tecido. Quando sua concentração aumenta (em um organismo com pré-disposição genética para sofrer a doença), a gota pode se manifestar.

Um trauma ou uma agressão nas articulações costuma ser o principal desencadeador da gota. A articulação do dedão do pé é a mais delicada do organismo, pois é pouco protegida. Se, por exemplo, o indivíduo caminhar muito durante o dia com sapatos fechados, tende a ficar com os pés inchados.

No fim do dia, hora do descanso, a tendência é de os pés desincharem. Se o indivíduo tiver com acúmulo de ácido úrico no sangue, a água sairá rapidamente, mas o ácido permanecerá dentro da articulação. A região fica ácida e o ácido úrico tende a se cristalizar. A crise só acontece se houver cristalização.

A cristalização do ácido úrico provoca a ação dos neutrófilos, células de defesa do organismo que engolem os cristais. Como a quantidade de cristais é muito grande, muitos neutrófilos atuam e provocam a inflamação do tecido. Com isso, vem a crise aguda da gota.

Na maioria das vezes, a primeira crise acontece nos pés. Frequentemente na articulação do dedão. Com menor freqüência, na parte de baixo do pé ou no tendão de Aquiles. O sintoma imediato é a dor.

Imediatamente, o pé (ou a parte do corpo acometida pela crise) fica inchado, vermelho e quente. A primeira crise dura cerca de três dias, a segunda vem em torno de dois anos depois e pode permancer por mais tempo, com dores menos intensas. Se a gota não for tratada com atenção desde sua primeira manifestação, é possível que a doença atinja outras articulações, como joelho, cotovelos, mãos e se torne crônica, com crises permanentes.

Tratamento

A gota não é uma doença que se possa prever. Só se trata do problema quando ele é identificado. O tratamento é feito com remédios capazes de reduzir a produção do ácido ou de aumentar sua eliminação pela urina. Para a hora da crise, os medicamentos mais usados são os antiinflamatórios.

Evitar alimentos com muito ácido úrico, como fígado ou animais pequenos e bebidas como vinho tinto e cerveja, também faz parte do tratamento.

A gota nos rins

Se o cristal do ácido úrico se depositar nos rins, a doença está em um estágio mais grave. A cada inflamação, o rim cicatriza e se retrai. Essa retração deixará as artérias mais estreitas. O sangue terá mais dificuldade de passar. Para tentar resolver o estreitamento arterial, o organismo secreta uma substância, chamada angiotensina, que aumenta a pressão sangüínea. Entretanto, essa hipertensão não acontece apenas no rim, mas em todo o organismo. Assim, a gota pode levar às doenças conseqüentes da hipertensão, como infarto do miocárdio ou derrame.

Fatores que desencadeiam a crise:

Trauma nas articulações
Alimentos ricos em ácido úrico, como fígado, animais pequenos, como codornas, peixes, entre outros
O álcool provoca acúmulo do ácido úrico nos rins

Fonte: www.santalucia.com.br

Gota

Gota é uma doença caracterizada pela elevação de ácido úrico no sangue e surtos de artrite aguda secundários ao depósito de cristais de monourato de sódio.

A concentração normal de ácido úrico no sangue é até 7,0 mg/100ml. Dependendo do país estudado, pode chegar a 18% a população com ácido úrico acima de 7mg%. Entretanto, somente 20% dos hiperuricêmicos terão gota. Ou seja, ter ácido úrico alto não é igual a gota.

É importante detectar quem tem ácido úrico elevado pois muitas vezes esses indivíduos têm pressão alta, são diabéticos e têm aumento de gordura no sangue com aterosclerose e a descoberta da hiperuricemia faz com que indiretamente sejam diagnosticados os problemas sérios que já existiam.

Outro risco para hiperuricemia é desenvolver cálculos renais de ácido úrico ou, raramente, doença renal.

É uma doença de homens adultos. As mulheres passarão a ter crise de gota após a menopausa. Pode haver diagnóstico de gota em homem e mulher jovem mas certamente são situações raras.

Como se desenvolve?

O mecanismo produtor da doença mais freqüente é a ausência congênita de um mecanismo enzimático que excreta ácido úrico pelos rins. Não havendo eliminação adequada, aumenta a concentração no sangue

Outro defeito enzimático, bem menos comum, produz excesso de ácido úrico. Os rins, mesmo normais, não conseguem eliminar a carga exagerada de ácido úrico e este acumula-se no sangue Quando há hiperprodução há hiperexcreção renal de ácido úrico. Pode ser detectada medindo-se o ácido úrico em urina de 24 horas.

Confirmando-se hiperexcreção, deve-se procurar outras causas menos comuns de hiperexcreção como policitemia vera (excesso de glóbulos vermelhos) e psoríase. Cabe ao médico orientar exames nesse sentido

Alguns medicamentos diminuem a excreção renal do ácido úrico. Exemplos freqüentes são diuréticos e ácido acetil salicílico em dose baixa. Se esses não devem ser retirados é preferível mantê-los e tratar a gota. Quando a causa da hiperuricemia não é enzimática fala-se em gota secundária.

Clínica

Pacientes gotosos podem permanecer 20 a 30 anos com ácido úrico elevado antes da primeira crise. Em alguns casos, já houve crise de cálculo urinário.

A crise de artrite é bastante típica: o indivíduo vai dormir bem e acorda de madrugada com uma dor insuportável que em mais de 50% das vezes compromete o dedo grande do pé.

Há situações de dor tão forte que os pacientes não toleram lençol sobre a região afetada. Pode haver febre baixa e calafrios. A crise inicial dura 3 a 10 dias e desaparece completamente. O paciente volta a levar vida normal. Fica sem tratamento porque não foi orientado ou porque não optou pelo que foi prescrito.

Nova crise pode voltar em meses ou anos. A mesma articulação ou outra pode ser afetada. Qualquer articulação pode ser atingida. As dos membros inferiores são preferidas mas encontram-se gotosos com graves deformidades nas mãos. Não havendo tratamento, os espaços entre as crises diminuem e sua intensidade aumenta. Os surtos ficam mais prolongados e, mais tarde, com tendência a envolver mais de uma articulação. Há casos em que algumas articulações não ficam mais livres de sintomas.

Gotosos que tiveram seu diagnóstico tardiamente e os que não se tratam têm cristais de monourato de sódio depositados nas articulações, tendões, bursas e cartilagens (tofos). Podem assumir volumes enormes e deformarem gravemente as articulações.

Gota
Gota

São muito característicos os tofos volumosos localizados nos cotovelos. Apesar de não ser comum, quando aparecem na cartilagem do ouvido são úteis para diagnóstico de gota.

Diagnóstico

Na primeira crise, o diagnóstico definitivo de gota só é feito se forem encontrados cristais de ácido úrico no líquido aspirado da articulação.

Na ausência de líquido articular, mesmo sendo no dedo grande do pé, a primeira crise não deve ser rotulada antes de um período de acompanhamento pois há outras causas de inflamação neste local. Lembrar que somente 20% dos hiperuricêmicos terão gota. Se exames e a evolução não definirem outra doença o paciente deve ser seguido como portador de gota.

Pode ser muito fácil quando houver uma história clássica de monoartrite aguda muito dolorosa de repetição e ácido úrico elevado. Esse pode estar normal na crise. Quando a suspeita for grande, repetir a dosagem 2 semanas após. Alterações radiológicas podem ser típicas.

Nos pacientes com doença crônica já com deformidades e RX alterado não há dificuldades diagnósticas mas provavelmente haverá no tratamento. Pacientes nesse estado têm gota de difícil controle ou não se tratam.

Tratamento

Gota não cura! Mas há tratamento garantido!

Já vimos que o ácido úrico aumenta devido a defeitos na eliminação renal ou na sua produção. Em ambas situações os defeitos são genéticos, isto é, são definitivos. Se não forem seguidos permanentemente dieta e, na grande maioria das vezes, tratamento medicamentoso, o ácido úrico volta a subir e mais cedo ou mais tarde nova crise de gota virá.

Curiosamente, grande número de gotosos não entende ou assume o abandono do tratamento. A conseqüência não é somente nova crise de artrite aguda muito dolorosa mas o risco de desenvolver deformidades articulares que poderão ser bastante incômodas. Não se justifica, atualmente, gotoso ter novas crises e, muito menos, deformidades estabelecidas.

Crise aguda

Nunca iniciar alopurinol na crise! Se já está usando, manter na mesma dose.

Colchicina 0,5 ou 1mg de hora em hora até a crise aliviar era o tratamento ideal até que surgissem novos antiinflamatórios não-esteróides (AINES) potentes e com menos para-efeitos, principalmente quando usados por prazo curto.

O esquema da colchicina foi abandonado devido à intensa diarréia que provoca, devendo ser usado somente nos raríssimos pacientes que têm contra-indicação absoluta a qualquer AINE, mesmo os recentes que são muito seguros.

A melhor combinação de medicamentos é colchicina via oral 3 a 4 vezes ao dia e um AINE intramuscular ou endovenoso. Quando a dor diminuir, passar para via oral. A associação de analgésicos potentes é útil, se ainda persiste dor.

O esvaziamento de uma articulação repleta de líquido inflamatório por punção com agulha produz grande alívio. Injeção intra-articular de corticóide está indicada quando há contra-indicação aos esquemas clássicos.

Colchicina inibe a chegada de leucócitos aonde estão os cristais. Não diminue o ácido úrico. Isto se consegue com dieta e alopurinol (Zyloric).

Somente iniciar alopurinol após desaparecimento da inflamação. O modo de introdução deve ser lento. Usar 100 mg por dia 10 a 20 dias e depois 200 mg por dia. Em 4 a 6 semanas, dosar novamente o ácido úrico. Se estiver acima de 6mg% é melhor passar para 300 mg de alopurinol.

Manutenção

Dieta

Deve-se prescrever dieta pobre em purinas, recomendar uso restrito de bebidas alcoólicas e evitar jejum prolongado. Cada gotoso sabe "onde aperta o sapato".
O controle ideal da dieta deve ser feito com nutricionista. Alguns pacientes conseguem controlar o ácido úrico somente com dieta. Certamente, o defeito enzimático é menor.
O grande segredo da dieta é abandonar os alimentos proibidos e não fazer ingestão excessiva em curto espaço de tempo de alimentos controlados e bebidas alcoólicas.

Medicamentos

A maioria vai necessitar doses variadas de alopurinol, podendo chegar-se a 600mg/dia. O uso diário de 1 comprimido de colchicina pode evitar crises. Assim, a associação dos dois medicamentos tem sido sugerida. Os pacientes que estão com ácido úrico abaixo de 5mg% provavelmente não precisarão de colchicina se continuarem dieta e alopurinol que tem sido seguro e cômodo e também ajuda a evitar cálculos renais.

Fonte: www.portaldafisioterapia.com.br

Gota

A Gota é uma forma de artrite que é mais freqüente em homens de mais de 30 anos. Nas mulheres, geralmente ocorre após a menopausa. É causada pelo aumento do ácido úrico no sangue.

Quando os níveis de ácido úrico passam do nível crítico, milhares de cristais de ácido endurecidos se depositam nas articulações. Esses cristais são como pequenos cacos de vidro quente, pontiagudos, que provocam dor e inflamações.

Eles podem se acumular nos tendões e nas cartilagens, nos rins (cálculos renais) e no tecido gorduroso sob a pele. (Nota: Outros tipos de cristais também podem provocar crises de gota.).

A gota pode acometer qualquer articulação, mas geralmente afeta os pés, principalmente o dedão do pé. Uma crise pode durar de várias horas a vários dias, e o período entre crises pode ser de anos.

A gota pode ser desencadeadas por:

Traumas leves nas articulações
Bebidas alcoólicas (vinho e cerveja mais que bebidas destiladas)
Alguns medicamentos (por exemplo: diuréticos e ácido nicotínico

Sinais e sintomas

Dor extremamente forte e inflamação em uma ou mais articulações, de início súbito e rápido.
A área afetada fica inchada, vermelha ou arroxeada, quente e muito dolorosa ao toque.
Dor agonizante desencadeada por toques leves, como o de um lençol.
Febre baixo esporádica. · Às vezes calafrios e febre.

Tratamento e cuidados

Não assuma que você tem gota se m o diagnóstico de um médico, pois várias situações como infecções, trauma e artrite reumatóide podem ser confundidas com uma crise de gota. Se você tiver gota, o tratamento dependerá da causa por trás dos níveis elevados de ácido úrico.

O médico pode solicitar um exame simples para verificar se o seu rim não está filtrando o ácido úrico do sangue corretamente, ou se o seu corpo está produzindo ácido úrico em excesso. O objetivo inicial é aliviar a crise aguda de gota.

Quais os fatores que podem desencadear uma crise de gota ?

Ingestão de álcool, principalmente vinho tinto e cerveja
Dieta rica em alimentos que aumentam o ácido úrico
Trauma físico
Uso de diuréticos

Como se trata a crise aguda de gota ?

A crise aguda de gota é tratada com colchicina, antiinflamatórios ou a associação de ambos. Mas, tais produtos só podem ser administrados sob prescrição e orientação médica.

A automedicação nunca deve existir. Somente o médico está credenciado a tratar da gota em qualquer de suas fases. As instruções médicas devem ser rigorosamente seguidas.

O segundo é prevenir outros ataques:

Para alívio imediato, o seu médico pode prescrever medicamentos como a couchicina, um antiinflamatório não hormonal, e/ou analgésicos (menos aspirina), e orientar repouso da articulação.
Para o alívio a longo prazo, seu médico provavelmente recomendará perda de peso se o seu peso estiver acima do desejado, redução do consumo de álcool, tomar grande quantidade de líquidos e se necessário, medicamentos como o aloprinol, que reduzem a produção de ácido úrico. O probenecid é uma droga que aumenta a excreção de ácido úrico pelos rins.

Fonte: www.laksmi.com.br

Gota

Gota ou “Doença dos Reis” é uma enfermidade causada pelo depósito de cristais de ácido úrico nas articulações

É uma das principais causas da artrite crônica e pode estar associada ao aumento do ácido úrico no sangue. Está também fortemente associada com obesidade, alterações do colesterol, diabetes e insuficiência renal.

A gota é uma das doenças mais antigas registradas na história da Medicina.

Trata-se de uma doença crônica, não contagiosa, mas que passa pelas gerações de uma mesma família. Estima-se hoje que 2% da população mundial sofra de gota e que entre os doentes, há uma mulher para cada oito homens.

A doença que aparece geralmente após os 35 anos de idade, ocorre devido a um acúmulo de ácido úrico no sangue e isto pode acontecer tanto pela produção excessiva quanto pela eliminação deficiente da substância.

O ácido úrico é uma substância produzida pelo nosso organismo quando da utilização de todas as proteínas que nós comemos na alimentação do dia-a-dia.

Numa explicação mais simples, pode-se dizer que quando as moléculas de proteínas dos alimentos são partidas em pedaços dentro do nosso organismo para servir de energia, o que sobra de todo esse processo é o ácido úrico.

É normal que o ácido úrico esteja presente no sangue em quantidades previstas, mas quando ocorre uma produção excessiva ou uma deficiência na sua eliminação pelo rim, a sua concentração no sangue pode aumentar demais atacando principalmente as articulações, provocando a gota úrica, ou os próprios rins, produzindo cálculos renais (pedras nos rins). A hiperuricemia facilita a precipitação de cristais de ácido úrico no sangue, o que resulta em um ataque de gota.

Bebidas alcoólicas, principalmente as fermentadas, e alimentos ricos em purina (ervilhas, feijão, carnes, tomate, frutos do mar etc.) são reconhecidamente uma importante fonte para o aumento do nível de ácido úrico no organismo.

O tratamento da Gota visa à normalização do nível de ácido úrico e, geralmente, é feito à base de anti-inflamatórios e drogas que aumentam a eliminação do ácido úrico pela urina ou que inibem a sua produção pelo organismo. Entretanto, para escolher o tipo de tratamento mais adequado para cada paciente é necessário um acompanhamento médico.

Geralmente uma lesão trivial ou um exercício além do habitual pode desencadear os episódios. A obesidade e dietas pobres em carboidratos também são fatores que podem precipitar uma crise.

O consumo excessivo de álcool é outro fator importante, pois pode provocar acúmulo do ácido úrico nos rins e quando isso ocorre, a doença geralmente está em estágio mais grave.

“É necessário tratar a doença, muitas vezes para o resto da vida”

A gota pode levar às doenças conseqüentes da hipertensão, como infarto do miocárdio ou derrames.

Contudo, entre os fatores que desencadeiam a crise, o mais importante é a alimentação.

Uma dieta rica em substâncias denominadas purinas (que fazem parte das proteínas) resulta em um aumento da concentração de ácido úrico no sangue e, portanto, alimentos ricos nessas substâncias devem ser evitados.

Entretanto, a restrição rígida de alimentos contendo purinas geralmente é recomendada no estágio agudo da doença, sendo que durante o estágio intermediário das crises, o tratamento dietético para pacientes que se mantém medicados visa uma dieta normal adequada.

Dicas importantes

A dieta para pessoa com gota deve ser moderada em proteínas, rica em carboidratos e relativamente pobre em gordura e deve incluir alimentos com baixos teores de purina.

O consumo de gorduras deve ser reduzido, pois o excesso diminui a excreção de ácido úrico.

Evite o consumo de bebidas alcoólicas. O álcool precipita o ácido úrico, facilitando a formação de cristais.

Líquidos como água e sucos devem ser ingeridos à vontade (mais de três litros por dia), o suficiente para que a urina esteja sempre clara. Isso facilita a excreção de ácido úrico e minimiza a possível formação de cálculos.

É preciso lembrar que, fora das crises de dor, exercícios físicos são sempre necessários, mesmo que em pouca quantidade, pois não raro, há excesso de peso e vida sedentária entre as pessoas com gota. E a redução de peso é sempre útil e ajuda a reduzir a hipertrigliceridemia que existe em 75% dos pacientes com gota.

Não fique longos períodos sem se alimentar. Quem fica muito tempo sem comer é candidato em potencial a ter uma taxa elevada de ácido úrico. Isso porque, em jejum, o corpo acaba degradando a proteína muscular como fonte de energia, gerando uréia como um dos seus subprodutos.

Medicamentos, quando receitados, devem ser seguidos por todo o tempo recomendado, pois podem ter efeito incompleto se interrompidos.

Para finalizar, é preciso ter em mente que a gota é uma doença crônica e grave, capaz de provocar muita dor e desconforto se não for tratada com seriedade pelo doente. Por isso, é necessário tratar a doença, muitas vezes para o resto da vida.

Portanto, o seu médico poderá lhe orientar nos exames necessários para avaliar o quanto de ácido úrico o seu organismo está formando e excretando e se você está ou não comendo demais alimentos com altos níveis de purinas.

Fonte: www.dietanet.hpg.ig.com.br

Gota

A gota é uma das doenças mais registradas na história da Medicina. Trata-se de um distúrbio do metabolismo das purinas, em que níveis anormalmente altos de ácido úrico se acumulam no sangue (hiperuricemia).

Não é contagiosa, mas passa de geração em geração numa família e aparece geralmente após os 35 anos de idade.

Sendo uma das principais causas da artrite crônica, também está fortemente associada com obesidade, alterações do colesterol, diabetes e insuficiência renal.

Estima-se que 2% da população mundial sofram de gota e que, entre os doentes, exista uma mulher para cada oito homens.

O acúmulo de ácido úrico no sangue pode acontecer tanto pela produção excessiva quanto pela eliminação deficiente da substância.

Sempre que ingerimos proteínas utilizamos parte delas para gerar energia e a outra parte que não utilizamos é transformada em ácido úrico.

É normal que o ácido úrico esteja presente no sangue, mas quando há uma quantidade excessiva, provocada pela a alta ingestão de proteínas ou por uma dificuldade do rim em eliminá-lo, ocorre a gota úrica nas articulações ou nos próprios rins, onde são formados cálculos renais (pedras nos rins). A hiperuricemia facilita a precipitação de cristais de ácido úrico no sangue, o que resulta em um ataque de gota.

Geralmente uma lesão trivial ou um exercício além do habitual pode desencadear os episódios. A obesidade e dietas pobres em carboidratos também são fatores que podem precipitar uma crise.

Os episódios de Gota caracterizam-se por início súbito e agudo da dor artrítica localizada, começando habitualmente pelo dedão do pé e que continua subindo pela perna.

Outra manifestação característica da gota é a formação de abscessos sobre as articulações. Semelhantes a caroços cheios de substâncias brancas dentro, em algumas crises agudas, esses “tofos” podem vazar.

Entre os fatores que desencadeiam a crise, destacam-se: as bebidas alcoólicas, principalmente as fermentadas, e alimentos ricos em purina (fígado, ervilhas, feijão, carnes, tomate, frutos do mar, sardinha, arenque, etc.) que são reconhecidamente importantes fontes para o aumento do nível de ácido úrico no organismo.

O tratamento da Gota visa à normalização do nível de ácido úrico e isso pode ser feito por meio de uma alimentação com baixo teor destas substancias chamadas purinas (que fazem parte das proteínas) ou à base de anti-inflamatórios e drogas que aumentam a eliminação do ácido úrico pela urina ou inibem a sua produção pelo organismo. Entretanto, para escolher o tipo de tratamento mais adequado para cada paciente é necessário um acompanhamento médico.

Dicas importantes

A dieta para pessoa com gota deve ser moderada em proteínas, rica em carboidratos e relativamente pobre em gordura e deve incluir alimentos com baixos teores de purina.
Evite o consumo de bebidas alcoólicas. O álcool precipita o ácido úrico, facilitando a formação de cristais.
Líquidos como água e sucos devem ser ingeridos à vontade (mais de três litros por dia). Isso facilita a excreção de ácido úrico e minimiza a possível formação de cálculos.
É preciso lembrar que, fora das crises de dor, exercícios físicos são sempre necessários.
Não fique longos períodos sem se alimentar. Quem fica muito tempo sem comer é candidato em potencial a ter uma taxa elevada de ácido úrico. Isso porque, em jejum, o corpo acaba degradando a proteína muscular como fonte de energia, gerando uréia como um dos seus subprodutos.
Medicamentos, quando receitados, devem ser seguidos por todo o tempo recomendado, pois podem ter efeito incompleto se interrompidos.
Também é preciso ter em mente que a gota é uma doença crônica e grave, capaz de provocar muita dor e desconforto se não for tratada com seriedade pelo doente. Por isso, é necessário tratar a doença, muitas vezes para o resto da vida.

Alimentos com alto teor de purinas

Carnes como: vitela, bacon e embutidos.
Miúdos como: fígado, coração, língua, rim e miolos.
Peixes e frutos do mar como sardinha, salmão, bacalhau e ovas de peixe.
Bebidas alcoólicas de todos os tipos.
Tomate e extrato de tomate.
Caldo de carnes e molhos prontos.

Estes alimentos devem ser evitados ao máximo e omitidos da dieta em pacientes em fases agudas.

Alimentos com médio teor de purinas

Carne de vaca, frango, porco e presunto.
Peixes e frutos do mar como camarão, ostra, lagosta e caranguejo.
Leguminosas como: feijão (exceto feijão adzuki), soja, grão de bico, ervilha, lentilha, aspargo, cogumelos, couve-flor e espinafre.
Cereais integrais como arroz integral, trigo em grão, centeio e aveia.
Oleaginosas como: coco, nozes, amendoim, castanhas, pistache e avelã.

Estes alimentos devem ser consumidos moderadamente, quando os pacientes não estiverem em crise.

Alimentos com baixo teor de purinas

Queijos magros, ovos cozidos, manteiga e margarina.
Cereais e farináceos como: pão, macarrão, sagu, fubá, mandioca, arroz branco e milho.
Vegetais como: couve, repolho, alface, acelga e agrião.
Doces e frutas de todos os tipos.

Estes alimentos podem ser consumidos diariamente.

Ariane Marcela Brocanelli

Referências

Pereira, Daniela Bergamim et al. Manifestações otorrinolaringológicas nas doenças reumáticas auto-imunes. Rev. Bras. Reumatol., Abr 2006, vol.46, no.2, p.118-125.
Cruz, Boris Afonso. Gota. Rev. Bras. Reumatol., Dez 2006, vol.46, no.6, p.419-422

Fonte: www.nutrociencia.com.br

Gota

A Gota é o distúrbio do metabolismo do ácido úrico no sangue, que se deposita em vários tecidos do organismo, tais como articulações e tendões, na forma de cristais de urato de sódio provocando inflamações.

Os cristais se formam quando os líquidos orgânicos desenvolvem uma alta concentração de urato de sódio que excede a solubilidade limitada do composto.

Esse aumento pode ser devido à formação ou diminuição de eliminação renal e, secundariamente a intestinal, possivelmente, ocorrem os dois fatores.

Quem pode ter gota?

Mais de 90% dos pacientes que desenvolvem gota primária são homens, com maior incidência entre 40 e 50 anos e, principalmente em obesos com vida sedentária, usuários de bebidas alcoólicas e gasosas como a cerveja. As mulheres raramente desenvolvem gota antes da menopausa e geralmente tem mais de 60 anos de idade quando a desenvolvem. A manifestação da Gota é muito rara em crianças e mulheres com menos de 30 anos.

Como se manifesta a gota?

Crises iniciais de gota podem ser precipitadas pelo abuso de alimentos ricos em purina, especialmente em combinação ao álcool. As crises também podem ser precipitadas por traumas menores, cirurgia, fadiga, estresse emocional e outros distúrbios clínicos menores, tais como uma infecção.

A gota é caracterizada, inicialmente, por ataques recorrentes de artrite aguda, provocados pela precipitação, nos espaços articulares, de cristais de urato monossódico provenientes dos fluidos corporais supersaturados.

Em uma descrição clássica de crise aguda de gota, observou-se que a dor freqüentemente começa à noite e é intensa o suficiente para despertar o paciente.

Embora qualquer articulação possa ser afetada, mais da metade das crises iniciais afetam o hálux (dedão), o qual é eventualmente afetado em aproximadamente 90% dos pacientes com gota.

A dor inicial de uma crise de gota tem sido descrita como uma sensação de deslocamento e é freqüentemente acompanhada por calafrios e febre. A dor torna-se progressivamente mais grave até alcançar um ponto em que o paciente não consegue sequer tolerar o toque de uma roupa ou as vibrações criadas por uma outra pessoa que entra no quarto.

A crise aguda é caracterizada por insônia, incapacidade de encontrar uma posição confortável e o desenvolvimento de sinais semelhantes aos de infecção aguda, tais como tumefação rígida, brilhante e avermelhada ou arrouxeada e sinais sistêmicos de doença, tais como freqüência cardíaca rápida, mal-estar e número elevado de leucócitos, podem também ocorrer.

As crises leves geralmente desaparecem depois de um ou dois dias, enquanto as crises mais graves evoluem rapidamente para uma dor crescente em algumas horas e podem permanecer nesse nível por um a três dias antes de ceder lentamente durante uma semana ou mais. O desaparecimento completo dos sintomas pode levar várias semanas.

Os ataques dolorosos são repetidos e a situação tende a se cronificar, caso esse processo não seja controlado, havendo então possibilidade de deformação das articulações. A agressão constante das articulações pelos cristais de urato faz com que ocorram focos inflamatórios conhecidos como tofos. O seu surgimento ocorre após alguns anos de doença, formando-se deformidades pelo acúmulo de cristais de urato em nódulos pequenos, moles, subcutâneos, nos cotovelos, dedos ou dorso das mãos, nos pés, em qualquer outra articulação, como também tendões, na cartilagem do pavilhão auricular, membrana sinovial e osso subcondal.

Os pacientes com gota, ou excesso de ácido úrico podem evoluir para um quadro de insuficiência renal. Isto se deve ao fato de que este orgão é uma das vias de eliminação do ácido úrico. Os problemas decorrem da maior possibilidade formação de cálculos de urato, prjudicando o seu funcionamento.

Como deve ser o tratamento da gota?

Em pacientes com gota o tratamento visa eliminar as crises agudas e a correção da hiperuricemia subjacente. O tratamento deve também ser direcionado a reversão de quaisquer complicações que tenham se desenvolvido, levando em consideração quaisquer processos patológicos coexistentes.

É necessário evitar os fatores desencadeantes ou que propiciam a formação de ácido úrico suprimido: evitar a ingestão de determinados alimentos ricos em purina, a obesidade, vida sedentária e restrição alcoólica. Além disso, um aumento na ingestão de líquidos para otimizar a taxa de fluxo urinário e uma alcalinização da urina podem também ser benéficos.

As crises agudas de gota são geralmente controladas com colchicina, AINEs ou corticosteróides injetados no espaço articular. Dessas opções, pode-se preferir os AINEs porque eles apresentam início mais rápido de seus efeitos.

O tratamento com AINEs freqüentemente começa a proporcionar alívio após 2 horas da dose inicial, mas eles devem ser usados com cautela em pacientes com insuficiência renal, hipertensão, ulceração péptica ou gastropatia. Além disso, a colchicina e os AINEs podem ser usados como tratamento profilático para previnir crises agudas, especialmente ao instituir tratamento anti-hiperuricêmico.

Gota e Pseudogota

A pseudogota (doença da deposição de pirofosfato de cálcio dihidratado) é um distúrbio caracterizado por crises intermitentes de artrite dolorosa causada por depósitos de cristais de pirofosfato de cálcio. O distúrbio geralmente ocorre em indivíduos idosos e afeta igualmente os homens e as mulheres. Em última instância, a pseudogota provoca degeneração das articulações afetadas.

Causas e Sintomas

A causa da pseudogota é desconhecida. Ela pode ocorrer em indivíduos com outras doenças como, por exemplo, um nível anormalmente elevado de cálcio no sangue causado por um nível elevado de hormônio da paratireóide (hiperparatireoidismo), um nível anormalmente elevado de ferro nos tecidos (hemocromatose) ou um nível anormalmente baixo de magnésio no sangue (hipomagnesemia). Os sintomas variam bastante.

Alguns indivíduos apresentam crises de artrite dolorosa, comumento atingindo os joelhos, os punhos ou outras articulações relativamente grandes. Outros indivíduos apresentam uma dor crônica e prolongada e rigidez articular nos membros superiores e inferiores. O médico pode confundir o quadro com a artrite reumatóide. Comumente, as crises agudas são menos graves que as da gota. Alguns indivíduos não sentem dor entre as crises e outros nunca sentem dor apesar dos grandes depósitos de cristais.

Diagnóstico e Tratamento

A pseudogota freqüentemente é confundida com outros distúrbios articulares, especialmente com a gota. O diagnóstico é realizado através do exame de uma amostra de líquido sinovial que é feita com o auxílio de uma agulha. Cristais compostos de pirofosfato de cálcio, e não de urato, são observados no líquido sinovial.

As radiografias também podem ajudar no estabelecimento do diagnóstico, pois os cristais de pirofosfato de cálcio, ao contrário dos cristais de urato, bloqueiam os raios X e aparecem nas radiografias como depósitos brancos. Geralmente, o tratamento pode interromper as crises agudas e impedir novas crises, mas não consegue evitar as lesões das articulações afetadas.

Mais freqüentemente, os antiinflamatórios não esteróides (AINEs), como o ibuprofeno, são utilizados para reduzir a dor e a inflamação. Oca- sionalmente, a colchicina pode ser administrada pela via intravenosa para aliviar a inflamação e a dor durante as crises. Ela também pode ser administrada pela via oral em doses baixas diárias para evitar as crises.

Algumas vezes, o acúmulo excessivo de líquido sinovial é drenado e, em seguida, com o objetivo de reduzir a inflamação, é injetada na articulação uma suspensão de cristais de um corticosteróide. Não existe um tratamento prolongado disponível para remover os cristais.

Fonte: www.msd-brazil.com

Gota

Muitas pessoas sofrem por anos com dores articulares e não imaginam que podem ser portadores da Gota.

A Gota Úrica é uma doença metabólica muito estudada desde o tempo de Hipócrates (500 anos A.C.) e já causou sofrimento em incontáveis seres humanos, inclusive em pessoas muito famosas, como Isaac Newton, Michelangelo, Benjamin Franklin, Charles Darwin.

Provavelmente é uma das principais causas de artrite crônica incapacitante desde os primórdios.

Hoje, no entanto, pode ser totalmente controlada, desde que bem diagnosticada e tratada.

AFINAL, O QUE É A GOTA?

A Gota é uma doença metabólica ocasionada pelo acúmulo de cristais de ácido úrico nas articulações, muito associado ao aumento de sua concentração no sangue. Isso pode acontecer tanto pela produção excessiva quando pela eliminação deficiente do ácido úrico. Todos os gotosos têm hiperuricemia (aumento da concentração de ácido úrico no sangue), mas nem todos os hiperuricêmicos têm Gota. A superprodução de ácido úrico é responsável por 10% dos casos e a diminuição da excreção urinária de ácido úrico representa os restantes 90% dos gotosos.

O ácido úrico é uma substância existente naturalmente no corpo humano, sendo que 2/3 terços dela é proveniente do próprio metabolismo, e 1/3 da ingestão de alimentos ricos em purina. Quando consumimos alimentos ricos em purina, estes são metabolizados e transformados em ácido úrico no nosso organismo. Alguns exemplos de alimentos ricos em purina são carnes vermelhas, frutos do mar, leguminosas (ervilhas, feijão, lentilha, etc), miúdos e bebidas fermentadas, como a cerveja e o vinho.

QUAIS SÃO OS FATORES DE RISCO PARA O DESENVOLVIMENTO DA GOTA?

História familiar da doença.

Obesidade.
Consumo excessivo de álcool.
Ingestão de alimentos ricos em purina.
Defeito enzimático que dificulta a quebra das purinas; etc.

QUAL É A INCIDÊNCIA DA DOENÇA NA POPULAÇÃO?

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a Gota afeta cerca de 275 a cada 100.000 pessoas. Além disso, sabe-se que a doença e suas complicações acontecem mais comumente em adultos, preferencialmente homens (95% dos casos) entre 30 e 60 anos de idade, sendo que as mulheres podem ser mais acometidas após a menopausa.

COMO SABER SE TENHO GOTA?

Alguns sinais e sintomas são característicos da doença e devem ser observados. Normalmente, na crise aguda da Gota ocorre artrite em uma das articulações, especialmente no dedo grande do pé. A artrite inclui muita dor, vermelhidão, calor, edema e dificuldade para caminhar, como mostrado na figura ao lado. Pode haver artrite do calcanhar e outras articulações. Além disso, podem surgir tofos (depósitos de uratos nas articulações, especialmente na orelha).

Entretanto, o diagnóstico definitivo da doença não deve levar em consideração apenas os sinais e sintomas, mas também uma avaliação de exames laboratoriais para verificar os níveis de ácido úrico sanguíneos e de exames radiológicos.

Deve ser lembrado que o fato do resultado de um exame de sangue para ácido úrico estar normal, não afasta a possibilidade da doença. Da mesma forma, muitas vezes existem indivíduos que possuem taxas elevadas de ácido úrico no sangue e, não desenvolvem a Gota.

QUAIS SÃO AS COMPLICAÇÕES DA GOTA?

Se a Gota não for tratada com atenção desde sua primeira manifestação, é possível que a doença atinja outras articulações e se torne crônica, com crises permanentes. A chamada Gota Crônica é o estágio mais sério da doença, pois as complicações já se instalaram em outros órgãos do corpo, além das articulações, como danos ao aparelho renal.

QUAL O TRATAMENTO MAIS INDICADO PARA A GOTA?

Como normalmente, as crises de Gota são acompanhadas de diversas manifestações, o ideal seria que o paciente fosse acompanhado por uma equipe multidisciplinar.

O tratamento visa predominantemente à resolução da crise aguda e à normalização dos níveis plasmáticos de ácido úrico. Assim, o tratamento concentra-se basicamente no uso de medicações e controle alimentar das fontes de purina. Lembro ainda, que a medicação adequada só deve ser prescrita pelo médico que acompanha o caso. Evite a auto-medicação. Além disso, todas as propostas apontadas para o tratamento do paciente, devem ser seguidas à risca.

QUE CUIDADOS PODEM SER TOMADOS PARA MANTER UMA VIDA SAUDÁVEL?

Alguns fatores merecem atenção para que o portador da doença tenha uma vida mais saudável e sem crises.

Abaixo, aponto os principais:

Seguir corretamente o tratamento proposto (medicamentoso e dietoterápico) para prevenir crises futuras.
Procurar manter uma dieta equilibrada, evitando-se principalmente os alimentos ricos em purina, tais como: carne vermelha, peixes e aves, frutos do mar, miúdos, leguminosas e bebidas fermentadas.
Praticar exercícios físicos regularmente, preferencialmente sob auxílio de um profissional capacitado.
Consumir água em quantidades adequadas, aumentando a ingestão se necessário. O consumo adequado de líquidos facilita a excreção do ácido úrico.
Consumir alimentos ricos em proteínas moderadamente e evitar o consumo de alimentos gordurosos.
Tratar as doenças associadas quando houverem, tais como a hipertensão arterial, obesidade, diabetes, etc.
Visitar regularmente o médico e buscar auxílio nutricional.

Fonte: www.sanavita.com.br

Gota

O que é a Gota?

A gota é uma forma de artrite que causa episódios súbitos e graves de dor, sensibilidade, rubor, calor e tumefação das articulações.

Afeta em geral uma articulação em cada vez, com freqüência a articulação maior do dedo grande do pé, quando então se chama podagra. Pode afetar também outras articulações, como as do joelho, tornozelo, pé, mão, punho e cotovelo.

A gota em geral não "passa" de uma articulação para outra. Quem tem gota em uma articulação não vai necessariamente tê-la em outra.

A dor e a tumefação da gota são causadas por cristais de ácido úrico depositados na articulação. O ácido úrico é uma substância que se forma normalmente quando o organismo decompõe produtos de excreção denominados purinas.

O ácido úrico em geral dissolve-se no sangue e passa para a urina através dos rins.

Na pessoa com gota, os níveis de ácido úrico no sangue ficam tão altos que se formam cristais de ácido úrico, que se depositam nas articulações e em outros tecidos, causando inflamação do revestimento da articulação (sinóvia).

A gota ocorre geralmente em três fases:

Dor e tumefação súbitas na articulação, que em geral cessam ao cabo de 5 a 10 dias
Um período sem sintoma algum, porém podendo ser seguido de outros episódios agudos graves
Após alguns anos, sem nenhum tratamento, podem ocorrer tumefação e rigidez persistentes, com dor leve a moderada, em uma ou mais articulações

A gota pode afetar as pessoas de diferentes formas. Algumas pessoas têm um episódio e podem nunca mais vir a ter outros problemas articulares.

Outras têm episódios dolorosos freqüentes, que podem evoluir para rigidez e lesão persistentes das articulações.

A gota pode ser controlada e até prevenida com medicações. O tratamento apropriado pode ajudar a evitar inteiramente os episódios agudos e a lesão articular de longo prazo.

Episódios Agudos

Em geral os episódios de gota desenrolam-se com muita rapidez. O primeiro ataque de gota ocorre freqüentemente à noite. Você pode ir para a cama sentindo-se bem, para então acordar no meio da noite com intensa dor articular.

Podem-se observar durante um episódio:

Dor e tumefação articulares súbitas e graves
Pele lustrosa avermelhada ou violácea ao redor da articulação
Extrema sensibilidade na área da articulação

No início, os episódios são em geral poucos e bem espaçados, durando tipicamente uma semana ou menos e desaparecendo completamente. Se a doença não for controlada pela medicação, podem ocorrer episódios mais freqüentes e com duração mais prolongada. Os episódios repetidos podem lesar a(s) articulação(ões) afetada(s). Se suas articulações tiverem sido lesadas, podem ocorrer rigidez e limitação de movimentos após um episódio.

Um episódio de gota pode ser desencadeado por:

Traumatismos articulares
Ingestão excessiva de álcool
Cirurgias
Uso de determinados diuréticos
Doenças graves e súbitas
Dietas de impacto
Quimioterapia
Ingestão excessiva de certos alimentos

Formação dos Tofos

Após vários anos, os cristais de ácido úrico podem acumular-se na articulação e nos tecidos circunjacentes, formando grandes depósitos denominados tofos, que têm o aspecto de caroços debaixo da pele. Os tofos são encontrados com freqüência ao redor das articulações afetadas por ataques de gota anteriores, em cima dos dedos das mãos e dos pés e na borda externa da orelha.

Outros Problemas

Os cristais de ácido úrico podem formar pedras nos rins, nos ureteres (tubos que ligam os rins com a bexiga), ou na própria bexiga. Vários fatores podem permitir a formação desses depósitos. Podem ocorrer depósitos quando você não bebe a quantidade de líquidos suficientes para que a urina possa dissolver todo o ácido úrico. Podem também formar-se depósitos em decorrência de anormalidades metabólicas, como, por exemplo, a incapacidade do organismo de tornar a urina menos ácida.

A gota pode associar-se com a pressão arterial alta ou com as doenças renais. Como esses problemas podem levar os rins a funcionarem mal, seu médico pesquisará se há complicações e as tratará quando presentes.

CAUSAS DA GOTA

Quase todas as pessoas com gota têm níveis aumentados de ácido úrico no sangue (hiperuricemia). Há muitas pessoas, porém, que têm hiperuricemia mas não têm gota.

A hiperuricemia é causada por uma das situações seguintes, ou por ambas:

Os rins não conseguem livrar-se do ácido úrico com rapidez suficiente.
O organismo produz ácido úrico demais.
O uso de certos diuréticos pode causar hiperuricemia.
Utilizam-se os diuréticos para livrar o organismo do excesso de líquidos e para diminuir a pressão arterial. Os diuréticos, entretanto, podem comprometer a capacidade dos rins de eliminar o ácido úrico, aumentando desse modo os níveis de ácido úrico no sangue.
Podem também desempenhar papel importante na hiperuricemia e na gota as características hereditárias e fatores como dieta, peso e uso de álcool.

QUEM CONTRAI GOTA?

A gota afeta aproximadamente 2,1 milhões de americanos. Pode ocorrer em qualquer idade, mas tipicamente afeta homens na faixa dos 40 a 50 anos de idade.

Antes acreditava-se incorretamente ser a gota doença de abastados, já que parecia ser causada pela ingestão de alimentos substanciosos e de excesso de álcool.

Muito embora tenham seu papel nos episódios de gota, e como tal devem ser controlados, a dieta e o excesso de bebida não constituem a causa principal desse transtorno.

DIAGNÓSTICO

Para diagnosticar gota, seu médico o examinará e pedirá que descreva seus sintomas. O médico pode colher amostra de sangue para determinar os níveis de ácido úrico. Se seus níveis de ácido úrico no sangue estiverem elevados, isso não significa necessariamente que você tenha gota, da mesma forma que níveis normais não significam que você não tenha gota.

O médico pode colher líquido de uma articulação suspeita de estar afetada pela gota e pesquisar através do microscópio a presença de cristais de ácido úrico nesse líquido. O achado de cristais de ácido úrico no líquido articular constitui a forma mais segura de se fazer o diagnóstico da gota.

TRATAMENTO

O tratamento consiste principalmente em tomar medicamento(s) e controlar a dieta. Os objetivos são aliviar a dor, abreviar a duração da inflamação durante um episódio agudo, prevenir episódios futuros e evitar lesões nas articulações.

Medicação

O tratamento deve ser adaptado para cada pessoa e pode necessitar de alterações de tempos em tempos. As pessoas que têm hiperuricemia, mas sem outros problemas, em geral, não necessitam de medicação.

Utilizam-se as medicações para:

Aliviar a dor e a tumefação do episódio agudo
Prevenir episódios futuros
Prevenir ou tratar os tofos
Evitar cálculos de ácido úrico nos rins

Por serem todas elas potentes, é preciso entender o por quê do uso dessas drogas, quais efeitos colaterais podem ocorrer e o que fazer se surgirem problemas.

Dieta

Há muitos mitos a respeito de dieta e gota.

Eis os fatos:

1. A obesidade pode estar ligada a altos níveis de ácido úrico no sangue. Se você estiver acima do peso, estabeleça com seu médico um programa de perda de peso. Não permaneça em jejum, nem tente fazer dieta muito restritiva, pois isso pode aumentar seus níveis de ácido úrico e piorar a gota. Se não estiver acima do peso, monitore cuidadosamente sua dieta a fim de evitar ganho de peso.
2.
Em geral você pode comer o que quiser com moderação. Se tiver cálculos renais devido ao ácido úrico, pode ser necessário evitar ou limitar alimentos que aumentem os níveis de ácido úrico, como os enumerados abaixo. Converse com seu médico ou com o nutricionista a respeito dos alimentos a serem evitados.
3.
Você pode tomar café e chá, mas deve limitar a quantidade de álcool que ingere. O álcool em excesso, especialmente a cerveja, o vinho e outros podem aumentar seus níveis de ácido úrico e desencadear um episódio de gota, por isso, caso você beba, não deixe de comunicar ao seu médico.
4. Tome pelo menos 10 a 12 copos de 250 mililitros de líquido não-alcoólico por dia, especialmente se tiver cálculos renais. Isso vai ajudar a eliminar os cristais de ácido úrico do seu organismo.

ALIMENTOS A SEREM EVITADOS

Certos alimentos podem aumentar os níveis de ácido úrico. Para balancear sua dieta, consulte o nutricionista.

Pode ser necessário reduzir as quantidades ingeridas dos seguintes alimentos:

Sardinhas, anchovas e frutos do mar
Aves domésticas e carnes
Miúdos (rim, fígado)
Legumes (feijão, soja, ervilha)

Fonte: www.clinicagoldenberg.com.br

Gota

A gota é provocada por uma taxa elevada de ácido úrico no sangue (hiperuricemia) que se desenvolve sob a forma de cristais na região das articulações. Muitas pessoas possuem uma taxa elevada de ácido úrico no sangue, mas não têm a doença. Uma taxa elevada de ácido úrico no sangue é então uma condição necessária, mas não suficiente para justificar o aparecimento da gota. Ainda não se sabe por que determinadas pessoas desenvolvem a doença e outras não.

O fator genético (hereditário) parece estar muitas vezes relacionado com a origem da gota, mas determinados estilos de vida, como comer em excesso (alimentos ricos em carne,...) e muito regados a álcool pode agravar ou desencadear uma crise de gota. Outros fatores como o excesso de peso ou a tomada de determinados medicamentos (aspirina, diuréticos) podem também favorecer o aparecimento da gota.

A gota é uma doença metabólica que atinge uma (mais comum) ou mais articulações. Trata-se de um tipo de artrite. É importante observar que a gota inicia quase sempre atingindo o dedão do pé.

A gota é provocada por um depósito de ácido úrico na região articular, o que forma cristais de ácido úrico, algo considerado muito doloroso (uma das piores dores, segundo alguns pacientes).

A gota é uma doença que evolui por incidências, falamos então de crise de gota quando a dor se torna muito intensa.

A gota atinge na maior parte dos casos, os homens a partir dos 50 anos (20 vezes mais do que as mulheres). Estima-se que 1% dos homens com mais de 40 anos sofrem da doença.

Nota-se por fim, que é importante tratar bem a gota, através de medicamentos e/ou mudanças no estilo de vida, pois complicações renais como deformações articulares podem ocorrer se a doença não for bem tratada.

Sintomas da Gota

A gota, na sua fase mais aguda, é conhecida como crise de gota e apresenta os seguintes sintomas:

A crise de gota atinge as articulações, em geral a base do dedão do pé, mas pode também atingir a articulação do pé, o joelho, os dedos da mão, o pescoço, as orelhas,...
A crise de gota é extremamente dolorosa e surge de forma espontânea, geralmente durante a noite. Uma crise de gota pode durar vários dias.
A articulação afetada pela gota apresenta os sinais clássicos de uma inflamaçã pele avermelhada, dolorosa, quente e inchada. Por isso geralmente recomenda-se o uso de antiinflamatórios para o tratamento.
As crises de gota podem ocorrem uma só vez ou se repetir várias vezes (falamos então de gota crônica), por exemplo, por vários meses ou anos após a primeira crise de gota.
A gota, se não tratada corretamente, pode levar a complicações como cálculos renais, complicações renais, deformações articulares (caso mais incomum nos dias de hoje, devido ao tratamento preventivo possível à base de allopurinol).

Para tratar a gota, destacamos o tratamento da crise de gota e o tratamento preventivo da gota:

1. Tratamento da crise de gota – medicamentos para a crise de gota

Para acalmar a dolorosa crise de gota, o médico dispõe principalmente de medicamentos anti-dor ou antiinflamatórios com:

Antiinflamatórios não-esteróidais (AINES) como aqueles à base de diclofenac, a serem tomados, por exemplo, em forma de comprimidos. Evite a tomada de aspirinas no tratamento da gota, pois ela pode exercer influência sobre o ácido úrico e agravar os sintomas da gota.
A colchicina (um antigotoso), que age contra a inflamação causada pelos cristais de ácido úrico.
A cortisona, ue pode ser utilizada devido à sua ação antiinflamatória.

2. Tratamento preventivo da crise de gota

De início é aconselhado seguir determinados conselhos como uma mudança no estilo de vida (diminuição do álcool,...), para tratar a gota e limitar as futuras crises.
Se a mudança do estilo de vida não surtir efeito, existe a possibilidade de o médico prescrever um medicamento muito eficaz para evitar e limitar novas crises de gota, o allopurinol. Em geral, o médico irá instaurar um tratamento medicamentoso preventivo à base de allopurinol somente se o paciente já tiver passado por diversas crises de gota. É importante saber também que este medicamento diminui a concentração de ácido úrico no sangue, o que reduz a probabilidade de ter uma crise de gota, mas será necessário tomá-lo regularmente, pois uma vez a interrompida a terapia, a probabilidade de uma crise pode aumentar. Trata-se então de um tratamento a ser tomado em um longo prazo.

Fitoterapia

Determinas plantas medicinais, se combinadas com a terapia clássica, podem surtir um efeito positivo no tratamento da gota e no alívio das dores causadas por ela:

As folhas de urtiga, a serem utilizadas, em geral, em forma de cápsulas, infusão ou compressa. As folhas de urtiga têm um efeito interessante contra o ácido úrico (cristais responsáveis pela crise de gota. >> ver a causa).
A bétula, a ser tomada, em geral, em forma de infusão ou cápsulas.
A groselha, a ser tomada, em geral, em forma de cápsulas.
O freixo-europeu, a ser tomado, em geral, em forma de cápsulas.

Fonte: www.criasaude.com.br

Gota

1. O que é gota úrica?

Gota é uma doença articular inflamatória causada pelo depósito do monourato de sódio no tecido articular e periarticular.

2. Como é o quadro clínico da gota?

As características clínicas da artrite gotosa foram reconhecidas por Hipócrates, mas foi Galeno quem primeiro descreveu o tofo gotoso. Celsus reconheceu que a gota era doença característica dos poderosos. Garrod foi quem incluiu a gota como doença relacionada a erro do metabolismo. Em 1797, Wollaston identificou urato como o grande constituinte de um tofo. Mc Carty e Hollander descreveram a presença de cristais de monourato de sódio do fluido sinovial em pacientes com crise aguda de gota.

O ataque agudo de gota se caracteriza por ser mono ou oligoarticular, de aparecimento súbito, com preferência das articulações do hálux (podagra), demais pododáctilos, as tarsometatarsianas, tíbio-társicas, joelhos, punhos, mãos e cotovelos. A dor é de forte intensidade, obrigando o paciente a evitar contatos com qualquer objeto (o simples contato com o lençol gera dor insuportável). A duração da crise varia de horas a poucos dias, sendo na maioria das vezes curta.

3. Depois da primeira crise de gota o paciente pode ter outras crises?

Sim, Entre uma crise e outra, o paciente pode apresentar o chamado período intercrítico, em que ele permanece por meses ou até anos absolutamente assintomático sob o ponto de vista clínico. Quando mais efetivo for o tratamento inicial da crise aguda, melhor será o prognóstico em relação a futuras crises.

4. O que acontece com a taxa ácido úrico sérico durante o ataque de gota?

Durante um ataque de gota, os níveis séricos de ácido úrico geralmente diminuem, algumas vezes ficando na faixa da normalidade. Por essa razão, não podemos descartar o diagnóstico de gota quando não há hiperuricemia.

5. O gota afeta somente uma articulação?

Não, a gota poliarticular surge geralmente nos pacientes mais jovens, ocasionalmente antes das anormalidades metabólicas do ácido úrico. Vem precedida por crise de artrite monoarticular, com quadro de febre e leucocitose.

6. O quadro articular da gota é diferente no homem e na mulher?

Sim, 0s ataques de gota monoarticular ocorre preferentemente nos homens (9:1), e na artrite poliarticular a proporção é igual entre homens e mulheres.

7. O que é podagra?

Podagra é a inflamação da primeira articulação metatarsofalangina (hálux) e é a primeira manifestação clínica da gota em 75% a 90% dos casos. Embora a podagra seja mais comum em pacientes com gota, também é encontrada em outras doenças, como sarcoidose, trauma, artrite psoriática, doença de deposição de pirofosfato de cálcio ou trauma.

8. A gota existe por que a pessoa produz muito ácido úrico?

Não, noventa por cento dos pacientes com gota produzem quantidade normais de ácido úrico, mas a excreção renal está diminuída. Em apenas 10% dos casos ocorre produção aumentada de ácido úrico.

9. Como se forma o ácido úrico?

Os nucleotídeos (componentes dos ácidos nucléicos) adenina terminam em hipoxantina e a guanina é metabolizada a xantina. Essas purinas são metabolizadas pela xantina oxidase, formando o ácido úrico, um produto final exclusivo da degradação no homem. A xantina oxidase contém FAD (flávina adenina dinucleotídeo), Ferro e Molibidênio e requer oxigênio molecular como substrato. Como ácido úrico não é muito solúvel em meio aquoso, há condições clínicas nas quais níveis elevados de ácido úrico resultam em deposição de cristais de urato de sódio, principalmente, nas articulações (tofos gotosos).

10. O que pode causar aumento do ácido úrico?

A hiperuricemia pode estar ligada a outras causas não gotosas.

Torna se, portanto, necessário estabelecer o diagnóstico diferencial entre a hiperuricemia primária assintomática, seja a que precede o primeiro episódio da doença, seja a observada no período intercrítico da hiperuricemia assintomática secundária a outras situações mórbidas, como: hemopatias mieloproliferativas, anemia hemolítica, psoríase, sarcoidose, disfunção renal, intoxicação alcoólica, cetoacidose diabética, acidose láctica, doença por depósito de glicogênio tipo I, hipo e hiperparatireoidismo, hipotireoidismo, sedentarismo, jejum prolongado ou ainda utilização de drogas como salicilatos em baixas doses, diuréticos tiazíclicos, penicilina e corticosteróides.

11. Toda pessoa com ácido úrico elevado, deve ser tratada?

Não, os níveis elevados de ácido úrico não provocam falência renal e, portanto, não há justificativa para se tratar a hiperuricemia assintomática; contudo, se o paciente tem sofrido gota recorrente, os níveis de ácido úrico devem ser normalizados.

Porém, tanto na hiperuricemia assintomática primária como na secundária, deve se introduzir terapêutica quando há presença de níveis elevados de hiperuricemia, acima de 9 mg%, uma vez que estudos epidemiológicos têm demonstrado uma freqüência mais alta de complicações e associações patológicas acima deste nível.

12. O que é gota crônica tofácea?

A gota crônica tofácea é a presença de nódulos de depósito de cristais de ácido úrico no pavilhão auricular (mais frequente), mãos, bursa olecraniana, tendão de aquiles e na região ulnar do antebraço. O crescimento exagerado desses nódulos afetam o funcionamento da articulação acometida.

13. Porque aparece a gota crônica tofácea?

Um dos principais fatores do surgimento do tofo gotoso é o controle inadequado do quadro hiperuricêmico. O ácido úrico total elevado favorece a formação e precipitação de cristais de urato nos tecidos moles, articulações e anexos, rins e pavilhão auricular constituindo-se, mesmo em gotosos assintomáticos, em um estado permanente de risco, apenas minimizado por medidas destinadas a reduzir a hiperuricemia, aumentando a eliminação ou impedindo a síntese de ácido úrico.

14. Como é feita a confirmação diagnóstica de gota úrica?

O diagnóstico de gota é feito através do achado de cristais de urato monossódico, em formato de agulha, dentro das células polimorfonucleares presentes no líquido sinovial.

15. O que é a pseudo-gota?

A condrocalcinose ou pseudo gota, se deve a presença de sais de cálcio nas articulações, causando dores e alterações funcionais. Os principais sais são o pirofostato de cálcio (DPPC), a hidroxiapatita (fosfato básico de cálcio), o fosfato octacálcico e o fosfato trricálcico. O termo pseudogota refere-se à sinovite aguda ou crônica, associada aos cristais de hidrato pirofosfato de cálcio no líquido sinovial.

Condrocalcinose é o termo usado para definir a calcificação da cartilagem articular observada ao raios-X. Sua prevalência aumenta com a idade, 15% nos pacientes entre 65 e 74 anos, 44% nos pacientes acima de 84 anos. As articulações mais acometidas são joelhos 25%, sínfese púbica 15% e punho 19%.

16. Qual o papel da dieta para o paciente com gota úrica?

No seguimento clínico do gotoso, a valorização da dieta é controvertida. A melhor conduta consiste em esclarecer ao gotoso sobre risco alimentar como fator predisponente, deixando-o em liberdade vigiada para programar sua dieta, segundo suas próprias observações anteriores.

A dieta não deve se constituir em obsessão para o gotoso, nem para sua familia. Tem sua utilidade, principalmente nos casos onde se reconhece uma estreita relação de causa e efeito entre a ingestão de álcool ou determinados alimentos e a recorrência da crise. Também torna se útil quando a gota se associa a outras situações como hipertensão arterial, coronariopatia isquêrnica, hiperlipidemia e diabetes.

17. Quais os alimentos que podem contribuir para o aumento do ácido úrico?

Deve-se considerar uma prudência na ingestão de alimentos ricos em purinas como: fígado, rins, anchovas, camarões, arenque, salmão, sardinhas, carne de porco, lentilhas, feijão, frutos do mar, carne bovina, espinafre, frutas frescas e cruas, chocolate, damasco, cebola, aipo, alho, couve, couve flor e outros.

18. Quais as formas de tratameto medicamento para a gota úrica?

No tratamento medicamentoso para gota úrina podemos utilizar: 1. fármaco competidor com a xantina-oxidase; 2. Uricosúricos;

19. Como escolher a forma ideal de conduzir a escolha do fármaco a ser utilizado?

A uricosúria de 24 horas constitui o exame indispensável para definir o estado de excreção renal, hipo, normo e hiperexcretores, sendo bastante útil na escolha da droga a ser utilizada: uricosúrico ou inibidor de síntese. Esta preocupação tem como objetivo impedir a deposição de cristais no parênquima renal, quando à excreção é maior que 600 à 800 mg/dia.

20. Como funciona o competidor com a xantina-oxidade – Alopurinol?

Competidor com a xantina-oxidase – 0 alopurinol, competindo com a xantina oxidase, mostra-se bastante útil na redução da hiperuricemia, e é praticamente livre de efeitos colaterais na dose de 300mg/dia.

A correção dos níveis ácido úrico, mediante a utilização de competidores da xantina oxidase, deve obedecer aos seguintes critérios:

1. resistência nos níveis uricêmicos elevados, geralmente associados a formação de tofos e doença de evolução progressiva.
2.
formação de tofos.
3.
recidivas freqüentes não controladas pela colchicina.
4.
excreção urinária maior que 200 mg de ácido úrico nas 24 horas.
5.
evidências de lesão renal.

21. Como funcionam os uricosúricos?

Os uricosúricos atuam diminuindo a reabsorção tubular do ácido úrico (probenecida), aumentando a excreção renal e diminuindo a concentração plasmática. A benzobromarona (100 mg/dia) é o uricosúrico mais utilizado no tratamento do paciente com hiperuricemico assintomático.

Os pacientes normo ou hipoexcretores com litíase renal recidivante, ou filtração glomerular diminuída, ou clearance de creatinina inferior a 40 ml/minuto não devem usar uricosúricos, constituindo-se, portanto, em primeira opção à administração de competidores de xantina oxidase.

22. Como tratar a crise de gota?

No tratamento da crise a colchicina é o medicamento indicado. Não devendo ser utilizada nos casos dos pacientes que tenham recebido profilaxia recente com colchicina ou naqueles com diminuição da função renal ou hepática. A colchicina tem sido usada com sucesso há mais de 100 anos no tratamento da artrite aguda relacionada a gota, porém deve ser utilizada em pequenas doses, pois é freqüente os sintomas de desconforto gastrintestinais

Drogas antiinflamatórias não-esteroides (ibuprofeno, fenilbutazona, indometacina) devem ser evitadas pelo risco de diminuir ainda mais a já prejudicada taxa de filtração glomerular.

Referências

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Fonte: www.medicinageriatrica.com.br

Gota

O que é a gota?

A gota é uma doença inflamatória que acomete sobretudo as articulações e ocorre quando a taxa de ácido úrico no sangue está em níveis acima do normal (hiperuricemia).

O que causa a gota?

O aumento nas taxas de ácido úrico no sangue pode ocorrer tanto pela produção excessiva quando pela eliminação deficiente da substância.

É importante saber que nem todas as pessoas que estiverem com a taxa de ácido úrico elevada (hiperucemia) desenvolverão a gota.

A maioria dos portadores de gota é composta por homens adultos com maior incidência entre 40 e 50 anos e, principalmente em indivíduos com sobrepeso ou obesos, com vida sedentária e usuários de bebidas alcoólicas com freqüência.

As mulheres raramente desenvolvem gota antes da menopausa e geralmente tem mais de 60 anos de idade quando a desenvolvem.

Quais são os sintomas?

Com o aumento da concentração de ácido úrico no sangue, ocorre a deposição de cristais nos tecidos, principalmente nas articulações, causando inflamação e consequentemente dor e inchaço acometendo principalmente as articulações do dedão, tornozelos e joelhos.

A gota é caracterizada, inicialmente, por ataques recorrentes de artrite aguda, provocados pela precipitação, nos espaços articulares, de cristais de ácido úrico.

O quadro clássico consiste em dor que freqüentemente começa durante a madrugada e é intensa o suficiente para despertar o paciente.

Embora qualquer articulação possa ser afetada, sobretudo as dos membros inferiores, o hálux (dedão) é a articulação mais frequentemente envolvida na primeira crise.

Além da dor a articulação comumente apresenta-se inflamada com presença de calor, rubor (vermelhidão) e inchaço.

Também pode haver formação de cálculos, produzindo cólicas renais e depósitos de cristais de ácido úrico debaixo da pele, formando protuberâncias localizadas nos dedos, cotovelos, joelhos, pés e orelhas (tofos).

O que pode desencadear as crises de gota?

Alguns fatores podem desencadear uma crise de gota em pessoas hiperuricêmicas como ingestão de álcool, principalmente vinho tinto e cerveja, dieta rica em determinados tipos de alimentos (ricos em purina), trauma físico, cirurgias, quimioterapia e uso de diurético.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da gota é feito sobretudo após um história clínica bem feita asssociada aos exames mostrando níveis elevados de ácido úrico no sangue. Outros exames podem ser solicitados como radiografias e dosagem de ácido úrico na urina.

Qual é o tratamento?

Não há cura definitiva para a gota.

O tratamento visa diminuir a dor e inflamação nas crises agudas e a correção da hiperuricemia subjacente com o objetivo de prevenir episódios futuros e evitar lesões nas articulações.

É necessário evitar os fatores desencadeantes ou que propiciam a formação de ácido úrico, além de um aumento na ingestão de líquidos para otimizar a taxa de fluxo urinário.

A crise aguda de gota pode ser controlada com o uso de colchicina, antiinflamatórios ou a associação de ambos com alívio em geral após 2 horas da dose inicial.

Essas medicações devem ser usadas sempre sob prescrição médica e com cautela em pacientes com insuficiência renal, hipertensão, ulceração péptica ou gastrite. Medicações com objetivo específico de diminuir os níveis de ácido úrico também devem ser iniciadas e mantidas a longo prazo, com o cuidado de se aguardar a resolução completa da crise aguda para o seu início.

Quando a presença de tofos prejudica a função articular a retirada cirúrgica também pode ser indicada.

É importante frisar que a gota não é uma doença incapacitante e quando tratada adequadamente não interfere na qualidade de vida.

E se eu não tratar?

Sem tratamento as crises leves geralmente desaparecem depois de um ou dois dias, enquanto as crises mais graves evoluem rapidamente para uma dor crescente em algumas horas e podem permanecer nesse nível durante uma semana ou mais.

O desaparecimento completo dos sintomas pode levar várias semanas. Após a primeira crise em geral o paciente volta a levar uma vida normal, o que geralmente faz com que ele não procure ajuda médica imediata.

Uma nova crise pode surgir em meses ou anos e a mesma ou outras articulações. Sem tratamento, o intervalo entre as crises tende a diminuir e a intensidade a aumentar. O paciente que não se trata pode ter suas articulações deformadas e ainda apresentar depósitos de cristais de monourato de sódio em cartilagens, tendões, articulações e bursas.

Recomendações para os portadores de gota:

Evitar o consumo de frutos do mar, sardinha, miúdos (rim e fígado), excesso de carne vermelha e pele de aves quando os níveis de ácido úrico estiverem altos porque você pode desencadear uma crise. Sob tratamento, esses alimentos podem ser ingeridos sem exagero
O consumo de bebidas alcoólicas também pode ser feito sem exageros quando os níveis de ácido úrico estiverem controlados
Evitar uma dieta hipercalórica, pois leva à obesidade que é um fator de risco para os portadores de gota além do excesso de peso sobrecarregar as articulações inflamadas
Aumentar a ingesta hídrica
Procure o tratamento e acompanhamento médico adequado caso haja doenças associadas como hipertensão arterial, diabetes, etc.

Fonte: www.reumatologia.com.br

Gota

A artrite gotosa tem sido descrita desde a época de Hipócrates, no século V a.C. O termo "gota" vem do latim - "gutta" - e traduz o conceito humoral, segundo o qual haveria, nesta enfermidade, um gotejar de humores, de uma a outra parte do corpo.

A gota era conhecida como " a doença dos reis", devido à sua associação com consumo de alimentos finos e álcool.

A primeira teoria patogênica da gota é dada pelos gregos, ao interpretarem esta entidade como uma desordem humoral. Para eles, os humores, denominados de "phlegme" ou catarro, teriam origem encefálica e, na gota, localizavam-se ao nível da articulação afetada.

O "humorismo" adquiriu novas características com Paracelso, em virtude de este autor considerar a gota como resultante de um humor específico. Para ele, esta afecção era conseqüência da passagem de um humor característico do sangue para as articulações, onde se localizava. Este humor foi chamado de "tartarus", e seria resultante da má digestão.

A relação entre a gota e o excesso de ácido úrico circulante é conhecida desde o século XIX, mas somente com o entendimento sobre a bioquímica da produção de ácido úrico pelo organismo, por volta de 1960, é que foi encontrada uma terapia efetiva para a doença.

Metabolismo Normal

Os organismos vivos contêm um conjunto de instruções que especificam cada etapa necessária para o organismo construir uma réplica de si mesmo. A informação necessária reside no material genético, ou genoma, de um organismo. O genoma é composto de ácido desoxirribonucléico (DNA) nos organismos vivos; entretanto, alguns genomas virais são compostos de RNA.

Os ácidos nucléicos consistem em polímeros de nucleotídeos. Os nucleotídeos são compostos de um açúcar, uma base fraca e pelo menos um grupamento fosfato. As bases encontradas nos nucleotídeos são púricas ou pirimídicas. Uma pirimidina é um composto heterocíclico que contém quatro átomos de carbono e dois de nitrogênio. Uma purina é uma estrutura bicíclica que consiste em uma piridina fundida a um anel imidazólico. As prinicipais pirimidinas encontradas nos nucleotídeos são uracila, timina e citosina. As principais purinas são adenina e guanina.

Nucleotídeo

Os nucleotídeos participam de importantes etapas do metabolismo, tais como fornecimento de energia, funcionam como agentes de fosforilações (ATP), mediadores fisiológicos (AMPc), componentes de co-enzimas (NAD +, NADP+, FAD, CoA) e intermediários ativados (UDP-glicose, UDP-galactose). Além disso, sua degradação produz precursores de vitaminas e alcalóides (derivados de xantina).

A hidrólise dos ácidos nucléicos, que ocorre no duodeno, é realizada por enzimas específicas chamadas DNases e RNases, e resulta em mononucleotídeos.

Estes, por sua vez, sofrem a ação de fosfatases, que os quebram em bPO4- e nucleosídeos (um açúcar ligado a uma base nitrogenada). Finalmente, os nucleosídeos são quebrados por nucleosidases, resultando em bases púricas e pirimídicas e açúcares D-ribose e D-desoxirribose.

Os nucleotídeos derivados da hidrólise dos ácidos nucléicos são catabolisados, formando açúcares, fosfato e bases púricas e pirimídicas. No homem e nos primatas, as bases púricas são catabolisadas a ácido úrico. As bases pirimídicas são catabolisadas a CO2 e e NH3.

A biossíntese (síntese pelo organismo) de nucleotídeos purínicos ocorre a partir de precursores simples como a ribose - 5P, aspartato e glicina, já a de nucleotídeos pirimídicos utiliza Nb, CO2, aspartato e ribose-5P. Há uma interação entre as biossínteses das diferentes bases nitrogenadas, onde a síntese de bases púricas regula a síntese de bases pirimídicas. (ver representação). Essa capacidade de catalisar a formação de nucleotídeos pela via "de novo" assegura uma independência das fontes dietéticas (alimentares).

Nos casos de pacientes com gota, há um desvio no metabolismo das bases púricas (ver representação), que leva 'a grande produção de ácido úrico. O desvio pode ser derivado de vários fatores, sendo o mais comum um problema na enzima aminotransferase. Esta enzima é alostérica (sofre regulação) e é importante na biossíntese de nucleotídeos púricos, e no caso da gota, ela não é mais inibida pela produção de AMP e pelo GMP. Conseqüentemente há excesso de nucleotídeos, o que leva o organismo a catabolizá-las (destrui-las), produzindo grandes quantidades de ácido úrico circulante.

A Doença

A gota é caracterizada, inicialmente, por ataques recorrentes de artrite aguda, provocados pela precipitação, nos espaços articulares, de cristais de urato monossódico provenientes dos fluidos corporais supersaturados. Os ataques dolorosos são repetidos e a situação tende a se cronificar, caso esse processo não seja controlado, havendo então a possibilidade de deformação das articulações. A agressão constante das articulações pelos cristais de uratofaz com que ocorram focos inflamatórios conhecidos como tofos. As lesões das articulacões podem fazer com que elas tornem-se funcionalmente incapazes com o passar do tempo. Podem ocorrer também depósitos de uratos em outros tecidos, como, por exemplo, cápsulas articulares, o tecido pericondral, a bolsa sinovial, e as válvulas cardíacas.

Os pacientes com gota, ou excesso de ácido úrico podem evoluir para um quadro de insuficiência renal. Isto se deve ao fato de que este orgão é uma das vias de eliminação do ácido úrico.Os problemas renais decorrem da maior possibilidade de formação de cálculos de urato, prejudicando o seu funcionamento.

Freqüentemente ocorre uma hipertensão concomitante, por razões desconhecidas. Embora a hiperuricemia (alta concentração de ácido úrico circulante) seja fundamental para todas essas alterações teciduais, ela não é a única determinante. Portanto deve-se fazer uma distinção clara entre a hiperuricemia, que é uma anomalia química, e a gota, que é uma doença. Um nível plasmático de uratos acima de 7 mg/dL é considerado elevado, visto que excede o valor de saturação para o urato a 37°C e pH 7,4. Por essa definição, 2 a 18% da população do mundo ocidental apresentam hiperuricemia, mas a freqüência de gota varia de 0,13 a 0,37%.

O motivo pelo qual alguns pacientes com taxas elevadas de ácido úrico desenvolvem os sintomas clássicos da artrite gotosa, enquanto que outros, por razões diversas, também apresentando taxas elevadas, não desenvolvem a doença ainda é desconhecido.

CLASSIFICAÇÃO

A gota é classificada em dois grandes grupos: primária e secundária

A gota primária é um distúrbio genético, no qual o defeito bioquímico básico que produz a hiperuricemia é desconhecido ou, quando conhecido, a principal manifestação do defeito é a gota. Aproximadamente 90% de todos os casos de gota são primários e, visto que o defeito metabólico não é conhecido em sua maioria, eles são denominados de gota idiopática primária. Individualmente, raros são os casos de gota primária devido a erros bem definidos do metabolismo, como a deficiência parcial de hipoxantina-guanina fosforribosiltransferase (HGPRT) - a enzima que catalisa a síntese de recuperação de IMP e GMP -, a atividade aumentada de PP-ribose-P sintetase ou a deficiência na modulação da aminotransferase.

A gota secundária, por outro lado, se refere aos casos em que a hiperuricemia é secundária a algum outro distúrbio, como a excessiva desintegração de células ou alguma forma de doença renal. Também estão incluídos nessa categoria certas doenças genéticas bem definidas como a síndrome de Lesch-Nyhan e a doença do armazenamento de glicogênio do tipo I, na qual a gota não é a manifestação clínica principal ou de apresentação. A gota secundária responde por apenas 5 a 10% de todos os casos.

INCIDÊNCIA

A gota primária é uma doença familiar que aparece predominantemente em indivíduos do sexo masculino (aproximadamente 95% dos casos). As mulheres afetadas são quase sempre pós-menopáusicas, presumivelmente devido às concentrações normalmente baixas de urato sérico durante o período de reprodução.

A gota é rara em crianças e, quando encontrada neste grupo etário está usualmente associada a um erro metabólico bem definido. A maneira de transmissão da gota primária idiopática é pouco compreendida e, na realidade, tendo em vista o grande número de erros metabólicos que podem levar à hiperuricemia, é provável a existência de muitas variantes genotípicas.

A herança multifatorial, com comprometimento de diversos genes e a ação de fatores ambientais (por exemplo, álcool, dieta e medicamentos) parece ser o modo mais provável de transmissão da doença idiopática primária. Até 25% dos parentes consangüineos assintomáticos de um paciente com gota familiar podem apresentar hiperuricemia.

Patogenia

A patogenia da gota é a patogenia da hiperuricemia. Existem muitas causas de aumento do nível de ácido úrico nos líquidos orgânicos e a gota tem, portanto, muitas origens. Seria mais exato dizer que a gota é uma constelação de síndromes hiperuricêmicas. Algumas resultam da superprodução de ácido úrico, outras da retenção de ácido úrico por causa de alguma anomalia renal e muitas devido à associação de ambos.

Na gota em que a causa não é detectada, estudos demonstraram que uma inabilidade renal em excretar o ácido úrico quase sempre está presente. Isto foi comprovado em diversos estudos populacionais, e neles foi constatada alteração na função renal.

O aumento da produção de ácido úrico pode também ser a causa da moléstia. Isto também foi observado em 25% dos pacientes em que não se detectou a causa da gota. Em muitos destes casos, o que não funciona bem são as enzimas que participam dos processos metabólicos do ácido úrico. Como exemplo, a enzima hipoxantina-guanina-fosforibosil-transferase. Outro fator bem demonstrado como indutor do aumento do ácido úrico é o excesso de bebidas alcoólicas.O álcool causa desidratação, que favorece a precipitação de uratos.

Os estudos metabólicos indicam que aproximadamente 70% dos pacientes com gota primária têm uma síntese aumentada de ácido úrico. Apesar da superprodução de ácido úrico, sua excreção urinária é normal (580 a 600 mg por dia) em 85 a 90% dos pacientes sob uma dieta livre de purinas.

Entretanto a excreção urinária normal em face de hiperuricemia pode refletir um estado de subexcreção relativa de ácido úrico nesses pacientes.

Observa-se uma excreção urinária aumentada (superior a 600 mg por dia) em apenas 10 a 15% dos superprodutores.

Aproximadamente um terço de todos os pacientes com gota primária nã revela qualquer sinal de síntese aumentada de ácido úrico. Nesse grupo, a hiperuricemia parece ser um resultado direto de alguma anomalia renal primária que prejudica seletivamente a excreção até de quantidades normais de ácido úrico.

Gota
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CORRELAÇÃO CLÍNICA

A história natural da gota desenvolve-se através de três fases clínicas bem definidas:

Hiperuricemia assintomática.
Ataques recorrentes de artrite gotosa aguda, intercalados com períodos assintomáticos (intercríticos).
Artrite gotosa crônica

Um longo período de hiperuricemia assintomática quase sempre precede o primeiro ataque de artrite aguda. Muitos pacientes hiperuricêmicos nunca desenvolvem gota sintomática.

A possibilidade de desenvolvimento da doença está correlacionada tanto com a duração quanto com o nível de hiperuricemia. Estudos a longo prazo indicam que os pacientes que desenvolvem a gota, mais comumente na quinta ou na sexta décadas da vida, em geral apresentaram níveis anormais de ácido úrico no sangue desde a puberdade no homem e desde a menopausa na mulher.

Tratamento

Várias modalidades terapêuticas podem ser utilizadas para tratar as crises de gota:

1- Colchicina
2- Alopurinol
3- Agentes Uricosúricos

Colchicina      

A colchicina, embora esteja associada a uma freqüência alta de efeitos tóxicos, é particularmente eficaz na gota, talvez em virtude do seu efeito sobre a motilidade dos granulócitos.

Trata-se de um agente antiinflamatório único porque é muito eficaz apenas na artrite gotosa. Esse medicamento proporciona alívio rápido das crises agudas de gota e é um agente profilático útil para essas crises.

O efeito antiinflamatório da colchicina na artrite gotosa aguda é relativemente seletivo para esta doença e é eficaz apenas em alguns casos nos outros tipos de artrite.

A colchicina é um agente anti-mitótico utilizado amplamente como substância experimental para estudar a divisão e a função celulares. Ela não influencia a excreção renal de ácido úrico ou a sua concentração no sangue.

Em virtude de se ligar à tubulina, a colchicina interfere com a função dos fusos mitóticos e causa a despolimerização e desaparecimento dos microtúbulos fibrilares dos granulócitos e outras células móveis, fazendo com que a migração dos granulócitos para a  região inflamada seja inibida e haja redução das atividades metabólica e fagocitária dessas células. Isso reduz a liberação do ácido láctico e de enzimas pró-inflamatórias, que ocorre durante a fagocitose, rompendo o ciclo que resulta na resposta inflamatória.

Os neutrófilos expostos aos cristais de urato os ingerem e produzem uma glicoproteína que pode ser o agente etiológico da artrite gotosa aguda. Quando injetada nas articulações, essa substância produz artrite profunda que, sob o ponto de vista histológico, não se iferencia daquela causada pela injeção direta dos cristais de urato. A colchicina parece impedir a produção dessa glicoproteína pelos leucócitos.

Efeito sobre a divisão celular:

A colchicina pode interromper a divisão das células animais e vegetais in vitro e in vivo. A mitose é interrompida na metáfase, devido à impossibilidade de formar fusos.

Crises agudas:

Quando a colchicina for administrada dentro das primeiras horas, após o início de uma crise, menos de 5% dos pacientes não conseguirão obter alívio. A dor, o edema e o eritema regridem dentro de 12 horas e desaparecem dentro de 48 a 72 horas.

Profilaxia:

Para pacientes com gota crônica, a colchicina tem atividade comprovada como agente profilático. A medicação profilática também está indicada no início do tratamento prolongado com alopurinol, já que as crises agudas freqüentemente são mais comuns durante os primeiros meses do tratamento.

Alopurinol

O alopurinol (ver fórmula estrutural abaixo) é um inibidor seletivo das etapas terminais da bissíntese de ácido úrico. Ele é eficaz no tratamento da hiperuricemia primária da gota e secundária aos didtúrbios hematológicos ou terapia antineoplásica. Ao contrário dos agentes uricosúricos, que aumentam a excreção renal do urato, o alopurinol inibe as etapas finais da bissíntese do ácido úrico. Como a produção excessiva desse composto é um fator contribuinte na maioria dos pacientes com gota e uma característica de muitos tipos de hiperuricemia secundária, o alopurinol constitui uma abordagem terapêutica racional.

Alopurinol

O alopurinol e seu metabólito principal, a aloxantina (oxipurinol), são inibidores da xantina oxidase. A inibição dessa enzima é responsável pelos principais efeitos farmacológicos do alopurinol.

Em seres humanos, o ácido úrico é produzido principalmente pela oxidação da hipoxantina e da xantina, catalisada pela xantina oxidase.

Em concentrações reduzidas, o alopurinol é um substrato e inibidor competitivo desta enzima; a produção deste composto, junto com sua permanência longa nos tecidos, é responsável por grande parte da atividade farmacológica do alopurinol. A inibição da biossíntese do ácido úrico reduz sua concentração plasmática e a excreção renal dos precursores mais solúveis das oxipurinas.

Na ausência do alopurinol, o teor urinário das purinas é constituído quase unicamente pelo ácido úrico. Durante o tratamento com este medicamento, as purinas urinárias são divididas entre hipoxsntinas, xantina e ácido úrico. Como cada um deles tem sua solubilidade independente, a concentração do ácido úrico no plasma é reduzida sem expor o aparelho urinário a uma carga excessiva de ácido úrico e aumentar a probabilidade de formação dos cálculos.

Na gota, o alopurinol geralmente é utilizado nas formas crônicas graves caracterizadas por uma ou mais das seguintes anormalidades: nefropatia gotosa, depósitos tofáceos, cálculos renais de urato, redução da função renal ou hiperuricemia de difícil controle com medicamentos uricosúricos.

A ingestão de líquidos deve ser suficiente para manter o volume urinário acima de 2 litros e a alcalinidade suave da urina é recomendada.

O alopurinol é bem tolerado pela maioria dos pacientes. Os efeitos colaterais mais comuns são reações de hipersensibilidade.

As crises de gota aguda podem ocorrer com mais freqüência durante os primeiros meses de tratamento com alopurinol, e em alguns casos é necessário utilizar a colchicina profilaticamente.

Agentes Uricosúricos

Os agentes uricosúricos são medicamentos que aumentam a excreção do ácido úrico e, desta forma, reduzem suas concentrações plasmáticas.     

O efeito paradoxal dos agentes uricosúricos refere-se ao fato de que, dependendo da dose, o medicamento pode causar aumento ou redução da excreção de ácido úrico.

Em geral a redução da excreção ocorre em doses pequenas, enquanto o aumento é observado com doses maiores.

Dois mecanismos foram propostos para a redução da excreção de uratos induzida pelo agente uricosúrico. O primeiro propõe que o movimento secretor pequeno do urato seja mediado por um mecanismo que parece ser extremamente sensível às concentrações pequenas dos compostos como os salicinatos. As concentrações mais altas podem inibir a reabsorção do urato da forma habitual.

A segunda hipótese sugere que o medicamento aniônico que retém o urato tenha acesso ao líquido intracelular por um mecanismo independente e facilite a reabsorção do urato através da orla em escova pela permuta aniônica.

Existem muitos compostos que possuem atividade uricosúrica, porém apenas alguns são prescritos com este objetivo.

Em todos os casos, o composto ativo provavelmente é um medicamento ou metabólito aniônico. Exemplo: probenecida, sulfimpirazona.

A administração oral prolongada aos pacientes com gota tofácea praticamente duplica a excreção diária de uratos, impede a formação de novos tofos e leva à regressão gradativa ou mesmo ao desaparecimento dos antigos.

Fontes dietéticas de purinas contribuem pouco para a causa da doença.

Recomendações para pacientes gotosos:

Eliminar alimentos ricos em purinas
Evitar situação de jejum (hipoglicemia)
Evitar desidratação
Não consumir bebidas alcoólicas, pois elas levam à desidratação

Bibliografia

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Fonte: www.virtual.epm.br

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