Em janeiro de 1978, Geisel passou quatro dias no México em visita oficial que resultou em um comunicado conjunto em defesa de uma nova ordem econômica internacional, do desarmamento e da soberania plena de cada país sobre seus recursos econômicos. Nessa viagem, o presidente brasileiro se referiu às divergências com os Estados Unidos, afirmando que se devia procurar aumentar a integração deste país com o conjunto da América. Pouco depois, Geisel visitou o Uruguai e, no início de março, foi à Alemanha, reafirmando a disposição de levar à frente o programa nuclear.
No final desse mês, o presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, visitou o Brasil, onde se encontrou com religiosos, jornalistas, advogados e outros representantes de setores que lutavam pelos direitos humanos no país. A recepção oficial ao visitante foi fria e o comunicado conjunto aprovado deixava clara a existência de divergências entre os dois governos em relação à política de direitos humanos e ao Acordo Nuclear Brasil-Alemanha. Carter reafirmou seu compromisso "com a promoção dos direitos humanos e das liberdades democráticas como fundamento do processo de construção de um mundo melhor", enquanto Geisel defendeu "o papel essencial do desenvolvimento econômico, social e político para que se alcance progresso nessa área".
O último contato direto de Geisel com chefes de Estado estrangeiros ocorreu durante a visita ao Brasil do presidente da França, Valéry Giscard d'Estaing, em 5 de outubro de 1978. Na ocasião, foram assinados vários acordos, inclusive o de cooperação no projeto de construção da usina termoelétrica de Candiota (RS).
Petróleo, energia e insumos básicos foram os setores que receberam maiores somas de investimento estatal durante o governo Geisel. A potência instalada de energia elétrica cresceu 65%, as reservas conhecidas de petróleo aumentaram 44%, a capacidade nacional de refino aumentou 73%. No campo dos insumos básicos, a produção de lingotes de ferro cresceu 70%, a de alumínio 78%, a de zinco 111%, a de chumbo 38%, a de produtos petroquímicos 117%, a de fertilizantes fosfatados 305%, a de soda cáustica 174%, a de ácido sulfúrico 77%, a de cloro 176% e a de celulose 83%. Mesmo assim, o país continuou dependendo de importar parte significativa dos insumos básicos necessários.
O produto agropecuário cresceu 26% entre 1973 e 1978, contra um incremento de 46% no produto industrial no mesmo período. Segundo a revista Visão em março de 1979, os principais problemas apresentados pelo setor agrícola ao fim do governo Geisel eram o endividamento excessivo e a incapacidade de responder simultaneamente às necessidades dos mercados interno e externo. No setor de transportes, foram implantados 7.950km de rodovias e 1.140km de ferrovias, permanecendo portanto a tradicional ênfase no transporte rodoviário.
Os principais problemas de economia em fins de 1978 continuavam sendo o crescimento da taxa de inflação, então situada em 42%, e da dívida externa de 42 bilhões de dólares. Prosseguiu também o processo de concentração de renda verificado pelo censo de 1970, com um aumento de 14% na participação do decil mais rico da população na renda nacional. Apesar de investir mais recursos em educação do que os governos anteriores, a administração de Geisel não conseguiu universalizar o ensino de primeiro grau, implantar em escala suficiente o ensino profissional no segundo grau e resolver as graves deficiências na qualidade da educação ministrada.
A última medida política de grande impacto do seu governo foi a extinção do AI-5, decretada em 31 de dezembro de 1978, confirmando a disposição de Geisel, declarada em entrevista à Folha de S. Paulo ao se completarem os dez anos do início de seu mandato, em revogar todos os atos institucionais até o final de seu mandato.
Em 15 de março de 1979, o general Figueiredo assumiu a presidência, dando continuidade à política de "distensão lenta, gradual e segura" inaugurada por seu antecessor.
No período seguinte, Geisel passou a evitar pronunciamentos públicos. Após um período de descanso em seu sítio de Teresópolis (RJ) durante o período que passou na presidência, dedicou-se a atividades na iniciativa privada, mantendo discreta atuação política junto com seus antigos colaboradores. Seu nome foi inicialmente incluído na lista de convocados para prestar depoimento perante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que averiguava as atividades da Petrobras, sendo em seguida retirado por iniciativa do deputado Prisco Viana, secretário-geral da Arena. Com a extinção do bipartidarismo e a reorganização partidária subseqüente, Geisel tornou-se fundador do Partido Democrático Social (PDS), nova agremiação governista.
Em junho de 1980, assumiu a presidência de uma empresa privada na área de química fina, a Norquisa, criada por um grupo de seus antigos colaboradores e funcionários na Petrobras. O capital principal da Norquisa resultara de ações da Companhia Petroquímica do Nordeste (Copene), conglomerado de empresas estatais e privadas nacionais e estrangeiras, cujo conselho de administração também presidiu.
Pouco depois, começou a romper seu isolamento e até o final da década de 1980 ocuparia um papel importante no cenário político, com suas opiniões e posicionamentos em torno dos principais temas suscitados pelo processo de transição democrática, deflagrado em seu governo.
Uma de suas primeiras aparições públicas neste período deu-se em fevereiro de 1983, quando compareceu à inauguração do pólo petroquímico do Rio Grande do Sul, cuja implantação foi decidida durante o seu governo. Na ocasião, concedeu entrevista a O Estado de S. Paulo e ao Jornal da Tarde, responsabilizando as altas taxas de juros cobradas internamente pela crise econômica do país.
Em maio desse ano, como o primeiro ex-presidente do regime militar a prestar depoimento à Justiça, foi arrolado como testemunha de defesa do advogado Valter Amaral, que estava sendo processado pelo então deputado Paulo Maluf, a quem acusara de enriquecimento ilícito por intermediar, quando governador de São Paulo, empréstimos do BNDE à Fiação e Tecelagem Lutfalla, pertencente à família de sua esposa, Sílvia Lutfalla Maluf. Em seu depoimento, Geisel afirmou ignorar que Maluf tivesse usado seu prestígio político ou pessoal para obter os empréstimos do governo, apesar de, como presidente da República, ter tido conhecimento das irregularidades que levaram ao seqüestro de bens da empresa e de seus diretores para ressarcimento de dívidas com o Tesouro Nacional, culminando com a morte do sogro de Maluf, Fuad Lutfalla, sete dias depois do confisco.
Ainda em maio desse ano, Geisel foi tema de reportagem de capa do caderno especial do Jornal do Brasil sobre os caminhos da sucessão presidencial de 1985, que ainda seriam decididos indiretamente pelo Colégio Eleitoral. O título da reportagem, "Geisel, um eleitor de respeito", dava a dimensão da importância de quem, "sem assento no governo, na Câmara, no Senado, nas assembléias legislativas ou no diretório nacional de qualquer partido", teria influência marcante sobre a escolha do futuro presidente da República. O Jornal do Brasil demonstrou o poder multiplicador das idéias do ex-presidente, que recebia regularmente no sítio de Teresópolis, onde passara a residir, ou no Rio de Janeiro, em seu gabinete da Norquisa, "uma seleta relação de personagens" da vida política nacional, composta de políticos, militares, governadores e ex-governadores, ministros de Estado, empresários. Geisel também conversava e tinha ascendência sobre "uma boa penca de presidenciáveis", como Aureliano Chaves, Marco Maciel, Antônio Carlos Magalhães, Hélio Beltrão e José Costa Cavalcanti, sendo procurado até pelos postulantes já declarados ao cargo, como Paulo Maluf e Mário Andreazza, cujas candidaturas não apoiava nem estimulava.
Ainda segundo a reportagem, Geisel já conversara sobre a sucessão com o próprio Figueiredo, recusando-se, no entanto, a assumir o apoio a qualquer candidato, papel que atribuía exclusivamente ao presidente. Apesar disso, várias fontes consideravam não haver dúvidas de que o candidato que Geisel preferia ver lançado pelo PDS era Aureliano Chaves, que tinha governado o estado de Minas Gerais durante seu mandato na presidência da República e assumido a vice-presidência no governo Figueiredo, também por sua indicação. A preferência pela candidatura de Aureliano foi confirmada por Geisel em depoimento prestado em 1994 ao Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getulio Vargas (Cpdoc-FGV).
No ano seguinte, em 1984, o mesmo Jornal do Brasil revelaria que o ministro da Justiça de Geisel, Armando Falcão, teria sido portador de carta do ex-presidente apoiando a pré-candidatura de Aureliano à sucessão presidencial pelo PDS. Segundo declarações do próprio Armando Falcão, o presidente Figueiredo o autorizara a comunicar a Geisel estar convencido de que a melhor solução para o país era a candidatura de Aureliano, mas acabou se mostrando infenso à candidatura de seu vice. O apoio de Geisel, porém, não foi suficiente sequer para levar o nome de Aureliano à convenção do PDS, realizada em agosto de 1985. Derrotando Mário Andreazza, Paulo Maluf acabou sendo o candidato do partido governista no Colégio Eleitoral.
O desinteresse de Figueiredo em torno da candidatura de Aureliano evidenciava seu distanciamento em relação a Geisel, que vinha se acentuando desde a saída do general Golberi do Couto e Silva do governo em 1981, atribuída pela Folha de S. Paulo e pelo próprio Geisel, no depoimento mencionado anteriormente, principalmente a discordâncias em torno da disposição de Figueiredo em apurar o atentado ocorrido no dia 30 de abril, quando duas bombas explodiram no estacionamento do Riocentro, um espaço para eventos localizado em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, durante um show de música popular brasileira promovido pelo Centro Brasil Democrático (Cebrade) em comemoração ao Dia do Trabalho, com a presença de cerca de 20 mil pessoas. Uma das explosões ocorreu no interior de um veículo particular que manobrava no pátio de estacionamento, matando um dos seus ocupantes, o sargento Guilherme Pereira do Rosário, e ferindo gravemente o motorista, capitão Wilson Luís Chaves Machado, ambos lotados no CODI do I Exército. Rapidamente, a imprensa e a opinião pública se convenceram de que as vítimas eram os próprios terroristas, mas o general Gentil Marcondes, comandante do I Exército, divulgou a versão de que ambos cumpriam "missão de rotina" no local e determinou que o sepultamento do sargento fosse realizado com honras militares.
A crise subseqüente chegou a ameaçar a estabilidade do governo de Figueiredo e foi solucionada à base de mútuas concessões. Não houve nenhuma punição ostensiva aos militares integrantes da "linha dura" e o I Exército pôde realizar seu próprio inquérito para concluir que os dois militares haviam sido "vítimas de uma armadilha ardilosamente colocada no carro do capitão". Em compensação, não ocorreu a partir daí nenhum outro atentado terrorista significativo. Essa solução, entretanto, não agradou a todos os membros do governo. No dia 6 de agosto, alegando "divergências irreconciliáveis", o general Golberi do Couto e Silva pediu demissão da chefia do Gabinete Civil, cargo que exercia desde o início do governo Geisel e que o projetava como principal articulador do processo de distensão política. Para explicar essa atitude, a imprensa mencionou sua divergência em relação ao resultado do inquérito sobre o atentado do Riocentro e sua discordância quanto aos aumentos dos descontos salariais em favor da Previdência Social, solução adotada pelo governo para cobrir os déficits do sistema. Golberi foi substituído por João Leitão de Abreu, que exercera o cargo no governo Médici.
Outro episódio que distanciou o ex-presidente Ernesto Geisel do PDS foi a formação da Frente Liberal, integrada por dissidentes do partido governista e que em seguida passou a compor, juntamente com o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), a Aliança Democrática. Essa coligação oposicionista lançou a candidatura vitoriosa de Tancredo Neves nas eleições indiretas para a presidência da República, via Colégio Eleitoral reunido em 15 de janeiro de 1985. Contudo, Tancredo, acometido por súbita doença, não pôde tomar posse, vindo a falecer em 21 de abril, ocasião em que o vice José Sarney, presidente em exercício desde 15 de março, foi confirmado no cargo.
Geisel apoiou a criação do Partido da Frente Liberal (PFL), concretizada ainda em janeiro de 1985. Evitando, no entanto, qualquer compromisso com filiação partidária, estimulou Aureliano Chaves, segundo reportagem da Folha de S. Paulo, a assumir a liderança da nova agremiação política, que estava sendo disputada por outros dissidentes pedessistas, como Antônio Carlos Magalhães, o ministro das Comunicações do presidente Sarney. Aureliano era um dos membros do chamado "grupo Geisel" alojado no governo Sarney, tendo em vista a influência do ex-presidente sobre o governo e a presença de vários de seus amigos considerados fiéis no ministério e em cargos do segundo e terceiro escalão, como o próprio Aureliano no Ministério das Minas e Energia. Reportagem publicada pela Folha de S. Paulo incluiu também o deputado federal Prisco Viana (PMDB-BA), que fora do PDS malufista e assumiria em 1987 o Ministério da Habitação, Urbanismo e Meio Ambiente, além do ministro do Exército, general Leônidas Pires Gonçalves, e do ministro-chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI), general Ivan de Sousa Mendes, que haviam trabalhado com Geisel no Gabinete Militar do governo Castelo Branco.
Em agosto de 1985, de acordo com reportagem publicada pelo O Estado de S. Paulo, Geisel foi denunciado pelo empresário gaúcho Boris Gorentzvaig, presidente do conselho administrativo da Petroquímica Triunfo, na CPI do Senado que investigava a situação das empresas estatais, de impedir a democratização do capital e das oportunidades, impondo uma política pessoal no setor petroquímico. Segundo o empresário, Geisel havia descumprido frontalmente a lei que instituiu o II PND, favorecendo empresários e políticos como Paulo Egídio Martins, Norberto Odebrecht, Ângelo Calmon de Sá, Celso Rocha Miranda, Hélio Beltrão e Shigeaki Ueki, entre outros, para compor o esquema tripartite de gestão do setor petroquímico, liderado pela Petroquisa e com a participação dos empresariados nacional e estrangeiro.
Em agosto de 1987, Geisel comemorou seus 80 anos com a revelação, segundo a Folha de S. Paulo, de ter alterado para 1908 o ano de seu nascimento quando, em 1921, ao prestar exames para ingressar no segundo ano do Colégio Militar, esbarrara no limite de idade de 13 anos para fazer a prova. Segundo a reportagem, esta informação fora passada ao jornal pela própria filha de Geisel, Amália Luci. O octogésimo aniversário foi festejado durante todo um fim de semana no sítio de Teresópolis, onde compareceram grande número de amigos e políticos, como seus ex-ministros Armando Falcão - um dos organizadores da homenagem -, Mário Henrique Simonsen, Paulo de Almeida Machado, Nei Braga, Luís Gonzaga do Nascimento e Silva, João Paulo dos Reis Veloso, Geraldo de Azevedo Henning, Arnaldo Prieto, Euclides Quandt de Oliveira, Azeredo da Silveira e Alisson Paulinelli, o ex-chefe do Gabinete Militar, general Gustavo Morais Rego, além dos então ministros Antônio Carlos Magalhães e Jorge Bornhausen, da Educação, o senador e presidente do PFL, Marco Maciel, os senadores Edson Lobão (PFL-MA), Divaldo Suruagi e Guilherme Palmeira (PFL-AL), o deputado federal Antônio Carlos Konder Reis (PDS-SC), o ex-governador do Rio de Janeiro, almirante Floriano Peixoto Faria Lima, e o ex-prefeito de Curitiba, Saul Raiz. Geisel demonstrou estar afinado com o presidente José Sarney, defendendo a realização de eleições diretas para a presidência da República apenas após estarem asseguradas a estabilização política e econômica e elogiando, segundo declarações de seu ex-ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen ao Jornal do Brasil, as medidas recentemente adotadas pelo Plano Bresser para atenuar a crise econômica. Na mesma ocasião, o jornal O Globo noticiou sua disposição em escrever suas memórias ou uma autobiografia, projeto até então rechaçado veementemente pelo ex-presidente.
Ainda por ocasião das comemorações dos 80 anos do general, a Folha de S. Paulo, apesar de apontar as controvérsias em torno do papel de Geisel e seu governo para o país, ressaltou a imagem positiva deixada por ele mesmo nos setores que foram perseguidos durante o seu governo. Para o deputado José Genoíno, do Partido dos Trabalhadores (PT) de São Paulo, se não fosse por Geisel, "teríamos aqui uma Argentina com seus desatinos e aberrações". As críticas mais ferozes ao seu governo vieram de representantes da direita, como o deputado José Wilson Siqueira Campos, do Partido Democrata Cristão (PDC) de Goiás, um dos porta-vozes da "linha dura" militar, que tinha no general Sílvio Frota, demitido por Geisel do Ministério do Exército, seu principal expoente, e que se referiu ao ex-presidente com palavrões e ataques pessoais. Para o cientista político Bolívar Lamounier, a tarefa de contabilizar os erros e acertos do governo Geisel era facilitada "pela evidência de uma opção inicial, desenvolvida com seriedade e competência inegáveis: a decisão de colocar em marcha o processo de descompressão política".
Pouco depois, diante da divulgação de um documento de Figueiredo pela Associação Brasileira de Defesa da Democracia (ABDD) que, segundo a Folha de S. Paulo, congregava a "linha dura" dos militares contra o governo Sarney, Geisel defendeu abertamente a união do PFL em torno do presidente da República. Em reportagem publicada pelo Jornal do Brasil, declarou ser o apoio ao governo "fundamental para uma transição democrática sem sobressaltos".
Em contatos com interlocutores mais íntimos, como Aureliano Chaves, Marco Maciel, Armando Falcão, e outros menos próximos, como Guilherme Palmeira e Antônio Carlos Magalhães, Geisel ponderou, segundo reportagem do Jornal do Brasil, que o PFL não poderia fugir de sua responsabilidade histórica em apoiar Sarney na transição política. Caso contrário, estaria deixando o governo nas mãos de um PMDB dividido e inclinado a partir para as eleições diretas para a presidência da República no próximo ano, abrindo caminho para a candidatura de Leonel Brizola, o que fortaleceria as articulações da direita militar, já presentes no momento em que Figueiredo começara a agir às claras através da ABDD. Segundo o Jornal do Brasil, Geisel não deixou escapar a ocasião para responsabilizar Figueiredo pela difícil situação política criada com a sua sucessão. Para Geisel, o rompimento do PFL com Sarney só interessava ao PMDB.
A Folha de S. Paulo, em reportagem publicada em novembro de 1987, também atribuiu a Geisel toda a responsabilidade pelas articulações que impediram o PFL de romper com o governo de Sarney, além de ter demovido um grupo de militares de levar adiante um projeto de desestabilização do governo federal. De acordo com esse jornal, em meados de setembro do ano anterior, Geisel teria sido procurado por um grupo de coronéis da reserva para consultá-lo sobre a viabilidade de um complô contra Sarney. Na ocasião, segundo a mesma reportagem, Geisel teria argumentado que a idéia contava com a repulsa das forças armadas e que a única maneira de evitar uma convulsão social no país era o apoio a Sarney e ao processo de transição democrática, que só terminaria após a promulgação da nova Constituição.
O próprio Sarney, segundo o Jornal do Brasil, havia se socorrido dos conselhos de Geisel, na fase mais aguda da crise, pedindo-lhe que mantivesse uma linha quase direta com Aureliano Chaves e Antônio Carlos Magalhães e com o senador Marco Maciel, que ameaçava deixar o PFL.
Apesar de ter defendido o mandato de cinco anos para Sarney e a instauração do presidencialismo pela Assembléia Nacional Constituinte (ANC), Geisel demonstrou descontentamento com os rumos da transição democrática manifestando, por ocasião da comemoração do 91º aniversário da Sociedade Nacional de Agricultura, em janeiro de 1988, preocupação com a redução dos investimentos provocada pela falta de recursos e pela ausência de estímulos para o setor privado, na condução da política econômica do governo.
Em abril de 1988, por ocasião dos 50 anos de criação do Conselho Nacional do Petróleo (CNP), foi recebido em Brasília para conversas com ministros e com o próprio presidente Sarney, que o recebeu no palácio da Alvorada para um encontro de avaliação das conjunturas política e econômica, da dívida externa, do trabalho da Constituinte e a CPI da corrupção no governo federal. Geisel havia preconizado vida curta para a nova Constituição a ser promulgada em outubro, criticando a Assembléia Nacional Constituinte (ANC) pelo detalhismo das propostas apresentadas.
Em junho, encerrando o Seminário Internacional da Indústria Petroquímica realizado em Salvador, defendeu a retirada progressiva e gradual do Estado em áreas que, segundo ele, deveriam ser naturalmente reservadas à iniciativa privada.
Em agosto, Geisel concedeu a João Paulo dos Reis Veloso sua primeira entrevista para a televisão desde que deixara o governo, para uma série de programas comandados pelo seu ex-ministro do Planejamento para a Televisão Educativa (TV-E), veiculados com o título de O último trem para Paris. Na entrevista, que tinha como tema central a crise do petróleo e seus reflexos na economia brasileira durante seu governo, Geisel combateu o pessimismo em torno da situação econômica do país, reafirmando sua crença de que, apesar das dificuldades econômicas, a democracia seria consolidada no governo Sarney. Disse também que seu governo rejeitara a recessão em resposta à crise do petróleo, optando pela promoção de um programa de desenvolvimento, com resultados bastante favoráveis.
Ainda durante o governo Sarney, Geisel também concedeu entrevista a Paul Boeker sobre a estratégia da política de abertura de seu governo e das dificuldades do Brasil sob a direção de presidentes civis, para um livro que o ex-embaixador norte-americano na Bolívia e Jordânia lançaria em 1990 nos Estados Unidos sob o título Ilusões perdidas; a luta da América Latina pela democracia, contada por seus líderes. Outros políticos civis latino-americanos, como o argentino Raúl Alfonsin e o costa-riquenho Oscar Arias, além de generais como o peruano Morales Bermudez e o uruguaio Hugo Medina, também foram entrevistados. Na entrevista, Geisel disse não acreditar na possibilidade de uma nova interferência dos militares na política, mas não garantia a hipótese de que isso não viesse a acontecer algum dia.
Em 1989, o nome de Geisel surgiu mais uma vez como um dos principais fiadores de uma candidatura de centro-direita para a sucessão do presidente José Sarney. De acordo com O Estado de S. Paulo, seu nome havia sido incluído, ainda no ano anterior, em um "conselho de anciãos" nomeado pelo ex-presidente Jânio Quadros para a regência de um pacto nacional em torno de sua candidatura. No entanto, no final de agosto, às vésperas das eleições, de acordo com declarações prestadas por Nei Braga à Folha de S. Paulo, Geisel desvinculou-se de qualquer candidatura, inclusive de Aureliano Chaves, que concorreria pelo PFL, liberando seu grupo político para apoiar outros candidatos excetuando, evidentemente, Leonel Brizola, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), e Luís Inácio Lula da Silva, do PT.
A ida de Lula para disputar o segundo turno das eleições presidenciais com Fernando Collor de Melo preocupou Geisel, que acreditava ser prematura a vitória de um partido pertencente à "ala mais radical da esquerda" e antevia problemas de governabilidade em caso de vitória do candidato petista.
Em abril de 1990, foi anunciada sua saída da presidência da Norquisa, indicando como substituto Paulo Vieira Belotti, a quem colocara na diretoria financeira da Petrobras durante o governo Sarney. No entanto, apenas em agosto de 1991, Geisel afastou-se efetivamente da empresa, confirmando sua aposentadoria.
Por ocasião do plebiscito realizado em abril de 1993 sobre forma e sistema de governo, defendeu o presidencialismo como o melhor para o país, por sua coerência com o sistema federativo brasileiro. Ainda em 1993, Geisel confirmou as declarações de Armando Falcão de ter interferido, quando ministro da Justiça de Geisel, para evitar que o ex-governador de São Paulo e candidato do PMDB à presidência da República, Orestes Quércia, fosse investigado por uma CPI em processo por enriquecimento ilícito e sonegação fiscal. Na ocasião, o senador Wilson Campos (PMDB-PE), que teve o mandato de senador cassado pelo ex-presidente Ernesto Geisel em decorrência do mesmo processo, também confirmou as acusações de Falcão contra Quércia. Segundo O Estado de S. Paulo, o relatório final da comissão sobre o processo em que Quércia figurava como indiciado deixava claro que havia um acordo político para salvá-lo, apesar da discordância da comissão. Em processo movido por Quércia contra o diretor responsável do Jornal da Tarde, Rui Mesquita, que veiculara a acusação, Falcão afirmou em juízo, como testemunha de defesa do jornalista, que Quércia só se salvara da cassação política e do seqüestro de bens porque "era peça importante na política do governo Geisel".
A partir de 1994, o estado de saúde do ex-presidente foi ficando cada vez mais delicado. Apesar disto, concordou em conceder, neste ano, um longo depoimento aos pesquisadores Maria Celina Soares d'Araújo e Celso Castro, do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (Cpdoc) da Fundação Getulio Vargas, publicado em 1997 sob o título Ernesto Geisel. Antes disto, em dezembro de 1995, o ex-ministro Armando Falcão também publicara a biografia do ex-presidente, lançada com o título Geisel, do tenente ao presidente.
Em 1975 e 1976, foram editados dois volumes de discursos e mensagens de sua autoria ao Congresso. Anteriormente, já haviam sido publicados a seu respeito as obras Geisel e a revolução (1976), de Adirson de Barros, O Brasil do general Geisel (1977), de Válder de Góis, e A segunda guerra, sucessão de Geisel (1979), de André Gustavo Stumpf e Merval Pereira Filho.
Ernesto Geisel faleceu no Rio de Janeiro no dia 12 de setembro de 1996.
Era casado com Luci Markus Geisel, com quem teve dois filhos.
O arquivo de Ernesto Geisel encontra-se depositado no Cpdoc.
Fonte: www.cpdoc.fgv.br

Nascimento: Bento Gonçalves-RS, em 03.08.1908
Falecimento: Rio de Janeiro-RJ, em 12.09.1996
Profissão: Militar
Período de Governo: 15.03.1974 a 15.03.1979 (05a)
Idade ao assumir: 66 anos
Tipo de eleição: Indireta
Votos recebidos: 400 (quatrocentos)
Posse: em 15.03.1964, em sessão conjunta do Congresso Nacional, presidida
pelo Senador Paulo Torres
Afastamento: várias vezes, por motivo de viagem, períodos em
que assumiu o Vice-Presidente
Observação: A Emenda Constitucional nº 1, de 17.10.1969,
fixou o mandato presidencial em 5 anos.
Fonte: www.planalto.gov.br