
Desde a Revolução de 30, o Governo Vargas perseguia a idéia da implantação da indústria de base no Brasil. Era evidente para Getúlio que o Brasil necessitava acelerar seu processo de industrialização e que um dos principais entraves a esse desenvolvimento residia na ausência da produção siderúrgica em grande escala. A oferta insuficiente de energia elétrica seria outro desses entraves. Em diversos pronunciamentos do período Vargas faria alusões ao problema.
Em entrevista concedida à imprensa em 1940 na estância de São Lourenço Vargas afirmava que:
“A nossa produção siderúrgica atual é reduzida, cara e antieconômica, devido aos processos adotados. Trabalha com pequenos altos fornos a carvão de madeira. Ainda mais, o seu crescimento depende de reservas florestais, que vão diminuindo com o tempo e cuja reconstituição é demorada e custosa, sobretudo se considerarmos que só pode ser utilizado o carvão de madeira de lei. Admitindo-se mesmo, a possibilidade de um reflorestamento regular, a siderurgia explorada nessas bases se tornará cada vez mais onerosa e precária, pelo consumo crescente das reservas florestais”.
Vargas argumentava ainda que o uso de carvão vegetal na grande siderurgia causaria grandes danos ecológicos:
“... a destruição das reservas florestais sem nenhuma garantia de que serão reconstituídas, quando o interesse nacional aconselha defendê-las e melhorá-las, a limitação de consumo interno de produtos siderúrgicos, que fica condicionado a um regime de preços altos pelas deficiências dos processos de produção...”. Sendo assim, para ele “a solução do problema está, portanto, na grande siderurgia”. (1)
Em fins da década de 30, o Major Macedo Soares viajou a Europa e aos Estados Unidos para buscar oportunidades de exportação de ferro e de instalação da grande siderurgia no Brasil.
Revolucionário na década de vinte, Macedo Soares vivera no exílio em Paris, antes da Revolução de 30, quando estudara metalurgia. Como muitos militares integrantes do movimento tenentista, acreditava que a chave para o progresso e o bem do estar do país estava na sua industrialização e que a instalação da indústria siderúrgica seria estratégica para que o desenvolvimento industrial brasileiro pudesse tomar vulto. (2)
Como resultado da missão de Macedo Soares, a empresa United States Steel, grande grupo siderúrgico norte-americano, concordou em enviar técnicos ao Brasil para examinar a possibilidade da construção de uma planta para produção de aço no país.
Em agosto de 1939, por sugestão de Macedo Soares, Getúlio criou a Comissão Preparatória do Plano Siderúrgico Nacional que veio a ser presidida pelo próprio Macedo Soares.
Em janeiro de 1940, após a visita ao Brasil da missão americana, o governo brasileiro foi informado da desistência da empresa americana de participar do projeto.
Assim sendo, Vargas decidiu constituir uma empresa de capital nacional para implantar a grande siderurgia, que contaria com créditos e assistência técnica estrangeiros.
Fonte: www.getulio50.org.br