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Governo Ernesto Geisel

O governo Geisel estendeu-se de 15 de março de 1974 até 15 de março de 1979.

O modelo econômico desenvolvido pelo regime militar já apresentava sinais de esgotamento -- aumento da dívida externa, inflação, baixos salários. Mesmo assim, o governo tentou manter a expansão econômica e os grandes projetos: construção da hidrelétrica de Itaipu, lançamento do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), assinatura do acordo para a construção de usinas nucleares no Brasil.

Assim que tomou posse, o presidente Geisel anunciou sua intenção de promover a "abertura" do sistema político. "Distensão" e "abertura" eram termos usados para indicar transformações que levariam o país à redemocratização, que, nas palavras do presidente, deveria ser "lenta, segura e gradual", ou seja, submetida ao seu controle. Durante o governo Geisel cresceu muito a oposição ao regime militar.

A sociedade expressou seu descontentamento de várias formas:

Nas eleições legislativas de 1974 e 1978, o MDB obteve vitórias expressivas, apesar das limitações impostas pelas regras eleitorais da época.

A sociedade civil se organizava, na defesa dos direitos humanos (principalmente dos presos políticos), na campanha pela anistia, no movimento contra o custo de vida. Várias entidades se destacaram nas campanhas por mais liberdade e justiça. Entre elas: a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA), a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a Igreja.

O movimento estudantil voltava às ruas, promovendo assembléias e passeatas. Os estudantes não limitaram suas reivindicações à área educacional. Foram solidários com as lideranças operárias na luta contra o regime militar.

Enquanto isso, alguns sindicatos se reorganizavam e ganhavam força. Em 1978, os operários da fábrica SAAB-Scania, em São Bernado do Campo, entraram em greve a partir do dia 12 de maio. O movimento se estendeu a outras cidades do Estado de São Paulo e teve repercussão em todo o país, pois era a primeira vez desde 1968, que uma greve de tal proporção ocorria.

Fonte: www.portalbrasil.eti.br

Governo Ernesto Geisel

O governo Geisel estendeu-se de 15 de março de 1974 até 15 de março de 1979.

O modelo econômico desenvolvido pelo regime militar já apresentava sinais de esgotamento -- aumento da dívida externa, inflação, baixos salários. Mesmo assim, o governo tentou manter a expansão econômica e os grandes projetos: construção da hidrelétrica de Itaipu, lançamento do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), assinatura do acordo para a construção de usinas nucleares no Brasil.

Assim que tomou posse, o presidente Geisel anunciou sua intenção de promover a "abertura" do sistema político. "Distensão" e "abertura" eram termos usados para indicar transformações que levariam o país à redemocratização, que, nas palavras do presidente, deveria ser "lenta, segura e gradual", ou seja, submetida ao seu controle.
Durante o governo Geisel cresceu muito a oposição ao regime militar. A sociedade expressou seu descontentamento de várias formas:

Nas eleições legislativas de 1974 e 1978, o MDB obteve vitórias expressivas, apesar das limitações impostas pelas regras eleitorais da época.

A sociedade civil se organizava, na defesa dos direitos humanos (principalmente dos presos políticos), na campanha pela anistia, no movimento contra o custo de vida. Várias entidades se destacaram nas campanhas por mais liberdade e justiça. Entre elas: a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA), a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a Igreja.

O movimento estudantil voltava às ruas, promovendo assembléias e passeatas. Os estudantes não limitaram suas reivindicações à área educacional. Foram solidários com as lideranças operárias na luta contra o regime militar.

Enquanto isso, alguns sindicatos se reorganizavam e ganhavam força. Em 1978, os operários da fábrica SAAB-Scania, em São Bernado do Campo, entraram em greve a partir do dia 12 de maio. O movimento se estendeu a outras cidades do Estado de São Paulo e teve repercussão em todo o país, pois era a primeira vez desde 1968, que uma greve de tal proporção ocorria.

Na mesma época, as forças mais conservadoras e radicais do regime de 64 mostraram claramente que não pretendiam permitir mudanças no sistema político. Em 25 de outubro de 1975, morria o jornalista Vladimir Herzog, em uma das dependências do DOI-CODI (Departamento de Operações e Informações -- Centro de Operação e Defesa Interna), em São Paulo. O DOI-CODI centralizava todos os serviços de repressão político-social. Menos de três meses depois, em 17 de janeiro de 1976, morria no mesmo local o operário Manuel Fiel Filho.

Nos meses seguintes, inúmeros atos terroristas foram cometidos contra pessoas e instituições identificadas com a luta pela democracia. As mortes ocorridas em São Paulo foram apresentadas como suicídios pelas autoridades do Exército, apesar das evidências em contrário. Os atos terroristas nunca foram esclarecidos.

O governo procurava se equilibrar entre campos opostos. De um lado, ao substituiu o comandante do II Exército (responsável pelos acontecimentos no DOI-CODI em São Paulo), deixava claro que não permitiria mais violência contra os presos políticos. Por outro, nunca se apuraram a responsabilidade e autoria dos atos terroristas praticados na época.

No plano político, o governo promoveu uma série de reformas, com a finalidade de impedir o avanço da oposição:

Em 1976, a Lei Falcão regulamentou a propaganda eleitoral pelo rádio e pela televisão. Essa lei permitia apenas a divulgação do nome e do número do candidato, acompanhados por uma fotografia. Era uma forma de impedir o debate político e novas vitórias do MDB.
Em 1977, o presidente fechou o Congresso e impôs um conjunto de leis que ficou conhecido como "pacote de abril", determinando eleições indiretas para os governos dos Estados em 1978, ampliando o mandato presidencial para seis anos, restringindo a representação política dos Estados onde a oposição era mais forte e criando a figura do "senador biônico", que era nomeado pelo governo e não escolhido por meio de eleições.

De acordo com as novas regras, o governo conseguiu manter a maioria parlamentar, apesar de o MDB -- partido de oposição -- ter conseguido um número de votos superior aos da Arena, nas eleições de 1978.
Antes do final de seu governo, Geisel suspendeu a censura prévia à imprensa, revogou atos de banimento de presos políticos e revogou o AI-5, mas manteve mecanismos legais que concentravam nas mãos do presidente imensos poderes.

Seu sucessor, o general João Baptista Figueiredo, foi eleito pelo Congresso com 355 votos, contra 260 obtidos pelo candidato da oposição, general Euler Bentes Monteiro

Fonte: www.brasilescola.com

Governo Ernesto Geisel

Em 15 de março de 1974, o General Ernesto Geisel assumiu a presidência. Teve que enfrentar dificuldades econômicas e políticas que anunciavam o fim do "Milagre Econômico" e ameaçavam o Regime Militar, além dos problemas herdados de outras gestões: já no final de 1973, a dívida externa contraída para financiar as obras faraônicas do governo ultrapassava os 10 bilhões de dólares. Em 1974, a inflação chegava a 34,5% e dificultava a correção dos salários.

PND II - Geisel, surpreendentemente, ao invés de utilizar-se de uma política recessiva de maior contenção, se propôs a investir no crescimento econômico. O Brasil permaneceu, assim, com grande endividamento externo, mas direcionando os investimentos na indústria, para projetos que substituíssem importações. A meta era alcançar um crescimento industrial de 12% ao ano até 1979. Para isso desenvolveu o II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND), que visava a criar bases para a indústria (procurando reduzir a dependência em relação a fontes externas).

Com o objetivo de ampliar as fontes alternativas de energia para fazer frente à Crise do Petróleo, os investimentos se estenderam para o setor energético: iniciou-se um programa visando à implantação de um combustível alternativo à gasolina, o álcool. Surgiu então o Proálcool (Programa Nacional do Álcool), ao mesmo tempo que desencadeou um campanha de racionamento de combustíveis. Acompanhando isso, criou-se o Procarvão (Programa Nacional de Carvão), visando à substituição do óleo combustível. Ainda na área de energia, foi aprovado em 1975 o Programa Nuclear Brasileiro, uma aliança com os alemães que previa a instalação de uma usina de enriquecimento de urânio, além de centrais Termonucleares.

Esse programa, firmado com a Alemanha Ocidental, fez com que os Estados Unidos ameaçassem cortar o crédito pretendido pelo governo brasileiro, no valor de 50 milhões de dólares para fins militares. Geisel, não aceitando tal ameaça, adiantou-se, rompendo o acordo militar com os Estados Unidos. Houve também a preocupação com o aproveitamento do potencial hidráulico. Foram construídas as usinas de Tucuruí, no rio Tocantins, e de Itaipu, no rio Paraná, a maior usina hidroelétrica do mundo. No entanto, essas usinas excessivamente grande têm seu benefício questionado. Avalia-se que melhor teria sido a construção de várias pequenas hidrelétricas do que uma gigantesca.

A crise internacional do petróleo desencadeada em 1973 afetou o desenvolvimento industrial e aumentou o desemprego. Diante desse quadro, Geisel propôs um projeto de abertura política "lenta, gradual e segura". O plano de abertura é atribuído ao ministro-chefe do Gabinete Civil, general Golbery do Couto e Silva. Chama-se a Golbery de "eminência parda", pois era ele quem efetivamente planejava a maior parte dos atos do governo, sem contudo assumir o cargo de Presidente. Ainda assim, cassaram-se mandatos e direitos políticos.

Lei Falcão - Nas eleições de 1974, o crescimento das oposições mostrou-se patente. Em troca, em 24 de junho de 1976, o governo promulgou a Lei Falcão, que impedia o debate político nos meios de comunicação, particularmente no rádio e na televisão.

Em 20 de Janeiro de 1976, o General da linha dura Eduardo d'Ávila Mello foi afastado do comando do 2º Exército e substituído pelo General Dilermando Gomes Monteiro. A medida foi tomada em conseqüência das mortes do jornalista Wladimir Herzog, em 25 de outubro de 1975, e do operário Manuel Fiel Filho, em 17 de janeiro de 1976, no interior do DOI- Codi, órgão de repressão vinculado ao Exército. Quando de suas mortes, a nota do governo alegava que eles haviam se suicidado. Em 12 de outubro de 1977 foi também exonerado o ministro do Exército, o General Sílvio Frota, também da linha dura, por sua oposição à liberalização do regime. Geisel desmanchou, com isso, as articulações do ex-ministro para concorrer à presidência.

Pacote de Abril - Prevendo uma vitória da oposição nas eleições de 1978, Geisel fechou o Congresso por duas semanas e decretou em abril de 77 o "Pacote de Abril", que alterava as regras eleitorais: as bancadas estaduais da Câmara não podiam ter mais do que 55 deputados ou menos que seis. Com isso, os estados do Norte e do Nordeste, menos populosos, porém mais controlados pela Arena, garantiriam uma boa representação no Congresso, contrabalançando as bancadas do Sul e Sudeste, onde a oposição era mais expressiva, e o número de eleitores era muito superior.

O pacote mantém as eleições indiretas para governadores e criou a figura do senador biônico: um em cada três senadores passaria a ser eleito indiretamente pelas Assembléias Legislativas de seus estados. Em 15 de outubro de 1978 o MDB apresentou seu candidato ao colégio eleitoral, o general Euler Bentes, que recebeu 266 votos, contra 355 votos do candidato do governo, João Baptista Figueiredo. Nas eleições legislativas de 15 de novembro a Arena obteve em todo o país 13,1 milhões de votos para o Senado e 15 milhões para a Câmara; o MDB conseguiu 17 milhões de votos para o Senado e 14,8 milhões para a Câmara. Geisel conseguiu que a "distensão" seguisse nos seus moldes, lenta, gradual e segura. Obteve a eleição de Figueiredo, mas não impediu o avanço inconteste da oposição. Já ao final de seu mandato, em 1o. de janeiro de 1979, Geisel fez um ato louvável: extinguiu o AI-5.

Fonte: elogica.br.inter.net

Governo Ernesto Geisel

Ernesto Geisel
Ernesto Geisel

Originário da pequena classe média colonial rio-grandense, nascido na cidade de Bento Gonçalves em 8 de agosto 1908, de pai alemão emigrado e mãe nascida na cidadezinha de Estrela, Ernesto Geisel, indicado como presidente do Brasil em 1973, ao seu modo foi um exemplo da mobilidade social brasileira.

Porém, o único voto que ele recebeu para alcançar a presidência do Brasil, exercida entre 1974-1978, foi dado pelo general Médici. seu antecessor e exclusivo eleitor. Geisel saíra ainda jovem da colônia italo-alemã para chegar homem maduro ao palácio da Alvorada.

O alemão e a abertura

Paradoxalmente, foi a ele, ao “Alemão”, como seus companheiros de farda o chamavam, um homem ideologicamente comprometido com a ditadura militar e de forte inclinação filofascista, de inspiração mussolineana, quem terminou por conduzir o regime militar ao seu fim. Desde o discurso da posse, proferido em 15 de janeiro de 1974, seu nome passou a ser identificado com a “abertura”, isto é a estratégia de gradativa recuperação das liberdades democráticas, suprimidas da vida republicana desde a publicação do AI-5 (o Ato Institucional nº 5), ocorrida em 13 de dezembro de 1969, por obra do general Arthur da Costa e Silva. Secundado pelo seu escudeiro, o general Golbery do Couto e Silva, ex-chefe e mentor do SNI (Serviço Nacional de Informações), entendeu que o sistema sufocante e paranóico que os serviços de segurança (SNI, CIE, CISA, CENIMAR e dos DOI-CODIs, entre outros) haviam imposto ao país, e ao próprio govenro ditatorial, era intolerável. A “abertura” porém, articulada por quem Elio Gaspari chamou (A ditadura derrotada, Cia das Letras, SP, 2003) de “sacerdote” (o general Geisel) e seu companheiro , o “feiticeiro” (o general Golbery do Couto e Silva), não se faria de supetão.

fato, tratou-se de uma retirada milimetricamente calculada e executada que se estendeu por dez anos (de 1974 até 1984), até que o regime militar, desgastado, finalmente foi obrigado a aceitar a vitória no Colégio Eleitoral de um candidato civil à presidência: Tancredo Neves.

O grande eleitor

A escolha do general Geisel para suceder o general Emílio Garrastazu Médici (1969-1974), na condução suprema do regime militar foi um tanto sui generis. Num país de 150 milhões de habitantes, a indicação do maior mandatário da nação, se bem que gozando da aprovação dos demais líderes militares, foi feita apenas por um voto: o do próprio general Médici. Grande parte disso devia-se ao sucesso do governo ditatorial, pois na Era Médici, época do Milagre Econômico, a repressão brutal convivia com taxas de crescimento de mais de 11% ao ano. Foi o prestígio amealhado pelo presidente-ditador que fez com que ele, tornando-se o Grande Eleitor, dispensasse a necessidade de realizar amplas consultas aos comandante das forças armadas ou ter que convocar um consistório de generais para encontrar um nome consensual para a sua sucessão. Para ele era o “Alemão” e fim de conversa.

Segundo Élio Gaspari, o único registo, mais ou menos público, de inconformidade com aquele procedimento eleitoral sui generis partiu de um cidadão norte-americano. Estando a aparar o cabelo no Salão Vogue, no centro do Rio de Janeiro, um executivo de uma empresa petrolífera americana, manifestou para o barbeiro a sua estranheza e o seu desagrado com aquele tipo de “sufrágio”, processo absolutamente inusitado para um americano. Teve a infelicidade de ter sido escutado por um major do exército que terminou por levá-lo preso, intimando-o depois a ter que dar esclarecimentos a uma agência do SNI.

Igualmente pesou na escolha do nome do general Ernesto Geisel o fato do seu irmão mais velho, o general Orlando Geisel, ser o todo-poderoso Ministro do Exército do regime. Estava numa posição que lhe permitia remover qualquer obstáculo vindo das casernas que ameaçasse a promoção final de Ernesto Geisel à presidência. Aos políticos civis, aos desprezados “casacas” que davam sustentação ao regime militar, os integrantes da ARENA (Aliança Renovadora Nacional), só lhes restou coonestar e aplaudir o nome do ungido.

Henrique, Orlando e Ernesto, três dos cinco irmãos Geisel (os outros eram Bernardo, um engenheiro-químico e Amália, uma professora), orientaram-se para a carreira militar quase que por faltas de alternativas. Todos os três cursaram o Colégio Militar de Porto Alegre e depois seguiram para a Escola de Cadetes de Resende abraçando a carreira das armas. Os dois irmãos Geisel mais próximos, Orlando e Ernesto foram empolgados pela Revolução de 1930, aderindo ao levante de 3 de outubro liderado por Getúlio Vargas, presidente do Estado do Rio Grande do Sul, contra o presidente da União, o paulista Washington Luís.
Pertenciam, ainda que com atuação discreta, à geração dos tenentes, aqueles oficiais que se levantaram no Forte de Copacabana em 1922, contra o governo oligárquico e depois participaram de uma série de outras insurgências (Revolta do Isidoro, de 1924, Coluna Prestes, 1924-27, etc...). Ernesto Geisel, vitoriosa a revolução, aceitando um cargo numa secretaria do Estado da Paraíba, tornou-se um “anfíbio”, o que na gíria militar significa um oficial de carreira que assume funções civis. A crise econômica, seguida da Grande Depressão que se estendeu por grande parte da década dos anos trinta do século XX, fez com que a confiança nos valores da democracia liberal se evaporassem em grande parte dos países ocidentais.

Tenentismo e autoritarismo

Os tenentes que chegaram ao poder com Getúlio Vargas, dividiram-se então em três correntes: os que aceitaram a sedução dos civis, abandonando a carreira em função de posições na política, como deu-se com Juracy Magalhães, os que se inclinaram pelo comunismo, com o foi o caso do mais famoso deles todos, o do capitão Luís Carlos Prestes (que depois de negar-se a associar-se a Vargas, exilou-se em Moscou e tentou dar um golpe comunista em 1935), e aqueles que deixaram-se tentar pelo sinal oposto: o da direita autoritária, simpatizante do nazi-fascismo. Posição em que se perfilou Filinto Müller e, de um modo bem mais discreto, os irmãos Geisel. Ernesto, particularmente, impressionou-se com o ditador italiano Benito Mussolini e por suas leituras das obras de Alberto Torres e Oliveira Viana, teóricos do nacionalismo autoritário, “uma espécie de fascismo”, segundo Cruz Costa (Contribuição à história das idéias no Brasil, RJ, 1967, pág. 408).

Pode-se afirmar que foi nos anos trinta que eles, Orlando e Ernesto formaram a sua ideologia definitiva, alinhando-se com a direita militar nacionalista. Além de anticomunistas, eram antidemocratas que tinham desprezo pelo liberalismo. Pessoal e ideologicamente autoritários, eram a favor do intervencionismo estatal na economia, o que se refletiu no IIº PND (Plano Nacional de Desenvolvimento, de 1975-79) do governo Geisel, e de uma sociedade civil hierarquizada, regrada e disciplinada. Eram militares da direita, elitistas corporativos que, ao contrário dos fascistas, dispensavam qualquer mobilização de massas em seu apoio.

Frustração com as urnas

Desconfiavam dos políticos civis, “os casacas”, especialmente dos “populistas”, e não gostavam de ricaços e milionários, a quem, em geral, consideravam “ ladrões”. Para eles, que apoiaram sempre candidatos antigetulistas, como nas fracassadas campanhas do brigadeiro Eduardo Gomes, a de 1946, e a de 1950, e depois Jânio Quadros, em 1960, o resultado das urnas só comprovava o despreparo do povo para votar, sendo facilmente enganados por demagogos de ocasião.

Também afinavam com o pensamento muito em voga no meio militar mais conservador de que a democracia era um pasto fértil para os comunistas deitarem sua pregação subversiva, de darem vazão a sua “guerra psicológica” contra as instituições estabelecidas incitando as massas à revolução.

Acreditavam que o Brasil, bem conduzido pelas Forças Armadas, esmagada a subversão e contida a corrupção, tinha possibilidade de galgar a posição de uma potência média, uma potência emergente, o Brasil Grande afastado dos demais países do Terceiro e do Quarto Mundo e mais próximo aos do Primeiro Mundo (do Hemisfério Norte, como preferia dizer o general Geisel), dai o empenho dele, do general Ernesto Geisel, em dotar o país, por meio de um acordo especial assinado com a Alemanha, de tecnologia nuclear, e estimular pelo IMBEL e a ENGESA à fabricação do seu próprio equipamento militar (Geisel rompeu com os acordos militares que o Brasil mantinha com os Estados Unidos nesse setor em razão do Senado norte-americano ter passado arbitrar a venda de armas em função da política dos direitos humanos), fazendo com que o país assumisse, entre 1979-81, a liderança dos exportadores de armas das nações em desenvolvimento (alcançando a 45,6% do total exportado pelos desse bloco).

A abertura política

Uma complexidade de motivos conduziu a que fosse justamente o governo do “Alemão”, o general que tinha o perfil mais próximo do autoritarismo militar, quem desse os primeiros passos para a descompressão política do regime de 1964. Se fosse possível sintetizar o programa político de Geisel ele poderia resumir-se em limitar a autonomia dos aparelhos repressivos (do tipo DOI-CODI) fazendo com que, ainda que mantendo a subversão sob controle e no sufoco, a oficialidade das três armas gradativamente fosse reorientada da luta ideológica anticomunista, de deixar de ser uma tropa de choque do regime, para refluir à posições mais “profissionalizantes”, centradas nas perspectivas da construção do Brasil Potência. Decisão que fez com que Geisel tivesse que enfrentar a linha-dura, os oficiais anticomunistas que controlavam os aparelhos repressivos e que não viam fim próximo na guerra contra a subversão (*), ao tempo em que modelava a sua visão muito peculiar de democracia.

Uma democracia peculiar

A “democracia relativa” concebida pelo general Geisel era um regime onde umas séries de avanços seriam concedidas à sociedade civil, tais como o alivio gradual da censura prévia e a possibilidade de mais participação na vida política, ao tempo em que garantia mecanismos que impedissem, na prática - tais como a “Lei Falcão” e o “Pacote de Abril”, de 1976 e 1977 -, que a oposição ao regime viesse algum dia vencer as eleições e derrubar o govenro pelo voto. A razão dela ser “relativa” é que o general Geisel não a creditava que uma democracia plena fosse adequada ao Brasil, habitado por gente inculta e atrasada. Por isso lançou mãos de artifícios, como no caso dos senadores biônicos, para forjar maiorias não referendadas pelas urnas.

Tudo isso – o processo de abertura - seria naturalmente possível desde que fosse mantido um notável padrão de crescimento, tendo para isso ao seu lado, gerenciando a máquina estatal, uma elite tecnocrática responsável pelo sucesso do empreendimento (ministros como Mário Henrique Simonsen, Reis Velloso, Shigeali Ueki, o general Dirceu Nogueira e Alysson Paulinelli).

Na linha de tentar encontrar o caminho da pedras que conciliasse uma abertura moderada com o prosseguimento do domínio militar por um bom decênio ainda, o Ministro João Leitão de Abreu, ainda no tempo do governo Médici, contatara o cientista político norte-americano Samuel Huntigton para que imaginasse um cenário que contemplasse o prolongamento do regime. Huntington (in Métodos de Descompressão Política, 1973), além de alertar para os perigos de uma liberalização rápida, recomendou que seguissem o exemplo mexicano no qual um só partido , o PRI (Partido Revolucionário Institucional) controlava o país havia mais de meio século. Conselho que foi desconsiderado.

Fonte: educaterra.terra.com.br

Governo Ernesto Geisel

Ernesto Geisel (Bento Gonçalves, 3 de agosto de 1907 — Rio de Janeiro, 12 de setembro de 1996) foi um militar (general) e político brasileiro, o quarto presidente do regime militar instaurado pelo golpe de 1964.

Nasceu em uma família luterana de imigrantes alemães, seus pais eram August Wilhelm Geisel e Lydia Beckmann. Ernesto Geisel falava e lia o alemão. Dois de seus irmãos também ingressaram na carreira das armas e tornaram-se generais: Henrique Geisel e Orlando Geisel, que chegou a ser ministro do exército durante o governo de Emílio Garrastazu Médici.

Ernesto Geisel iniciou sua carreira militar em 1921 , ingressando no Colégio Militar de Porto Alegre . Participou de ações militares na Revolução de 30 e na Revolução Constitucionalista, de 1932. No início dos anos 30 também desempenhou as funções de secretário de fazenda da Paraíba. Em 1940, Geisel casou-se com sua prima-irmã, Lucy, com quem teve dois filhos: Amália e Orlando, este último falecido num acidente de trem em 1957. Geisel jamais se recuperaria totalmente deste duro golpe.

Nos anos 50, Geisel comandou a guarnição de Quitaúna e gerenciou a refinaria de Cubatão, ambas no estado de São Paulo. Durante este período, ele estreitou suas ligações com o grupo militar que mais tarde seria conhecido como "Sorbonne", ligado à Escola Superior de Guerra.

Ele sempre teve interesse na área de extração petrolífera, tendo dirigido a refinaria de Cubatão em 1956, a Petrobras (1969 a 1973) e, após 1979, a Norquisa. Em sua gestão na presidência da Petrobras, empresa estatal que deteve até a década de 90 o monopólio da extração de petróleo no Brasil , concentrou esforços na exploração da plataforma submarina, tendo obtido resultados positivos. Conseguiu acordos no exterior para a pesquisa e firmou convênios com o Iraque, o Egito e o Equador.

Após o golpe de 1964, em 15 de abril de 1964 foi nomeado chefe da Casa Militar pelo presidente Castello Branco que o encarregou de averiguar denúncias de torturas em unidades militares do Nordeste. Castello o promoveu a general-de-exército em 1966 e o nomeou ainda ministro do Supremo Tribunal Federal em 1967. Foi lançado oficialmente candidato à Presidência pela Arena, em 18 de Julho de 1973 e venceu no Colégio Eleitoral em 15 de Janeiro de 1974 o candidato do único partido legal de oposição,MDB, Ulysses Guimarães.

Em política externa procurou ampliar a presença brasileira na África e na Europa, evitando o alinhamento incondicional à política dos Estados Unidos.

Principais realizações

o reatamento de relações com a China;

o II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND);

a busca de novas fontes de energia, realizando o acordo nuclear com a Alemanha, criando os contratos de risco com a Petrobrás e incentivando a utilização do álcool como combustível;

início do processo de redemocratização do país, embora tal processo tenha sofrido alguns retrocessos durante seu governo, como bem exemplifica o Pacote de Abril, em 1977 . Geisel afirmou que a redemocratização seria um processo "lento, seguro e gradual".

Após o mandato

Como ex-presidente, manteve grande influência sobre o exército ao longo dos anos 80 e hipotecou, em 1985, seu apoio à candidatura vitoriosa de Tancredo Neves, nas eleições indiretas daquele ano, derrotando Paulo Maluf. Também foi presidente da Norquisa, empresa ligada ao setor petroquímico.

Sua trajetória de vida e seu governo são descritos em O Sacerdote e o Feiticeiro, um conjunto de três livros escritos pelo jornalista Elio Gaspari. Seu ministro da justiça, Armando Falcão, também escreveu uma biografia de Ernesto Geisel. Em 1997, a Fundação Getúlio Vargas publicou a transcrição de seu depoimento, no qual narrou sua vida particular, militar e política.

Fonte: pt.wikipedia.org

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