Em 1989, depois de 29 anos da eleição direta que levou Jânio Quadros à Presidência da República, o alagoano Fernando Collor de Mello (lançado pelo pequeno PRN) foi eleito por pequena margem de votos (42,75% a 37,86%) sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em campanha que opôs dois modelos de atuação estatal: um pautado na redução do papel do Estado (Collor) e outro de forte presença do Estado na economia (Lula).
A campanha foi marcada pelo tom emocional adotado pelos candidatos e pelas críticas ao governo de José Sarney. Collor se autodenominou "caçador de marajás", que combateria a inflação e a corrupção, e "defensor dos descamisados". Lula, por sua vez, apresentava-se à população como entendedor dos problemas dos trabalhadores, notadamente por sua história no movimento sindical.
Nos primeiros 15 dias de mandato, Collor lançou um pacote econômico, que levou seu nome, e bloqueou o dinheiro depositado nos bancos (poupança e contas correntes) de pessoas físicas e jurídicas (confisco). Entre as primeiras medidas para a economia havia uma reforma administrativa que extinguiu órgãos e empresas estatais e promoveu as primeiras privatizações, abertura do mercado brasileiro às importações, congelamento de preços e pré-fixação dos salários.
Embora inicialmente tenha reduzido a inflação, o plano trouxe a maior recessão da história brasileira, resultando no aumento do desemprego e nas quebras de empresas. Aliado ao plano, o presidente imprimia uma série de atitudes características de sua personalidade, que ficou conhecida como o "jeito Collor de governar".
Era comum assistir a exibições de Collor fazendo cooper, praticando esportes, dirigindo jato supersônico, subindo a rampa do Palácio do Planalto, comportamentos que exaltavam suposta jovialidade, arrojo, combatividade e modernidade. Todos expressos em sua notória frase "Tenho aquilo roxo".
Por trás do jeito Collor, montava-se um esquema de corrupção e tráfico de influência que veio à tona em seu terceiro ano de mandato.
Em reportagem publicada pela revista Veja, edição de 13 de maio de 1992, Pedro Collor acusava o tesoureiro da campanha presidencial de seu irmão, o empresário Paulo César Farias, de articular um esquema de corrupção de tráfico de influência, loteamento de cargos públicos e cobrança de propina dentro do governo.
O chamado esquema PC teria como beneficiários integrantes do alto escalão do governo e o próprio presidente. No mês seguinte, o Congresso Nacional instalou uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o caso. Durante o processo investigatório, personagens como Ana Accioly, secretária de Collor, e Francisco Eriberto, seu ex-motorista, prestaram depoimento à CPI confirmando as acusações e dando detalhes do esquema.
Um dos expedientes utilizados por PC era abrir contas "fantasmas" para realizar operações de transferência de dinheiro _arrecadado com o pagamento de propina e desviado dos cofres públicos_ para as contas de Ana Accioly. Além disso, gastos da residência oficial de Collor, a Casa da Dinda, eram pagos com dinheiro de empresas de PC Farias.
Aprovado por 16 votos a 5, o relatório final da CPI constatou também que as contas de Collor e PC não foram incluídas no confisco de 1990. Foi pedido o impeachment do presidente.
Em agosto, durante os trabalhos da CPI, a população brasileira começou a sair às ruas para pedir o impeachment. Com cada vez mais adeptos, os protestos tiveram como protagonista a juventude, que pintava no rosto "Fora Collor", com um ele verde e o outro amarelo, e "Impeachment Já" - foi o movimento dos "caras-pintadas".
Em votação aberta, após tentativa de manobra do presidente para uma sessão secreta, os deputados votaram pela abertura de processo de impeachment de Collor. Foram 441 votos a favor (eram necessários 336), 38 contra, 23 ausências e uma abstenção.
Collor renunciou ao cargo, mas com o processo já aberto, teve seus direitos políticos cassados por oito anos, até 2000.
Pedro Collor só chama o empresário PC Farias de "Lepra Ambulante". Ao se referir a Pedro, PC também não é amistoso. "Aquele moleque tem uma inteligência desse tamaninho e toma doses de vodca desse tamanhão", diz. O que faz o conflito atravessar as fronteiras de Alagoas é um dossiê que Pedro tem em suas mãos sobre o Lepra Ambulante. "Se esse material se tornasse público, o impeachment poderia ocorrer em 72 horas", disse o irmão mais novo de Collor.
(19 de fevereiro de 1992)
VEJA teve acesso à seção "negócios internacionais" do Dossiê Pedro Collor. Os documentos mostram que PC Farias tem participação em pelo menos nove empresas no exterior. Segundo especialistas, tal articulação de empresas é feita quando se precisa movimentar um capital da ordem de 50 milhões de dólares.
(13 de maio de 1992)
Os jardins babilônicos de Fernando Affonso Collor de Mello são a sétima maravilha da corrupção do governo. Para dar um toque final na megalomania vegetal, há cinco grandes cachoeiras de águas cristalinas. O sibarita só aciona o mecanismo eletrônico que faz as cascatas ciciarem quando estão presentes os sicofantas e sacripantas de sua intimidade.
(9 de setembro de 1992)
O presidente Fernando Collor de Mello foi afastado do cargo que ocupava desde 15 de março de 1990. O voto de 441 deputados a favor do seu julgamento no Senado, dado em alto e bom som na memorável sessão de terça-feira passada, apeou a cáfila de salteadores que ocupou a Presidência.
(30 de setembro de 1992)
Pedro Collor de Mello tem quatro tumores malignos no cérebro. A área afetada é tão grande que torna impossível um tratamento cirúrgico.
(30 de novembro de 1994)
Fonte: www.unificado.com.br

Fernando Affonso Collor de Mello (Rio de Janeiro, 10 de Agosto de 1949), foi presidente do Brasil entre 1990 e 1992.
Seu governo foi marcado pelo Plano Collor, pela abertura do mercado nacional às importações,.
Não terminou o mandato, tendo sofrido um processo de impeachment fundado em acusações de corrupção.
Fernando Collor de Mello nasceu no Rio de Janeiro, e pertence à uma família tradicional de políticos alagoanos.
Seu pai, Arnon de Mello, governou Alagoas, estado pelo qual também foi senador.
Seu avô materno Lindolfo Collor, deputado federal pelo Rio Grande do Sul, foi um dos principais líderes da Revolução de 1930 e, depois, organizou o Ministério do Trabalho, da Indústria e do Comércio, do qual foi titular até 1932, ano em que se afastou politicamente de Getúlio Vargas e participou da Revolução Constitucionalista de São Paulo.
Collor Foi presidente, por um curto período, do clube de futebol CSA, da capital alagoana, Maceió.
Antes de entrar na vida pública trabalhou como jornalista do Jornal do Brasil (entrando no jornal com a ajuda de Carlos Castello Branco), foi gerente do Fundo Oportunitty (em parceria com Ronaldo Cézar Coelho) e foi superintendente das Organizações Arnon de Mello, que compreende a TV, rádio e jornal Gazeta de Alagoas.
Fernando Collor foi Prefeito nomeado de Maceió (1979-1982), Deputado Federal (1983-1987), e governador eleito de Alagoas (1987-1991).
No governo de Alagoas combateu o empreguismo e altos salários de funcionários públicos e ficou conhecido nacionalmente como "Caçador de Marajás".
Collor tornou-se conhecido nacionalmente em três programas eleitorais em 1989 bem produzidos em termos de marketing.
Em 1989 ele derrotou Luiz Inácio Lula da Silva em uma acirrada eleição presidencial - a primeira eleição direta para presidente desde 1960. Nesta eleição participaram também: Ulisses Guimarães, Leonel Brizola e Paulo Maluf.
No último debate eleitoral, dias antes do pleito, ele apresenta ao público brasileiro uma manicure que acusou Lula de pedir o aborto de sua filha Lurian.
Em contrapartida à imagem esquerdista de seu oponente e futuro presidente à partir de 2003, Collor exibia-se como um verdadeiro arauto da modernidade, em termos de comportamento, postura e política econômica.
Eleito pelo PRN, no segundo turno (contra o candidato Lula, com 32,75% (contra 37,86%), de um total de 66.166.362 votos.
Collor foi o presidente mais jovem a assumir o cargo até hoje (tinha 40 anos em 1990).
Collor elegeu como principal prioridade de seu governo a luta contra a inflação, que chegava a alcançar taxas de 25% ao mês. Suas medidas contra a inflação foram bastante radicais: o governo congelou as contas de poupança e as aplicações financeiras da população. "Sem dinheiro não há inflação" era o seu lema.
Seu plano anti-inflação funcionou só por alguns meses e a inflação nunca chegou a ser satisfatoriamente controlada durante todo o seu mandato.
Em que pesem as baixas taxas de crescimento durante seu mandato, alguns analistas econômicos passaram a reconhecer, com o passar dos anos, a importância de algumas das medidas econômicas tomadas pelo seu governo: uma maior abertura do mercado brasileiro à importação e exportação de bens e produtos, causada por um programa massivo de redução das alíquotas de importação, da burocracia e da intervenção estatal na economia.
Embora estas medidas tenham tido grande importância na posterior modernização do parque industrial brasileiro, há um consenso de que a crise política que dominou o governo Collor sobrepujou quaisquer benefícios destas medidas isoladas no desenvolvimento do país.
Em 1992, Collor foi acusado de corrupção por seu irmão Pedro, o que gerou investigações lideradas pela imprensa e, posteriormente, pelo Congresso Nacional.
A enxurrada de indícios de propinas e desvios de verbas públicas gerou amplas manifestações populares nas principais cidades do Brasil. As acusações envolviam o presidente Collor diretamente, bem como seu antigo tesoureiro de campanha, PC Farias. Em Outubro, o Congresso votou pela sua suspensão do cargo.
Enquanto o processo de impeachment corria no Senado Federal, Collor renunciou em 29 de Dezembro de 1992. Em entrevista dada à Rede Globo em 2005, Collor chegou a afirmar que seu desgosto à época foi tão grande, que ele chegou a pensar em se matar.
Durante a mobilização que precedeu o impeachment, destacou-se o envolvimento de jovens, apelidados à época de "caras-pintadas", em referência às pinturas de seus rostos. Segundo opiniões de muitos políticos e sociólogos, sem essa participação juvenil, o afastamento de Collor provavelmente não teria ocorrido.
As manifestações públicas foram fundamentais para a queda do presidente, segundo os mesmos, e que foram justamente elas as responsáveis pela geração do “fato”, do elemento que desestabilizou o governo, que promoveu uma inversão na relação de forças e possibilitou o afastamento de partidos e lideranças empresariais.
Houve também quem dissesse que o movimento juvenil era desprovido de idealismo e coerência política, ou seja, que era um movimento criado e manipulado ou pelos meios de comunicação de massas ou por grupos esquerdistas.
Os políticos também foram motivados - mesmo que pensando em sua sobrevivência política - pela pressão popular. O estigma de votar contra o afastamento de um presidente acusado de corrupção e execrado pela opinião pública poderia inviabilizar candidaturas, especialmente aquelas envolvidas nas eleições municipais que iriam ocorrer quatro dias depois. Seria também um pesado fardo político para ser carregado por aqueles que tentassem a reeleição ao Congresso em 1994. Todos os deputados que eram candidatos a cargos municipais votaram pelo afastamento de Fernando Collor.
Várias mudanças ocorreram também no calor da votação. Votos que eram contabilizados para o governo, subitamente, tornaram-se pró-impeachment. Dois desses votos, talvez, merecessem um certo destaque: em primeiro lugar o deputado Onaireves Moura (PTB-PR), que dias antes havia organizado um jantar de desagravo ao presidente e posteriormente votou pela aprovação do impeachment. Em segundo lugar, demonstrando o completo isolamento do presidente, o voto de Cleto Falcão, ex-líder do PRN na Câmara e amigo íntimo de Collor.
Por sua vez, os meios de comunicação de massas também foram envolvidos por esse turbilhão de manifestações.
O “estímulo” definitivo para os parlamentares foi oferecido em 23 de setembro de 1992, quando o Supremo Tribunal Federal decidiu que a votação para o afastamento do presidente Collor, na Câmara, seria através do voto aberto. Seria impossível, pois, a partir desse momento esquivar-se do “clamor popular”, da “voz das ruas”.
A votação terminou com a aprovação do impeachment: 441 votos a favor do impeachment, e 38 votos contra.
O processo dependia agora da aprovação do Senado Federal. Para escapar do impeachment - que a essa altura era considerado certo - Collor renunciou em 27 deezembro de 1992.
Mesmo assim, o Senado o julgou e, por 76 votos contra 5, Collor foi considerado culpado por crime de responsabilidade, tendo seus direitos políticos suspensos por oito anos.
Collor foi sucedido pelo seu vice-presidente, Itamar Franco. Em dezembro de 1994, Fernando Collor foi absolvido das acusações de corrupção pelo Superior Tribunal de Justiça brasileiro, por cinco votos favoráveis e três contrários. Mesmo assim, continuou suspenso da vida pública por 8 anos.
Em 23 de junho de 1996, seu ex-tesoureiro PC Farias foi encontrado morto em sua cama ao lado de uma amante, ambos assassinados a tiros, em circunstâncias até hoje não totalmente esclarecidas. Muito se falou em "queima de arquivo", mas as perícias judiciais (que também foram questionadas) apontaram que seu assassinato foi decorrente de "crime passional". Até hoje, não há consenso sobre a questão.
Collor foi acusado perante o Supremo Tribunal Federal do crime comum de formação de quadrilha, havendo sido absolvido por falta de provas. Collor foi absolvido de 103 acusações feitas contra ele.
Após o decurso da sua inelegibilidade, em 2000, Collor tentou concorrer à prefeitura de São Paulo, mas não obteve sucesso. Em 2002, ele concorreu ao governo de seu Estado, Alagoas, mas perdeu novamente. O êxito de Collor nas urnas de 2004 foi ter conseguido eleger o filho Fernando James (PRTB), que Collor reconheceu alguns anos antes, por um exame de DNA, vereador em Rio Largo, na grande Maceió.
Fonte: pt.wikipedia.org